A fantástica (sqn) demolição da ponte Maariv

Ponte Maariv.
Ponte Maariv.
Ponte Maariv.

Tel-Aviv se orgulha de ser uma metrópole cosmopolita e avançada. E é justamente por isso que é tão engraçado quando se comporta como se fosse uma cidadezinha do interior. Semana passada foi um delicioso exemplo disso. Demoliram a Ponte Maariv. Ponte, bem, nem para tanto. É (ou melhor, era) um elevado de duas pistas de uns cem metros de comprimento. Ficava numa área de intenso trânsito no centro-sul de Tel-Aviv, na frente do edifício do jornal Maariv, que era o que lhe dava o nome. A demolição aconteceu para dar lugar às obras do que virá a ser o metrô. Bem ali haverá, prometem, uma estação subterrânea enorme, com três níveis, túnel para desviar os carros que até pouco tempo atrás passavam pelo ar, lojas e, evidentemente, o tal do metrô[ref]Houve uma briga homérica entre os colegas do Conexão Israel, envolvendo palavras de baixo calão, facas e outros talheres, para definir se isso se trata mesmo de um metrô, ou de um tram, ou de um bonde mesmo. Eu gostei de bonde, e vou usar entre amigos. Mas aqui, vou continuar chamando de metrô, por motivos ufanistas mesmo.[/ref].

Quando anunciaram que o viaduto ia ser demolido – e os israelenses insistiam em chamar aquilo de ponte, talvez por falta de uma palavra mais adequada em hebraico, talvez para elevar a moral da empreitada – enfim, quando anunciaram que o viaduto ia ser demolido, houve comoção. Grupos diversos no Facebook vieram contra, outros a favor, e alguns, marcando encontro para assistir ao evento juntos.

Um gaiato, que a mim pessoalmente trouxe extremo orgulho, mandou uma carta para a empresa responsável pela demolição perguntando se podia organizar uma festa heavy metal com a demolição ao fundo. A resposta foi: “Por favor, mande o play-list para aprovação”.

Na televisão, durante mais de uma semana, os telejornais se ocuparam de falar do assunto. Alguns sérios, mostrando as dificuldades a que iriam passar os comerciantes da região, já que, durante as obras que têm previsão de durar seis anos, ficariam sem transeuntes com quem comerciar. Outros, com reportagens históricas, contando sobre a construção do elevado em 1975, em imagens preto e brancas num sul de Tel-Aviv mais caipira e suburbano ainda. Outros mostravam os detalhes técnicos da demolição, explicando quanto TNT seria usado, como a coisa cairia, quanto tempo e afins. Mas o que todos gostavam de citar mesmo era a comoção que, de certa forma, eles mesmos criaram.

O problema da comoção é que o povo queria ir lá para ver de perto o espetáculo. Previa-se centenas de milhares nas ruelinhas que davam acesso à região da implosão. Isso seria um sério problema de segurança para as autoridades e a empresa construtora. Por fim, resolveram o assunto contratando nada mais, nada menos do que uma empresa de produções para filmar e exibir com telões, ao vivo, a implosão. E também mudando o horário antes marcado, para as seis da manhã de uma sexta-feira. Em Tel-Aviv, não haveria jeito dos nossos nobres curiosos acordarem tão cedo numa sexta-feira. Nem para ver implosão.

Em fim, o grande happening aconteceu conforme o vídeo abaixo. Durou em torno de dez segundos e mal levantou poeira. E, como bônus, ainda tivemos o desprazer de ver a cara feia do Israel Katz, ministro dos Transportes, brincando de Willy Coyote.

Comentários    ( )

One Response to “A fantástica (sqn) demolição da ponte Maariv”

  • Marcelo Starec

    03/09/2015 at 06:48

    Oi Gabriel,

    Muito legal ver o vídeo!…Bom, como eu gosto de ser um tanto ufanista…rs…também já escolhi chamar de metrô!…Por fim, é muito bom a gente assistir a um vídeo de uma explosão em Israel que não seja um atentado terrorista! Se fosse, estaria em destaque na mídia mas, não sendo, podemos assistir de camarote por aqui, no Conexão!….

    Abraço,

    Marcelo.