Dentro da quadra, vale xingar?

10/12/2012 | Cultura e Esporte.

 

Há aproximadamente 10 dias atrás aconteceu um dos fatos mais lamentáveis dos últimos tempos no cenário esportivo israelense. Mas eu disse dos últimos tempos, existem muitos outros.

 

O jogador de basquete e ex-capitão do Maccabi Tel Aviv, Gai Pnini, extrapolou todos os limites da provocação e do instigamento. No dérbi jogado no Ginásio Nokia, contra o Hapoel Tel Aviv, Pnini perdeu a noção, perdeu a compostura e perdeu todo o respeito que havia adquirido na sua carreira de jogador do Maccabi (maior time de Israel) e da seleção israelense. Ionathan Shuldbrand é israelense, filho de pai sueco e mãe israelense. Mas, para sua “infelicidade”, a família por parte de seu pai tem origem austríaca e alemã. Parece que Gai tinha algum problema com isso, e durante uma marcação ao jogador do Hapoel, desferiu xingamentos de péssimo gosto em direção ao “loiro”. Gai lembrou do holocausto, chamando Ionatan de “nazi” e não contente disse “que você e seu pai tenham câncer na cabeça”.

As câmeras flagraram o exato momento. Não houve possibilidade nenhuma de contestar ou esclarecer. O fato foi debatido durante os últimos dias, os canais de esporte trataram do vexame até a exaustão e os canais de notícia também deram relevância.

Gai foi afastado do elenco do Maccabi por tempo indeterminado e multado em 100 mil shekalim, algo em torno de 50 mil reais. Ele chorou, admitiu o erro e pediu desculpas a todos; direção, técnico, jogadores, família e povo israelense. Ele entendeu que pisou feio na bola e aceitou todas as punições.

Mais do que manchar o nome de seu time e do esporte local, o atleta sujou seu próprio nome. Ninguém fora ele pode assumir a responsabilidade pela falta de respeito e falta de educação. Talvez apenas os seus pais.

Sabemos que no mundo do esporte, os xingamentos e as provocações fazem parte do contexto, sempre existiram e sempre existirão. Foram e serão parte presente do esporte de alto nível e competitivo. No entanto, o atleta precisa “saber” xingar, precisa saber o que está falando e precisa responder por suas bobagens. Não ao racismo, não ao preconceito e não à estupidez.