Direita e Esquerda em Israel – Parte 2: os aspectos do espectro

06/01/2013 | Eleições; Política

Devido à sua condição específica, em que uma democracia parlamentarista, com cidadãos oriundos das mais diversas regiões do mundo reunidos, coabita com profundas questões de segurança, religião e direitos de suas minorias, além de manter ocupadas regiões sem status político definitivo estabelecido e não gozar de relações diplomáticas com a maioria dos países à sua volta, a política no Estado de Israel não pode ser profundamente analisada com a simples divisão dos partidos sob a ótica ocidental de direita/esquerda.

O parlamentarismo representativo israelense, sob o qual nunca um partido logrou obter maioria absoluta no Parlamento (Knesset), induz à construção de coalizões que totalizem, ao menos 61 dos 120 membros do parlamento, e são costumeiramente frágeis. Este sistema político-eleitoral, apesar de limitar a estabilidade dos 32 governos formados em 64 anos, permite que os mais distintos setores de uma sociedade bastante diversificada e multicultural se façam representados na Knesset e, possivelmente, em um governo, permitindo que suas necessidades e prioridades sejam apresentadas e discutidas em meio à opinião pública nacional.

Nesta minissérie de dois artigos, analisaremos como os partidos atualmente presentes na Knesset (e alguns que provavelmente estarão na próxima legislatura) se posicionam frente a estas questões distintas e complexas.

No primeiro artigo, apresentei os agrupamentos de partidos, que dividem o Parlamento em quatro grandes blocos, com afinidades internas e tendências a alianças em função de suas ideologias similares, ou do perfil demográfico de seu eleitorado típico. Neste artigo, analisarei de maneira mais detalhada como cada partido se posiciona em relação aos múltiplos critérios possíveis para a definição entre esquerda e direita, e como essa nuance multifacetada dificulta a formação de coalizões.

Na página especial do ConexãoIsrael sobre as eleições de 2013, é possível ler um artigo dedicado especialmente a cada partido, com o detalhamento de sua liderança e  plataforma ideológica. Também está disponível uma ferramenta de comparação entre as  propostas dos partidos com relação aos principais temas em discussão nesta campanha.

Primeiro espectro: sob a ótica sócio-econômica

Tradicionalmente, entende-se como partido de esquerda aquele que busca maior justiça social, redução das diferenças entre as classes sociais através da implementação de impostos progressivos, execução de obras públicas e intervenção das instituições estatais para estes fim. Partidos de direita, por sua vez, apoiam o livre-mercado e o liberalismo econômico, com intervenção mínima das instituições do estado na vida diária.

Naturalmente, partidos ideologicamente ligados ao socialismo e à heterodoxia econômica (Chadash, Meretz e o Partido Trabalhista) representam a esquerda, enquanto que os que se alinham ao liberalismo (Israel Beitenu e Likud) estão na outra ponta do espectro. Entretanto, os partidos judaicos religiosos (Shas e Yahadut HaTorá), por exemplo, chamados de “aliados naturais” da direita sionista, representam um parcela empobrecida da sociedade e defendem fortes políticas de amparo social a famílias com muitos filhos e adultos desempregados.

HaIchud HaLeumi, considerado por muitos o partido mais à direita da Knesset em função de suas posições radicais quanto ao tratamento à população palestina, tem sua base eleitoral ligada aos assentamentos judaicos na Cisjordânia e defende fortes benefícios econômicos e sociais para os moradores destas áreas, bem como grandes investimentos estatais em infra-estrutura.

Segundo espectro: divisões étnicas internas do povo judeu

Para simplificar o raciocínio, estão excluídos deste espectro os partidos de eleitorado majoritariamente árabe (Balad, Ra'am/Ta'al, oficialmente árabes, e Chadash) e o Israel Beitenu.
Para simplificar o raciocínio, estão excluídos deste espectro os partidos de eleitorado majoritariamente árabe (Balad, Ra’am/Ta’al, oficialmente árabes, e Chadash) e o Israel Beitenu.

Ao longo da História de Israel, organizaram-se alguns partidos que se apresentam como representantes da população judaica segundo suas origens étnicas. Os ashkenazitas, judeus europeus, iniciaram sua Aliá (retorno a Israel) no final do século XIX, com destaque para os socialistas, fundadores dos kibutzim, e para o fato de muitos se considerarem laicos. Por outro lado, os sefaraditas, os judeus ibéricos e orientais, que chegaram majoritariamente dos países árabes e muçulmanos do Norte da África e do Oriente Médio após a Declaração de Independência do Estado de Israel (1948), apesar de não serem ultra-religiosos, praticamente desconheciam o conceito de secularismo em suas comunidades de origem. Apesar de seu ápice ter ocorrido nas eleições de 1977 e 1981, que representaram a transição do poder das mãos dos trabalhistas para o Likud, a divisão étnica só resultou na criação de partidos especificamente representativos de determinados setores ao longo da década de 1980.

Nas eleições de 1996, foi permitido aos eleitores depositar votos separadamente para primeiro-ministro (eleição direta) e para os partidos da Knesset. Consequentemente, reforçaram-se os partidos relacionados às populações com sentimentos de falta de representatividade política: os sefaraditas e os imigrantes que haviam chegado a Israel desde a dissolução da União Soviética. Ainda que não existam muitos partidos que se auto-declarem “étnicos”, exceto pelos ultra-religiosos e pelas listas árabes, é possível classifica-los de acordo com o perfil de seus eleitores. E mesmo que a opção por eleições diretas para o cargo de primeiro-ministro tenha sido revertida para o tradicional parlamentarismo de coalizão, a dispersão dos votos se manteve, e o número de partidos representados na Knesset se mantém em torno de doze nos últimos anos.

Sob esse aspecto, paradoxalmente, os tradicionais partidos da esquerda sionista (Trabalhista e Meretz), representam o público ashkenazita, que chegou antes a Israel, participou da fundação da maioria das instituições públicas e privadas do país e as lidera até hoje, representando a elite econômica e intelectual da sociedade, e constituindo uma parcela da população que, em outros países, costuma votar em partidos liberais. Em oposição a estes, mas igualmente paradoxal, o direitista Likud, ainda que tenha toda sua liderança ashkenazita, tem sua base eleitoral formada pelos judeus sefaraditas, rancorosos do tratamento oferecido pelo governo trabalhista quando de sua chegada a Israel, nas décadas de 1950 e 1960 e, até hoje, constituintes de uma classe social menos favorecida que os tradicionais eleitores da esquerda.

Na atual campanha eleitoral, a liderança do Shas, que disputa com o Likud o voto sefaradita, tenta atrair os votos desta parcela da população acusando a união do Likud com o Israel Beitenu de formar um partido de “brancos e russos”. Também é interessante notar que, por seu tamanho relativo (cerca de 20% da população judaica israelense), que justifica uma grande oferta de produtos e serviços em sua língua natal, e sua recente absorção (chegaram ao longo dos últimos 25 anos), a adaptação dos imigrantes das antigas repúblicas soviéticas ainda não é plena e esta população é considerada à parte de ashkenazitas e sefaraditas, ainda que seu judaísmo seja ashkenazita em sua quase-totalidade.

Terceiro espectro: a religião e o Estado

Neste espectro, para simplificar o raciocínio, excluímos os partidos oficialmente árabes.

Enquanto os partidos ultra-ortodoxos desejam um país regido pelas leis religiosas, sendo muitos de seus eleitores contrários à própria existência de um Estado Judeu na Terra de Israel antes da chegada do Messias, os partidos ultra-laicos defendem exatamente o oposto: um estado sem influências de uma religião oficial ou majoritária. Ao longo desse espectro, estão os partidos que aceitam traços da religião judaica no Estado de Israel e partidos religiosos, ou com eleitorado expressivamente religioso, porém com forte ideologia nacionalista.

Sob esta ótica, é interessante observar Likud e Israel Beitenu, fortes aliados nos últimos anos e coligados em uma lista conjunta para as próximas eleições, posicionarem-se em lados opostos do espectro. O Likud aproxima-se do centro pela direita, tentando equilibrar sua diretrizes liberais com o perfil demográfico de seu eleitorado (judeus sefaraditas que, ainda que não sejam estritamente religiosos, mantém grande partes das tradições e acreditam no caráter judaico do Estado de Israel). Já o Israel Beitenu, normalmente posicionado à direita de seu parceiro, cruza a fronteira para a esquerda, ao transparecer as aspirações de seu eleitorado, os imigrantes das antigas repúblicas soviéticas, majoritariamente laicos e interessados no rompimento do status quo que rege as atuais relações do Estado de Israel com o judaísmo ortodoxo.

Ainda que o Chadash, que reúne judeus e árabes na lista do antigo Partido Comunista seja totalmente favorável à separação de religião e estado, torna-se complicado inferir qual a real posição das duas bancadas oficialmente árabes no que toca esta questão. Naturalmente, por se tratar da influência do judaísmo no país, o Balad e o Ra’am-Ta’al apoiam medidas para a sua redução e, nas demais questões, relacionadas aos direitos das minorias e aos benefícios econômicos das classes baixas, de onde sai a maioria de seus eleitores, estão alinhados com os partidos esquerdistas. Não se sabe, porém, qual seria a real posição da maioria do eleitorado árabe se este habitasse um país majoritariamente muçulmano. E a falta de partidos que representem o setor árabe fora do âmbito economicamente esquerdista pode ser uma das razões que, somada ao boicote à política sionista, causam a baixa participação eleitoral dos árabes-israelenses e sua consequente representatividade desproporcional.

Quarto espectro: segurança e relações internacionais

O parâmetro de classificação mais comum dos partidos políticos israelenses trata da opinião acerca do que deve ser feito com os territórios ocupados durante a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, e das relações internacionais do país. Os “pombas” têm uma atitude mais conciliadora sobre o futuro dos territórios, o estabelecimento de um estado palestino, o diálogo com organizações palestinas e a retirada dos assentamentos judaicos da Cisjordânia e do Golã, entre outras questões. Em sua oposição, estão os “falcões”, com uma ótica mais nacionalista, dificilmente dispostos a negociar a devolução destes territórios e favoráveis à contínua colonização judaica nestas terras.

Ao longo do espectro encontram-se partidos que defendem uma divisão do Golã, devolvendo cerca de metade do território à Síria em um acordo que garanta o fornecimento de água potável a Israel, bem como a criação de um estado palestino desmilitarizado, com a manutenção dos grandes blocos de assentamentos judaicos atuais (cuja retirada seria financeiramente inviável). Ainda que identifiquemos posicionamentos “naturais” nessa questão, com os esquerdistas e os árabes-israelenses (cuja maioria se enxerga como palestinos) favoráveis à política de “terras por paz” e os direitistas e nacionalistas-religiosos opondo-se a qualquer desligamento israelense destas terras historicamente conectadas ao povo judeu, é curioso observar o posicionamento dos partidos ultra-ortodoxos.

Se o Shas retirou-se da coalizão em 1993, quase derrubando o governo que negociava a devolução dos territórios ocupados aos palestinos, o Agudat Israel, a facção hassídica do atual Yahadut HaTorá, permaneceu no governo em 2005, quando o primeiro-ministro Ariel Sharon comandou a retirada unilateral de Gaza. Em parte, devido a seu forte caráter anti-sionista, estes partidos não acreditam que o domínio israelense sobre áreas sagradas para o judaísmo representa um real controle judaico na região. Por outro lado, suas práticas fisiológicas, de preferência por uma participação no governo que lhes permita controle sobre ministérios “sociais” os tornam mais flexíveis quanto à aceitação de que “questões maiores” serão definidas pelas partidos maiores.

Influências sobre o parlamentarismo de coalizão

Naturalmente, a urgência determina que o tema da segurança exerça grande influência sobre o eleitorado israelense e, por consequência, sobre as decisões tomadas e alianças formadas por seus políticos. Entretanto, questões econômicas são consideradas fundamentais no jogo eleitoral em qualquer país, e o cenário israelense não é exceção. Adicionalmente, nuances internas desta sociedade são refletidas no jogo político local e nem sempre são percebidas, ou têm sua devida relevância reconhecida, pelos olhos estrangeiros.

Incompatibilidades econômicas podem dificultar alianças que, sob o ponto de vista das opiniões sobre a segurança nacional seriam bem-vistas. Alianças que afetem a composição étnica e a religiosidade de determinada lista (como a coligação Likud-Beitenu) podem resultar no fortalecimento de partidos que não-necessariamente seriam substitutos perfeitos para o eleitor (no caso, Shas ou HaIchud HaLeumi). Interesses de partidos distintos pelos mesmos ministérios são capazes de influenciar a formação de uma coalizão da mesma maneira que exigências de partidos aliados de diferentes lados do espectro quanto a determinado ponto.

A eleição israelense é multifacetada a cabe apenas ao eleitor determinar, entre suas diferentes prioridades, qual é a mais preponderante. Muitas vezes o voto reflete apenas algumas das características de determinada faixa demográfica e a composição da Knesset não é necessariamente análoga à sociedade israelense. Cabe aos deputados e, principalmente, aos líderes das bancadas tentar costurar uma coalizão de governo que alie estabilidade política com a satisfação de seus eleitores que, afinal, os julgarão após quatro anos.

Para finalizar, gostaria de convidá-los a escutar a canção “Misparim” (Números), da banda HaDag Nachash, de Jerusalém. Escrita nos primeiros anos do século XXI, em meio à crise econômica e às privatizações no setor público, segue bastante atual. Embora a atual situação não seja tão grave, vale a reflexão se os israelense realmente só pensam na segurança nacional quando vão às urnas.

A letra, e sua tradução, podem ser encontradas no blog pessoal do Yair Mau, um dos criadores do ConexãoIsrael.

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* A exata posição de cada partido em cada espectro não pode ser estimada com precisão. Mudanças nas plataformas ideológicas e no posicionamento das bancadas ocorrem de maneira bastante dinâmica. Recentemente, observamos a formação de uma lista Trabalhista muito mais focada na questão sócio-econômica, enquanto que a lista do Likud foi taxada de extrema-direita. Por outro lado, a fusão entre HaBaitHaYehudi e HaIchud HaLeumi, prevista para ocorrer no início da próxima legislatura, torna impossível afirmar a localização exata de ambos os partidos, assim como da futura legenda, em qualquer espectro. A representação visual é meramente ilustrativa e tem como único objetivo auxiliar o leitor na compreensão da análise.

Foto de capa: http://puckettpages.com/wp-content/uploads/sign-left-or-right-only.jpg

Comentários    ( 9 )

9 Responses to “Direita e Esquerda em Israel – Parte 2: os aspectos do espectro”

  • Raul Gottlieb

    06/01/2013 at 16:51

    Cláudio, repito uma frase tua:

    “Tradicionalmente, entende-se como partido de esquerda aquele que busca maior justiça social, redução das diferenças entre as classes sociais através da implementação de impostos progressivos, execução de obras públicas e intervenção das instituições estatais para estes fim. Partidos de direita, por sua vez, apoiam o livre-mercado e o liberalismo econômico, com intervenção mínima das instituições do estado na vida diária.”

    Perceba que o teu parágrafo contém um subtexto que retrata a esquerda lutando por tudo o que é bom, decente e humano. Já a direita, esta procura apenas o lucro.

    Creio que você está completamente errado. Todos procuram o bem. Você já viu algum partido anunciando ser a favor da pobreza? O que diferem são as estratégias e, para o desapontamento de muitos, as estratégias da direita têm sido historicamente mais bem sucedidas.

    Uma segunda observação: a igualdade entre as classes não deveria ser objetivo de ninguém. Uma sociedade de famélicos tem muita igualdade e muita infelicidade também. O objetivo de um partido político comprometido com a humanidade deveria ser a constante elevação do nível econômico das classes menos favorecidas, independente de onde se situem as mais favorecidas.

    Você não acha?

    Abraco, Raul

    • Claudio Daylac

      06/01/2013 at 17:16

      Raul,

      Obrigado pela sua visita e pelo seu comentário.

      Este curtíssimo parágrafo não tem a ambição de definir esquerda e direita, assim como seus equivalentes abaixo não têm a ambição de definir ashkenazim e sefaradim, ou pombas e falcões, por exemplo. É apenas uma rápida revisão sobre a principal diferença entre os campos, no que tange a intervenção do Estado na economia.

      Como você mesmo citou, eu escrevi “redução das diferenças entre as classes sociais”. Esta é uma bandeira dos partidos de esquerda e para isso defendem intervenção do estado na economia. A direita é a favor de um Estado mínimo e mais neutro, que não atue em função de nenhuma bandeira específica. Não falei sobre o lucro.

      Em suas primeiras décadas, Israel caracterizou-se por ser um estado de bem-estar social, onde as diferenças entre as classes sociais eram menores que na maioria do mundo ocidental. Após algumas décadas de governos (da direita e da esquerda) que distanciaram-se desse modelo, existe hoje uma pressão maior dos movimentos sociais para o retorno à social-democracia. E são os partidos à esquerda do espectro que a defendem.

      Mais uma vez, a função do artigo não era definir ideologias, pois não temos espaço para tal.

      Espero que, a parte deste ponto, o artigo tenho sido interessante aos seus olhos.

      Shavua tov,
      Claudio.

  • Raul Gottlieb

    07/01/2013 at 11:52

    Claudio,

    O texto é muito interessante sim, sem dúvida. Mas a tua escolha de palavras me pareceu revelar o pensamento dicotômico: esquerda=bom; direita=ruim.

    Perceba que você colocar objetivos nobres no lado esquerdo da balança: “justiça social”, “redução das diferenças”, mas do lado esquerdo existem apenas estratégias econômicas sem citar seus objetivo. Fica parecendo que apenas a esquerda quer a justica social e que a direita se preocupa somente com uma economia que gere resultados.

    Talvez eu esteja errado e você não tenha este pensamento. Mas por via das dúvidas resolvi deixar claro que a realidade não mostra esta divisao de objetivos nobres entre direita e esquerda.

    Sobre diminuir a desigualdade eu penso que este é um objetivo equivocado. Nos primeiros anos de Israel havia mais igualdade e muita pobreza. Ninguém quer isto de novo.

    É uma visão míope pensar que a diminuição das diferenças vai levar ao bem estar. A meu ver, um objetivo politico razoavel seria, em primeiro lugar, garantir vida decente a todos e, uma vez isto conseguido, elevar constantemente o nivel economico dos mais pobres (que podem ser ricos se comparados com outros paises). Comparar o diferencial dos muitos ricos com os menos ricos nao leva a nada.

    Abraco e parabens pela analise.
    Raul

  • Claudio Daylac

    07/01/2013 at 12:54

    Raul,

    Acho que estamos concordando que a diferença entre a esquerda e a direita no campo econômico reside em suas respectivas opiniões sobre a intervenção do Estado na economia.

    Em seus primeiros anos, o Estado de Israel sofria dificuldades econômicas que não passa hoje. Não apenas internas (absorção em massa de uma população maior do que a anteriormente residente, por exemplo) como também externa (boicotes econômicos). O Estado interferia para que os escassos recursos fossem minimamente divididos entre a população. Isso assegurou que ninguém passasse fome, ainda que as condições de vida fossem dificílimas.

    Quanto à escolha de palavras, afirmo que a bandeira da direita é a não intervenção estatal na economia, anda que isso não seja realmente aplicado. Em meio à crise atual, vemos inúmeros governos liberais intervindo através de inversões governamentais em empresas específicas, em detrimentos de outras, a título de salvar a economia. A esquerda, por sua vez, declara sua intenção de intervir no mercado, e nomeia seus objetivos.

    Mais uma vez, repito que o artigo não tem a ambição de detalhar estas diferenças ou sequer apontar um lado como correto e o outro como errado. Por outro lado, trata-se de um artigo assinado, e – mesmo que não fosse – é natural que a minha opinião seja parte integrante de tudo o que escrevo.

    Um abraço e obrigado pelos elogios.
    Claudio

  • Cynthia Senderowicz

    08/01/2013 at 19:52

    Oi Claudio,

    Mais um otimo artigo que complementa as informações anteriores e me leva a reflexão. Realmente bastante complexa a politica israelense. Me fez lembrar a velha piada dois dois judeus naufragos que criaram cada um a sua propria sinagoga… Enquanto o saldo da divergencia e diversidade judaicas for positivo o lucro será tanto da direita quanto da esquerda, de sefaradims e askenazims. Viva a democracia!!!

    • Claudio Daylac

      09/01/2013 at 02:22

      Olá, Cynthia.

      É por essas e outras que a democracia israelense é tão fascinante!

      Fico feliz que você tenha gostado do artigo.

      Obrigado por mais uma visita e continue acompanhando nossa cobertura das eleições!

      Claudio.

  • Cezar

    19/01/2013 at 13:34

    Claudio,
    Parabens pela analise precisa da imprecisao existente na organizacao politica israelense.
    Mas tenho uma pergunta bem especifica: Como vc avalia esse vacuo existente na politica de centro israelense e a impossibilidade quase patologica de implementacao e sustentacao dos partidos q nesse vacuo tentam se inserir? Lembrando q vc mesmo disse q nesse espaco se encontra ideologicamente parte representativa do eleitorado israelense.
    E, sem querer explorar, eu venho com outra pergunta: Quais os motivos da “direitarizacao” dos partidos israelenses? Vc acredita q simplesmente a demografia populacional israelense por si so explicaria tal fenomeno?

    Mais uma vez, parabens pela analise.

    Cezar

    • Claudio Daylac

      19/01/2013 at 22:09

      Cezar,

      o natural seria que os dois grandes partidos (Avodá e Likud), líderes de seus blocos e considerados “mais moderados”, brigassem por esse eleitorado centrista a cada ciclo eleitoral. Talvez seja um público heterogêneo demais para ser representado por um único grande partido, vide o sucesso-seguido-de-fracasso do Kadima.

      A “direitização” tem uma série de razões: mudanças demográficas (imigrações sefaradita e russa), desilusão com o socialismo a nível mundial, desesperança no que diz respeito a um acordo político com os palestinos, entre outras.

      Enfim, pode-se dizer que a esquerda desperdiçou as muitas chances que o eleitorado lhe conferiu e, ainda que os governos de direita também não tenham sido bem-sucedidos, seu discurso conciliatório irrita muita gente

      Por outro lado, recentes pesquisas indicam que o bloco de direita e o bloco de centro-esquerda terão tamanhos similares na próxima Knesset (entre 45 e 50 cadeiras para cada um), tendo a direita a vantagem de contar com o bloco ortodoxo como seu “aliado natural” para conquistar a maioria parlamentar.

      Muito obrigado pelo seu elogio e volte sempre!

      Um abraço.

  • João Domingos

    13/07/2014 at 10:22

    Estou aqui aprendendo e conhecendo sobre Israel devido ao conflito que envolve Israelense e Palestino, procurando entender e estudar sobre esta situação lamentável de conflito que acaba ceifando vidas de ambos os lados, achei sua análise muito clara e sem paixões e fanatismo sobre o quadro político em Israel e de seus partidos. Diferente do senhor Raul Gottlieb não acredito que: ” É uma visão míope pensar que a diminuição das diferenças vai levar ao bem estar. A meu ver, um objetivo politico razoavel seria, em primeiro lugar, garantir vida decente a todos e, uma vez isto conseguido, elevar constantemente o nivel economico dos mais pobres (que podem ser ricos se comparados com outros paises). Comparar o diferencial dos muitos ricos com os menos ricos nao leva a nada.’
    Ao meu ver esta visão é conservadora e míope , que dificilmente promoverá a mudanças das coisas de forma efetiva, uma visão que mantém o Status Quo em qualquer situação no mundo.
    Com todo o respeito ao senhor Raul, mas ele se preocupou muito em defender uma perspectiva de direita, conservadora e de mercado no mundo, sem fazer as devidas criticas as tais posturas e políticas, que geraram e ainda gera no mundo grandes tragédias.
    Um bom exemplo foram as Bolhas de especulações do mercado imobiliário Norte-americano, a política catastrófica e beligerante da era Bush; situações de desigualdades incríveis, mas sempre tendo a colaboração da mídia e imprensa mundial, patrocinadas pelo grande Capital; para rarefazer seus atropelos e enormes besteiras.
    Não que a esquerda, se podemos falar ainda assim hoje de uma esquerda clássica; mas as perspectivas mais humanistas e que apregoam um Estado mais justo, mais digno, e que busque uma maior igualdade para todos também não tenham errado e que não mereçam criticas e questionamentos. Evidente que sim!
    Bem independente desta questão, o importante é que desejo que Judeus e Palestinos consigam chegar num acordo de Paz e de Respeito Mútuo, onde ” A Vida Humana ” seja ” O Bem Mais Precioso de todos” , fazendo com que os demais valores; Religiosos, Culturais, Políticos e etc, sejam secundário, pois, sem a Vida, Respeitada e Dignificada os demais valores acabam se dissolvendo na “Intolerância Religiosa”, no ” Etnocentrismo” e no ” Totalitarismo”