David Gruberger

10 Anos para Crescer

O clima é de “to levando a vida!” em Israel. Nossos vizinhos estão em guerras, protestos e atentados. A Europa está falida, os Estados Unidos tentando colar os seus pedaços, os próprios BRICS (o Brasil então!) já não crescem como antes. Ainda assim, essa é uma sensação puramente comparativa. Há um ano e meio, 500 mil israelenses foram às ruas pedir por melhoras e, apesar da pressão, esse não é mais o foco principal das eleições de 22 de Janeiro.

A sensação é de que a riqueza, e mais importante, a sua distribuição, estão escorrendo gradativamente das mãos do israelense comum. A educação não é mais a mesma, israelenses (que podem) contratam seguros médicos complementares, o transporte é problemático. A resposta rápida é: vamos cobrar mais impostos dos ricos e isso resolverá o problema. Cobrar mais dos ricos significaria trazer a igualdade (e qualidade)? A resposta é incerta e, a meu ver, provavelmente negativa.

A taxação dos ricos é uma solução antiga para os problemas dos pobres, mas em um país em que a classe média é maioria, a resposta é um pouco diferente. Na atual conjuntura, em que não se sabe o tamanho do buraco em que a economia mundial caiu, essa resposta é mais incerta ainda. A sensação dos israelenses é certa: nessas condições é a classe média quem paga a conta.

Os últimos governos israelenses erraram. Na época da bonança, as riquezas não foram distribuídas e os serviços não melhoraram, gerando desconforto da classe média quando percebeu que na época da crise é ela quem paga. No entanto, quando as coisas estavam boas, quem ganhava eram os milionários. Agora, não tem muito jeito de mudar…

gráfico-crescimento-economia-israel

Trago abaixo as ideias do Professor Yaakov Shainin, da Universidade de Tel Aviv. Em artigo para a Calcalist, Shainin cita um plano de treze pontos para levar Israel a outro patamar em dez anos. Ele propõe um caminho em que Israel cresceria 6% ao ano, chegando ao nível de riqueza (per capita) dos Estados Unidos e diminuindo os abismos sociais. Suas metas são ambiciosas: diminuir a pobreza em pelo menos 50%; reduzir a desigualdade de 38% para 30%; e crescer o PIB per capita em 50%. O aumento dos investimentos seria o princípio que levaria Israel a esses resultados. Veja abaixo os pontos resumidos:

  1. Aumentar a oferta de terrenos para construção a 50 mil unidades habitacionais por ano, levando em conta as concentrações populacionais no país. Essa política poderia levar à redução dos preços de imóveis em 30%, trazendo solução realista para os problemas habitacionais. Isentar capital de quem compra casa própria é outra ideia;
  2. Chegar à produção de 1,3 bilhões de metros cúbicos de água dessalinizada nos próximos dez anos, resolvendo o problema de água israelense e mantendo o preço em um nível razoável (USD1,20 por metro cúbico);
  3. Acelerar a construção de umsistema de transporte eficaz que permita a maior e melhor distribuição da população. Isso incluiria a construção de trens elétricos rápidos ligando Naharia, Tel Aviv, Beit Shean e Jerusalém. Paralelamente, construção de duas linhas de metrô ligando toda a área de Gush Dan (centro).
  4. Conclusão rápida dos projetos de infraestrutura de estradas por todo o país como parte dasolução para os problemas de transporte e segurança nas rodovias;
  5. Reforma geral do sistema de ensino, com o aumento do dia de estudos (de 08:00 a 17:00), cinco dias por semana. Começando a partir dos três anos, esse sistema possibilitaria o aumento da integração das mulheres no mercado de trabalho. Isso levaria ao aumento do PIB de maneira significativa;
  6. Reduzir o IVA (imposto geral) de alimentos e remédios para 8%. Essa medida serviria para aliviar direta e imediatamente as classes baixas;
  7. Reduzir a economia informal em Israel, dada como 25% do PIB. Obrigar a todo cidadão a preencher relatório anual de ganhos, como acontece em outros países. O relatório seria base para benefícios do estado;
  8. Pagar salário mínimo para soldados, dando condições para que todo jovem comece sua vida depois do Exército. Com isso, o governo diminuiria subsídios ao pagamento de educação superior ou qualquer outro subsídio a jovens;
  9. Implementação das conclusões da “Comissão Brodet” para o setor de segurança: eficiência cumulativa de 30 bilhões de shekel (USD 8 bilhões) em 10 anos, sendo que todo o dinheiro poupado será investido em segurança, além do aumento real de 1,3% nesses gastos. Segundo a comissão, os gastos com segurança irão dos 5% atuais para 3,5% do PIB em 10 anos, com nível de segurança mais alto;
  10. Incentivo aos investimentos através de incentivos diretos (subsídios) e indiretos (desconto de impostos). Aumento do investimento na economia em 40% – 40 bilhões de shekel anuais. Redução das taxas de juros para encorajar o investimento;
  11. O Banco de Israel deve manter os juros baixos, porém mais altos que Europa e Estados Unidos. Juros altos como os de agora levam ao fortalecimento do shekel, afetando a rentabilidade da produção na economia e o crescimento mais lento da atividade econômica;
  12. Abrir a economia para importações e exportações com a diminuição da burocracia e da regulação. O mercado aberto para importações será decisivo para a construção de um mercado competitivo em Israel;
  13. A concentração do mercado israelense é grande por ser uma economia pequena e, pelas falhas de mercado, devem ter melhor regulação. O controle atual não é suficiente.

 

Netanyahu e seus ministros conseguirão elevar Israel a um novo patamar?

Netanyahu e seus ministros conseguirão elevar Israel a um novo patamar?

O economista acredita que todo partido que deseje governar deveria seguir os treze passos indicados. Ele visa uma economia de mercado forte no país, que impediria falhas de mercado através de uma regulação eficiente do governo. Por outro lado, Israel seria um Estado de Bem Estar, com a garantia de saúde básica e vida honrada para toda a população. Shainin enfatiza a oferta geral de educação de qualidade como igualador de oportunidades para os jovens.

Particularmente, vejo com bons olhos todos os pontos apresentados por Shainin. Israel historicamente cresceu com a qualificação de sua população e tem potencial para se tornar economia e sociedade bem melhores para seus cidadãos. Os pontos apresentados parecem tangíveis e as ações recomendadas poderiam ser potencializadas por melhorias nas políticas nacionais e diplomáticas do próximo governo israelense. Shainin sinaliza com uma reconciliação da economia de mercado com os desejos do povo e a esperança de viver em uma Israel melhor e mais desenvolvida nos próximos dez anos. Que eles venham, e que sejam bons!

 


 

Tags:

Socialize com o Conexão

Há diversas maneiras de se conectar

3 opiniões sobre o artigo “10 Anos para Crescer”

  1. Rafael Stern
    23/12/2012 em 19:19 #

    Cara, a primeira imagem é sensacional!!!!
    Interessante a proposta do exército. Acho que faz sentido! Mas encarecer o preço da faculdade, por mais sentido que faça, vai gerar muita confusão, né?
    Curti a proposta da água, logo como ponto número 2!
    Muito esclarecedor, boa choissid!

    VA:F [1.9.22_1171]
    Rating: 0 (from 0 votes)
  2. Eduardo Rawet
    24/12/2012 em 00:57 #

    O ponto doze não é meio problemático não?
    Não conheço o dinamismo da economia israelense, mas abrir o seu mercado pode tanto gerar uma melhora da economia israelense, ou levar a sua industria para o buraco..

    VA:F [1.9.22_1171]
    Rating: 0 (from 0 votes)
    • David Gruberger
      David Gruberger →
      24/12/2012 em 01:16 #

      O ponto do protecionismo não é uma questão para agora, mas a ideia de abrir o mercado serve para fazer com que o mercado israelense produza competitivamente. Assim, os recursos da economia seriam alocados onde a indústria israelense possa realmente ser competitiva.

      Um exemplo pontual é o fechamento da fábrica da empresa “Kitan”, grande e tradicional marca da indústria têxtil israelense(http://www.themarker.com/news/macro/1.1877480). Ela fechou pela dificuldade de se manter nessa indústria, altos custos de trabalho e energia no país, além da grande competição no mercado. Haveria espaço para a indústria têxtil em Israel? O israelenses tem que pagar mais caro para manter essa indústria ou devem produzir algo diferente? São perguntas difíceis e não entrarei no mérito agora.

      VN:F [1.9.22_1171]
      Rating: 0 (from 0 votes)

Expressar Opinião


× 8 = 32