A Sinfonia do Novo Mundo sob a regência de Netanyahu

01/04/2015 | Opinião; Política; Sociedade

Allegro:

Confesso que não acompanhava o noticiário político de Israel em 1996, quando o Partido Trabalhista (de Shimon Peres) perdeu as eleições para o Likud (de Netanyahu), em uma “virada” dramática e inesperada ao fim da contagem dos votos [ref] obs: estas eleições foram separadas entre poderes executivo e legislativo, e a derrota significava de fato a perda do governo [/ref] . Foi um forte golpe para o bloco de partidos de esquerda. Conta-se que muitos eleitores foram dormir com a certeza da vitória e acordaram para uma realidade impensável: acabaram derrotados nas urnas.

Em 2015, já acompanhando com mais afinco a política israelense, invejei por um breve momento os movimentos de esquerda da longínqua eleição de 1996. Pensei: – “Pelo menos, eles foram dormir com a certeza da vitória”. Na noite em que recebi o resultado parcial do último pleito israelense, eu já sabia que a minha manhã do dia seguinte não seria fácil. Confesso também que não imaginava uma vitória tão larga do Likud sobre o Avodá. E, por último, confesso que a minha manhã foi pior do que havia pensado ao constatar a realidade política para a qual eu havia me despertado.

 Adagio:

Novamente, eu acabava de conceder o meu voto ao Meretz, torcendo para que o Avodá fosse escolhido para formar a coalizão. Para indivíduos como eu, que acreditam que a competição entre empresas privadas necessariamente eleva a qualidade de qualquer serviço, na abertura para importações, na redução dos impostos e na diminuição da intervenção estatal como um fator de geração de emprego, certamente este voto no Meretz não era fácil, muito menos automático.

Os partidos de esquerda, como de costume, prometeram melhorar a vida da população: elevar a renda de minorias, eliminar a pobreza, distribuir lotes para construção, oferecer habitação subsidiada, adicionar uma terceira assistente para as turmas pré-escolares que encontram-se abarrotadas de crianças, além, é claro, de aumentar o investimento em  educação, saúde e gastos sociais.

É – de fato – curioso! O orçamento do Estado crescerá, teremos mais qualidade nos serviços e nenhum de nós terá que pagar nenhum centavo a mais em impostos – porque os partidos de esquerda, mágicos que são, dizem que isto é possível. Sei…

Ao mesmo tempo, esta é a mesma esquerda que acredita na solução de dois Estados, que quer retomar um acordo de paz com os palestinos. É a mesma esquerda que, na figura de Herzog, disse recentemente que, caso fosse eleito primeiro-ministro, viajaria até Ramallah para renovar o relacionamento com Mahmoud Abbas. São eles, a esquerda, que defendem a separação do Estado e da religião e a imediata interrupção das construções de assentamentos judeus nos territórios.

Na hora do voto não há como fugir desta encruzilhada. O que eu devo considerar mais importante, a economia ou o conflito entre israelenses e palestinos? A economia ou a manutenção do status quo religioso?

A resposta é bastante óbvia: as questões que envolvem o conflito são muito mais importantes do que a questão econômica interna do país. Acredito que o setor privado é suficientemente robusto para resistir a algumas dificuldades, mas quando se trata das responsabilidades israelenses perante os palestinos estamos em um estado crítico. A ocupação e a contínua construção nos territórios estão nos corroendo em todas as frentes,  econômica, moral, social e política.

A nossa posição internacional está evaporando, a paciência com o país está se deteriorando. Um número crescente de consumidores, boicotando produtos israelenses. Há conselhos de administração cortando laços com as nossas empresas. Os agricultores do deserto de Aravá já não podem vender seus produtos em alguns países, e fundos de investimento estão cancelando acordos comerciais.

O melhor programa econômico para o país, portanto, ainda é a demonstração de que o governo israelense está preparado para tomar difíceis decisões que possam garantir a retomada das negociações. E para isso não precisamos da “paz real e utópica” e nem da contra-partida palestina. Há questões que podemos solucionar agora – basta demonstrarmos interesse e responsabilidade política.

Este é um ótimo plano para evitar o isolamento de Israel, restaurar o fluxo de investimento no país e facilitar uma retomada de seu crescimento econômico. Esta conduta, por sua vez, aumentará as receitas e permitirá que os gastos necessários para corrigir a desigualdade sejam corretamente direcionados.

E neste cenário não há nenhuma dúvida. Não resta alternativa aos enamorados do livre mercado que apoiam o processo de paz e que estão à procura de uma solução diplomática para Israel, senão continuar a abraçar fraternalmente aqueles bons amigos que carregam o sonho socialista num cantinho ali perto do coração.

 Minueto:

Benjamin Netanyahu nos presenteou há pouco com a tônica do que será o seu próximo mandato como primeiro ministro de Israel. Nada que seja muito distinto dos seus governos anteriores. É a conhecida estratégia de proferir aos borbotões a maior quantidade de meias-verdades possíveis.

Ele deixou claro esta sua disposição no dia 18 de março de 2015, ao contradizer o que havia dito no dia 16 de março de 2015 sobre a possibilidade da criação de um Estado palestino ao lado de Israel. Em outro caso recente, esbanjando todo o seu talento, pediu desculpas públicas a cidadãos árabes do país logo após o resultado vitorioso das urnas. Bibi havia convocado os cidadãos judeus a “saírem de casa para votar” pois havia o “risco iminente” de uma votação em massa em partidos árabes que colocaria em cheque um possível governo da direita. Netanyahu, em seu momento de arrependimento, fez questão de frisar que ele governará para todos e que jamais teve a intenção de ferir o sentimento da população árabe do país . Sei…

Senhoras e senhores, este é Benjamin Netanyahu. Conheçam o seu primeiro-ministro:

Podemos elencar – em questão de segundos – as qualidades que lhe servem de trampolim para alcançar todas as suas metas:  é carismático, é um excelente orador, é um estrategista político e é – inegavelmente – um vencedor. O problema está justamente naquilo que não podemos enxergar com facilidade. Afinal de contas, qual é a sua proposta política para manter um país que seja judeu e democrático ao mesmo tempo? Esta é justamente a qualidade de caráter necessária a qualquer político que mereça o meu apoio. Eu exijo que não haja contradições em seu norte político.

Há quem reconheça neste comportamento um valor relevante. Seria a arte de equilibrar-se na corda bamba do poder. Eu justamente observo o contrário. Quem assim se comporta merece apenas a minha desconfiança. Compreendo muito bem o perigo que se apresenta minha frente: ao ouvir de forma reiterada uma quantidade absurda de meias verdades, já não tenho mais certeza de que a metade proferida, não se trata, na realidade, dos 50% que são mentira.

Moti Kirshenbaum, jornalista israelense cunhou uma frase histórica: “Não é que Bibi não se aproxime da verdade. É que para Netanyahu, ela é antissemita.” E eu completo: esta é a razão pela qual a possibilidade de um entendimento mútuo entre eles – Bibi e a verdade – está fadada ao fracasso.

Para alguém que construiu a sua campanha em cima de relevantes questões de segurança nacional, Bibi já inicia o seu governo levando insegurança a integralidade do país. Não importa se você foi torcedor ou adversário do Likud nas últimas eleições. A impressão que se tem das ambiguidades que nos chegam a granel é exasperante. Das duas, uma: ou ele está tentando me enganar outra (e outra) vez, ou ele apenas trairá as suas promessas e o seu tom durante a campanha eleitoral. E este sentimento não pode ser efetivo para a definição de um ideal político, seja ele de esquerda ou de direita.

 Sonata:

Ultrapassado os elogios e cumprimentos ao nosso próximo primeiro-ministro, deixo-lhes com previsões e desejos:

  • O governo de Benjamim Netanyahu será estável e completará o seu mandato de quatro anos.
  • Haverá a tentativa de limitar o poder da Suprema Corte israelense quando leis antidemocráticas forem aprovadas pelo poder legislativo e cassadas pelo poder judiciário. O cerceamento não obterá êxito.
  • A bancada ortodoxa não conseguirá eliminar o serviço militar obrigatório para os estudantes de academias rabínicas (aprovado na última Knesset), mas terão sucesso em criar subterfúgios para prorrogar e prevenir sanções para o seu descumprimento.
  • Não haverá mudança significativa no caráter religioso do país, mas haverá alteração na quantidade de investimento e financiamento no setor mais improdutivo e sanguessuga da sociedade – a ortodoxia judaica.
  • Serão criados alicerces que tornarão alguns setores mais competitivos e a economia do país crescerá, diminuindo o custo de vida da população.
  • É provável que alguma empresa israelense na área de tecnologia seja vendida por bilhões de dólares. É também provável que algum centro de pesquisa em Israel desenvolva uma nova vacina. Possivelmente estes fatos serão utilizados em nossas magníficas campanhas de hasbará [ref] HaSBaRá é um substantivo hebraico derivado do verbo LehaSBiR (explicar, esclarecer) e pode ser traduzido como “esclarecimento”, ou até mesmo “propaganda. Leia mais sobre este termo aqui” [/ref].
  • O país continuará a controlar militarmente a vida de milhões de indivíduos. Possivelmente este fato não será utilizado em nossas magníficas campanhas de hasbará.
  • A construção de assentamentos judaicos nos territórios alternará momentos de larga expansão e expansão moderada.
  • No verão de 2016 ou 2017 teremos um novo conflito de 40 dias provocado pelo fundamentalismo islâmico. No combate aos culpados pelo terrorismo, seremos obrigados a punir inocentes.

E o que eu espero que aconteça? Ora… que o Bibi seja coerente e continue com a suas verdades pela metade. Que esteja sendo sincero ao falar sobre economia e que esteja sendo falso com todo o resto do pacote. Mas pode ser, é claro, que eu esteja apenas me enganando. É muito difícil fazer qualquer previsão para um país, quando a maior e melhor habilidade do seu primeiro ministro é a sua capacidade de mentir – tanto para os seus apoiadores, como para os seus opositores.

Parabéns ao Bibi e as suas meias-verdades. Palmas para ele, que ele merece. Eu e a minha meia-falsidade lhes desejamos um excelente governo.

Comentários    ( 10 )

10 comentários para “A Sinfonia do Novo Mundo sob a regência de Netanyahu”

  • Marcelo Starec

    02/04/2015 at 07:16

    Oi Marcelão,
    O seu artigo tem muitas informações e colocações interessantes, mas deixo aqui algo que, em meu modesto entender, ficou um tanto confuso. Você dá a entender que nenhum dos partidos está em plenas condições de cumprir o que promete e ter êxito, se eu entendi bem. Então você votou em função do conflito, pois você entende que o Meretz em coalização com a União Sionista poderiam fazer algo muito melhor em prol da paz do que o Bibi. Sinceramente, estou tranquilo pois como não tenho o direito a votar, também não tenho essa responsabilidade, o que é uma situação cômoda e justa. Entretanto, não tenho certeza de que a coalização de esquerda ou centro-esquerda teria uma fórmula menos complexa para a paz….No discurso, eles assim se apresentam, mas infelizmente (como eu gostaria de estar errado!) entendo que a “senhora realidade” bateria na porta do Herzog/Livni logo após a eleição – creio que a “lua de mel” entre o Herzog / Livni e as pessoas que acham que eles saberiam como obter a paz, acabaria sendo transformada, rapidamente, em decepção. Claro que posso estar equivocado, mas deixo aqui a minha opinião. Por fim, não sei se o que você chamou de nossa “magnífica hasbara” foi ironia ou algo sério. Infelizmente, não creio ser esse um ponto forte nosso. Vejo que, pelo menos no Brasil, homossexuais apoiam o Irã (embora lá sejam enforcados), isto só como um mero exemplo, dentre vários. Isso além de Israel estar sempre sendo olhado com lupa – normalmente com viés negativo, injusto e distorcido. Israel não é um País perfeito, mas os “dois pesos, duas medidas” são comumente verificados quando se critica Israel e qualquer outro País.
    Um abraço,
    Marcelo.

    • Marcelo Treistman

      02/04/2015 at 13:46

      Querido Marcelo,

      Agradeço o comentário. No artigo procurei ter o cuidado para não utilizar de forma frívola o termo “paz”. Procurei sim alocar com muito cuidado a questão da de responsabilidade por parte de Israel frente ao conflito. Enxergo na contínua construção nos territórios, nas meias-verdades do Bibi em relação a minoria árabe e a manutenção da ocupação militar israelense sobre milhões de indivíduos como algo bastante prejudicial para o país. Tanto na esfera política, econômica, diplomática e, acima de tudo, moral. Os partidos de esquerda (meretz em especial) são os únicos que são realmente assertivos nestas questões tão próximas do meu coração. Isso para não entrar na separação do Estado e Religião…

      Quanto ao termo Hasbará, fui sim irônico. Compreendo o que você fala dos “dois pesos e duas medidas” quando o assunto é Israel, mas não creio que a defesa incondicional do país seja algo efetivo.

      Um grande abraço,

  • Raul Gottlieb

    02/04/2015 at 17:54

    Querido Marcelo,

    Veja a frase abaixo.

    “Basta apenas ter um pouco de imaginação para ver as centenas de milhares de cruzes em toda a terra, homens palestinos, mulheres e crianças sendo crucificados…. O sistema de crucificação governo israelense está operando diariamente.”

    Ela está no site da organização cristã SABEEL e eu a encontrei neste texto:
    http://www.gatestoneinstitute.org/5458/sabeel-desmond-tutu

    Depois entre no site da SABEEL http://www.sabeel.org/ e veja que outros mimos se encontram lá.

    E não se pode argumentar que este tipo de afirmação absurda e antissemita é um caso isolado, porque a triste verdade é que uma das coisas mais simples do mundo é encontrar alegações criminosamente infundadas em todos os cantos.

    Então, eu acho que o teu texto é ótimo, muito bem feito, imaginativo e interessante, mas em alguns momentos você esquece o contexto no afã de anotar os equívocos do Bibi.

    Concordo que o Bibi não é nenhuma maravilha e seguramente nós poderíamos ter um primeiro ministro muito melhor. Mas mesmo o Herzog (ou qualquer outro) não poderia fazer nada contra a visão que o SABEEL divulga despudoradamente.

    Não há hasbará que cure a filhadaputice dos antissemitas, lembre-se da universal fábula do lobo e do cordeiro (ou zachor et Amalek, em linguagem bíblica). O sarcasmo do adjetivo “magnífico” que você usa para qualificar a hasbará me parece descabido. Todos os países do mundo soltam foguetes de júbilo por suas conquistas científicas e tecnológicas.

    Assim como não há como colaborar com o Obama. Os USA hoje tem a mais nefasta e inepta política externa das últimas muitas décadas. A partir disso é impossível que a posição internacional não se deteriore. Israel nada pode fazer a respeito das atuais tentativas de suicídio dos USA, a não ser torcer para que forças internas impeçam o Obama.

    Não há como Israel obrigar os Palestinos a formar um Estado. Tentamos isto em 2005 em Gaza, deu errado. Por favor, nos informe quais as “difíceis decisões que possam garantir a retomada das negociações”. E também como vamos ter uma convivência razoável sem a contra-partida palestina. Fico no aguardo da tua visão quanto a isto.

    Finalmente, penso que se o Meretz tivesse se coligado com o Herzog + Livni, haveria alguma chance de terem ganho o governo. O teu voto no Meretz pode ter dado a vitória ao Bibi.

    Abraço e chag sameach.
    Espero que você tenha um bom Seder com a tua família.
    Raul

    PS – no caso do SABEEL e de tantos, tantos outros, a verdade é sim antissemita. Me prove que não, por favor.

    • Marcelo Treistman

      03/04/2015 at 13:22

      Raul, obrigado pela visita e comentário.

      Respondo algumas das suas perguntas e aponto alguns erros e acertos em sua mensagem:

      1 – Visitei o Site do SABEEL. Fica claro, pelo menos para mim, que a mentira é antissemita. Não a verdade. Há ali, um sem numero de falsidades, de deturpações e elucobrações como em qualquer manifesto anti-judeu criado na história da humanidade.

      2 – O termo Hasbará foi indicado no texto como a defesa incondicional de Israel. A tentativa (muitas vezes adorada pelos judeus da dispersão) de observar somente o que temos de bom e se calar para o que temos de ruim, com indicações do que temos que melhorar. É verdade que soltamos “foguetes de júbilo” quando Israel desenvolve uma nova vacina, e isto nos enche de orgulho. Mas me causa estranheza a sua tranquila e pacata aceitação pelo o que acontece nos territórios ocupados, da manutenção de um severo controle militar sobre milhões de palestinos, da corrosão moral, política e econômica que a expansão nas construções de assentamentos judeus causam ao país. Portanto, vibre sim com as nossas conquistas tecnológicas. Mas não deixe que isso feche os seus olhos para aquilo que podemos e devemos melhorar – persiga a justiça e a moralidade, não apenas o próxima invenção “made in Israel”.

      3 – Há questões importantes que podem ser feitas agora – sem uma contra-partida palestina. A imediata interrupção de construção nos territórios. Isso precisa ser feito ONTEM. Continuar construindo ali é negar a narrativa palestina sobre o seu direito sobre a terra da mesma forma que há setores naquela sociedade que negam o direito ao nosso povo. Não precisamos dos palestinos para “falar a verdade”, para termos um norte político claro. Não precisamos de palestinos para melhorar a situação da minoria árabe em Israel.

      4 – O seu pensamento sobre as eleições israelenses está equivocado. O voto no Meretz é um voto duplo: o voto naqueles que defendem grande parte do que eu acredito que é necessário para o país alem da indicação de Hertzog para montar a coalização. Dizer que o “meu voto pode ter dado a vitória ao Bibi” é errado, porque eu poderia falar isso sobre todos os outros votos que não em Bibi. Hertzog, em caso de vitória, precisaria montar uma coalizão e eu gostaria que o Meretz estivesse dentro dela.

      Por fim, acho que você erra em sua análise sobre questões diplomática. Me parece que você cai na retórica mentirosa do Bibi de que Israel poderia prescindir de um apoio mundial para continuar a existir. Benjamin Netanyahu está fazendo um “all-in” esperando a vitória republicana nas próximas eleições dos EUA e está causando um atrito jamais visto nas relacões entre estes países. E infelizmente, há pessoas muito inteligente batendo palmas para a nossa “diplomacia”.

      Chag Semeach e nos vemos no seder.

      Marcelo

    • Raul Gottlieb

      03/04/2015 at 16:11

      Marcelão, vamos por partes:

      1. Sim, é isto mesmo e o SABEEL é apenas um em muitos milhares. Este é o contexto que vivemos: antissemitismo forte e atuante.

      2. Concordo contigo – a visão infantil que Israel é uma terra de santos existe pequena parte de nossa comunidade e é uma visão que não é construtiva. Mas no teu texto você estava se referindo a uma política israelense e não a visão de alguns judeus da dispersão.

      3. Parar de construir nos territórios pode ser feito. Mas seu efeito será o de alimentar os Palestinos que dizem haver uma chance de destruir Israel. Foi o que aconteceu em Gaza. Em vez de empoderar os Palestinos que propunham a convivência com Israel, a retirada de Gaza empoderou os que perseguem a destruição de Israel.

      4. Concordo contigo. Você me convenceu. Eu estava errado.

      Quanto ao all-in acho que a humanidade depende disso. Mais 4 anos de governo norte americano que afaga as ditaduras e afasta as democracias tem o potencial de causar um estrago enorme no mundo.

      Abraço,
      Raul

  • Marcelo Starec

    02/04/2015 at 20:39

    Grande Marcelão,
    Em meu entender, não são os extremos que terão a resposta correta. A verdade é tão bonita e temos tantas coisas boas para mostrar!….Infelizmente, como muito bem colocado pelo Raul, há um problema de contexto mesmo, junto com o antissemitismo, claro!…Não podemos nos iludir, no meu entender, que o antissemitismo está aí, firme e forte, ontem (antes de Israel existir), hoje e esperamos que um dia no futuro ele ao menos deixe de ser tão relevante…O que não acho correto são judeus que, muitas vezes por mera ingenuidade acreditam que, se falarmos mal de Israel ficaremos “amigos” dos antissemitas. Simples assim!…Na minha vida acadêmica e até nas conversas de bar, durante grande parte da minha vida, vejo judeus falando coisas absurdas de Israel, simplesmente para “agradar a platéia”. Acho que devemos sim discutir a fundo e sem viés, com toda a sinceridade, mas com quem conhece muito do assunto. Infelizmente, a maioria das pessoas não conhecem a fundo a questão mas o mundo inteiro opina sobre Israel e os judeus, a todo o tempo, em geral com viés distorcido e negativo!…O que fazer?…Não é correto, na minha opinião, ficar “jogando pedras em Israel” com o mero intuito de tentar agradar aos antissemitas ou aos mal informados que ingenuamente tem uma opinião com viés negativo, superficial e incompleta. Falta a eles conhecer o outro lado e aí é até possível discutir a fundo as questões, de modo equilibrado e sem viés…
    Abraço!
    Marcelo.

    • Marcelo Treistman

      03/04/2015 at 13:46

      Marcelo,

      Eu não acredito que todo mundo que fale mal de Israel esteja querendo “agradar os antissemitas” ou “agradar a sua plateia”. Estamos comentando em um texto que escrevi sobre o futuro do país e a minha análise políca de Benjamin Netanyahu.

      Apontei de forma específica o que considero um grande erro de Israel – a contínua construção de assentamentos judeus nos territórios, a ambiguidade nos discursos perante os árabes israelenses, a manutenção de um controle militar sobre milhões de palestinos. Além disso, para manter-se no poder, vemos uma coalizão sendo formada com os setores mais anti-democráticos e menos plurais da sociedade israelenses que estarão na casa legislativa.

      Portanto, Marcelo, nestes casos específicos, não acredito que esteja “jogando pedras” em Israel para agradar quem quer que seja. Escrevo porque vivo aqui. Escrevo porque me importo. Escrevo porque tenho receio. E escrevo para alertar vocês judeus, sionistas,brasileiros de questões que podem ameaçar, tal qual o antissemitismo, a sobrevivencia de um Estado judeu que deseja continuar democrático. Poderia, é claro, estar discorrendo sobre as mais novas inovações israelenses, mas prefiro que estas informações cheguem até você através de nossas “magnificas campanhas de Hasbará”.

      Um grande abraço e chag sameach

    • Raul Gottlieb

      03/04/2015 at 15:58

      Olá Starec (tenho que te chamar assim porque tem muito Marcelo nesta discussão).

      Um ótimo Pessach para você e a família, que seja muito alegre e significativo.

      Concordo integralmente contigo quando você fala dos judeus que falam contra Israel para agradar a platéia. Isto me deixa muito p da vida também e eu confesso que em alguns destes momentos eu perco a fleugma (que já não é muito grande).

      Outro dia foi um querido amigo que me mandou um texto onde um “analista” palestino falava das políticas de apartheid em Israel. O palestino pode falar o que quiser, mas que o meu amigo ache o texto significativo me é completamente incompreensível.

      Depois um artigo no Globo onde o Rabino Bonder deu a entender que o slogan “uma terra sem povo para um povo sem terra” foi um lema sionista. Isto é uma falsidade, pois o sionismo nunca negou a presença e os direitos da população no território que viria a ser Israel. O tal lema é de evangélicos americanos.

      O Rabino Bonder é uma pessoa de grande conhecimento e sensibilidade. Ele com certeza leu o que Herzl, Achad Haam, Nordau, Buber e até mesmo Jabotinski falaram sobre a população árabe. Porque deu legitimidade à falácia que os judeus ignoraram a existência dos árabes? Isto também me é completamente incompreensível.

      Um grande abraço,
      Raul

  • Marcelo Starec

    03/04/2015 at 18:57

    Oi Marcelão,
    Muito obrigado pela resposta!…Quero só deixar muito claro aqui algumas colocações, para não ficar nenhuma dúvida a respeito: 1) Não me referi a você de nenhum modo, você mora aí e nos traz, assim como o restante da Equipe do Conexão, excelentes opiniões e visões a respeito de Israel, com os olhares de vocês e acho um excelente trabalho que só acrescenta a quem quer conhecer mais sobre Israel !…2) Também não me referi a judeus que participam da comunidade e tem opiniões diferentes sobre algumas questões. São ótimas pessoas, bem intencionadas, que as vezes gostariam de ver um Israel melhor, no modo deles de ver, mas tem todo o direito de expressar as suas opiniões e de sofrer eventualmente criticas também, como qualquer um, pois ninguém tem direito a “verdade absoluta”…3) Eu me referi, isto sim, a judeus que não moram em Israel e não tem nenhum interesse por Israel, mas tão somente em ter a “doce ilusão” de que se falar mal de Israel serão bem vistos e não falam isso por acreditarem que estão certos, mas por ser “IN” falar mal de Israel. O mesmo ocorre entre os demais brasileiros…Há os antissemitas, claro, mas há também e em muito maior número os mal informados que estão tão habituados a falar e ouvir falar mal de Israel que, por mera falta de esclarecimento, quando alguém fala algo bom do País ficam até desconcertados, já que infelizmente, no Brasil e na maior parte do mundo, é em regra (tem exceções é claro!) politicamente correto falar mal de Israel, por qualquer motivo, real ou absurdo, por mera falta de informações sem viés sobre aspectos básicos da realidade do País,

    Chag Pessach Sameach,
    Um grande abraço,
    Marcelo.

  • Mario S Nusbaum

    04/04/2015 at 02:57

    Antes mais nada acho importante dizer que sou totalmente contra os assentamentos e acho a política de PR de Israel, se é que existe, péssima.

    Passemos ao texto. Pessoalmente me situo bem a direita na economia e bem a esquerda nas liberdades individuais. Recentemente li um artigo onde um americano dizia que pessoas assim devem votar nos republicanos, porque avanços sociais são inevitáveis, não dependem dos governos, mas modelos econômicos não são e dependem do governo.

    Sei que as diferenças são imensas, mas me lembrei disso ao ler o que você escreveu. Se houver uma REAL possibilidade de acordo com os palestinos nenhum governo israelense vai conseguir evita-lo.

    “tomar difíceis decisões que possam garantir a retomada das negociações. E para isso não precisamos da “paz real e utópica” e nem da contra-partida palestina.” Como assim não precisamos da contra-partida palestina? Você por acaso acha que se Israel se retirar de todos os territórios ocupados eles não terão, cinco minutos depois, uma lista de exigências adicionais? Não sei se foi divulgado em Israel, mas um grupo humorístico libanês fez um número sobre algo óbvio: que a ocupação das tais fazendas de Sheba por Israel é um mero pretexto. No programa eles simulam uma entrevista com um líder do grupo terrorista e perguntam se eles se desarmariam caso Israel se retirasse. A resposta foi (vou errar em alguns detalhes sem importância): não, depois iremos lutar para retomar um apartamento de uma senhora árabe em Detroit tomado pelo vizinho sionista Depois do programa as SAs hezbolianas sairam às ruas, promoveram um quebra-quebra e o programa foi suspenso. Por que acreditar que o Abbas ou quem estiver no seu lugar vai querer começar a trabalhar em vez de passear pelo mundo como um herói, defensor dos fracos e oprimidos e recebendo sacos e mais sacos de dinheiro? Quando o Arafat recebeu a oferta de praticamente tudo o que DIZIA querer, fugiu correndo. De um documento do Paz Agora: “É um delegado palestino, presente ao encontro de Taba, que recorda. “Quando tomei conhecimento desse documento, em 23 de janeiro, fiquei dividido entre dois sentimentos: a alegria deste avanço significativo nas negociações e a tristeza, pois estava convencido que já era tarde demais.”

Você é humano? *