Antissemitismo ou antissionismo

09/05/2014 | Sionismo

Antissemitismo é (ou pelo menos deveria ser) crime, pois é semelhante ao racismo: é condicionar as atitudes de todo um grupo (social, religioso, não importa) por uma característica sua pré-existente: ser judeu. Judeu não é raça, todos sabemos. Eu, pessoalmente, sou cético em relação à existência de raças na humanidade. O termo semita é oriundo da origem dos idiomas falados no Oriente Medio, que serviu como base para línguas como o hebraico e o árabe. O termo antissemita, no entanto, é associado diretamente aos judeus. Antissemitismo é ser anti-judeu, e as múltiplas formas de exercê-lo já variaram desde negar cidadania aos judeus até o genocídio do povo.

Antissionismo não é crime em nenhum lugar do mundo, nem em Israel. O sionismo é a ideologia que tem como objetivo legitimar as aspirações do povo judeu como nação: autoemancipar-se nacionalmente através da criação e desenvolvimento de um Estado próprio (leia mais aqui). O antissionismo nega aos judeus o direito de considerar-se uma nação. Na prática, ser antissionista é ser contra a existência de Israel.

Há pessoas que consideram o antissionismo como uma nova forma de antissemitismo. Há pessoas que não vêem qualquer relação entre ambos. Eu considero que são coisas diferentes, mas que podem ter relações, sim. E acredito que na maioria das vezes, têm.

Há antissionistas judeus. Há antissionistas judeus em Israel. Há antissionistas judeus religiosos em Israel. Eu não consigo visualizar judeus que ao mesmo tempo são ultraortodoxos e antissemitas. Este fato por si só já desfaz a ideia de que antissionismo é necessariamente antissemitismo. Há grupos de judeus laicos e humanistas que também desprezam o sionismo. Isto significa que há judeus que não se vêem como um povo, ou como uma nação. Há, inclusive, ideologias nascidas no seio do judaísmo que têm como parte de sua essência o caráter antissionista, como o bundismo e os neturei karta. Podemos afirmar, então, que o antissionismo não é por definição uma forma de expressão antissemita.

Não judeus também têm o direito de ser contrários ao sionismo, mas ao mesmo tempo não serem antissemitas. Obviamente. Eu não diferencio a origem da pessoa como elemento possibilitador ou proibitivo para nada. O direito de ser a favor ou contrário a uma causa é legítimo. Mas a forma de atuação pode sim ser avaliada moralmente.

Os judeus são um povo? Na minha opinião, sim. Por quê? Porque assim se vêem. Este é o princípio da autodeterminação dos povos. Da mesma forma que os palestinos são um povo, e reivindicam justamente o seu Estado nacional, os judeus também têm o direito de fazê-lo. Negar aos judeus o direito de autodeterminar-se nacionalmente não é antissemitismo. Antissemitismo é negar sómente aos judeus este direito. Israel é um dos raros países que tem seu direito à existência questionado todos os dias. Nunca na minha vida vi um movimento anti-Portugal, anti-Síria ou anti-Canadá. No entanto, há movimentos antissionistas pleiteando participação no parlamento europeu. Quando o antissionismo passa a ser uma ideologia principal, eu desconfio.

Outro fator que me faz associar antissionismo a antissemitismo são as comparações entre a política de ocupação israelense nos territórios conquistados em 1967, e a Shoa (Holocausto). É preciso ser muito ignorante ou ter muita má fé para associar os casos. Vejam bem: não estou de forma alguma justificando a ocupação israelense (na minha opinião imoral), as retaliações do exército (algumas vezes criminosas) e muito menos a colonização da Cisjordânia (totalmente absurda, a meu ver). Da mesma forma que acredito que a Shoa jamais deve ser usada como justificativa política para qualquer ação israelense nos territórios, acho absurda qualquer comparação dela com a ocupação. A Shoa foi um genocídio planejado, sem precedentes na história. Milhões de seres humanos foram assassinados de diversas formas, à princípio por fuzilamento e fossas comuns, e, quando a crueldade começava a tirar o sono dos soldados (também seres humanos) que a cometiam, passou-se a usar câmaras de gás para que ninguém visse o que ocorria, para que os soldados da SS não tivessem pesadelos por disparar na cabeça de recém-nascidos, ou que não tivessem que embebedar-se à noite para realizar seu trabalho no dia seguinte. E os que por sorte sobreviveram a essa matança desenfreada e proposital, passaram anos de suas vidas como escravos. Não há nem nunca houve nos territórios palestinos um genocídio. Não há  escravidão. Não há sequer tentativa de aproximar o que acontece lá com o que ocorreu na Europa durante a 2ª Guerra Mundial, muito menos intenção. Há crimes. Há injustiça. Há humilhação. O que há, de fato, é horrível. Mas de horrível até Shoa há muita água para rolar. Então por que a comparação? Porque todos sabem como a Shoa é traumatizante para a história do povo judeu. Afirmar que judeus produzem algo semelhante ao Holocausto é um claro ataque, totalmente imoral por ser baseado em uma mentira. Inventar, ocultar e manipular para atacar a Israel, utilizando como base um tema tão sensível ao povo judeu, isso é antissemitismo.

Outra forma de antissionismo que me causa grande desconfiança é a supervalorização dos erros de Israel em detrimento aos de outros países. Atacar Israel consequentemente e simplesmente “esquecer” o que acontece em outros lados é no mínimo estranho. De modo algum está proibido atacar Israel. Eu peço, no entanto, coerência. O regime de Assad na Síria já assassinou a mais de 80 mil pessoas, desde 2011, um número mais de oito vezes maior do que o de todos os palestinos mortos desde 1948 em operações militares e guerras contra Israel. O número de sudaneses mortos desde 1983 já ultrapassou os dois milhões. Nunca na minha vida assisti a uma passeata contra estes massacres. Nunca vi ninguém queimando bandeiras sírias ou sudanesas depois de um ataque. Nunca vi um país sendo chamado de nazi-fascista dos anos 1990 para cá que não seja Israel. A pergunta, então, é: por que os crimes cometidos por Israel são suficientes para que sua bandeira seja desenhada com uma suástica, ou queimada em manifestações, enquanto não se vê gritos pedindo o fim do Estado Sírio, ou o uso da terminologia “nazi-fascista” para referir-se a Estados (ou até mesmo a governos) em conflito com grande contingente de mortos? Eu aposto que o exército israelense matou menos da metade dos civis que a Polícia Militar do Rio de Janeiro desde 1948, e nem por isso há manifestações contra a existência do Brasil ou do estado do Rio de Janeiro. Há, sim, contra a violência policial. Contra os governos que cometem crimes, não contra todo o Estado de forma geral. Mas, neste caso, os crimes do governo são suficientes para que todo o país seja atacado. Neste caso, dificilmente alguém me convencerá que este antissionismo não é antissemita.

Se você acredita que Israel é o único Estado que tem vida própria, cuja essência se sobrepõe aos governos e o transforma em imoral por condição, ou que os judeus são o único povo no mundo que não tem o direito de autodeterminar-se nacionalmente, recomendo que você reveja suas posições. Ser antissionista não é crime e pode até ser moralmente legítimo. Para isso, basta não ser antissemita, e não tratar Israel de forma distinta de como trata todos os outros países do mundo. Parece simples. E é.

Comentários    ( 33 )

33 comentários para “Antissemitismo ou antissionismo”

  • Ana Maria Piazera-Davison

    09/05/2014 at 13:54

    Excelente artigo. Concordo em gênero, número e grau. Levei para a minha página do Facebook.
    Muito obrigada!

  • Sheila Tellerman

    09/05/2014 at 14:17

    Excelente artigo,João!!!

  • Mario S Nusbaum

    09/05/2014 at 15:56

    Você usa um critério muito parecido com o que eu uso: se criticam Israel por fazer algo e não se critica outros países que fazem a mesma coisa, é anti-semitismo.

  • Marcelo Starec

    09/05/2014 at 19:16

    Oi João,
    Parabéns pelo excelente artigo! Na maior parte dos casos o anti sionismo tem, de fato, um claro viés antissemita!…Nenhum País do mundo é perfeito e isso é fato! Mas os constantes ataques a Israel por razões normalmente ínfimas, quando comparado ao que acontece nos demais países e sem que se use o exato mesmo critério – é sim, um ataque com viés antissemita, feito por aqueles que nada fazem ou falam contra todos os demais países, que mereciam criticas normalmente muito, mas muito maiores mesmo!

    Abraço,

    Marcelo.

  • André Rozenbaum

    09/05/2014 at 20:42

    Excelente João.
    Excelente.

    abs

  • Ana

    09/05/2014 at 22:53

    Dois erros não fazem um acerto.

  • Rodrigo Luis Veloso

    10/05/2014 at 08:56

    Excelente texto! Eu tenho apenas uma divergência: Judeus, mesmo religiosos, podem, e é bastante comum, ser antissemitas.

    O antissemitismo é uma cultura. Então, de uma forma ou outra, faz parte do comportamento de cada pessoa. Há negros racistas; Mulheres machistas e há judeus antissemitas.

    Isso aparece muito claramente em brincadeiras comuns como “Temos mais premios Nobels”; “Judeus dominam os mais altos cargos no mundo” etc

    E se existe antissemitismo judeu, também é verdade que ele é mais forte entre os mais religiosos

    • João K. Miragaya

      10/05/2014 at 09:49

      Olá Rodrigo. Obrigado pelo elogio e pela participação.

      Sem dúvidas podem existir judeus antissemitas. Negar a própria condição, rebelar-se contra a mesma a este ponto é um fenômeno cuja a existência é comprovada por alguns casos. Considero, no entanto, que este é um fenômeno de minorias, e por isto utilizei tal caso como justificativa do meu argumento. Pode existir judeus antissemitas, mas não acredito que sejam tantos. Seria reducionista demais categorizar a todos os judeus antissionistas como antissemitas, na minha opinião. Além do mais, tais grupos judeus antissionistas baseiam-se em premissas judaicas para criticar o sionismo. Ou seja, não são de forma alguma antissemitas, pelo contrário. Acusam o sionismo de ser prejudicial ao povo judeu.

      Um abraço

  • Marcelo Starec

    10/05/2014 at 12:23

    Oi João,

    Gostaria de fazer uma observação ao seu artigo.
    Para simplificar o ponto, vou utilizar dois exemplos (A e B).
    A) Um judeu (ou não), que a partir de valores que entende como judaicos, como o de que o Estado de Israel deve pertencer aos judeus (mas somente após a chegada do Mashiach, por exemplo!) e por isso nega o direito do povo judeu de ter o seu Estado, mas não nega o direito dos Alemães, dos Americanos, dos Franceses e nem de qualquer outro povo…
    B) Um judeu (ou não), que também a partir de valores judaicos, entende que todos são iguais e portanto podem viver onde bem entenderem. Desse modo, segundo ele, a Alemanha não pertence aos alemães, os EUA não pertencem aos americanos e nem Israel pertence aos judeus, pois ele não aceita que qualquer povo na face da Terra tenha o direito a um Estado!
    Conclusão – no meu entender fica claro que no caso A trata-se de um antissemita, pois ele usa critérios diferenciados para o direito do povo judeu vis à vis o dos demais povos. Já no caso B não, pois ele trata todos os povos a partir do mesmo critério. Isso independente da justificativa utilizada para cada um dos casos!
    Um abraço,
    Marcelo.

  • Jacques Griffel

    10/05/2014 at 13:41

    Ótimo artigo, ponderado e feliz na exposição de um tema nada simples.

  • Fernando Rzezinski

    10/05/2014 at 16:10

    João,
    Parabéns pelo artigo. Sou fã deste fórum que sempre expõe de forma interessante assuntos tão relevantes e cria um espaço para que estes temas sejam debatidos.

    Concordo com a maior parte das suas colocações. Entretanto acho que você foi muito politicamente correto quanto a correlação que você acredita existir entre o antissemitismo e o antisionismo, No mundo de hoje eles são sinônimos! Em teoria é possível que um exista sem o outro, mas não tenho conhecimento de NENHUM caso pratico. Os seus exemplos que mostram que nem sempre os dois andam juntos são falhos:

    1) Para efeitos práticos, todos os ultra-ortodoxos antisionistas são antissemitas (pelo menos em algum grau). Eles negam a possibilidade de coexistência harmoniosa e desqualificam os judeus que não pensam como eles e portanto são sim antissemitas.

    2) O exemplo do Bund é coerente mas fora de seu tempo. De fato muitos bundistas acreditavam que o sionismo era uma fuga e que a luta pela identidade judaica deveria ser travada dentro dos estados em que os judeus se encontravam. E de fato eles não eram antissemita!.

    A discussão era entre os sionistas e o bund era de ordem pratica: Qual é o melhor caminho para criar um espaço segura para que os judeus possam existir em paz. O Bund acreditava que era através de uma revolução socialista nos países em que os judeus se encontravam e o sionismo acreditava que era através da criação de um lar nacional para o povo judeu.

    Mas desde então a realidade mudou! Israel existe e NENHUM bundista gostaria de ver a destruição do estado judeu que hoje EXISTE.

    Se você me mostrar UM exemplo no mundo atual em que antisionismo e o antissemitismo não coabitam um mesmo corpo eu mudo de opinião!

    Abraço,

    Fernando

    • João K. Miragaya

      09/06/2014 at 12:38

      Olá Fernando. Obrigado pela participação e pelos elogios.

      Eu não sou um adepto das generalizações. E tampouco gosto de classificar pessoas, mas sim, posturas. Não me interessa definir se fulano é antissemita, ma sim se ele está praticando atos que podem ser antissemitas. Acredito eu que alguns o façam por ignorância, às vezes de forma ingênua. Como não gosto de generalizações, no entanto, não posso afirmar que isto seja uma regra.

      Eu acredito ter sido bem claro no texto, não fui politicamente correto. É possível na teoria e na prática ser antissionista sem ser antissemita. Os anarquistas, por exemplo, rejeitam o Estado de uma forma geral. Noam Chomsky, judeu anarquista, é antissionista sem ser antissemita. Há outros como ele. São contra o Estado de forma geral, não podem ser simpáticos ao sionismo.

      Conheci gente que trabalha ou é voluntário na Anistia Internacional e em outros movimentos sociais, que é justo em suas críticas em relação à Israel e se define como antissionista por princípios gerais: entendem que o sionismo trouxe mais problemas do que soluções para o povo judeu. Eu discordo deste princípio, mas considero uma postura justa. Talvez seja mais correto chamá-los de pós-sionistas (isto ainda pode render um texto). Há muitos assim em Israel hoje.

      Sobre o que os bundistas pensariam hoje, nem eu nem você sabemos dizer. É uma situação hipotética e ucrônica, não podemos falar do que não aconteceu.

      Um abraço

  • Saulo Tavares

    11/05/2014 at 16:54

    No link abaixo um bom exemplo de antissionismo antissemita.
    Artigo publicado em parceria entre o jornal O Povo de Fortaleza/CE e o Observatório da nacionalidades, entidade ligada à Universidade Federal do Ceará e que tem como um dos cabeças um professor “palestino” radicado no Ceará.
    Eu nunca lí nada parecido produzido pelo tal observatório e publicado pelo jornal quando se trata de agressão russa à Ucrânia, massacre de civis na Síria ou massacre de cristãos no Sudão.

    http://www.opovo.com.br/app/opovo/mundo/2014/05/10/noticiasjornalmundo,3248737/apartheid-na-palestina.shtml

  • Raul Gottlieb

    12/05/2014 at 00:52

    Porque uma pessoa não pode ser judia e antissemita? Eu já fui chamado de antissemita por um judeu ortodoxo porque não sigo a halachá conforme ele pensa que deve ser seguida.

    Creio, amigo João, que os judeus que desqualificam outros judeus por conta de suas convicções políticas os religiosas são judeus antissemitas. Você diz com propriedade que é antissemita é o anti-judeu, assim que um judeu que é contra outros judeus também é antissemita.

    No mais concordo plenamente. Ótima análise. Obrigado e parabéns.

  • Edu

    13/05/2014 at 15:00

    “os palestinos são um povo, e reivindicam justamente o seu Estado nacional”

    Este é o grande erro (principalmente p parte dos judeus e israelenses) reconhecer q existe um povo chamado palestino. Realmente não entendo! Os esquerdistas (na grande maioria antissemita) até compreendo, mas o povo judeus e israelense aceitar q existe uma nação chamada de povo palestino, isso não consegui até hj compreender!

    • Mauro Sousa

      18/05/2014 at 00:59

      Poder pode. No mundo existe de tudo. O que vc imaginar vai acabar encontrando pelo menos um exemplo. Mas é estatisticamente importante ? Acho que não ….

  • Edu

    13/05/2014 at 18:51

    O “povo” palestino é o instrumento pros antissemitas pra destruir Israel! Como o povo de Israel, na grande maioria, continua aceitando esta farsa, julgo que a situação só irá piorar! Ainda mais: não entendo como alguém pode acreditar em paz vinda do islamismo.

    • João K. Miragaya

      21/05/2014 at 20:15

      Talvez, Edu, porque nem todos sejamos etnocêntricos e preconceituosos como você. A sua generalização é quase racista. Você trata a todos os muçulmanos como donos de uma única postura, como se a religião fosse condição para que todos agissem de determinada forma (no caso, violenta).

      O povo palestino é uma realidade, tão artificial quanto qualquer outro povo existente na face da terra. Hoje clamam por um Estado, lugar já ocupado pelos judeus.

      O que me custa compreender é negar um direito básico a um grupo discriminado. Este “antipalestianismo” é semelhante ao antissemitismo.

    • Edu

      21/05/2014 at 22:38

      Em primeiro lugar não sou racista contra um povo que não existe, não sou antipalestiniano porque não existe este povo. Os chamados palestinianos são descendentes de judeus que restaram da última diáspora, e demais povos de derredor q se estabeleceram lá. E vc sabe muito bem disso. Segundo: “O que me custa compreender é negar um direito básico a um grupo discriminado.” Porque os “palestinos” não aceitam o estados de Israel como a nação dos judeus? Isso sim é racismo! Os islâmicos são racista com o povo judeu. Terceiro: Vc que é preconceituoso! Eu não falo de mim mesmo e sim de ler seu livro “sagrado” que ordena perseguir, espreitar, matar, trocam esta vida terrena pela vida futura… e veja o que estão fazendo mundo afora… Nada de sentido figurado no livro “sagrado” porque eles mesmo tem posto em prática o que têm aprendido. O islamismo prega a morte a todos que não se converterem ao islã! Vc nunca leu o corão? O objetivo é tornar todo o mundo convertido. Pena que o youtube apagou vários vídeos de muçulmano queimando cristãos ainda vivos. Cristãos foram recentemente crucificados no Egito e na Síria. Os cristãos sírios estão sendo dizimados não por Assad mas pela irmandade muçulmana. Mais recentemente ainda o caso do boko haram na Nigeria. Os muçulmanos si matam justificados pela religião deles. Vc está bem desinformado ou faz vista grossa mesmo! No fim seu argumento anacrônico em relação a realidade. Leia: http://ipco.org.br/ipco/noticias/ocidente-cristao-ameacado-pela-%E2%80%9Ccristianofobia%E2%80%9D-e-a-indispensavel-reacao#.U3z-YfldXuM

    • João K. Miragaya

      22/05/2014 at 09:46

      Eu já li partes do Corão e o Tanach inteiro. Em ambos a violência divina contra infieis é pregada como forma de redenção e castigo. Você já leu o Tanach?

      Em ambos os livros há lições interessantes e chauvinistas. Cabe a cada um interpretar como quer. Mas parece que para você, os muçulmanos são incapazes disto. Isto, se não é racismo, se assemelha bastante.

      PS. Em relação aos palestinos serem descendentes dos judeus da última diáspora, a informação me parece interessante. Sou historiador, já li uma bibliografia razoável sobre o tema e jamais me deparei com esta hipótese. Você pode me indicar de onde vem suas fontes?

  • João K. Miragaya

    22/05/2014 at 11:13

    E já que estamos prolongando esta discussão, gostaria que você me desse a sua definição de povo. Me fará entender melhor o seu argumento.

  • Edu

    27/05/2014 at 20:59

    Vc é historiador? Isso foi uma carteirada? Quando disse que os palestinos, muitos são judeus restantes que se mesclaram ao longo do tempo com os imigrantes, fiz uma generalização indevida ao disser que todos sabem disso. Agora, quer dizer que conhecimento só é válido se passar pela academia? Eu preciso dar provas de evidencias acadêmicas? Veja, já conheci duas famílias judias do interior que falavam de coisas semelhantes como alterações de nomes pra própria segurança. Inclusive, um amigo e sua família, que infelizmente perdemos contato há muito tempo, desde seu avô (que nasceu de família judia e saiu de haifa pro Brasil na década de 30, embora o propósito eram os EUA) têm sobrenome árabe.

    Mais uma coisa queria levantar: Como é irracional o argumento da mídia dominada por esquerdistas (na grande maioria antissemita): “Israel ocupa territórios palestinos”. Como pode ocupar um território de um país que nunca existiu? Qual foi a primeira capital da Palestina? Quem foi o primeiro rei, ou o que equivale? A história não é uma ciência exata, mas relativizá-la como muitos esquerdistas fazem, o fazem pela nociva cosmovisão enviesada, que no fim, é próprio da própria origem ideologia.

    Os Filisteus históricos (povo que se perdeu no tempo) tem origem mais provável creto-miceniana, se quer são árabes! Tentar reivindicar uma relação com os cananeu (que também não são árabes) é muita desonestidade intelectual. Dizem até mesmo que Jesus era palestino… Prova o mau caráter das suas reivindicações históricas!

    Só há reivindicação de um povo a partir da década de 70. Antes, os islâmicos apenas queria jogar os judeus no mar e tomar a Cisjordânia pra Jordânia e Gaza pro Egito.

    A propósito, comparar o contexto histórico do Velho Testamento com o contexto histórico do islamismo é uma verdadeira ofensa à verdade! E se a verdade é relativa, então Deus não existe e faço as palavras de Dostoievski as minhas: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”. Seria fácil concluir: Vencerá o mais forte e mais mentiroso! E ninguém pode reclamar da moral do outro, pois o que é relativo não pode ser tomado como absoluto e o interminável desejo dos muçulmanos em converter todo mundo mesmo se for preciso matar é justificável.

    Não faz sentido aceitar dois Estados em Israel!

    Dois bons textos pra ler: http://goo.gl/hXV3BN , http://goo.gl/HkoQ0C

    • João K. Miragaya

      28/05/2014 at 08:21

      Eu sou historiador, sim, mas estou aberto ao diálogo com qualquer um. Da mesma forma que eu não jogo informações sem fontes, não acho correto que os outros façam. De achismos e generalizações já estamos cheios, e já vimos quantas mentiras podem ser inventadas a partir disto. Não estou comparando meu diploma com o seu. Estou te pedindo fontes. Se você não as têm, reconheça que não está dizendo nenhuma verdade, apenas a sua impressão pouco baseada em qualquer área de construção do conhecimento. Não sou eu quem está relativizando, é você. Eu me baseio em estudos. Você, no achismo.

      Você também discute com argumentos inexistentes aqui. Eu jamais usei a palavra filisteus, e nem acho que o conceito de povo deva necessariamente estar relacionado à antiguidade. Você respondeu a ninguém, pois absolutamente ninguém afirmou nada disso.

      Você também mostra não ter o menor conhecimento do mau uso que se faz do Tanach nos dias de hoje. Sairá em breve um texto meu sobre o Tag Mechir, te recomendo a leitura. O fato de alguns islamistas usarem o Corão de forma intolerante não te permite generalizá-los.

      Mas, enfim, sua citação de Dostoievski não compactua com a sua penúltima frase. Você está longe da verdade, pois nem menos tenta buscá-la.

    • João K. Miragaya

      28/05/2014 at 15:17

      Sigo esperando o seu conceito de povo. E obrigado por me enviar estes dois textos. Pude ver de onde vêm suas fontes, e compreendi exatamente suas opiniões distorcidas da realidade.

      Se na academia muita coisa ruim é produzida, na mídia o nível pode chegar a ser esta piada que você me mandou. Quando o compromisso com qualquer coisa próxima a realidade é zero, o conteúdo pode ser esta porcaria que qualquer um rei dos achismos divulga por aí.

    • João K. Miragaya

      28/05/2014 at 15:23

      Caroline Glick, aliás, é parte do Latma, um grupo de extrema-direita que produz vídeos que ironizam a esquerda israelense de modo grosseiro, e acusam o Primeiro Ministro Netanyahu de ser de esquerda!

      Estamos buscando a verdade ou o fundamentalismo?

  • Rebeca Daylac

    04/06/2014 at 19:14

    Parabéns João!!!
    Excelente Artigo!!!

  • Rafael Stern

    05/06/2014 at 03:42

    João, eu não li o livro do Shlomo Sand, chamado em português “A Invenção do Povo Judeu”. Mas um amigo meu leu e me disse que nesse livro Sand coloca a hipótese de que parte da origem dos atuais palestinos seria os judeus que ficaram em Israel depois do período romano.

    Li uma vez um texto muito interessante de um filófoso francês (um cara jovem, judeu, de sobrenome Levy, me esqueci o nome completo dele). Ele fala que o mundo ocidental gosta tanto de criminalizar Israel e comparar tudo o que Israel faz de errado com os palestinos ao Holocausto como uma forma de se redimir da culpa. Segundo ele, o mundo ocidental se sente de certa forma culpado pelo Holocausto, e por isso se sente aliviado ao encontrar qualquer pretexto para dizer que os judeus fazem a mesma coisa. Se os judeus estão fazendo hoje a mesma coisa, ou ainda pior, então ufa, ‘lo norá’ que nós não fizemos nada para impedir, não salvamos os judeus…

    • João K. Miragaya

      08/06/2014 at 10:35

      Oi Rafa! Que bom ver você por aqui.

      Já li diversos artigos sobre os dois últimos livros do Shlomo Sand, mas os livros em si ainda não li. Pretendo fazê-lo quando terminar meus estudos. Mas, pelo que vi até agora, Sand tenta desconstruir o direito histórico do sionismo baseado na ideia de que os judeus jamais foram um povo, passaram a ser somente no século XIX, como se fosse uma ideologia inventada. Eu não sou nenhum especialista em história antiga/medieval, e não tenho muito conhecimento sobre os conceitos de povo utilizados naquelas épocas, mas, mesmo assim, isto não altera o direito dos judeus de se autoproclamarem um povo, mesmo que só no século XIX. Os palestinos também são um povo moderno, assim como quase todos os outros. Os argumentos históricos não servem para nenhum dos dois lados, apenas compõem narrativas que servem para que cada lado possa inventar suas tradições. Mas, repito, isto nada tem a ver com direito de ter um Estado.

      O argumento de Bernard-Henri Lévy é muito coerente, mas eu prefiro não generalizar os porquês dos outros. Cada um tem o seu porquê.

      Um abraço

  • Rafael Stern

    05/06/2014 at 03:45

    Bernard-Henri Lévy

  • Gabi Geller

    18/07/2014 at 01:54

    João,

    Sou longe de ser uma pessoa que só elogia e apresenta opiniões positivas, mas preciso dizer que eu adoro as coisas que você escreve e concordo praticamente com tudo.

    Tenho sido bombardeada com opiniões anti israel nos últimos dias e 100% das vezes indiquei algum artigo seu / do Conexão. Parabéns a todos vocês pelo trabalho!

    Obrigada e bjs a todos!

    • João K. Miragaya

      18/07/2014 at 21:55

      Obrigado Gabi! Palavras que motivam mais e mais!

      Beijao

  • Daniel

    18/07/2014 at 18:24

    É falso, absurdo e doloroso para alguém, ter de argumentar que aqueles que formulam a crítica sobre o Estado de Israel são antissemitas ou, se Judeu, que odeia a si mesmo (self-hating). Tais acusações procuram demonizar a pessoa que tenta articular um ponto de vista crítico e assim, desacreditar à partida esse mesmo ponto de vista. É uma táctica silenciodora: esta pessoa torna-se desprovida de discurso, e tudo o que vier a dizer será previamente rejeitado ou retorcido de tal modo que a validade do acto de discurso seja negado. A acusação recusa-se a considerar o ponto de vista, a debater a sua validade, a considerar as suas formas de evidência e a criar uma conclusão sensata baseada em escutar a razão. A acusação não é apenas um ataque contra as pessoas que possuem pontos de vista que alguns podem considerar questionáveis, é antes um ataque ao intercâmbio razoável sobre a própria possibilidade de ouvir e falar no qual se pode, realmente, considerar o que o outro tem a dizer. Quando um conjunto de Judeus rotula outro conjunto de Judeus de “antissemita,” eles estão a tentar monopolizar o direito de falar em nome dos judeus. Assim, a alegação de antissemitismo é de facto um disfarce para uma disputa intra-judaica.
    http://www.egs.edu/faculty/judith-butler/articles/reivindico-um-judaismo-nao-associado-a-violencia-do-estado/

  • Dr. MARCÍLIO NOVAES MAXXON

    04/12/2015 at 20:32

    Muitos antissionistas afirmam que não se opôem ao judaismo, apenas ao Estado de Israel. Mas o principal garantidor do judaismo, desde o término da Segunda Guerra Mundial, é a soberania do Estado de Israel. O País nasceu das cinzas do Holocausto, mais é a última fortaleza contra a repetição dele.
    MARCÍLIO NOVAES MAXXON
    Cientista, Observador e Estrategista Político

Você é humano? *