Bisli, o salgadinho nacional de Israel

A perplexidade de quem prova um Bisli pela primeira vez não vai ser tão acentuada do que quando se prova um Bamba (como contou meu amigo Nelson, nesse texto daqui). Bisli tem cara de salgadinho e, para todos os efeitos, ao contrário do Bamba, é salgado mesmo. Mas para quem cresceu com batatinha frita e Cheetos (ou na pior das hipóteses, Fandangos sabor presunto), Bisli é um negócio à parte.

A começar, Bisli tem uma textura muito mais dura do que estamos acostumados. E o tempero é definitivamente… estranho. A experiência é a seguinte: Você abre um pacote, sente o cheiro e fica com fome. Bisli tem cheiro de refeição. Daí prova um. E fica pensando se gostou ou não. Na dúvida, prova outro. E assim vai, até acabar o pacote. Parabéns! Você acaba de terminar seu primeiro Bisli ainda sem ter muita certeza de se gostou ou não. Assim provavelmente serão seus próximos e assim é comigo até hoje, quase vinte anos depois de ter comido o meu primeiro. Nunca recuso, mas nunca consigo decidir se gosto ou não.

O Bisli foi criado no ano de 1975 pela Ossem, quando alguém percebeu que não havia no mercado israelense nenhum tipo de salgadinho. Pegaram um macarrão – principal produção da Ossem – fritaram e botaram um tempero – o tal do tempero com gosto de refeição e cheiro de sopa; provavelmente roubado de outro departamento da própria Ossem. Chamaram o produto de “Mordidinha para mim”, ou Bis li, e estava criado o salgadinho nacional. Hoje ele pode ser encontrado em diferentes sabores, cada qual com um formatinho diferente: Grill, Pizza, Falafel, Cebola e Taco. O que não pode ser encontrado é alguém que seja capaz de diferenciar os diferentes sabores sem usar o formato como dica.

É acima de tudo um sucesso. É o terceiro mais vendido salgadinho em Israel, perdendo só para o onipresente Bamba, e batatas fritas. Tem praticamente o dobro de vendas do quarto lugar, o Doritos [ref] Os dados são do site Globes, e são de 2012 [/ref] . E ao lado do Bamba, vai ser sempre encontrado em lancheiras, mochilas de piqueniques e festinhas infantis, em pratinhos descartáveis. Vende bem também no exterior, sendo um símbolo de salgadinho kasher, pode ser encontrado em diversos supermercados especializados pelo mundo, e até online na Amazon.

A divertida parte é que, ao contrário do Bamba ou do Cheetos, ou até Fandangos sabor presunto, o Bisli pode ser facilmente preparado em casa (receita no fim do texto). Além do que, por causa da sua textura mais dura, pode ele próprio ser usado como ingrediente em outros pratos. Por exemplo: Salada de Bisli. A receita é tão simples que chamar de receita é exagero. Com um martelo, ou com os punhos mesmo, quebre o conteúdo de um pacote de Bisli do sabor que você preferir. Prepare sua salada e jogue sobre esta as migalhas quebradas. Pronto.

Ou Shnitzel! O velho prato que já é praticamente mais israelense do que vienense, fica mais israelense ainda com pó de Bisli esmigalhado junto, ou ao invés da farinha de rosca.

No mais, já ví Bisli sendo recheado com patê e servido como se fosse canapé chique. O que não deveria ser estranho em um país que não tem qualquer vergonha de passar hummus em cachorro quente.

 

Prepare Bisli em casa!

Ingredientes:

  • 500 gramas de macarrão Fusili
  • ½ litros de óleo de canola
  • 2 colheres de sobremesa de sal refinado
  • 2 colheres de sobremesa de páprica doce
  • 2 colheres de sobremesa de cominho
  • 1 colher de sopa de caldo de carne
  • 2 colheres de sobremesa de açúcar
  • 2 colheres de sobremesa de ácido cítrico
  • 2 colheres de sobremesa de molho de soja
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Bisli quando pronto – ou quando retirado de um pacote

 

Forma de preparo:

Cozinhe a massa apenas até a metade do cozimento. Retire da água e deixe secar sobre uma toalha por pelo menos 10 minutos. Enquanto a massa seca, misture todos os temperos (afora o molho de soja) em uma tigela. Esquente o óleo quase até ferver em uma panela pequena. Ponha os fusili para fritar em pequenas porções. Deixe no óleo por 5 a 6 minutos, até começar a tomar cor, sempre misturando para não grudar e com cuidado para não deixar ficar muito escuro. Ao tirar a pasta do óleo, deixe escorrer em um papel toalha, mas não por tempo demais, e rapidamente leve à tigela de temperos e empane com a ajuda do molho de soja.

Pode ser guardado em um pote bem fechado por uma semana.

 

Veja a reação de jovens americanos provando o Bisli de Falafel, além de outros:

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Comentários    ( 5 )

5 Responses to “Bisli, o salgadinho nacional de Israel”

  • Ingrid

    09/03/2015 at 21:24

    Sou fã assumida de salgadinhos (como escondido qdo o Cori está na escola), mas esse daí me deixou bem desconfiada, achei bizarro, acho que miojo cru com temperinho desce melhor doque fuzili frito hahahhaha
    Fiquei aqui tentando lembrar dos salgadinhos que comia em Israel e tirando Bamba e batatinha, não lembro de mais nada.
    Beijocas

    • Gabriel Paciornik

      10/03/2015 at 10:46

      Ola, Ingrid, adoro miojo. E acho que o miojo cru tem seu valor. Mas o Bisli é mais gostoso. Se você achar por aí, não deixe de comprar!

  • Rafael Stern

    10/03/2015 at 02:20

    Eu sempre achei suspeito que existissem dois sabores para churrasco (grill e barbecue). Até que alguém mais familiarizado com o gosto de presunto me disse que o barbecue é muito parecido com presunto… Daí entendi que talvez fosse uma forma de fazer um sabor artificial de presunto sem assumir, hehehe.
    Sempre achei que bisli fosse o diminutivo de biss simplesmente, na forma do idish…

    • Gabriel Paciornik

      10/03/2015 at 11:05

      Na minha opinião? Tudo tem gosto de Bisli. Seja qual for a cor do pacote.

  • Marcelo Starec

    12/03/2015 at 04:38

    É interessante como o Bisli é bem vendido em Israel, mesmo em um contexto onde os competidores são os salgadinhos mais vendidos do mundo (Israel tem uma economia muito aberta à concorrência!)…
    Abraços,