Dia 29: Gira o Pião

Todo dia 29 comem o tal de “Nhoque da Sorte”. Hoje, não será diferente. Quem não deseja “bons augúrios” aos seus e a si mesmo?

Eu diria que o lado extremo da sorte seria o milagre. Quando pensam que não há mais saída, um “Sobrenatural de Almeida” nos socorre, transformando a tragédia em glória. Na história judaica, há vários exemplos de viradas heroicas, atribuídas ao Divino.

Estamos em plena celebração de Chanuká, a Festa das Luzes. Nestes dias, as crianças costumam girar um pião, com letras hebraicas Nun, Guimel, Hei e Pei (em Israel), ou Nun, Guimel, Hei e Shin (na Diáspora). O brinquedo refere-se às frases Nes Gadol Haia Po e Nes Gadol Haia Sham, ou seja, Grande Milagre Aconteceu Aqui e Grande Milagre Aconteceu Lá.

Segundo a tradição, o fogo do templo sagrado, que duraria apenas um dia, aguentou oito. Antes disso, o pequeno exército de Yehuda Hamakabi (Judas Macabeu) já havia derrotado a forte guarda do rei selêucida, Antíoco, e reconquistado Jerusalém. Dois milagres seguidos. Sorte? Talvez. Predestinação? Quem sabe…

“Deus ajuda a quem cedo madruga”. O fato é que cada um deve correr atrás. Se ficarmos esperando sorte e milagres, não ganharemos nem um, nem outro. “Se eu não for por mim, quem?”, disse o rabino Hillel. É como o apostador semanal de loterias, há anos jogando os mesmos números. Um dia, ele poderá ser contemplado. Não se sabe, mas, pelo menos a parte dele está sendo feita.

Comer o Nhoque todo dia 29 pode ser a compra de um bilhete. Girar o pião e repetir Nes Gadol Haia Po/Sham também.

O principal ensinamento que tiro, desta época do ano, é a de ter a obrigação de construir a base própria para merecer o milagre, ou para “a sorte sorrir para mim”.

Chag Chanuká Sameach – Feliz Chanuká.

Foto: Any Dana.

Comentários    ( 9 )

9 comentários para “Dia 29: Gira o Pião”

  • RITA BURD

    30/11/2013 at 14:15

    Nelson Burd,
    NB, teu texto foi lido na celebração de Hanuká linkada com o Nhoque da Sorte.
    O Grupo Maguen David da WIZO-RS reuniu 120 amigos para esta noite de alegria, história e muita sorte.
    Chag Chanuká Sameach
    Rita

  • Raul Gottlieb

    01/12/2013 at 08:48

    Olá Nelson,

    O teu ensinamento encontra eco na construção da história do milagre do óleo que durou oito dias: o livro dos Macabeus não registra este milagre, que só vai ser encontrado no Talmud, escrito muitos anos mais tarde por Rabinos que tinham por agenda política atribuir todos os méritos às mãos de Deus e também minimizar as aventuras militares, tendo em vista o desastre das duas revoltas contra os Romanos.

    Ao criar o relato do óleo eles dividiram a vitória militar dos Macabeus com o milagre da reconsagração do Templo, diluindo aquela.

    Abraço, Raul

    • Nelson Burd

      01/12/2013 at 16:56

      Exatamente, a fonte é o Talmud, isso mesmo.
      Os Sábios que incentivaram a divulgaram da festa.
      Abraço.

    • Uri

      02/12/2013 at 19:05

      Ouvi dizer que os oito dias podem ter sido fixado pelo fato dos judeus na época não terem conseguido festejar a festa de Sucot no mesmo ano, portanto fixaram 8 dias de festa em Chanuká.

      Fazendo um paralelo sobre o orgulho militar, algo parecido aconteceu pós guera dos seis dias, na guerra de Yom Kipur.

    • Almeida

      06/12/2013 at 17:14

      Eles tinham oleo suficiente para os 8 dias,mas esse oleo não era 100% tahor.
      Só tinham oleo 100% puro para durar 1 dia e resolveram usar apenas esse,que durou os 8 dias,na verdade 7 dias a mais do que poderia durar.
      Isso mostra a emuná que tinham.
      Tem mais detalhes,mas minha memoria está falhando no momento,rs

    • Nelson Burd

      06/12/2013 at 18:34

      É verdade, está correto, Almeida. Valeu.

  • Uri

    02/12/2013 at 18:58

    Parabéns. Belo texto. Há um episódio parecido com esse de Chanuká, especificamente sobre o milagre do óleo.

    Consta em Melachim Beit (REIS 2) que a viúva do profeta Ovadia devia dinheiro ao Rei de Israel, Yehoram ben Achav.

    Como a viúva não tinha como pagar a dívida, ela foi procurar o profeta Elisha. Elisha, pronto a ajudar, perguntou para a viúva o que ela possuía em sua casa. A viúva respondeu que não possuía nada, somente um vaso de azeite. Elisha disse para a viúva pedir aos vizinhos vasos emprestados, vasos vazios.

    E então Elisha pegou os vasos vazios e os enchia de azeite a partir daquele único vaso cheio de azeite que pertencia a viúva. De forma milagrosa, vários vasos foram enchidos a partir de um vaso cheio apenas. Por fim, Elisha aconselhou a viúva a vender o azeite, pagar a dívida e viver com o resto para sustentar ela e os filhos.

    Aprendo dessa história, o mesmo ensinamento que você tira de Chanuká, de ter a obrigação de construir a base própria para merecer o milagre, se a viúva de Ovadia não tivesse um vaso cheio de azeite, não haveria milagre. D-us quer que tenhamos apenas um vaso cheio, para ele então nos conceder muitos outros vasos cheios a partir desse, mas para isso temos que fazer por merecer, temos que possuir um vaso cheio de azeite.

    Me faz lembrar também da frase פתחו לי פתח כחודה של מחט ואני אפתח לכם כפתחו של אולם. Abra para mim (no caso D-us) uma ponta de agulha apenas, que eu vou te abrir as portas de um salão.

    Chag Sameach!

    • Nelson Burd

      03/12/2013 at 11:22

      Obrigado pela participação, Uri. Belas palavras, bela história. Chag Sameach.

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