Brindo à casa, brindo à língua

28/01/2018 | Sociedade

Imigrar nunca é fácil. Construir um novo lar, absorver novos costumes e idioma. Existem fatores que pontuam a adaptação ao lugar. No caso específico de Brasil-Israel, a premissa também é verdadeira.

Passados os primeiros momentos, a pessoa começa a decorar a casa. Compra objetos, traz do país de origem, ganha presentes. Pouco a pouco, consegue dar cara própria ao seu canto.

Dentro da tradição judaica, em épocas de festas como Rosh Hashaná e Pessach, há a cultura de renovar móveis e artefatos. Compram novos e deixam nas ruas os antigos. Seria uma espécie de renascimento, com o ano novo e primavera que chegam.

O novo imigrante, com o tempo, se acostuma a completar sua mobília, através destas doações. Até que possam chegar ao patamar de se renovarem também.

“Certa feita, junto de um amigo, com quem dividia a casa, catamos um sofá azul de dois lugares. Estava em bom estado. Parecia novo. Atualmente, eu e minha esposa sempre perguntamos aos conhecidos quem gostaria de receber uma estante, ou mesinha de centro, quando queremos nos desfazer. Se, por acaso, ninguém se interessa, colocamos na rua, em local protegido, para alguém necessitado. Eu me identifico com os catadores. Fui um deles”, revela Lê, morador de Ramat Gan, 31 anos, nove deles em Israel.

Isto faz parte do processo de adaptação. Conseguir um emprego digno, pagar as contas, sustentar uma família. Ter nível de conversação seria o mínimo para atingir estes objetivos.

Aprender o Hebraico consiste em dedicação ao estudo, ir às aulas, além de não ter vergonha de errar e “soltar a língua”. Realizar tarefas diárias, como pegar um ônibus e pedir informações na rua, são desafios vencidos e comemorados.

Miriam Gottlieb Treistman leciona Português para israelenses há anos e, agora, inaugurou plataforma de ensino do Hebraico. O site hebraicosimples.com oferece classes on-line. “No Brasil, existe muito interesse pela língua hebraica, nas versões bíblica e moderna, falada na atualidade. Com o aumento da imigração brasileira a Israel, criamos método de ensino com foco no cotidiano. Como se portar no banco, supermercado, identificar leis de trânsito. Vi muita gente passar por isso no início de suas vidas por aqui. Sei como ajudar”, explica.

Formar o seu lar e comunicar-se com os vizinhos são as primeiras etapas que o imigrante brasileiro enfrenta em Israel. Força de vontade e perseverança ajudam a realizar os objetivos. Passo a passo, com paciência, todos conseguem.

Recomeçar do zero é o ponto de partida de todo imigrante. Não importa a situação vivida no país de origem. Tampouco, contatos de amizade e parentes no local de chegada. O processo de absorção pode incluir a realização de tarefas que não condizem com a formação acadêmica para o auto-sustento, por exemplo. Não é nenhuma vergonha. Pelo contrário, o avanço na nova sociedade ocorre desta forma. Como contou Lê, de Ramat Gan, “primeiro catamos. Depois, doamos”. Encarando esta situação com dignidade, o sucesso ocorrerá.

Foto da capa: Arquivo Conexão Israel.

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