Cuspindo na democracia

Se todos os dias de nossas vidas podem ser considerados “dias históricos”, existem alguns que decidimos guardar em um lugar especial e seguro dentro da gente. Ontem, dia 10 de maio de 2013 foi um destes dias.

Estive no muro das lamentações para rezar o shacharit (reza matinal) junto com as “mulheres do Kotel” . Eu não costumo rezar o shacharit. Não é algo que faça parte do meu cotidiano, mas ontem a minha reza tinha um propósito maior do que apenas a oração. Representava a minha postura ideológica frente ao monopólio ortodoxo do Judaísmo que existe no Estado Judeu.

Muro das Lamentações no início do século XX - Sem divisão de gêneros.
Muro das Lamentações no início do século XX – Sem divisão de gêneros.

Veja o vídeo-documentário que o Yair Mau produziu sobre este dia.

As “Mulheres do Kotel” são uma organização cujo objetivo é garantir os direitos das mulheres de rezar em voz alta, ler a Torá e e praticar o seu judaísmo no Muro das Lamentações. Há 25 anos, o grupo se reune para rezar no local. Algumas mulheres vestem um talit e kipá (vestes rituais), que tradicionalmente são considerados “trajes masculinos”. Diversas vezes, membros do grupo já foram detidos, presos, interrogados e impedidos de retornar ao local durante um período predeterminado pela polícia.

A reza de ontem tinha um gosto especial. Acontecia duas semanas após um tribunal de 2ª instância em Jerusalém ter assegurado o direito das mulheres de rezarem no muro determinando que não houvesse mais prisões. Além disso, nesta mesma semana, houve a divulgação de que Natan Sharansky – o líder da Agência Judaica – estaria analisando um plano para acrescentar um espaço de rezas no Muro para o público “misto”, onde homens e mulheres poderiam estar juntos. Rabinos contrários às decisões, convocaram milhares de alunos e alunas de yeshivot a protestarem contra aquilo que consideram um grande sacrilégio.

Antes de avistar a barreira de segurança que dá acesso ao pátio central do Muro, parecia que estava chegando em um Maracanã lotado. Era possível ouvir aquele som seco, alto e que é quase impossível distinguir as palavras ditas, que emanam das torcidas organizadas. Ao entrar, entendi o que ocorria. Nunca havia visto tantas pessoas naquele local. Era difícil caminhar. No meio de um imenso cordão humano feito por policiais, o grupo de mulheres faziam as suas preces. Consegui – não sem algum esforço – chegar até elas e juntar-me ao grupo.

 

Israel - ConexãoIsrael - mulheres

Ali dentro, presenciei os piores xingamentos e tentativas de agressões físicas. E cuspes. Muitos cuspes. Em um momento vi uma cadeira voando. Empurra-empurra. Garrafas de água e café foram jogados em nossa direção. Fiquei apreensivo. O que aconteceria se os policiais não conseguissem segurar aquela fúria? Melhor me concentrar na reza – pensei…

Ali dentro, rezando junto com aquelas mulheres, olhei para cada uma das líderes daquele movimento. Que coragem! Determinação para enfrentar a ortodoxia e dizer-lhes claramente que o judaísmo não lhes pertence. Que vivemos em um país democrático e que o fundamentalismo religioso não é bem-vindo.

Israel - ConexaoIsrael - mulheres1

Olhei o muro por alguns instantes. O dia estava quente e o sol refletia nas pedras. Um pedaço de parede que é um símbolo de nosso povo a milhares de anos testemunhando mais uma vez um momento determinante para a sua história.

A reza chegou ao final. Cantamos alto o Hatikva (hino nacional de Israel) que eu senti como uma homenagem as instituições do país que garantiram o direito democrático àquelas mulheres. Uma das líderes nos pediu para sairmos juntos cuidando para que ninguém ficasse para trás. Pediu-nos calma e que não respondêssemos às agressões.

Foi feito um corredor de policiais para nos conduzir à saída. A comparação com um “corredor polonês” não poderia ser mais correta. Do lado esquerdo mulheres ortodoxas. Do lado direito um mar de vestes pretas. Todos nos atacavam verbalmente.

A sensação foi muito estranha. Em Israel, o impensável acontecia: judeus (do lado de fora do corredor) gritando para os judeus (do lado de dentro do corredor): “vão embora!”; “vocês não pertencem a este lugar”; “Putas!”; Pedras foram atiradas em nossa direção. E novamente cuspes. Muitos cuspes.

Eu olhei fixamente para alguns daqueles garotos que nos agrediam. Garotos. Vi o olhar de nojo por aquelas mulheres estarem vestidas com uma kipá. Vi a raiva pela escolha de um judaísmo que não era o deles. Vi o ódio ao diferente que é ensinado por rabinos em escolas que deveriam estar prezando pelo debate de idéias e não instigando o confronto físico.

Ontem – guiado por um grupo de mulheres – demos um grande passo para vencer o establishment ortodoxo em Israel. Não tenho dúvidas de que este é somente o início de uma grande caminhada.

Este dia ficará marcado na história de Israel, nas paredes daquele muro e na cabeça daquele que vos escreve.

Comentários    ( 30 )

30 comentários para “Cuspindo na democracia”

  • rosana garcia

    12/05/2013 at 07:01

    simplesmente fascinante seu texto e extremamente explicativo.
    Viva a democracia ! Finalmente ela esta chegando em Israel .. e sim é um grande passo pra grandes mudanças.

  • Edu

    12/05/2013 at 08:18

    Rosana.
    A democracia e a base de Israel. Nao esta chegando….
    Certas praticas avançam direitos ou mudam hábitos, o que nao significa que nao havia democracia anteriormente.

  • Rabino Uri Lam

    12/05/2013 at 11:51

    Kol hakavod Marcelo. Se estivesse em Israel teria estado com vocês.
    Shavua tov e que a democracia e a justiça social imperem em Israel.

  • Adolfo berditchevsky

    12/05/2013 at 14:24

    Confundir,propositalmente ou não,democracia com luta pelos direitos religiosos de uma parte da sociedade judaica e’ uma ARMA jogada ‘as mãos dos nossos ,eternos,perseguidores.E’ materia quente e engativa para que seja utilizada pelos antissemitas contra TODOS .
    Não sou contra a nenhum segmento da religiosidade judaica.Apenas não comungo com os lados,tanto dos que mentem contra o Estado de Israel em não ser uma democracia e com os fanaticos, donos do Ds.,Todo Poderoso,o Senhor de todos os seres.
    Ser aceito numa sociedade e’ cumprir suas premissas com Etica e Moral. Com amor e Bondade. Com Compreensão e Entendimento. Não enxovalhar o seu vizinho!
    Chag Shavuot Sameach!
    Adolfo

    • Marcelo Treistman

      12/05/2013 at 14:48

      Adolfo,

      Não consigo entender como você separa a luta pela liberdade religiosa dos valores democráticos…
      Tentar vender a imagem que todo judeu é santo, é algo realmente muito ruim: ou faz voce parecer infantil e sem credibilidade ou faz voce parecer arrogante e cego.

      Nesta luta pela liberdade religiosa e democrática em Israel não há como ficar em “cima do muro” (“não comungo com os lados”.) Acobertar as atitudes dos que estao dividindo e destruindo o nosso tecido social é SIM é algo extremamente maléfico a democracia em Israel.

      Por fim, acho que é muita inocência acreditar que os antissemitas precisam de argumentos de qualquer tipo para nos atacar.

      Chag Shavuot Sameach

  • Henrique Fridman

    12/05/2013 at 15:58

    Belo texto, esses urubus são o cancer de Israel!!

  • Mario Silvio

    12/05/2013 at 17:03

    Pensei muito antes de decidir escrever o que se segue, porque as chances de ser mal-interpretado são enormes, mas mesmo assim, vamos lá.

    Minha religiosidade é zero, meu judaísmo é essencialmente cultural, portanto conheço só o básico da religião.
    Mesmo assim acho que ela, como TODAS AS OUTRAS, não é e nem pode ser democrática. A democracia foi inventada para governar países, grupos, sociedades.
    Tentando explicar melhor: posso morar no Brasil ou em Israel e ser comunista, socialista, libertário, e até pregar estas ideologias.
    Mas NÃO posso pertencer a uma sinagoga (igreja ou mesquita) e ser contra os dogmas da religião.
    É “democrático” por exemplo, alguém comer um pernil de porco em uma sinagoga no Yom Kipur?

    Como eu disse, não tenho conhecimento suficiente para discutir se, segundo a religião, mulheres podem ou não rezar no Kotel (é disso que se trata, não é?), mas lugares sagrados (todos tem, mas fiquemos nesses) tem regras. Certa vez fui impedido de entrar em uma igreja em Minas por estar de bermuda, e não achei anti-democrático.

    Outra coisa, como o judaísmo não tem um Papa, nem hierarquia, quem define o que pode e o que não pode?

  • Mario Silvio

    12/05/2013 at 17:07

    Complementando: não tenho simpatia nenhuma pelos ultra-ortodoxos, muitíssimo pelo contrário, mas enquanto a ortodoxia não for obrigatória, eles que façam o que quiserem.
    Finalizo com um exemplo que tem mais a ver com o assunto. Fui com a minha mulher a um bar-mitza.
    Estavámos conversando e por distração (e falta de hábito), sentamos juntos.
    Um senhor se aproximou e pediu para ela se dirigir ao setor das mulheres. Minha reação foi pedir desculpas e não afrontá-lo. Errei?

  • Guilherme Engelender

    12/05/2013 at 18:49

    Não digo que errou, Mario.
    Em certo sentido, devemos respeitar a escolha de cada grupo, até no que diz relação à forma de religiosidade. Cada um deve poder se autoafirmar como quiser, até o limite de não ofender ao próximo.

    Seguir a doutrina ortodoxa, por si só, é tão legítimo como não seguir. A questão é que aquele lado não me parece concordar com essa máxima.

    O Kotel não é propriedade dos ortodoxos. Diria que não é nem só dos judeus. É do Estado de Israel e da humanidade. Não há como aceitar que eles determinem regras de postura no local. E, uma vez democrático, o Estado de Israel há muito tempo deveria ter tomado uma postura frente à religião.
    Acredito que este seja o grande ponto.

    Fora isso: parabéns, Marcelo! Ótimo artigo.

    • Mario Silvio

      12/05/2013 at 19:53

      “O Kotel não é propriedade dos ortodoxos. Diria que não é nem só dos judeus. É do Estado de Israel e da humanidade. Não há como aceitar que eles determinem regras de postura no local. E, uma vez democrático, o Estado de Israel há muito tempo deveria ter tomado uma postura frente à religião.”

      Guilherme, sempre achei, e acho cada vez mais, que Estado e religião não se misturam.
      Não sei quem deve estabelecer qual deve ser o comportamento no Kotel, mas sei que é um lugar diferente de uma praça ou uma praia.
      TODOS os lugares públicos tem regras de comportamento, diferentes dependendo do lugar.
      O que eu posso fazer em uma praia não posso em um cemitério. De novo: não sei o que deve ou não ser permitido no Kotel, e por isso, com certeza absoluta, não sou eu quem deve determinar.

    • Mario Silvio

      12/05/2013 at 19:57

      “Seguir a doutrina ortodoxa, por si só, é tão legítimo como não seguir.”
      Esqueci de comentar que concordo totalmente com isso Guilherme,
      ” A questão é que aquele lado não me parece concordar com essa máxima.”
      E é exatamente por isso que não se deve misturar religião com política.

  • Fernando Gheiner

    12/05/2013 at 20:37

    Excelente artigo! Interessante notar que rabinos ortodoxos incitam em jovens o mesmo comportamento de não aceitar o outro e jogar pedras que vemos no “outro lado do muro”. Cada vez mais, fica claro que o câncer de qualquer sociedade é o extremistmo, geralmente acompanhado da postura de não-diálogo, olhando somente para o próprio umbigo.

    Não entendo porque a polícia, que prende mulheres por rezarem, não fez nada com agressores (pedras e cuspes), afinal, esta me parece ser uma função da mesma – proteger a população. Ainda mais se o movimento tinha amparo de decisões judiciais.

    ps: no Brasil, o extremismo anti-democrático é o patrimonialismo com o qual políticos tratam o Estado.

    • João K. Miragaya

      12/05/2013 at 22:26

      Amigo Fernando,

      Três charedim foram presos na manifestação. Foram poucos, na verdade. O poder público sempre foi complacente com eles. Perdi a conta da quantidade de pessoas que vi serem presas nas manifestações por justiça social do ano passado (não as gigantes e vazias de conteúdo de 2011) por muito menos.

      Um abraço

  • Fernando Gheiner

    12/05/2013 at 20:45

    Respondendo a quem acha que todo lugar deve ter regras, estou de acordo. Em uma sinagoga ortodoxa, não sente do lado de sua mulher. Afinal, trata-se de um local privado, com uma hierarquia definida, e você está lá como convidado.

    Por outro lado, o Kotel é público. Como disseram antes, é patrimônio da humanidade, além de ser o ponto máximo da religiosidade de todos os judeus e judias. Enquanto um grupo discute sua ocupação em tribunais, que representam a ordem hierárquica máxima de um país democrático como Israel, onde o Kotel se localiza, o outro grupo coloca seus argumentos em pedras e cuspes.

    Defender o grupo que se coloca dessa forma violenta (ainda mais contra mulheres) não parece ser algo que a Torá ou o Talmud preconizam de nenhuma forma. Lembre-se que, se depender dos extremistas, nossa mulheres e filhas sequer deveriam chegar próximas ao muro.

    Pensemos nisso antes de defender o extremismo e suas formas de “argumentar”.

  • Nome (Obrigatório)

    12/05/2013 at 23:19

    Meu garoto….
    Seu texto está emocioante. Senti como se estivesse lá como cidadã, por isso as lágrimas rolaram.
    De raiva, de tristeza e de felicidade. Tudo ao mesmo tempo. Coisa rara para mim.
    Acredito que seu porcesso tenha sido o inverso do meu deste momento. Justamente o meu dia-a-dia.
    Mesmo com a sua pre-agenda, você conseguiu relatar aos fatos. Welcome!!! E.. parabéns!! Este é o jornalismo do futuro.
    Obrigada pela emoção.
    Obrigada pelo seu texto.
    Sorte sempre!!
    Bjs,
    Tamara (mãe do Lucas e Olivia)
    PS: acho que faltou a voz de um ortodoxo para ter nota 10!!

  • Mario Silvio

    13/05/2013 at 00:58

    “Defender o grupo que se coloca dessa forma violenta (ainda mais contra mulheres)”
    Se for comigo, faço questão de dizer que NÃO defendo a forma de agir dos ortodoxos neste episódio.

    “Pensemos nisso antes de defender o extremismo e suas formas de “argumentar”.
    Nunca achei que esta fosse uma forma aceitável de “argumentar”. O que eu fiz sim é argumentar, sem aspas.

    “Por outro lado, o Kotel é público.”
    E também deve ter regras, concorda?
    ” Como disseram antes, é patrimônio da humanidade, além de ser o ponto máximo da religiosidade de todos os judeus e judias.”
    Mais um motivo para te-las, e mais rígidas do que as de uma praça qualquer.

    “Enquanto um grupo discute sua ocupação em tribunais, que representam a ordem hierárquica máxima de um país democrático como Israel,”
    Nada a objetar, assim é que deve ser, mas fica uma dúvida: se a discussão ainda está nos tribunais, quem autorizou as mulheres a fazer o que fizeram.
    “o outro grupo coloca seus argumentos em pedras e cuspes.”
    Absurdo total.

    Para mim seria muito fácil defender o politicamente correto, já que não sou religioso, mas aprendi com a idade que náo é porque algo não é importante para mim que não pode ser MUITO importante para os outros, e que não cabe a mim julgar.

    • Marcelo Treistman

      13/05/2013 at 01:32

      Mário,

      É óbvio que num lugar público devem haver regras. Mas obviamente, em um estado democrático, estas regras deverão estar sob o jugo dos valores democráticos.
      Tenho certeza que você não concordaria que a administração de uma praça pública em São Paulo proibísse a entrada de negros…

      No caso em questão, estas mulheres não estavam desfilando de bikini ou tentado invadir um espaço destinado ao público masculino. Elas apenas estavam querendo “rezar em voz alta”, portar um livro da Torá e vestir (algumas delas) a kipá e o Talit.

      Como já lhe foi dito, não se trata aqui de um espaço ortodoxo. Ele pertence (ou deveria pertencer) a todo o povo judeu. E dentro do povo judeu Mario, existem aqueles que não rezam como você, existem os ortodoxos e existem as mulheres que desejam rezar vestindo talit e segurando a Torá. Nunca fomos monolíticos. Nunca existiu apenas um judaísmo.

      Como você mesmo falou, no judaísmo não existe um Papa, para definir o que é certo ou errado. Se de alguma forma as mulheres “ofendem” os ortodoxos, os ortodoxos de alguma forma “ofendem” estas mulheres. Só que enquanto um lado (o das mulheres) está preparado para coexistir em um espaço público, o segundo (os ortodoxos) tem o comportamento que você leu no texto.

      Segundo o seu senso democrático, qual reinvindicação deverá prevalescer?

      Esta é a questão colocada para os tribunais em Israel. Até pouco tempo atrás, estas mulheres eram detidas e interrogadas pela polícia por que decidiram praticar o que entendem por judaísmo em um lugar de tantos significados ao nosso povo. Você acredita que isto é razoável?

      Os tribunais israelenses entenderam que as “Mulheres do Muro” não feriam o “costume do lugar” e que a partir daquele dia a sua reza naquele local deverá ser assegurado pelo poder público.

      Desta forma, este é o avanço democrático que falo no texto. O Estado de Israel – que até então, era a única democracia que prendia um judeu por praticar o que ele acredita ser o judaísmo – mudou a sua postura.

      Convido você a ler este texto que escrevi sobre a ocasião da prisão de Nofrat Frenkel.

      Um grande abraço,

  • Elie M.

    13/05/2013 at 02:31

    Ou ‘cuspindo na religião e tradição milenar judaica’.
    Podemos criar uma parede rosa e chamar de Kotel para elas rezarem travestidas.

    Neste cenário ninguém tem razão, tanto os protestantes ortodoxos quanto as “revolucionárias” agiram de forma infantil. Nesses momentos sinto vergonha alheia pelo pragmatismo religioso e o reformismo hipócrita ao ponto do ridículo. O que é a religião judaica se não os livros que para os judeus deveriam ser sagrados? Elas fazem um culto religioso judaico para chamar atenção sem considerar toda base milenar por trás do mesmo: “não haverá trajo de homem na mulher, e não vestirá o homem veste de mulher” – Deuteronômio 22.5. Melheres queimaram sutiãs nos EUA e graças a Deus conquistaram seu espaço na sociedade e mercado, mas quebrar princípios da religião monoteísta mais antiga do mundo em seu berço e achar que tem razão em não serem criticadas? Se seguir o conceito delas de “democracia”, não haveria problema nenhum naturistas se esfregarem nas sagradas e milenares pedras que restaram do templo sagrado dos judeus ou muçulmanos gritarem Alah HuAkbar no ambiente de culto judaico, não existiria limites ao desrespeito do espaço ou da opinião alheia. Uma verdadeira democracia existe um senso de respeito ideológico de todas as partes, tanto religioso, político, pudor, cientifico, moral etc. Os ideais delas não batem com sua própria base, e fazem questão de esfregar suas ideias modernas na cara de uma tradição infinitamente mais seria, fundamentada e antiga do que elas. Façam o que quiser, mas definitivamente escolheram o lugar errado!

    • Mario Silvio

      13/05/2013 at 22:36

      Concordo com tudo isso Marcelo, e obrigado por responder à minha pergunta: quem autorizou as mulheres a fazer o que fizeram?
      Já que “Os tribunais israelenses entenderam que as “Mulheres do Muro” não feriam o “costume do lugar” e que a partir daquele dia a sua reza naquele local deverá ser assegurado pelo poder público.”
      a discussão está encerrada. Mesmo assim gostaria de acrescentar algo.

      Não sei quantos aqui lembram do pastor que chutou uma imagem de Nossa Senhora.
      O Brasil sendo o que é (GRAÇAS A DEUS!) as repercussões não passaram de protestos e declarações indignadas. Na ocasião concluiu-se que ele não praticou nenhum crime.

      Minha posição pessoal: eu nunca faria isso, mesmo tendo o amparo da lei.
      NÃO estou dizendo que a atitude dessas mulheres é comparável à do pastor, apenas que a sensibilidade dos ortodoxos deve ser considerada, DESDE QUE, não interfira em algo também importante para outros(as).

      Agora vou ler o seu texto.

  • Raul Gottlieb

    13/05/2013 at 09:57

    Além da questão debatida acima sobre a natureza do Kotel – se espaço público ou sinagoga – existe a questão do direito da mulher de aparecer em espaços públicos. Não é “apenas” no Kotel que elas estão sendo segregadas através da pressão dos charedim (ultra-ortodoxos), mas em todas as demais instâncias. O assunto é extenso e o pessoal da Conexão poderia abordar ele num certo momento do futuro. Abaixo alguns exemplos:

    — Ônibus que transitam por bairros ortodoxos foram obrigados a não afixar publicidade com imagens femininas. Creio que depois isto foi revertido por um tribunal, mas os donos dos ônibus não colocam estes anúncios com medo do vandalismo.

    — Em alguns seminários públicos (de professores, médicos, etc.) as mulheres foram obrigadas a sentar-se atrás dos homens, para que estes não se distraíssem mirando as suas provocativas nucas.

    — Em muitas cerimônias do estado mulheres foram proibidas de cantar para evitar que os charedim da plateia se distraíssem com suas vozes sedutoras. Inclusive no exército.

    — Em repartições públicas dos bairros dos charedim (inclusive ambulatórios médicos) há uma entrada exclusiva para mulheres.

    — Algumas lojas seguem esta mesma conduta. As lojas são privadas, dirão alguns, e podem agradar a clientela como bem apraz aos proprietários. Mas não é bem assim: calculem a indignação que aconteceria se uma loja resolvesse fazer balcões e entradas separadas para os sefaradim, ou para os árabes!!!

    — Em alguns bairros já existem calçadas segregadas. Homens na calçada de cá e mulheres no lado de lá. Digo “já” existem para deixar claro que há uma progressão neste processo de discriminação. Há 20 anos isto (e tantos outros casos) era impensado. O que, a meu ver, prova que a discriminação não tem viés religioso, pois se assim fosse ela estaria sendo praticada há milhares de anos. O que vivemos é um desafio à democracia por grupos anti-modernos.

    — Alguns jornais ortodoxos editam fotos para apagar a imagem de mulheres. É famoso o caso de uma foto de ministros do governo de Obama reunidos no Salão Oval seguindo pela TV as imagens do ataque que fulminou o Osama Bin Laden onde a Hilary Clinton foi “emparedada” (no lugar dela pintaram a continuação da parede). Era uma imagem que correu o mundo e o jornal não podia deixa-la de fora de sua edição, mas não podia também imprimir uma imagem feminina.

    E assim por diante. Os exemplos são inúmeros. Não pretendi ser abrangente nem acadêmico, citando as fontes. Quem se interessar pelo assunto pode procurar na internet um documento do IRAC – Israel Religious Action Center, do Israel Movement for Reform and Progressive Judaism – chamado “Women Talk about segregation in Israel” e publicado em janeiro de 2012.

    E muitos outros reportes também. Eles pipocam o tempo todo nos jornais.

    Ou seja, a luta das mulheres do Kotel é apenas um começo. Vencendo no Kotel estará sendo dado um passo grande para o refreamento da reversão da democracia em Israel.

    Porque temos que entender que Israel é um Estado democrático que está sendo atacado por setores anti-modernos (que abominam as liberdades individuais do ser humano) e não um Estado que está conquistando a democracia. A luta é de defesa da democracia e não de agressão à ditadura.

    A religião é apenas o pretexto dos anti-modernos. Ela não os distingue.

    • Mario Silvio

      13/05/2013 at 22:40

      Permita-me discordar Raul. Todos os absurdos que você cita deveriam acabar ANTES de se discutir o Kotel.
      Ambulatórios médicos, ônibus, lojas, calçadas, jornais, etc tem finalidades que não tem nada a ver com religião, portanto esta não deveria ser considerada.
      É só uma opinião, deixar o Kotel para o fim.,

  • Marcelo

    13/05/2013 at 15:29

    não podemos deixar de mencionar que isso do kotel é apenas o símbolo de uma luta que é sobre toda a cidade de jerusalem, sobre a discriminação de gênero nos onibus da cidade, sobre não sabermos se no futuro aquilo não vai virar teerã, onde não se veste bermuda e regata.

  • Raul Gottlieb

    13/05/2013 at 15:44

    O direito à opinião não desobriga a necessidade da informação. Qualquer um pode ser a favor do movimento das Mulheres do Kotel, mas, por favor, sem embaralhar as informações.

    A Torá (o nosso livro milenar, escrito por Moisés sob a orientação de Deus) não diz uma linha sobre a validade ou não das mulheres rezarem com talit, com kipá, com teflilin, ou de lerem da Torá em privado ou em público. Até porque estes hábitos não existiam na época fundante do judaísmo. Todos estes são tradições posteriores ao evento do Monte Sinai – que celebraremos amanhã à noite.

    O Talmud não proíbe as mulheres de usar talit, kipá, tefilin (até existe a informação no Talmud de que Michal, esposa do Rei David e filha do Rei Saul, usava tefilin).

    Elas são isentas, mas não proibidas, das mitzvot cuja realização está associada a um determinado horário (como são as rezas). Isto para que o cuidado dos filhos não fosse prejudicado pela obrigação de rezar.

    O Talmud informa que todos podem ler da Torá – mulheres, crianças e homens. Mas que é melhor que apenas os homens leiam “pela honra da congregação”. Isto faz sentido numa época onde a mulher ser mais letrada que o homem o desonrava.

    Os tempos mudaram e com ele os costumes judaicos. Não existe nenhuma (nenhuma mesmo) corrente judaica que defenda o imobilismo nos costumes. Todas o praticam, sem exceção. O Talmud já foi desautorizado algumas vezes, sem maiores comoções – como no caso da poligamia. O judaísmo é dinâmico, adaptativo e assimila o que percebe como tendo valor nas culturas próximas. Isto não é opinião, é informação.

    Então porque a mulher não pode rezar como o homem, desde que a família preserve o cuidado aos seus filhos?

    Então porque a mulher não pode ler da Torá nas comunidades que não consideram uma desonra ter em seu seio mulheres competentes?

    Então porque a mulher não pode rezar em voz alta nos espaços que não consideram a voz feminina uma abominação?

    Igualar o impulso das mulheres pela reza no Kotel ao endosso à invasão dos espaços de reza das demais religiões é estratégia de quem não tem argumentos. As Mulheres do Kotel não estão propondo isto, logo a discussão deve se ater ao que elas propõem, sem maiores ginásticas.

    O que elas dizem é que o Kotel é um espaço de todo povo judeu e não apenas dos que rezam da forma x.

    Já o comentário sobre a parede cor de rosa para as travestidas rezarem, este não é nem mal informado nem estratégico. É apenas chauvinista e de mau gosto.

  • Paulinho

    13/05/2013 at 18:24

    Parabéns Marcelão! Ótimo texto!
    Necessária essa luta. Até onde o Estado de Israel e sua população vai permitir o fundamentalismo religioso?
    Mas eu queria mesmo era deixar um comentário sobre o Kotel. Acho que o Kotel, ou melhor, a maneira com a qual reverenciamos o Kotel é uma contradição aos valores judaicos. Há uma veneração ao Kotel (por parte dos ortodoxos e liberais, principalmente, mas dos laicos também) como se ele fosse a essência do judaísmo. Como pode o maior símbolo de identidade judaica ser um lugar? O judaísmo não se cristaliza em coisas, por isso estamos aqui até hoje. Parece que mais importante do que conhecer o judaísmo, suas fontes, seus valores, estudar e discutir, é ir ao Kotel.
    Yeshayahu Leibowitz, grande (e polêmico) sábio e intelectual judeu, ortodoxo, criticava fortemente esta postura de reverenciar o Kotel, e chamava-o de ‘diskotel’ (disco + kotel). Aliás, ele pregava a separação radical entre religião e estado, mas acho que seu pensamento não foi levado em consideração pela ortodoxia.
    Um abraço

  • Raul Gottlieb

    13/05/2013 at 19:14

    Ei, o Yeshayahu Leibowitz era ortodoxo. Ele era parte da ortodoxia que não queria fazer da religião um trampolim para o poder.

  • Daniel Furrer

    13/05/2013 at 22:06

    Muito bom texto, ótimo de ser lido.

    Melhor ainda são os comentários, bem argumentados ou não, que nos revelam diferentes perspectivas e opiniões e as colocam umas diante das outras, definitivamente um processo democrático. Ainda que tenhamos que ler coisas do tipo “O que é a religião judaica se não os livros que para os judeus deveriam ser sagrados?” e outras opiniões míopes e reducionistas que tendem a destruir mais do que construir ideias. Essas também fazem parte.

    Algumas observações: quando o texto diz ” Em Israel, o impensável acontecia” para se referir aos ataques entre judeus põe-se de lado inúmeros casos onde isso não apenas aconteceu, mas já se sedimentou marcando a sociedade israelense – como pode ser impensável se há menos de 20 anos um ortodoxo assassinou o primeiro-ministro? Parece ser um pequeno deslize de inocência.

    Já comentado anteriormente também foi a posição da polícia que, acostumada a prender manifestantes laicos não-violentos, faz vista grossa para as centenas de ortodoxos odiosos. Essas situações denunciam ou evidenciam a natureza complacente do “Estado Judeu” (até quando vamos continuar chamando um Estado que se pretende democrático por um verbete segregador?) para com esses grupos radicais e violentos.

    Quanto ao Kotel, claro que reconheço sua importância como local de tradição e de grande espiritualidade, mas isso não implica de forma alguma que as leis deste local sejam ditadas por textos bíblicos ou decretos rabínicos. É um local público e a lei deve ser cumprida como em qualquer outro. Daí o valor desta conquista por parte das mulheres e de todos que se dizem democráticos, uma reconquista do espaço público, ou seja, a aplicação da lei – parcialmente ainda – que sempre existiu mas que por muito tempo esteve suspensa neste local.

    Por fim, é necessário reconhecer o esforço por parte dos ortodoxos de inviabilizar o diálogo com o outro, prática nunca apoiada e quase sempre negada por parte do autor dos textos bíblicos. Afinal, a ortodoxia não se restringe a uma das inúmeras formas de praticar o judaísmo – ou qualquer outra prática social para ser mais exato – mas está contida dentro dela o germe da destruição do outro. Nesse sentido, clamar por diálogo é simplesmente algo que vai contra a lógica fundamentalista. Não estou dizendo que a solução – palavra ridícula neste caso – seja a destruição destes, isso seria apenas uma substituição deles por nós, mas não vamos nos iludir também com a possibilidade deles revogarem suas ideias sagradas e aceitarem as regras de convivência em uma sociedade democrática laica.

    De novo, parabéns pelo texto e pelo blog, que estou comentando pela primeira vez apesar de ser um leitor assíduo.

  • Mario Silvio

    13/05/2013 at 22:46

    Li o artigo que você indicou Marcelo e um trecho dele deixou claro o absurdo da situação:

    “Neste espaço, Israel recebe milhares de turistas de diversas religiões e etnias que o visitam vestindo e portando seus trajes e objetos religiosos típicos: batas e caftãs, crucifixos e tefilin, mantas e cristais…”

    Ou seja, só judeus/judias sofrem restrições!

  • Raul Gottlieb

    14/05/2013 at 10:36

    Concordo com o Daniel Furrier que o debate neste espaço é muito interessante. Eu tenho defendido que a visão charedi (ultra-ortodoxa) é uma visão política e não religiosa.

    Que a visão política charedi é anti-moderna, no sentido que ela nega a reconhecer os direitos individuais do ser humano à livre escolha de seu caminho pela vida: seus hábitos, seu parceiro, seus amigos, sua profissão, seus interesses, livros, filmes, hobbies e etc., seu partido político e sua forma preferida de organização comunitária, etc. etc.

    Isto é demonstrado inclusive pela escolha da roupa com a qual se vestem, que foi retirada – como diz a Mila com muita graça – do Varsóvia Fashion Week 1783 e não de alguma roupa tradicional sempre usada pelos judeus (que na verdade não existe, pois os judeus sempre se vestiram conforme a moda local – a menos quando foram proibidos). A ideia de que existe algum mandamento religioso que obriga a pessoa a vestir capote preto no verão de Beer-Sheva ou do Rio é fruto da mais completa desinformação. Deus seguramente não nos quer suarentos e fedorentos.

    Isto também é demonstrado pelo movimento que fundou a ultra-ortodoxia (que não aconteceu no Monte Sinai como pensam alguns desinformados), liderado pelo Rabino Moshe Scharaiber – o Chatam Sofer – em meados do século 19 na Hungria. Ele decretou que “o novo é proibido pela Torá” (tirando de contexto uma frase do Talmud que proibia certo procedimento agrícola na lua nova) como uma reação ao movimento Reformista que pregava uma total revisão das leis e costumes judaicos tendo em vista a enorme mudança política na Europa – onde os judeus passaram a ser considerados cidadãos pela primeira vez desde a Idade Antiga – e também ao movimento Ortodoxo, fundado pelo Rabino Samson R. Hirsch, que pregava “bom é Torá integrada aos costumes locais” (uma tradução livre de “Iafé Torá im derech eretz”) e que defendeu a integração dos judeus na sociedade europeia (ele se formou advogado e escrevia em alemão), só que diferente da Reforma optou por manter a halachá, contorcendo-a para apaziguar a lei antiga aos tempos modernos de igualdade, de pesquisa científica, de tecnologia, de liberdade intelectual, etc.

    É preciso distinguir os charedim dos ortodoxos. Os primeiros são anti-modernos, ou seja, anti democráticos e anti-libertários, os segundos não o são. Com os primeiros não há diálogo porque sua opção política é de negar que o diálogo possa existir, os segundos tem pensamento político democrático.

    Tudo isto me veio à mente ao ler o noticiário dos jornais de Israel de hoje. O líder do Shas (partido charedi sefaradi) se revolta contra uma nova lei que obriga as escolas que recebem subsídios do Estado ensinar o currículo básico do Estado, que inclui o que eles chamam de “inutilidades que desviam a pessoa da Torá”: matemática, química, física, inglês, geografia, história e assim por diante.

    A religiosidade é incompatível com a resolução de integrais? A Torá proíbe conhecer a ordem dos afluentes do Rio Amazonas ou onde fica o Butão? Quem lê Torá não pode ler Sheakespeare, pintar ou gostar de chorinho? Obviamente que a Torá não é incompatível como nada disso. Mas uma atitude anti-moderna é.

    E esta é a natureza da luta dos charedim, cuja oposição às mulheres que querem rezar com Talit é apenas uma pequena demonstração.

    Eles são politicamente a favor da existência de comunidades (e não de indivíduos) submissas e dirigidas autocraticamente por Rabinos não eleitos à semelhança da organização política da Europa feudal. Todo o resto é mera consequência desta postura.

    • João K. Miragaya

      14/05/2013 at 11:07

      Daniel e Raul,

      Por favor, evitem generalizar os charedim ou os ortodoxos. Nem todos os charedim são autoritários a este ponto, assim como nem todos os ortodoxos são democratas e “aceitam a modernidade”. Assim como nem todos os laicos, reformistas, conservadores e tradicionalistas o são.

      Existem diversas correntes e diversos indivíduos com pensamentos distintos, e não é justo que os juntemos como farinha do mesmo saco.

      Nenhuma corrente, religiosa ou política, está isenta de ter cometido erros ao longo da história. Nenhuma corrente possui membros desprovidos de sentimentos como o ódio ou a indiferença.

      Não estou de acordo com a porrada em uma só categoria. Se compusessem de fato uma unidade política, eu tenho certeza de que as mulheres do Kotel sequer se aproximariam da Cidade Velha, pois o número de presentes ali foi ínfimo próximo ao total de estudantes de yeshivot em Jerusalém.

      Criminalizar uma categoria específica é a rejeitar o diálogo. Há charedim avessos à violência e dispostos ao debate, e eu prefiro valorizar a estes a virar as costas a todos.

      Um abraço

  • Raul Gottlieb

    14/05/2013 at 13:56

    Caro João, temos que distinguir as atitudes pessoais das posturas políticas. O que eu coloquei foram as posturas políticas das duas correntes e nisto não me parece haver muita dúvida:

    Os charedim seguem o “chadash assur min hatorá” postulado pelo Chatam Sofer e são anti-modernos no sentido de não aceitarem as liberdades individuais.

    Os ortodoxos seguem o “Torá im derech eretz” postulado pelo S.R.Hirsch e são modernos e democráticos.

    Claro que não existe ninguém que segue totalmente as diretrizes de algum movimento. Cada pessoa se permite um nível de acomodação dentro da linha que pertence. E tem também aquelas que não pertencem a linha alguma, pois não tem vocação para pensar nestas coisas e/ou simplesmente fazem o que lhes parece correto ou confortável, sem se sentir ligadas a um compromisso coletivo.

    Então, você está certo, as pessoas não são todas iguais.

    Mas você não tem razão ao dizer que estamos criminalizando alguém ao dizer que a corrente na qual ele está filiado pensa da maneira x. Estamos apenas categorizando o pensamento daquela corrente e não a atitude individual da pessoa.

    Repare que no meu comentário eu não ligo a violência ao pensamento do Chatam Sofer nem a santidade ao de S.R. Hirsch. Sei que a violência é opção individual dos que a cometem e não uma categoria de pensamento.

    Abraço, Raul

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