A paranoica e supremacista origem da Intifada das Facas

21/10/2015 | Conflito; Opinião

Texto de Jeffrey Goldberg no dia 16/10/15, no site The Atlantic

Traduzido por Gabriel Paciornik
Em setembro de 1928, um grupo de judeus residentes de Jerusalém instalou um banco próximo à parede oriental do Monte do Templo (o Muro das Lamentações) para o conforto dos fieis mais idosos. Trouxeram com eles também uma partição de madeira para separar entre homens e mulheres durante a reza. Os líderes muçulmanos de Jerusalém entenderam a introdução do mobiliário ao beco em fronte ao Muro como uma provocação, parte da conspiração judaica para, lentamente, tomar controle de todo o Monte do Templo. Vários dos líderes palestinos muçulmanos acreditava – ou afirmavam acreditar – que judeus haviam inventado uma série de conexões históricas e teológicas ao Muro das Lamentações e o monte, que é a localização da mesquita de al-Aqsa e do Domo da Rocha, a fim de avançar seus projetos sionistas. Esta crença desafiava a própria história muçulmana – o Domo da Rocha foi construído por conquistadores árabes sobre o local do Segundo Templo Judaico para venerar sua memória (o local, anteriormente, foi profanado por governantes cristãos em uma forma de reprovação ao judaísmo, a odiada religião mãe do cristianismo). Os próprios judeus consideram o monte como sendo o mais sagrado local de sua fé. O Muro das Lamentações, um grande muro de arrimo do período do Segundo Templo, é sagrado apenas por conexão.
O líder espiritual dos muçulmanos palestinos, o mufti de Jerusalém, Amin al-Husseini, incitou árabes na palestina contra seus vizinhos judeus, argumentando que era o próprio islã que estava sendo ameaçado. (Housseini se tornaria mais tarde um dos mais importantes aliados de Hitler). Judeus na Palestina ocupada pelos britânicos responderam à injúria muçulmana exigindo mais acesso ao muro, às vezes até mesmo protestando no local sagrado. No ano seguinte, a violência direcionada contra judeus pelos seus vizinhos tornou-se mais comum: manifestantes árabes tiraram a vida de 133 judeus naquele verão; forças britânicas mataram 116 árabes em sua tentativa de subjugar as manifestações. Em Hebron, um pogrom devastador foi lançado contra a antiga comunidade judaica depois que oficiais muçulmanos distribuíram falsificações de fotos do Domo da Rocha avariado, e espalharam rumores de que judeus estariam atacando o lugar sagrado.
A corrente “Intifada das Facas” em curso em Israel – uma semi-insurreição na qual jovens palestinos têm tentado e, ocasionalmente, conseguido matar judeus com facas – é induzido em grande parte pelo mesmo conjunto de emoções manipuladas que deflagrou as manifestações antijudaicas da década de 1920: um profundo desejo, por parte dos palestinos, de “proteger” o Monte do Templo dos judeus.

Quando Israel capturou a cidade velha de Jerusalém em junho de 1967, em resposta a um ataque jordaniano, o primeiro impulso de alguns israelenses foi o de revindicar os direitos judaicos sobre o monte. Entre 1948, o ano em que Israel alcançou a independência, e 1967, a Jordânia, o então poder ocupante em Jerusalém, baniu judeus não só dos 14 hectares do monte – conhecido pelos muçulmanos como o Haram al-Sharif, o nobre santuário – mas também do Muro das Lamentações logo abaixo. Quando paraquedistas tomaram a cidade velha, eles hastearam a bandeira de Israel sobre o Domo da Rocha, mas o ministro da Defesa israelense, Moshe Dyan, ordenou que a bandeira fosse retirada, e logo então prometeu aos líderes do Waqf[ref]Um waqf, também grafado wakf, (em árabe: وقف; plural: أوقاف; transl.: awqāf; em turco: vakıf; em urdu: وقف[1] ) é, no contexto da ‘sadaqah’, uma doação religiosa inalienável na lei islâmica, normalmente de um prédio ou lote de terra, ou até mesmo dinheiro, para religiosos muçulmanos ou para fins de caridade. Os bens doados são detidos por um fundo de caridade. A subvenção é conhecida como mushrut-ul-khidmat, enquanto uma pessoa que faz tal dedicação é conhecida como wakif[/ref] Muçulmano o controle da mesquita e do santuário, e que Israel não interferiria em suas atividades. Desde então, sucessivos governos de Israel têm mantido o status quo estabelecido por Dayan.
Há outro status-quo associado ao Monte do Templo. No entanto, este tem mostrado sinais de enfraquecimento. É o status quo religioso. O posicionamento da corrente rabínica convencional, por muitos anos, tem sido a de que judeus não devem subir ao monte pelo temor de que se possa estar pisando sobre o Sagrado dos Sagrados, o santuário interno do Templo que, de acordo com a tradição, abrigava a Arca da Aliança. O Sagrado dos Sagrados é o lugar onde os Sumos Sacerdotes recitavam o Tetragrama, o inefável nome de Deus, em Yom Kipur.

A localização exata do Sagrado dos Sagrados não é exatamente conhecida, e autoridades muçulmanas têm impedido arqueólogos de conduzir qualquer escavação sobre o monte, em parte, por medo de que tal exploração vá trazer à luz mais evidência de uma presença judaica pré-islâmica. O posicionamento da corrente rabínica convencional para o monte – de que este deve ser a direção das preces judaicas, e não o local das preces judaicas – tem feito da vida das autoridades temporais de Jerusalém mais simples, mantendo fieis muçulmanos e judeus separados.

Em anos recentes, no entanto, um pequeno grupo de inovadores religiosos radicais, que se opõe ao posicionamento rabínico convencional, tem procurado fazer do monte, mais uma vez, o lugar de prece judaica. (Aqui está uma matéria para o New York Times Magazine que eu escrevi sobre esses grupos radicais). Esses ativistas têm angariado simpatizantes entre algumas figuras da extrema direita em Israel, apesar do governo do primeiro-inistro Benjamin Netanyahu não ter alterado o status-quo da separação das religiões.

Uma das maiores tragédias do movimento dos assentamentos é que ele obscurece o que poderia ser a real causa do conflito no Oriente Médio.

Convencer os palestinos de que o governo não está tentando alterar o status-quo no monte tem sido difícil por conta de vários dos atuais líderes palestinos, que de forma similar a da liderança palestina da década de 1920, tem ativamente vendido rumores de que o governo israelense está buscando estabelecer uma presença judaica permanente sobre o monte.

Os comentários do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas – por um consenso geral, um dos mais moderados líderes da curta história do movimento nacional palestino – foram particularmente duros. Apesar de Abbas ter autorizado os serviços de segurança palestinos a trabalhar com sua contraparte israelense para combater a violência extremista, sua retórica tem inflamado tensões. “Cada gota de sangue que cai em Jerusalém é pura, cada mártir vai chegar ao paraíso, cada ferido será recompensado por Deus,” disse ele no mês passado, quando rumores sobre o Monte do Templo se espalhavam. Ele chegou ao ponto de dizer que judeus “não têm o direito de desecrar a mesquita com seus pés sujos”. Taleb Abu Arrar, um árabe israelense membro da Knesset, o parlamento de Israel, afirmou publicamente que judeus “desecraram” o Monte do Templo com suas presenças. (Quatorze anos atrás, Yasser Arafat, então o líder da Organização para Liberação da Palestina (OLP), disse-me que “autoridades judaicas estão falsificando a história dizendo que o Templo estava no Haram al-Sharif. Seu templo estava em outro lugar.”)

Esse tipo de comentário, combinado com a violência das últimas duas semanas – incluindo o saque e o incêndio a um santuário judeu fora de Nablus – sugere uma trágica continuidade entre a década de 1920 e hoje. Para aqueles que acreditam não apenas na necessidade, mas na possibilidade prática de uma solução equalitária de dois Estados para o conflito Israelo-Palestino – e em particular, para aqueles que acreditam que o projeto de assentamentos pós-1967 é a origem e causa dos conflitos – os eventos recentes têm sido esclarecedores.

Uma das maiores tragédias do movimento dos assentamentos é que ele obscurece o que poderia ser a real causa do conflito no Oriente Médio: a relutância de muitos palestinos muçulmanos de aceitar a noção de que judeus são um povo cuja a origem é a terra que palestinos acreditam ser exclusivamente sua, e que o terceiro lugar mais sagrado no islã é também o mais sagrado de outra religião, uma religião cujos adeptos rejeitam a noção de superssessionismo. O status-quo no Monte do Templo é prudente, e deve permanecer. Ele salva vidas, vidas que judeus radicais fundamentalistas estão prontos a por em risco para o avanço de seus sonhos milenares. Mas é o efeito da intolerância da liderança muçulmana de Jerusalém.
Quando a violência contra judeus acontece dentro de Israel, ou na Cisjordânia, um consenso rapidamente tende a ser alcançado por analistas e líderes políticos externos, consenso que propõe que tal violência representa a inevitável consequência da ocupação e colonização do território palestino. John Kerry, Secretário de Estado dos EUA, disse em um uma aparição no começo da semana em Harvard que “O que acontece é que, a não ser que avancemos, uma solução de dois estados poderia teoricamente ser roubada de todos. E tem havido um crescimento massivo nas colônias no curso dos últimos anos.” Ele chegou a dizer “Agora temos essa violência porque há uma crescente frustração, e uma frustração entre israelenses que não vêem qualquer movimento”.

(Sexta-feira de manhã, falando com Steve Inskeep da NPR, Kerry revisou e estendeu seu comentário, criticando Abbas – de forma passiva – pela violência: “Não há desculpa para a violência. … E os palestinos precisam entender, e o presidente Abbas tem sido fiel à não violência. Ele precisa condenar a violência, alto e claro. E deve não se envolver em parte dos incitamentos em que sua voz tem sido, às vezes, ouvida a encorajar.”)

Muitos palestinos acreditam que “este não é um conflito entre dois movimentos nacionalistas, mas um conflito entre um movimento nacionalista e uma entidade colonialista imperialista.”

Às vezes é difícil para um político como Kerry, que dedicou tanto tempo e energia na busca por uma solução ao impasse árabe-israelense, admitir a força de uma narrativa palestina em particular, uma narrativa que oblitera a possibilidade de uma solução que permita igualdade nacional e religiosa a judeus. Em seu texto no Haaretz (aqui traduzido e publicado no Conexão Israel por Yair Mau), o cientista político de centro-esquerda, Shlomo Avineri descreve uma desassociação que normalmente passa despercebida, até mesmo em tempos como esses: muitos palestinos acreditam que “este não é um conflito entre dois movimentos nacionalistas, mas um conflito entre um movimento nacionalista (o palestino) e uma entidade colonialista imperialista (Israel).” Ele prossegue, “De acordo com esta visão, Israel terminará como todo o fenômeno colonialista – perecerá e desaparecerá. Ademais, de acordo com a visão palestina, os judeus não são uma nação, mas uma comunidade religiosa, e como tal, não tem direito a uma auto determinação nacional, o que é, no final das contas, um imperativo universal.”

Avineri, assim como a maior parte dos analistas sensatos, entende as variadas razões para o fracasso no processo de paz.

Desconfiança mútua entre as duas populações, pressão interna dos negacionistas em ambos os lados, repetidos embustes de Yasser Arafat, o assassinato do primeiro-ministro Isaac Rabin, as vitórias eleitorais do Likud nas eleições israelenses, terrorismo palestino, a continuação das atividades dos colonos nos territórios ocupados, a sangrenta luta entre o Fatah e o Hamas, presidentes americanos que fizeram muito pouco (George W. Bush) ou demais e na direção errada (Barak Obama), a fraqueza política de Mahmoud Abbas, governos liderados por Netanyahu que fizeram todo o possível para minar negociações efetivas. Tudo isso é verdade, e todos escolhem o motivo de acordo com suas visões e interesses – mas além desses, há a fundamental diferença em termos em que cada um dos lados vê o conflito, uma diferença que tendemos a escolher não ver.

A violência nas ultimas duas semanas, encorajada por propagadores de rumores que agora têm ambos sangues israelenses e palestinos em suas mãos, está enraizada não na política de assentamentos israelense, mas uma visão de mundo que ignora os direitos nacionais e religiosos dos judeus. Não haverá paz entre israelenses e palestinos enquanto o membros dos dois lados do conflito continuarem a negar os direitos nacionais e religiosos um do outro.

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Comentários    ( 9 )

9 Responses to “A paranoica e supremacista origem da Intifada das Facas”

  • Mario S Nusbaum

    21/10/2015 at 16:19

    “Uma das maiores tragédias do movimento dos assentamentos é que ele obscurece o que poderia ser a real causa do conflito no Oriente Médio: a relutância de muitos palestinos muçulmanos de aceitar a noção de que judeus são um povo cuja a origem é a terra que palestinos acreditam ser exclusivamente sua, e que o terceiro lugar mais sagrado no islã é também o mais sagrado de outra religião, uma religião cujos adeptos rejeitam a noção de superssessionismo” Obscurece só para quem não quer enxergar, quem finge não conhecer a realidade. A maioria dos princípios das ciências exatas não são aplicáveis às humanas, especialmente a política, mas uma é: consequências não podem preceder causas. Antes dos assentamentos, havia conflito?

  • Marcelo Starec

    21/10/2015 at 19:37

    Oi Gabriel,

    Excelente o artigo de Jeffrey Goldberg, que você nos traz, devidamente traduzido!…O artigo mostra os fatos bem como eles são mesmo…Afinal, qual o motivo do massacre de Hebron?…Do assassinato em massa dos judeus em toda a região?…Do Mufti de Jerusalém (o principal “líder árabe-palestino” da época!) ter se aliado com Hitler no início dos anos 40 (ou seja, antes e durante a “solução final”)?…Dos países árabes terem se lançado contra o recém fundado Estado de Israel, pela ONU, contando com a ajuda dos “lideres palestinos”, visando jogar os judeus ao mar?…Vejam que todos esses fatos, todos sem exceção, não tem qualquer relação com uma questão que então sequer existia – judeus morando na Judeia, Samaria e Gaza!…O fato é que não existe mesmo aceitação a soberania judaica (ou não islâmica) – posição essa muito popular dentro do Oriente Médio islâmico, infelizmente!…E eu já ia esquecendo…Por que o “Santo Abbas, o pacífico” foi fazer a sua tese de doutorado em “negação do Holocausto” – é isso mesmo!…Seria um PhD alguém tão inculto e tão pouco inteligente assim?…Bom, e voltando ao tema central – entendo que há sim um movimento nacional (o judaico) que de fato foi construir um Estado – e não destruir o outro…Do lado de lá, existe um pouco disso também – mas o que há mesmo é a inaceitável vontade de negar – isso mesmo, negar! o outro movimento nacional e os direitos do outro – ao invés de tentar construir algo positivo!…Vejam – antes de 1948: pogroms contra judeus; e a partir daí guerras existenciais visando “jogar os judeus ao mar”…Enfim, em 1947 houve a partilha da Palestina pela ONU – com o intuito de construir Dois Estados – um judeu e um árabe (palestino) – e por qual motivo o movimento nacional palestino não aceitou?…Até hoje não resta explicado…E mais, nos vinte anos entre 48 e 67, como reagiu o “movimento nacional palestino” em relação a sua autodeterminação ?…Ah sim, continuaram requerendo o Estado Judeu de 1948…Após 67, depois de atacado mais uma vez pelos países árabes, o Estado Judeu, então sob o comando da esquerda, conquistou a Judeia, a Samaria e Gaza (de Jordânia e Egito, respectivamente) e a partir daí começou a haver judeus indo morar lá…Agora, há uma corrente que só quer ver o que lhes convém ver, que acha que todo o problema é a “ocupação”…De Gaza Israel saiu a 10 anos – e resolveu a questão?…Enfim, os palestinos também concordam que o problema é a “ocupação” – mas pleiteiam todo o território de Israel !!!…Essa palavra nem é a origem do “problema palestino” e tampouco seu fim resolveria algum problema…Logo, enquanto essa cultura islâmica radical e extremista, impregnada entre os palestinos, não se modificar, NADA muda!…Podemos criar uma “Nova Gaza”…É o que está no alcance de Israel ou podemos tentar convencer o mundo e os líderes de que sem se construir instituições democráticas, escolas, justiça etc. não faz sentido ter um Estado, para tão somente ser mais um “Estado Terrorista”…E aqui a ordem dos fatos altera sim o produto – primeiro as instituições e uma geração educada para uma cultura diferente, moderna e ocidentalizada e só após tudo isso, aí sim, um Estado!…Caso contrário, algo até pode ser feito, mas será mais um tremendo fracasso!!!….

    Abraço,

    Marcelo.

  • Raul Gottlieb

    22/10/2015 at 00:43

    O texto tem muitas virtudes e um pecado capital.

    Ele atribui o fracasso da convivência entre o Estado de Israel e os Estados Árabes a “o membros dos dois lados do conflito continuarem a negar os direitos nacionais e religiosos um do outro”.

    Isto é uma falácia e um pecado capital. É certo que existem membros dos dois lados do conflito que negam o direito do outro, mas apenas do lado Palestino esta negativa é política de Estado.

    Curiosidades:

    Jerusalém só é sagrada para os muçulmanos porque era sagrada para os judeus. Maomé nunca esteve em Jerusalém. O Corão registra que ele sonhou ser levado aos céus a partir de Jerusalém num cavalo com rosto humano. Sem os judeus e a Torá o Corão provavelmente existiria, mas Jerusalém não seria citado no livro.

    O Mufti Al-Husseini, o líder dos árabes durante o Mandato Britânico, era um antissemita virulento. Ele visitou Hitler e ofereceu ajuda.

  • Fábio

    22/10/2015 at 13:31

    Caro Raul, Mohamad nunca esteve em Jerusalém e no Coorão o nome da cidade não é citado. Com o passar dos anos (e das conveniências políticas) passou-se a associar o relato a cidade como sendo Jerusalém. Com um abraço, Fábio.

  • Fábio

    22/10/2015 at 13:31

    Caro Raul, Mohamad nunca esteve em Jerusalém e no Coorão o nome da cidade não é citado. Com o passar dos anos (e das conveniências políticas) passou-se a associar o relato a cidade como sendo Jerusalém. Com um abraço, Fábio.

  • Shlomo

    23/10/2015 at 17:13

    Chamar os Shlomo Avineri de cientista político de centro-esquerda so pode ser brincadeira….
    Estragou todo o texto…

  • maria lucia

    27/10/2015 at 01:42

    Por favor, caro Gabriel, como posso saber onde estão os comprovantes das terras compradas dos árabes?…porque esta briga está demais!!! Tem que haver, dentro da autoridade israelense, documentos da transação de compra e venda das terras. Porque tudo que li nos livros judaicos aqui no Brasil é que as terras foram compradas e com muita dor mesmo. Mas ainda não encontrei uma resposta para minha pergunta. Mesmo que a questão fosse histórica, os árabes não tem mais direito as terras. Eu não quero minha Eretzs dividida. Todos se reunem e nada resolvem. Agora só ouvimos destas guerras com facas. Copiaram dos sicários os bandidos!! Mas, se fiz uma pergunta idiota, perdoa-me, é porque aqui chegam noticias falsas e precisamos fazer triagem muito séria para podermos saber a verdade. Por isto tenho acompanhado vocês. Obrigada.

    • Gabriel Paciornik

      27/10/2015 at 11:27

      Maria Lucia, eu não tenho certeza a que terras você se refere. Existe um diretório, o TABU, herdado dos tempos turcos e de acordo com a lei jordaniana e britânica, onde estão os registros das terras em toda a região. Várias dessas terras foram realmente compradas pelo Jewish National Fund (ou Keren Kayemet leIsrael) e por particulares antes da fundação do estado. Existem várias localizações que foram desapropriadas dos antigos moradores. Algumas famílias palestinas, libanesas, egípcias e até mesmo sauditas ainda mantém em seus documentos particulares cópias dos registros de suas terras ou residências. Eu não sou entendido de lei internacional de propriedade e de terras. Não sei qual é o atual status dessas terras.

      Nos territórios ocupados, no entanto, a história é diferente. Porque pela própria lei de Israel, terras pertencentes a particulares não podem ser desapropriadas ou invadidas. E em vários casos se provou que colônias estavam ocupando terras particulares, como na última conturbada demolição em uma cidade judaica na Cisjordânia.