Purim-Carnaval-Inverno-Verão

Porto Alegre, onde estive por 20 anos, tem inverno rigoroso. Mesmo assim, o calor do verão lhe deu o apelido de “Forno Alegre”.

Suando muito, certa vez, encarei o desafio de ser Papai Noel, na minha terra natal. Sabia que a vestimenta estaria muito mais apropriada para a neve, com lareira na sala. Mas, 24 e 25 de dezembro são quentes demais, do lado de baixo do Equador.

Cheguei a Israel em julho de 2005. Desde então, pulo o carnaval, com temperaturas baixas. Quando a chuva cai, não refresca a multidão. Ela congela. Todo mundo encasacado, com estilo serrano, ao invés do praiano. A solução é curtir lugares fechados e tomar caipirinha para esquentar. Certa vez, entornei quentão, bebida de festa junina.

A festa de rua daqui, com todo mundo fantasiado, ocorre em Purim. Desta feita, será dia 24 de março, começo da primavera. Às vezes, cai até um mês antes. Um baita frio. Independente disso, o pessoal veste fantasias e sai de casa. Parece cumprir uma mitzvá. Deve ser obrigação mesmo.

E levam seriamente a questão das fantasias. Tanto o que se pinta de verde e vira Hulk, como a que mergulha no azul para ser a Smurfette.

Dependendo do dia, até faz um sol, um veranico, para facilitar a odisséia. Se não, encarando 5 graus na madrugada, homens e mulheres bebem arak no gargalo e aguentam no osso.

O bairro Florentin, de Tel Aviv, vê suas ruas estreitas cheias de foliões, no melhor estilo carnaval brasileiro das antigas, mas trata-se de uma tradição judaica. Aliás, vem daí o costume de beber durante esta época, para comemorar. Um Álibi perfeito.

O colega Gabriel Paciornik traz interessante adendo. “Aqui vale uma coisa que eu descobri recentemente. Os grandes desfiles das escolas e das crianças (o mais tradicional é o de Holon) se chama Adloiada. É uma expressão, uma corruptela de “Ad Lo Yeda”, ou “até perder a consciência”. Já que é uma mitzvá beber até cair”.

De uns anos para cá, lei que proíbe mercadinhos de vender bebidas alcoolicas entre 23h e 6h, esvaziou a festa noturna. Sem problemas. Passaram a bagunça para sexta de manhã. Dura até fim da tarde. E, nesta onda, entram também pais, filhos, avós. Festa com trago, confete e serpentina para todas as idades. A rua Shaul HaMelech, em Tel Aviv, recebe os jovens de espírito.

E assim mais um carnaval passa na vida de todos nós, israelenses. Seja durante a Folia de Momo, ou em Purim. O importante é cair na gandaia e esquecer dos problemas.

Foto da capa: https://www.facebook.com/Tupimnikim/photos/pb.402870043162432.-2207520000.1455186463./403466916436078/?type=3&theater

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