Abril-Maio de 1998. Minha primeira passagem por Israel. Estava hospedado em um kibutz. Rotina de trabalho braçal, estudos do hebraico e vivências.

As horas de refeições eram verdadeiras festas. O refeitório, grande e bonito, com chão de mármore, recebia mais de mil pessoas durante o almoço.

Espalham a informação de que estavam servindo, naquele dia, pizza e cerveja liberadas, à vontade. Para um bando de brasileiros jovens, famintos por boca livre, foi a senha da felicidade. Iríamos devorar tudo, sem piedade.

As pizzas, de massa grossa, até agradaram.

A furada foi a bebida. Vários engradados empilhados, fora da geladeira, em temperatura ambiente. Estávamos no deserto do Neguev. Mais de 30 graus, ao meio dia.

Este era cenário do momento em que tomei a cerveja Nesher. Considerada a pioneira israelense, desde 1935, trata-se de uma bebida encorpada, clara, conhecida como Pale lager, com 3.8% de álcool.

nesher

Se estivesse gelada, poderia descer redondo. Entretanto, quente, protagonizou grande decepção. Não dava para encarar.

A Nesher Malt, preta (malzebeer, sem álcool), já recupera o prestígio. É doce no ponto certo. Muito boa e consolidada no mercado.

Lembro de cena do filme Adama Meshugaat (Terra Maluca), que retrata um kibutz, de 40 e poucos anos atrás. Lá, um jovem soldado volta para casa no fim de semana. Em pleno verão, ele saboreia uma Nesher “fervendo”, estupidamente quente. Deu dor de cabeça, só de assistir. .

Atualmente, não é em qualquer mercado que encontramos a Nesher Pale lager, clara. O comerciante deve ser daqueles que aposta na tradição do cliente. Somente sendo fiel à história do País para tomar aquilo, feliz e tranquilo.

Eu, quando preparo frango no forno, uso esta cerveja para temperar. Aí sim, funciona bem.

Existem várias de qualidade em Israel. Muitas, tradicionais. Outras, modernas, artesanais (aqui, também é moda).

No entanto, o título de primeira é o da pior disparado. Aquela que, para completar, podem não tomar gelada. Em vez de curtir, parecem pagar uma penitência.

Dedico o texto ao Gabriel Paciornik que, ao ouvir esta história, incentivou a publicação.

Foto: Any Dana

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Comentários    ( 9 )

9 Responses to “A Pior”

  • MICHEL VENTURA

    24/05/2016 at 02:51

    Nelson não se preocupe. Vou repassar o artigo para o Bernard Ventura para ele resolver este problema.
    Grande Abraço

  • Paulinho

    24/05/2016 at 06:27

    Caraca, em 2007 eu compartilhei do mesmo sentimento Nelsinho!
    Lembrei dessa terrível sensação como se fosse hoje.
    hauhauahuahua

  • Any

    24/05/2016 at 11:41

    Essa não tive coragem de experimentar, eu me lembro do dia que te incentivei a comprar porque era a mais barata e você disse não!!! Mas um não tão forte que nunca mais ousei comprar. kkk

  • Isabel

    29/05/2016 at 14:51

    Nossa adorei o texto!
    Alguns anos decidimos colocar a Nesher aqui no pub da Midrshat ( Sde Boker) . Muita gente pediu pois acredito que seja por causa da questão da tradição e/ou pelo sabor. O nosso pub funciona como um “club fechado ” no profit” ( por exemplo 0.5 de gold star gelada = 9 nis). Então o preço não e algo que realmente impacta na escolha da marca. Para alguns devem trazer boas lembranças 🙂

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