Brita, Mei Berez

O Amir Szuster escreveu texto fantástico, semana passada. Este assunto, na verdade, tem desdobramento interessante, que reflete no dia a dia do israelense. Como consumimos água potável?

Em 2007, matéria exibida na televisão local analisou a qualidade das águas mineirais comercializadas. Especialistas foram ouvidos. No final, a maioria revelou que, nas suas casas, bebiam “mei berez”, ou seja, água da torneira.

É verdade que a água fornecida é de excelente qualidade, apesar do gosto pesado, pelo excesso de Cádmio, no solo. A única questão que impede pessoas de tomarem direto da torneira é a limpeza de canos e a falta de costume.

Por 12 Shekalim, cerca de 8 Reais, compra-se pacote com 6 garrafas de água mineral sem gás, da marca Ein Gedi, a mais popular (1 Shekel por litro, como falam na propaganda). Todas outras empresas vendem garrafas de 1 litro e meio. Destaco Neviot, com o slogan “LaGuf VeLaNeshama” (Para o corpo e para a alma) e Mei Eden (Mei Eden é Água de Éden).

Israel é um país árido. No verão, não chove. Turistas desmaiam, por desidratação. Os nativos costumam, desde a infância, levar garrafinhas para todos os lugares. O pessoal toma água sem parar.

O brasileiro, recém chegado a Israel, toma um golinho e já se considera hidratado. Com o tempo, aprende-se que mesmo 500 ml não é nada, no calor de Tel Aviv, ou no “bafo do demônio” que sente-se em Eilat, fronteira com o Egito, de abril a novembro.

A maior concorrência das “águas comerciais”, no entanto, não é a “Mei Berez”. Empresa chamada de Tami Arba faz máquinas modernas, que fornecem água gelada, temperatura ambiente, quente e, mais recentemente, água com gás. A Tami aposta na praticidade e conquista muitos adeptos.

Depois de muitos anos comprando Ein Gedi, passei a consumir a tal da Brita, filtro prático. O custo, realmente, não é alto e cada troca segura as pontas por um mês.

Água é tema delicado em Israel. Isto é imutável. Entretanto, é bom saber das opções existentes para matar a nossa sede de maneira saudável e usual.

Comentários    ( 16 )

16 Responses to “Brita, Mei Berez”

  • Pedrão

    21/05/2014 at 16:27

    Muito interessante, ótimo texto. Parabéns.

  • Marcelo Starec

    21/05/2014 at 21:12

    Oi Nelson,

    Interessante o artigo. A água da torneira tem outra vantagem, que é a não necessidade de reciclar tantas garrafas pet. Outro dia li um artigo que descrevia isso, em termos de custo ambiental, de se consumir água de boa qualidade sem vir engarrafada, pois desse modo as garrafas plásticas podem ser utilizadas por um bom tempo.

    Abraço,
    Marcelo.

    • Nelson Burd

      22/05/2014 at 00:19

      É Verdade, Marcelo. Em Israel, a questão da reciclagem de garrafas até bem avançada. O Yair escreveu texto sobre isto. Abraço.

  • Henrique Moscovich

    21/05/2014 at 23:06

    Nelsinho,
    A qui a preocupação ou histeria chegou a tal ponto que se preocupam até com o sódio da composição de uma determinada marca de agua mineral, como no dia que se escacear e faltar os criticos irão bebe-la para não morrer de sede.

    • Nelson Burd

      22/05/2014 at 00:21

      Há 30 anos, no Brasil, havia a polêmica do Fluor na água. Se valia aplicar, ou não, benefícios e malefícios…Quanto mais avanços na ciência, mais problemas encontram. Abraço.

  • Mario S Nusbaum

    22/05/2014 at 15:39

    “Israel é um país árido”
    O Brasil NÃO é, mas graças aos “nossos” políticos, caminhamos para ter os mesmos problemas.

    • Nelson Burd

      22/05/2014 at 15:44

      Pois é, Mário. Como é abundante, em muitas regiões, o pessoal joga fora. O Ben Gurion era um que, sempre quando ouvia falar no Brasil, dizia: Quanta água…

  • Mario S Nusbaum

    22/05/2014 at 18:16

    Há muito (muito mesmo) tempo atrás, eu e um amigo fomos de ônibus para Brasília com um tio dele que era israelense. Depois de umas cincos horas nós dois estávamos de saco cheio e perguntamos a ele se estava sentindo o mesmo. Até hoje lembro da resposta: não, eu nunca vi tanto verde na minha vida.

  • Raul Gottlieb

    23/05/2014 at 23:58

    No diapasão dos últimos comentários, vale a pena passar adiante um comentário que fizeram para mim anos atrás e que eu não sei dizer se o fato é verídico.

    Me contaram que certa vez Ben Gurion comentou a um brasileiro: “não entendo o Brasil – tem tanta água e mesmo assim tem tantos problemas”.

    Repito – não sei dizer se isto é verdade mesmo, mas ficou gravado na minha cabeça.

    • Nelson Burd

      24/05/2014 at 01:32

      Raul, não conhecia esta frase. Vou procurar. Abraço.

    • Mario S Nusbaum

      24/05/2014 at 16:55

      Também ouvi algo parecido Raul. Outra aconteceu com o Érico Veríssimo. Um líder israelense lhe disse que não entendia porque a América do Sul não era um país só (isso na década de 50, quando imagino sabia-se muito pouco sobre a região em Israel).
      Ele respondeu que a questão era porque o Brasil não se dividiu, o que era muito mais provável.

  • Mario S Nusbaum

    24/05/2014 at 16:59

    “Em texto publicado em 18 de março na Folha de S. Paulo, o colunista e escritor Carlos Heitor Cony lembra sua primeira viagem a Israel, em 1961, e conta sobre seu encontro com o primeiro-ministro Ben Gurion:

    “Ao saber dos problemas do Brasil, o primeiro ministro de Israel, Ben Gurion ficou espantado, ‘como pode haver problemas para um país com tanta água’”.”

Você é humano? *