Curioso esse povo…

06/04/2017 | Cultura e Esporte

O Governo de Israel divulgou comunicado oficial, final de março. Pedia que seus cidadãos evitassem viajar para a região do Sinai, pertencente ao Egito. O risco de atentados do grupo terrorista, Estado Islâmico, é iminente.

Durante duas semanas, há recesso escolar de Pessach (Páscoa Judaica). Os turismos, interno e externo, aquecem. O Aeroporto Ben Gurion lota de manhã, tarde, noite e madrugada. A Air Sinai leva passageiros diretamente ao local não recomendado pelas autoridades, em voos de, aproximadamente, duas horas.

A tradição hebraica nos conta que o povo israelita, liderado por Moisés, após milagres divinos, deixou o Cairo, rumo à liberdade. Curiosamente, ao relembrar este fato histórico, muitos israelenses voltam ao deserto, por onde seus antepassados vagaram por 40 anos, segundo a Bíblia. As belezas de Dahab e Sharm El-Sheik parecem compensar.

Entre 1967 e 1989, praias paradisíacas, que hoje são egípcias, estiveram sob domínio de Israel. Rafi Nelson, em Taba, bem na fronteira entre os países, foi reduto boêmio de “bichos-grilo”.

O mandato do presidente Mohamad Morsi (2012-2013) fez do Sinai uma terra sem lei, onde seu grupo político, Irmandade Muçulmana, traficava armas ao Hamas, na Faixa de Gaza. Além disso, permitiu e, possivelmente, incentivou o aliciamento financeiro de beduínos por Al Qaeda e, mais recentemente, Estado Islâmico.

Portanto, não é de hoje que a região não é indicada para o turista israelense. Mesmo assim, muitos insistem. “Se a Segurança libera, vamos”, argumentam.

A mitzvá (boa ação) de Pessach seria visitar Jerusalém. Ir ao Muro das Lamentações no Dia de Peregrinação dos Cohanim e recitar: “O Ano que Vem em Jerusalém” (Shaná HaBaá BeYerushalaim).

Bom, cada um, cada um. Não estamos em uma Teocracia, para impor costume, ou dogma, religioso a alguém. Este direito de escolha marca a democracia ocidental daqui.

No entanto, bato na tecla do curioso que é a “volta de judeus ao Sinai”, exatamente nesta época do ano. Durante o Seder (ceia), lemos a Hagadá (história-lenda), que nos retrata, com detalhes, o sofrimento vivido, o heroísmo do povo, a liderança de Moisés e a salvação divina. Cantamos, comemos, bebemos e dizemos, praga por praga, o que foi feito ao povo do faraó.

Gostaria de imaginar um Seder de Pessach, na beira da praia de Dahab, sob a luz das estrelas. O visual seria lindo. Romântico, até, mas prefiro ficar por casa. Não apenas pelo alerta máximo das autoridades. Neste caso, os caminhos de Josué, Sadat e Begin me convencem mais.

Links: https://www.tripadvisor.com.br/Tourism-g297555-Sharm_El_Sheikh_South_Sinai_Red_Sea_and_Sinai-Vacations.html
http://getoutside.com.br/dahab/
http://www.nytimes.com/1988/02/08/obituaries/rafi-nelson-resort-owner.html
https://www.wdl.org/pt/item/8952/
Foto da Capa: http://4.bp.blogspot.com/-MLEMIQdu7u4/T3HloQlHq0I/AAAAAAAAAhc/HbxHiEQB1H8/s1600/58.jpg

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