Crítica: Belém – Zona de Conflito

15/09/2014 | Conflito.

Publicado originalmente no blog pessoal do autor: cinesempipoca.wordpress.com


Bethlehem* (2013), do diretor Yuval Adler, conta a história da relação entre um agente do serviço secreto israelense e seu informante, um adolescente palestino. Sob muitos aspectos, o filme se parece com produções recentes sobre a violência no Rio de Janeiro.

Tsahi Halevi faz o papel de Razi, o agente do Shin Bet responsável pela vigilância da cidade-título, localizada na Cisjordânia ocupada, onde vive Sanfur. O garoto é irmão de Ibrahim, o comandante local das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, o braço armado do movimento palestino Fatah.

O filme se passa durante a Segunda Intifada Palestina, no início dos anos 2000, quando as Brigadas Al-Aqsa ainda eram responsáveis por grande parte dos atentados suicidas em cidades israelenses, causando mal-estar na já instável relação entre a Autoridade Palestina, controlado à epoca pelo Fatah, e o governo israelense.

Quando surge a informação de que um atendado suicida está prestes a acontecer em Jerusalém, e será levado a cabo pela célula comandada por Ibrahim, Razi precisa fazer de tudo para extrair informações de Sanfur que lhe revelem o paradeiro do irmão terrorista. O agente, entretanto, precisa equilibrar esta pressão com a relação de longo prazo que estabeleceu com sua fonte, por quem nutre sentimentos pessoais e sobre quem aposta seu futuro profissional.

Belém: Zona de Conflito, falado majoritariamente em árabe, com trechos em hebraico, é um filme tenso do início ao fim. As cenas dos bastidores do serviço secreto e as operações militares nos territórios ocupados remetem a uma comparação inevitável com Tropa de Elite, mas seu elenco surpreendentemente amador – o protagonista despontou como finalista do The Voice Israel – lhe confere uma pitada de Cidade de Deus, meu filme brasileiro preferido.

Minha nota: 4/5

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* título internacional. Originalmente, Beit Lechem (בית לחם).

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