Chega de ser otário

09/05/2016 | Economia; Sociedade

A festa está acabando? É o que dizem as notícias em Israel.

Nos últimos quatro anos, consumidores israelenses economizaram cerca de 20 bilhões de shekels (R$18,5 bilhões de reais) em contas de celular, segundo o jornal The Marker. Desde 2012, quando o governo israelense quebrou o monopólio sobre o mercado de telecomunicações por celular, o israelense paga muito mais barato. Diferentemente do Brasil, poucos israelenses tem a sensação de que está pagando mais do que deveria.

Para entender o que isso significa. Por R$93 reais, um plano da empresa Golan Telecom inclui: minutos ilimitados para celular e fixo dentro de Israel, minutos ilimitados para fixos de dezenas de países (incluindo o Brasil), 3G/4G ilimitado dentro de Israel e grátis em algumas dezenas de países, número de outros países que retornam no celular em Israel, e algumas vantagens mais. A empresa pouco fala com seus clientes, não tem o melhor serviço possível, mas definitivamente entrega um bom serviço pelo preço pago. Até hoje honrou seus slogans de lançamento, quando usava frases como: “Ainda é um otário?” ou “Chega de ser otário”. E sim, ser um “fraier”, como se fala otário em hebraico, é o maior medo do israelense.

Infelizmente há sérias dúvidas sobre a capacidade de a mesma Golan Telecom continuar no mercado com preços e serviços tão competitivos. A empresa de Michael Golan, que é símbolo maior da quebra de monopólio no mercado de celulares, não anda bem das pernas.

“Viemos para ficar”

A frase do executivo da empresa tenta mostrar ao mercado que nada acontecerá por agora. A empresa esteve bem calada depois que a tentativa de se fundir à empresa Cellcom, que está há muitos anos no mercado e era um dos grandes players e perdededores da reforma no mercado. Com cerca de 850 mil clientes, a Golan Telecom se coloca como um ícone que foi exemplo para muitos mercados a aumentarem a competição e diminuir preços para o consumidor israelense. No entanto, é mais provável que o caminho da descida de preços que começou anos atrás esteja no final. Ainda não está claro onde os preços e essa história irão terminar. O preço médio da conta de celular do consumidor israelense foi de NIS 145 shekels em 2010, para NIS 65 shekels.

O que melhorou (e o que o consumidor pode perder)

Está claro que o preço foi a melhoria principal. Empresas como Golan e Hot Mobile, que entraram após a reforma do mercado em 2012, investiram em planos de celular claros para o consumidor, sem regras estranhas ou limitações de minutos. O consumidor paga e sabe exatamente o que está recebendo. Outro lado importante é que a reforma pressionou as empresas do ramo de telecomunicações a investirem em mudanças que melhorassem seu desempenho e eficiência nos processos e atendimentos. Fora isso, empresas como a Cellcom entraram em outros mercados para sobreviver, como planos de televisão pagos.

Atualmente, o consumidor tem acesso online aos seus planos de maneira simples e não precisa gastar horas com telefonemas para pedir mudanças de planos que não entende, entender cobranças abusivas ou cancelar seu plano. Empresas mais eficientes, informações mais claras  para o consumidor, fim das horas ao telefone, planos complexos e abusos contra o consumidor.

Investimentos em melhoria da rede

Por outro lado, o jornal econômico The Marker cita a falta de investimentos em melhorias nas redes de celular. Enquanto na Europa e Estados Unidos as empresas locais começam a explorar possibilidades de uma Geração 5 (5G) de redes de comunição, Israel ainda não acabou a instalação do 4G em todo o país. As empresas diminuíram seus investimentos em novas antenas e tecnologias como maneira de alcançar mais eficiência e diminuir gastos.

A festa está acabando

A possível saída da empresa Golan Telecom do mercado deverá mudar o mercado de celulares com a diminuição da competição, mas está claro que este mercado não voltará a ser o mesmo de antes. Os consumidores já se acostumaram com o status quo atual e dificilmente aceitarão grandes mudanças. Por outro lado, a reforma no ramo dos celulares pode trazer exemplos para mercados como bancos, moradia, alimentos e outros mercados problemáticos, em um país com muitos monopólios.

Fontes:
http://www.themarker.com/technation/1.2938246

http://www.themarker.com/technation/1.2930217

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Comentários    ( )

One Response to “Chega de ser otário”

  • Raul Gottlieb

    15/05/2016 at 17:22

    Seria interessante comparar o regulamento governamental que afeta as empresas de telecom em Israel e no Brasil. Eu suspeito que no Brasil o regulamento que almeja proteger o consumidor acabe por prejudica-lo.