10 propagandas bizarras das eleições israelenses

20/02/2015 | Política.

Depois de nosso primeiro artigo com propagandas políticas das eleições 2015, trazemos aqui dez propagandas que vale a pena conhecer. As propagandas políticas em Israel são muito mais ousadas que as do Brasil. Não existe essa babaquice de “direito de resposta”, e nenhum pudor em se falar o nome do adversário. Isto sim é a beleza de um processo democrático menos desimpedido, que cria propagandas criativas, pungentes, e claro, bizarras. Confiram.

A legenda com a tradução em português deve aparecer sozinha no vídeo, mas caso você não consiga vê-la, clique em “CC” ou “settings” na barra de baixo do youtube, e ative a legenda. Veja a figura abaixo.

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10 – Bar Rafaeli e você, o eleitor

Benny Tavor é o nome do personagem do vídeo abaixo, representando o “eleitor médio”. Durante toda a propaganda celebridades israelenses interagem com ele, incluindo cantores, apresentadores de televisão, e modelos. No final, Benny até ganha um beijo da supermodelo israelense Bar Rafaeli. Esta não é uma propaganda partidária, e tem como intenção chamar os eleitores às urnas, já que em Israel o voto não é obrigatório.

 

9 – Ale Yarok e a maconha

Com o aumento do percentual mínimo de votos exigido para que um partido possa eleger seus representantes para a Knesset, ficou bastante mais complicado para o Ale Yarok (Folha Verde) conseguir pelo menos quatro representantes no parlamento. O partido nunca conseguiu eleger nenhum parlamentar. Nas eleições passadas, o partido concorria em uma lista conjunta com o Partido Libertário, e desta vez tenta a sorte sozinhos. A legalização da maconha é sua bandeira principal, e nesta propaganda oferecem um “vale maconha” para aqueles que participarem de seu projeto para angariar fundos para a campanha eleitoral.

 

8 – A Casa Judaica contra o Estado Palestino

A Casa Judaica (HaBait HaYehudi) se vangloria de ser o único partido contra a criação de um Estado Palestino. Nesta propaganda, fazem referência direta à votação para a partilha da Palestina em 29 de novembro de 1947, que foi transmitida por rádio a todo o mundo.

 

7 – Briga de criança

Mais uma propaganda humorística do Likud, mostrando os líderes da União Sionista, Tzipi e Buji, como infantis e despreparados, que não conseguem nem decidir quem vai atender o mítico telefone vermelho.

 

6 – Ninguém te liga!

A resposta da União Sionista não tardou, com uma simples mensagem: ninguém quer ligar para Netanyahu, depois da situação internacional na qual Israel se encontra por sua causa.

 

5 – Não sou corrupto, vote em mim

Yair Lapid, líder do partido Yesh Atid, está impressionado que o seu partido é o único livre de corruptos. “Incrível, né?”.

 

 4 – 50 tons sem graça

Na minha opinião este é o pior vídeo até agora das eleições 2015. Toda a propaganda está baseada em uma paródia do nome do livro/filme “50 tons de cinza”, e acusa Netanyahu de jogar a carta do medo, enquanto que a União Sionista apresenta uma proposta de esperança (não neste vídeo, aqui apenas negatividade mesmo). A cor que se faz referência é “negro”, ou “preto”, mas preferimos traduzir aqui como escuridão, para não dar nenhuma outra conotação espúria.

 

 3 – Esse vídeo é Legen… (wait for it) Deri!

Aryeh Deri, líder do partido Shas, se dirige a seus eleitores: pobres e mizrachim (judeus de origem do Norte da África e Oriente Médio). O discurso não é de paz e amor, e sim confrontação entre ricos e pobres, e entre os historicamente reprimidos mizrachim e a elite branca ashkenazi (judeus de origem da Europa central e oriental).

 

2 – ISIS vai a Jerusalém

Mensagem claríssima: a esquerda no poder trará o ISIS a Israel. Isto vindo do Likud, partido que está no poder há 6 anos, e apesar de dois conflitos com o Hamas (2012 e 2014) e dezenas de atentados terroristas, continua se auto-qualificando como “forte em segurança nacional”.

 

1 – Arrancar as ervas daninhas!

O jornalista Sharon Gal, do canal 10, foi escolhido por Avigdor Lieberman para ser o número 5 da lista de seu partido, Israel Beiteynu. Nesta propaganda, o jornalista vira jardineiro, arrancando as ervas daninhas do jardim israelense: árabes. Mais especificamente, os parlamentares árabes Haneen Zoabi (Balad), Ahmad Tibi (Ta’al) e Jamal Zahalka (Balad). Toda a campanha política do partido se baseia no conceito de que todos os partidos falam e falam, mas o Israel Beiteynu fala “na real”, Tachles, em hebraico.

 

Conclusão

Esta não é uma lista definitiva, ainda tem um pouco menos de um mês para as eleições (se você viu os vídeos, sabe que é no dia 17 de março). Muitos outros vídeos divertidos ainda serão feitos, confira aqui no Conexão Israel. Não consegui encontrar propagandas dignas de menção dos partidos árabes, do Chadash, Meretz, Kulanu, e dos partidos ortodoxos Yahadut HaTora e Yachad. Mesmo eu achando algumas das propagandas absurdas, ofensivas, ou simplesmente bobas, acho que no final é melhor para um partido ter propagandas ousadas, que sejam assunto nas redes sociais e nos encontros entre amigos e família. Na minha opinião, os partidos de direita estão dando um banho em questão de criatividade, principalmente o Likud. Falem mal, mas falem de mim.

Comentários    ( 8 )

8 Responses to “10 propagandas bizarras das eleições israelenses”

  • Raul Gottlieb

    20/02/2015 at 21:26

    O Deri parece o Collor na campanha de 1989!

    E o nome do meio dele é Maluf. Quem diria?

  • abram david sztutman

    21/02/2015 at 00:37

    Como judeu,nao posso acreditar que aionda possamos pensar siquer em fazer o que o Deri o faz dia a dia……a vergonhosa comparacao de o judeu asquenazi e do sefa…do judeu branco? E iso vem de um religioso judeu??que infelismente me obriga a escrever de modo racista ? judeu racista dentro de seu povo??????Fez diferenca desde aa cruzadas,aaaaaaaate ontem ao holocausto judeu????
    Isso e plataforma eleitoral de um judeu no estado judeu ISRAEL?????????Ainda nada aprendemos infelismente!!!!!

    • Yair Mau

      21/02/2015 at 00:44

      Pequeno comentário, a expressão “elite branca ashkenazi” é minha, não da propaganda. Suspeito que Deri não se incomodaria com a dicotomia “historicamente reprimidos mizrachim vs. a elite branca ashkenazi” proposta por mim, mas vale esclarecer mesmo assim. Obrigado pelo comentário.

  • Carlos Alberto de Paula

    21/02/2015 at 03:46

    Que sejam aprovadas as leis para todos e todas israelenses. Pessoas de boas intenções podem ser encontradas nestas eleições, sim! Sobretudo aquelas que aspiram e vislumbram um Estado de Israel verdadeiramente democrático, soberano, FORTE, inclusivo, próspero. Que a tradição cultural original judaica seja restabelecida. Que todas a correntes religiosas judaicas sejam respeitadas. Mas, sobretudo, que o judaísmo fundamentalista radical não continue mais inteferindo nas políticas públicas, nas vidas dos cidadãos humanistas seculares e nas decisões do Parlamento Israelense.

    AMO VOCÊ, querido povo de Israel!

    • Raul Gottlieb

      21/02/2015 at 12:47

      Caro Carlos Alberto,

      A tradição cultural judaica é um processo de incessante construção e não um ponto do passado, passível de ser reestabelecido.

      Isto vale para qualquer tradição e para todos os processos culturais.

      Uma das grandes belezas do judaísmo é, a meu ver, a consciência de que o caminho cultural é inexorável. A escolha do termo “halachá” (que vem da raiz de “andar”) para a lei judaica não é um acaso.

      Até mesmo os judeus “super-plus” ultra ortodoxos entendem isto e caminham com suas práticas, seus costumes e seu pensamento. Eles rejeitam a modernidade e a sua valorização das escolhas pessoais, que eles consideram um caminho equivocado, mas não rejeitam o caminhar e seguem suas trilhas, reavaliando, ressignificando e renovando.

      Um abraço cordial,
      Raul

  • Marcelo Starec

    23/02/2015 at 22:02

    Oi Yair,
    Muito bom!…Realmente, as propagandas são muito criativas e até mesmo divertidas!…Eu fiquei imaginando isso aqui no Brasil, haveria direito de resposta de todos para todos…Muitos seriam punidos por juízes eleitorais e estariam recorrendo…Como é melhor ter uma propaganda mais livre, onde todos podem falar o que quiserem e quem decide é o eleitor!…..
    Abraços,
    Marcelo.

  • Paulinho

    27/02/2015 at 21:40

    Ola pessoal!
    Parabens pelas matérias sobre as eleições.
    Sinto falta de ver propagandas sobre os partidos árabes. Não sei se elas não passam na TV (tem horário obrigatório como no Brasil?) ou se é difícil traduzir (são em árabe, imagino). Mas queria saber como é a propaganda política deles em israel.
    Na verdade queria escrever esse comentário num outro post, mas não era possível, por isso escrevi aqui.
    Um abraço a todos

  • Johnny

    28/02/2015 at 17:41

    Oi Yair, me deparei com um vídeo que achei bizarro também, não sei se você já tinha visto quando fez a lista:
    https://www.youtube.com/watch?v=L1pO3-GbjtI
    O original está na página do facebook do Herzog.
    Abraços!

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