Atualização – Sequestro na Cisjordânia – 18 de junho de 2014

18/06/2014 | Conflito

Israel, 16:15 / Brasil, 10:15


Na manhã de hoje (18 de junho) foram anunciados 240 presos palestinos, após mais uma noite de operações do exército israelense  na Cisjordânia em busca dos três jovens sequestrados na última quinta-feira, Eyal Yifrah, Naftali Frenkel e Gilad Shaye. O Ministro da Defesa, Moshe Ya’alon (Likud), afirmou que “enquanto houver sequestros, prenderemos novamente os que libertamos”. O discurso de Ya’alon parece fazer sentido: voltam às cárceres militares israelenses 53 dos 1027 trocados por Guilad Shalit. Fontes do exército afirmaram haver um relativo progresso na busca pelos sequestrados.

Moshe Ya'alon
Moshe Ya’alon

O diário Ha’aretz publicou hoje uma reportagem recordando um discurso do Chefe do Gabinete Político do Hamas, Chalad Mish’al, sinalizando que novos sequestros possivelmente ocorreriam em um futuro próximo, como parte da estratégia de seu partido. O exército israelense afirmou estar sempre lidando com esta ameaça, mesmo após a declaração do governo de união nacional entre Fatah e Hamas.

Hoje pela manhã a Polícia de Israel divulgou imagens do carro utilizado pelos sequestradores na hora do ato, contrariando a proibição legal de divulgação de material enquanto o caso não for resolvido. Analistas consideram que a divulgação das fotos ajuda de certa forma os sequestradores, acusando falta de responsabilidade da Polícia. (veja as fotos no site israelense YNET)

Palestinos discordam

Mahmoud Abbas
Mahmoud Abbas

O Presidente da Autoridade Palestina, Mahammoud Abbas (Abu Mazen) fez fortes críticas aos sequestradores, em reunião com os Ministros do Exterior de países islâmicos, realizada em Jedda (Arábia Saudita): “Os colonos sequestrados na Cisjordânia são seres humanos como nós, e é nossa responsabilidade devolvê-los às suas famílias. Quem realizou esta operação só pode desejar nos destruir, pois a mensagem é muito clara: não temos como competir com Israel militarmente.” 

Abbas não deixou de criticar Binyamin Netanyahu: “Eles nos atacaram, mas ainda assim nós tentamos ajudar. Mas o Primeiro Ministro israelense se aproveita do sequestro para conspirar contra nós. Nós não vamos discutir agora. Estamos nos esforçando para localizar os garotos.”

O porta-voz do Hamas, Sami Abu-Zohari, respondeu a Abbas em sua página no Facebook: “As palavras de Abbas sobre o sequestro não se justificam. Elas minam o acordo de reconciliação, violam os acordos do Cairo e o consenso nacional palestino. As palavras de Abbas prejudicam milhares de prisioneiros palestinos que lutam contra uma morte lenta nas prisões israelenses. As declarações de Abbas se baseiam em alegações israelenses infundadas. Nossa posição tem como princípio apoiar o povo palestino a defender-se e enfrentar os criminosos da ocupação de todas as formas”.

Fontes: haaretz.co.il e ynet.co.il

Leia outros artigos do Conexão Israel a respeito:
Atualização do dia 15 de Junho.
Atualizações do dia 16 de Junho, parte 1, parte 2.
Atualização do dia 17 de Junho.

Comentários    ( 10 )

10 Responses to “Atualização – Sequestro na Cisjordânia – 18 de junho de 2014”

  • Mario S Nusbaum

    18/06/2014 at 17:21

    “O Presidente da Autoridade Palestina, Mahammoud Abbas (Abu Mazen) fez fortes críticas aos sequestradores, em reunião com os Ministros do Exterior de países islâmicos, realizada em Jedda (Arábia Saudita)”
    Posso estar enganado e redondamente enganado, mas tenho a impressão de que a maioria dos países islâmicos está com o saco cheio das lideranças palestinas.
    A mudança de postura do Abbas só pode ser resultado de ordens recebidas.

  • Mario S Nusbaum

    18/06/2014 at 17:22

    Correção:
    Posso estar redondamente enganado e sendo otimista,

  • Mario S Nusbaum

    18/06/2014 at 17:25

    “Quem realizou esta operação só pode desejar nos destruir, pois a mensagem é muito clara: não temos como competir com Israel militarmente.”
    Ele não poderia ter sido mais claro: se Israel não fosse ESMAGADORAMENTE mais forte, daria luz verde para sequestros, assassinatos, etc
    Incrível como alguns judeus não enxergam isso e se iludem achando que é possível dialogar. Até que os palestinos percebam que suas lideranças só os prejudicam, Israel não pode fazer nada.

    • João K. Miragaya

      18/06/2014 at 17:40

      Mário Sílvio, eu entendo que você tenha chegado a esta conclusão. Eu só gostaria de saber porque você ignorou a primeira frase do líder palestino nas suas citações.

      Vou facilitar o seu trabalho e transcrevê-la aqui: “Os colonos sequestrados na Cisjordânia são seres humanos como nós, e é nossa responsabilidade devolvê-los às suas famílias.”

      Se eu leio só esta frase, tenho boa vontade em relação a ele. Se leio só a sua, fico de má vontade. Portanto, por que não lemos as duas e tiramos uma conclusão com menos manipulação de informação?

    • Mario S Nusbaum

      18/06/2014 at 18:11

      “Se leio só a sua, fico de má vontade. ”
      Qual delas João?
      “porque você ignorou a primeira frase do líder palestino nas suas citações.”
      Muito simples:

      FOUR DAYS LATER, Abbas Condemns Kidnapping
      PA Chairman condemns kidnapping on one hand, lashes out at Israel on another, in belated statement on abducted teens.

      “Fatah, the party that leads the Palestinian Authority, celebrated the kidnapping with hateful cartoons on its Facebook page. Although Fatah’s caption was in Arabic, the context of one graphic was clear – three mice with Jewish stars being caught on a string”

      Você acha mesmo que eu devo levar a sério a condenação de um CRIME por parte de alguém que o comemorou dois dias antes?

    • Mario S Nusbaum

      18/06/2014 at 18:12

      “Se leio só a sua, fico de má vontade. Portanto, por que não lemos as duas e tiramos uma conclusão com menos manipulação de informação?”
      De novo, qual das minhas? Proponho aumentarmos o alcance da leitura e incluirmos as celebrações pelo sequestro.

  • Raul Gottlieb

    18/06/2014 at 17:27

    Amigos,

    Parece-me que um dos principais desdobramentos deste episódio é a manifestação do jovem Mohammad Zoabi e de sua mãe.

    http://www.timesofisrael.com/mohammad-zoabis-mother-defends-son-scolds-critics/

    Tenho a impressão que mais e mais árabes israelenses estão percebendo que é o mundo árabe e não Israel que pratica a intolerância e o sectarismo assassino.

    Sessenta e mais anos após a fundação do Estado, ultrapassadas as grandes barreiras provocadas pela guerra (que ainda não acabou, mas está mais controlada), os árabes estão percebendo que sua aceitação na sociedade israelense é cada vez mais efetiva e muitos estão tendendo a admirar a sociedade em que vivem.

    A aceitação não é perfeita e ainda há discriminação, mas sua intensidade vem diminuindo e os árabes, penso eu, percebem isto.

    Os árabes são 20% da população e são também 20% da população universitária, das agências do governo, no mercado de trabalho etc. Sua participação é ínfima no exército, mas isto se deve à necessidade de segurança e não à discriminação. Eles ainda ocupam os degraus mais baixos do mercado de trabalho, mas isto se deve mais à não participação no exército (onde o networking profissional é formado) do que à discriminação.

    Enfim, como falei ao amigo do Shomer de Florianópolis, temos tudo para nos orgulhar de Israel e este episódio mostra isto mais uma vez. Não temos que pedir desculpas pelo fato de manter uma cultura tolerante no meio de um mar de intolerância.

    Abraço, Raul

    • Mario S Nusbaum

      18/06/2014 at 18:15

      “Tenho a impressão que mais e mais árabes israelenses estão percebendo que é o mundo árabe e não Israel que pratica a intolerância e o sectarismo assassino.” Tomara Raul, e tomara também que os palestinos percebam o que suas lideranças conseguiram até agora. Pelo que sabemos apenas centenas de milhões de dólares em suas contas.

  • Marcelo Starec

    18/06/2014 at 20:49

    Gostei da colocação do Raul: “Tenho a impressão que mais e mais árabes israelenses estão percebendo que é o mundo árabe e não Israel que pratica a intolerância e o sectarismo assassino.” Há pelo menos mais um árabe israelense (Orim Shimshon) dizendo exatamente o mesmo que o rapaz Zoab.” Tenho convicção de que muitos eventualmente pensam assim, mas tem medo de se expressar publicamente, por razões óbvias. Israel é, de fato, um País tolerante cercado por um mar de intolerância e um exemplo a ser copiado (com adaptações, é claro) pelos demais países da região e não o contrário! Lutar nesse momento pelos 3 meninos é algo que vai além, inclusive, da importantíssima luta pela vida deles, que por si só já se justifica, mas é uma batalha por valores morais, que interessa ao mundo inteiro. Infelizmente a maioria das pessoas ainda não conseguiu perceber isso e entender adequadamente!…
    Abraço,

  • Raul Gottlieb

    19/06/2014 at 00:37

    Amigos, acabo de ler sobre mais um jovem israelense árabe que apoia Israel, Vejam:

    http://www.timesofisrael.com/second-arab-israeli-menaced-for-supporting-abducted-teens/

    Além disso temos as pesquisas que mostram que grande parte (não estou certo, mas acho que são mais de 50%) dos árabes de Jerusalém preferem ficar sob a jurisdição de Israel do que a Palestina.

    João – as declarações importam bem menos que os atos. Não há nada na AP que me faça crer que eles estejam interessados numa convivência com Israel, independente quão bonita é a frase escrita pelo redator dos discursos do Abas.

    Abraço, Raul