Beer Sheva – Seattle

Beer Sheva é a capital do deserto do Neguev. Uma das maiores cidades de Israel, com aproximadamente 200 mil habitantes. Sede da Universidade Ben Gurion, referência em várias áreas de pesquisa, e do Hospital Soroka, anexo à instituição acadêmica.

Trata-se de um dos municípios que mais cresce no país. Nos últimos treze anos, prédios residenciais enormes, novos bairros e centros comerciais mudaram o visual urbano. Até a rodoviária foi reformada, transformando-se em um moderno shopping center.

Conheci Beer Sheva em 1998. Eu a chamava carinhosamente de “capital da furada”, pois não tinha muita coisa para fazer. A exceção eram festas da galera universitária, fato que ainda rola atualmente, em bares, pubs e restaurantes. A Ben-Gurion é bastante central na vida da juventude local.

Pois, a cidade bíblica dos “Sete Poços” de Abraão (na verdade, a tradução bíblica seria Poço do Juramento. O trecho da Torá diz: . עַל-כֵּן קָרָא לַמָּקוֹם הַהוּא בְּאֵר שָׁבַע, כִּי שָׁם נִשְׁבְּעוּ שְׁנֵיהֶם) é irmã da norteamericana Seattle, desde 1977.

Conceito de “Cidade-Irmã” abrange a criação de relações e mecanismos protocolares, essencialmente em nível espacial, econômico e cultural, através dos quais áreas geográficas ou políticas distintas estabelecem laços de cooperação

Portuária, banhada pelo Oceano Pacífico, Seattle marcou gerações, a partir dos anos 90, com o ritmo rasgado do Grunge. Bandas como Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains ganharam o mundo.

Como cidades-irmãs, existem séries de intercâmbios de estudantes, de vários níveis, até contatos empresariais. Vale a pena conferir o site http://www.seattlebeersheva.org/

Eu destaco dois pontos importantes. Primeiro, em frente ao Merkaz Oren, norte de Beer Sheva, a praça Seattle, com direito a pedra fundamental exaltando a irmandade. Confesso que foi exatamente neste local, em 2008, que conheci a relação entre elas.

O segundo, eu não conheço pessoalmente, mas quem sabe, no futuro. O Beer Sheva Park, às margens do lago Washington, em Seattle.

Beer Sheva Park em Seattle.
Beer Sheva Park em Seattle.

O futebol é o esporte que move as multidões em Beer Sheva. Seu principal time, o Hapoel, foi vice campeão na temporada passada. O velho estádio Vasermil, com capacidade para 13 mil pessoas, foi trocado por uma nova e moderna arena.

Há alguns anos, a empresária Alona Barkat assumiu o comando administrativo do clube, investindo em jogadores renomados e estrutura. Atletas da seleção israelense como Buzaglo, Barda, Ben Sahar são exemplos.

Em Seattle, concentram as atenções o Seattle Mariners (baseball), Seattle Supersonics (basquete) e Seattle Seahawks (futebol americano).

Um amigo que estudou na Ben Gurion, há quinze anos atrás, disse que o diretório acadêmico central, certa vez, iria organizar festival de música grunge na instituição. Na minha opinião, seria a concretização de um laço cultural importante, entre as irmãs. Até porque seria mais possível, do que recitais de música mizrachit (oriental) na cidade americana.

Por volta de uma hora e quinze minutos, de carro, viaja-se de Beer Sheva a Tel Aviv. De trem, leva o mesmo tempo. Portanto, é possível morar no deserto, onde o por do sol é incrível, a brisa refresca as noite de verão e o custo de vida é bem mais em conta.

Os colegas Gabriel Paciornik e Yair Mau, saudosos ex-moradores, podem comprovar estas qualidades.

Links: http://www.seattle.gov/oir/sister-cities/seattles-21-sister-cities/beer-sheva
http://www.beer-sheva.muni.il/openning.asp?Lang=1
http://www.seattle.gov/parks/park_detail.asp?ID=440

Foto da capa: http://www.nbn.org.il/gosouth/wp-content/uploads/2013/06/Fountains.jpg
Foto interna: http://www.willhiteweb.com/puget_sound_parks/beer_sheva_park/beer_sheva_park.jpg

Artigos relacionados

Ver mais artigos

Comentários    ( 9 )

9 Responses to “Beer Sheva – Seattle”

  • Raul Gottlieb

    11/09/2015 at 12:52

    E qual a Microsoft de Beer Sheva?

  • Rita Burd

    11/09/2015 at 14:59

    Conhecí Beersheva quando era uma pequena, bem pequena, cidade. Simples e pacata, no meio do deserto. A visita era importante e fazia parte do nosso programa porque visitávamos ali perto, o Kibutz em que Ben Gurion viveu.
    Quando voltei para visitar meu filho no Kibutz Hatzerim, também perto, não pude acreditar no que estava vendo. Uma cidade pulsante e moderna. A Universidade do Deserto, Ben Gurion, vibrante, cheia de alunos estrangeiros. Era verão, então os cursos eram de extensão universitária.
    Agora, depois de tantos anos, imagino a cidade, ainda mais jovem e cheia de vida.

  • Mauricio Victor

    11/09/2015 at 22:29

    O Sonics acabou em 2008. Hoje Seattle também compartilha a paixão pelo futebol. O time do Seattle Sounders tem uma média de público de mais de 40mil pessoas por jogo em casa.
    Abraços.

    • Nelson Burd

      12/09/2015 at 11:34

      É, eu ainda tenho na memória as transmissões da NBA na Band com o Luciano do Valle e Elia Júnior, na década de 90. Bons tempos. Foi moda no Brasil, o pessoal usava camisas de times, bonés. Eu sou Lakers até hoje. A liga de soccer cresceu muito, popularizou, até porque trouxe estrelas. Pode-se dizer que os Estados Unidos de hoje são o Japão do início dos 90, quando trouxeram Zico, Alcindo, Bismarck, entre outros, e a coisa cresceu. Abraço.

  • Marcelo Starec

    12/09/2015 at 06:16

    Oi Nelson,

    Estive e passei um tempinho em Beer Sheva no início dos anos 90. Era uma cidade muito tranquila e sem nenhuma atração em especial…Já tinha ouvido falar que mudou muito e agora, com o seu interessante texto, tive essa confirmação!…Ben Gurion já entendia que Israel deveria investir pesado tanto no Norte quanto no Sul do País, deixando de ser aquilo que muitos israelenses chamam de “Estado de Tel Aviv”…Fico muito feliz em saber que, ao menos no Sul, está tudo caminhando…Já no Norte, acho que ainda falta um pouco para chegar lá mas, em meu entender, esse é o caminho…E para mim as pessoas, de acordo com as possibilidades de cada um, deveriam priorizar a moradia no Norte ou no Sul – muito mais importante para o futuro de Israel, lógico e razoável do que ir morar num assentamento na Judeia e Samaria…

    Abraço,

    Marcelo.

    • Nelson Burd

      12/09/2015 at 11:38

      O norte tem muita área agrícola, pois a natureza abençoou. No sul, o deserto toma a maioria do espaço. Haifa é uma baita cidade. Tem outras grandes também. Agora, Beer Sheva não para de crescer. Com o aumento dos preços de imóveis na região central, virou opção barata. Pode-se trabalhar em Tel Aviv e morar em Beer Sheva, pegando uma hora e pouco de trem. Coisa que no Brasil o pessoal faz em Rio, São Paulo, Porto Alegre, por exemplo.

Você é humano? *