Assim Lutamos em Gaza

23/05/2015 | Conflito; Opinião; Política

“Breaking The Silence” (em hebraico: שוברים שתיקה, Shovrim Shtika) é uma organização israelense não-governamental, formada por soldados que coletam e publicam testemunhos sobre o seu serviço militar na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. A missão declarada da organização é servir como uma plataforma para  “quebrar o silêncio” dos soldados israelenses que regressam à vida civil em Israel e “descobrem a lacuna entre a realidade que encontraram nos territórios ocupados, e o silêncio que eles escutam em casa sobre as consequências desta ocupação”.

Desde 2004, foram coletados centenas de testemunhos de soldados e oficiais. Ao publicá-los, o Breaking the Silence objetiva “forçar a sociedade israelense a enfrentar a realidade que ela mesmo teria criado” e encarar a verdade sobre o “abuso perpetrado contra os palestinos, saques e destruição de propriedade” que eles indicam ser de conhecimento público de todo soldado que serviu nos territórios.

Assim lutamos em Gaza” é o título do mais recente relatório publicado pela ONG. São 240 páginas que trazem relatos anônimos, em primeira pessoa, de soldados e oficiais que serviram na Faixa de Gaza em unidades de combate no último conflito, no verão de 2014. No documento existe o testemunho detalhado de incidentes graves, incluindo exemplos de mortes arbitrárias e desnecessárias de civis palestinos.

Testemunho 24. página 68 – “Assim lutamos em Gaza” . Unidade: Blindada • Classificação: Primeiro sargento • Localização: Deir al-Balah

“Fomos enviados para proteger engenheiros [de combate] no trabalho de identificação e destruição de um túnel. Nosso trabalho era proteger as “D9S” (escavadoras blindadas), enquanto eles cumpriam o seu objetivo. Nós movíamos os nossos tanques de lado a lado, às vezes avançamos um pouco, às vezes parávamos ao lado de alguma casa. De repente eu vi uma janela com persianas antigas e brancas. Notei que estava aberta e, em seguida, fechada. Então, abriu e fechou novamente. Não consegui ver ninguém fazendo nada, eu apenas vi a persiana abrindo e fechando de uma forma que não podia ter sido o vento. Então eu disse para o meu oficial

“Eu vi aquela persiana em movimento”.

Ele olha para o local e diz: “Você está imaginando coisas “.

Um segundo depois digo: “Agora, olha de novo”.

Ele me disse:” Sim, está se movendo, vá em frente, destrua ”

E eu digo,”OK, e nós mandamos dois foguetes direto na janela”.

—-

– “Você estava em perigo?

– “Não”.

– “Então, por que você atirou?”

– “A instrução era: “Qualquer um que você identificar na área – você atira”.

O que vai acima é um dos exemplos mais suaves que podemos encontrar no relatório que, em sua essência, espera que Israel mude a forma com a qual combatemos o terror palestino. Deseja que seja institucionalizada regras claras para preservar as vidas dos cidadãos de Gaza e limitar os danos colaterais da mesma forma que faria se civis israelenses estivessem sendo mantidos como reféns pelo Hamas. É isto mesmo que vocês leram – a organização pretende definir os cidadãos palestinos como reféns de um grupo terrorista. Desta forma, seria uma obrigação moral de Israel protegê-los a todo o custo durante a perseguição dos verdadeiros terroristas.

Logo na introdução do último conjunto de testemunhos, O Breaking the Silence informa sobre a mudança drástica no protocolo das “regras de engajamento (rules of engagement)” do exército. Estas regras determinam “quando”, “onde” e “como” existe a possibilidade de uso de força. As “regras de engajamento” devem equilibrar dois objetivos conflitantes: a necessidade de recorrer à força para completar os objetivos da missão e a necessidade de evitar o uso de força desnecessária.

O BTS deixa claro que o último conflito cristalizou um protocolo preocupante – denominado “dano mínimo aos soldados”. A instrução passada aos combatentes de todos os batalhões era única: “o exército enviou diversos pedidos para que a população civíl saísse do local. Se alguém encontra-se naquele perímetro, ele não é inocente e deverá ser abatido. Esté novo protocolo, como consequência, teria concedido aos soldados uma “permissão para matar”. Uma vez que no local só haviam inimigos, todo e qualquer uso da força se fazia necessário. Desta forma, a conduta nestes locais teria aumentado – significativamente – o número de vítimas civís do lado palestino.

Em um plano visual poderíamos traçar os objetivos desta nova “regra de engajamento”. Objetiva-se a proteção, em ordem:

1 – Civis israelenses / 2 – Soldados Israelenses / 3 – Civis palestinos / 4 – Terroristas.

A organização clama por mudanças. Afirma que um exército que deseja-se caracterizar como “defensor da justiça e guardião da moral” teria que alterar a ordem para a proteção de:

1 – Civis israelenses / 2 – Civis palestinos / 3 – Soldados Israelenses / 4 – Terroristas.

De fato, esta abordagem significa que mais soldados israelenses morreriam, menos vidas de civis palestinos seriam perdidas e a capacidade e força militar Israel no enfrentamento de um inimigo como o Hamas seria reduzida.

Depois da publicação oficial na primeira semana de maio, a ONG enfrentou duras críticas de alguns setores da sociedade. Foram chamados de “traidores”, “nazistas”, “massa de manobra de antissemitas”, etc. Houve quem questionasse o financiamento do grupo e afirmasse que eles estavam fazendo um desserviço ao país.

Eu conheço bem a organização. Respeito (e muito) o trabalho que é realizado. Não os considero traidores, muito menos ingênuos. Acredito que fazem um trabalho relevante num país que possui um exército subjugado ao estado de direito.

Conheço também soldados que lutaram nesta última guerra. São meus amigos, colegas de trabalho. Alguns têm postado nas redes sociais relatos públicos que vão de encontro ao que é citado no relatório. Não negam que o que foi narrado tenha acontecido. Não negam o novo protocolo. Colocam em perspectiva – no entanto – o que significa “lutar contra um inimigo como o Hamas”.

Status: Sargento; Soldado do Batalhão 13 da Brigada Golani.

“Não me escondo por trás do anonimato. Quer ouvir o meu testemunho? Então: Eu lutei em Gaza. E guerra é desagradável para ambos os lados. Vocês falam sobre soldados que defecaram em uma panela, ou soldados que comiam cereais dos habitantes locais de Gaza [testemunhos no [último relatório do Breaking the Silence].

E eu sinto muito, mas não vejo nada imoral. Especialmente quando existe atiradores snipers palestinos tentando te matar cada vez que você abaixa as calças para fazer as suas necessidades em um campo aberto. Quanto ao resto eu não acredito que um soldado tenha dado um tiro em um ciclista sem motivo aparente. Haviam Comandantes que estavam por toda parte e não havia tal anarquia.

Havia?

Este soldado então é um assassino. Cometeu um assassinato sem motivo. Não está apto a usar um uniforme. Que se leve este soldado a julgamento. Ao longo de todo o conflito, a ocupação de casas e fortificações, preservamos a dignidade humana. Ainda que acreditássemos que havia ao nosso lado um inimigo, às vezes. E, às vezes correndo o risco de perder nossas vidas

Você perguntaram se o IDF é o exército mais moral no mundo? Eu não sei. Eu servi apenas no exército de Israel, em nenhum outro exército do mundo. Quando eu entro em minha minha cama quente em Modiian, eu durmo muito bem. Sem peso na consciência e sem Qassams.

Se eu não tenho dúvidas de que ambos testemunhos são verdadeiros, me pergunto se o título: “Assim lutamos em Gaza” é o melhor para um relatório composto de alguns testemunhos, quando sabemos que milhares de soldados participaram da invasão terrestre. Me sentiria mais confortável com “assim também lutamos em Gaza”.

Nos depoimentos contrários que tenho lido e nas conversas que ocorrem nos intervalos do meu local de trabalho há questionamentos e afirmações que não posso descartar para a formação da minha opinião sobre “como lutamos em Gaza” . Os difíceis testemunhos do BTS não são capazes de anular o contraditório que eu ouço de pessoas que convivo diariamente. Eles – os depoimentos – convivem lado a lado em minha cabeça.

Conheço bem as circunstância da entrada terrestre em Gaza no último verão. A decisão ocorreu logo depois que houve uma tentativa de invasão do território israelense por terroristas. Eles entraram em Israel através de um túnel construídos a partir de casas dos habitantes de Gaza. O exército tinha um período muito curto para identificar mais túneis e destruí-los. Havia também a necessidade de interromper – de forma imediata – o lançamento de foguetes sobre território israelense que já durava quase um mês.

Sei também que estamos em um conflito assimétrico, que as regras do direito internacional não são capazes de abrigar toda a sua complexidade. O Hamas utiliza-se da falta de uniforme que diferencia um combatente de um civil; armazena munições em mesquitas; utiliza escolas e hospitais como centrais de comando; usa a sua população como arma.

Eu questiono o que eu sei realmente sobre a guerra. Como é que se combate moralmente um inimigo que não se importa com a moral. Devemos analisar a grande dificuldade de adaptação das normas de guerra para um campo de batalha não-tradicional, como o último conflito em Gaza. Neste novo tipo de micro-guerra, cada soldado é um tipo de comandante, um agente moral. Cada soldado deve decidir se o indivíduo em pé diante dele, vestido de jeans e tênis, é um combatente ou não. Que tipos de riscos deve assumir um soldado para evitar a matança de civis?

Um dos testemunhos mais difíceis que li foi sobre a morte de um palestino idoso e desarmado. Na última quinta feira questiono este fato a um amigo que esteve em Gaza e ele me relata que o seu batalhão teria impedido um palestino idoso de explodir 20 soldados.

Não entrar em Gaza naquele momento significava manter foguetes caindo em Tel Aviv, Rishon leTzion, norte e sul, além de deixar 60 túneis abertos. Entrar em Gaza sem o protocolo de “dano mínimo” significava aumentar o número de morte de soldados israelenses.

O relatório do BTS nos pergunta onde está a moral do exército que se diz o “mais moral do mundo”. O questionamento é válido e importante. Israel (ainda) possui uma organização com liberdade para fazer esta pergunta e publicar o que publicou.

Considerando que não havia a possibilidade de não entrar em Gaza naquele momento.

Considerando o combate em perímetro urbano.

Considerando o conflito assimétrico.

Considerando o comportamento do inimigo perante a sua própria polução.

Eu acrescento mais algumas perguntas a tantas outras não respondidas: poderia ter sido diferente? Como?

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Comentários    ( 28 )

28 comentários para “Assim Lutamos em Gaza”

  • Mario S Nusbaum

    23/05/2015 at 17:18

    Marcelo, se você não os considera traidores nem ingênuos, como os classifica? Depois de anos discutindo com anti-semitas me acostumei a eles cobrarem sempre 100% de Israel, e só de Israel. Quando entrega 99%, lá vem paulada.
    Ainda não me acostumei com judeus agindo assim, e espero não ter que me acostumar.

    “1 – Civis israelenses / 2 – Soldados Israelenses / 3 – Civis palestinos / 4 – Terroristas.
    1 – Civis israelenses / 2 – Civis palestinos / 3 – Soldados Israelenses / 4 – Terroristas.”

    Existem governos que não hesitam em sacrificar seus civis, como por exemplo o iraniano e o hamas, mas não conheço nenhum que sacrificaria seus soldados pelos civis inimigos. Adoraria poder perguntar ao BTS porque Israel deve ser o único. No Brasil e nos EUA pessoas que passaram por guerras não comentam nada sobre o que viram com quem não passou por ela. Imagino que em Israel é diferente, já que guerras fazem parte da exeriência da maioria da população. E é exatamente por isso que não posso aceitar “denúncias” desse tipo. Você fez duas boas perguntas Marcelo, poderia ter sido diferente? Como? Seria interessante saber a resposta do BTS. Você já perguntou isso a alguns dos seus membros? Não considero ” definir os cidadãos palestinos como reféns de um grupo terrorista. ” uma resposta, está mais para piada. De mal gosto. ” um protocolo preocupante – denominado “dano mínimo aos soldados”.” Preocupante? Não é possível que eles não percebam que isso TAMBÉM caracteriza um Exército moral.

    – “Você estava em perigo?
    – “Não”.
    Claro, ele sabia exatamente quem estava abrindo e fechando a persiana e com que propósito.
    Finalizo perguntando, o que esse movimento pretende?

    Shabat Shalom Marcelo

    • Marcelo Treistman

      25/05/2015 at 17:19

      Eu os classifico como patriotas, humanistas, corajosos. Sobre o trabalho realizado considero de extrema relevância.

      Sobre a resposta para a minha pergunta jamais encontrei algo razoável. E olha que já li muito artigo ancorado no relatório e já conversei com muita gente boa sobre ele. A resposta mais comum é a de que: “não deveríamos ter entrado em Gaza”. Entretanto, como deixei claro no artigo a minha premissa é de que não havia a possibildiade de “não entrar” naquele momento. Apoiei e apoairia novamente a entrada terrestre em Gaza.

      Considerando tudo o que relatei, a necessidade da entrada + forma de combate exercida pelo inimigo, não vejo como o que ocorreu poderia ter sido diferente. Sei que o protocolo de “dano mínimo” aos soldados resultam numa maior incidência de mortes civis do lado palestino. Entretanto, não vejo como poderemos alterar a forma de combate.

      abraços

    • Mario S Nusbaum

      31/05/2015 at 01:23

      “Sobre a resposta para a minha pergunta jamais encontrei algo razoável.” Claro que encontrou Marcelo!
      ” poderia ter sido diferente? Como?”
      NÃO poderia, como você mesmo disse, e eu, pelo que vale, assino embaixo.
      “Eu os classifico como patriotas, humanistas, corajosos. Sobre o trabalho realizado considero de extrema relevância.”
      Discordar disso é complicado para alguém como eu que não vive em Israel e, claro, não os conhece. Só sei que conheci patriotas, humanistas e corajosos que vivem no mundo da Lua, acreditam em Papai Noel e tem soluções simples para tudo.
      Encerro com uma frase cuja a autoria é discutida e se aplica a esses patriotas: “Para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada ”
      um abraço

  • Rodrigo

    23/05/2015 at 21:27

    Po, vc me adiantou o texto inteiro pessoalmente em nossas ultimas conversas!

    Pelo menos foi bom para ver que vc tbm se expressou perfeitamente por escrito!

    • Marcelo Treistman

      25/05/2015 at 17:20

      Obrigado, fico satisfeito que tenha gostado!
      Grande abraço

  • Raul Gottlieb

    23/05/2015 at 23:26

    Marcelo

    Há um livro muito bom de título “Catch the Jew” (Tfos ha Yehudi em hebraico) do jornalista Tuvia Tenembaum que disseca a operação das ONG que atuam em Israel e na Palestina.

    Ele disseca tanto as ONG internacionais como as israelenses.

    Vale a pena todos os que visitam o Conexão Israel com frequência ler este livro. As conclusões dele são interessantíssimas e o livro é para lá de bem humorado e bem escrito. Se você tiver tempo, acaba o livro de 465 páginas em dois dias.

    Uma das conclusões mais alarmantes do livro (talvez a mais) é o enorme diferencial de auto estima entre israelenses e palestinos. Enquanto os primeiros se debatem imersos em todos os tipos de culpa os últimos não tem remorso algum de seus atos, de sua encenações e de suas demandas.

    Você me mandou o relatório da ONG focada no teu texto, mas eu ainda não li. Está guardado para um momento onde eu tiver mais paz interior. Tenho uma grande percepção que vou reagir ao relatório da mesma forma como o Mario reagiu ao teu texto, mas quero ter tranquilidade para refletir.

    Contudo, o pequeno relato que você publica acima me deixa ainda convicto que este BTS parece ser mais uma bonita demonstração da nossa (judaica) enorme humanidade que busca a construção de um impossível (e por isto mesmo belíssimo) mundo perfeito.

    Sofremos muito por esta busca. Principalmente quando lutamos contra forças para as quais o mundo perfeito é um mundo onde todos nós estaremos mortos (que é o real significado da paz no conceito de Dar-al-Islam que quer dizer um mundo apenas islâmico).

    Nós procuramos a paz na convivência e eles procuram a paz no aniquilamento das diferenças.

    Se alguém achar uma forma bonita de lutar contra este inimigo, favor mandar uma carta para a humanidade.

    Respondendo a tua pergunta: poderia ser muito diferente, é claro! Vai ser diferente quando eles aceitarem a paz pela convivência entre o lobo e o cordeiro (Isaías 11) e não a paz entre os lobos (ou a paz entre os cordeiros).

    Abraço, Raul

    • Mario S Nusbaum

      25/05/2015 at 00:13

      Pois é Raul, movimentos como esse BTS dão a impressão que consideram seriamente a hipótese de suicídio em massa para agradar aos palestinos. Um desses judeus que vivem procurando pelo em ovo no comportamento israelense e cujo nome não me recordo, deu uma palestra nos EUA. Nem é preciso dizer, criticou Israel por tudo o que faz e o que deixa de fazer, mas acabou ouvindo o que não queria.Um professor, também judeu, disse algo que nunca vou esquecer: você me lembra aquelas mulheres que vivem apanhando do marido e dizem: deve ser algo que eu fiz.

    • Marcelo Treistman

      25/05/2015 at 17:50

      Olá Raul,

      Agradeço o comentário. Concordo com grande parte do que você escreveu. Note entretanto que O livro “Catch the Jew” não discorre sobre o Breaking the Silence. A organização é organizada por israelenses, os relatos e testemunhos são de israelenses. São Soldados que estiveram em campo de batalha. É diferente do Betslem e outras organizações citadas no livro do Tuvia.

      Há no relatório a narração de condutas impróprias e ilegais relaizadas por soldados em que a sua vida (e a de seu batalhão) não corriam risco. Será que isso ocorreu de verdade? Os relatos são mentirosos? Não sei… Ainda acho que é muito corajoso o trabalho realziado por esta organização. Leia o relatório quando você se sentir confortável e tire as suas conclusões.

      A minha pergunta final não deixa dúvidas sobre o que eu acho da proposta deste grupo: definitivametne não concordo com ela. Considerando que eu não vejo alternativa senão a entrada terrestre em Gaza no último verão, acho correto o protocolo que deseja minimizar a perda de soldados israelenses.

      Um grande abraço

  • Alex Strum

    25/05/2015 at 17:08

    Uma forma talvez ingênua de escolher entre os dois “protocolos”:
    “1 – Civis israelenses / 2 – Soldados Israelenses / 3 – Civis palestinos / 4 – Terroristas.
    1 – Civis israelenses / 2 – Civis palestinos / 3 – Soldados Israelenses / 4 – Terroristas.”
    é considerar que o seu filho seja um soldado envolvido diretamente no conflito.
    Neste caso eu, pelo menos, não teria muitas dúvidas sobre qual escolheria.
    Eu me refiro a situações em que há risco real e não matar por matar.
    Alex

    • Marcelo Treistman

      25/05/2015 at 17:29

      Prezado Alex,

      Agradeço a visita e comentário.

      Observe – entretanto – que varios dos relatos do BTS contam de coisas que não tem nada a ver com a proteção dos soldados. NADA. Por isso o relatório é importante, uma vez que o exército é subjugado ao estado de direito. Se – de fato ocorreram tais condutas impróprias, então devemos investigar e punir os responsáveis.

      No que diz respeito às coisas que SIM tem a ver com a proteção dos soldados, eu – como pai de um menino que em alguns anos estará no exército israelens – também não tenho muitas dúvidas.

      Um grande abraço,

  • Marcelo Starec

    27/05/2015 at 01:53

    Oi Marcelão,

    Eu achei perfeita a sua última pergunta: “poderia ter sido diferente? Como?”…Ela resume tudo o que é necessário para analisar a conduta do Exército…Explico: Quase qualquer outro exército do mundo, em condições similares as que Israel enfrentou em Gaza, com o lançamento de mísseis a esmo contra civis israelenses em áreas densamente povoadas de Israel e simultaneamente o uso de seus próprios civis como escudos humanos, a todo o tempo, teria sido simples e prática…Não teria havido invasão por Terra, mas simplesmente uma guerra desproporcional de verdade – um bombardeio para cada míssil lançado, no estilo “arrasa quarteirão”…Sei que estou saindo do “politicamente correto”, mas é exatamente isso que os demais exércitos do mundo fariam sem nenhum pudor, em meu entender, aliás já fizeram n vezes, virtualmente sem nenhuma critica…Na verdade, a invasão por terra, por si só, já é um modo de lutar muito descente, pois minimiza os danos aos civis palestinos, principalmente se eles obedecem as ordens de sair de perto das áreas de conflito, no momento solicitado!…mas não, seja por proibição do terror do Hamas, que ganha prestígio mundial a cada civil morto (seja ele palestino ou israelense) ou seja porque aquele computado como civil simplesmente não era civil, pois todos sabem que quem contabiliza e diferencia civis e terroristas do Hamas em Gaza são, por mais incrível que possa parecer, os segundos…Ora, sejamos francos, imaginem um soldado tendo de decidir se um individuo que se aproxima, apesar de avisado para se manter afastado, do seu pelotão e precisa decidir o que fazer…O que você (qualquer um de nós) poderia fazer?…Claro, sempre pode haver abusos e estes tem de ser punidos sim,mas não se pode exigir outra coisa de um soldado em guerra, com uma tremenda responsabilidade sobre a sua vida e a de terceiros, sem tempo para pensar, que fique aguardando para ver o que o suposto civil que está onde não deveria, quando o Hamas não diferencia civis de terroristas, irá fazer….Se o mundo quer realmente fazer algo pelos civis de Gaza, então que livre Gaza do Hamas!…No mais, infelizmente, não há a meu ver como melhorar a conduta israelense, salvo em situações pontuais e esporádicas, infelizmente….
    Abraços,
    Marcelo.

  • Mario S Nusbaum

    27/05/2015 at 17:47

    ” a narração de condutas impróprias e ilegais relaizadas por soldados em que a sua vida (e a de seu batalhão) não corriam risco. Será que isso ocorreu de verdade? ” Com certeza absoluta, mas, na minha opinião, a questão não é essa. Em TODOS os ambientes profissionais regras são quebradas, diariamente.
    Claro que em um escritório não há consequências (ou são mínimas), em guerras o assunto é bem mais sério, mas continua sendo inevitável.
    Alguém por um acaso acha que é possível obter comportamento irrepreensível de moleques (no bom sentido) armados e treinados para lutar?
    Se um país conseguir convencer intelectuais maduros a se engajarem no Exército, provavelmente este seguíra as regras muito mais rigidamente, mas será exterminado.
    Por favor entendam, NÃO defendo a barbárie, mas sei perfeitamente que vivemos em um mundo não ideal (eufemisticamente falando). Cansei de ver empresas mandarem pessoas embora por violarem regras que todo mundo viola, isso se chama pretexto.

    Uma coisa eu não consigo entender, o objetivo desse movimento. Claro que estou falando no verdadeiro.

  • Raul Gottlieb

    29/05/2015 at 13:26

    Assim os Egípcios lutam em Gaza.
    http://www.gatestoneinstitute.org/5847/gaza-blockade

    E ninguém liga, o que está muito errado (pois deveriam ligar) e mostra a imensidão da discriminação anti israelense.

    Sou a favor do “soul-searching” que o judaismo impulsiona. Mas é preciso mediá-lo com o contexto. Não para justificar nada, mas para entender as alternativas.

  • Eva Lan

    31/05/2015 at 03:17

    Não esqueça de precisar que essa ONG é financiada entre outras por uma instituição palestina, além de varias ONGs européias que ingurgitaram completamente a propaganda pro-palestina.

    • Mario S Nusbaum

      01/06/2015 at 02:39

      Importantíssimo isso Eva, obrigado por contar.

    • João K. Miragaya

      01/06/2015 at 07:27

      Curiosa esta sua afirmação, Eva. Fui pesquisar os doadores da organização e não encontrei absolutamente nenhuma organização palestina. Neste link, de 2015 (atualíssimo), está toda a lista de doadores. Avise-me caso não compreenda hebraico, eu terei o prazer em traduzir os nomes dos “financiadores”.

      Gostaria de saber de onde a senhora retirou tal informação. Acusar sem fontes é bastante problemático, acho que todos estamos de acordo. Muitos fizeram isso com o povo judeu, você deve saber disso.

      http://www.ngo-monitor.org.il/article/_bts_

  • Eva Lan

    01/06/2015 at 14:16

    http://www.europe-israel.org/2015/05/qui-finance-long-dextreme-gauche-breaking-the-silence-auteur-dun-rapport-anti-israelien/
    Esta é uma das fontes de minha afirmação que um dos financiadores seria uma ONG palestina (sediada em Ramallah). Além de varias ONGs européias que por varias razões (ler por exemplo os ultimos livros de Pierre-André Taguieff), procuram colocar Israel no banco dos réus como “Estado terrorista” (ultima tentativa de um representante da ONU de colocar Israel em uma lista ao lado de Boko Haram e do Estado islâmico).

    • João K. Miragaya

      01/06/2015 at 22:03

      Eu não entendo francês, você pode traduzir o trecho por favor?

    • João K. Miragaya

      01/06/2015 at 22:08

      No site do movimento pode-se encontrar os doadores. Não fui buscar de onde vem cada um (isso pouco me importa), mas acho uma fonte mais precisa que uma notícia de um site qualquer.

      Este é o último balanço:

      http://www.breakingthesilence.org.il/inside/wp-content/uploads/2014/09/BtS-Financial-Statements-2013-EN-1.pdf

    • Eva Lan

      02/06/2015 at 01:40

      Caro João,
      Este não é um site qualquer, mas acho que toda informação concernindo Israel atualmente merece uma abordagem cuidadosa. Igualmente informações vindas do site do proprio Breaking the Silence. O que são esses doadores dos quais so conhecemos as siglas? Em todo caso, não faço parte daqueles que acham que a Europa vai salvar Israel de si mesmo, e me importa sim que muitos doadores sejam europeus, inclusive governos que tem uma postura anti-israelense. Utilize o tradutor do Google, bem eficiente. So para o que me parece mais grave: “O Secretariado para os direitos do Homem e as leis humanitarias é um conglomerado palestino com sede em Ramalah, reunindo fundos suecos, dinamarqueses e holandeses.” Talvez o doador que aparece como sigla começando por “S”?

    • João K. Miragaya

      02/06/2015 at 09:13

      Utilizar o tradutor do google foi exatamente o que eu fiz.

      Toda informação merece uma abordagem cuidadosa, sobre Israel ou não. Julgar uma organização europeia de direitos humanos, que faz doações a outra, simplesmente por ter sede em Ramallah, é bastante problemático. Desqualificar o doador por uma razão como essas é questionar a boa fé baseando-se em premissas preconceituosas (“se tal organização tem sede nos territórios, coisa boa não é”).

      Não li em nenhum comentário a defesa da tese de que “a Europa vai salvar Israel de si mesmo”, e não compreendo a que se refere. A organização Shovrim Shtika é israelense, formada por israelenses, e recebe financiamento de fora como diversas outras organizações, não questionadas pela reportagem deste site nem por ninguém.

      Sobre as siglas questionadas, busquei no google e facilmente encontrei informações sobre as organizações. São instituições mundialmente conhecidas, por isso não há a necessidade de publicar seus nomes completos. Imagino eu que os integrantes do Shovrim Shtika jamais pensariam que alguém os julgaria por má fé, apenas por não publicar os nomes completos. Se quiser conhecer mais as “siglas”, os links estão abaixo.

      ICCO (Interchurch Coordination Committee for Development Projects): http://www.icco-international.com/int/about-us/
      SIVMO (Committee for Support to Israeli Peace and Human Rights Organisations): http://www.sivmo.nl/about-sivmo.html
      AECID (Spanish Agency for International Development Cooperation): http://www.aecid.es/EN/aecid
      Misereor (Obra episcopal da Igreja Católica da Alemanha para a cooperação ao desenvolvimento): http://www.misereor.org/pt/misereor-org-home.html?

    • Eva Lan

      02/06/2015 at 18:52

      Caro João,
      Existem também preconceitos “a favor” que são tão prejudiciais quanto os “contra”. No caso aquilo que Robert Wichtrit chamou o “palestinismo”, a nova religião mundial que congrega pessoas de boa vontade, militantes da esquerda, de organizações judaicas ou cristãs ou anti-racistas, enfim todos os meus amigos que me olham torto se ouso defender Israel de acusações como essas. Aquilo que a midia reteve e divulgou desse relatorio equivale às fotos de criancinhas mortas durante a guerra de Gaza (muitas das quais provinham na realidade da Siria), criando compaixão por um lado sem nenhuma consideração do contexto global: o camarada que dizia ter sentido “prazer em matar”. Esse “idiota util ” não é provavelmente um sadico, um verdadeiro sadico não estaria fazendo “mea culpa”. E se ele esta se sentindo tão culpado, por que não se entrega às autoridades israelenses? Em vez disso seu testemunho vem corroborar as fantasias que o exército de Israel é um bando de sadicos que assassinam (em particular crianças) por prazer, cujo fundo no inconsciente coletivo é a acusação de assassinato ritual. O que você acha que leva todos esses estados europeus (e o Vaticano) a reconhecer um Estado palestino assim de graça, sem concessões da parte arabe?

    • Mario S Nusbaum

      03/06/2015 at 16:57

      João, você sinceramente acha que iria aparecer na lista o nome de uma organização palestina e/ou árabe? Você sabe o que é ICCO? AECID? Eu não.
      Sobre a BTS, Veja o que encontrei (trechos) em uma reportagem do The Telegraph:

      “I liked all the members personally, and at first found them to be sincere in their beliefs. But when the interviews began, something didn’t feel right.
      For one thing, the majority of the testimonies seemed to reflect the roughness of the military rather than any human rights abuse”

      “It appeared, therefore, that these former soldiers, some of whom draw salaries from Breaking the Silence, were motivated by financial and political concerns to further a pro-Palestinian agenda. They weren’t merely telling the truth about their experiences. They were under pressure to perform.
      Indeed, I later discovered that there have been many allegations in the past that members of the organisation either fabricated or exaggerated their testimonies.” Isso e muito mais em
      http://blogs.telegraph.co.uk/news/jakewallissimons/100248886/why-are-european-powers-and-oxfam-funding-a-radical-israeli-group/

    • João K. Miragaya

      03/06/2015 at 17:16

      Mario Silvio, eu não só acho como acredito piamente.

      Aqui em Israel as organizações devem, por lei, divulgar seus balanços e os nomes de seus doadores. Quando isso não acontece, dá cadeia.

      Além dos fatos, cada um acredita no que quiser.

      Um abraço

  • Raul Gottlieb

    02/06/2015 at 20:40

    Oi Marcelo.

    Olha quem financia o BTS: http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.659315

    Why I am nit surprised?

    O livro do Tuvia Tenemboim deveria virar livro texto nas escolas e universidades em Israel.

    Abraço,
    Raul

    • Eva Lan

      03/06/2015 at 19:33

      Caro Raul,
      Você poderia enviar o texto do Haaretz em copia, porque com o vinculo quem não é aderente so tem acesso às duas primeiras linhas.
      A referência do livro do Tuvia Tenemboim também, por favor.
      E fica minha sugestão para uma pequena campanha anti-boicote: peça a seus amigos para enviarem mensagens de apoio ao Caetano Veloso e ao Gilberto Gil que estão mantendo seu espetaculo em israel apesar das pressões. Difunda a idéia. So precisa tomar cuidado para não inundar o Facebook e outros veiculos dos moços!

  • Eva Lan

    04/06/2015 at 14:45

    A BDS é uma organização que esta ganhando pontos com sua campanha de boicote contra Israel, à base de uma propaganda que não recua diante de nenhuma mentira, acusando Israel de apartheid e de genocidio contra os palestinos.
    No Brasil, essa campanha avança. Através de uma idéia simples, a de se recusar a comprar produtos israelenses, pressionar artistas para que não se apresentem em Israel, impedir contratos com empresas israelenses, dão às pessoas a ilusão de influir sobre o mundo. Na verdade, seu objetivo principal é de difundir suas teses diabolisando Israel para isola-lo cada vez mais sobre a cena internacional: um Estado paria, como ja foram os judeus.
    Um dos fundadores de BDS, Omar Barghouti, diplomou-se pela Universidade de Tel Aviv, mas não tem vergonha de acusar Israel de apartheid.
    Nesse momento, proponho que enviemos mensagens de apoio a Caetano Veloso e Gilberto Gil, que resistem às pressões para anular seus concertos em Israel. O Facebook deles foi invadido pela propaganda pro-palestina boicotista, mas eles resistem.
    Ja postei a minha mensagem no Facebook de Caetano: ” Parabéns, Caetano e Gil, por sua coragem de ir cantar em Israel. Israelenses de todas as origens e religiões poderão aplaudi-los juntos, porque o apartheid so existe na cabeça doente dos boicotadores.”
    Quem estiver de acordo, faça circular entre seus amigos.

Você é humano? *