Abbas ainda é a liderança palestina que pode derrotar os extremismos

25/06/2014 | Conflito

Conforme  já discutido por alguns colegas do Conexão, poderíamos desenvolver diversas teses sobre de quem seria a culpa pelo sequestro dos três jovens israelenses quando pegavam carona em um cruzamento na região do bloco de assentamentos chamado Gush Etzion. Cabe notar que o sequestro ocorreu 15km ao sul de Jerusalém, dentro da área C, ou seja, controle administrativo e militar israelenses.

Contudo, quase todas as teses poderiam ser desfeitas se não vivêssemos com a realidade da ocupação. Podemos dizer que sem a ocupação o sequestro nao teria acontecido? Não, não poderíamos.  O governo israelense acusou imediatamente o Hamas pelo acontecido sem, até hoje, apresentar provas do envolvimento do grupo terrorista. A suspeita não se confirma  e apesar da prisão de mais de 200 membros dessa organização, não ha nenhum sinal de onde os meninos se encontram.

Assim, podemos dizer que a culpa do sequestro é do extremismo. O extremismo palestino de grupos fundamentalistas que acham que a forma mais eficaz de acabar com a ocupação é através da violência. Mas também do extremismo israelense, que quer manter a ocupação e que se recusa a negociar com as lideranças palestinas, que vêem a diplomacia como a via correta de se acabar com o conflito.

Mas para que serve apontar culpado? Águas passadas não movem moinho.

A história que mais se repete em mais de 100 anos de conflito são as inúmeras tentativas de culpar sempre um lado e achar um bandido e um mocinho para os eventos. Não podemos mais repetir esses erros. Chega. Basta.

Após o sequestro, Abu Mazen faz um discurso em árabe que nunca havia sido feito anteriormente por um líder palestino. Clama pela libertação dos meninos e diz que eles são seres humanos, como todos nós. Qual a resposta do governo de Israel a esse discurso? Nenhuma. Bibi disse que após o final da operação irá avaliar a atuação da Autoridade Palestina e então ver se é possível voltar às negociações. Bibi mantém a sua postura arrogante de não negociar com quem está disposto a conversar e não utilizar armas.

Derrotar o extremismo e o fundamentalismo é tarefa de todos que querem viver em um mundo melhor, com menos violência. Derrotar o extremismo é fortalecer quem defende direitos humanos, quem entende que a violência não vai levar a lugar nenhum.  

Porém a derrota do extremismo vem acompanhada e anda lado a lado com o fim da ocupação. A política de ocupação, extremismo e intolerância, caminham juntas, são parasitas, ou seja, se alimentam uma da outra.

A única forma de se aventar o fim de agressões do lado palestino é acabar com a agressão da ocupação israelense e possibilitar que o povo palestino busque a sua liberdade através da emancipação nacional, como os judeus vêm buscando desde 1948.

Comentários    ( 43 )

43 comentários para “Abbas ainda é a liderança palestina que pode derrotar os extremismos”

  • Michel Nigri

    25/06/2014 at 22:50

    Tá ruim demais !!!

    Me sinto envergonhado de ler isso ! Quer dizer que os sequestrados são culpados pelo fato de estarem em Gush… Que vergonha !!!

    Por que não mudar o nome desse Blog? Deveria se chamar “Conexão Palestina”…

    Aliás, melhor não… Os palestinos não merecem ser ligados com esse discurso absurdo!

    • Marcos Gorinstein

      26/06/2014 at 22:11

      Olá Michel,

      Obrigado pelo seu comentário. Bom, gostaria de perguntar onde está escrito no texto que os culpados pelo sequestro são os garoto? Qual discurso absurdo que não pode ser ligado aos palestinos? Não entendi.

    • Raul Gottlieb

      27/06/2014 at 00:11

      Para o Michel e todos os demais que não concordam com as opiniões do Marcos, anexo o artigo abaixo escrito por um Palestino que sabe das coisas por vivência própria e não por ouvir falar.

      http://www.gatestoneinstitute.org/4376/palestinians-kidnapped-israelis

      Lava a alma, não é? O autor não faz como alguns de nós que ao se defrontar com um árabe cometendo uma atrocidade se pergunta “o que eu fiz de errado que o levou a se levantar contra mim?”. Ele aponta o dedo acusador para quem ele sabe ser o culpado.

      Quanto ao Marcos, leia também. Quem sabe ajuda um tiquinho a enxergar melhor o outro lado.

      Não deixem de ler!

    • Marcos Gorinstein

      29/06/2014 at 13:05

      Raul,
      É sempre um prazer debater com você. Ainda mais porque você adora jogar a discussão para a platéia, em vez de buscar argumentos interessantes. Da mesma forma como você fez em um outro post meu, quando o Marc Abelha criticou e você entoou o grito da torcida exigindo a minha tréplica. A tréplica veio e não vi nenhum comentário seu sobre a mesma. Agora você conclama aos que discordam de mim a ler esse depoimento de um palestino que critica o Hamas e o terrorismo pela ocupação e culpa o governo de Abbas a se aliar em um governo com o grupo terrorista.

      Lavou a sua alma, né? Respirou aliviado?

      Vamos lá…..

      Entrei no site do instituto em questão. Quadro editorial. Procurei informações sobre os envolvidos. Um pior que o outro. Os perfis são interessantíssimos. Separei dois pra você. Como o Michel, que escreveu que se sentiu envergonhado ao ler o meu texto (eu não conseguir enter o motivo até agora) eu também senti vergonha por você ter utlizado textos dessas fontes.

      Nina Rosenwald (presidente to Instituto) is founder of the Gatestone Institute—a New York-based offshoot of the neoconservative Hudson Institute—and an important funder of a panoply of right-wing “pro-Israel” and anti-Islamic organizations. Dubbed the “Sugar Mama of Anti-Muslim Hate” by journalist Max Blumenthal, Rosenwald is an heir to the Sears Roebuck fortune, a co-chair of the board at the equity firm American Securities Management, and vice president of the William Rosenwald Family Fund, which has donated enormous sums to conservative causes. http://rightweb.irc-online.org/profile/rosenwald_nina

      M. Zuhdi Jasser – Mr. Jasser said his group has also received a one-time, unsolicited donation of $10,000 from the Clarion Fund, which is associated with Aish HaTorah, a right-wing Israeli group described by Jeffrey Goldberg of The Atlantic as “just about the most fundamentalist movement in Judaism today.” http://en.wikipedia.org/wiki/Zuhdi_Jasser

      Os outros envolvidos no quadro editorial seguem a mesma linha. REPUBLICANOS!!!!! São todos Republicanos, Raul. Deixe isso claro.

      Como também são Republicanos os envolvidos na pesquisa (e o próprio instituto) que você apresentou sobre a posição dos palestinos quanto aos dois Estados.

      Você realmente acha que os republicanos têm as melhores soluções para o mundo (e para o Oriente Médio)? Só a título de lembrança….

      Os Republicanos forjaram uma guerra contra o Iraque e hoje vemos o seu resultado. Os republicanos invadiram o Afeganistão para pegar o Bin Laden e vimos no que deu (e ninguém nunca viu o Bin Laden morto). Os republicanos deram total apoio à política de Sharon de sair unilateralmente de Gaza e estamos aí, recebendo mísseis constantemente.

      Você ainda acha que os republicanos podem trazer algo de positivo para o debate.

      Raul, você precisa rever os seus conceitos.

    • Raul Gottlieb

      30/06/2014 at 10:09

      Querido Marcos,

      Parece-me que você desqualificou o texto que indiquei por defeito de origem. Como você não compartilha dos valores do Gatestone, tudo o que eles publicam é, a teu ver, inválido e portanto não deve ser considerado.

      Só me resta dizer que você está empobrecendo a tua vida com esta atitude.

      E que eu agradeço por você ter vergonha pelos meus pensamentos e pelos meus atos. Não era preciso, mas é inegável que isto é uma demonstração de carinho.

      Abraço, Raul

    • Marcos Gorinstein

      02/07/2014 at 02:54

      Oi Raul,

      Eu não desqualifico o artigo por defeito de origem. É uma descrição da visão republicana de mundo, da qual eu nao partilho. Não é que não deva ser considerado, mas eu não concordo com a linha política. É isso.

      Abs

    • Mario S Nusbaum

      30/06/2014 at 15:50

      Marcos, não vou me meter na sua guerrinha com o Raul, com o qual tendo a concordar, mas tenho que perguntar: sejam os responsáveis pelo site republicanos, democratas, anarquistas ou monarquistas, por um acaso não é verdade que:

      “You cannot be running TV, social media and newspapers encouraging terror and the murdering of Jews and then claim you are innocent when acts of terror happen.”

      “The PA is now officially united with Hamas, a terror organization that pledges to destroy a sovereign nation and establish a Muslim caliphate. Financing the PA is therefore financing terrorism. PA terror has become a major industry.”

      “Can we Palestinians blame Israel when the wall never existed before Hamas and the PLO started launching terror attacks on Israel on a daily basis?”

      “Instead of financing the PA leaders’ lavish lifestyles, the world should start questioning the PA’s institutionalized incitement of terror and hatred to my people which they do every day through media, education and religious institutions. For the sake of both Israel and the Palestinians, it is not Israel but the PA that should be boycotted.”

      “Most people are mad at those who kidnapped the kids. When they commit such acts, we rejoice, celebrate for Israel’s suffering, then sit down and worry if we will be allowed into Israel for work and medical treatment. This has to stop, for our own sake.” Palestinian businessman”

      Acho que já deu para entender o meu ponto de vista. Shot the messenger nunca foi uma política sábia.

  • Marcelo Treistman

    26/06/2014 at 01:37

    Marcos,

    A Culpa pelo sequestro dos adolescentes recai única e exclusivamente sobre os terroristas palestinos. Ponto final.

    A sua conjução aditiva “mas também” que condena a ocupação na mesma frase em que você critica o terrorismo palestino não deveria existir.

    Qualquer tentativa de atribuir a escolha pelo terrorismo à ocupação de territórios é minimizar a escolha individual pela terror como forma de luta política.

    Ao equiparar “ocupação” a “terrorismo” você comete um crime contra o humanismo que você defende com tanta força. Você deseduca o seu leitor.

    Se a ocupação israelense é capaz de “influenciar” no terror palestino – logicamente – a ocupação israelense é capaz de “influenciar” no amor palestino. Se a ocupação de territórios influencia as organizações terroristas palestinas na escolha pelo terrorismo, a ocupação de territórios necessariamente influenciaria as organizações pacifistas palestinas, não?

    Se a ocupação influencia no dia a dia dos palestinos e os levam a cometer crimes, a ocupação também influencia no dia a dia dos palestinos que praticam uma boa-ação (Todo jovem palestino que ajuda um idoso a atravessar a rua é influenciado pela ocupação, correto?).

    Entretanto, se você acha que a escolha pelo discurso moderado e pela luta pacifista presente na sociedade palestina e a ajuda a um idoso na hora de atravessar a rua é uma escolha individual de certos indivíduos (ainda que exista a ocupação), por que a escolha pelo terrorismo seria uma “influência” da ocupação e não uma escolha individual de certos indivíduos pelo terror?

    E vou além: Se a ocupação influencia tanto o “terror” como o “amor” nos territórios, se a ocupação influencia tanto o terrorismo como as boas ações palestinas, por que escolher ressaltar em seu artigo apenas o “lado ruim” da ocupação israelense? A influencia negativa é maior do que a influencia positiva? Como você sabe? Como essa influencia é medida?

    Eu acredito que você, como um formador de opinião, deveria concentrar a sua crítica no erro moral de certas escolhas individuais e grupais. O terrorismo (que é anterior a ocupação) é uma delas.

    É nosso dever moral apontar o que é certo e o que é errado.

    Eu tenho certeza que nós veremos Israel sair dos territórios. E tenho certeza que não veremos o fim do terrorismo islâmico.

    De resto, reconheço a importância no discurso realizado pelo Abbas realizado perante a liga árabe em que ele se iguala (ele, um árabe) a um judeu. “Somos todos seres Humanos”, ele disse.

    Salvo engano, foi a primeira vez que um líder palestino do local de onde partiu a conduta criminosa, condenou duramente um ato terrorista em árabe para um público árabe. Fato relevante e que é solenemente ignorado pelo governo israelense.

    • Marcos Gorinstein

      27/06/2014 at 19:25

      Marcelão,

      Não concordo com você em seu argumento de que a culpa é única e exclusivamente dos terroristas. E também não acho correto o exemplo que você usou como a influência da ocupação no amor. Vamos por esses dois pontos.

      É muito complicado fazermos uma análise de fenômenos sociais culpando o indivíduo pela sua decisão e ponto final. O indivíduo toma uma decisão, contudo, analisá-la ou julgá-la sem levar em conta tudo que cerca essa decisão é muito ruim. O homem é produto do meio em que ele vive, suas decisões são baseadas em experiências constantes. Esse método de análise social é fundamental quando se pretende construir qualquer estratégia política.

      O terrorismo é uma tática utilizada para se atingir um objetivo maior. Nenhum de nós concorda que o terrorismo resolve alguma coisa. O Hamas utiliza o terrorismo com o objetivo de acabar com Israel. Assim, é de fundamental importância se entender o terrorismo. Como deixei claro no texto, a ocupação tem influência direta na decisão de determinados atores de adotar o terrorismo como tática. Vale realmente ver o filme “As Crianças de Arna”. Tantos outros também.

      Quanto ao seu argumento sobre a influência da ocupação no pacifista ou na decisão de se fazer uma boa ação. Meu caro são duas esferas completamente diferentes. É uma comparação infeliz. Você está comparando a adoção de uma “tática de guerra” com uma simples boa ação cotidiana. O pacifista não vê no idoso atravessando a rua como o problema que o impede de ter uma vida normal. Ele vê isso na ocupação, ele sofre isso com a ocupação. Além disso, tudo vai em função do próprio indivíduo e da influência do ocupação em sua vida.

      Como não concordo com a comparação que você fez sobre a influência no “terror” e no “amor”, vou deixar pra você apontar a influência positiva da ocupação no povo palestino. Não vou pedir pra você dar mais de 3 exemplos.

      Porém, um dos principais “benefícios” dessa forma de análise é entender o seu processo para construir políticas diferentes. Entender a influência da ocupação nas vidas e decisões dos palestinos (e israelenses) é a única forma de se avançar na construção de parceiros para paz e na opinião popular palestina.

      Como também escrevi no texto, não acho que o terrorismo vai acabar com o fim da ocupação, mas isso não quer dizer que a ocupação não influencia no terror.

      Meu papel como formador de opinião é fazer uma análise política ampla, avaliando diversos atores e suas ações. Focar em moral não só esconde como destorce a realidade em que vivemos. Isso passa do limite aceitável de conservadorismo e reacionarismo.

    • Marcelo Treistman

      28/06/2014 at 10:58

      Marcos, você não entendeu absolutamente nada. Tentarei explicar de outra forma.

      Eu tenho um conhecido próximo que pode ser considerado de extrema-direita na política israelense. Ele é daquele tipo que acredita fielmente que a única solução para a questão palestina se resolveria com a aniquilação daquela sociedade. Uma vez ele escreveu um artigo analisando o conflito. Ele disse:

      “Assim, podemos dizer que a culpa da ocupação é do terrorismo. O extremismo palestino de grupos fundamentalistas que acham que a forma mais eficaz de acabar com o Estado de Israel é através da violência. O extremismo israelense, que quer manter a ocupação e que se recusa a negociar com as lideranças palestinas, é o resultado da influência direta dos anos de conflito, do terror e de lideranças palestinas pouco confiáveis.”

      Eu fiz um comentário no artigo dele, tentando lhe explicar que a “culpa pela ocupação” é de quem ocupa. Sabe o que ele me respondeu. Copio trecho abaixo:

      A ocupação é uma tática utilizada para se atingir um objetivo maior. Nenhum de nós concorda que a ocupação resolve alguma coisa. O governo israelense utiliza a ocupação com o objetivo de acabar com o sonho daqueles que almejam destruir Israel. Assim, é de fundamental importância se entender a ocupação. Como deixei claro no texto, o terror sofrido por Israel tem influência direta na decisão de determinados atores de adotar a ocupação como tática. Vale realmente ver o filme “Mishtar HaChok”. Tantos outros também.

      Um dos principais “benefícios” dessa forma de análise é entender o seu processo para construir políticas diferentes. Entender a influência do terror nas vidas e decisões dos israelenses (e palestinos) é a única forma de se avançar na construção de parceiros para paz e na opinião popular israelense.”

      Não é curioso Marcos…? Não te lembra o texto de alguém?

      Eu ainda tentei argumentar com ele, tentando fazer ele enxergar que – embora exista o terror islâmico – há diversas pessoas na sociedade israelense que desejam o fim da ocupação como o resultado de uma escolha moral. Que a sua (dele) análise das “influências do terrorismo” na escolha israelense pela ocupação deseducava o seu (dele) leitor. Que era a sua obrigação moral deixar claro que a CULPA pela ocupação é do agente que ocupa. A culpa da ocupação recai única e exclusivamente na parcela da sociedade israelense que apoia esta conduta imoral.

      O meu amigo de extrema-direita não se deu por vencido. Ele estuda Ciências Sociais e me respondeu o seguinte:

      “É muito complicado fazermos uma análise de fenômenos sociais culpando o indivíduo pela sua decisão e ponto final. O indivíduo toma uma decisão, contudo, analisá-la ou julgá-la sem levar em conta tudo que cerca essa decisão é muito ruim. O homem é produto do meio em que ele vive, suas decisões são baseadas em experiências constantes. Esse método de análise social é fundamental quando se pretende construir qualquer estratégia política.”

      Focar em moral não só esconde como destorce a realidade em que vivemos. Isso passa do limite aceitável de conservadorismo e reacionarismo.”

      Pois é… Eu acho que ele está errado. Tenho certeza que é extremamente necessário culpar o indivíduo pela sua decisão. E ponto final. Como eu consegui demonstrar a ele, ainda que exista o terrorismo, há no lado israelense uma considerável massa de indivíduos que deseja a paz e o fim da ocupação. E esta parcela da sociedade também é influenciada – cotidianamente – pelo terror islâmico.

      Analisar a “influência do terrorismo islâmico na decisão pela ocupação” não ajuda em absolutamente nada, porque está mais do que claro que o terrorismo islâmico não foi capaz de comprometer a escolha moral daqueles que exigem a saída imediata dos territórios.

      A única forma de se avançar na construção de parceiros para paz é apontar os culpados por decisões imorais. A análise da “Influência por Influência” é equivalente a zero, uma vez que somos todos atingidos pelo terror. Ele está completamente equivocado em acreditar que o homem “é produto do meio em que ele vive“.

      O Homem e consequentemente a sociedade em que ele vive, é produto de suas decisões e escolhas morais. Ainda que exista a influência “do meio”, o que sobra no final das contas é a escolha final do indivíduo. E, para escolher o certo, Marquinhos, é necessário que se aponte o dedo acusador ao que é moralmente errado.

      O que você acha? Quem está certo – eu ou o meu amigo de extrema-direita?

    • Marcos Gorinstein

      29/06/2014 at 11:37

      Marcelão,

      Você é um provocador barato!!!! ehehehehehehe. Será que ao modificar meu texto e adaptá-lo a um suposto discurso de extrema direita, você estaria me chamando de extrema esquerda??? 🙂

      Eu entendi o que você escreveu no seu comentário anterior e você mudou um pouco o foco nesse agora. Você focou somente na questão da decisão do indivíduo.

      Eu não tenho como dizer que as pessoas não são responsáveis pelos seus atos. Claro que são. Todos somos. Qualquer ato. Contudo, não podemos deixar de avaliar tudo o que envolve a vida do ser humano e o que o leva a tomar determinadas soluções. É um erro não fazer essa análise. É o ápice do reacionarismo, cara. O homem é, sim, produto do meio em que ele vive. Negar isso é negar a si mesmo.

      É claro também que o terrorismo influencia na ocupação. Nunca disse o contrário. Toda ação gera uma reação. Mas a questão é simples: vamos avançar ou não? E é somente isso que eu proponho. Avancemos e terminemos a ocupação.

      Abs

    • Marcelo Treistman

      29/06/2014 at 12:21

      Provocador Barato?
      De jeito nenhum… Eu apenas coloquei os seus argumetos na boca de um militante de extrema-direita israelense. É impressionante como os agumentos se adequam a ambos os lados, não?

      É claro que devemos avançar. Eu só quis te mostrar que “analisar a influência” é igual para os dois lados – você pode dizer que a ocupação influencia o terror da mesma forma que o terror influencia a ocupação. E daí??? O resultado prático desta análise para o “avanço” do processo de paz é nula, zero, efes… tendo em vista que o fator mais importante é identificar a escolha individual (e escolha grupal) que surge desta influência.

      Espero que em seu próximo artigo você não se esqueça de lançar o seu dedo acusador naqueles que escolhem utilizar o terror como forma de estratégia política da mesma forma que você o faz com aqueles que escolheram ocupar um território que não lhes pertencem.

      O erro moral do terrorismo é uma escolha individual daqueles que optaram pelo terror. Ponto final.
      o erro moral da ocupação é uma escolha individual daqueles que optaram em ocupar. Ponto final.

      Abraços

    • Marcos Gorinstein

      29/06/2014 at 13:11

      Marcelão,

      Em nenhum momento eu defendo o terrorismo e você tem que deixar isso claro nos seus comentários.

      É claro que os argumentos se encaixam pra direita ou pra esquerda. Não estamos fazendo a discussão sobre política é sobre método de análise. A direita também pode fazer uma análise acurada da sua realidade sem colocar a culpa no indivíduo.

      Acusar o indivíduo e ponto final, como você denfende, também pode ser feito pela esquerda ou pela direita. Não importa. Pra mim , isso é errado, é reacionário, conservador. Eu não concordo com isso.

      Vou sempre buscar a raiz do problema e a partir dela, buscar soluções. Caso o contrário, o problema nunca poderá ter uma chance de ser resolvido.

      Abs

    • Marcelo Treistman

      29/06/2014 at 13:52

      Este é exatamente o ponto:

      A “raiz do problema” está na escolha individual (grupal) que opta pelo terror ou pela ocupação como uma estratégia política.

      Como ficou comprovado em nossa troca de mensagens a “influência do terrorismo cotidiano” também atinge a parcela da população isralense que critica a ocupação. Assim como a “influência da ocupação” também atinge a parcela da população palestina que opta pelo discurso moderado.

      Portanto, a sua “análise das influências para certas condutas” não valem rigorosamente nada. E muito pior: deseducam o leitor, porque faz parecer que a responsabilidade pelo ato criminoso pode ser mitigado pelo “meio que o influencia”… Aí não dá Marquinhos… Se o “meio” é igual (tanto para o “terror”, quanto para o “amor”) o que deve ser analisado é a conduta individual e escolha moral que alguns indivíduos exercem sob qualquer influência.

      A única forma de avançar no processo de paz e buscar uma forma de resolver o problema é apontar o dedo acusador na cara daqueles que “influenciados pelo meio” fizeram/fazem uma escolha moralmente errada.

      Ponto final.

      Infelizmente, você não faz isso no seu artigo.

    • Marcos Gorinstein

      29/06/2014 at 14:10

      Não, Marcelão. A raiz do problema não está no fenômeno, e sim na essência.

      Tudo, absolutamente tudo, influencia na nossa vida cotidiana. Culpar um indivíduo sem se enteder o motivo não resolve nada, porque você não resolve a causa no problema.

      A única forma de avançar no processo de paz e buscar uma forma de resolver o problema é apontar o dedo na causa do problema para buscar resolvê-la. Qualquer coisa diferente disso, só vai continuar a política de acusação de ambos os lados e nada será resolvido.

      Ponto final.

      Não faço o que você diz ser o certo a se fazer, simplesmente porque não concordo com você! Para mim, você está errado!

    • Marcelo Treistman

      29/06/2014 at 14:30

      Então Marcos, eu nem vou me dar o trabalho de lhe responder a altura. Sabe por que?

      Porque eu sei que tudo o que você escreve, tudo o que você resolveu deixar registrado neste site, não faz parte de sua escolha individual… Você foi influenciado pelo “meio” a escrever o que escreve, a pensar o que pensa… Portanto, o seu pensamento só pode ser fruto da influência de “terceiros”, jamais uma decisão fruto de uma escolha individual…

      Em tempo: se a análise do conflito sem a identificação das “influências” só contribuirá para “continuar a política de acusação de ambos os lados“, então, por favor, nos ilumine:

      O terrorismo existe por causa da ocupação ou a ocupação existe por causa do terrorismo?

      Então, daqui a 300 anos, quando você terminar de analisar as influências sobre cada uma das escolhas moralmente condenáveis acima, poderemos avançar.

      Comece a condenar fortemente a escolha individual (moralmente condenável) ainda que exista um “meio de influência” para estas condutas e você estará mais próximo da solução do conflito.

      O homem é produto do meio que ele vive + ESCOLHAS INDIVIDUAIS.
      O que deve ser analisado (com muito mais força) é a escolha individual em meio a todas influências, uma vez que o MEIO é igual para terroristas e pacifistas, para aqueles que ocupam e para aqueles que criticam a ocupação. O que difere, meu caro, é a opção individual (grupal) em meio a tantas influências.

      Ficou claro?

    • Raul Gottlieb

      30/06/2014 at 10:13

      Acabar com a ocupação é um avanço na direção de termos outra Gaza na fronteira. Não admira que os Israelenses não estejam dispostos a fazer isto, não é mesmo?

    • Marcos Gorinstein

      02/07/2014 at 02:57

      Raul,

      As pesquisas já referidas mostram o contrário do seu argumento. A formação da coalizão, também. Se os partidos que são contra a ocupação saírem da coalizão, o governo cai. O receio é grande realmente, mas a única forma de resolver isso é negociando.

      Abs

    • Raul Gottlieb

      28/06/2014 at 13:21

      Caro Marcos,

      A tua argumentação nos leva a um atoleiro sem fim e decreta o fim da moral. Se é verdade que “É muito complicado fazermos uma análise de fenômenos sociais culpando o indivíduo pela sua decisão e ponto final. O indivíduo toma uma decisão, contudo, analisá-la ou julgá-la sem levar em conta tudo que cerca essa decisão é muito ruim. ” então a ocupação está justificada por milênios de perseguição, o terrorismo pela desesperança de uma sociedade que se auto mutila e a pedofilia por inexplicáveis urgências da natureza.

      O que a teoria que você expõe não explica e nunca vai explicar é como duas pessoas do mesmo entorno social tomam decisões completamente diferentes face à mesma situação.

      Porque a Raimunda resolve comprar uma casinha com escritura e RGI em Rio Bonito (40 km do Rio) e a Manuela resolve, pagando o mesmo valor, comprar um barraco invadido na Rocinha. Porque a Raimunda resolve pagar sua conta de água, gás, energia elétrica para as respectivas companhias fornecedoras e Manuela paga o mesmo valor por estes serviços para os traficantes que roubam (e ela sabe disso) das companhias fornecedoras. Ambas vêm do Maranhão, tem a mesma idade, estudaram (frequentaram seria mais preciso) no mesmo falido sistema de ensino e se casaram aos 15-16 anos de idade com maridos que as largaram quatro anos depois com 3 e 2 filhos respectivamente. Resolveram vir ao Rio tentar a sorte e se empregaram aqui como faxineiras. O exemplo que eu estou citando se baseia em pessoas que eu conheço, não é inventado.

      A teoria que você expõe não explica porque os extremistas judeus fazem shivá simbólica para a filha que casa fora da comunidade e os extremistas árabes induzem a família a estrangular estas meninas. Afinal de contas em algum ponto no passado remoto o ser humano vivia num pequeno grupo gregário que sofreu a mesma experiência. Como derivamos todos do mesmo núcleo deveríamos todos ter os mesmos conceitos morais, não é mesmo?

      A teoria que você expõe, além de não explicar porque duas pessoas do mesmo entorno tomam decisões diferentes (e porque não existem milhões de Einsteins e milhões de Hitlers), condena o ser humano a ser um autômato desprovido de vontade própria, um escravo do meio social, uma pessoa eternamente manipulada, incapaz de ser vil ou sublime, um ser anódino e robotizado.

      Eu poderia xingar você do que bem entendesse e você nem ao menos poderia reclamar comigo, pois, veja bem, eu sou apenas o fruto das minhas leituras, do meu berço e da comunidade que me abraça – reclame com eles! Quanto ao Marcelo, este pode falar qualquer bobagem, afinal de contas ele é Vascaíno e como tal merece compaixão eterna.

      E, finalmente, torna a leitura dos teus pensamentos um exercício fútil, visto os teus pensamentos não serem teus, mas do meio que te criou. Você passa a ser um nome a mais e não uma pessoa única, interessante, instigante.

      Triste mundo este em que você propõe, meu amigo. Saia dele o quanto antes!

      Abraço, Raul

  • Marcelo Starec

    26/06/2014 at 03:49

    Marcos,

    Gostaria de dar ênfase a um aspecto do seu artigo, para uma reflexão. Veja: o Presidente da Autoridade Palestina afirma que os 3 meninos judeus também são seres humanos, assim como ele e merecem ser tratados como tal. Isso é algo tão fantástico assim? Tudo bem, concordo contigo que comparado com esses extremistas islâmicos, que simplesmente não aceitam que você exista ou na melhor das hipóteses poderia “conceder” o seu direito a existir, como um “dhimmy”, até é algo a ser celebrado. Mas voltando, entendo que quem almeja realmente a paz precisa demonstrar mais do que reconhecer 3 meninos judeus como seres humanos…É um passo na direção correta, é verdade e nisso eu concordo contigo! Mas também é pouco para se dizer, hoje, que ele é o “cara”. Ainda falta muito para isso e eu de coração espero que você esteja certo, mas vá com calma!
    Abraço,
    Marcelo.

    • Marcos Gorinstein

      27/06/2014 at 19:32

      Olá Marcelo,

      Obrigado pela sua participação.

      Como o Marcelo Treistman colocou no comentário dele, essa foi a primeira vez que uma liderança palestina deu uma declaração em árabe igualando judeus e árabes. Dizer que todos somos seres humanos é básico, claro, mas é essencial que tenha sido dito. Ele condenou o sequestro.

      O Abu Mazen tem dado muitos exemplos de que é um parceiro para a paz. Ele tem buscado a diplomacia e negociações para construir o Estado Palestino. Essa é a tecla que eu venho batendo em meus textos. É fundamental que o governo de Israel o fortaleça.

      Abs

    • Raul Gottlieb

      29/06/2014 at 10:31

      Sensacional, não Marcos?

      Depois de 100 anos uma liderança Palestina finalmente declarou que somos humanos!

      Seremos eternamente gratos!!!

    • Marcos Gorinstein

      29/06/2014 at 11:02

      Raul,

      O seu sarcasmo só demonstra a sua instransigência e a dificuldade em admitir e ver passos importantes em um conflito onde cada discurso é de fundamental importância.

      Abs

    • Raul Gottlieb

      30/06/2014 at 10:16

      Desculpe o sarcasmo, Marcos.

      Mas me parece evidente que o discurso (qualquer um) tem que ser seguido de uma correspondente ação prática e nada aconteceu de concreto.

      Se o Abbas é contra o sequestro porque ele não prende os perpetradores?

    • Marcos Gorinstein

      02/07/2014 at 03:02

      Raul,

      O a Autoridade Palestina colaborou com as buscas e por isso foi acusada de traição pelos radicais. É possível que a inteligência israelense tenha mais informações que o Fatah.

      Abs

  • Mario S Nusbaum

    26/06/2014 at 16:00

    “Mas também do extremismo israelense, que quer manter a ocupação”
    Sou contra os assentamentos, a ocupação é outra história, consequência de uma guerra, e muito longe de ser caso único.
    A Alemanha e o Japão pós II Guerra foram ocupadas, certo Marcos? O que você acha que teria acontecido se os dois países mantivessem uma política cujo objetivo fosse destruir URSS, Inglaterra e EUA?

    “e que se recusa a negociar com as lideranças palestinas, que vêem a diplomacia como a via correta de se acabar com o conflito.”
    O que oferecer a mais do que foi oferecido em Taba Marcos?
    Insanidade é fazer as coisas sempre do mesmo jeito e esperar resultados diferentes .
    Albert Eistein

    • Marcos Gorinstein

      27/06/2014 at 19:49

      Olá Mario,

      Seja bem vindo.

      Você é contra a construção de assentamentos mas é a favor da ocupação? Você pode explicar isso melhor?

      Sim, quase sempre os países e territórios que perdem uma guerra e são conquistados passam por um processo de ocupação. Você deu o exemplo da Alemanha e do Japão. Eu te dou até exemplos mais recentes: Iraque, Afeganistão. Contudo, em todos os exemplos (a Alemanha Oriental foi um processo diferente) as ocupações são acompanhadas de um processo de transferência de poder para a população local (em geral a classe dominante) e a ocupação acaba.

      No caso de Israel isso já durou tempo demais. A ocupação é um mal na sociedade israelense. É fundamental, para nós israelenses, que a ocupação acabe.

      E assim, depois de 47 anos de ocupação, eu cito:
      “Insanidade é fazer as coisas sempre do mesmo jeito e esperar resultados diferentes”
      Albert Einstein

    • Mario S Nusbaum

      30/06/2014 at 16:36

      “Você é contra a construção de assentamentos mas é a favor da ocupação? Você pode explicar isso melhor?”
      Claro que sim. Começo pelo aspecto legal da questão: ocupações são permitidas pelas leis de guerra, assentamentos não.
      E mais importante ainda, na remota hipótese de que se chegue a um acordo, é muito fácil ordenar a retirada de militares, mas muito difícil a de milhares de famílias.

      “Contudo, em todos os exemplos (a Alemanha Oriental foi um processo diferente) as ocupações são acompanhadas de um processo de transferência de poder para a população local (em geral a classe dominante) e a ocupação acaba.”
      Verdade, mas você omitiu o outro lado da questão. Não me consta que enquanto ela durou alemães explodiam ônibus e cafés em NY ou Londres. Nunca ouvi falar em bebês americanos terem suas cabeças esmigalhadas por alemães. Ou seja, primeiro o ocupado abre mão de atacar o ocupador.
      Você por um acaso acha que os americanos iriam assistir passivamente suas crianças sendo assassinadas por alemães?

      “No caso de Israel isso já durou tempo demais. A ocupação é um mal na sociedade israelense. É fundamental, para nós israelenses, que a ocupação acabe.”
      Totalmente de acordo Marcos, mas infelizmente não depende só de Israel. Quimioterapia é um mal, mas muito pior é interrompe-la prematuramente.

      E assim, depois de 47 anos de ocupação, eu cito:
      “Insanidade é fazer as coisas sempre do mesmo jeito e esperar resultados diferentes”
      Albert Einstein
      touchê!

  • Mario S Nusbaum

    26/06/2014 at 16:09

    “Mas para que serve apontar culpado? Águas passadas não movem moinho.
    A história que mais se repete em mais de 100 anos de conflito são as inúmeras tentativas de culpar sempre um lado e achar um bandido e um mocinho para os eventos. Não podemos mais repetir esses erros. Chega. Basta.”
    Com isso eu concordo integralmente.

    “Após o sequestro, Abu Mazen faz um discurso em árabe que nunca havia sido feito anteriormente por um líder palestino. Clama pela libertação dos meninos e diz que eles são seres humanos, como todos nós. Qual a resposta do governo de Israel a esse discurso? Nenhuma. Bibi disse que após o final da operação irá avaliar a atuação da Autoridade Palestina e então ver se é possível voltar às negociações”
    Abbas não escondeu o motivo da “condenação”:

    “The truth is that whoever committed this act (the kidnapping) wants to destroy us… Because we cannot endure such actions; we cannot confront the State of Israel – neither militarily nor in any other way.”

    Lembrei de uma vez em que o Arafat, entre um ato terrorista e a reação israelense propôs conversar.

    • Marcos Gorinstein

      27/06/2014 at 20:50

      Olá novamente,

      Gostaria de entender aqui o motivo da sua crítica. O sequestro foi um golpe na política que o Abbas vinha encaminhando, sempre por vias diplomáticas.

      Abs

    • Mario S Nusbaum

      30/06/2014 at 16:27

      “Gostaria de entender aqui o motivo da sua crítica. ” Pois não Marcos, mas na verdade não se trata bem de uma crítica, e sim de interpretação. O que ele disse (como eu entendi, claro) foi: vocês não deviam ter feito isso, Israel vai reagir e é bem mais forte do que nós.
      Seria mais ou menos isso: eu e um amigo temos como objetivo assassinar, sei lá, o Mike Tyson. De repente o meu amigo vai e dá um murro na cara dele e eu lamento que ele vai reagir e passar a ficar em alerta contra nós.

  • Raul Gottlieb

    26/06/2014 at 20:33

    Marcos,

    A mais recente pesquisa de opinião conduzida na Cisjordânia e em Gaza desmente a tua definição de extremismo palestino.

    Veja que a resposta à pergunta: “O principal objetivo nacional para os Palestinos nos próximos cinco anos é …” teve as seguintes respostas:

    60% – conquistar a Palestina histórica, do rio [Jordão] ao mar [Mediterrâneo].

    27% – acabar com a ocupação na Cisjordânia e em Gaza e trabalhar por uma solução baseada em dois estados para dois povos.

    10% – trabalhar para a solução de um estado único, do rio ao mar, onde árabes e judeus tenham os mesmos direitos.

    3% – não sabem / querem responder.

    Fonte: http://www.washingtoninstitute.org/policy-analysis/view/new-palestinian-poll-shows-hardline-views-but-some-pragmatism-too

    Ou seja, a maioria dos Palestinos não aceita a existência de Israel. A destruição de Israel não é uma posição extremista entre os Palestinos, ela é main stream. Leia a pesquisa toda, ela é muito informativa.

    O Abbas fez um discurso bonito, que prova que quando ele quer sabe falar coisas que a gente gosta de escutar. Mas na prática não prova mais nada além disso, visto que o que está expresso naquele discurso não bate com a posição majoritária dos Palestinos ou dos Árabes. E ele foi muito criticado por aquele discurso.

    Cada vez que “eles” cometem uma atrocidade “nós” ficamos nos perguntando: “o que fizemos de errado? Onde falhamos a ponto de fazê-los cometer tamanha desumanidade?”.

    Você não acha, Marcos, que já está na hora de parar de jogar este joguinho e entender serenamente que a culpa pelas atrocidades é de quem as comete? E que elas emergem de uma cultura que as valoriza, as nutre e as inspira?

    Leia a pesquisa de novo: a destruição de Israel é o principal objetivo nacional para a 60% dos Palestinos.

    Quando este número chegar a 10% você pode começar a reclamar do primeiro ministro de Israel, dos colonos, da visão messiânica dos ortodoxos, da imobilidade do Fred e de outros agentes. Enquanto isto não acontecer, respeite a opinião dos Palestinos.

    Abraço, Raul

    • Mario S Nusbaum

      26/06/2014 at 22:32

      “O Abbas fez um discurso bonito, que prova que quando ele quer sabe falar coisas que a gente gosta de escutar.” Verdade Raul, mas em um ato falho, que eu citei acima, ele deixou claro o que realmente pensa:
      ” Because we cannot endure such actions; we cannot confront the State of Israel – neither militarily nor in any other way.”” Traduzindo: estou pouco me lixando por estes três judeus, o problema é que Israel vai reagir.

    • Marcos Gorinstein

      29/06/2014 at 10:58

      Mario,

      Quando vejo essa sua tendência de querer achar cabelo em casca de ovo, ou seja, de sempre querer achar vírgulas em discursos do Abbas e dizer que ele é contra a paz, me pergunto se é realmente ele que não quer a paz ou se é uma reação sua, que também não quer a paz só que é mais cômodo jogar a culpa pro outro lado.

      O mais interessante é que em todos os meus textos eu critio e apresento alternativas. Você só critica. Alternativas voce têm?

      Abs

    • Mario S Nusbaum

      30/06/2014 at 16:04

      “Quando vejo essa sua tendência de querer achar cabelo em casca de ovo”!
      Acho que achar cabelo em casca de ovo (o tradicional é pelo em ovo) tem significados diferente para você e eu. Eu TRANSCREVI, letra por letra, o que ele disse, não interpretei nada.

      , ou seja, de sempre querer achar vírgulas em discursos do Abbas”
      ” Because we cannot endure such actions; we cannot confront the State of Israel – neither militarily nor in any other way.”
      Não havia percebido que isso são apenas vírgulas!!!! Desculpe Marcos, mas existem vários outros verbos que ele poderia ter usado para expressar a CONDENAÇÃO do sequestro.
      “O mais interessante é que em todos os meus textos eu critio e apresento alternativas. Você só critica. Alternativas voce têm?”
      Tenho sim: investir maciçamente em PR para PROVAR que a última coisa que as atuais lideranças palestinas querem é um acordo. Fazer de tudo para ajudar e fortalecer as que querem, e elas existem. Quanto ao acordo, o meu seria muito parecido com o oferecido em Taba (adivinhe quem não aceitou) E já que você não leva em consideração a opinião de Republicanos, aí vai a de um Democrata, Clinton:

      “You are a great man,” Arafat said.
      “The hell I am,” Clinton said he responded. “I’m a colossal failure, and
      you made me one.”

      um abraço
      :

    • Marcos Gorinstein

      29/06/2014 at 11:43

      Olá Raul

      Bom ter você de volta.

      O que mais me preocupa do seu post não é nem o resultado da pesquisa, mas sim a sua aparente felicidade com o seu resultado. Com enorme autoridade você me diz para respeitar a opinião dos palestinos e deixar de jogar joguinhos.

      Como sei que você é um leitor assíduo dos meus posts, lembro que venho indicando há muito tempo que havia o sentimento dentro das sociedades israelense e palestina de que essas últimas negociações poderiam ser a última chance para se chegar a uma solução de dois Estados para dois povos.

      Por que isso? Um palpite? Não. Simplesmente uma análise política da realidade, realidade essa que você diz que eu não conheço.

      47 anos de ocupação. Líderes caíram, líderes subiram e nada se resolveu. Guerras, ataques, repressão, ocupação. Mortes. Distanciamento, preconceitos, inimizade.

      Logo após ao sequestro eu estava conversando com amigos meus e disse que estava preocupado com o que poderia vir agora e que, na minha opinião, esse sequestro seria mais um marco no conflito, um divisor de águas.

      Nessa pesquisa que você traz, no mesmo parágrafo em que apresenta esse triste resultado, também aponta que essa é uma mudança drástica na opinião pública palestina Ou seja, o que eu vinha pensando sobre o impacto do sequestro e da reação israelense na opinião pública palestina estava certo.

      Convido você a dar uma passada na página do Truman Institute da Universidade Hebraica de Jerusalém. Foram realizadas pesquisas em conjunto com o Palestinian Center for Policy and Survey Ressearch sobre o conflito. Há inúmeros dados e uma análise mais apurada tem que ser feita.
      Contudo pude observar que pelo menos desde 2010 (não fiz uma análise mais acurada dos anos anteriores) há uma tendência nas duas sociedades a apoiarem a solução dos dois Estado. As taxas vão variando de acordo com a conjuntura, mas de uma forma geral o apoio estava mantido dos dois lados.

      Ainda no final de 2013 outra pesquisa apontava na mesma direção, onde 63% da sociedade Israelense e 53% da Palestina também apoiavam os dois Estados.

      Só quero levantar mais uma questão fundamental a qualquer análise, incluindo também análises de pesquisas quantitativas. A pesquisa se realizou entre os dias 15 e 17 de junho. Os meninos foram sequestrados no dia 12 de junho, ou seja, a pesquisa foi feita em meio à entrada das tropas em Hevron e outras cidades e entrada de soldados de casa em casa. Acho difícil numa conjuntura dessas dizer se a pesquisa realmente representa a real vontade da população palestina.

      Mas não vou discutir isso. Você continue se regojizando por esse resultado (que enfim comprova o que você vem argumentando infundadamente) e eu continuo torcendo para que isso possa ser mudado em breve e que seja o sentimento no calor do conflito.

      Agora, caso essa pesquisa esteja correta, mais uma vez, a única forma de mudar novamente a opinião pública palestina (acho que não é bem essa a sua intenção) é negociar!!!!!!!!

      Raul, meu caro, obrigado. Essa pesquisa só mostrou que estou no caminho certo. Minhas análises têm sido comprovadas por pesquisas de opinião.

      Continue com a sua assiduidade.

      Abs

    • Raul Gottlieb

      30/06/2014 at 10:32

      Querido Marcos,

      Eu não tenho intenção de mudar a opinião de ninguém, muito menos a opinião dos Palestinos. Se me dou ao trabalho de expor a minha opinião é porque gosto do debate. Mas não entro nele com o objetivo de derrotar algum adversário. Gosto de debater porque o debate me enriquece. Não quero mudar a cabeça de ninguém a não ser a minha.

      Não me alegro com a tragédia dos árabes, mas creio que é importante colocar o pensamento árabe e islâmico em perspectiva. É um engano comum, a meu ver, pensar que todas as culturas se equivalem. Outro engano frequente é, a meu ver, imaginar que é ofensivo julgar (no contexto moral, não no contexto legal).

      Sou a favor das negociações, mas acho que a cultura supremacista árabe e muçulmana ainda não permite a aceitação de Israel como estado nacional judaico e que é por isto que o sionismo não é aceito pelo mundo árabe há 120 anos.

      Contudo, quem sabe isto munda um dia? O Ocidente saiu da Idade Média, não é mesmo? O Japão de democratizou. A Coréia idem. A Índia idem. Quem sabe um dia a ficha cai do lado árabe também? Quem sabe um dia os judeus serão aceitos como turistas na Arábia Saudita e as mulheres de lá poderão sair na rua sem uma companhia masculina?

      Abraço, Raul

  • Mario S Nusbaum

    26/06/2014 at 22:37

    “Cada vez que “eles” cometem uma atrocidade “nós” ficamos nos perguntando: “o que fizemos de errado? Onde falhamos a ponto de fazê-los cometer tamanha desumanidade?”. Este trecho, e a posição de certas esquerdas israelenses e judias em geral, me lembraram de uma das “piadas” mais tristes que eu já ouvi.
    Descobriram que um nazista, procurado por crimes de guerra, estava abrigado na casa de uma senhora judia. Quando foram prendê-lo, souberam que ela se sabia de quem se tratava. Espantados perguntaram por que ela o protegeu e a resposta foi:
    Ele prometeu me tratar bem na próxima vez.

  • Mauricio Peres Pencak

    27/06/2014 at 01:47

    Fico com a impressão que ABU MAZEN é um asqueroso oportunista.
    O que classicamente se chama de PESCADOR DE ÁGUAS TURVAS.
    Ao invés de apresentar uma postura firme, fica observando como a sequência de eventos pode ser melhor aproveitado por sua camarilha.
    Sobre a responsabilidade dos RAPAZES EXISTIREM e estarem onde estavam, parece o argumento que os poloneses e alemães utilizaram para meus familiares e os outros milhões de judeus que viviam na Europa durante a II Guerra Mundial.
    Sobre NÃO se saber quem sequestrou os rapazes, parece que o SHIN BET desvendou o mistério.

  • Mario S Nusbaum

    30/06/2014 at 16:09

    “O Abu Mazen tem dado muitos exemplos de que é um parceiro para a paz. ”
    Você poderia dar exemplos Marcos? Juro que não é ironia nem muito menos provocação, é que eu não consigo ver isso.

  • Mario S Nusbaum

    30/06/2014 at 16:42

    Acredite Marcos, eu ficaria muito feliz em estar errado e você certo, mas não consigo me convencer de que as lideranças palestinas querem a paz. Elas provam, a todo instante, o contrário. Veja esse exemplo, banal mas sintomático:

    A Associação Palestina de Futebol veio ao Brasil denunciar violações contra esportistas palestinos nos territórios ocupados e pedem a impugnação de Israel pela Fifa
    Passo a citar trechos:

    “O presidente da Federação Palestina de Futebol, Jibril Rajoub, a quem o em­baixador se refere como pai do esporte na Palestina, disse ser significativa pa­ra eles a vinda ao Brasil. Rajoub acredi­ta que o país é o melhor exemplo em re­lação ao avanço do futebol.

    “Porém, na Palestina, não temos essa felicidade, devido à ocupação racista is­raelense, que se comporta diante do po­vo palestino de maneira fascista, jamais vista anteriormente”, declarou.

    Jibril Rajoub observa que Israel pra­tica um crime de guerra. “O israelense não tem o direito de comercializar o ho­locausto acontecido no século passado e praticar os mesmos atos contra os pales­tinos. Nós, 6 milhões de palestinos, vive­mos na Palestina histórica, e temos o di­reito de praticar o esporte. Nós não que­remos ser vítimas do que aconteceu com os judeus no século passado. Eles prati­cam contra os palestinos o que foi prati­cado contra eles na Europa”.

    Repito: “Eles prati­cam contra os palestinos o que foi prati­cado contra eles na Europa”. Pergunto: quem se dá ao trabalho de atravessar o mundo para dizer uma mentira dessas, que paz?

  • Mario S Nusbaum

    30/06/2014 at 16:45

    “!Contudo pude observar que pelo menos desde 2010 (não fiz uma análise mais acurada dos anos anteriores) há uma tendência nas duas sociedades a apoiarem a solução dos dois Estado. As taxas vão variando de acordo com a conjuntura, mas de uma forma geral o apoio estava mantido dos dois lados.”
    Não duvido disso Marcos, o problema é que a opinião desses palestinos vale tanto quanto a da população norte-coreana.
    Você sabe bem melhor do que eu o que acontece com um palestino que se manifesta contra a política oficial deles.

  • Mario S Nusbaum

    30/06/2014 at 16:48

    Marcos, não lhe parece estranho, surreal e muito preocupante que a ÚNICA restrição à liberdade religiosa em Israel é a feita contra judeus (rezar em Temple Mount)?

Você é humano? *