Curtinhas – Dezembro de 2013

01/12/2013 | Conflito

Mísseis em Ashkelon, revide em Gaza

Pode parecer repetitivo, caro leitor, mas não é. Na noite desta quinta-feira (26/12) foram lançados mísseis em Ashkelon, que, segundo as forças armadas israelenses, caíram em território aberto. A Força Aérea Israelense já começou o revide, bombardeando dois pontos estratégicos em Gaza. De acordo com o site ynet.co.il, dois palestinos foram feridos pelos ataques.

Da minha casa em Mevasseret Tzion, ao lado de Jerusalém, escuta-se o barulho caças sobrevoando, provavelmente em direção à Gaza. Aparentemente não teremos tranquilidade nos próximos dias. Mais informações em breve.

Por João K. Miragaya

Tiros, explosão e facadas: três atentados em 48 horas. Israel responde em Gaza.

Nestes domingo, segunda e terça-feira (22, 23 e 24/12) foram registrados três atentados de palestinos contra israelenses. No domingo uma mochila portando 5 kg de explosivos foi descoberta em um ônibus 240 em Bat-Yam (região metropolitana de Tel-Aviv) antes da explosão, de modo que todos os passageiros e o motorista conseguiram salvar-se. Pouco após o ônibus ser evacuado a mochila explodiu. Nesta segunda-feira à noite um policial israelense foi apunhalado em um assentamento na Cisjordânia, ao norte de Jerusalém. E hoje um funcionário do Ministério da Defesa foi morto por tiros disparados desde a Faixa de Gaza em direção à fronteira.

O incidente de hoje, aparentemente, é uma tentativa de responder ao ataque a tiros do exército israelense a um palestino suspeito de instalar explosivos próximo à cerca de segurança na fronteira com Gaza. Não se sabe por enquanto se há alguma ligação entre os casos. O Ministro da Economia e líder do partido HaBait HaYehudi, Naftali Bennet, culpou a autoridade palestina pelos atentados. Bennet posiciona-se declaradamente de forma contrária às negociações e à criação de um Estado Palestino. As suspeitas, no entanto, são de que grupos radicais islâmicos promovem violência a fim de boicotar as negociações em andamento.

Israel- ConexaoIsrael - Gaza

A Força Aérea israelense respondeu atacando a 12 pontos no sul  de Gaza em uma hora. O alvo era o quartel general do Hamas, que, segundo o ynet.com, foi evacuado a tempo. Ainda segundo o site israelense, dois palestinos morreram (um deles uma menina de quatro anos).

Por João K. Miragaya

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Tiros e morte na fronteira entre Israel e Líbano

Neste domingo à noite, após um inesperado tiroteio na região de Rosh HaNikra, na fronteira ocidental com o Líbano, foi morto o primeiro sargento da marinha Shlomi Cohen (31 anos), natural da cidade de Afula. Aparentemente os disparos foram feitos pelo exército libanês, e não pela milícia Hezbollah. A região sul do Líbano está sob o controle da Unifil, forças especiais da ONU, que, desde 2006, mantém o cessar-fogo em prática.

O exército israelense respondeu imediatamente, e um soldado libanês foi ferido. Foram disparados de seis a dez balas, a uma distância de 200 metros. A tese até agora é de que o soldado libanês disparou por conta própria, sem absolutamente nenhuma ordem. Apesar da crença de que os disparos foram um caso isolado, o governo israelense protestou junto à ONU e ameaçou uma retaliação.

Escrito por João K. Miragaya

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Inverno na Terra Santa

Jerusalém amanheceu coberta de neve e a previsão do tempo é de que o frio irá se intensificar muito nos próximos dias.

Desde 1953, não se via tanta neve na capital do país em dezembro.  O mau tempo causou interrupções em vôos domésticos e internacionais no aeroporto Ben Gurion.  Para a felicidade geral dos estudantes, universidades e escolas foram fechadas.

É hora de aproveitar o frio com muito cobertor e chocolate quente!

Abaixo algumas imagens da neve no país.

Fotos de Claudio Daylac, Jornal Yediot Aharonot e Jornal Haaretz

 

[ATUALIZAÇÃO] Apesar dos esforços da prefeitura, a maioria das ruas da cidade está bloqueada. O bonde (veículo leve sobre trilhos) está funcionando com dificuldades e os sistema de ônibus inteiro foi substituído por apenas 16 “linhas de emergência” com circulação restrita às principais vias dos bairros.

 

Por Marcelo Treistman 

 


 

Despedindo-se de Mandela à distância

Nem Bibi, nem Peres. Israel não terá o seu primeiro ministro presente no enterro do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Netanyahu justificou sua ausência alegando “austeridade”. Em outras palavras, Bibi não quis gastar dinheiro público em uma viagem internacional.

Shimon Peres
Shimon Peres

O presidente Shimon Peres, no entanto, confirmou presença no início da semana, mas adoeceu e não poderá comparecer. Dizem as más línguas aqui em Israel que a presença de Peres seria mal vista pelo governo sulafricano, e estranhamente teria ele “adoecido”. O atual presidente, apesar Prêmio Nobel da Paz e visto como um moderado pacifista por boa parte da comunidade internacional, ocupava o cargo de diretor geral do Ministério da Segurança (equivalente ao Ministério da Defesa no Brasil) quando Israel rompeu o embargo internacional, ao vender armas à África do Sul durante o regime do apartheid.

A comunidade judaica da África do Sul, grosso modo, foi um dos corpos políticos que resistiu ao apartheid. Um escritório de judeus, inclusive, foi o primeiro que deu emprego a Mandela quando ele ainda era um estagiário. Atualmente pode-se considerar a comunidade judaica sulafricana a mais crítica (novamente generalizando) em relação a Israel, sobretudo no que se refere à política de ocupação de Gaza e Cisjordânia.

Ainda não cheguei à conclusão sobre o que seria (ou será) mais constrangedor: (a) a ausência total do Estado de Israel no enterro de um líder tão importante; (b) a presença de Netanyahu, incentivador da cololização da Cisjordânia; (c) a presença de Peres, já explicada; (d) a presença de Liebermann, o Ministro das Relações Exteriores, autoexplicativa. O que você acha?

Por João K. Miragaya


Israel, Jordânia e Autoridade Palestina – Acordo Histórico

Hoje, em uma cerimônia que será realizada em Washington na sede do Banco Mundial, Israel, Jordânia e a Autoridade Palestina assinarão um acordo que conterá as bases para a construção de um canal que atravessará o Mar Vermelho e o Mar Morto.

Este canal, também conhecido como “Two Seas Canal”, tem o objetivo de fornecer água potável para Jordânia, Israel e a Autoridade Palestina, estabilizar o nível de água do Mar Morto fazendo a confluência com a água do mar e gerar eletricidade para os envolvidos no projeto. Esta proposta tem como pilar central a construção de instituições para uma futura e estável cooperação econômica entre israelenses, jordanianos e palestinos. 

O projeto multibilionário será financiado pela comunidade internacional, Israel e Jordânia. A Autoridade Palestina pretende utilizar os fundos recebidos como doações.

A construção deste canal foi sugerido pela primeira vez em meados do século 19 por oficiais britânicos que estavam pensando em como contornar o Canal de Suez. Mais tarde, no final do século 19 houve quem planejasse usar a água do rio Jordão para irrigação e trazer água do mar para o Mar Morto para a geração de energia, devido a sua localização de -390m abaixo do nível do mar. Um grande admirador deste projeto era o próprio líder sionista Theodor Hertzel.

Projeto do Canal - ano:1899
Projeto do Canal – ano:1899

A construção também foi sugerida no final da década de 1960 e foi analisado como parte do processo de paz entre Israel e Jordânia. No final de 1990 uma equipe monitorada pelo então ministro Shimon Peres, sugeriu que a construção do canal contribuísse para estabilizar o nível de água do Mar Morto (“Salvando o Mar Morto”).

Finalmente, no dia 9 de maio de 2005, os países envolvidos assinaram um acordo para elaborar um estudo final acerca da viabilidade para a a construção do Canal. O acordo foi assinado no Mar Morto pelo ministro de recursos hídricos jordaniano Raed Abu Soud, o ministro da Infra-estrutura israelense Binyamin Ben-Eliezer e ministro do Planejamento palestino Ghassan al-Khatib.

A rota estabelecida para o Canal.
A rota estabelecida para o Canal.

O acordo final inclui a cooperação para a construção de casas para 1,36 milhão de pessoas ao sul de Amã, no extremo sul do mar Morto, ao norte de Aqaba. Além disso, serão criados diversos resorts e estabelecimento turísticos em toda a área abrangida.

Por Marcelo Treistman 


Israel em 1900

 

Até muito pouco tempo atrás somente era possível saber como Israel se parecia no século 19 através dos olhos de um turista americano no famoso livro de Mark Twain “The Innocents Abroad” que relata a sua viagem a Terra Santa, publicado em 1869. Agora existe também a chance de visualizar o país nesta época através da lente da câmera de um americano que visitou o Oriente Médio entre os anos de 1890-1900. A Biblioteca do Congresso dos EUA lançou uma série de fotografias espetaculares que registra as duas primeiras ondas de imigração sionista.
 
As imagens abaixo utilizam uma técnica de renovação das fotos . Não está claro quem é o fotógrafo ou o que ele estava fazendo no país – se a trabalho ou turismo. De qualquer forma, o passeio não incluiu apenas Israel, e a série também inclui imagens do Líbano e da Síria.

 

Por Marcelo Treistman 


Vivendo na beca?

O nosso primeiro ministro Biniamin Netanyahu foi citado em mais uma polêmica: nada relacionado às suas ácidas críticas ao acordo entre o G5 +1, mas sim às suas despesas: foi divulgado pelo jornal Yediot Achronot nesta última segunda-feira (02/12) que chegaram a família Netanyahu no último ano contas com valores desproporcionais de água (81 mil shekels, algo em torno de 50 mil reais), telefone (30 mil shekels ou 19 mil reais), além de outros gastos, como 6 mil shekels (4,2 mil reais) na compra de velas aromatizadas, entre outros.

O tabloide de economia The Marker decidiu investigar a fundo e descobriu que o Estado destina uma verba à família Netanyahu de 2,2 milhões de shekels (1,375 milhões de reais), e que em 2012 os gastos teriam passado de 3,3 milhões (R$ 2 milhões). As despesas vão desde contas básicas (luz, água), aquisição de produtos (geladeira) até entre catering, flores e outros…

Netanyahu respondeu que a conta de água é referente aos anos de 2009/10/11, e que sua família a pagará sem o auxílio de dinheiro público. Além disto, citou uma frase do recém-falecido cantor Arik Einstein pronunciada em 1998, criticando a imprensa por cometer injustiças em relação ao Primeiro Ministro (que na época também ocupava o cargo).

Vale recordar que ainda este ano foi divulgado que Bibi consumia uma quantidade de sorvete equivalente a 10 mil shekels por ano (6,2 mil reais) com sua família, adquirida com dinheiro público. O antecessor de Netanyahu, Ehud Olmert, dispunha de cerca de metade da verba que dispõe o atual Primeiro Ministro.

Ainda não ficou claro se os outros gastos excessivos de Netanyahu serão ou não pagos com dinheiro público, o que de fato é o mais importante. Nem as notícias divulgadas e nem as respostas do Primeiro Ministro nos indicam nada. Estamos na espera.

Por João K. Miragaya


01/12/1973

Há exatamente 40 anos, falecia o fundador do Estado Judeu – David Ben-Gurion. Embora muitos anos tenham se passado desde a sua morte, ainda hoje é possível perceber o impacto de suas ações na Israel dos nossos tempos. 

Sem dúvida, seu pragmatismo político foi determinante para o fim de um exílio que já durava 2000 anos restabelecendo o vínculo do povo judeu com a terra de Israel. 

Suas decisões edificaram as maiores características do país: recrutamento militar obrigatório, a aliança com o ocidente e a imposição dos valores democráticos.

Em 1º de dezembro de 1973, do pequeno Kibbutz Sde Boker no sul do país, era enviada a toda a população, a informação sobre o seu falecimento aos 87 anos. 

Deixamos os leitores com alguns de seus pensamentos, frases e citações:

bengu na praia1 – “O difícil nós fazemos agora, o impossível leva um pouco mais de tempo”.

2 – “Sem independência moral e intelectual, não há nenhuma âncora para a independência nacional.”

3 – “Este não é apenas um estado judeu, onde a maioria de seus habitantes são judeus, mas um estado para todos os judeus, onde quer que estejam, e um estado para todo judeu que queira estar aqui. (…) Este direito é inerente a quem é judeu.

4 – “Consideramos que ideal proposto pelas Nações Unidas é um ideal judaico.”

5 – “Todo judeu que não acredita em milagres, não pode ser considerado realista”

6 – “O terrorismo judeu contra os árabes, é um pequeno passo para o terrorismo de judeus contra os judeus.”

7 – “Nosso futuro não depende do que dirão os goym, mas do que – de fato – farão os judeus”

Escrito por Marcelo Treistman 

 

Comentários    ( 2 )

2 comentários para “Curtinhas – Dezembro de 2013”

  • Raul Gottlieb

    03/12/2013 at 08:53

    A tendência atual é lembrar o BG apenas pela concessão que fez aos ortodoxos em 1948 e que teve um efeito deletério no tecido social do Estado.

    Mas eu penso que este foi apenas um dos escassos erros estratégicos dele, dentro de uma quantidade imensa de acertos formidáveis.

    Além disso este erro tem que ser compartilhado com todos os demais governos que Israel teve desde a sua retirada do posto de PM. BG decidiu conforme a necessidade da época, mas as necessidades mudaram e ninguém teve a coragem de mudar de acordo.

    Dentre os muitos acertos de BG o maior é sem dúvida a aceitação da partilha em 1947. Os partidos à esquerda dele e os à direita pressionaram muito pela não aceitação. Tal qual os Palestinos pleiteavam um “tudo ou nada”. Os Palestinos ainda estão esperando…

    O segundo grande acerto dele foi o ataque ao Altalena, que terminou com as milícias dentro do novo Estado, unificando todas as forças no Tzahal, inclusive desmontando a lendária milícia de sua facção política – o lendário Palmach,

    Ele foi um decidido socialista que entendeu as vantagens do mercado livre. Nunca foi dogmático, com a única exceção da necessidade da existência de um Estado Judaico para os judeus voltarem a ser um povo como todos os demais.

    Ben Gurion é o maior responsável individual pela fundação do Estado de Israel. Infelizmente muito menos lembrado do que merece.

    Eu diria – de forma meio herege – que o nome dele é David, mas que ele poderia tranquilamente (e com justiça) ser chamado de Moshé.

  • Rafael Stern

    09/12/2013 at 19:26

    O plano do canal entre o Mar Vermelho e o Mar Morto me parece um empreendimento megalomaníaco sem sentido… Qual é o objetivo real? Salvar o Mar Morto? Eu tive aulas com um dos maiores hidrólogos de Israel, Dr. Clive Lipchin, que está completamente envolvido nas pesquisas de impactos desse projeto. O Mar Vermelho, na região de onde sairia a água, abriga um reservatório de corais riquíssimo em biodiversidade, e um ecossistema extremamente frágil… A dimensão do impacto a ser gerado nesse ecossistema ao se bombear a água de lá para o Mar Morto é enorme. O Mar Morto costumava ser alimentado pelo Rio Jordão, de água doce. O Mar Vermelho tem água salgada. O resultado do encontro das águas do Mar Vermelho com as do Mar Morto ainda é um mistério, apesar dos diversos experimentos feitos. Inclusive duas pessoas que estudaram comigo fizeram um experimento desse tipo, coletando amostras dos dois mares como um projeto final. As águas não se misturam. Qual seria a solução? Dessalinizar a água do Mar Vermelho antes de lançá-la no Mar Morto? Devolver uma água com uma concentração de sal muito maior para o já ameaçado (pelo aquecimento dos oceanos) ecossistema de corais? Loucura, megalomania, desperdício de dinheiro, impacto ambiental grotesco!
    A solução? Cada vez mais e mais a água dessalinizada do Mar Mediterrâneo e de fontes subterrâneas está substituindo a água retirada do lago Kineret, e indiretamente, do Rio Jordão. A reciclagem de uso doméstico para uso agrícola tem diminuido muito a necessidade de água do Jordão para irrigação. Deve-se investir nessas fontes “produtoras” de água, abrir a represa de Degania, e deixar o Jordão voltar a alimentar o Mar Morto! Construam resorts na margem do Rio Jordão, e gerem energia solar no deserto! Hidrelétrica no deserto parece piada!

Você é humano? *