O mito do genocídio palestino

20/01/2016 | Conflito

Esse artigo foi escrito de forma colaborativa por Bruno Lima, Yair Mau e Marcelo Treistman e não reflete a opinião do Conexão Israel como um todo.


Um dos maiores mitos na narrativa do conflito árabe-israelense é o de que há um genocídio palestino cometido por Israel – uma suposta “limpeza étnica”, como afirmam de forma difamadora. Apesar de não podermos julgar as intenções daqueles que o criaram, podemos definitivamente afirmar que a sua perpetuação é, no melhor dos casos, um ato de ignorância, e muitas vezes pura e simples desonestidade intelectual.

Há cinco aspectos que juntos ajudaram a construir a ideia de que há um genocídio perpetrado por israelenses sobre o povo palestino. O primeiro é legal-jurídico – “Israel comete um genocídio com base nas leis internacionais”. Em relação a esse ponto, nosso colega de Conexão Israel, Claudio Daylac, explica em seu artigo “Análise do direito internacional e das leis da guerra“, porque o termo não se aplica ao que ocorre entre israelenses e palestinos. É uma excelente leitura que rebate em termos jurídicos o argumento de que Israel promove ou possui a intenção de promover um genocídio.

Ainda assim, é importante ressaltar que a disputa pela definição das atitudes de Israel vai muito além da questão conceitual ou terminológica. Em efeito, o termo genocídio é apenas uma representação/síntese de uma ideia que, dependendo das circunstâncias, pode se apresentar como “massacre”, “assassinato sistemático” e outras derivações. Além disso, há uma imensa quantidade de interpretações dadas ao termo genocídio que variam de acordo com a conveniência daquele que o emprega. Portanto, seria um equívoco tornar esse artigo uma discussão sobre terminologias e nomenclaturas – seria interminável e contraproducente. É muito mais frutífero – e por isso optamos por essa direção – desconstruir a ideia que serve de base para toda e qualquer expressão que passe a ideia de que Israel promove uma matança indiscriminada e deliberada de palestinos. Dessa forma, o uso do termo “genocídio” ao longo do texto é inespecífico.

Há quatro outros aspectos que sustentam o mito do “genocídio palestino”. Vejamos quais são eles.

“Israel matou e segue matando deliberadamente milhares de palestinos”

Analisar o número de mortes palestinas requer o entendimento do contexto em que estas ocorreram e da intenção daqueles que as provocaram. Ao longo dos últimos 67 anos, Israel esteve envolvido em guerras e operações militares contra países e grupos que objetivaram (alguns ainda objetivam) a sua destruição. Nessas ofensivas anotaram-se mortes de agressores, terroristas e inocentes civis. Essa é a triste porém real consequência de uma situação de guerra. Portanto, para que entendamos a dimensão do número de mortes no lado palestino é importante esclarecer de antemão que estas não ocorreram de forma deliberada, mas dentro de um contexto marcado pelo conflito.

Para avaliarmos  a existência ou não de um “genocídio”, temos que dar base comparativa aos números e colocá-los em perspectiva. É como dizer: “dez é muito”. Em relação a que? Quanto é pouco? Qual é a média? Enfim, a vida, para ser analisada de forma objetiva, deve ser colocada em contexto.

Podemos avaliar a existência de um genocídio com base nas estatíticas tanto de forma absoluta — número de mortos — quanto relativo ao tempo — número de mortos por ano. Para não haver dicussão apresentaremos os dados das duas formas.

Comecemos pelos números de mortos palestinos desde 1948, ano da criação do Estado de Israel. Apesar de haver um intenso debate quanto ao número de vítimas palestinas desde a Guerra de Independência — não há uma clara distinção na literatura entre jordanianos e palestinos até os conflitos mais recentes — tomamos a liberdade de utilizar o mais alto indíce: 30 mil mortos[ref]O cálculo foi feito com base nos números publicados no wikipédia e considera todas as vítimas palestinas e jordanianas – sem qualquer diferenciação – entre os anos 1948 e 2015.[/ref]. Note que esse é o mais alto número se calcularmos o número de jordanianos e palestinos mortos desde 1948 sem qualquer diferenciação entre os povos. Em uma escala de tempo significa dizer que o Estado de Israel causou a morte de aproximadamente 448 palestinos por ano.

Coloquemos agora os números do “genocídio palestino” em perspectiva. Segue a lista em ordem decrescente — em números absolutos — de algumas das maiores matanças cometidas nos últimos dois séculos.

  1. Mao-Tsé-Tung (China, 1958-61 e 1966-69, Tibet 1949-50) – 80 milhões de mortos.
  2. Adolf Hitler (Alemanha, 1939-1945) – 12 milhões de mortos.
  3. Leopoldo II da Bélgica (Congo, 1886-1908) – 8 milhões de mortos.
  4. Joseph Stalin (URSS, 1932-1939) – 7 milhões de mortos.
  5. Hideki Tojo (Japão, 1941-1944) – 5 milhões de mortos.
  6. Ismail Enver (Império Turco-Otomano,, 1915-1920) – 2.5 milhões de mortos.
  7. Pol Pot (Cambodia, 1975-79)  – 1.7 milhões de mortos.
  8. Kim Il Sung (Koreia do Norte, 1948-94) – 1.6 milhões de mortos.
  9. Menghistu (Etiópia, 1975-78) – 1.5 milhões de mortos.
  10. Yakubu Gowon (Nigéria, 1967-1970) – 1 milhão de mortos.
  11. Leonid Brezhnev (Afeganistão, 1979-1982) – 900.000 de mortos.
  12. Jean Kambanda (Ruanda, 1994) – 800.000 de mortos.
  13. Saddam Hussein (Irã 1980-1990 e Kurdistão 1987-88) – 600.000 de mortos.
  14. Tito (Iugoslávia, 1945-1980) – 570.000 de mortos.
  15. Suharto/Soeharto (Indonésia 1965-66) – 500.000 mortos.
  16. Fumimaro Konoe (Japão, 1937-39) – 500.000 mortos.
  17. Jonas Savimbi (Angola, 1975-2002) – 400.000 mortos.
  18. Mullah Omar – Talibã (Afeganistão, 1986-2001) – 400.000 mortos.
  19. Ante Pavelic (Croácia, 1941-45) – 359.000 mortos.
  20. Idi Amin (Uganda, 1969-1979) – 300.000 mortos.
  21. Yahya Khan (Paquistão, Bangladesh 1970-71) – 300.000 mortos.
  22. Benito Mussolini (Etiópia, 1936; Líbia, 1934-45; Iugoslávia, 1939-1945) – 300.000 mortos.
  23. Charles Taylor (Libéria, 1989-1996) – 220,000 mortos.
  24. Foday Sankoh (Serra Leoa, 1991-2000) – 200,000 mortos.
  25. Suharto (Achém, Timor Leste, Nova Guiné, 1975-98) – 200,000 mortos. [ref]Fonte: http://www.scaruffi.com/politics/dictat.html [/ref]

Não perdamos de vista os números absolutos do “genocídio palestino” – que estipulamos a título referencial no exagerado número de 30 mil mortos. Não é possível saber ao certo em que posição Israel entraria na lista acima, mas seria plausível supor que não estaria nem entre os 100 primeiros.

De qualquer forma, vejamos agora o número de mortes por ano:

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Para entendermos proporcionalmente, coloquemos todas as mortes em genocídios do mundo em um só gráfico e vejamos onde Israel se encontra.

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Como podemos observar, há inúmeros conflitos (não concebidos como genocídio) antes de chegarmos tanto nos 30 mil palestinos mortos desde 1948, quanto na média de 448 vítimas anuais. Aliás, se utilizássemos apenas a média anual, não haveria qualquer razão para escrever um artigo como esse a taxa anual de 448 mortes palestinas (um povo em conflito com Israel) é tão baixa que chega a ser menor do que o número de mortes provocadas por perseguição governamental presente em quase todos os países árabes, que o número de vítimas na guerra civil síria, no combate ao crime nos Estados Unidos, no Brasil e em outros muitos países. Isso sem contar os conflitos em curso na África.

“Israel promove uma limpeza étnica”

Quem utiliza esse argumento deve estar preparado para responder objetivamente a uma pergunta singela: “Como Israel pode promover uma limpeza étnica se a população palestina cresce a uma taxa de 2.9% ao ano?”

Isto significa que, mantendo-se a taxa atual, a população palestina duplicará em apenas 24 anos. Levando-se em conta apenas a população de Gaza (crescimento de 3.4% por ano), a duplicação levaria apenas 20 anos. Comparemos com o Brasil, que cresce 0.9% ao ano (77 anos para duplicar). [ref]Fonte: http://data.worldbank.org/indicator/SP.POP.GROW[/ref]

Como pode um país que sofre ou sofreu um genocídio ter uma taxa de natalidade positiva? Em Gaza, vivem cerca de 1.8 milhão de pessoas. Crianças abaixo de 14 anos representam 45% da população. A taxa de fecundidade é de 4.18 filhos por mulher. [ref]Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Demographics_of_the_Palestinian_territories#Demographics_of_the_Gaza_Strip[/ref]

Enfim, o ponto está claro é mais razoável acreditar em Papai Noel do que em uma limpeza étnica. A explosão demográfica palestina não dá base para tal argumento.

“O genocídio deve ser entendido com base no tamanho populacional”

Estima-se que em 1948 havia 1.3 milhão de muçulmanos e cristãos que viviam sob o mandato britânico. Hoje, são mais de 6 milhões de palestinos que vivem entre o rio Jordão e o Mar Mediterrâneo (Gaza, Cisjordânia e árabes israelenses).

Se todas as 30 mil pessoas (são menos) tivessem sido mortas ao mesmo tempo (não foram), isto daria 2.3% (30 mil por 1.3 milhão) e 0.5% (30 mil por 6 milhões) da população palestina de 1948 e 2015, respectivamente. Comparemos estes números com alguns genocídios perpetrados no século 20:

Holocausto: 6 milhões de judeus, 78% dos judeus europeus.

Genocídio armênio: 1.5 milhão, 75% dos armênios do Império Otomano.

Genocídio cambojano: entre 1.7 e 3 milhões, de 25% a 33% da população total do Camboja.

Genocídio em Ruanda: entre 0.5 e 1 milhão, 70% da população tutsi. [ref]Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_genocides_by_death_toll[/ref]

Novamente, os números – quando colocados em perspectiva e analisados de forma objetiva – não corroboram com o mito do “genocídio palestino”. Considere também (apenas como exercício de pensamento) a seguinte questão: Na Guerra de Independência de Israel (1948–49) morreram cerca de 6 mil judeus, um porcento da população judaica local. Houve genocídio por parte dos exércitos árabes contra o povo judeu?

“Israel quer aniquilar o povo palestino”

Esse último aspecto se refere principalmente ao argumento de que “Israel tenta (tem a intenção de) promover um massacre de palestinos, mas não consegue”. Essa ideia é de fácil desconstrução e exige apenas um pouco de lógica.

Israel tem um dos exército mais equipados e desenvolvidos do mundo. Portanto, se o país tivesse a intenção de exterminar o povo palestino, não tardaria a ocorrer. No entanto, como vimos, a taxa de natalidade palestina segue alta e o número de vítimas desde 1948 é relativamente baixo. Diante dessa conjuntura há duas plausíveis conclusões: ou o exército de Israel é um dos mais incompetentes da história da humanidade ou definitivamente nunca houve intenção em promover um genocídio palestino. Como a primeira é pouco razoável, só nos resta crer na segunda. A lógica — em sua forma mais simples — se estrutura da seguinte maneira:

  1. Israel tem a capacidade de matar todo o povo palestino.
  2. O povo palestino segue tendo uma alta taxa de natalidade e apenas uma mínima parte do povo palestino morreu em decorrência do conflito com Israel durante os últimos 67 anos.
  3. Logo, Israel não utiliza sua capacidade de matar todo o povo palestino.
  4. Se Israel não utiliza sua capacidade de matar todos os palestinos, pode-se deduzir que ele não tem e nunca teve a intenção para tal.

Conclusão

A criação de mitos é uma constante no jogo político. Não apenas entre aqueles que se encontram na esfera de poder, mas também entre militantes que visam disseminar falsas representações da realidade para justificar a posição de seus partidos. Mitos políticos são eficientes recursos que tem como objetivo produzir padrões de pensamento, definir bandeiras ideológicas e determinar o comportamento social.

O mito é, no entanto, apenas uma história – esse é o seu significado etimológico do grego mythos. O problema é que nós, seres humanos, somos sedentos por essas histórias, afinal elas nos ajudam a descrever a realidade, preenchendo o insuportável espaço que a dúvida e a incerteza criam. Em efeito, os mitos nos confortam e nos permitem dar fluxo a vida – são mentiras ou meias-verdades que estabelecemos para tornar possível a vida em sociedade.

Ainda assim, não podemos lidar com um mito como se fosse um fato. É responsabilidade nossa entendê-lo e desconstruí-lo sempre que possível. Israel tem, sem dúvida, muito a fazer em relação ao conflito com os palestinos, mas isso não justifica a perpetuação da ideia de que há ou houve qualquer tentativa de genocídio ou massacre palestino. Agora você já sabe porque.

Comentários    ( 89 )

89 comentários para “O mito do genocídio palestino”

  • Fábio

    20/01/2016 at 16:08

    Caros, não quero fazer um comentário muito longo. Tento ser breve.

    Tema espinhoso. Utilização ou deformação de conceitos com fins políticos-retóricos-ideológicos.

    Não tenho certeza se o argumento quantitativo é o melhor em nenhum dos casos. Pode soar que se presta, em termos retóricos, a demonstrar alguma evidência. Mas me parece ser um argumento muito vulnerável.

    Pessoalmente, me sinto mais seguro em transitar por um caminho que vocês de cara anunciam que vão descartar que é o conceitual e de terminologia. Não se vai muito longe sem esses parâmetros. Se vai até a mesa do bar e ao panfleto, se muito. Me parece, de certa maneira, que a opção em argumentar sem a precisão dos conceitos soa como adesão das práticas daqueles que acusam Israel de praticar genocídio.

    Alguns dos argumentos que vocês expõe são consistentes, mas o estabelecimento preciso dos conceitos me parece ser necessário para iniciar-se qualquer debate. Aí sim, com certo cuidado, mencionar números. Mas eu não trataria disso no início da conversa. Soa que a questão ou problema, a gravidade, encontra-se na quantidade de vítimas, estabelecendo uma espécie de ranking ou hierarquia entre as tragédias.

    Há mais a comentar. Mas deixo para a continuidade do debate que certamente surgirá nessa página.

    Com um abraço, Fábio.

  • Elie

    20/01/2016 at 20:15

    A intenção foi boa, mas faltou explicar melhor o porque das mortes, faltou imagens de crianças sendo usadas como escudo humano, os avisos prévios do IDF antes de ataques cirúrgicos, etc.

  • Mario S Nu sbaum

    20/01/2016 at 20:52

    Entendo perfeitamente vocês terem escrito este artigo, mas é muito triste ter sido necessário faze-lo. Genocídio palestino é tão absurdo quanto falar em genocídio inglês ou alemão (afinal morreram muitos na II Guerra). E por que não genocídio norueguês? Lembrem-se do Anders Behring Breivik.

  • Mario S Nu sbaum

    20/01/2016 at 23:20

    Apesar de ninguém ter me pedido, claro, vou defender os autores: a tese do “genocídio palestino” é estúpida, absurda, surreal. Desmenti-la prescinde de detalhes, grandes explicações e discussões acadêmicas.
    Se algum de vocês fosse escrever um artigo sobre os Protocolos dos Sábios de Sião, iriam se preocupar com detalhes?

  • Fábio

    21/01/2016 at 02:40

    Caro Mário, com certeza se eu fosse escrever a respeito dos Protocolos eu iria justamente me preocupar com os detalhes.

    Mas creio que você quis dizer os detalhes do que o texto acusa. Nisso me parece que você tem razão. A análise semiológica do texto específico dos Procolos se presta não ao estudo do sentido político do livro, mas outro que foge a ele ou tangencia.

    Com um abraço, Fábio.

  • Dov Bigio

    21/01/2016 at 04:04

    Gostei da argumentação que vocês colocaram, mas não acho que o número de mortos, ou a % do número de mortos com relação ao total da população, provem o ponto.

    O argumento #4 é o que acho mais forte, e vai de encontro à definição de genocídio – crimes que têm como objetivo a eliminação da existência física de grupos nacionais, étnicos, raciais, e/ou religiosos (https://pt.wikipedia.org/wiki/Genoc%C3%ADdio).

    Se Hitler não tivesse matado 78% dos judeus europeus, mas tivesse matado “apenas” 20%, teria também cometido um crime genocídio. No caso do Holocausto, o crime foi cometido devido à intenção e forma com que foi executado (campos de extermínio, execuções em massa, etc.). O número de mortos só serve para chocar, mas não altera a qualificação do crime (a pena por matar 500.000, 1.000.000 ou 6.000.000 é a mesma!).

    No caso de Israel, não há campos de extermínio, não há execuções em massa e nem ataques deliberados. Obviamente morrem civis em ataques (geralmente “ataques de defesa”, se é que o termo existe), mas, como vocês defendem no argumento #4, se a intenção fosse o genocídio, este já teria acontecido faz tempo.

    • Fábio

      21/01/2016 at 16:24

      Caro Dov:

      Sua ponderação é na mesma linha que a minha.

      Outra coisa a dizer é que o uso retórico-político do termo genocídio tende a banalizá-lo. Assim, por exemplo, os militares brasileiros do regime de 1964 teriam praticado um no Araguaia e por aí vai. E esse caminho e opção só é bom para os genocidas, colaboradores e apoiadores.

      Confortavelmente são meio que absolvidos em meio a um rol de situação supostamente análogas que essencialmente são apresentadas como uma espécie de fenômeno regular e constante ou característica comum da humanidade.

      Retirar a especificidade do uso do termo genocídio tem ainda essa faceta e esse é mais um argumento para o zelo pela utilização do termo.

      Com um abraço, Fábio.

  • luiz rechtman

    21/01/2016 at 14:54

    Parabéns por apresentarem de forma clara, racional e didática a desconstrução de um dos maiores mitos da propaganda anti israelense.

  • Henrique Samet

    21/01/2016 at 17:31

    Enquanto o status quo for este que aí está, as explicações vitimizantes de qualquer índole prevalecerão.
    Quem ler declarações de ultra ortodoxos nacionalista nos assentamentos e outra parte desta galera vai crer que propensões desta índole vigem em parte da opinião pública israelense.
    Caso a argumentação acima for apresentada em um meio hostil certamente desencadeará ainda mais hostilidade. Este ranking de desgraça alheia para elencar que morreram “so” 30.000 palestinos vai se virar contra seu criador. Fica sendo argumento para quem já está previamente convencido no assunto.
    Afinal onde quer chegar o articulista? Que a pauta palestina é injusta? Se for para isto é inutil. Veja para onde sopra o vento da opinião pública mundial.
    No Brasil conflagrado politicamente com impeachment a vista esta política fez 56 embaixadores aposentadois de A a Z , de tudo que é espectro político, apoiarem a posição do governo brasileiro. A política israelense conseguiu a unanimidade contra no Brasil radicalizado de hoje.
    É o mínimo de bom senso entender o mito não miudara ou se fragilizará se a situação política isarelense não mudar.

    • Fábio

      21/01/2016 at 19:51

      Caro Hersh:

      Quanto ao uso dos números e parte do que você escreveu, concordamos (embora eu sempre prefira discordar de você…risos).

      Quanto ao resto, em minha opinião, você tergiversa. A “justiça” não é a regra que se impõe, é recebida e aceita no mundo. No mais das vezes, é a força das armas. Os exemplos de injustiça são incontáveis e seguem se sucedendo no passado e no presente. Não é possível adotar uma posição “zen–ingênua-idealista-pacifista” de “eu faço o que é justo não importa o contexto e o restante”. Israel desaparece do mapa em dias se fizesse isso.

      Israel e os israelenses não são melhores ou piores que qualquer outro povo. Tem o direito de existir e fazer, como qualquer outro povo, o que devem para se sentir seguros. Como qualquer outro povo faz. Se não fazem genocídio, não devem e não podem ser acusados disso.

      [Ora, até do genocídio de Darfur tem gente que acusa Israel, atribuindo o uso de armas Uzi. Daqui a pouco vão acusar Israel também de armas os traficantes do morro do Alemão, mesmo que a patente da Uzi pertença e seja produzida por empresas – não judias – belgas nos últimos anos]

      O fato é que não existe certeza quanto a qualquer estratégia diplomática e diplomacia, bom senso e respeito ao que é justo não é a tônica na história da humanidade e menos ainda no Oriente Médio.

      É estratégico e legítimo sim que se desconstrua o discurso demonizados de atribuir genocídio a história do Estado de Israel. O esforço é legítimo e digno de elogio.

      Pode ser um grão de areia no deserto, mas é assim que se desmonta mitos e calúnias construídos com interesses políticos ou simplesmente como continuidade de difamação ao povo judeu, no clássico discurso safado e calunioso de “vejam, eles sofreram genocídio e logo estão praticando outro”, isso quando simplesmente não relativizam o Holocausto ou negam que tenha acontecido.

      Acho terrível a indicação desse nome para embaixador de Israel no Brasil. É um erro de diplomacia. Mas nunca vi esses mesmos 56 diplomatas brasileiros (ou qualquer um, nem o Governo brasileiro) se manifestando para mais coisa alguma.

      E desgraças e mazelas no mundo não faltam, assim como embaixadores (presidentes, ditadores, genocidas denunciados pela Anistia Internacional) criminosos que foram recebidos, especialmente pelo Lula nos 8 anos em que respondeu pela presidência, com abraços e beijos sem que NENHUM deles tenha se manifestado. Quer que te envie a lista desses criminosos? Alguns foram até visitados in loco no países em que praticaram e praticam o genocídio. E o Brasil não apoiar sanções contra o Sudão quando estava em cadeira rotativa no Conselho de Segurança da ONU? E outro votos de abstenção em causas humanitárias que a diplomacia brasileira colecionou nesses anos de governo PT sem que NENHUM desses diplomatas tenha dito qualquer coisa?

      Eles são mesmo sensíveis ao drama palestino ou essa sensibilidade é seletiva?

      O que nos leva a crer que a posição de boa parte dos que odeiam Israel e embarcam em difamações contra o Estado judeu o fazem não em razão da opressão perpetrada por aquele Estado nos territórios ocupados, mas por condicionamentos ideológicos (anti-EUA e associação permanente de Israel com os ianques, velhos condicionamentos dos tempos da Guerra Fria) ou por simples judeofobia mesmo.

      Nos resta então tecer críticas a ocupação, deixando claro que existem posições diferentes em relação ao assunto e sim, rebater idiotices e expressões mal intencionadas e incitação ao ódio que aparecem nos permanentes exageros quando desejam criticar Israel.

      A outra opção é não responder e enterrar a cabeça na areia. Ou então sorrir amarelo e nada responder como fazem muitos judeus na diáspora.

      Deixar o único discurso a ser ouvido no Brasil (ou qualquer parte do mundo) na mão das “lideranças judaicas” que são quase todas (para não dizer, todas) muito mal preparadas e não raro, apoiadoras incondicionais e acríticas dos governos de Israel, é cômodo mas muito mais anti-produtivo.

      Esperar esperneando para que o governo de Israel se retire dos territórios e nada respondendo as demonizações também não ajuda ou melhora a situação. A ocupação não é o mote de boa parte dos críticos, mas sim a existência do Estado judeu.

      Basta ler qualquer site que trata do assunto ou conversar com colegas professores nas universidades desse país.

      Melhor responder com problemas do que não responder.

      Com um abraço, Fábio.

    • Henrique Samet

      22/01/2016 at 02:16

      Eu não espero. Suponho unicamente que a política da força não basta. Se quer evidências, elas não faltam. Não é só questão de justiça, mas de erosão de legitimidade. Objetivamente falando, de qualquer ponto de vista, dos fatos a vista de todos, a enrascada aumenta. Aqui não se trata de uma discussão teórica e ética mas de constatações concretas sobre o que a situação, tal como está, gera. Quem tem que enxergá-las não sou eu.
      Achar que a ênfase em Israel é desproporcional não tem nenhuma valia. Vai ficar achando enquanto a banda toca. Aliás, se o problema aparece, na tua opinião, desproporcionalmente nos fóruns de debate é mais uma razão para haver mais preocupação em apagar o fogo. O que é chamado de demonização contém partes ou ações absolutamente válidas, equilibradas e compreensíveis. Outra parte contém uma mistura de negação do Estado israelense ou puro ódio antissemita. Nós sabemos que uma parte considerável da pressão contra o governo de Israel não visa a destruição do Estado. Na ONU não se vota pela sua destruição, mas pelo direito palestino. Confundir alhos com bugalhos faz parte desta hasbará cada vez mais torpe e mentirosa

    • Mario S Nusbaum

      24/01/2016 at 15:16

      Henrique, concordo com você em apenas uma coisa: não importa se Israel tem razão se o resto do mundo acha que não tem e que se lamentar sobre a EVIDENTE desproporcionalidade com que o país é julgado é inútil. Faz tempo que eu critico a péssima política israelense no campo das relações públicas.
      “O que é chamado de demonização contém partes ou ações absolutamente válidas, equilibradas e compreensíveis. Outra parte contém uma mistura de negação do Estado israelense ou puro ódio antissemita.”
      Inegável, e daí a necessidade de uma política ativa de esclarecimento. “uma parte considerável da pressão contra o governo de Israel não visa a destruição do Estado.” Não visa declaradamente, mas muitas exigências que se fazem iriam resultar nisso! Alguns o fazem por má-fé e outros por “ingenuidade”, mas o resultado não muda. “Na ONU não se vota pela sua destruição, mas pelo direito palestino. ” Eu sempre fui a favor de dois estados, DESDE que um judeu e o outro palestino. Até o momento TODAS as propostas esbarraram na exigência palestina de querer os dois para eles. ” hasbará cada vez mais torpe e mentirosa”
      Discordo totalmente. Ela é pessimamente conduzida, mas torpe e mentirosa não.

    • luiz rechtmanl

      23/01/2016 at 05:54

      Henrique, na sua opinião existe ou não um genocídio palestino, motivação do texto em apreço. A resposta pode ser sim ou não. Qual seria sua resposta ?

  • Marcelo Starec

    22/01/2016 at 00:25

    Em primeiro lugar, quero parabenizar aos autores pelo excelente texto!!!…
    Fato 1 – Todo mundo sabe que esse número de 30,000 é exagerado…mas ainda assim o texto demonstra que ainda que fosse verdadeiro, esse número exagerado não tem a menor chance de caracterizar um genocídio…
    Fato 2 – Segundo os próprios palestinos, este é o povo que mais cresce no mundo…e se isso não bastasse, todos sabem que Israel tem um exército com competência para fazer um genocídio, fosse este o objetivo!…Acreditar que um povo sofre genocídio e é ao mesmo tempo o que tem o maior crescimento populacional do mundo…e ainda crer na total incompetência do exército de Israel – é algo tão sem nexo que uma simples análise destrói o argumento!!!….
    Fato 3 – Por fim, temos de lembrar que entre os palestinos mortos desde 1948, tem-se os homens bomba, os esfaqueadores, os assassinos de criancinhas em creches etc…etc…etc…Claro que houve mortes de inocentes…mas jamais como o objetivo de uma ação de Israel…ao contrário do que sempre ocorreu do lado oposto….

    Enfim, um argumento sem nenhum sentido, mas que é falado em segmentos da esquerda brasileira…e repetido como se verdade fosse….Muito importante este texto para mostrar fatos, pois contra fatos não há argumentos!!!….

    Abraço,

    Marcelo.

  • Raul Gottlieb

    22/01/2016 at 08:40

    Na minha opinião é muito importante demonstrar com números que o conflito árabe-israelense é um conflito de baixa intensidade.

    E este conflito de baixa-baixíssima intensidade (o Brasil tem mais de 50 mil assassinatos por ano, sem precisar de uma guerra para matar tanta gente) é colocado em proporções absurdamente desproporcionais pela maior parte dos agentes, sejam os da imprensa, sejam os dos governos.

    A meu ver isto aponta para a verdadeira raiz do conflito: o antissemitismo. Ou seja, a discriminação contra os judeus.

    Quando um jornal no Brasil deixa de reportar a assustadora cota diária de assassinatos em seu país para reportar um atentado (muitas vezes sem vítimas fatais) em Israel, ele está discriminando. E assim por diante, os exemplos de discriminação contra Israel e contra os judeus são abundantes.

    Eu percebo que a maior parte das análises sobre o Oriente Médio deixa de considerar esta faceta. O ótimo texto do Yair, Bruno e Marcelo deixam isto claro.

    Parabéns para os autores! Um tema muito oportuno.

  • Raul Gottlieb

    22/01/2016 at 08:46

    Caro Fábio:

    Excelente comentário, este teu último. Parabéns!

    Abraço,
    Raul

  • Felipe

    23/01/2016 at 00:42

    Poderia detalhar um pouco mais esta estimativa de 30 mil palestinos mortos desde 1948?

  • Mario S Nu sbaum

    23/01/2016 at 01:21

    Fabio, por algum motivo, provavelmente técnico, não consigo responder seu post. OK, a resposta é essa: “Pensei sobre o assunto e cheguei a conclusão de que você tem razão Fabio. Os Protocolos são outro departamento.
    Shabat Shalom”

  • Henrique Samet

    24/01/2016 at 17:50

    Dizer que as reações contra Israel é desproporcional é uma atitude defensiva desconhecendo que certos instrumentos são acionados justamente devido a intransigência e arbitrariedades deste governo, os assentamentos, a repressão, a descriminação efetiva de palestinos. Tudo é resultado..
    Boicote contra produtos da Cisjordânia são legítimos, condenar o morticínio na última guerra de Gaza é legítimo, Boicotar as relações acadêmicas é problemática pois não distingue as diferenças de opinião de cada um em Israel. Pedir o Caetano para não ir a Israel é legítimo. Condenar o nome escolhido para embaixador de Israel no Brasil é legítimo, votar a favor do direito palestino em qualquer instância da ONU é legítimo. Cada uma destas ações significam menos legitimidade para Israel. Quem quer manter a tual política ou disfarçadamente tenat justificá-la também tem que saber que existem consequências e que o outro lado não dorme no ponto.
    Se isto incomoda ao israelense é o caso de ir fundo no problema e não ficar nesta de sempre se defender com mas, mas, mas, infinitos. Se a opinião pública israelense apoia o Netaniahu é o caso de se penguntar de onde virá a salvação.
    Por falar en ranking até agora vendo os números nesta intifada a média das mortes são seis palestinos por um israelense e quem pensa que números absolutos estabelecem a caracterização do que é ou não é genocídio leia os jornais sobre a guerra civil na antiga Iuguslávia, em Ruanda. Diga que o El não esta praticando genocídio contra minorias religiosas. Leia o que foi e está sendo jusgado pelo Tribunal Internacional. A palavra genocídio tem conotações midiáticas elásticas e sempre será empregada,ao meu ver quando houver opressão e mortes generalizadas em situações de conflitos étnicos e nacionais. Caso tenha reclamações a fazer dirija-se ao mundo e leia as respostas. Será uma experiência pedagógica

    • Mario S Nusbaum

      24/01/2016 at 19:04

      Por mais estranha que pareça essa hipótese, vou partir do princípio de que você está falando sério Henrique. Mais uma vez me lembrei de algo que já contei aqui. Um palestrante judeu defendia teses parecidas com as suas. Na hora do bate-papo um professor, também judeu, lhe disse: você é como aquelas mulheres que apanham do marido e dizem: deve ter sido algo que eu fiz.

      ” são acionados justamente devido a intransigência e arbitrariedades deste governo, os assentamentos, a repressão, a descriminação efetiva de palestinos. Tudo é resultado” Por que então não são acionados contra Rússia, China, Síria, Irã….? Como você explica isso: “Desde sua formação (em 2006), o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou mais resoluções contra Israel do que qualquer outro país. Aliás, condenou Israel 61 vezes, mais do que todos os outros países somados – um total de 55.”

      “condenar o morticínio na última guerra de Gaza é legítimo” Você lança rojões contra minha casa, eu REAJO e sou condenado. Legítimo porque????
      “Condenar o nome escolhido para embaixador de Israel no Brasil é legítimo
      Discordo totalmente, mas a discussão é longa.
      ” votar a favor do direito palestino em qualquer instância da ONU é legítimo”
      E os curdos? E os tibetanos? Por que a opção preferencial pelos palestinos? E aproveitando, por que este é o único povo que tem uma agência privê da ONU?

      “Quem quer manter a tual política ou disfarçadamente tenat justificá-la” Que opção Israel tem?
      “Se a opinião pública israelense apoia o Netaniahu é o caso de se penguntar de onde virá a salvação”
      Já lhe ocorreu que NÃO depende só de Israel? Desafio você a apontar uma só proposta razoavelmente justa feita pelos palestinos. Se conseguir prometo apontar três de Israel.

      Finalizando: ” Quem quer manter a tual política ou disfarçadamente tenat justificá-la também tem que saber que existem consequências e que o outro lado não dorme no ponto.” Aplique isso aos palestinos, que apoiam vários grupos terroristas, fazem festa quando um judeu é assassinado, seja esse um bebê, uma mulher grávida ou um ancião, homenageiam bestas feras cujo único objetivo é assassinar o maior número possível de pessoas.

    • Henrique Samet

      25/01/2016 at 16:14

      Você estão com a mania de mandar no mundo mas o mundo não tem a mesma cabeça e vai pelos seus próprios caminhos. Aí vocês desprezam o mundo e depois reclamam.
      A impopularidade israelense nem é gratuita nem é antissemita. É consequência da opressão israelense sobre outro povo. Acordem!
      Matar trezentas crianças tem consequências e depois ficam reclamando que a turma usa o termo genocídio. A falta de simancol ou desfaçatez estão matando qualquer entusiasmo pelo Estado de Israel.
      É isto que acontece e a reação é a de fechamento israelense cada vez maior, pensando que a força militar é a garantia de tudo.
      Não é.

    • Mario S Nusbaum

      25/01/2016 at 19:05

      Eu não tenho mania de mandar em nada Henrique, muito menos no mundo. Tanto é assim que concordei com você em que por mais razão que Israel tenha, temos que mostrar isso para o mundo., Somos menos de 20 milhões entre 7 bilhões, por isso é importantíssimo, vital até, não nos isolarmos.
      Agora, daí a aceitarmos as MENTIRAS divulgadas por uma eficiente máquina propagandística a distância é astronômica.
      Assumi desde o princípio que você é judeu, mas me ocorreu agora que pode não ser. A ÚNICA diferença que isso faria é que sendo, suas opiniões são ainda mais estranhas.
      “A impopularidade israelense nem é gratuita nem é antissemita. É consequência da opressão israelense sobre outro povo. ” Como a imensa maioria dos anti-Israel você foge de perguntas, mas, como sempre faço, vou insistir: por que outros países/povos opressores (já falo sobre a “opressão”, sim, entre aspas israelense) não são tão impopulares. Caso tenha esquecido, falo de China, Turquia, Irã, etc
      Vamos à “opressão”. Para começo de conversa, mais de um milhão de palestinos vivem em Israel e tem TODOS os direitos (acho que não preciso citar os cargos que alguns ocupam, preciso?). Nos territórios ocupados, eles são tratados MUITO melhor do que em outros casos semelhantes da História, e esse é o mundo real. “Matar trezentas crianças tem consequências” Não faço a mínima ideia sobre quais crianças você está falando, mas tenho uma pergunta: quantas crianças alemãs, inglesas e japonesas morreram na II Guerra? Acho estranhíssimo (por enquanto, tenho a impressão, quase certeza, de que vou mudar de adjetivo) sua obsessão por Israel, esta sua exigência de que o país seja uma vestal de bordel.
      Finalizo dizendo que a força militar, com certeza, não é a garantia de tudo, tanto que prego a necessidade de Israel se esforçar muito mais no campo das relações públicas. Agora, isso não quer dizer que ceder ao terror seja uma boa ideia, muito pelo contrário.

    • Fábio

      26/01/2016 at 00:11

      A é? Que tal http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/ong-diz-que-bombardeios-russos-na-siria-ja-fizeram-mais-de-3-mil-vitimas,7cdc7703d025895951a499314e80f49c5alth2fe.html

      Os russos mataram muito mais e não há qualquer consequência. E os sírios não estão lançando mísseis e foguetes em Moscou ou em qualquer cidade russa.

      Qual é a sua explicação para a falta total e completa de qualquer mobilização mundial em relação ao assunto?

      E esse é apenas UM dos muitos exemplos.

  • Fábio

    25/01/2016 at 03:22

    Hersh, buscar na mídia a conotação correta de um termo (genocídio) (???) se presta unicamente ao estudo de como os jornalistas e políticos (além dos grupos ideologizados) se apropriam de termos com fins diversos. Ou para levantamento de como a ignorância campeia e de como o papel ou mundo virtual é paciente e aceita qualquer coisa.

    Quem está sendo julgado por genocídio tem razões para estar lá. A definição é bastante precisa. O fato de muita gente usar a terminologia de maneira equivocada não transforma o termo ou faz os conjunto de novos sentidos precisos e academicamente aceitos. Não se trata de neologismo ou “evolução da língua”, mas tão somente ignorância ou má fé. Ou os dois.

    E as reações contra Israel não é que são “desproporcionais”. Elas são únicas. Não há qualquer mobilização que nem se aproxime no contexto mundial. Nem “salve as baleias” ou os elefantes, vítimas dos japoneses. E o caso dos boicotes a Israel se presta a análise e ao estudo: por que isso ocorre? Por que Israel aparece tanto na mídia? Por que a mesma mobilização, por exemplo, não foi realizada em relação a Arábia Saudita que massacrou e segue massacrando gente dentro e fora do seu reino? Ou contra a China, essa sim praticou genocídio, transfer e tudo mais contra tibetanos? Que ONG e Universidade propõe movimentos de boicote a China?

    Hipocrisia. Interesses e, judeofobia. Os boicotes a Israel “pegam” pela inclinação dessas pessoas a essas 3 coisas.

    E é muito curioso que você se oponha ao boicote as relações acadêmicas. Ora? Por que não? Boicote a todos os judeus do mundo! aos sionistas e não sionistas! Afinal, todos os judeus do mundo apoiam Israel. Essa é a mesma “lógica” distorcida das acusações de genocídio e das proposições de boicote.

    Por que ninguém fala dos crime de Putin? Quer uma lista?

    Abraços, Fábio.

    • Henrique Samet

      25/01/2016 at 15:53

      Se ater a uma definição acadêmica de genocídio é fugir do mundo real. Interesses, hipocrisia são as bases do realpolitik que você ama, mas deve sempre se lembar que é uma faca de dois gumes.
      A mídia, a propaganda política e mesmo fatos dentro de um mesmo país (veja genocídio dos jovens negros e índios, por exemplo) usam a larga o termo. No caso tem que se procurar sempre a versão e não a definição. Faz parte do jogo.
      Este troço de singularizar “jornalistas”, “políticos” e “grupos ideologizados ” é uma reação baseada em teoria conspiratória” destituida de base empírica. Chega de demonizar generalidades e categorias que não te favorecem.. Daqui a pouco chega-se ao “mundo” culpado .
      Caso contrário crie um movimento de repercussão contra a Arábia Saudita ou contra Putin. Você parece que quer controlar os espaços dos jornais mas a coisa não funciona assim.
      Esta teoria conspiratória é uma plataforma propagandística criada pela hasbará, tipo “ninguem me ama” aproveitando-se do histórico judaico como o Holocausto. Se colocar como vítima inocente no caso israelo palestino atualmente é conto do vigário.
      Discriminar o Amoz Oz é ser burro. Por isso é digo que aí tem que se fazer distinções. Boicotar produtos israelenses não é uma iniciativa minha; é o que acontece neste estágio e parece que está em crescimento. A resposta para isto não é dizer que o mundo é antissemita.
      Você que trabalha com política internacional deveria melhor responder porque a região e Israel estão sempre nas manchetes. A resposta sugerindo “desproporção” não faz jus a um virtuoso. A “desproporção”, passados quarenta anos, não mudou em quase nada o status quo opressor israelense. Que desproporção é esta?
      Acusar o governo israelense é uma das formas de pressão política por mudanças e isto está sendo feito. Fazer os antissemitas de berço e extremistas maioria dos que acusam o governo israelense ‘é simplesmente má fé. Quem defende de forma disfarçada , com mas mas mas, o status quo deve entender que isto tem onus doloroso e que é isto que alimenta também as posturas extremistas. Não existe independente uma coisa sem a outra.
      Ninguém pode garantir o futuro, mas eu acho que se pode medir o presente e ele é inviável . Quanto mais se teimar em fechar os olhos , provavelmente o quadro se exarcebará

  • Fábio

    25/01/2016 at 15:51

    Caro Mário, pois é. O Henrique acha que Israel deve ser diferente do resto do mundo todo e o mundo tem razão em tratar Israel diferente do que trata os demais países.

    E pior, que toda a crítica que o país recebe é exclusivamente culpa dele mesmo e produto dessas ações. Será mesmo?

    Um amigo meu, Eliezer Gringhouse (já falecido), dizia que era assim porque teriam sido os judeus os inventores da ética e da moral. Os que insistiram tanto nesses valores. Os que dizem sempre estar tentando seguir esses princípios.

    Daí despertar dos demais essa reação de ser muito mais crítico quando as coisas ruins são feitas por judeus.

    É bom lembrar que a OLP foi criada em 1964 quando nem existiam os territórios ocupados (pelo menos por Israel) e entre 1948 e 67 Israel também não teve sombra e água fresca.

    Aproveito para me desculpar com todos pelas ausências de “S”, erros de digitação e concordância. Acho a letrinha do espaço de “expressar Opinião” do site pequena demais, quase que não enxergo o que estou digitando.

    Com um abraço, Fábio.

    • Henrique Samet

      25/01/2016 at 17:37

      Só faltava esta digressão sobre ética…

    • Mario S Nusbaum

      26/01/2016 at 04:53

      Desista Henrique, os anti-semitas pode até aplaudi-lo enquanto convir, mas na hora do vamos ver você “voltará” a ser judeu. Btw, você É judeu?

    • Mario S Nusbaum

      25/01/2016 at 19:14

      É exatamente isso Fábio. De minha parte encerrei com os últimos posts meu “diálogo” com ele. Tenho vasta experiência em discutir tudo isso em blogs, fóruns e sites onde nós somos minoria. Cansei de ouvir “argumentos” absurdos de anti-semitas, e tenho mais paciência com eles do que com judeus que pensam: “não é possível, a culpa TEM que ser nossa”. E acredite, eu os entendo! Não é nada fácil aceitar que somos vítimas de preconceitos gratuitos há milênios.
      A partir do momento que se aceita que não podemos fazer nada (alguma coisa podemos, mas tudo bem) contra o racismo, vem o desespero. É bem mais cômodo “pensar”: puxa vida, se desocuparmos a Cisjordânia o mundo inteiro vai nos amar.
      um grande abraço

    • Fábio

      26/01/2016 at 00:01

      Caro Mário, entendo o que você está dizendo. Pelo menos ter o Hersh como interlocutor é bem melhor do que certos “fogo amigo” que aparecem por aí…

      O problema do Hersh é achar que o povo judeu deve mesmo ser diferente e melhor do que os outros. E é natural que seja avaliado e criticado com padrões muito acima do restante da humanidade.

      Abraços, Fábio.

    • Henrique Samet

      26/01/2016 at 01:03

      Esta digressão é sem pé nem cabeça. É como se dissesse que é o cabeça de bagre entrre os ladrões. Por que a polícia não ataca os peixes grandes?
      Isto é lá argumento na política internacional?
      O Oriente Médio é manchete e independe do que você pense a respeito. Poderia argumentar a la Fábio que é por causa do petróleo; Poderia argumentar que toda a região tem um quadro de instabilidade permanente, por causa das divisões nacionais estabelecidas pelas potências colonialistas. Na década de cinquenta ainda havia a importância do Canal de Suez, etc.
      A instabilidade se acentuou e foi galvanizada pelo surgimento do Estado de Israel e pelos jogos indiretos da Guerra Fria. Três grandes guerra, não sei quantas guerras médias e incidentes quase que diários.
      A região pega fogo e uma das faíscas iniciais foi então conflito entre o nascente Estado de Israel e os países árabes e não deixa de ser usado também hoje.
      Não espere depois disto tudo que esqueçam o conflito israelo palestino para se dedicarem a Ucrania ou somente a Síria ou os “verdadeiros genocídos” conforme vocês denominam.
      Disto concluo que a opressão de Israel sobre os palestinos não é um conflito da escala de cabeça de bagre mas de peixe grande. O extremismo na região usufruiu a larga desta situação e cresceu em cima dos impasses. Pensar nele como geração expontânea do Islamismo é rudimentar. Existe todo um recalque regional que encontrou expressão nestas maluquices.
      Tem outro lado na questão que eu chamaria de paranoico. Quem começa uma intervenção defendendo que um lado é certo e outro é errado vai ser um eterno juiz sempre decidindo quem deve ganhar e quem deve perder. Só por esta postura já sabemos onde vai chegar. Não é disto que precisamos . Cada lado vai achar sempre que o seu é o certo e daí?.
      Nós precisamos de visões mediadoras menos preocupada em justificar um lado e mais preocupada em ver o que é possível ser feito em termos de ponte entre duas verdades. Sem ter esta visão e atitude mediadora , o resto é quase propaganda e perda de tempo. Esta paranoia de defender um lado põe as pessoas em uma jaula conceitual e é profundamente inibidora de um approach mais realista. Ficar discutindo se é ou não genocídio não elimina as mortes de todos os lados. É algo menor, improdutivo e significa entrar de cabeça na máquina de propaganda de ambos os lados.
      O mundo não é hoje anti Israel por antissemitismo. Isto é uma distorção da propaganda e entrar nessa não leva a nada.
      Vocês com estas idéias na cabeça não entram por que não deixarão entrar em qualquer forum pro Palestina, para defender o Estado de Israel. Quem entra são os mediadores que reconhecem o direito de existência do Estado palestino baseado nas fronteiras de 67 e o direito de existência do Estado de Israel. Até o Netaniahu sabe disto daí as diferenças entre os discursos em hebraico e inglês.

    • Fábio

      27/01/2016 at 02:17

      Eu não disse que *todos* os que criticam Israel são anti-semitas. Disse que em alguns casos é assim. Disse que a totalidade dos embaixadores que assinaram o abaixo assinado contra o embaixador (que o Bibi trapalhão e incompetente) arrumou não se mobilizam ou se manifestam para mais coisa alguma. E que a sensibilidade de muitos que criticam Israel é seletiva. E isso é óbvio. Inclusive a sua, já que nunca vi texto seu criticando Putin e nenhuma das demais mazelas do mundo.

      Ah, você se interessa pelo assunto por razões pessoais E os embaixadores e diplomatas que assinaram? E outros tantos que se mobilizam para boicotar Israel e não se envolvem para mais coisa alguma no planeta?

      Isso não é digressão, é constatação. Sempre que pergunto por que não outros temas e sofrimentos? Ninguém sabe responder.

      Desse modo, é pertinente avaliar o fenômeno dessa sensibilidade e pressão seletiva sim.

    • Henrique Samet

      27/01/2016 at 16:46

      Enquanto o BIBI ataca o baixinho presidente da ONU você ataca os embaixadores brasileiros. É a mesma doença pseudo sensibilista. Por que só eu?
      E ainda por cima fragil e mentirosa.
      Para cada um que ataca o governo de Israel você saca o Putin do bolso como argumento e assim, todos os que falam de Israel são acusados de subestimarem o Putin. Não sobra um, nem o Obama, nem o Hollande, nem o Cameron, nem a Merkel, etc
      É um desviacionismo rasteiro que tira o foco sobre o assunto em pauta, que é o que interessa, e leva a discussão para o acessório.
      Que nem o Figueiredo: me esqueçam.
      Como você deve saber eu manipulo todos os jornais do mundo e daí as manchetes constantes sobre Israel. É uma conpiração mundial que você detectou. Parabéns!
      Agora assentamentos, colonos, racismo, discriminação, opressão e mortes de lado a lado, isto não interessa . O que interessa é esta obcessão suspeita sobre Israel onde nada acontece.
      Alias eu li seu artigo sobre Putin no Diário de Plutão,

    • Mario S Nusbaum

      28/01/2016 at 14:31

      ” tira o foco sobre o assunto em pauta”
      Mudei de ideia Henrique e vou voltar à discussão, se você topar, claro. Para fazer isso preciso que você esclareça uma coisa: qual é o assunto em pauta? Peço por favor que você seja claro e objetivo, se possível, claro. Qual é esse assunto?

      “E ainda por cima fragil e mentirosa.”
      Entendo você chamar de frágil, mas de mentirosa não. Nem é preciso entrarmos em nenhuma polêmica, basta comparar NÚMEROS. Quantas condenações Israel sofreu por parte da ONU e quantas a Rússia, Síria, China, Irã, etc

      Aqui ninguém nunca disse que Israel não comete erros, o que dizemos é outra coisa. Eu por exemplo sempre fui contra os assentamentos, mas tenho certeza de que o fim deles não vai trazer a paz. Se você discorda, por favor explique porque. Enquanto aguardo cito Gaza e Taba.

    • Henrique Samet

      31/01/2016 at 04:43

      Israel não faz parte do Conselho da ONU. É uma nação pequena . A Rússia, a China não são condenadas por que vetam. Isto é mais que óbvio. O pessoal é moderado com a China por que ela é a segunda potência econômica mundial. Todos maneram para poderem negociar com esta nova potência.
      Aí funciona o realpolitik a grosso modo.
      O único país que impede hoje em dia sanções maiores contra Israel é os Estados Unidos e a Micronésia. Isto já diz alguma coisa do IBOPE do atual governo de Israel no Mundo.
      Coreia do Norte deve ser a campeã do leva pau em termos de sanções reais mas tem certa cobertura da China e por aí vai.
      O Irã tá dando um banho em matéria de reinserção como ator legitimado . Por enquanto a tese do Obama que vocês aí odeiam se mostra factível.
      Agora ficar nesta discussão de por que só eu? é uma falsa questão.
      Aliás benvindo ao dissenso e é bom ir se acostumando por que este é o estado da coisa no mundo real. Um desgaste israelense no mundo e na política internacional promovido pelo governo de Israel declaradamente de extrema direita. Quer esconder a questão?

    • Mario S Nusbaum

      31/01/2016 at 16:33

      Ainda bem que eu mudei de ideia e voltei a discutir com você Henrique! Acho que finalmente chegamos ao x da questão e apareceu qual é a nossa verdadeira discordância. Vou ignorar o cambada e ir direto ao ponto:
      Sua tese é contraditória.
      “é bom ir se acostumando por que este é o estado da coisa no mundo real”.
      “Quer esconder a questão?”
      Eu não quero esconder nada, e sei muito bem que este é o mundo real, gostemos ou não.
      Passo a apontar sua contradição:
      “Israel não faz parte do Conselho da ONU. É uma nação pequena . A Rússia, a China não são condenadas por que vetam. Isto é mais que óbvio
      Aí funciona o realpolitik a grosso modo.”
      “Coreia do Norte deve ser a campeã do leva pau em termos de sanções reais mas tem certa cobertura da China e por aí vai.”
      Exato, e NADA que Israel fizer vai mudar essa situação! Israel é condenado, mais do que QUALQUER outro país do mundo por uma SÉRIE de razões. Eliminar UMA delas, os assentamentos, vai, NO MÁXIMO, diminuir um pouco o número de condenações. Se for possível gostaria que você dissesse porque Cuba, Venezuela e Mianmar não são criticados com a mesma intensidade.

      “O Irã tá dando um banho em matéria de reinserção como ator legitimado”
      Sem dúvida, mas não por mérito próprio.
      “Por enquanto a tese do Obama que vocês aí odeiam se mostra factível.”
      Que tese????? A de que cedendo a tudo que uma ditadura abjeta exige ela topa um acordo? O que você chama de factível? Dar 100 BILHÕES de dólares em troca de promessas vagas sempre será factível. A maioria dos países assinaria por 100 milhões.
      “Um desgaste israelense no mundo e na política internacional promovido pelo governo de Israel declaradamente de extrema direita”
      Certo, quando Israel era governado pela esquerda o mundo amava o país. A UNRWA por exemplo foi fundada em 1949, E com certeza você tem uma brilhante explicação para isso: “It was not until 2006 that the ICRC officially recognized Magen David Adom”

      “Eles não tem proposta e se têm não a apresentam, certamente sabendo que ninguém com bom senso vai aceitá-las.”
      Detesto o uso de eles, nós, vocês, etc nesse tipo de contexto. EU tenho uma proposta, deixar o mais claro possível, para todo mundo, que Israel já fez várias propostas para que fosse assinado um acordo e TODAS foram rejeitadas. Que os líderes palestinos nós últimos anos sempre se recusaram a negociar. Que alguns deles pregam abertamente a destruição de Israel (os outros dissimulam).
      E a sua, qual é? Dar 100 bilhões de dólares para o Abbas prometer alguma coisa?

    • Henrique Samet

      02/02/2016 at 19:14

      Peraí
      Você acha que um impasse se supera com mais impasse?
      Atualmente NADA se está negociando.
      Esta conversa de que eu dei tudo e eles recusaram é para boi dormir.
      Eles querem fronteira de 67, Jerusalém Oriental, direito de retorno.
      Dizer que a coisa não avança não quer dizer nada. O que não avança agora e por que?
      Não sei se o Netaniahu quer exatamente agora fronteira de 67, Jerusalém Oriental e direito de retorno afora outras condições não menos importantes a começar pelo usufruto da ;agua. Qual é o plano da extrema direita?
      Se você sabe me diz. Desistiram de ter plano?
      Mais e mais cortina de fumaça para inverter os vetores dos impasses hoje.
      Parece que a negociação do Kissinger para sair do Vienam durou uns dez anos. O caso da Irlanda 70 anos , o caso da África do Sul sei lá.
      Impasses não são desculpas para nada. Se até as facções sírias estão se sentando separados em Genebra, isto quer dizer que a coisa é sentar e não dizer demagogicamente que o problema só é o outro lado. Isto é mentira!
      Acho que defender indiretamente este governo de Israel é pior que defendê-lo diretamente pois enreda este tipo de defesa nestas ambiguidades de propaganda como se fossem verdades dadas.
      Entre Hamas, Hezbolla e agora EL eu prefiro a OLP. Isto deveria ser óbvio ululante mas para vocês não é. Põr tudo no mesmo saco é desvio de conduta. Se a OLP finge que senta a mesa, o governo de Israel tem a obrigação de fingir que senta a mesa e assim pode se abrir janelas.Fora isto negociar e por mais assentamentos é faca no pescoço. Isto é evidência no terreno. Até Rabin a OLP era o diabo encarnado e o Rabin, que nunca foi de paz, encarou, enguliu em seco e deu a mão para o Arafat.
      Querer nas circunstâncias atuais jogar o impasse nas mãos exclusivas da OLP é caradurismo.
      Ficar se ocupando de antissemitismo como se fosse a raiz do problema é servir ao Netaniahu e ser escravo de uma hasbará mentirosa. Chega de máscaras. O bom para o Estado de Israell é ser hoje em dia radicalmente contra este governo de Israel, que está levando o Estado para um abismo. Isto tem decorrências nas posturas de cada um. Vocë não notam mas o “mas de vocês é sempre uma passagem rapidíssima em ser dizer contra o governo, como se isto , isto é”, o governo, fosse o menor dos males e o resto o maior. Francamente…

    • Fábio

      31/01/2016 at 18:14

      Hersh, o Conselho de Segurança das Nações Unidas possui 15 membros: 5 permanentes e 10 rotativos. O Brasil ao longo do governo PT esteve ali representado, na cadeira rotativa algumas vezes. Em questões específicas relacionadas a condenações por genocídios e violações de direitos humanos, o Brasil aqui e em outros órgãos da ONU NÃO CONDENOU, VOTOU CONTRA OU SE ABSTEVE.

      Entre os embaixadores aposentados que assinaram a nota de repúdio, está lá o Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário geral do MRE e um dos 4 elaboradores dessa política externa petista. É dele a expressão “direitos humanos ocidentais”. Acho que nem preciso explicá-la.

      Ora, sendo bem curto: para Israel ele aplica os Direitos Humanos Ocidentais. Para os sírios, russos, chineses, países africanos etc, não. Ele cobra obviamente de maneira diferente.

      Leia os artigos dele e do Celso Amorim (nem precisa os do Marco Aurélio Garcia). Eles pensam e dizem que os Direitos Humanos são coisa manipulada e explorada pelos EUA (a quem detestam, condicionamentos da guerra fria) politicamente. O que é em muitos casos verdade, como vc menciona em relação a Rússia e China, como também Arábia Saudita e outros.

      Mas o que o Brasil tem com isso? E o que o meio intelectual tem? O que os seres humanos não amarrados a uma posição de Estado tem?

      E toda e qualquer expressão de preocupação em relação aos Direitos Humanos é expressão de interesses políticos estratégicos, como eles dizem dos EUA, o que dizer das deles? É uma forma de justificar a contradição? A incoerência? A sensibilidade seletiva?

      E é exatamente isso. Por que chamam só o que Israel faz de genocídio? E isso é apenas uma pequena parte dos condicionamentos que seguem a uma agenda política e não realmente preocupada com os Direitos Humanos. Se fosse em Cuba, alguém dizia alguma coisa?

    • Mario S Nusbaum

      02/02/2016 at 14:33

      Acho que não adianta Fabio. Estou definitivamente convencido que trata-se mesmo do caso da mulher que apanha do marido e diz: “deve ter sido algo que eu fiz”.
      Agora, Israel tem que agir contra esses opostos de vitimistas. Nenhuma democracia do mundo permitiria uma movimento como o Breaking The Silence.

    • Henrique Samet

      02/02/2016 at 20:21

      Nas entrelinhas as pessoas se revelam. Esta preocupação em exercer censura generalizada, dizendo quem presta e quem não presta é reveladora. Este patriotismo cego e envenenado que tantos males já causou em outros países mostra sua face sem um pingo de reflexão. Para onde vamos?
      O pior é que têm um sentimento interno de que estão em cima da carne seca, apesar de todos os alertas que recebem por diferentes formas. Reagem com digressões absurdas exigindo prova de idoneidade patriótica de qualquer um como se fossem guardas de fronteira pedindo passaporte. Montam-se teorias de história em que em vez de luta de classes, nação ou o mercado a única coisa que existe no mundo é antissemitismo e em torno disso ele gira.
      Só se consegue discutir realmente com aqueles que querem ouvir e o problema atual são aqueles que não querem ouvir e então nem adianta abrir qualquer debate . Eles não querem falar disto agora.
      Então atenção: o mundo está de marcação contra Israel e ponto final. Todos são inimigos e eu um santo espezinhado injustamente! O ladrão pego no galinheiro do vizinho exclamando:Por que eu? Logo eu?
      Por outro lado, é incrivel, atacam o Lula justamente porque ele diz: eu fiz o que todo o mundo faz ou fez. Internalizaram o Lula em seus argumentos, achando que atac'[a-lo é puro preconceito. Nem se tocam!
      A voz do povo é a única legítima mas a voz do povo não é a de Deus. Povo pode votar errado mas só saberá infelizmente, depois, a vista dos resultados. Hitler foi eleito e Collor também . Qaundo circulou por aí o dito que se queria salvar Israel dela mesma, adotado depois pelo Obama, poucos, acho, entenderam. Até prova em contrário a salvação não virá da opinião pública israelense e talvez uma virada de jogo só será possível com formas de pressão externas. Africa do Sul e Irä cederam não por que seus dirigentes assim quizessem; muito pelo contrário. De Gaulle saiu da Argélia não porque fosse a favor desde criancinha. Estados Unidos saiu do Vietnam não porque achava que estava certo. Foram orientados pelo pragmatismo e realismo. Wesmoreland, o comandante americano no Vietnam deu prazo para acabar com os vietcongs. Bom , o resto é conhecido.
      Toda esta cornúpia patriótica parece que vai acabar mal pois o mal não acaba. O conflito entre palestinos e judeus se arrasta 100 anos e os boquirrotos não tem nenhum plano de futuro, só de status quo como se o status quo fosse a solução. Bla, bla, bla…
      Nenhum destes que “dialogam” teve peito de entrar de rijo em cima do Netaniahu et caterva. O verdadeiro inimigo são os outros… Ah estes defensores da pátria…

    • Fábio

      04/02/2016 at 13:50

      Caro Hersh:

      Acho que você escreve as vezes como se estivesse dialogando com Bibi ou algum seguidor. Existem sites e blogs desse pessoal. Acho até que você já deve ter sido expulso de algum deles (risos).

      Você atribui pensamentos, pontos de vista e posições que as pessoas que até aqui postaram nesses comentários simplesmente não tem.

      O fato da turma aqui (inclusive eu) não concordamos com os seus pontos de vista não significa que concordamos com o da direita Israelense.

      Já que você trouxe o tema brasileiro Lula etc para cá, você está como a sociedade por aqui: quem apoia o Lula e o PT é esquerda, quem o critica é conservador reacionário.

      E olha que aqui ninguém está apoiando o Bibi. Só não faz como o Breno Altman por exemplo, típico judeu comunista (ou comunista judeu) que gastou tubos no psicanalista e não adiantou, que publica na Folha de SP expressões da sensibilidade seletiva dele, querendo livrar a cara publicamente. Usando do nome judeu como argumento retórico de autoridade, quase que corroborando com os “Protocolos dos Sábios de Sião”: “veja, ele é um deles e está falando o que eles entre eles dizem”. Onde é que estão os textos desse Altman quando a miséria humana não é em Israel?

      Há evidentemente um uso enorme do assunto, capitalizado para outros interesses. O seu argumento é que não se pode colocar limites nas acusações e tentativas de demonização de Israel (ou dos judeus, pois quando menciona Holocausto e o fazem bastante, aliás é esse o propósito do emprego do termo “genocídio”) pois Israel tem culpa no cartório.

      Eu e os demais por aqui achamos que não: mesmo com culpa no cartório não é legítimo, honesto e sério e merece ser respondido toda crítica que vier acompanhada de exagero e demonização. Não se trata de uma defesa cega do Estado judeu como você acusa a todos por aqui. Apenas bom senso e honestidade intelectual. Eu a pratico.

    • Henrique Samet

      05/02/2016 at 03:03

      As pessoas que aqui postaram estão mais preocupadas em atacar os “traidores”, antissemitas escondidos em cada esquina no mundo inteiro do que ir em cima do Bibi. Nada, absolutamente nada, sobre a política impressa pelos governantes atuais como se isto fosse o fato menor nas circunstâncias.
      Isto é significativo .Se se dizem de oposição, são de araque .
      Em situação de guerra e confronto estão mais preocupados com semântica do que perceber como trabalham as partes para desclassificar o oponente. Nada,mas nada vai impedir que segmentos partidários dos palestinos utilizem genocídio a vontade . As 300 crianças mortas em Gaza dão substância, por exemplo, a utilização. do termo. Em vez de se preocuparem com raiz do conflito ficam se preocupando com suas consequências óbvias e inteligíveis. Enquanto o status quo permanecer , podem ficar achando que é injustiça ou desvirtuamento, mas nada vai mudar e genocídio continuará a ser empregado e as pessoas que aqui postaram vão ficar falando ao vento e se dedicando ao supérfluo. E é isto que a hasbará mentirosa utiliza e manipula.
      E o principal: se quiser defender Israel, isto é um jogo perdido de antemão. A opinião pública não quer ouvir defesas deste tipo; quer fatos concretos a respeito de negociações sobre dois estados. Em Israel o governo é de extrema direita e só isto já é um desgaste imenso para o Estado de Israel na situação atual. Se querem chamar as coisas pelo nome classifiquem primeiro este governo e o que está de fato acontecendo em termos de avanços democráticos e distensão política e militar: NADA., muito pelo contrário.
      Sem começar com isto simplesmente não há começo para se iniciiar uma troca mais clara de opiniões e sobre isto as pessoas que aqui postaram são completamente omissas e fazem cara de paisagem.

    • Mario S Nusbaum

      28/01/2016 at 14:34

      “Agora assentamentos, colonos, racismo, discriminação, opressão e mortes de lado a lado, isto não interessa”

      Assentamentos e colonos eu sou contra, racismo existe em TODOS os países do mundo, como política oficial, felizmente, em poucos, como por exemplo nos territórios palestinos.

    • Mario S Nusbaum

      02/02/2016 at 23:09

      “Atualmente NADA se está negociando.”
      Verdade, e você sabe tão bem quanto eu porque: o Abbas se recusa. Como obriga-lo? Eu não sei.
      “Esta conversa de que eu dei tudo e eles recusaram é para boi dormir”
      Seria sim, se alguém tivesse dito isso. Eu pelo menos nunca disse tudo, disse várias ofertas. Mas já que você insiste, Israel ofereceu 95% do que eles DIZEM querer.
      “Eles querem fronteira de 67, Jerusalém Oriental, direito de retorno” E? Antes de mais nada vamos traduzir o que isto significa: dois países palestinos. Se nós tivermos discutindo a posse de um terreno, não vai fazer a mínima diferença como vai ser feita a divisão se eu exigir que depois de tudo acertado será a minha família que vai ocupar os dois lotes. Henrique, se você disser que é a favor dessa loucura estúpida, não temos mais o que discutir, não dá para argumentar com quem propõe o suicídio de um dos lados como solução para o problema. Essa idiotice é surreal, afinal não é direito nem muito menos retorno.
      “Qual é o plano da extrema direita?
      Se você sabe me diz. Desistiram de ter plano?”
      Não faço ideia, mas sei qual é o plano do Abbas e do hamas

      “isto quer dizer que a coisa é sentar”
      Enfim algo em que concordamos! Pena que o Abbas não concorda conosco.
      Você precisa de provas de que ele vem sistematicamente se recusando a conversar?

      “Entre Hamas, Hezbolla e agora EL eu prefiro a OLP. Isto deveria ser óbvio ululante mas para vocês não é.”
      E é óbvio, e seria bom que você não falasse pelos outros e nem generalizasse.
      Quem são “vocês”?

      “Se a OLP finge que senta a mesa, o governo de Israel tem a obrigação de fingir que senta a mesa e assim pode se abrir janelas.”
      Perfeito, como foi feito várias vezes com o Arafat. Pena que o Abbas não quer nem fingir. Será que você tem informações que ninguém mais tem? Jornais do mundo inteiro noticiam, há muito tempo, que ele se recusa a negociar.

      “Fora isto negociar e por mais assentamentos é faca no pescoço”
      Quando o Abbas exigiu seu congelamento como condição para negociar, o que aconteceu Henrique?

      “ser escravo de uma hasbará mentirosa”
      Por que você não nos ajuda e aponta as mentiras? Por exemplo, cite uma só vez em que o Abbas tenha aceitado negociar.
      E vou dizer mais uma coisa (que já disse várias vezes em outros lugares): se eu fosse o Netanyahu anunciaria para o mundo todo que no dia tal, às tais horas, uma delegação israelense estaria no lugar x para negociar. A chance de uma delegação palestina aparecer seria a mesma do Khamenei se converte ao judaismo.

      Eu aliás repetiria essa jogada várias vezes por ano.

    • Mario S Nusbaum

      04/02/2016 at 14:58

      Veja que interesse Henrique, concordamos em muita coisa! Por exemplo:

      “Nas entrelinhas as pessoas se revelam. Esta preocupação em exercer censura generalizada, dizendo quem presta e quem não presta é reveladora. ”
      “Só se consegue discutir realmente com aqueles que querem ouvir e o problema atual são aqueles que não querem ouvir e então nem adianta abrir qualquer debate”

      Esta mea-culpa cega e envenenada que tantos males já causou em outros países mostra sua face sem um pingo de reflexão. Para onde vamos?
      O pior é que têm um sentimento interno de que estão em cima da carne seca, apesar de todos os alertas (atropelamentos, bombas, tuneis, foguetes, esfaqueamentos) que recebem por diferentes formas.

      Então atenção: Israel é o culpado e ponto final. Todos são santos e eu um demônio oprimindo o mais santo entre os santos!

      A voz do povo é a única legítima mas a voz do povo não é a de Deus. Povo pode votar errado mas só saberá infelizmente, depois, a vista dos resultados. o hamas foi eleito e Lula também

      África do Sul e os EUA cederam porque suas sobrevivências não estavam em jogo. Se o México lançasse foguetes diariamente sobre o Texas e a Califórnia, num total de milhares, seria ele que não existiria mais, não importa quantos hippies fossem às ruas protestar.
      E a propósito, em que o Irã cedeu??????? Trocar promessas vazias por 100 bilhões de dólares qualquer país aceitaria num piscar de olhos.

      Toda esta “auto-crítica” anti- patriótica parece que vai acabar mal pois o mal não acaba. O conflito entre palestinos e judeus se arrasta 100 anos e os mea-culpistas não tem nenhum plano.
      Nenhum deles teve peito de entrar de rijo em cima do Abbas et caterva. O verdadeiro inimigo somos nós mesmos. Ah estes críticos da pátria…

      Para finalizar, uma pergunta e um comentário:

      1) Quando e como Obama demonstrou que quer salvar Israel de si mesmo?
      2) Por incrível que pareça quem melhor apontou o problema da sua “ideologia” foi o Garrincha!

      “Conta a lenda que na Copa de 1958, durante a preleção antes do jogo contra a antiga União Soviética, o técnico brasileiro Vicente Feola reuniu os jogadores e combinou a estratégia da partida:

      No meio de campo, Nilson Santos, Zito e Didi trocariam passes curtos para atrair a atenção dos russos… Vavá puxaria a marcação da defesa deles caindo para o lado esquerdo do campo… Depois da troca de passes no meio do campo, repentinamente a bola seria lançada por Nilton Santos nas costas do marcador de Garrincha. Garrincha venceria facilmente seu marcador na corrida e com a bola dominada iria até à área do adversário, sempre pela direita, e ao chegar à linha de fundo cruzaria a bola na direção da marca de pênalti; Mazzola viria de frente em grande velocidade já sabendo onde a bola seria lançada… e faria o gol! Garrincha com a camisa jogada no ombro, ouvia sem muito interesse a preleção, e em sua natural simplicidade perguntou ao técnico: Tá legal, seu Feola… mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?”

      Os russos pelo menos só queriam nos derrotar no futebol, não nos jogar no mar.

    • Mario S Nusbaum

      04/02/2016 at 20:16

      Pois é Fabio, não bastassem os anti-semitas “goym” ainda temos que suportar os Brenos Altmans da vida. Não entendo como ele escapou de ser preso com o chefe/patrão/guru dele.

  • Fábio

    25/01/2016 at 17:35

    Qualquer que seja a definição de genocídio que você opte, nenhuma delas honestamente se aplica (pelo menos ainda) a Israel em relação aos árabes palestinos.

    Só não existe preocupação com o uso preciso dos termos no terreno do panfletarismo e das manchetes que visam vender jornais. No restante do mundo culto, há.

    Não dá para acusar o prefeito do Rio de Janeiro de nazista ou genocida porque ele está transformando a cidade em caos. Mas é possível sim criticá-lo.

    Se Israel tivesse feito 5% do que é acusado em 1948 ou a partir de 1967, aquilo lá seria como o Tibet, que hoje já possui larga maioria de população chinesa Han, ou seja, os tibetanos em sua maioria foram mortos ou exilados. Ali ocorreu genocídio e ocupação. E esse é apenas UM exemplo.

    E esse é o debate do artigo aqui veiculado.

    Você segue tergiversando e a essência dos seus argumentos está pautada na ideia de que Israel ou o atual governo (ou os últimos de direita) são responsáveis pelo movimentos internacionais articulados contra ele.

    O que eu discordo. Em minha opinião existem muitas evidências de que em todos os temas, a crítica que é feita a Israel, assim como os movimentos e propostas de boicote (ou proposições de destruição, também presentes até em artigos acadêmicos, como o do respeitadíssimo cientista social imbecil português…) não relacionam-se apenas com a ocupação.

    A ocupação é errada. Ela é danosa. Ela produz repulsa de qualquer pessoa sensível ao sofrimento humano e é certamente honesto e compreensível que esteja pautada como tema de qualquer grupo engajado em defender os Direitos Humanos.

    O engajamento e o espaço que esse tema específico ocupa internacionalmente, considerando-se as urgências e a dimensão dessa tragédia comparada a outras da contemporaneidade mundo a fora é *evidentemente* desproporcional em todos os sentidos.

    Alguns exemplos já citei. Se há civis mortos em Gaza, existem em número muito superior na Síria em razão dos ataques russos (para nem falar dos de Assad, armados pelos mesmos). Mesmo com a denúncia e a condenação de grupos internacionais, você viu alguma reação próxima, continuidade de gritos e acusações? Por que? Putin é um tirano e todo mundo sabe, não se pode esperar nada dele? Algum músico famoso recusa-se a tocar em Moscou? Algum acadêmico russo está proibido de entrar em alguma universidade européia?

    E nem estamos falando da ocupação russa de várias nações que desejam independência, como a Chechênia por exemplo. E existem muitas outras.

    Por que Rússia e China não são alvo de boicote? Por que você acha compreensível e justificável o movimento anti-Israel e não o silêncio total e completo em relação aos outros Estados do mundo?

    Você acredita sinceramente que se Israel hoje saísse da Cisjordânia a posição internacional seria modificada?

    Eu não quero controlar a mídia, apenas constato o que eles em expressiva quantidade produzem. Não estou aderindo a “teoria conspiratória”, apenas observo o fenômeno e tento compreendê-lo. Não tenho qualquer ligação com “hasbará” ou qualquer entidade organizada.

  • Artur

    25/01/2016 at 18:17

    1 – Fábio. Só li seu comentário por conta do que disse o Raul. Muito bom mesmo. Parabéns. Obrigado Fábio e Raul!

    2 – Marcelão, acho que falta a análise da “intenção”, que é complicadíssimo, mas completaria o quadro.

    3 – Quem vai mandar esse texto pro Marco Aurélio Garcia? Não é hora?

    Abraço, gente.

    • Fábio

      26/01/2016 at 00:03

      Caro Artur:

      Ao Marco Aurélio Garcia, ocupante por mais de uma década de um posto que “nunca na história desse país existiu”, pois é concorrente e coincidente com o de Ministro das Relações Exteriores, é absolutamente inútil.

      Como o seria, postar ao Samuel Pinheiro Guimarães.

      Com um abraço, Fábio.

  • Mario S Nusbaum

    26/01/2016 at 05:03

    A desproporcionalidade é tão óbvia Fabio que é impossível acreditar na boa fé de quem a nega.
    “Você acredita sinceramente que se Israel hoje saísse da Cisjordânia a posição internacional seria modificada?”
    Acho que a de ALGUNS mudaria, mas a da maioria não. Quem acha que sim FINGE achar que antes de 67 judeus e palestinos viviam em perfeita harmonia.
    É como eu disse, para alguns é impossível conviver com a ideia de que muita gente nos odeia e que NADA que fizermos irá mudar isso. Esses se confortam com ilusões como ” quem sabe se eu fizer x, y ou z eles não terão tanta raiva de mim.

    • Henrique Samet

      26/01/2016 at 14:17

      Peixoto
      O psicologismo desbragado para esconder uma questão política é sinal de fuga. Não é através de devaneios sofrológicos muito convenientes que avançaremos em alguma coisa na questão. O importante é perceber que toda uma teia de narrativas frouxas são usadas para não resolver nada, adiar qualquer possibilidades e impor um fatalismo mórbido para depois dizer que não há com quem negociar.
      É a isto que os “donos do argumento antissemita” querem chegar. Isto é nada. Eles não temk proposta e se têm não a apresentam, certamente sabendo que ninguém com bom senso vai aceitá-las.
      Acham que assim está bom desde que não haja nenhuma reação palestina. Uma coisa não bate com a outra.

  • Fábio

    28/01/2016 at 15:22

    Hersh, eu não publiquei no Diário de Plutão críticas a incoerência, contradição e duplo critério do governo Lula, assim como considerações relacionadas ao massacre que Assad faz na Síria, publiquei em uma revista da USP chamada “Política Externa”. Vol 22 de 2013 (pp. 81-90).

    As imoralidades que são a posição russa, chinesa e brasileira no Conselho de Segurança e no Conselho de Direitos Humanos (votando a favor dos genocidas) ambos da ONU e referências a violações dos governos sudanês, sírio, iraniano etc etc etc estão também em capítulo de livro: “Relações Internacionais Contemporâneas”, organizado pelo Carlos M. Ardissone e publicado pela Appris em 2013 (pp. 145-184).

    E ainda estão publicadas nos anais da ABRI , associação brasileira de Relações Internacionais, com o mesmo teor, relativos ao congresso de 2011 realizado na USP.

    Criticar tão somente Israel (e aceitar calado o duplo e contraditório critério), culpar apenas umas das partes pela situação e desconsiderar completamente o contexto da situação e das críticas, me faz lembrar as conversas relacionadas a violência no Rio de Janeiro nas quais certos discursos se ocupam tão somente de justificar quem a pratica.

    O fato de opinião pública e supostos intelectuais possuírem duplo-critério (pelas razões que forem, as sujas ou as limpas), não vão fazer com que eu ria amarelo ou tope demonizar o Estado Israel para me sentir em paz de espírito em um mundo de Estados que estão MUITO longe de respeitar os Direitos Humanos. Que Israel seja criticado, pressionado e cobrado na mesma medida e critérios que todos os outros. Mesmo você, ou especialmente gente como você, sabe-se lá a razão, cobra MUITO mais, e espera muito mais. Talvez um a mais com uma interpretação deturpada da ideia de “povo escolhido”.

    Agora gostaria de saber onde é que você publicou os seus textos (ou comentários) tratando de regimes e Estados que como Israel, praticam violações dos Direitos Humanos. Assim como outras listas assinadas por diplomatas brasileiros condenando a visita de genocidas condenados pela Anistia Internacional que foram beijados e abraçados pelo Lula. A gente do Itamaraty ou ficou calada ou andou dizendo nos jornais que “negócios são negócios”. Aliás, que negócios foram feitos com eles? Nenhum.

    • Henrique Samet

      31/01/2016 at 04:25

      Meu caro
      O site aqui é Conexão Israel. Então é mais ou menos óbvio quais são os assuntos geralmente aqui abordados.
      Acontece que eu sou baiano, alias judeu, e seria também mais ou menos óbvio tratar mais constantemente do assunto Israel.
      Acontece ainda que lá vivi um bom par de anos o que torna ainda mais que óbvio ou meu particular interesse.
      Acontece ainda que pesquiso e escrevo, prioritariamente, como você deve saber de sobra , que sobre assuntos históricos ligados a comunidade judaica do Brasil.
      Acontece muita coisa mas o absurdo é alguém ter que passar por uma prova de interesses ou trabalhoscomo esta que você levanta para ser habilitado com não antissemita ou não tendencioso por uma das partes. O pior é que não é um; é uma cambada que quer deslegitimar de antemão o interveniente arguindo seu interesse específico sobre o assunto como se isto fosse indício ou algo importante a ser lembrado. O argumento é inconsistente e absurdo. A opinião pública não precisa ser habilitada por nínguem
      Este tipo de argui’ção é. um artifício. Cheira a teoria conspiratória doentia. A maior parte das nações que votaram contra Israel na Assembléia da ONU não tem política antissemita e somente são a favor dos direitos dos palestinos. Grande parte dos artigos e comentários na imprensa não são de carater antissemita e sim contra o governo de Israel. Querer apresentar os antissemitas ou antissionistas como majoritários é puro desviacionismo como o Netaniahu acaba de fazer com o baixinho secretário da ONU.
      Desconfio que a crítica as hipocrisias alheias são um argumento para justificar outras na base de que eles também fazem, logo eu posso.
      Volto a dizer: eu não espero absoluta correção ética na política internacional. Todos tem teto de vidro. Criticar o Assad, o El, e outros grupos rebeldas na Síria , nada contra, mas apontar um caminho na base dos fatos é que é o problema. Então discutam-se fatos, sem a priori, tipo golpe baixo.

    • Mario S Nusbaum

      31/01/2016 at 16:53

      ” A maior parte das nações que votaram contra Israel na Assembléia da ONU não tem política antissemita”
      “Grande parte dos artigos e comentários na imprensa não são de carater antissemita”
      Só se você considerar achar que todos os povos do mundo tem direito a um país menos os judeus não é anti-semitismo.

      ” e sim contra o governo de Israel””
      Qual deles Henrique? Seguem-se os anos em que a ONU condenou “o governo” de Israel: 56, 67, 69 70, TODOS os anos entre 71 e 88 e assim por diante. Também não deve ser anti-semitismo condenar TODOS os governos israelenses.

      Destaco uma:

      “United Nations General Assembly Resolution 3379, adopted on November 10, 1975 by a vote of 72 to 35 (with 32 abstentions), “determine[d] that Zionism is a form of racism and racial discrimination””

    • Fábio

      31/01/2016 at 17:56

      Caro Hersh, ora, você é que usou o tal argumento (só ler acima) e mencionou com ironia as minhas publicações em Plutão e agora que eu te respondi o seu argumento com evidências você diz que fui eu que comecei o assunto ou a forma de abordá-lo?

      Eu não questionei você, os embaixadores brasileiros, os jornalísticos ou os críticos de Israel como interlocutores válidos e nem os desqualifiquei. O que tentei fazer é uma análise crítica das posturas em especial, quando utilizam expressões como “genocídio” para categorizar Israel e tem a maior complacência em relação a situações análogas ou MUITO piores quando os Estados são outros.

      Aliás, é esse o ponto essencial do artigo que originou esse debate. Eu sigo na mesma linha lógica. Chamam de genocídio pelas razões que já escrevi. Israel não pratica ou praticou genocídio. Por que atribuem isso a Israel? Por que não atribuem tal alcunha, nem denunciam, nem acusam, nem mesmo a apontam a quem (Estados) que de fato praticou genocídio?

      Você acha essa ponderação desimportante e um detalhe, pois para você Israel não praticou genocídio mas oprime os palestinos. Então você pensa que responder a calúnia não vale pois a acusação de genocídio tem sua razão de ser na cabeça ignorante ou mal intencionada de quem a faz.

      Eu penso que não. É esse o ponto.

    • Alex Strum

      10/02/2016 at 16:54

      Prezado Henrique, você diz: “A maior parte das nações que votaram contra Israel na Assembléia da ONU não tem política antissemita e somente são a favor dos direitos dos palestinos”.
      Os direitos dos palestinos, se levados às últimas consequencias, significa o fim de Israel como Estado judeu já que para os palestinos faz parte do seu direito inalienável o retorno de todos os palestinos que foram expatriados após a criação de Israel.
      Mesmo com todas as resoluções e aprovações da ONU, o que está em jogo numa perspectiva histórica é a consolidação de Israel E este é um processo que infelizmente leva gerações para ser resolvido.
      A questão estratégica é o que fazer agora para garantir o futuro de Israel? Tudo indica que o melhor a fazer, por pior que possa parecer, é “empurrar com a barriga” até que uma nova geração, dos dois lados, menos traumatizada pelos acontecimentos dos últimos anos, tenha condições de levar adiante a solução de dois estados para dois povos.
      É assim que eu interpreto as ações do governo de Israel mesmo nem sempre concordando com algumas delas.
      Finalmente gostaria de lhe perguntar o seguinte: se por hipótese o governo israelense atendesse às exigências palestinas e internacionais e retirasse todos os colonos dos assentamentos e desse total autonomia aos palestinos na Cisjordania, o que você recomendaria que fosse feito se, como em Gaza, novos atentados e novo BDS fossem feitos, agora agora exigindo o retorno dos palestinos para todo o território israelense?
      O Bibi, ou outro líder qualquer, tem que pensar nisto antes de tomar uma decisão.
      Termino citando mais uma vez Amos Oz para quem o conflito é trágico porque os dois lados tem razão, cada um a sua e ambas legítimas.

    • Henrique Samet

      11/02/2016 at 01:04

      Prezado Alex
      Finalmente um argumento inianit sem lorotas escapistas e falsas questões.
      Primeiro a resposta é igual e em sentido contrário. Se esta é a sensação israelense por simetria deve ser a mesma no âmbito palestino. Ambos sentem-se frente a uma ameaça existêncial . Esta espectativa de novas gerações, pelos dados atuais, é falsa, furada. Os meninos de treze anos estão aí com as facas. Tambem pelos dados atuais a situação de Israel no âmbito mundial se complica dia a dia. Isto de contar com o apoio só dos Estados Unidos não deixa de ser um perigo.
      A opinião pública israelense insuflada e atacada da síndrome de Metzada, é levada a pensar igual, mesmo tendo as facas como perspectiva diária.
      O tempo não está a favor de Israel, ou mais incisivo, o tempo pode acabar com Israel. Demografia, democracia, Mundo estão a porta pedindo resgates. Esta idéia de que há tempo, examinada a luz dos dados atuais, é absurda. Os postulantes que me atacam no recinto, por vias tortas, pensam igual:
      Desproporção, antissemitismo, fidelidade semântica são os argumentos, afora os xingamentos, dos incomodados. Eles não se dão conta de que estão reagindo a pressões política, econômicas e midiática crescentes e acham os processso a que respondem somente “injustiça”. Com esta concepção ilusória, em última análise, Israel vai pro brejo. O status quo atual se fia na superioridade militar e arrogantemente caga para o resto, mas o resto já está cagando sobre Israel. Antes uma sanção da ONU, completamente inócua, poderia ser absorvida com tranquilidade mas agora existem pressões que tem potencial de dano bem maior como o BDS e outras sanções que se sucedem em cascata. Ficar clamando que elas são injustas é tão inócuo como uma sanção da ONU que já não é mais tão inócua través de suas diferentes agências. Quem ficar nesta, fechadão, de que pode fazer tudo e que o mundo não tem importância provavelmente vai perder o bonde da história ou como fazem geralmente vão se tornar pacifistas desde criancinha.
      Eu nem abordo o que é, no meu entender mais crucial: o nivel de dor, desespero, morte , destruição, ódio, vingança não são passíveis, para um judeu e sionista verdadeiro, de adiamento para “as próximas gerações”. Isto é propaganda decrépita, fatalista e mentirosa de gente que vê muito muito bem junto com os que não querem ver nada.

    • Mario S Nusbaum

      11/02/2016 at 22:35

      Henrique, tudo o que você disse é verdade. Agora, salvo engano meu, você em nenhum post deu sua opinião sobre o que Israel pode/deve fazer.
      Se me enganei peço desculpas, e que você por favor repita.

      “O tempo não está a favor de Israel, ou mais incisivo, o tempo pode acabar com Israel.”
      Verdade, mas a questão é: o país deve ficar aguardando passivamente seu fim? É esta sua proposta?
      O que um judeu e sionista “verdadeiro” sugere?

    • Alex Strum

      12/02/2016 at 00:10

      Caro Henrique, imagino que você concorda que o nosso objetivo estratégico é a consolidação de Israel como Estado do povo judeu e que isto deve ser alcançado com o máximo de segurança medido pelo menor número possível de baixas, israelenses e palestinas ao longo de todo o processo.
      Estamos todos cientes dos obstáculos para chegar lá, em particular a questão demográfica, as pressões internacionais, a política interna e as pressões dos radicais de ambos os lados.
      Presumo que você esteja sugerindo que Israel abandone os assentamentos e entregue a Cisjordânia para os palestinos como um passo na direção da paz e coexistencia entre israelenses e palestinos. Parece bastante simples.
      Governantes entretanto tem a obrigação de avaliar riscos e consequencias.
      Se der certo, ótimo, parabéns. Mas e e se não der certo?.
      Se uma vez na Cisjordania os palestinos exigirem o retorno de todos os refugiados e para isto transformarem a Cisjordania em nova Gaza, até com o mesmo apoio internacional que tem hoje. Qual é, na sua opinião, a probabilidade de isto acontecer? E se acontecer o que fazer? Qual o custo em vidas se der errado? Seria menor que o custo de esperar por novas lideranças? Você acha que os radicais árabes e também os judeus irão aceitar este arranjo?
      Estas são perguntas que eu tenho muita dificuldade de responder e fico desconfiado de soluções muito simples.
      abs, Alex

    • Fábio

      12/02/2016 at 17:33

      Caro Alex Strum, pois é. Você trouxe de forma curta ao ponto: especialmente para os que não vivem em Israel é relativamente simples e sem nenhum risco ditar o que devem os israelenses lá fazer. Ora, vivendo no Brasil ou fora de Israel fica fácil propor qualquer coisa.

      Isso não significa que não se possa ou deva criticar o governo de Israel. Mas se é para propor que eles se coloquem em risco, acho que só tem mesmo moral e seriedade para isso é quem vive a situação e vive lá e assumirá as consequências.

      A isso o Hersh vai responder que na opinião dele – e de outros – nada fazer é protelar qualquer decisão como tem feito o governo israelense e seguir ocupando mais territórios é que é suicídio do Estado judeu. Pode até ser em termos morais e filosóficos. Em termos reais, o mundo real, não. Os exemplos abundam mundo a fora de que não. Hoje, como já escrevi, depois de genocídio e transfer por exemplo, no Tibet, vivem mais chineses han ali do que tibetanos. Podem até fazer um plebiscito que fazer parte da China ganha.

      Idem em boa parte do que foi um dia Armênia no que é hoje Turquia.

      Como tudo no judaísmo, a ética e a moral precisam ser tentadas, a despeito do “bombardeio” diário do ietzer a rá e ietzer a tov. O ser humano precisa tentar sempre fazer o que é certo. Mas perfeito só Ele.

      O mundo é de imperfeições. Não adianta ingenuidade e altruísmo em guerra. Tampouco ser fraco. A história está repleta de povos e Estados que desapareceram completamente não por tentarem ser unilateralmente bonzinhos, apenas por terem sido mais fracos em algum momento.

      Abraços

    • Henrique Samet

      13/02/2016 at 05:15

      A Revelação
      A lei do mais forte só vale pelo tempo que eu sou forte.
      Logo; serei mais forte idefinidamente como norma de sobrevivência.
      Quem se expressa nestes termos erra de base
      O Darwin com a expressão mais forte não fez o elogio do dinossauro, do brutamontes que alias desapareceu.
      Darwin quiz dizer que sobrevive o mais apto. O mais forte é o mais apto a se adaptar a mudanças de circunstâncias, o que é uma situação muito mais complexa e sofisticada. O mais forte saiu do Vietnam com as cuecas caindo.. O mais forte vermelho saiu do Afganistão sem as cuecas e por aí vai…

    • Alex Strum

      13/02/2016 at 20:47

      Caro Henrique, nesta história não tem mocinho ou bandido, os dois lados tem razões legítimas que no limite são incompatíveis portanto ou se negocia ou se luta. Como estou envolvido por ser judeu, eu defendo o meu lado mesmo entendendo o do outro lado.
      Há situações onde não há uma “boa” solução e você tem que se contentar com a menos ruim e menos ruim é aquela que tem maior probabilidade (menor risco) de te levar ao objetivo com o menor custo (vidas) possível.
      O meu apoio à estratégia de empurrar com a barriga”, mesmo não gostando dela, é porque é a que me parece ser a mais realista no momento.
      Não sou contra iniciativas de paz e negociações entre as partes e tambem discordo da política de assentamentos porque prejudica o principal que é confidence building”.
      Acho que o mais importante que ocorre no momento são as iniciativas de famílias e de pequenas comunidades, de ambos os lados, que vão tecendo lentamente processos de convivencia minimamente harmoniosa. Quando isto alcançar um certo patamar as lideranças se sentirão seguras para selar acordos de paz confiáveis.
      Mas antes os dois lados vão ter que controlar os seus radicais.
      Continua não sendo claro para mim o que voce propõe que seja feito. Simplesmente se render às pressões internas e externas, como voce parece sugerir não me parece a melhor opção. Hoje voce entrega um dedo e amanhã??

    • Henrique Samet

      14/02/2016 at 21:50

      Alex
      Não se trata de um dia se render, o que ainda é uma dcisão soberana, mas de ser obrigado a mudar de rumo ou ter como alternativa algo pior.
      Caso faça uma pesquisa verás que que há uma “coincidência total” entre os que advogam a “administração do conflito”, status quo ou adiamento de soluções para as próximas gerações e os que querem manter terras roubadas, manter os palestinos sob opressão, etc.. A tradução da “coincidência” é a seguinte:estes que advogam a impossibilidade de se sobrepor ao impasse são os mesmo que pensam que enquanto eles não aceitarem o que queremos impor não há nada a fazer.
      Eu não sou profeta e só procuro exercer minha limitada capacidade crítica e concluir que este negócio vai continuar sempre pior e não vai acabar bem.
      O governo israelense, e aí falo qualquer um, tem que mudar radicalmente de postura e partir novamente para a solução dois estados, fronteiras e outros assuntos resolvidos de forma consentidas pelos dois lados, pois é isto que estão exigindo de Israel, no pressuposto que este governo está sabotando quaalquer oportunidade de diálogo. Lembro, só para refrescar a memória que do governo BIBI surgiu a proposta da OLP reconhecer Israel como estado judeu como condição sine qua non , para levar adiante a coisa, o que foi uma provocação concebida para torpedear qualquer possibilidade de levar adiante negociações . A característica de qualquer estado não é dada pelos outros e evidentemente pedir a palestinos que reconheçam o que consideram sua desgraça é dose.
      Essa idéia que flutua aqui de que o atual impasse é por causa dos palestinos é lero lero e reação de avestruz. Negocia-se com o inimigo e este não pensa logicamente igual a você. Uma comissão de dois lados está sentada há quase meio ano ou mais em Havana para produzir uma conciliação colombiana cujo impasse tem a duração já de 68 anos. Estão se produzindo resultados lentos mas concretos no impasse porque ambos os lados tem alguma propensão a isto.
      Os termos e propostas de acordo não sou eu que tenho que dar mas é público, como base de negociações a fronteira de 67, troca de terras e redivisão de Jerusalem, mas mantendo a cidade aberta dos dois lados. Até aqui não inovo, só reproduzo o que é notório. Tem a questão do retorno na qual ao que parece existem novas propostas a mesa , como indenizações ou algo parecido. É sobre isto que se discute e não sobre antissemitismo ou desproporcionalidade.
      Depois de tudo isto você me dizer que a iniciativa está nas mãos de pequenas famílias, etc…fico parvo, quando sabemos o dia a dia de provocacões, conflitos e mortes nos territórios ocupados entre as “famílias”. As soluções são estatais pois esta é a dimensão do problema. Nós temos que olhar para baixo, para terra e não para cima, esperando uma intervenção fatalista do que não existe. Ou Israel toma o processo nas mãos e de certa forma o conduz para um bom ancoradouro ou vai ser levado, a força, sem possibilidade de intervir É o que já está acontecendo com o governo de Israel isolado e observador de sua própria deterioração. internacional.

    • Mario S Nusbaum

      12/02/2016 at 23:50

      “Qual é, na sua opinião, a probabilidade de isto acontecer? ”
      Não me pediram mas vou dar a minha: praticamente certeza. Explico. O “normal” é prometer antes de receber algo e depois, algumas vezes, não cumprir. Se os palestinos jurassem que se contentariam com Gaza e Cisjordânia (teria que haver um acerto nas fronteiras), poderia ser verdade ou uma tática para obter as terras e depois fazer novas exigências. SÓ QUE, eles, antes de conseguirem qualquer coisa, exigem a “volta” dos refugiados!
      O tal “direito de retorno” é um dos conceitos mais surreais que já vi, loucura total.
      Se agora eles exigem absurdos como esse, imagine depois.

      Surreal também é a posição de alguns como o Henrique. Alguém que não conhecesse nada sobre o conflito, pensaria que as lideranças palestinas vivem pedindo para negociar e Israel se nega. Imaginaria que elas já se comprometeram a x e y e não tiveram resposta. NINGUÉM seria capaz de supor que foi exatamente o contrário.

    • Mario S Nusbaum

      14/02/2016 at 16:47

      “ou se negocia ou se luta” Sem dúvida. “Há situações onde não há uma “boa” solução e você tem que se contentar com a menos ruim e menos ruim é aquela que tem maior probabilidade (menor risco) de te levar ao objetivo com o menor custo (vidas) possível” Idem Também não sou contra iniciativas de paz e negociações entre as partes Alex, mas infelizmente as lideranças palestinas são, e isso já foi mais do que provado. Tambem discordo da política de assentamentos, ela não ajuda Israel em nada, muito pelo contrário.
      “Continua não sendo claro para mim o que voce propõe que seja feito” Nem poderia Alex, ele nunca propôs nada. Estou cada vez mais convencido do que escrevi antes, é como a mulher que apanha do marido e diz: deve ter sido algo que eu fiz.

    • Mario S Nusbaum

      15/02/2016 at 16:35

      “Os termos e propostas de acordo não sou eu que tenho que dar mas é público, como base de negociações a fronteira de 67, troca de terras e redivisão de Jerusalem, mas mantendo a cidade aberta dos dois lados. Até aqui não inovo, só reproduzo o que é notório” Como você diz, isso não é novidade nenhum, SÓ QUE, você “esqueceu” de mencionar que Israel já aceitou um acordo nessas bases e os palestinos recusaram. Mas digamos que, contra TODAS as evidência, eles tenham mudado de ideia.
      Você não acha que seu você me fez uma proposta e eu recusei, ao mudar de ideia cabe a mim dizer isso?
      Mas nada disso importa, porque você, eu, israelense, palestinos e milhões de pessoas mais sabemos que eles NÃO mudaram de ideia. O incrível é que essa não é a questão mais importante.
      “Tem a questão do retorno na qual ao que parece existem novas propostas a mesa , como indenizações ou algo parecido”
      Parece? De onde você tirou isso? Não existem, pelo menos não foram divulgadas. Essa loucura, o “direito de retorno” impede negociar seriamente. Se um dos lados exige o suicídio do outro, não há acordo possível.

  • Raul Gottlieb

    03/02/2016 at 18:59

    Penso que o Fábio está coberto de razão.

    As palavras fazem sentido. As palavras tem significado.

    E fundamental chamar as coisas pelos devidos nomes, senão fica tudo borrado, tudo se perde no caldeirão das generalidades e se chega à conclusão idiota (não por ser errada, mas por ser óbvia) que nada é perfeito.

    O fulano bem informado que diz que Israel pratica genocídio é um caluniador, uma criminoso.

    O fulano mal informado que faz isto é apenas uma pessoa mal informada que copiou o fulano acima.

    • Artur

      05/02/2016 at 01:04

      Exato, Raul e Fábio. Com um agravante assustador: um caluniador bem-informado, faz uso político da mentira. E isso é um péssimo sinal.

      E esse uso não se estende apenas à política internacional. Existe um importante componente local que, muitas vezes, é ignorado.

      Se somos idealistas por não acreditarmos que a mentira possa ser um caminho para a paz e não aceitarmos as ferramentas preguiçosas da calúnia, do boicote e da má-fé, tudo bem. Cada um tem a realpolitik que merece.

      Mas não são esses os valores que apontam para as soluções que, pelo visto, todos nós desejamos.

    • Fábio

      12/02/2016 at 01:38

      Caro Hersh:

      A ONU e as sanções, na sua opinião, vão levar Israel ao fim ou forçar o país a estabelecer uma paz desesperada, unilateral e sem garantias. Será?

      Independente de como o mundo é, Israel na sua opinião precisa ser melhor.

      Taiwan não é nem reconhecido pela ONU e está muito bem obrigado. Outros países também não são reconhecidos. De resto, acho que já escrevi tudo que penso a esse respeito.

      Não tem nada de hasbará ponderar o que ponderamos aqui. Apenas sendo de justiça e solicitação de coerência aos críticos de Israel.

  • Mario S Nusbaum

    11/02/2016 at 22:52

    Parece que há um consenso sobre a opinião pública mundial ser esmagadoramente contra Israel. Os motivos disso são vários, e a importância que se atribui a cada um deles depende da pessoa.
    O que NÃO está sendo abordado aqui é o que Israel pode/deve fazer para reverter isso.
    Na minha opinião (não lembro se já falei isso nesse tópico, em outros com certeza já) Israel deveria marcar local e dia para negociar e divulgar isso todos os dias, através de todos os meios possíveis. A chance das lideranças palestinas aparecerem por lá é a mesma do Khamenei se converter ao judaísmo
    Canso de ouvir/ler que Netanyahu continua expandindo os assentamentos. Considero isso um grande erro, MAS está mais do que provado que não é esta a causa dos atropelamentos, esfaqueamentos e outras barbaridades cometidas pelos anjinhos do Abbas.

    O Henrique tem razão, por mais que denunciemos a parcialidade e a injustiça, elas continuarão, mas não dá para deixar de ficar indignado, e assim como muitos dizem entender os terroristas palestinos, usando o mesmo critério eu entendo o price tag.

    “Arab Arsonists Torch Torah Scrolls, Synagogue in Judea”

    Imaginem o vice-versa.

    • Henrique Samet

      13/02/2016 at 04:11

      Faça a experiência de condenar os dois lados ou mais suscintamente os extremos nos dois lados. Entre tag e faca não fico mas eu não sou a opinião pública israelense. Enquanto se nadar na maré e na camisa de força do ein breirá mentiroso pode-se confirmar o que disse o Barão de Itararé:
      De onde nada se espera é de onde nada sairá mesmo.

  • Fábio

    12/02/2016 at 00:47

    Caro Hersh:

    Você acha que o fato do atual governo de Bibi ser de direita (ou extrema direita como você diz) prejudica a imagem de Israel no mundo? Observe bem os governos que tem sido eleitos ou que tem conquistado maioria nos parlamentos. Inclui-se aí Argentina e Venezuela (parlamento). É a direita que tem ganho eleições. Esse fator (Bibi no poder) pode ser o que te dá nojo desse governo, mas há muito que os progressistas ou “de esquerda” apanham em eleições mundo a fora.

    Quanto a chamar banalizando qualquer coisa de genocídio, acho que já escrevi tudo que penso a respeito. Aliás, hoje sai publicado o número provável de mortos na guerra civil síria. Ninguém chama de genocídio ou limpeza étnica. E são as duas coisa sob vários aspectos e um exemplo raro, perpetrada por uma minoria (alauitas, xiitas etc) contra sunitas (maioria) e outras etnias.

  • Alex Strum

    15/02/2016 at 20:26

    Caro Henrique, compartilho da sua angustia e ansiedade em ver este conflito resolvido porem acho que, voce não está levando em consideração alguns aspectos fundamentais da questão.
    Não há apenas duas partes em conflito, são no mínimo quatro: israelenses moderados, israelenses radicais, palestinos moderados e palestinos radicais. Não dá para os moderados de ambos os lados celebrarem acordos enquanto não tiverem controle dos seus radicais porque todas as suas iniciativas serão, como já foram, sabotadas pelos radicais.
    Os radicais de cada lado tem a convicção absoluta que a terra é deles. Se ainda não leu recomendo o livro The Lemon Tree de Sandy Tolan que relata uma história verdadeira em que um dos personagens (palestino educado) não vê nenhuma solução que não seja a devolução das terras às fronteiras de antes de 1948 e está disposto a ir às últimas conseqüências por este ideal porque a sua família foi expulsa da cidade onde viveu por décadas. Voce acha que ele e outros que pensam igual, vão respeitar acordos??
    Como Israel é uma democracia há um pouco mais de controle do Estado sobre os seus radicais mas estes também não abrem mão dos territórios ocupados e tambem estão dispostos a lutar por isto. O assassinato do Rabin talvez seja o exemplo mais óbvio. Eles vão respeitar acordos?
    Isto não significa que não seja possível fazer algo. Mas apenas pequenos passos no sentido de aumentar a confiança mútua. Concordo que aumentar assentamentos atrapalha mas estou convencido que retirá-los não vai mudar muita coisa.
    Voce ainda não respondeu qual seria o seu plano para o caso de um acordo der errado e p.ex. o Hamas assumir o controle da Cisjordania.

    • Mario S Nusbaum

      16/02/2016 at 14:34

      Até a frase “Os radicais de cada lado tem a convicção absoluta que a terra é deles” inclusive, concordo com tudo Alex.

      Como Israel é uma democracia há MUITO, MUUUUIIITOOO mais controle do Estado sobre os seus radicais, mesmo porque entre os palestinos os radicais SÃO o Estado!
      Que os “nossos” estão dispostos a lutar eu não duvido, mas……

      “O assentamento de Kfar Darom se tornou nesta quinta-feira o principal foco de resistência ao plano de retirada israelense da Faixa de Gaza.
      A resistência encontrada no assentamento não chega a ser surpresa, pois já havia a expectativa de que esta colônia – habitada principalmente por judeus fervorosos e isolada no centro da Faixa de Gaza – iria resistir muito ao esvaziamento.
      Clique aqui para ver fotos da retirada forçada dos colonos, nesta quinta-feira
      Muitos colonos já foram retirados do local pelas forças de segurança, mas um grande número – formado também por moradores, mas principalmente por pessoas de fora da Faixa de Gaza que vieram ajudar na resistência – continua entrincheirado na sinagoga local.
      Segundo relatos do jornal israelense Haaretz, uma soldado recusou as ordens de entrar na sinagoga para retirar os que estavam resistindo e foi detida pelos companheiros.” continuo…..

    • Henrique Samet

      16/02/2016 at 19:48

      Caro
      Eu não sou profeta, nem você. Do que vai acontecer amanhã só podemos fazer hipóteses a partir dos dados de hoje e mesmo assim sujeitas a chuvas e tempestades. A turma especializada cria cenários variados, pondera as possibilidades e probabilidades mas não é burra de endossar absolutamente uma delas.
      Antes do encontro entre Rabin e Arafat, conversações secretas, a partir de iniciativas várias viabilizaram certos acordos. A coisa funciona as apalpadelas e pode ou não ir adiante.
      Acho que de nehum dos cenários que podem ser propostos entre os israelenses está o fim completo da beligerância entre partes. Acho que o que é posto a mesa são aqueles que podem gerar ainda mais ou menos reações extremadas. O que reduz a possibilidade dos grupos extremos ganharem apoio popular; o que se retira de pólvora entre as partes; o que abre mais janelas para novos avanços, o que pode dar mais prestígio a OLP fremnre as outras organizações palestinas. O que se propõe não é o paraíso mas janelas.
      O que se tem agora é o inferno e portas fechadas; nenhum desdobramento que possa se classificar de positivo para diminuir a intensidade do conflito; a boçalidade explícita.
      FIcar jogando com o que será o amanhã é um artifício para gerar bloqueios. Israel pode reconquistar a Cisjordânia em cinco minutos quando quizer e dez vezes seguidas. O que acontece em Gaza, caso você perceba, é que Israel não quer ter mais o território sob sua responsabilidade. Existe o que chamamos de salvaguardas, garantias, mecanismos de prevenção, uma parafernália de instrumentos que podem dar a um acordo certa consistência no terreno.
      O que eu falo é óbvio para qualquer pessoa que trata sem demagogia do assunto. Para acordos existem garantias mas também coragem de ir adiante para desamarrar o nó.
      Hoje em dia dizer que os extremistas israelenses podem ser controlados é excesso de zelo. Eles são o governo. Eles são o Hamas de cá. E a democracia israelense está minguante.É só abrir dia a dia os jornais.
      Existem os lunáticos do não que aparentemente se apoiam em fatos mas na verdade a priori não querem nenhuma mudança e usam os fatos para corroborar uma posição completamente preconcebida. O pessimismo deles não decorre do que ocorre no terreno mas já está instalado desde há muito como preconceito. A desgraça para eles não deixa de ser uma festa.
      Esta onda de “dúvidas” é estranhissima. O mundo todo vê e sabe que este governo é o obstáculo para qualquer nova iniciativa. O BIBI em hebraico confirma. Ele não quer um estado palestino.
      Mas aqui o diabo mor estranhamente é o Abbas, quase um kapo de Israel.
      Eu devo ser um idiota humanista, esquerdista, antissemita, judeu que odeia a si mesmo, traidor, espião assim como milhões que, como eu, pensam igual como as bestas da Merkel, Hollande, Obama e Cia. Todos são burros, inimigos, inexperientes em política internacional e visam ferrar Israel invariavelmente. São os desproporcionais. O Bibibi e o Ayalon é que detem o rolo da Verdade Nua e Crua.
      Francamente, esta histeria programada de que nada é possível ser feito mas assentamentos pode pois não e causa mor é de matar e de morrer.

    • Mario S Nusbaum

      17/02/2016 at 15:01

      “Eu devo ser um idiota humanista, esquerdista, antissemita, judeu que odeia a si mesmo, traidor, espião assim como milhões que, como eu, pensam igual como as bestas da Merkel, Hollande, Obama e Cia. Todos são burros, inimigos, inexperientes em política internacional e visam ferrar Israel invariavelmente. São os desproporcionais. O Bibibi e o Ayalon é que detem o rolo da Verdade Nua e Crua.”

      Desculpe dizer Henrique, mas quem acha que tem o monopólio da verdade é você (característica das esquerdas em geral), e é fácil perceber isso:

      “O que eu falo é óbvio para qualquer pessoa que trata sem demagogia do assunto ”
      Óbvio? Claro, para quem “trata sem demagogia”, ou seja, quem concorda com você

      “Eles são o governo. Eles são o Hamas de cá. E a democracia israelense está minguante.É só abrir dia a dia os jornais.”
      Os jornais ou o Haaretz?

      ” usam os fatos para corroborar uma posição completamente preconcebida. ”
      Sim, e eles vivem dizendo que basta querer, que quando um não quer dois não brigam. Paz e amor bicho!

      ” O mundo todo vê e sabe que este governo é o obstáculo para qualquer nova iniciativa. ”
      O mundo todo? Vê e SABE??????

      “Merkel, Hollande, Obama e Cia. Todos são burros, inimigos, inexperientes em política internacional ”
      Não são nada disso Henrique, MAS, e acho estranho você não saber isso, defendem os interessas da Alemanha, França e EUA respectivamente, não os de Israel.

    • Alex Strum

      17/02/2016 at 15:15

      Henrique, voce poderia ser um pouco mais específico identificando, digamos tres políticas do governo israelense que voce condena e qual seria a sua sugestão para alterá-las?
      Ficar apenas no fla x flu empobrece a discussão e não ajuda a esclarecer as divergências. É possível que concordemos em questões específicas.
      Alex

    • Fábio

      18/02/2016 at 11:55

      Caro Hersh, esse papo de Israel devolver tudo (unilateralmente?) pois conquista de volta quando quiser só pode ser retórica ou piada. As guerras contra Gaza ou o Hisbolah mostram que não. E nem estou falando só do número de israelenses mortos nesses conflitos. Essa é uma posição irresponsável e de “pimenta nos olhos dos outros”.

      O mesmo pode ser dizer do argumento que dá bom senso a Obama, Merkel etc. Não é que eles estão certos ou errados em relação a política Israelense, mas o óbvio: eles tem outras prioridades.

    • Henrique Samet

      18/02/2016 at 19:54

      Leia bem e com binóculos
      Ninguém falou em:
      a. devolver tudo
      b. unilateralmente
      Conquistar dez vezes é para ressaltar que este papo de segurança na Cisjordânia é furado. O caso aí é ideológico mesmo. Os palestinos da OLP não são ameaça ao Estado de Israel em termos de confronto estatal. Assentamentos não são segurança, mas insegurança. em nome da Bíblia. Até onde vai meu conhecimento até agora tem mais Hamas preso nas prisões da OLP do que nas prisões de Israel . Uma administração palestina existente salva Israel de ter que administrar diretamente população inimiga etc.
      Há que se falar especificamente de terrorismo. Com esta dominação militar, muros etc não se consegue acabar com ele que vem e vai e de formas diferenciadas. A dominação também, evidentemente, açula mais terrorismo. Contê-lo ultrapassa táticas militares de dominação. Só no domínio da ação política, no meu entender, é que se pode minimizar (não acabar) sua ação. Quando Obama está somente preocupado com as conveniências americanas, Merkel com as alemãs, etc, isto inclui obrigatoriamente tratar do Oriente Médio. Os EUA dão se não me engano dois bilhões de dólares em auxílio militar anual a Israel por conveniência deles. Graças a Deus! Da também para o Egito outra grana preta por conveniência dele e graças a estas conveniências a fronteira egípcia está relativamente calma. Não considerar estas conveniências é burrice pois como você deve saber sozinha Israel não dá conta do recado. Já que você é realista pense nisto. A conveniência de Israel inclui as conveniências alheias. Sem apoio americano Israel babau. A idéia de que a força pode impor qualquer vantagem tem uma série de variantes desvantajosas. A força mais poderosa do Oriente Médio está tendo dificuldade de lidar com facas, mulheres e menores.

  • Mario S Nusbaum

    16/02/2016 at 14:44

    “O assassinato do Rabin talvez seja o exemplo mais óbvio”
    Do que Alex? De que existem radicais e entre eles malucos? Kennedy foi assassinado, houve um atentado contra o Reaga, e daí?
    “Eles vão respeitar acordos?”
    Serão forçados

    “aumentar assentamentos atrapalha mas estou convencido que retirá-los não vai mudar muita coisa”
    Volto a concordar

    “Voce ainda não respondeu qual seria o seu plano para o caso de um acordo der errado e p.ex. o Hamas assumir o controle da Cisjordania.”
    Nem precisa isso Alex.
    “Abbas se reúne con familias de los terroristas por segunda vez esta semana.”
    ““Al-Aksa is ours and so is the Church of the Holy Sepulchre. They have no right to desecrate them with their filthy feet. We won’t allow them to do so and we will do whatever we can to defend Jerusalem,” Abbas said in his Ramallah office during a meeting with east Jerusalem activists.” A única diferença é que o hamas é mais sincero.

    • Alex Strum

      16/02/2016 at 21:21

      Mario, que o cara que assassinou o Rabin é maluco eu concordo, mas não é o único. Recentemente um outro maluco assassinou uma família palestina e outros fizeram outras barbaridades. Alem de malucos eles representam uma corrente judaica radical.
      Não me interessa fazer a contabilidade de quem matou mais, se judeus ou palestinos e nem começou primeiro, apenas constato a existencia de radicais em ambos os lados e eles são o maior obstáculo para um processo de paz avançar.
      Claro que Israel por ser uma democracia tem maior poder de fazer valer eventuais acordos mas tambem de anulá-los, se a população assim o decidir p.ex. caso se sinta mais ameaçada em decorrencia de uma escalada de ataques terroristas. O mesmo povo que elegeu Rabin e o apoiou nas negociações de paz, depois elegeu Netanyahu porque os atentados aumentaram.
      Reafirmo minha opinião que os dois lados tem razão e embora eu fique furioso a cada atentado que Israel sofre, procuro entender o lado palestino e é por isto que vejo tudo isto como um longo processo de cicatrização. Se alguem tomasse a minha casa a força e depois viesse me propor um acordo de paz não sei se eu teria a grandeza de aceitar. Meus filhos, ou netos, ou bisnetos já menos emocionalmente afetados possivelmente topassem.
      Mesmo assim, como judeu defendo a existencia de Israel e entendo que infelizmente não havia e não há outro caminho. Vamos ter que esperar a ferida cicatrizar de preferencia sem jogar sal para não atrasar ainda mais o processo.
      Alex

    • Mario S Nusbaum

      17/02/2016 at 15:21

      Verdade Alex, infelizmente temos muitos radicais que não ficam nada a dever aos “deles”.
      Sobre entender o lado palestino, goste muito de algo que você disse: ” Meus filhos, ou netos, ou bisnetos já menos emocionalmente afetados possivelmente topassem.” Concordo que isso seria o esperado, o lógico, o racional, mas não é o que estamos vendo. São os netos e bisnetos que andam esfaqueando judeus. Por várias razões o ódio a Israel é um caso único. Conheci sobreviventes do Holocausto que não odiavam a Alemanha (dos anos 70, 80) tanto quanto os palestinos odeiam Israel.
      Não estou falando de filhos nem muito menos netos, mas dos próprios sobreviventes. Esse caso extremo demonstra estão jogando toneladas de sal, e não são os israelenses. Acho que não preciso reproduzir aqui cartoons, material didático e outros meios pelos quais as lideranças palestinas pregam o ódio.

    • Alex Strum

      17/02/2016 at 15:40

      Mario, é verdade, nós judeus somos experts em praticar o que diz um dos melhores versos da cultura brasileira: “levanta sacode a poeira e dá a volta por cima”. Por isto é que estamos aqui por milenios. Mas não dá para esperar que todos sejam assim.
      Outro ponto a considerar é que a motivação dos radicais judeus é ideológica, messianica; e a dos palestinos, não sei se de todos, é política, destinada a reparar o que encaram ter sido uma injustiça. Os resultados são os mesmos, mas há uma diferença de motivos.

    • Fábio

      18/02/2016 at 13:06

      Caro Mário:

      Sendo bastante frio e observador: o que é o nacionalismo palestino? Em que ele se baseia? Em que contexto foi criado? Quais são os seus elementos identitários?

      E não somente deles.

      Certa vez em um debate ouvi que os árabes do mundo todo eram muito desunidos etc. Respondi que existia algo que os reunia a todos: o ódio a Israel. Conheço todos os argumentos. Desde solidariedade ao povo árabe-palestino, passando pelo Estado judeu ser um entrave na rota para Meca até a política dos governos de lá.

      É claro que as gerações que já nasceram muito depois de 1948 na Síria, Israel, Jordânia, Líbano etc seguem se dizendo palestinas, mesmo quando conseguem adquirir outra nacionalidade e vivem em países de maioria islâmica e seguem reivindicando terra (essencialmente, é esse o problema). Se não fizerem isso, de que exatamente consiste a identidade deles?

      O nacionalismo palestino é um reflexo identitário do sionismo. Ele nasceu a partir do sionismo. A disputa é parte necessária da identidade nacional em uma cultura e região que o Estado Nacional é uma importação forçada de identidade. Vide Síria, Iraque e outros tantos “países” que nunca existiram realmente como nação, mas nações. Até mesmo o Irã.

      Uma das muitas dificuldades nesse conflito é se criar algo para colocar no lugar do ódio que é componente identitário palestino. É parte da construção da identidade. Como tornou-se, infelizmente, o Holocausto para os judeus. Para alguns, a identidade judaica, aliás, limita-se ao Holocausto, nada mais.

      Vide essas práticas anuais de turismo mórbido na polônia, nas quais as escolas judaicas levam seus alunos para uma peregrinação lamentável, recurso último de inculcar uma identidade judaica as avessas.

      Das vezes que entendi um pouco dessa construção de identidade palestina foi quando entrei em um campo de refugiados palestinos na Síria e brincando com as crianças que jogavam pedras em um alvo ouvi delas que o alvo era um “iahudi”.

    • Mario S Nusbaum

      18/02/2016 at 16:37

      “Vide essas práticas anuais de turismo mórbido na polônia, nas quais as escolas judaicas levam seus alunos para uma peregrinação lamentável, recurso último de inculcar uma identidade judaica as avessas.”

      Caro Fabio, não tenho opinião firmada sobre isso. Decidi nunca mais visitar museus do Holocausto, mas minha decisão se baseia em que eu JÁ conheço toda a História, até mais do que gostaria. Sinceramente não sei se devemos continuar a divulgar essa tragédia, tendo a achar que sim, mas sem muita convicção.

      Sobre os palestinos, me parece óbvio que essa fixação se deve a uma propaganda maciça feita pelas lideranças, políticas e religiosas, que vivem (muitíssimo bem por sinal) desse ódio. Claro que para o anti-semitismo, que vai bem obrigado, é um prato cheio a imagem que elas fazem de Israel. Pegaram a carona e estão deitando e rolando, principalmente as esquerdas, como se pode ver aqui mesmo no Brasil

  • Henrique Samet

    17/02/2016 at 21:59

    Falar em cicatrização enquanto o sangue está espirrando não bate. Pedir a mim sugestões para a pauta de paz é piada. Querer me impingir paz e amor ingênuos é tática hasbarateira.
    A pauta de paz está nas mãos da opinião pública israelense. Se ela julgar, como julga, que Bibi é a solução, o que se pode esperar unicamente, até agora, são pressões de fora. É o que está acontecendo. Vão ter que encarar por bem ou por mal a questão palestina e suas consequências visíveis.

    Existe, entre as possibilidades nefastas, a de acordar tarde. Imagine o alemão que votou em Hitler em 1933 olhando em volta em 1945. Imagine quem votou no Bush com entusiasmo.

    É justamente esta possibilidade que devemos evitar. Acordar pelo desastre produzido é a pior forma de mudar de rumo.

    Aqui eu só falo em retomar a negociações e ter em mente a necessidade de renúncias dolorosas de ambos os lados. O processo verdadeiro “deveria” ser este. Manter a mesa de negociação aberta é essencial. Agora ficar esperando um processo “natural” e “geracional” de reconciliação é um absurdo. É estar fora do sistema solar. Isto é incentivar mais violência e sangueira.

    • Mario S Nusbaum

      18/02/2016 at 16:30

      “Aqui eu só falo em retomar a negociações e ter em mente a necessidade de renúncias dolorosas de ambos os lados. O processo verdadeiro “deveria” ser este. Manter a mesa de negociação aberta é essencial.”
      E como eu já disse inúmeras vezes, concordo totalmente. Só falta combinar com os russos. Como obrigar as lideranças palestinas a negociar? Outra coisa que eu já disse inúmeras vezes: se estivesse no lugar do Netanyahu marcaria hora e local para uma negociação e enviaria uma delegação israelense de alto nível. A chance de encontrar com um palestino seria a mesma de encontrar uma sinagoga funcionando em Meca.
      Renúncias dolorosas foram feitas algumas vezes, TODAS por parte de Israel. Henrique, sua ideia equivale a sugerir que os cristãos que estão sendo decapitados deveriam negociar com o ISIS. A diferença é que Israel é mais forte que os palestinos, porque estes, se pudessem decapitariam os judeus, e você sabe disso muito bem.

    • Mario S Nusbaum

      18/02/2016 at 16:39

      O sangue só está espirrando ainda porque sempre que ele começa a cicatrizar alguém vai lá e refaz o corte Henrique, e esse alguém NÃO é Israel. Até que os “cortados” percebam isso e reajam, não vai haver paz.
      O exemplo mais óbvio e incontestável é o período entre 48 e 67.

  • Jo Alex SG

    12/07/2016 at 06:40

    Gostaria de sugerir alguns links de uma lista que compilei há alguns anos – e à qual aduzi alguns mais recentes – com filmagens documentais do IDF denunciando os crimes de guerra do Hamas, com conteúdos tais como: confissões dos próprios líderes e representantes do Hamas de que usam até mesmo crianças e mulheres palestinas como escudos humanos, filmagens mostrando o Hamas lançando foguetes de escolas, hospitais e mesquitas de Gaza para atingir áreas civis israelenses, um vídeo em que representantes deste grupo terrorista abertamente ordenam que palestinos não evacuem as áreas avisadas pelas Forças Armadas Israelenses (e num outro até mesmo foram filmados forçando os civis palestinos a ficar no alvo), artigos sobre o enriquecimento dos líderes do Hamas – e da pequena elite de Gaza, com o contrabando pelos túneis do terror, membros deste grupo verdadeiramente jihadista executando palestinos suspeitos de colaborar com Israel (até mesmo arrastando seus corpos pelas ruas) e também assassinando apoiadores do Fatah.
    Vale também ressaltar os depoimentos de ex-ativistas pró-palestinos desiludidos – uma australiana, inclusive, deu depoimento emocionado, patentemente horrorizada com a incitação ao ódio e a doutrinação jihadista dada às crianças e adolescentes em Gaza – e o apoio do líder jordaniano-palestino Mudar Zahran à causa A Jordânia é a Palestina:

    Hamas leader confesses using civilian Palestinians as human shields, even children: We desire Death as you desire Life
    https://www.youtube.com/watch?v=RTu-AUE9ycs

    Terrorists shoot from Wafa Hospital in Gaza, IDF makes sure no civilians are inside before bombing
    https://www.youtube.com/watch?v=rvgspkyqjJU

    Helsingin Sanomat correspondant admits Hamas launched rockets from Shifa hospital
    https://www.youtube.com/watch?v=Nu-e5qWXx-k

    Hamas Spokesman admits in using Children as human Shields
    https://www.youtube.com/watch?v=yuNQvPh8XKA

    Hamas Terrorists Use Innocent Civilians As Human Shields
    https://www.youtube.com/watch?v=giJlG3KXq8c

    Hamas Terrorists Use Civilians as Human Shields https://www.youtube.com/watch?v=yuNQvPh8XKA

    Hamas using children as human shields in Gaza
    https://www.youtube.com/watch?v=oRlIH4a1tEA

    Hamas using children as human shields in Gaza
    https://www.youtube.com/watch?v=2vHDyuSTneA

    Hamas Terrorist uses Children as Human Shields
    https://www.youtube.com/watch?v=ABwLwSNwCeU

    Cast Lead Video: Civilians Flee Hamas Terrorist as He Attempts to Use Them as Human Shields
    https://www.youtube.com/watch?v=9MPwR0Eu32M

    Inside a Hamas Terror Tunnel
    https://www.youtube.com/watch?v=k3AY7o9Xg-g

    Getting rich off the siege against Gaza
    https://www.youtube.com/watch?v=MLHzL3mRP7g

    Hamas’ favorite spots: schools, hospitals & cemeteries
    https://www.youtube.com/watch?v=wZPfVp9v07

    https://www.youtube.com/watch?v=Nu-e5qWXx-k

    Hamas Booby Trapped School and Zoo
    https://www.youtube.com/watch?v=uHhs9ihSmbU

    Each man booby-trapped his own home, so their nomes in Gaza were set to explode.
    https://www.youtube.com/watch?v=mR-exJ5J7bs

    Palestinians Citizen of Gaza blame Hamas for the killing
    https://www.youtube.com/watch?v=4D5gNstlmpU

    Hamas executes 18 as Israeli collaborators
    https://www.youtube.com/watch?v=QA_x1iUNreg

    HAMAS teaches young Palestinians to Kill Jews
    https://www.youtube.com/watch?v=wLpvAddjEYEws

    MUDAR ZAHRAN HAMAS IS KILLING MY PEOPLE / LA HAMAS TUE MON PEUPLE SOUS-TITRE FRANCAIS
    https://www.youtube.com/watch?v=oJWWX0RtGAQ

    Hamas gangs kill Fatah members in Gaza
    https://www.youtube.com/watch?v=vWPL5V5G528

    Crime & Punishment in the Gaza Strip
    https://www.youtube.com/watch?v=RWJFC98jPrQ

    IDF Avoids Civilians Casualties in Gaza,…
    https://www.youtube.com/watch?v=VTArVIHDelg

    Australian in Palestine account of children suicide bombers – תרגום עברי
    https://www.youtube.com/watch?v=XHkmCKMvnCY

    “Daniel Borg is a Swede who was actively engaged in Swedish politics, passionately pro-Palestinian and went to join the International Solidarity Movement (ISM). His observations from within the ISM are explosive.”
    http://www.israellycool.com/2015/08/22/memories-from-my-time-as-a-pro-palestinian-activist-in-hebron-2007/

    Gaza Youth: Hamas prevents people from evacuating from their homes to a safer place
    https://www.youtube.com/watch?v=UMUdU3AqlyQ

    Hamas tells civilians to ignore warning notices from the Israeli army
    https://www.youtube.com/watch?v=Zm09uRDdzto

    Victims of Hamas Terrorism in Israel

    Published on Nov 18, 2012

    On International Day for Protection of Children, June 1, 2001, on a Friday night, “Hamas murderer Saeed Hotari approached the line in front of the Dolphinarium, on the beach front of Tel Aviv. The area was crowded with children waiting for admission to disco night arranged for young people, most of the victims coming from poorer and disadvantaged families, who had saved up to provide for their children and give them a better life here.

    The Hamas terrorist taunted his victims, wandering among them dressed in clothes that led them to mistake him for an ultra-orthodox Jew, and banging a drum packed with explosives and ball bearings, while repeating the words in Hebrew: “Something’s going to happen”. At 23:45 pm, he detonated his suicide bomb standing next to a group of girls aged between 14-18. A second later body parts lay all over the area, with many bodies piled one above another on the sidewalk.

    21 young people were murdered on the beach promenade that night in Tel Aviv, all aged between 14-21. Their murderer, Saeed Hotari of the Islamic Hamas movement is treated as a heroic figure amongst Palestinians. ABC news reports: “His face is plastered on posters everywhere. He’s a legend. The children, especially, idolize him”

    “After the attack, Hotari’s father Hassan was congratulated by the community. “I am proud and I will never forget it until the last day of my life,” his father said. “This kind of death is better than any other kind of death. Thanks to Allah.””
    Victims of Hamas Terrorism in Israel
    https://www.youtube.com/watch?v=HYyZ9pZE9PM

    1-Israeli children- victims of terror
    https://www.youtube.com/watch?v=6l6EzAdkomw

    2- Israel’s Children 2 (victims of terror)
    https://www.youtube.com/watch?v=ZrOKX9dsBLc

    And there are the filthy lies of Pallywood as well:
    https://www.youtube.com/results?search_query=Pallywood

    http://www.pallywood.com/

Você é humano? *