8 coisas para fazer enquanto o Irã não destrói Israel

20/07/2015 | Conflito, Política.

Depois do comitê de negociações entrar em um acordo com o Irã que regulamenta seu programa atômico (para fins pacíficos), trago aqui uma lista de oito coisas que você ainda pode fazer para aproveitar antes que uma prometida ogiva nuclear (para fins pacíficos) exploda (com fins pacíficos) sobre nós.

1) Tomar sol nas ótimas praias.

Sundown promete: Proteção total contra UVA, UVB, raios X e raios Gama!
Sundown promete: Proteção total contra UVA, UVB, raios X e raios Gama!

O verão em Israel é ótimo. As temperaturas variam entre 30,7 e 30,8 graus, com garantia de não haver chuvas até novembro. O Mediterrâneo é quente e relativamente limpo.
Já durante uma explosão atômica, a temperatura pode passar do um milhão de graus Celsius. Provavelmente quente demais. A boa notícia é que será muito mais fácil achar estacionamento: todos os carros terão sido vaporizados.

2) Culpar Israel por tudo

Infelizmente, um dos efeitos colaterais de não haver mais Israel é não poder mais culpar Israel por tudo de errado que acontece. Amantes das teorias conspiratórias que vinham encontrando águias do Mossad e tubarões sionistas, continuarão culpando alguma entidade superior quando encontrarem peixes de três olhos e girafas fosforecentes. Mas aí vamos poder dizer, desta vez com a convicção de quem já está pra lá de morto: não temos nada a ver com isso.

3) Curtir os discursos do Bibi.

Benjamim Netaniahu, em 20 anos ganhou apenas uma única ruga na testa. E perdeu todas suas gravatas não-azuis
Benjamim Netaniahu, em 20 anos ganhou apenas uma única ruga na testa.
E perdeu todas suas gravatas não-azuis

Bibi tem hoje o cargo vitalício de primeiro-ministro. Ou seja: vai seguir sendo primeiro ministro enquanto ele estiver vivo, ou enquanto Israel existir. Como se vê pelas fotos, Bibi não envelhece nunca, e pelo jeito o fim do seu mandato será apenas quando o Grande Bang acontecer. Até lá podemos apreciar sua imensa criatividade e talento cênico.

4) Fazer boicote e sair bem na fita.

Nenhum de nós sabe o que será de Roger Waters depois do fim de Israel. E é uma pena que eu não estarei lá para saber que causa meu ex-ídolo vai abraçar (vai boicotar a China? Ia ser legal de ver). Mas até a coisa acontecer, todos os justos afim de uma ideologia vazia vão poder continuar pregando o BDS como solução para todas as mazelas do planeta, incluindo AIDS, ebola e unha encravada.

5) Visitar o lugar mais baixo do planeta.

Por hora, o lugar mais baixo da terra é o Mar Morto que pode, e deve ser visitado. Mas pouco depois da explosão, vai deixar de ser. O ponto mais profundo da terra vai ser um lugar chamado Cratera Tel-Aviv, que infelizmente não vai poder ser visitada por uns 20 anos, ou pelo menos até o fim do inverno nuclear.

6) Ver o Domo da Rocha

O Domo da Rocha não pode ser visitado se você não for muçulmano. É o único lugar da região em que um não membro de uma religião específica não pode visitar. Mas pode-se vê-lo de longe. E é muito bonito. Mas sua cúpula é feita de cobre e ouro, provavelmente vai derreter instantaneamente num evento nuclear.

Já o Muro das Lamentações, a 100 metros de distância, feito de pedra, vai ficar ali, intacto. Radioativo e soterrado por escombros, mas intacto.

7) Ver sítios arqueológicos antes deles se tornarem arqueológicos

É mágica a sensação de andar por escavações arqueológicas e tentar imaginar como era a civilização naquela época tendo como base os poucos artefatos que sobreviveram à guerra, ao fogo e ao tempo. Daqui a cem anos, quando o Imperador do Mundo, Abdullah Merkel Bush Kennedy criar um parque cultural na Cratera Tel-Aviv e apresentar em holograma a famosa rua Shenkin, todos terão que pagar 13 Dinadólares por uma entrada. Hoje ainda pode-se ver a coisa real de graça, tomando suco de laranja com cenoura não geneticamente modificados e se esforçar em levar um fora das beldades que andam por lá sem Inteligência Artificial Robótica.

8) Curtir o Conexão Israel!

De todos os colunistas do site, eu sou o único que tem um bunker nuclear na pracinha da frente. E só porque meu cachorro tem tendências de cavar mais ou menos fundo. No entanto, acho difícil acreditar que eu consiga levar o site sozinho, ainda mais tentando sobreviver ao inverno atômico e ajudando a reconstruir a civilização ocidental. Mas enquanto bombas nucleares não explodem por aqui, seguimos publicando pelo menos três vezes por semana. No mais, depois disso, em algum lugar da rede haverá uma cópia dos nossos antigos textos (inclusive esse) e os sobreviventes poderão matar as saudades.

*NOTA: Evidentemente este é um artigo de sátira e humor e portanto gostaria de antecipadamente pedir desculpas e compreensão a todos os que se ofenderam com a expressão “comitê de negociações” e “acordo” utilizados no primeiro parágrafo.

Artigos relacionados

Ver mais artigos

Comentários    ( 9 )

9 Responses to “8 coisas para fazer enquanto o Irã não destrói Israel”

  • Marcelo Starec

    20/07/2015 at 21:41

    Oi Gabriel,

    Muito bom!..Eu me diverti lendo esse texto, apesar de triste…Enfim, é uma antiga característica do povo judeu a de saber fazer humor até mesmo com o seu próprio sofrimento…Só vou aproveitar para dar uma nova ideia aos antissemitas de plantão!…Segue: Quem acha que todos os males do mundo são oriundos de Israel (e culpam Israel por tudo!) recomendo que saiam logo do armário e assumam que na verdade a sua crença é que os judeus são os culpados por tudo de ruim e não apenas Israel…e continuem com a “teoria da conspiração” dizendo (dentre outros argumentos “criativos”) que os judeus poderosos, que dirigem a política internacional, decidiram destruir Israel para que eles (judeus) não precisassem mais lidar com os israelenses e tinha muitos não judeus lá também – assim, no futuro longínquo poderão reconstruir um Estado só para judeus…Isso é só um pequeno exemplo das bobagens que você antissemita pode falar e com certeza, mesmo após a destruição de Israel, haverá uma claque concordando!….Se há uma coisa que eu tenho plena convicção é a de que a destruição de Israel não vai sequer reduzir o antissemitismo!… Assim caminha a humanidade, infelizmente….

    Abraços,
    Marcelo.

  • Raul Gottlieb

    21/07/2015 at 12:44

    Gabriel, um texto maravilhoso!

    Muito criativo e adequado.

    É inacreditável a estupidez dos especialistas que discutem o acordo nas televisões e jornais do Brasil. Não que eu assista muita TV ou que eu leia jornais, mas de vez em quando vejo o William Waak e algum artigo me cai nas mãos.

    Até agora todos os que eu tomei conhecimento apaludem o acordo. Tem um fanfarrão que acha que o Irã com mais recursos vai diminuir o financiamento que ele dedica à desestabilização do Oriente Médio. Sei lá porque o especialista acha isto. Talvez porque com mais recursos o Irà resolva desestabilizar também a Índia e a China, goste da brincadeira e esqueça o OM. Vai entender.

    Ninguém consegue enxergar três coisinhas para lá de básicas:

    a) O Irã é governado de forma absolutista por um fulano que diz prestar contas somente a Deus. Assim que, se amanhã ele inventar que Deus mandou ele rasgar o acordo, ele vai dizer que não teve nenhuma outra alternativa a não ser fazer isto.

    b) O Irã só precisa de energia nuclear para fins militares. Ele tem energia barata em abundância e custo baixíssimo.

    c) O Irã diz claramente, sem ambiguidades, que pretende destruir as democracias ocidentais. Dar recursos para quem fala isto todos os dias é estúpido e até mesmo criminoso.

    Mas o teu texto não tem nada a ver com a estupidez dos “especialistas”. Está muito bem feito. Parabéns!

    Abraço, Raul

  • Elda Txr

    21/07/2015 at 14:02

    o teu humor é típico do nosso povo Gabriel, curto muito a Conexao Israel.
    Te acompanhando das Alemanhas ….

  • Esther Cohen

    21/07/2015 at 17:18

    Gabriel,

    Concordo com os outros -o teu texto é ótimo, ainda que triste. Fazer graça da própria desgraça, é bem coisa nossa, mesmo. Mas, pensando bem, guardadas as distâncias e proporções, e aquela história dos americanos de “fazer do limão, uma limonada” ? Só falta alguém descobrir que o criador desse bordão é um american yiddish.

  • Raul Gottlieb

    21/07/2015 at 17:46

    Esther, se fosse judeu brasileiro ele teria dito “fazer do Etrog uma caipirinha”.

    • Esther Cohen

      21/07/2015 at 19:49

      Raul,

      Acho que é bem por aí. De qualquer modo, uma vez judeu, seja qual for o país, estado ou cidade, sempre cultivaremos o (bom) humor agridoce. É isso ou aceitar ficarmos sujeitos a comentários – ou piadas de mau gosto. Afinal, não falta quem diga: meu melhor amigo é judeu.

Você é humano? *