A cidade branca, em preto e branco

08/10/2014 | História; Sionismo

O israelense Shai Rajoan, de 25 anos, abriu em setembro de 2013 uma página no facebook que é simplesmente imperdível. Ela se chama “White City – Tel Aviv“, e publica fotos antigas da cidade de Tel Aviv, também apelidada de “a cidade branca”. (Hoje Tel Aviv está mais para cinza, fazendo assim caminho contrário de Gandalf.) A página é em hebraico, e pode ser vista por todos, não é preciso ter conta no facebook.

“Nasci na cidade de Tel Aviv”, conta Shai, numa reportagem ao YNET. “Cresci em Yafo, meu pai é do bairro HaTikva, e nossa família tem sua história nesta cidade. Desde sempre sua beleza me atraiu. Estudei a fundo o assunto, e ainda jovem comecei a adquirir cartões postais da cidade. Em seguida, comprei livros, fotos e coleções de pessoas que simplesmente queriam se livrar daquilo.”

Além de seu acervo pessoal, Shai publica fotos do Escritório de Jornalismo do Governo, que colabora com o projeto. “Queria compartilhar com o público a beleza da cidade através de fotos e da estética de Tel Aviv, que reflete as origens e culturas de seus habitantes. É importante para mim que as pessoas gostem, conectem-se e aprendam sobre a primeira cidade hebraica. É importante preservar a História e não esquecer de onde viemos. Construímos aqui uma cidade onde antes havia apenas areia, e devemos respeitar estas conquistas”.

Shai escolheu o refrão da canção “Tnu lanu yad venelech” para representar sua página:

Dêem-nos a mão e vamos
À pequena cidade que beira o mar
Dêem-nos a mão e vamos
Aos lugares que existiam e não existem mais.

Confiram abaixo algumas imagens retiradas da página do facebook. Clique nas imagens para ampliá-las.


A multidão se junta na Derech Petach Tikva (que virá a ser chamada Begin), esquina com HaShfela 2, enchendo as calçadas e varandas dos prédios para ver o desfile de independência do exército de Israel, que mostra seus jipes. 1959.
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Cotidiano na rua Allenby, 1938.
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Durante a Guerra de Yom Kipur, crianças participam do esforço nacional, descarregando sacos de areia de um caminhão, 1973.
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Rara foto em cores do navio Altalena, após ter sido bombardeado pelo exército de Israel, em um conflito entre o Irgun de Menachem Begin e o recém-formado governo de Israel, liderado por Ben-Gurion. 1948.
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Uma longa fila na rua Dizengoff para subir ao ônibus 5 (na época em que se fazia fila em Israel), 1949.
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Candidatas ao título de “Miss Israel”, em sua primeira edição, em 1950, em frente a um quadro de avisos anunciando a cerimônia.
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Mulheres conversam e bordam no café Rowal, na rua Dizengoff 111. Só o cara que as acompanha está entediado… 1953.
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Camelos passam na frente da Pensão Excelsior, na esquina da rua Yarkon com rua Bugrashov, onde o Bauhaus encontra o Oriente Médio. 1932.
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Manhã de sábado, no café Ginati (Rua Ben Yehuda 1), 1947.
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Praça da rua Dizengoff, 1939.
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Homem comprando gelo, e ao seu lado um fiscal da prefeitura para controlar o preço do gelo. 1951.
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Esperando o ônubus 4 na rua Ben Yehuda, em 1948.
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Trem na esquina das ruas Allenby e Yehuda HaLevi, 1946
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Fila na frente da biblioteca Renascence para a compra de ingressos para um concerto, na rua Allenby 45. Ao seu lado, “HaBalon HaMavrik”, uma engraxataria. Inverno de 1936.
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Novos imigrantes aprendendo hebraico, 1941. Pode-se ler as palavras “imigrantes ilegais” (maapilim=מעפילים), trabalhadores (ovdim=עובדים), terra de Israel (eretz israel=ארץ ישראל) e “o povo” (haam=העם).
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Praça Magen David, com um ônibus britânico de dois andares. Esquina da Allenby com a Nachalat Binyamin, perto de uma das pontas do mercado HaCarmel. Anos 1940.
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Sala de leitura, anos 1940. (Ninguém tem tablet ou smartphone!)
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Fotógrafos na frente do Museu de Tel Aviv, logo após a declaração de independência. 14 de Maio de 1948.
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Enfermeiras cuidando de bebês, no pátio da maternidade da rua Grozenberg. 1922.
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Primeira festa pública em Tel Aviv, em 1909, provavelmente no rua Nachalat Binyamin.
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Fontes:
YNET
Facebook, visite a página!

Comentários    ( 8 )

8 Responses to “A cidade branca, em preto e branco”

  • Raul Gottlieb

    08/10/2014 at 10:36

    Olá Yair,

    Para quem mora na poliesculhambada cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, Tel Aviv não é uma cidade cinza – ela é uma cidade bem cuidada e lindamente florida na primavera. Fora do centro mais aglomerado as calçadas são aprazíveis e dá para empurrar um carrinho de bebê com a maior tranquilidade.

    As fotos que você publicou são muito interessantes e fazem um belo contraste com as fotos do Rio antigo. Ao ver as fotos antigas do Rio temos nítida a impressão que a qualidade de vida na cidade piorou muito. Ao ver as de Tel Aviv a sensação é oposta.

    Abraço, Raul

  • Marcelo Starec

    08/10/2014 at 23:17

    Oi Yair,
    Adorei o seu texto e as fotos também! Aproveito ainda para lembrar aqui que uma foto um pouco mais antiga do que 1909 (a mais antiga que tem aí), de uns anos antes, quando o que viria a ser a cidade de Tel Aviv foi fundada, mostra nada mais que uma grande área vazia, sem nenhuma construção!…No mais, concluo concordando com o Raul que as fotos dão a nítida e acredito verdadeira impressão de que a qualidade de vida melhorou muito em Tel Aviv, ao longo do tempo. Por fim, as fotos nos mostram peculiaridades que eu desconhecia, como o ônibus de dois andares circulando na cidade.
    Abraço,
    Marcelo.

  • Yair Mau

    09/10/2014 at 01:15

    Raul, Tel Aviv tem sorte que as árvores cresceram muito em relação ao que vemos nas fotos. Assim elas tapam as fachadas dos prédios, que se voce prestar atenção, estão em sua maioria em situação calamitosa. A cidade era branca porque os predios eram melhor cuidados por fora, e de vez em quando se pintava também. Hoje é de um tom cinza/bege, cor do reboco que puseram ali e nunca mais mexeram.

    Marcelo, o núcleo de Tel Aviv realmente era vazio, mas conforme a cidade foi se espandindo ao norte, engoliu algumas aldeias árabes. Notoriamente, existia uma onde hoje é a esquina da Ibn Gabirol com a Arlozorov (Al-Mas’udiyya) e onde é hoje a universidade de tel aviv (Sheikh Munis). Se os árabes que moravam ali fugiram ou foram expulsos em 1948, isso já é assunto para outro artigo.

    • Raul Gottlieb

      09/10/2014 at 11:20

      O centro de Tel Aviv é meio esculhambado sim, mas deve haver algum programa de restauração em curso, pois vejo muitos prédios sendo recuperados.

      Porém se o caso é que as árvores cobrem as fachadas cinzas, TA deveria passar de “cidade branca” para cidade “verde”, não é mesmo 🙂

  • flora

    09/10/2014 at 01:46

    Adorei as fotos, são históricas e nostálgicas! Pode-se contestar muito antissemita com elas…mas isso é outra coisa….Olha que nem gosto muito de Tel Aviv….. mas valeu muito.

  • Marcelo Starec

    11/10/2014 at 18:11

    Oi Yair,
    Obrigado pelas informações adicionais. Fico feliz em confirmar a informação de que efetivamente a cidade foi fundada numa área vazia. No mais, concordo contigo, é tema para um outro artigo.
    Abraço,

  • Mauricio Leite (Mike)

    13/10/2014 at 03:39

    Oi Yair.

    As fotos estao muito bonitas.

    Ja estive em Tel Aviv diversas vezes para me considerar um “expert” na minha cidade favorita. Procuro passar pelo menos oito dias consecutivos. Ao mesmo tempo sinto que ainda tenho muito por descobrir.

    Sou arquiteto / urbanista, e tenho estudado a cidade a fundo por mais de vinte anos. Compro tudo que posso relacionado a historia e ao desenvolvimento de TLV.

    Adicionando ao seu artigo, sugiro aos que a visitem a parte sul da cidade e querem um passeio diferente que comecem no entorno da antiga rodoviaria (hoje Menachem Beguin, primeira foto) ate a ja restaurada Neve Tzedek. Simplesmente um barato. Parece Praga. Casas e predios antigos com portoes em ferro sao encontrados decorados com Maguen David e outros motivos judaicos. Ate elementos decorativos Art Deco e Art Nouveau sao vistos com frequencia, porem totalmente perdidos para os que estao sempre com pressa. Nao deixe de olhar os pavimentos; muito marmore e antigas ceramicas bem coloridas ainda sao encontrados com facilidade. Interessante tambem as casas que foram construidas em pedra com telhado com acabamento em ardosia. . Poucas permanessem intactas.
    Cabe lembrar que tudo ainda estar por ser renovado ou seja, a procura deve ser feita devagar, passo a passo e com muita boa vontade.
    O trilho por onde passa o trem na Yehuda Halevi (foto) ainda pode ser visto ate hoje em alguns trechos.

    Se existe algum plano para uma possivel urbanizacao, que tudo seja feito com sensibilidade. Tenho certeza que muitos moradores nao conhecem esse lado da propria cidade.

    Um patrimonio tao valioso quanto a “Bauhaus” que pode ser facilmente encontrada na parte central/norte da cidade e que ja entrou para a historia da humanidade atraves da Unesco.
    Vale a pena conferir.

    Artigo muito bom.

    Meus parabens.
    Mike