A Conquista Sionista

06/12/2013 | Sionismo

Há alguns anos fui colocado diante da seguinte questão: dentre as afirmações abaixo, deveria escolher aquela(s) que realmente representasse(m) “conquistas sionistas”:

  1. Os livros de Amos Oz estão traduzidos para mais de 30 línguas;
  2. Em 2005 houve um grande terremoto no Paquistão e Israel enviou equipe de resgate e médicos para o país.
  3. O vinho Carmel ganhou um prêmio na França em 2006.
  4. Macabi Tel Aviv foi bi-campeão europeu de basquete de 2004-05;
  5. Israel lançou um satélite com sucesso ao espaço.
  6. Um cidadão israelense ganhou o prêmio Nobel.

Ora… Eu adoro o Amos Oz, mas será que a tradução de livros seria um objetivo do movimento nacional judaico? “Uvas premiadas” seriam a cristalização do sonho dos ideólogos do passado? Se eu não gosto do Macabi, então o que me importa se ele foi campeão de basquete? E, afinal de contas, “conquista sionista” seria o mesmo que uma “conquista nacional” no moderno Estado de Israel? Eu não tinha uma resposta clara para aquela pergunta naquele momento da minha vida.

Contudo, hoje é diferente. Me lembrei vivamente daquela pergunta após participar de um evento grandioso em meu local de trabalho. Há algumas semanas, todos os funcionários se reuniram para assistir em um telão, o CEO da empresa tocar o sino da Nasdaq – bolsa de valores nos Estados Unidos que reúne as empresas de tecnologia. Em um breve discurso, ele lembrou o caminho percorrido em sete “longos” anos desde o momento que havia sentado junto com seu irmão e um amigo em Petach Tikva para pensar na criação e estruturação de uma Startup. E, finalmente, lá estava ele, falando o nome de Israel, de Tel Aviv, no meio do palco em um dos maiores centros financeiros do mundo.

Participar deste momento como alguém que vivencia o dia a dia de uma empresa israelense inserida em um mercado mundial, foi uma sensação muito maior do que uma simples conquista pessoal e profissional das pessoas envolvidas neste projeto. Talvez pela minha história, pelo meu passado como educador em um movimentos juvenil sionista, pela minha ideologia, não conseguia dissociar aquela conquista individual de uma genuína “conquista sionista”. Se por um lado, como empresa, estávamos ganhando o mercado, por outro lado, como país, demonstrávamos mais uma vez ao mundo, a capacidade de trabalho, eficiência e criatividade produtiva da sociedade israelense.

Israel - ConexaoIsrael - Wix
Avishai Abrahami, CEO da empresa Wix.com

Nasci no Brasil, um país que possui um sentimento nacional que estranhamente se manifesta mais nos sucessos esportivos do que em outras esferas. E de repente, morando em Israel há sete anos, o simples fato de falar hebraico se tornara passível de comemoração. Por que esta mudança? Por que a diferença?

A resposta hoje me parece muito fácil. A forma como me relaciono com este país que escolhi morar é completamente diferente de como me relaciono com meu país de origem. O fato do Brasil não ter a sua existência posta a prova diariamente certamente contribui para a diferença de percepções. A sobrevivência de Israel, ainda hoje, não é certeza absoluta. E, considerando que reconheço a importância de Israel como o “lar nacional judaico”, não é muito difícil entender o olhar apaixonado em quem enxerga cada pequena conquista, cada pequena vitória, como um passo adiante na cristalização deste antigo e eterno projeto.

Outro fator nada desprezível é a diferença de origem que há entre Brasil e Israel. O Brasil é um país formidável, mas construído da mesma forma que tantos outros. Israel é um exemplo único na história da humanidade: nunca antes uma nação havia conseguido fazer renascer a sua dimensão política após dezenas de séculos de submissão. 

Existe na sociedade israelense, o sentimento mútuo de se fazer parte desta construção. O escritor Amos Oz, os produtores do vinho Carmel, os jogadores do Macabi e o CEO da empresa em que trabalho, reconhecem a importância de seus antepassados (não tão “passados”) na construção de um país que possibilita as suas atuais conquistas pessoais. Eles próprios se reconhecem e são reconhecidos como frutos de uma sociedade desenvolvida a partir da cultura hebraica moderna.  

Todas as opções da pesquisa inicial representam conquistas em diferentes áreas da sociedade que se desenvolveram bastante e receberam reconhecimento internacional. Sem dúvida, uma das aspirações do Sionismo era de que criássemos uma sociedade judaica plena na Terra de Israel. E o sionismo, como movimento nacional, criou os alicerces para o surgimento de um Estado onde o nosso povo tivesse autonomia para se auto-governar e para se desenvolver. Como cidadão livre de um Estado Judeu, plural e democrático, comemoro em silêncio a privilégio concedido a nossa geração.

Sempre haverá novos desafios e novos obstáculos, pois isto é da natureza das nações. Entretanto, as formidáveis conquistas destes últimos 65 anos, indicam que estamos indo muitíssimo bem. 

Comentários    ( 10 )

10 comentários para “A Conquista Sionista”

  • Raul Gottlieb

    06/12/2013 at 19:19

    Uai, eu não sabia que era permitido fazer merchandising no Conexão…

  • Mauricio Peres Pencak

    06/12/2013 at 22:52

    Senti-me contagiado e partilhei da emoção do autor. Parabéns!

  • fabio druker

    07/12/2013 at 12:19

    Querido Marcelao,

    seu texto como sempre foi muito bem escrito,

    so que na minha opiniao existem outras empresas e tecnologias que foram e sao mais

    importantes e motivos de orgulho para Israel do que a WIX.

    beijos

    • Marcelo Treistman

      08/12/2013 at 13:09

      Fabinho,

      É obvio que existem outras empresas de tecnologias (e outros ramos) que foram e sao mais importantes que o Wix.
      Apenas utilizei a minha experiência pessoal e percepção (de dentro de uma empresa israelense que realizou um IPO) para informar o seguinte:

      Se por um lado, como empresa, estávamos ganhando o mercado, por outro lado, como país, demonstrávamos mais uma vez ao mundo, a capacidade de trabalho, eficiência e criatividade produtiva da sociedade israelense.

      O IPO é, sem dúvida uma conquista do Wix. Mas a questão realmente relevante é indicar que Israel proporciona o desenvolvimento individual porque é um país desenvolvido, com pouca corrupção, que produz ciência em alto nível, pouco burocrático (comparado ao Brasil), etc…

      Fico feliz que você tenha gostado do texto. Abração.

  • Raul Gottlieb

    08/12/2013 at 00:41

    É Fábio, até pode ser, mas o fato é que o Marcelo fez um comercial da WIX e que o comercial deu certo. Na sexta feira as ações da empresa dele subiram 9%!!! Qual outra empresa de tecnologia israelense subiu 9% na sexta? Shavua Tova, Raul

  • Isabel

    08/12/2013 at 12:58

    Nossa!!! Emocionante o texto…
    Meu foco felizmente ou infelizmente nao foi na parte do que teria sido o um comercial … mas achei demais as comparacoes …
    Kol a Kavod Marcelo
    Isabel Portugal

  • Ricardo

    08/12/2013 at 19:20

    Querido Marcelo,

    Me sinto totalmente identificado com seu sentimento. E poucas vezes me emocionei tanto com texto tão singelo. Abraço, Ricardo

  • Carlos

    10/12/2013 at 01:40

    Não tem como Israel exportar isto a outros paises, principalmente os de origem africana que sao muito pobres e altamente corruptos? Carlos Vitória E.S

Você é humano? *