A Era da Paz acabou: bem-vindos à administração do conflito!

11/11/2015 | Conflito; Política

Desde antes da fundação do Estado de Israel, é possível dividir os governantes do país, e os partidos políticos dos quais fazem parte, em dois grandes grupos, no que toca a abordagem ao conflito árabe-israelense: de um lado estão os pombas e do outro estão os falcões. Apresentei esta divisão com maior detalhamento em um artigo no qual expliquei as quatro formas distintas de classificar os partidos políticos israelenses.

Infelizmente, devido à história do país e de seus conflitos, esta classificação não apenas se aplica à política israelense há décadas, mas é a mais comum maneira de identificar suas correntes ideológicas. Do ponto de vista acadêmico, por outro lado, trata-se de estudo de caso perfeito para a literatura existente sobre pesquisa de conflitos.

Em resumo, há duas abordagens possíveis para qualquer conflito: solucioná-lo ou administrá-lo.

Segundo a primeira abordagem, é possível solucionar um conflito através da paz, a ser alcançada por meio de negociações, da intermediação de terceiros, de um mecanismo neutro de arbitragem reconhecido por ambas as partes ou de uma decisão judicial. A maioria dos conflitos interpessoais, comerciais e até mesmo internacionais é solucionada por meios pacíficos. E também é possível solucionar um conflito através da guerra, exterminando o inimigo (um método comum em épocas passadas, mas classificado como genocídio atualmente) ou obtendo sua capitulação militar e política (como alcançado pelos Aliados ao final da Segunda Guerra Mundial). Ambas as possibilidades se encontram dentro da abordagem conhecida como resolução do conflito.

Historicamente, a linha divisória que separa ambos os campos na política israelense passa bem em cima do Partido Trabalhista. Já no primeiro gabinete formado por David Ben-Gurion, era visível a distinção entre as abordagens propostas pelo primeiro-ministro e as intenções de seu chanceler, Moshe Sharett, ainda que ambos fossem membros do mesmo partido. Enquanto Sharett, um pomba, defendia desde o princípio que era possível solucionar o conflito através de negociações com os países árabes, Ben-Gurion era um falcão, descrente de qualquer solução definitiva para o conflito, e autorizava as Forças de Defesa de Israel a levarem a cabo operações de retaliação.

À abordagem adotada por Ben-Gurion, chamamos de administração do conflito. Trata-se do reconhecimento de que não há uma solução viável – pacífica ou militar – e por isso é necessário criar mecanismos que nos permitam conviver com esta situação.

Ao administrar um conflito, o objetivo deixa de ser a busca por sua solução e passa ser a sua mera contenção, visando evitar escaladas. Para tanto, Israel mantém esquemas de cooperação na área de segurança com seus vizinhos – desde um uma cooperação bastante tímida com a Síria até a sincronização de operações com o Egito, a Jordânia e as forças de segurança palestinas. Esta cooperação funciona muito bem no nível micro, limitando ao máximo a quantidade de pequenos episódios de violência que poderiam gerar uma espiral incontrolável. No nível macro, funciona a Teoria da Intimidação – desde a intimidação através da retaliação, como na época de David Ben-Gurion, até a intimidação através da proibição, obtida com a gradual construção de um abismo tecnológico entre os poderios militares israelense e árabe. Este último conceito é mais conhecido por seu nome em inglês –  deterrence, dissuasão – e contribui para a ausência de guerras regionais desde 1973.

Naturalmente, todo este esforço não traz tranquilidade permanente – nem é seu objetivo. É possível apenas garantir que não irrompa repentinamente uma guerra regional, nem que organizações terroristas tenham poderio de fogo para lançar foguetes diariamente contra a população civil. É quase impossível conter ataques individuais – dificilmente percebidos pelos sistemas de segurança e inteligência – como os que compõem a recente onda de esfaqueamentos, ou um eventual atentado suicida. E mesmo o cidadão médio sabe que um conflito contínuo cobra um alto preço em vidas e tudo o que é feito visa apenas “aparar a grama”.

Segundo a mentalidade ocidental, e aqui incluo as comunidades judaicas da diáspora, é consenso atualmente que deve-se sempre buscar uma solução para qualquer disputa. Mesmo que não se atinja uma solução de maneira pacífica, existe uma dificuldade em lidar com um conflito permanente, sendo a maioria das pessoas sequer capaz de conceber racionalmente a ideia de administração de um conflito – é preciso solucioná-lo, mesmo que de maneira drástica. Em Israel, entretanto, trata-se de um conceito amplamente conhecido – nihul hasichsuch – e você pode ver especialistas na televisão e posts nas redes sociais falando sobre isso.

Esta oposição entre as formas ocidental e israelense de encarar um conflito – não necessariamente este, mas qualquer conflito – poderia levar muitos observadores estrangeiros a pensarem que nosso primeiro-ministro sofre de um transtorno de dupla personalidade. Aos olhos de um desavisado, duas pessoas coabitam a mesma mente: Benjamin, que só fala inglês, concede entrevistas à imprensa internacional, encontra-se com os líderes mundiais e afirma categoricamente que está disposto a negociar porque Israel busca diariamente a paz; e Bibi, fluente apenas em hebraico, que limita seu contato com a imprensa local ao período eleitoral, dá a entender pelas entrelinhas que os líderes mundiais são antissemitas e que jamais será estabelecido um Estado palestino enquanto estiver no cargo e afirma categoricamente que “viveremos para sempre pela espada”.

Netanyahu finge que observa a Faixa de Gaza. 20.10.2015. REUTERS/Haim Horenstein/Pool - RTS5BAR
Netanyahu finge que observa a Faixa de Gaza. 20.10.2015. REUTERS/Haim Horenstein/Pool – RTS5BAR

Mais ainda, o observador externo se interessaria em saber porque a direita israelense continua votando em Benjamin Netanyahu após suas declarações em inglês afirmarem seu comprometimento com a solução de dois Estados. A verdade é que este eleitorado conhece Bibi, em quem vota há quase 20 anos, e sabe que o que vale são suas declarações em hebraico – mesmo que depois sejam desmentidas em inglês, como no caso de sua garantia de que não haverá Estado palestino. A participação israelense em negociações com os palestinos, ou a mera disposição em participar, também fazem parte da administração do conflito, não no âmbito operacional, mas para evitar represálias na arena internacional.

Este eleitorado, cada vez maior em função das atuais tendências demográficas existentes no país, sabe que a era da paz acabou. Durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, a sociedade israelense oscilou entre momentos em que ambas as abordagens – resolução do conflito e administração do conflito – disputavam em iguais condições a opinião pública nacional e outros momentos em que estabeleceu-se uma maioria apoiando a primeira opção. Desde a Segunda Intifada, entretanto, a ideia de que apenas poderemos administrar o conflito voltou a ser dominante, como na época de David Ben-Gurion, e isso se reflete não apenas nos resultados das eleições, mas no próprio vocabulário usado pelas pessoas.

Nos últimos anos, a palavra “paz” já não é utilizada, nem mesmo nas propagandas dos partidos da esquerda sionista, compostos majoritariamente por pombas. Trata-se de clara indicação de que a sociedade, como um todo, internalizou esta tendência e, mesmo os que acreditam na solução do conflito por meios pacíficos não mais propõem um Acordo de Paz – como os que assinamos com o Egito e a Jordânia – mas sim um “acerto diplomático”, ou seja: um acordo amplo, que nos permitirá administrar o conflito de forma mais fácil. Com o tempo, a estabilidade trazida por este acerto diplomático poderia até resultar numa situação em que teremos paz plena, mas todos já entendemos que esta não será criada instantaneamente através de canetadas.

Existe, no entanto, uma dissonância cognitiva na interpretação desta realidade. Ainda que não mais acreditemos que o conflito possa ser solucionado e não tratemos a criação do Estado palestino como uma mera questão de tempo, tampouco aceitamos pagar o custo da administração do conflito.

Vivemos em uma sociedade que acredita que palavras possuem significado autônomo em relação à realidade. Acreditamos que as Forças de Defesa de Israel não administram os territórios ocupados de maneira violenta, pois servem apenas para nos defender, e justificamos que o exército apenas nos defende baseados no fato de que carrega as palavras “de defesa” em seu nome.

O israelense médio – e junto com ele o judeu diaspórico médio – bate o pé e afirma que a ocupação militar dos territórios palestinos é necessária “por enquanto”, para garantir a segurança do Estado de Israel. Mas grita que qualquer ataque palestino ao aparato militar israelense nos territórios é terrorismo, “porque os soldados israelenses também são civis”.

Baseados em crenças como estas, que pertencem à nossa narrativa nacional, estamos convencidos de que nossos governos – mesmo o atual – mantém sua mão estendida para nossos vizinhos, porque Ben-Gurion assim afirmou em 14 de maio de 1948. Acreditamos piamente nisto, mesmo que a maioria do povo – e seus representantes eleitos – falem abertamente sobre a superioridade do povo judeu sobre a etnia árabe, e sejam ouvidos gritos de “morte aos árabes” nas arquibancadas de nossos estádios de futebol.

A dissonância cognitiva nos permite administrar o conflito enquanto juramos estar trabalhando para solucioná-lo.

Nas décadas de 1960 e 1970, foram necessárias a Guerra do Desgaste e a Guerra de Yom Kipur para entendermos que nosso conflito com o Egito não era administrável e aceitarmos o fato de que urgia um acordo que fosse satisfatório para ambos os lados e solucionasse a questão. Pode-se dizer que, ao longo dos últimos 10 ou 15 anos, retornamos ao estágio de negação frente aos palestinos, convencidos de que somos capazes de encarar eternamente o conflito, mas sem estômago para pagar seu custo de administração.

Precisamos tomar uma decisão.

Foto de capa de Rodrigo Uriartt. Seu Flickr é https://www.flickr.com/photos/ruriak/.

Comentários    ( 16 )

16 comentários para “A Era da Paz acabou: bem-vindos à administração do conflito!”

  • Alex Strum

    11/11/2015 at 14:55

    Claudio, obrigado por mais este artigo que nos ajuda e entender um pouco mais como a população israelense pensa e se posiciona em relação ao conflito.
    Acho entretanto que apresentar as duas alternativas; resolução x administração do conflito, como estratégias excludentes, como voce dá a entender, um pouco exagerado.
    Voce mesmo informa:
    “Com o tempo, a estabilidade trazida por este acerto diplomático poderia até resultar numa situação em que teremos paz plena, mas todos já entendemos que esta não será criada instantaneamente através de canetadas”.
    Me parece bastante realista esta posição. A resolução de um conflito através de negociações, como todos gostariamos, necessita não só de vontade política mas de um mínimo de pré-condições objetivas para se tornar viável. Voce não toca nisto no seu artigo. Quais seriam estas pré-condições?
    Há uma tendência em culpar a política israelense pelo fracasso nas negociações. Será que é mesmo?
    Não há dúvida que a ocupação e certas medidas restritivas à vida dos Palestinos agravam a situação.
    Pessoalmente sou contra. Mas é esta a causa (raíz) do problema ou são apenas agravantes. Não seria a causa do problema a não aceitação pelos povos muçulmanos de conviver com não muçulmanos no oriente médio, particularmente judeus??? O que se ensina para as crianças palestinas??
    Voce realmente acha que se Israel relaxar as condições de vida dos palestinos haverá condições para resolver, e não apenas administrar, o conflito?
    Ações de boa vontade são simpáticas, ajudam mas não resolvem o essencial.
    abs, Alex

  • Marcelo Starec

    11/11/2015 at 15:55

    Oi Claudio!

    Muito interessante o seu texto…Gostei, pois dá muito o que pensar a esse respeito…Entretanto, gostaria de mencionar aqui alguns pontos para a devida análise…1) Egito – A paz foi feita por um indiscutível mega falcão, Menahen Beguin – gostem ou não dele, não há qualquer dúvida sobre esse aspecto a seu respeito. Bom, então, será que fomos nós que fizemos a paz ou foi o próprio Egito que mudou de ideia, ao perceber que estava destroçado economicamente, não tinha mais como obter subsídios da antiga URSS e havia perdido militarmente de Israel quatro vezes em pouco mais de 20 anos…Assim, a própria sobrevivência do Egito estaria vinculada a uma mudança radical de postura – foi o Sadat que procurou Begin, mas este último teve o mérito de negociar e concluir este acordo histórico…Por que a esquerda israelense não fez isso quando estava no poder?…Em meu modo de ver, simplesmente por não haver possibilidade alguma naquele momento…E com os palestinos agora?…Bom, de início até a presente data estes jamais apresentaram uma possibilidade real de concluir o acordo. Toda vez que uma negociação com eles vai em frente, esbarra nos “descendentes de refugiados”…Algo que, todos bem sabem, veta qualquer tipo de acordo por qualquer vertente da política de Israel…Mas eles sempre levantam essa bandeira, o que demonstra que não estão disponíveis a concluir…Considero este um bom exemplo para a sua colocação: “Com o tempo, a estabilidade trazida por este acerto diplomático poderia até resultar numa situação em que teremos paz plena, mas todos já entendemos que esta não será criada instantaneamente através de canetadas.”…Claro que não!…A paz tem de ser construída de “dentro para fora” e não o inverso…Os palestinos ainda não se mostraram interessados em criar instituições democráticas que viabilizem mais adiante um Estado viável e pacífico…Hoje, uma canetada representaria a criação de um “fail state” e é certo, os extremistas rapidamente deporiam o Abbas e usariam o território como simples base militar, oprimindo o seu próprio povo….

    Abraço,

    Marcelo.

  • Lia

    11/11/2015 at 22:42

    Obrigada pelo post e pelos comentários também. Entre todos ajudam aprender e compreender melhor os acontecimentos.

  • Henrique Samet

    12/11/2015 at 04:26

    Pode-se esperar dos palestinos reação diferente da que estamos presenciando? Pode-se esperar moderação frente ao extremismo equivalente deste governo israelense? Nós somos os heróis e eles os bandidos?
    Para quem acredita nas versões hasbaratistas nada a declarar. Para quem tem um mínimo de dúvidas e percepção crítica e não anaboliza de primeira tudo que é chutado por aí, o caso parece ir além da dissonância cognitiva, tão bem exposta no artigo.
    Qualquer um na posição de “eu não disse?”, pode apostar, sem temer surpresas, em outra explosão mais adiante, e seguidamente outra e outra, mas ficará somente com a fama de profeta do óbvio. Já são mais de cem anos de experiência comprovada.
    E sempre os mesmos bordões gastos. Em vez de se circunscrever abrangência do conflito, delimitando-o como israelo-palestino desavisados fazem questão de incluir todos os países árabes e todos os muçulmanos, como se já não faltassem impasses. Na verdade se alguém perguntar ao Bibi ou Ayalon, qual é o plano, A, B, ou C? receberá respostas fragmentadas, sem nenhum horizonte visível de realização. É o Projeto Calendas Gregas. Nem batustões, nem fronteira unilateral, nem estado racista binacional, nem expulsão de todos os palestinos para a Jordânia? Nem matá-los?
    Revelo um segredo em primeira mão: não existe plano. O governo de Israel não sabe para onde vai, não tem clareza ou certeza aonde quer chegar, sua factibilidade, e os meios para isto, a não ser construir assentamentos a larga e promover a defesa momentânea. Elenão nos dize qual o desenho que imaginam para o futuro israelense. Só assinalam fragmentariamente o que não querem, em um empurra com a barriga sem fim. Sabem por que? Se revelarem vem uma enxurrada de sanções. O futuro é impossível até para eles. Tem medo de o desenharem, pois sabem de sua impraticabilidade pública.
    Resta o isto que está aí chamado de status quo ou “administração de conflito”, mas qual seria a reação palestina para cada uma destas especulações? É difícil imaginar?
    Ora, se quiserem mais violência continuem a fazer o que estão fazendo, mas não reclamem, pois é mais do que sabido que a situação dos palestinos não passaria, nem passará em branco e apostar no conflito eterno ou “próximas gerações” tem implicações devastadoras. É muito fácil fazer estes tipos de especulação quando o fogo está brando. Israelenses só imaginam o status quo como possível quando pouco acontece. Quando a dominação “parece” tranquila. Quando os incêndios pipocam, ingenuamente, reclamam. Imaginam a administração do conflito como uma possível imposição unilateral de uma tranquilidade forçada, mas os palestinos se veem perante uma ameaça existencial, para usar o jargão bibiano vigente, e a partir daí tudo é possível. É mais do que o óbvio ululante.
    Eu não diria que um estado palestino é uma garantia certa e absoluta para o fim da violência, pois não sou futurólogo, mas garanto que sem ele é certo, cíclico e interminável e crescente. A prova está aí, no nariz, não é previsão.
    Condenar as facas unilateralmente está se tornando difícil. Os ingênuos vão dizer que defendo o terror, mas desde a divulgação de que 300 crianças palestinas foram mortas em Gaza e foram apresentadas como danos colaterais ou escudos atrás dos quais os do Hamas se defenderiam, os bandidos passaram a se equivaler. A abjeta utilização da população civil como refém e objetivo de guerra dos dois lados é fato. A vantagem moral agora é mera propaganda para enganar ingênuos e trouxas. A guerra nivelou por baixo, como todas as guerras. Não é o bem contra o mal. É preciso acordar e ver a demagogia abjeta que esconde a realidade diária.
    Não fazer nada e manter o tal do status quo é a melhor garantia das coisas piorarem. Perdemos Oslo e não ganhamos nada. Será que estamos falando ao vento ou as evidências se acumulam? Estamos isolados mundialmente ou isto é propaganda de esquerdista? Não importa o mundo ou ha erosão contínua da legitimidade do Estado? A demografia mostra alguma coisa ou é invenção de derrotistas?
    Quem tem a cabeça no lugar não deve sonhar com nenhuma Grande Israel ou Média Israel, mas com uma Boa Israel. Todas as paranoias megalomaníacas ou terminam em troças e hospício ou terminam em tragédias humanitárias. Chega um momento que a suposta presunção de que se está fazendo uma realpolitik vira uma podridão só, injustificável e uma sangueira sem limite.
    Isto não é choro de humanista ou grito de esquerda, mas uma ponderação para lá de razoável, racional e baseada exclusivamente no que temos na nossa frente.
    Na sociedade israelense a teimosia da mesma coisa está causando uma degradação das relações entre diferentes e supostos iguais. A violência, tanto a praticada quando a sentida está tornando o dia a dia em um rosário de preocupações e traumas, que podem ficar irreversíveis, se já não são.
    Fico pasmo que, perante o artigo citado, pessoas possam se julgar juízes entre as partes quando o principal não é estabelecer quem tem razão, o combustível ideológico para a contínua confrontação. Precisamos de moderadores, postura pragmática, sair da mediocridade da soma zero e ver o que se pode conseguir para que haja dois ganhadores ou dois perdedores, pois a satisfação completa de um é a tragédia, idem completa, do outro. Não há outra saída, possivelmente tanto para nós israelenses e judeus como para eles, palestinos. É isto ou a prevalência do anjo da morte e…

    • Raul Gottlieb

      12/11/2015 at 21:06

      “A guerra nivelou por baixo, como todas as guerras.”

      Um belo dia, com o objetivo de criar um inimigo externo que desviasse a atenção de sua população sobre a desastrosa ditadura militar, a Argentina resolveu invadir as Malvinas por considerar que elas estão mais perto da Argentina do que da Inglaterra, apesar de que em momento algum no passado houve soberania Argentina ou Espanha sobre as ilhas e que todos (mais que 95%) os habitantes das ilhas gostariam de continuar a serem ingleses.

      A partir deste dia, segundo as “óbvias” observações do Henrique, o governo Galtieri e o governo Tatcher se nivelaram por baixo.

      Assim como, em 1939, o governo de Hitler teria se nivelado com o da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Polônia, da França e de tantos outros.

      Ou, reduzindo a uma situação familiar, como o Amos Oz faz em sua literatura: no momento em que o brigão burrinho da sala empurra o CDF e este, supreendentemente, reage ambos passam a ser violentos da mesma forma.

      Ou ainda, digamos que você reagiu a um assalto e se atracou com o assaltante, rolando no asfalto com ele, trocando socos. Ambos se nivelaram por baixo em sua violência.

      Pelo menos esta alegação (“A guerra nivelou por baixo, como todas as guerras.”) do Henrique não se sustenta nem por uns segundinhos. Quanto as demais, bem elas são fruto do mesmo critério analítico.

    • Mario S Nusbaum

      13/11/2015 at 20:34

      ” desde a divulgação de que 300 crianças palestinas foram mortas em Gaza e foram apresentadas como danos colaterais ou escudos atrás dos quais os do Hamas se defenderiam, os bandidos passaram a se equivaler.” Se equivaler sob quais critérios Henrique????? Você acha que na II Guerra nenhuma criança morreu em Berlim? Isso faz com que Churchill se equivale a Hitler? Desde quando vítimas de bombardeio em um país que provocou uma guerra se equivalem a vítimas de assassinato?

      “A guerra nivelou por baixo, como TODAS as guerras”
      Quer dizer então que o Raul interpretou seu pensamento corretamente? Os governos Galtieri e Tatcher se equivalem, assim como Hitler, FDR e Churchill. É isso mesmo?

      Sim, algo tem que ser feito e Israel está se isolando, mas UM dos algos a ser feito é começar a jogar o jogo da propaganda, onde os palestinos estão ganhando de goleada, há muito tempo. Você pode achar que não é condenável esfaquear e atropelar inocentes, mas muita gente ainda acha que é.

      “r não deve sonhar com nenhuma Grande Israel ou Média Israel”
      Concordo
      “mas com uma Boa Israel. ”
      O que para os palestinos significa um “Israel” judenrein, logo para nós a Boa Israel é um Israel seguro..

      ” ver o que se pode conseguir para que haja dois ganhadores”
      Você tem alguma ideia sobre como se conseguir isso? Se o adversário declara que para ele a única vitória é a minha morte, o que eu posso fazer?

      Shabat Shalom

    • Geraldo Coen

      14/11/2015 at 00:02

      Complementando o post de Nusbaum, e sendo bem duro e direto e claro, e citando o Talmud: “se você sabe que teu inimigo vai te matar, acorda mais cedo e mata ele”. Simples assim. Chama-se hoje em dia legítima defesa.

    • Mario S Nusbaum

      14/11/2015 at 23:17

      Sábio conselho Geraldo, e saudável também.

    • Mario S Nusbaum

      13/11/2015 at 20:21

      Henrique, tive que ler seu post três vezes para acreditar que li certo! “Pode-se esperar moderação frente ao extremismo equivalente deste governo israelense?”
      Claro que não, só que você poderia escrever quaisquer palavras no lugar de extremismo equivalente que ela continuaria correta. Os palestinos NUNCA deixaram de fomentar o conflito, em NENHUM governo israelense.

      “O governo de Israel não sabe para onde vai, não tem clareza ou certeza aonde quer chegar” Também tenho essa impressão, mas vocês que moram aí sabem melhor do que eu.

      Passemos ao que não acreditei que estava lendo.

      “Condenar as facas unilateralmente está se tornando difícil.”
      Difícil para quem? Difícil porque? Sabe Henrique, tem muitas coisas que só se cobra e espera de Israel, mas nenhum judeu deveria fazer isso. Na II Guerra os EUA deslocaram para campos de prisioneiros seus cidadãos de origem japonesa, o que foi uma vergonha, reconhecida muitos anos mais tarde. SÓ QUE eles não andavam pelo país esfaqueando seus concidadãos. Qual seria a reação da sociedade americana se isto acontecesse? E se a colônia judaica iraniana começasse a fazer isso em Teerã, quanto tempo ela sobreviveria? Mas em Israel, aparentemente, alguns cidadãos tem o “direito” de assassinar outros por causa de terceiros. E você acha “difícil” condenar isso!

      Vou dividir em dois posts

    • Henrique Samet

      14/11/2015 at 00:14

      Espantado fico eu e a opinião pública em geral. As facadas se equivalem. Acabou a vantagem moral. Morreu de morte matada. Você e outros assinantes estão em outro planeta e são aqui nesta Terra, amplamente minoritários. Acham que existe guerra altruística e esta é a de vocês, mas das trezentas crianças, dos assassinatos e linches de inocentes e o incêndio de uma família com um bebê, “por vingança”, das ações diárias de Tzahal se esquecem. Tudo é detalhe secundário neste enredo defasado e já manjado pelo mundo, desde que não estrague a fantasia de super-herói. A fase da lenda a ser mantida a qualquer custo já acabou. São e serão confrontados todos os dias pela realidade.
      O que fazem é enfiar a cabeça na areia, é a mistificação levada ao cubo; desconhecendo que, hoje em dia, mentiras têm pernas curtas e os desmascaramentos são produzidos dia a dia por entidades israelenses e estrangeiras. Você acha certamente que a violência é unilateral e você só esta exercendo seu direito de auto-defesa em terra alheia. Um sionista ladrão! Eu nunca concebi sionismo nestes termos degradantes.
      O desdém ensaiado é de uma pobreza conceitual de dar dó. Nenhum argumento lógico, nenhuma proposta. É o próprio deserto de ideias e de homens, proposto por Osvaldo Aranha para descrever o Brasil. Acham que vão “vencer” depois de cem anos.
      Estamos assistindo a empulhação mais estreita, a pasmaceira frente aos fatos crus que dia a dia escorrem do conflito e assim se vai para o abismo de costas, dizendo que a terra é plana.

    • Mario S Nusbaum

      14/11/2015 at 23:59

      “Espantado fico eu e a opinião pública em geral” Sobre a opinião pública em geral, cito Golda Meir: “É melhor receber críticas do que condolências”.
      “As facadas se equivalem. Acabou a vantagem moral. Morreu de morte matada.”
      É a sua opinião. Baseada em que mesmo? Acho que perdi a parte em que você (e a opinião pública em geral) explica isso.
      ” Acham que existe guerra altruística ”
      Começo a perceber a presença de quem se opõe à sua tese é dispensável, afinal você nos atribui pensamentos e opiniões e “raciocina” em função deles. Eu, como não sou onisciente, falo só por mim: não acho isso, mas tenho CERTEZA de que existem guerras justas e inevitáveis. “desde que não estrague a fantasia de super-herói” Fantasias quem tem são as esquerdas, e aliás SÓ tem fantasias. Neste caso em particular é a dos anjinhos palestinos oprimidos por demônios judeus. “São e serão confrontados todos os dias pela realidade.”
      A realidade para as esquerdas sempre foi um mero detalhe, que deve ser considerado ou ignorado de acordo com as conveniências do momento.
      Quem analisa o conflito com um mínimo de objetividade foi, mais uma vez, confrontado com a realidade ontem, desta vez em Paris. E já que você gosta de equivalências, aqui vai uma:os que lançam foguetes sobre Israel, atropelam e esfaqueiam judeus pelas ruas e se explodem pelo país são equivalentes aos que fizeram a mesma coisa na França. Afinal eles também tem “explicações” para o que fizeram.
      “Você acha certamente que a violência é unilateral”
      De novo você falando por mim! Desta vez ainda incluiu um certamente! Não acho isso, mas tenho certeza de que as violências são diferentes.

      “Nenhum argumento lógico, nenhuma proposta”
      E a sua proposta é?

      Sabe Henrique, não me pergunte porque mas eu achava que você morava em Israel. Saber que não explica muita coisa, apesar de que existem israelenses com esta mesma postura, e no caso deles é suicida.

      A melhor definição de vocês foi dada por um professor, cujo nome lamentavelmente não guardei, para um palestrante judeu que demonizava Israel e “pregava” que os santos palestinos estavam apenas aguardando um gesto para que todos vivessem como irmãos para sempre. Foi perfeita:

      Vocês parecem aquelas mulheres que apanham do marido e dizem: deve ter sido algo que eu fiz.

    • Mario S Nusbaum

      15/11/2015 at 00:04

      ” seu direito de auto-defesa em terra alheia. Um sionista ladrão! ” Espero sinceramente que você esteja falando da Cisjordânia. Minha dúvida vem do fato de que TODAS as lideranças palestinas consideram Israel parte de “suas terras” e você confia integralmente nelas.
      Se for assim, quero lembrar-lhe de que antes da ocupação não havia paz e que quando Israel ofereceu acabar com ela nem resposta obteve.

  • Mario S Nusbaum

    13/11/2015 at 19:35

    “e qualquer ataque palestino ao aparato militar israelense nos territórios é terrorismo, “porque os soldados israelenses também são civis”.”
    Onde você leu/ouviu isso Claudio???? Participo de vários grupos onde se discute o conflito. Em, um deles a maioria é radical de direita, alguns chegam a propor a expulsão de todos os árabes, tanto de Israel quanto da Cisjordânia e NUNCA ninguém, em nenhum desses grupos escreveu algo nem parecido com isso.

    Sobre um possível acordo com os palestinos, minha opinião sempre foi igual à do Marcelo, enquanto eles insistirem no surreal “direito de retorno”, que não é direito nem muito menos retorno, Israel não pode fazer nada, a não ser se suicidar.

    “mantém sua mão estendida para nossos vizinhos, porque Ben-Gurion assim afirmou em 14 de maio de 1948.”
    Porque Ben-Gurion assim afirmou em 14 de maio de 1948 ou porque até 67 não havia ocupação, em Camp David e Taba foram atendidas praticamente todas as exigências (menos a citada acima, claro) palestinas e eles fugiram da mesa de negociações? Ou será porque o Netanyahu, atendendo a mais uma exigência deles congelou os assentamentos e o Abbas não negociou?

    “Precisamos tomar uma decisão.”
    O que mais precisa acontecer para que as “pombas” entendam que NENHUMA liderança palestina quer um acordo justo?

    Shabat Shalom

  • Mario S Nusbaum

    15/11/2015 at 00:10

    Uma pequena fábula que pode ser útil para muita gente:
    Após muita investigação acharam um criminoso nazista que estava foragido desde a II Guerra. Para surpresa de todos era uma judia que o ajudava a se esconder. Perguntaram para ela porque fazia isso e a resposta foi: ele prometeu que na próxima vez vai me tratar melhor.

  • Henrique Samet

    16/11/2015 at 00:09

    Não há respostas. Só as já tradicionais observações de que os divergentes do extremismo direitista são esquerdistas ajudantes de nazistas. Eu poderia assacar como reação outras tantas respostas grosseiras, mas é fazer o jogo da desinformação. Esta forma infeliz e obtusa de ver o senso crítico faz parte da distonia cognitiva tão bem exposta no artigo original. Acham que eu ponho na boca deles o que eles pensam, evidentemente, e não falam (medo?). Pior, do que eles pensam e muitas vezes não entendem de suas consequências lógicas.
    Acham Dresden e Hiroshima inquestionáveis. Para matar nazista pode-se matar qualquer alemão ou japonês; é inevitável, cidades desarmadas. O terror contra civis é parte “natural” ou inevitável para acabar com Hitler e o militarismo japonês.
    Só que o inimigo pensa da mesma maneira. Então, para alguns dos assinantes criança palestina é inevitável, mas civil israelense não !!! Duas medidas. Isto para mostrar que não existe guerra limpa como a propaganda hasbaratista quer embromar. Isto aí é carnificina mútua comandada por diretivas extremistas de ambos os lados, igualmente bandidos.
    Geralmente entre duas nacionalidades em confronto é raro aparecerem líderes propensos a negociações. Se aparece uma brecha quem pensa deve apoiá-las, alargá-las e endossar toda propensão a esta forma de resolver pendências. É a menos custosa.
    Mas não. Aqui não se trata de dizer que a negociação é difícil, mas de estabelecer como paradigma que ela, a prior, é impossível, porque “eles” não querem. Com o Bibi no poder só pode ser piada ou má fé.
    Defendem absurdos como se a terra alheia fosse parte da autodefesa quando o que menos tem lá é autodefesa isto e mais a ideologia da “Terra Nostra”. Em eventual conflito as colônias seriam a primeiras a serem evacuadas. No Golan, em 1973 foi isto que aconteceu.
    Eles acham que os palestinos devem se tornar sionistas, cantar todos os dias o Hatikva para serem confiáveis ou talvez nem assim. Isso demonstra um superficialismo lamentável no trato do problema. A identidade palestina é primariamente e indissoluvelmente ligada ao Nakbba assim como a contemporânea judaica é indissoluvelmente ligada ao Holocausto. Há que se construir uma ponte entre as narrativas que não as eliminem. A observação é primária para quem entende do assunto.
    Acham que defendem Israel Que Israel? Este governo? Não os vejo em nenhum fórum metendo o pau nele, muito pelo contrário. Este governo pode levar a Israel a um estado de ilegitimidade máxima, mas eles acham que são patriotas. Patriotas de quem? Parecem pau mandados falando mau dos esquerdistas, como se isto fosse praga. Ah, para quem lê e sabe de biografias a vida tem desses paradoxos cômicos se não fossem trágicos.
    Quero que eles ponham na boca o que pensam, se é que têm coragem, e não se escondam em ataques bobocas e vingativos. Estou para ver esta “evolução”. A minha assertiva é que a única solução é um acordo mutuamente reconhecido e endossado, baseado nas fronteiras de 1967. O resto é papo mistificador evitando tocar no assunto. Mas enquanto houver conflito a guerra será mutuamente suja e sem santinhos ou heróis com administradores de conflitos.
    Quem não pensa em paz acordada na verdade, acho eu, é um traidor do futuro de Israel, sem carapuça.

Você é humano? *