1945-1953: Israel entre as superpotências

09/12/2013 | Política.

No último dia 17, fiz uma prova do curso “Israel nos sistemas regional e internacional”. A questão que respondi (eram duas opções) era “Em que medida a política externa da liderança sionista e do governo israelense vis-à-vis as duas superpotências foi bem sucedida nos primeiros anos da Guerra Fria (1945-1953)?”. Segue abaixo a tradução da minha resposta.


A política externa do Estado de Israel diante das duas superpotências mundiais durante os primeiros anos da Guerra Fria pode ser classificada como parcialmente bem-sucedida, tanto em relação aos Estados Unidos, quanto em relação à União Soviética. Nos anos anteriores à fundação do Estado, a liderança do Movimento Sionista precisava garantir que ambas as potências, assim como seus satélites, votariam pela partilha da Palestina nas Nações Unidas. Após a Independência, o governo israelense almejava que as potências provessem as duas coisas que o Estado de Israel mais necessitava: dinheiro e judeus. Em ambas as situações, Israel recebeu dos Estados Unidos e da União Soviética parte do que necessitava, mas não tudo que esperava.

Primeiramente, a liderança sionista angariou o apoio soviético ao Plano de Partilha da Palestina baseando-se nos interesses de Josef Stalin pelo Oriente Médio no contexto da Guerra Fria. Após seu desentendimento com o Reino Unido sobre o controle do Irã após a II Guerra Mundial (ambos estavam interessados nas reservas de petróleo do norte do país), Stalin viu no Plano de Partilha um meio de enfraquecer a presença britânica na região. A cargo do partido esquerdista Mapai, a liderança sionista ainda argumentava que Israel nasceria sob inclinação socialista – o que não estava incorreto – sendo o primeiro Estado socialista no Oriente Médio, mas a verdade é que a realpolitik de Stalin estava mais interessada mesmo em enfraquecer os britânicos.

O apoio americano, por sua vez, foi conquistado apesar de diversos relatórios internos recomendarem ao presidente Harry Truman que não votasse a favor da Partilha. Ainda que os especialistas temessem que tal voto pudesse colocar os países árabes contra os Estados Unidos, Truman – que havia herdado a presidência após a morte de Franklin Roosevelt – sabia que encararia uma dura disputa eleitoral em 1948 e viu o suporte à causa sionista como uma chance de trazer para seu lado o voto judaico, especialmente pelos judeus viverem em estados populosos, como Nova Iorque e Califórnia. Foi a política interna americana, e não as suas prioridades em vista da Guerra Fria, que levaram os Estados Unidos a apoiar o Plano de Partilha de 1947.

O Primeiro Governo de Israel, 01.05.1949: Golda Meir, Zalman Shazar, Bechor-Shalom Sheetrit, Zvi Maimon (taquígrafo), Dov Yosef, Eliezer Kaplan, Moshe Sharett, Prime Minister David Ben-Gurion, Ze'ev Sherf (secretário do gabinete), Pinchas Rosen, David Remez, Haim Moshe Shapira, Yitzhak Meir Levin, Yehuda Leib Maimon.
O Primeiro Governo de Israel, 01.05.1949, da esq. à dir.: Golda Meir, Zalman Shazar, Bechor-Shalom Sheetrit, Zvi Maimon (taquígrafo), Dov Yosef, Eliezer Kaplan, Moshe Sharett, David Ben-Gurion, Ze’ev Sherf (secretário do gabinete), Pinchas Rosen, David Remez, Haim Moshe Shapira, Yitzhak Meir Levin, Yehuda Leib Maimon.

Durante os primeiros anos do Estado de Israel, o governo manteve uma política externa neutra, de boas relações com ambas as potências, num raro caso em que o primeiro-ministro David Ben-Gurion – considerado um “falcão”, por acreditar que apenas operações militares trariam ao fim o conflito árabe-israelense – e seu ministro das relações exteriores, Moshe Sharett – “pomba”, por defender as negociação e afirmar que o conflito é politicamente solucionável – concordavam.

Da União Soviética, Israel conseguiu um acordo que permitiu que a Checoslováquia socialista lhe fornecesse armamentos durante a Guerra de Independência assim como a abertura dos países da Europa Oriental para a emigração judaica para o Estado de Israel. A aliá dos judeus da própria União Soviética, entretanto, não foi autorizada, em função do temor de que esta exceção aos judeus desencadeasse maiores insatisfações das demais minorias do país. A situação financeira soviética também não permitia que Stalin dispusesse de dinheiro para emprestar a Israel, mas esta relação foi proveitosa para o lado israelense não apenas pelos armamentos checoslovacos e pela autorização à imigração, mas também por ter servido de barganha diante do governo americano.

Após as eleições de 1948, Truman passou a ouvir mais atentamente aos seus especialistas e distanciou um pouco os Estados Unidos de Israel, a fim de não criar animosidades com os países árabes. Quando o governo israelense concluiu que já não havia mais nada a lucrar da relação com a União Soviética, a liderança voltou seus olhos para o seu candidato natural a “potência amparadora”, os Estados Unidos, e mostrou-se disposta a quebrar a neutralidade em troca de amplo apoio. Como os Estados Unidos estavam em busca de apoio internacional à sua campanha militar contra as tropas comunistas norte-coreanas que haviam invadido a Coréia do Sul, Israel fez uma oferta. O governo americano concordou com uma ajuda financeira – 100 milhões de dólares de entrada, empréstimos facilitados e isenção de taxação às doações de cidadãos americanos a Israel – combinada com venda limitada de armas. A intenção israelense de comprar armamentos mais complexos e sofisticados, assim como sua disposição em adquirir grandes quantidades, não foram supridas à época.

Pode-se concluir, então, que ainda que não tenha logrado angariar a permissão à aliá dos judeus soviéticos nem um apoio americano mais profundo nesta fase, a maioria dos objetivos da política externa israelense à época – apoio ao estabelecimento do Estado de Israel, armas para a Guerra de Independência, empréstimos financeiros dos quais muito necessitava, autorização à imigração judaica da maioria dos países e aliança com uma superpotência que lhe desse apoio – foram alcançados.


E você, caro leitor? Que nota daria à minha resposta?

Foto de capa:

http://he.wikipedia.org/wiki/%D7%A7%D7%95%D7%91%D7%A5:First_Government_of_Israel_on_May_1,_1949.jpg

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Comentários    ( 8 )

8 Responses to “1945-1953: Israel entre as superpotências”

  • Raul Gottlieb

    10/12/2013 at 12:05

    Olá Cláudio,

    Eu daria uma nota boa para você, mas não 10, pois a meu ver você deixou de listar um terceiro item fundamental para a sobrevivência do estado em seus primeiros anos: armas. A meu ver o Estado de Israel precisava de armas, judeus e dinheiro (não necessariamente nesta ordem). Esta prioridade também explica as ações de Israel naqueles anos e foi deixada de lado por você. Mas eu não tiraria mais que um ponto sobre dez por conta disso. Creio que daria a você algo entre 8,5 e 9,0.

    Mas daria uma nota bem baixa para o teu professor, pois creio ser um equivoco grande falar em “superpotências” quando se analisa o período da Guerra Fria.

    O que havia no mundo naquele período era uma superpotência, ditatorial, totalitária, esquerdista, imperialista, mantida pela opressão armada, que atendia pela sigla URSS e do outro lado uma coalizão costurada por afinidades e interesses comuns, dentro da qual os Estados Unidos da América eram o principal país.

    De um lado um império esquerdista autocrático e opressor, do outro lado um grupo de países ligados por uma mesma ideologia democrática, de liberdades individuais e de livre comércio.

    De um lado a costura centralizadora acontecia pela força das armas, enquanto que do outro não havia costura centralizadora alguma. A maior ironia do propalado e falacioso “imperialismo ianque” é que ele não existia (e continua não existindo) tendo o rótulo sido forjado (com muito sucesso, infelizmente) para esconder o verdadeiro imperialismo, o soviético.

    Quando se coloca que havia duas “superpotências” se esconde os fatos acima descritos e se iguala democracia e opressão, liberdade e esquerdismo.

    Parece-me que este é um erro deliberado. Não acredito (apesar de que torço para estar errado) que esta escolha de palavras seja inocente, principalmente por parte de alguém que estudou história, como o teu professor, e não por parte de um jornalista que copiou o termo de algum lugar.

    Os países democráticos (também muito mal rotulados de “ocidentais”, visto haver ditaduras no ocidente: Cuba, por exemplo, e democracias no oriente: Coréia do Sul, Japão, Taiwan, por exemplo) não seguiam a mesma orientação diplomática e estabeleciam as suas prioridades conforme os seus interesses e não conforme os interesses dos USA.

    O Estado de Israel é um excelente exemplo para se entender a diferença entre o totalitarismo esquerdista e a coalizão democrática.

    Em sua fundação teve mais apoio da esquerda do que das democracias. As armas que lhe salvaram a vida vieram da Tchecoslováquia comunista (com o indispensável “de acordo” de Stalin), compradas com o dinheiro dos judeus do mundo todo – principalmente dos USA – sem o beneplácito ou o incentivo de seus governos.

    Os USA não quiseram vender armas para Israel entre 1948 e o final dos anos 1960. Tanto que Israel, após 1950 fez um acordo de compra de armas com a França.

    Além disso, o dinheiro que garantiu o desenvolvimento do Estado veio da Alemanha.

    Ambas – França e Alemanha – agiram conforme os seus interesses e percepções, sem nenhuma influência dos USA. Perceba que os USA se sentiu ultrajado pela aliança Israel-França-UK na guerra do Sinai em 1956 e se alinhou ao lado da URSS neste caso!

    Todos estes exemplos mostram que não é possível falar em política uniforme dos países democráticos.

    Os USA só decidiram apoiar decididamente Israel após o Egito de Nasser ter se virado para os soviéticos. Antes disso os USA se mantinham distantes. Foi complicado virar o jogo e isto só aconteceu no governo Kenedy, por conta do alinhamento do mundo árabe com a URSS.

    Por tudo isto eu daria uns 3,5 para o teu professor. Seria bom questioná-lo sobre a validade de aplicar o mesmo termo (superpotência) para dois organismos tão radicalmente diferentes.

    Abraço, Raul

    • Claudio Daylac

      10/12/2013 at 15:12

      Oi, Raul.

      Obrigado por mais uma visita e pela nota alta 🙂

      Acredito, entretanto, que você parte das premissas erradas no seu comentário.

      A teoria mainstream de Relações Internacionais – popularizada e eternizada pelo termo realpolitik, ainda que não se limite a este conceito – não define a existência de potências, potências mundiais, potências regionais ou superpotências de acordo com os valores pregados por cada país, mas sim em vista do papel que exercem no sistema, sua área de influência e capacidade de determinar a política externa – e às vezes até interna – dos demais países sob sua influência. Sob estes aspectos, e quaisquer outro aplicado na ciência contemporânea, inclusive áreas externas às Relações Internacionais, como a historiografia, há, sim, um amplo consenso em torno do fato de que a Guerra Fria consistia em um sistema internacional de duas superpotências.

      A década de 1950 presenciou exatamente o estabelecimento deste sistema e a crise do Canal de Suez é o melhor exemplo: antigas potências, França e Reino Unido tentaram impor suas vontades e foram freadas pelas – agora, sim – superpotências, que mostraram quem manda, evidenciando a relegação francesa e britânica à posição de potências regionais. Note, entretanto, que os episódios que você cita estão fora do alcance da questão da minha prova (1945-1953).

      Quanta à questão dos blocos, eu menciono que Israel buscou o apoio dos Estados Unidos e da União Soviética e de seus satélites. Neste caso, estão excluídos os aliados americanos na Europa Ocidental. Trata-se, respectivamente, da América Latina e da Europa Oriental, reconhecidas como “esfera de influência natural” das potências mencionadas. Quanto à nomenclatura (Ocidente x Oriente), sugiro que não nos atenhamos a tecnicalidades: o “mundo desenvolvido” atual é muitas vezes chamado de “Norte”, ainda que inclua a Austrália e a Nova Zelândia, e que o “Sul” que se contrapõe a ela comece bem acima da Linha do Equador.

      Por fim, gostaria de comentar os métodos citados por você como característicos “da esquerda”, ainda que não definam o que é uma superpotência. Acho uma ingenuidade conceder à URSS o monopólio sobre os termos “ditatorial, totalitária, imperialista, mantida pela opressão armada” – “esquerdista”, naturalmente, não poderá ser aplicado aos EUA – quando pode-se traçar claramente um paralelo entre as reações das superpotências às tentativas de reviravolta política dentro de seus blocos. Se a opressão soviética foi mais aguda, a influência americana também foi violenta, e atingiu um número muito maior de países: apenas se compararmos a América Latina à Europa Ocidental, teremos mais do que o triplo de países. Chile e Nicarágua são casos clássicos, se não quisermos entrar no exemplo brasileiro.

      Não pode ser ignorada, obviamente, a tendência deste “Norte desenvolvido” – composto por Europa Ocidental, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Canadá – de alinhar suas políticas externas à americana, ainda que mantendo independência. Ainda assim, como mencionei no parágrafo anterior, os EUA encabeçavam um bloco muito maior do que a URSS.

      A verdade é que, sob os seus termos, as potências poderiam até mesmo serem consideradas “iguais”, ainda que, sob os termos consensuais, a URSS jamais chegou aos pés do poderio militar, econômico e industrial dos EUA. Um bom exemplo disso, além dos discursos de Mikhail Gorbatchev explicando as razões por trás da perestroika, é o conjunto de acordos de limitação do número de mísseis e ogivas nucleares. A URSS sempre gozava de limites superiores aos EUA, porque suas ogivas nunca atingiram a capacidade daquelas produzidas pelos americanos.

      Fosse ela a única superpotência, não teria ruído como ruiu e perdido a Guerra Fria como perdeu.

      Um abraço.

  • Mario S Nusbaum

    10/12/2013 at 16:09

    “. Se a opressão soviética foi mais aguda, a influência americana também foi violenta, e atingiu um número muito maior de países: apenas se compararmos a América Latina à Europa Ocidental, teremos mais do que o triplo de países. Chile e Nicarágua são casos clássicos, se não quisermos entrar no exemplo brasileiro.”
    Foram situações muito, muitíssimo diferentes Claudio. Vou dar um só exemplo entre os inúmeros que provam isso: compare o que aconteceu com o Geisel/Brasil (nada) quando se “rebelou” contra os EUA com o que aconteceu com o Dubcek/Tchecoslováqui.

    Mudei de idéia, ai vai mais um:
    “Trata-se, respectivamente, da América Latina e da Europa Oriental, reconhecidas como “esfera de influência natural” das potências mencionadas. ”
    De pleno acordo, e você acha que a URSS permitiria um regime francamente hostil a ela a menos de 200 km da sua fronteira?

    • Claudio Daylac

      10/12/2013 at 16:21

      Mario,

      Obrigado pela visita e pelo comentário.

      Não nos esqueçamos que também há uma disproporcionalidade entre as “rebeliões” de Dubcek e Geisel, correto? Mas eu deixei claro que não estava comparando intensidade, apenas pondo em dúvida a exclusividade dos métodos.

      Por fim, não estou defendendo a URSS, mas ela também “permitiu” a presença hostil da Turquia (leia-se OTAN) que literalmente fazia fronteira com as suas repúblicas do Cáucaso, por exemplo.

      Acho que o meu argumento se mantém, ainda que não seja o foco do texto, como expliquei ao Raul.

      Um abraço.

  • Raul Gottlieb

    11/12/2013 at 00:00

    Caro Claudio.

    A tua resposta é grande, o que me faz comenta-la por partes, endereçando um assunto de casa vez. Penso que fica mais fácil assim:

    Sobre o termo superpotência:

    Eu não sou acadêmico, não estudo história e não tenho compromisso algum com os termos usados pela academia ou pela imprensa ou pelo consenso de terceiros. Eu gosto de pensar, de analisar o que observo e o que eu adquiro de informação de fontes variadas.

    E neste contexto, apesar de estar ciente que o mundo todo usa o termo “superpotência” para qualificar a URSS e os USA do período em estudo (1945-53), eu me dou ao direito de discordar desta denominação igual para dois sistemas completamente diferentes, que – principalmente – usaram o seu poder de forma completamente diferente.

    Não vou cansar você repetindo as profundas diferenças entre a URSS e os USA e a forma como estas duas entidades (não sei se é correto chamar ambos de países, pois a URSS era uma união “voluntária” de diversos países) exerceram o seu poderio econômico e militar.

    Não consigo ver paralelo algum entre a Polônia de 1950 e a Inglaterra de 1950. Nenhunzinho mesmo!

    Parece-me claro que o contato entre Moscou e Varsóvia se dava num nível muitíssimo diferente do contato entre Washington e Londres. Não há como negar isto, penso eu.

    Então é claro para mim que a “superpotência” norte americana era muito menos “potente” que a russa, pois a sua interferência nos assuntos internos dos países que compartilhavam o modelo democrático era quase nulo, enquanto que do outro lado a coisa era bem diferente.

    O fato que a URSS se trumbicou de forma espetacular anos mais tarde mostra apenas que o regime socialista que ela implantou gera muito menos riqueza e muito menos bem estar e muito menos coesão social que o regime capitalista.

    Mas estas questões não mudam o foco do meu argumento: é errado chamar de “superpotência” duas entidades que exerciam a sua pujança de forma muito diferente, por que não havia paralelo na força que ambas podiam aplicar junto aos seus aliados.

    Se o consenso não acha isto, eu continuo achando. Se eu fosse aderir às maiorias não seria judeu, não é mesmo? E tricolor rebaixado.

    Deste ponto o meu pensamento se pergunta: se a diferença é tão óbvia, porque o “consenso” escolheu chamar duas coisas diferentes com o mesmo nome? E eu me vejo brincando com as seguintes razões:

    a) Para simplificar a questão.
    b) Para não fazer julgamentos, atendendo ao imperativo de achar que tudo se equivale. Se a URSS era ruim, então os USA também deveriam ser e usar o mesmo rótulo para ambos ajuda a cimentar esta percepção.
    c) Pela simpatia pela tese esquerdista de que o capitalismo é o maior mal do mundo.

    Todos os três motivos acima são, a meu ver, crimes de lesa-pensamento.

    Um dia você poderia perguntar ao teu professor porque o “consenso” deu o mesmo rótulo a dois fenômenos tão diferentes? Eu adoraria ouvir a resposta. Mas se ele disser que na verdade ambos eram a mesma coisa (ou exerciam o mesmo tipo de influência) nem precisa me contar!

    Abraço,
    Raul

  • ailton salles

    11/12/2013 at 02:38

    Texto bem lúcido, sem dúvida nenhuma a criação do estado judeu foi um dos maiores nós geopolíticos da história, os dois polos antagônicos convergiram para apoiar Israel é algo de impressionar.

  • Raul Gottlieb

    11/12/2013 at 10:17

    Caro Cláudio,

    Continuando nos comentários sobre a tua resposta, eu gostaria de endereçar o que você coloca no final: que o fato da URSS ter se esborrachado demonstra que ela não era uma superpotência.

    O que eu quis evidenciar com o meu comentário ao teu texto é que seria errado chamar os dois polos da disputa na Guerra Fria de “superpotências” visto elas eram completamente diferentes. E o teu comentário final comprova a minha visão: elas eram tão diferentes que a URSS se esborrachou enquanto que as democracias continuam vivas e pujantes até hoje. Logo, é realmente um erro igualar a ambas debaixo da mesma qualificação.

    É claro para mim que o bloco das democracias sempre foi mais forte que a URSS, tendo em vista a natureza dos regimes. Mas isto não quer dizer que esta última não tenha sido a única superpotência, pois tinha o poder absoluto sobre vários países anexados e sobre os satélites, enquanto que os USA não tinham e jamais procuram este poder. A natureza da democracia enseja alianças – que podem ser bem fortes – mas não dominação.

    Contudo a questão semântica me parece ter menor valor. A escolha da palavra “superpotência” não é o que mais importa. Importa é entender porque “o consenso” nos sugere chamar pelo mesmo nome fenômenos muito distintos.

    Abraço, Raul

  • Raul Gottlieb

    11/12/2013 at 10:18

    Caro Cláudio, terminando os comentários sobre a tua resposta ao meu comentário: sobre os métodos da esquerda socialista.

    Eu não concedi à URSS o monopólio dos termos com que a qualifiquei. Disse que ela tinha todos aqueles atributos e que eles diferiam dos atributos dos USA. Vejamos:

    Ditadura: apenas a URSS era uma ditadura.
    Totalitária: idem.
    Imperialista: idem, os USA não ocuparam a França, por exemplo, mas a Rússia ocupou a Ucrânia.
    Mantida por opressão armada: me parece evidente, não é? Veja o exemplo acima.

    A reação da URSS e dos USA quanto à reviravoltas dentro de seus blocos também variou muito. Os USA não ocuparam a Suécia por ela ter elegido governos socialistas. E o fato que eu citei de Israel ter feito uma aliança com França e Inglaterra ao arrepio da vontade americana, mostra perfeitamente o grau de independência das democracias em contraste com o centralismo imperial da URSS.

    Mas, voltando ao meu ponto central: o que me incomoda é chamar pelo mesmo nome dois fenômenos completamente diversos. Quando se faz isto se considera que havia apenas dois players relevantes na arena mundial naquele momento, quando seria muito mais aderente à realidade dizer que havia o império esquerdista unificado e uma aliança democrática diversificada.

    Abraço, Raul

Você é humano? *