Direita orgulhosa, esquerda envergonhada

18/01/2013 | Política

–          Ei! Você! Leia o Israel HaYom[1], não perca tempo com o Yediot Achronot[2], não vale a pena.

–          Por que?

–          Acredite em mim. O Israel HaYom é um jornal bem melhor.

–          Obrigado! Na verdade eu estava atrás do Haaretz[3], mas só havia um exemplar e alguém o pegou.

–          Haaretz? Não, não faça isso! Não leia este jornal, eles não são sionistas, são esquerdistas. Eles só enaltecem à ANP[4], fortalecem os antissionistas, é só isso que a esquerda faz! Não perca seu tempo. – Passam-se algo como três minutos. – Você ainda é muito jovem para perceber isso, mas os esquerdistas estão contra o Estado de Israel. Não se pode apoiar este tipo de gente.

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1. O ex-Premier Itzhak Shamir

Este diálogo aconteceu entre um senhor de mais ou menos 70 anos e este que vos escreve, há pouco menos de três anos em um café em Tel-Aviv. Posteriormente eu vim a descobrir que o tal senhor era amigo pessoal do ex-1º Ministro Itzhak Shamir (Likud, 1982-83 e 1986-92), descoberta esta que não alterou a minha percepção sobre o caso. Era a primeira vez que eu falava de política com um israelense desde que eu chegara ao país, e logo de cara fui censurado simplesmente por ler um jornal de esquerda. Este evento poderia ter passado despercebido, caso eu não tivesse passado por outras situações do gênero nestes meus três anos e meio aqui em Israel. Já fui chamado de traidor por defender que o governo, ao invés de investir na construção de assentamentos, utilizasse esta verba para evitar o fechamento do Minhal HaStudantim[5]. Fui chamado ironicamente de boa alma[6] quando pedi um cessar-fogo na última operação israelense em Gaza (Operação Pilar Defensivo), ou quando, em uma manifestação, me posicionei contra a expulsão dos refugiados africanos. Não é esporádico. É real.

Se o leitor quer entender a razão da recente crise política da esquerda israelense, recomendo que leia o artigo do meu amigo e colega colunista neste site David Gruberger. Peço permissão ao David, no entanto, para discordar dele em determinados pontos, e construir o meu próprio ponto de vista. Parto de alguns pressupostos distintos de Gruberger, que darão cor à minha argumentação: (1) A crise não é só política, é também moral; (2) Não há só uma esquerda no país, e parte dela não está em crise; (3) Não somente há uma crise na esquerda, mas um fortalecimento da direita. Os pontos serão explorados em ordem a fim de que se facilite a compreensão. Antes de iniciar a argumentação, gostaria de dizer que adotarei ao longo do artigo as definições clássicas de direita, centro e esquerda. “Por direita, entenderei as forças conservadoras, alérgicas a mudanças e dispostas a manter o status quo. Centristas são as tendências da moderação e da conciliação (…). À esquerda se situarão as forças favoráveis às mudanças em nome da Justiça e do Progresso sociais[7].”

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2. Foto de Rabin vestido de árabe. Em cima: Mentiroso. Embaixo: Eleições agora.

A crise não é só política, é também moral. Em Israel são popularmente usados os termos esquerdista e direitista para definir políticas públicas e visões de mundo pessoais. Mas hoje são poucos os que querem se dizer esquerdistas no país. Após a 2ª Intifada, reforçado sobretudo após o controle do Hamas em Gaza aliado ao fracasso do Plano de Desconexão, se reforçou até se consolidar na sociedade israelense uma mentalidade, não geral, mas representativa, de que os que confiam na possibilidade de negociação com os palestinos e desejam ceder territórios são traidores. Traição é um dos dois únicos casos nos quais a justiça israelense prevê pena de morte, para que o leitor tenha noção da gravidade da acusação. Aos poucos, passaram a ser acusados popularmente de traição ativistas de direitos humanos (os árabes são grande parte do setor desprivilegiado na sociedade israelense), políticos de esquerda, ativistas de movimentos pacifistas, e etc. O conflito deixou de ser político e tornou-se moral. A questão era nacional, semelhante à mentalidade criada pela ditadura militar no Brasil: “ame-o ou deixe-o”. É lógico que este ethos não foi criado como uma política do Estado. Nenhum governo adotou esta mentalidade até agora, estou falando de um pensamento popular. Seria eu ingênuo, no entanto, se acreditasse que os governos nunca surfaram nesta onda.

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3. A número 1 trabalhista Shely Iechimovitch

No dia 08 de novembro do ano passado, a líder do Partido Trabalhista afirmou que “considerar o Avodá[8] como de esquerda é um erro histórico”, para em seguida afirmar que “o Avodá sempre teve a sua força no centro. Passaram por aqui pombas e falcões[9] e sempre houve um debate”. É interessante que a nova líder trabalhista, eleita justamente com o discurso de recondução do partido à volta as suas origens, afirme que o partido jamais foi de esquerda. Por mais que este discurso entre em contradição com a agenda social do Partido Trabalhista, Shely não se mostra incoerente em relação à postura a ser adotada pelo Avodá caso venha a ser governo: embora Shely claramente evite mencionar o conflito e as propostas de seu partido para alcançar a paz em entrevistas e participações na mídia, o diário Haaretz publicou no dia 23 de outubro de 2012 uma matéria na qual a candidata deixou escapar que não se difere muito de Netanyahu em pontos cruciais: Shely também é contra as pré-condições exigidas por Abbas (leia-se: o congelamento da construção de assentamentos na Cisjordânia) antes de dialogar; exige que os palestinos reconheçam que Israel é um Estado judaico e democrático; e é contra evacuar a maior parte dos assentamentos já existentes. Conclusão: se a líder do maior partido de esquerda (pelo menos tradicionalmente falando) não somente deixa de reconhecer que seu partido é de esquerda, como confirma em suas propostas, é porque deve ser muito ruim ser esquerdista neste país. Há quem acuse Shely de estar fugindo da má fama que o nome esquerdista dá. Pior ainda.

Não é só Shely que entra nesta onda. Amram Mitza, ex-líder trabalhista no início da década passada e atual número dois da lista do partido HaTnua, declarou ser seu partido de esquerda e levou uma dura da líder do partido Tzipi Livni. Esta, que recrutou ex-parlamentares do Kadima e dos trabalhistas para seu partido, recusa-se a aceitar o rótulo de esquerdista, pois de fato, não é. Mas quando chamada de direitista parece se conformar. Para Livni o problema é ser de extrema direita, forma pela qual ela rotula Netanyahu e seu partido. Outro expoente do bloco dos centristas, Yair Lapid, novato na política, mas com DNA de “raposa” na vida política, não permite que o enquadrem na categoria esquerdista de forma alguma. Dos três maiores alternativas ao governo atual, que devem alcançar nesta terça-feira próxima, algo entre 35-40 cadeiras na Knesset, não há um só partido que se considere de esquerda.

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Mapai

Os trabalhistas não eram a única esquerda do país, que, a meu ver, sempre foi dividida em três blocos: os trabalhistas, os sionistas socialistas e os socialistas não sionistas.  Os trabalhistas, sob o nome de Mapai, Hamaarach ou Avodá, estiveram no poder durante o período 1948-77, e depois entre 1984-86, 1992-96 e 1999-01. Em outras palavras, foi o partido que mais vezes governou o país. Seu enfraquecimento não se dá somente pelo fracasso nos acordos de paz: os trabalhistas, salvo durante os primeiros 15 anos, jamais governaram para as classes populares. O partido negligenciou os judeus mizrachim[10], não se esforçou para reconhecer a legitimidade dos judeus etíopes, foi ineficiente no plano econômico, fracassou em tornar práticos seus projetos ideológicos (kibutzim, Histadrut HaOvdim – Central Sindical –, Banco Hapoalim, etc.)  e não teve sucesso em trazer a paz. A população de mais baixa renda em Israel vota no Likud, principalmente pelos descasos sofridos durante os anos trabalhistas no poder.

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Mapam
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Ratz

Os sionistas socialistas já foram mais fortes, hoje são mais fracos do que nunca. Herdeiros do tradicional Mapam (antigo partido sionista socialista, formado basicamente por operários urbanos e kibutznikim), a esquerda sionista hoje tem três assentos na Knesset. É isso o que tem o Meretz, fusão do Mapam com o Ratz (ex-partido pacifista e pró-direitos humanos) e outros menos importantes. Com propostas de transformação social e acordos de paz concretas, e uma coerente luta pelas mesmas, o Meretz foi o partido que mais sofreu com a crise moral da esquerda. Em 1992, quando o povo clamava por paz, o partido alcançou 12 cadeiras, formando a terceira maior bancada no parlamento. Hoje tem só três. O Meretz, no entanto, segue sustentando um discurso orgulhoso por se dizer de esquerda (“A esquerda de Israel”, é seu lema), e a tal falta de vergonha parece resultar em algo: o partido está cotado a receber entre cinco e seis mandatos, números pouco significativos, mas proporcionalmente altíssimos. Mesmo assim, é muito pouco para o único partido que se diz sionista de esquerda. Eu presenciei na última sexta-feira, em Tel-Aviv, militantes do Meretz sofrendo ofensas de cidadãos que passavam pela rua somente por estarem divulgando o partido. No ponto em que eu estava, haviam militantes de diversos partidos, e só um foi vítima de mais ofensas que o Meretz.

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4. Zahava Galon, líder do Meretz
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Maki

O último bloco é o da esquerda não sionista, representada principalmente pelo partido Chadash. Herdeiros do Maki (antigo Partido Comunista Israelense), o Chadash tem o seu eleitorado formado basicamente por árabes. Os judeus que participam e votam no partido se encontram, em geral, nas universidades e nos círculos intelectuais, sobretudo em Tel-Aviv e em Haifa. Para este grupo de pós-sionistas, antissionistas ou, simplesmente, não sionistas, não há a menor vergonha em ser esquerdista. O Chadash não passa por uma crise moral, pelo contrário. O partido foi o único de esquerda que cresceu nas últimas eleições, passando de três para quatro cadeiras na Knesset. Os votos judaicos aumentaram, sobretudo pela popularidade do parlamentar Dov Chanin. Apesar disto, os militantes do partido são frequentemente chamados de traidores, antissionistas, e etc. A diferença do Chadash para o Meretz é que o esse não se importa por receber tais rótulos.

O fator que junta a crise da esquerda com o fortalecimento da direita se explica em uma palavra: conflito. A deterioração da relação com os palestinos, a infeliz perpetuação da calamitosa situação de inconstância militar e a sempre eminente guerra, tudo isso superdimensionado por discursos proferidos por Netanyahu e Libermann, cujas retóricas insistem em colocar Israel em constante perigo, apontar para a instabilidade da região e causar o medo na sociedade, fortalecem a direita. E muito. Sobretudo após os fenômenos Hamas e Ahmadinejad se consolidarem como personagens no campo político israelense. Quem quer dialogar com os palestinos enquanto há um Hamas bombardeando o Estado? Quem quer falar em desigualdade social se em pouco tempo o presidente iraniano, que diz querer “varrer Israel do mapa” pode efetivamente consolidar-se como um produtor de armas nucleares? A situação de instabilidade bélica causa a redução da discussão política. Há exato um ano e meio, 500 mil israelenses saíram às ruas para protestar por justiça social. A situação hoje é ainda mais crítica. A especulação imobiliária segue à toda, água e eletricidade tiveram aumentos de 30% e 16% respectivamente, a gasolina chegou a ultrapassar os oito shkalim por litro (aproximadamente R$ 4,00), fora o encarecimento de alimentos. O governo anunciou nesta terça-feira, uma semana antes das eleições, um grande corte no orçamento e o aumento dos impostos. E quem é o favoritíssimo para vencer as eleições? Bibi Netanyahu, ele mesmo.

Para provar que este fenômeno não é novo, cito aqui um pedaço de uma entrevista feita pelo jornalista Marcelo Kisilewsky em 2003 para o seu blog com o Dr. Yossi Goldstein, ex- diretor de Projetos Educacionais de Capacitação e Formação de Educadores Judeus da Diáspora no Departamento de Educação Judaica e Sionista da Agência Judaica[11]:

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5. Yossi Goldstein

“Por que o pobre vota no Likud, um partido anti-social? Por que vota no partido religioso sefardita Shas, um partido com uma imagem super social, mas que com suas ações diárias no governo e no Knesset votou sempre contra a legislação social, salvo quando concernia aos seus próprios setores? O paradoxo existe o tempo todo, a pessoa não vota de acordo com sua situação objetiva. Desconfiam, não há confiança na política e nas ideologias.  Mitzna (o candidato trabalhista) pode repetir até se cansar que tem uma plataforma social: não lhe acreditam. O Meretz pode dizer que é quase socialista, e inclusive pode demostrá-lo com leis aprovadas no Knesset e com ações passadas no governo: também não lhe acreditam. E o resultado é que a agenda das eleições continua sendo o conflito com os palestinos, e é por isso também que Sharon tem tanto êxito: acreditam que é ele que sabe enfrentar os palestinos, e não o culpam pela falta de segurança, culpam os palestinos.”

Em 2003, como se pode ver, um segmento da direita já vencia as eleições se sustentando sob o discurso do medo. Interessante a informação de que, 65% dos israelenses são a favor de que se retomem as negociações com os palestinos imediatamente, e 60% são a favor de que o governo faça esforços para isso. O mais curioso é constatar que 67% dos eleitores dos trabalhistas e do partido Yesh Atid (o partido HaTnua não foi incluído como parte do bloco de centro) são contra a divisão de Jerusalém, enquanto (pasmem!) 57% dos eleitores do bloco Likud-Beiteynu se declararam a favor de um plano que resultaria na criação de um Estado palestino com a divisão de Jerusalém Oriental. Esta parte da esquerda, ou melhor, a maior parte da esquerda israelense se mostra envergonhada. Se envergonha por dizer-se de esquerda. Se envergonha tanto que efetivamente deixou de ser esquerdista. As direitas, não. Estão orgulhosos. Como se não bastassem a nova lista radical do Likud, somada ao antiarabismo de Libermann e seu partido, o Israel Beiteynu, a imensa ascensão da direita-religiosa personificado na figura de Naftali Bennet, ainda foi criado um partido mais à direita ainda, chamado Otzmá LeIsrael, que fala abertamente e sem nenhuma vergonha sobre a remoção dos árabes da “Terra de Israel”. O orgulho por ser de direita só faz crescer o apoio popular de determinados setores, especialmente após o Hamas demonstrar que seus mísseis já podem atingir a Tel-Aviv e Jerusalém. Não importa de qual direita, todos se orgulham deste ponto de vista. E cada vez temos menos sionistas de esquerda. Péssimo para Israel. Péssimo para a democracia.

Notas

[1] Tabloide direitista distribuído de forma gratuita, lançado há poucos anos. Atualmente é o diário mais lido em Israel.

[2] Periódico popular israelense de leve tendência esquerdista. 2º diário mais lido do país.

[3] Tradicional jornalão israelense de esquerda.

[4] Autoridade Nacional Palestina.

[5] Diretório pertencente ao Ministério da Absorção responsável por financiar os estudos superiores de imigrantes.

[6] Não há nada equivalente em português.

[7] REIS, Aarão Daniel. Ditadura e sociedade: as reconstruções da memória. In: REIS, Aarão Daniel; RIDENTI, Marcelo & e MOTTA, Rodrigo Pato de Sá (org.). O golpe e a ditadura militar 40 anos depois (1964-2004). Bauru: Edusc, 2004, Pp. 32.

[8] Partido Trabalhista.

[9] Se não entendeu o que são pombas e falcões clique aqui.

[10] Judeus orientais, vindos de países do norte da África e do Oriente Médio.

[11] A entrevista não se encontra mais na internet, mas eu me disponho a enviá-la por e-mail a quem se interessar. De qualquer forma, dois anos mais tarde o Dr. Goldstein, em visita ao Brasil, cedeu uma entrevista à Folha.

 

Fotos

Capa: http://mizbala.com/?p=58698

Foto 1: http://news.walla.co.il/?w=/2952/2545949/616372/5/@@/media

Foto 2: http://pschools.haifanet.org.il/shalva/default.aspx

Foto 3: http://www.havoda.org.il/Web/Labor/Yechimovich/GalleryYechimovich/Default.aspx

Foto 4: https://www.facebook.com/Meretz?group_id=0&filter=3

Foto 5: http://www.haaretz.co.il/news/education/1.1803421

Comentários    ( 11 )

11 Responses to “Direita orgulhosa, esquerda envergonhada”

  • Carlos Eduardo Bekerman

    19/01/2013 at 07:44

    Parabéns pelas reportagens. Todas excelente!! Esta em especial, mostra com tristeza para onde Israel caminha. Infelizmente para um isolamento. È preciso modificar isso, com urgência, sob pena de danos graves.

    abs

  • Leonardo Majowka

    19/01/2013 at 18:17

    Pena que o site seja tão esquerdista e não trás visões de ambos os lados. Israel escolheu a direita e a mídia passou a chamar a direita de extrema direita, e a esquerda de centro.

    Hoje, tzipi livni, lapid e avodá estão no centro. Quem ficou na esquerda então?

    • Marcelo Treistman

      19/01/2013 at 22:09

      Leonardo,

      Os autores já se questionaram e foram questionados algumas vezes sobre a omissão de uma opinião “mais a direita” neste espaço… Perguntam também o porquê de não haver uma opinião feminina? A organização pelos direitos dos etíopes em Israel nos escreveu uma carta perguntando aonde estava a “opinião etíope” no site ConexaoIsrael. Qual seria o nosso preconceito com as opiniões de autores com “necessidades especiais”?

      Não vejo o site como “esquerdista”. O site, na verdade, é uma plataforma para que um grupo de amigos, expresse seus sentimentos acerca do cotidiano vivido em Israel. Nosso site não “é” nada… Não temos o objetivo de mostrar “uma verdade”… Afinal de contas, temos diversas delas…

      Não temos a menor pretensão de construir um site com viés esquerdista, direitista, masculino, imparcial… Ele é um conjunto de percepções, opiniões, comentários… É formado inclusive pelas suas posições, que ficaríamos honrados em receber.

      Te convido a conhecer os outros textos inseridos no site.
      Grande abraço e Shavua Tov!

  • João Koatz Miragaya

    19/01/2013 at 19:09

    O site não é esquerdista, este texto é assinado por mim. O meu espaço certamente não é imparcial, e a própria descrição do que se encontra aqui admite isso sem nenhuma culpa. Eu não tenho a pretenção nem tampouco a vontade de ser moderado. Se você sente falta de comentários mais à direita, escreva a sua opinião aqui. Se não utilizar de palavrões e ofensas, de forma alguma rejeitarei seus comentários.

    Acho que a resposta à sua pergunta está bem clara no texto. Se não, peço desculpas por não ter sido eficiente em minha descrição analítica. O eleitorado israelense escolheu a direita em diversas ocasiões, assim como já optou pela esquerda. Aqui há uma tentativa de explicar a causa do enfraquecimento da esquerda nos últimos 15 anos, que, como você deve ter lido, passa, também, por um fortalecimento da direita devido sobretudo ao conflito com os palestinos e à ameaça iraniana.

    Um abraço, Leonardo.

    E obrigado pelos elogios, Carlos Eduardo!

  • Ilan Cuperstein

    19/01/2013 at 20:47

    João, parabéns pelo texto! Esse espaço está fantástico, com análises maduras e sempre ponderadas sobre a realidade política israelense. Infelizmente, todo o espectro político israelense parece ter achado um eixo mais à direita, onde o discurso de centro-esquerda hoje ocupa o que antes era a direita.

    Li esse artigo logo depois de ler isso aqui. Fica a dica: http://972mag.com/bibi-can-relax-the-center-left-is-really-with-the-right/64093/

    • João Koatz Miragaya

      20/01/2013 at 13:21

      Obrigado, Ilan!

      Eu estou de acordo com a sua colocação: não existe opção de “centro” no tema do conflito. Se construiram assentamentos durante os governos Rabin, Barak e Olmert, e nenhum destes partidos sequer esboça uma proposta real de paz. Shely, inclusive, tem medo de tocar no assunto para não perder popularidade.

      O artigo citado por você (do Larry Derfner) é parte do que eu queria dizer aqui, mas ele foi bem mais direto: não há bloco de centro-esquerda, isto é uma farsa! E sabe-se, inclusive, que um dos três grandes blocos de centro integrará a coalizão com a velha desculpa de que não se pode permitir que essa seja tão radical…

      Fora a falácia do bloco esquerda-árabe. Os árabes nunca fizeram parte de nenhuma coalizão governista, não há a mínima chance de que o Balad, o Raam-Taal ou até o Chadash integrem um possível governo puxada pelos trabalhistas. Nem mesmo o Meretz é carta marcada…

      Um abraço

  • Raul Gottlieb

    20/01/2013 at 22:50

    João,

    A definição “clássica” de esquerda e direita que você usa pode ter sido publicada em livros, pode ter sido repetida um milhão de vezes, pode ser aceita por muita gente, mas nada disso a transforma em algo além de uma grande bobagem. Você diz (citando uma obra publicada):

    Direita = forças conservadoras, alérgicas a mudanças e dispostas a manter o status quo.
    Centristas = as tendências da moderação e da conciliação
    Esquerda = forças favoráveis às mudanças em nome da Justiça e do Progresso sociais.

    Ou seja, a esquerda quer o bem. O centro quer dormir em paz e a direita quer manter o status quo (o que, evidentemente, introduz um nada sutil subtexto que a direita quer continuar numa posição de mando ou de opressão, porque ninguém em sã consciência quer manter o seu status quo de oprimido).

    Esta visão não resiste a 5 segundos de análise! A URSS de 1950 era de esquerda e lutava com unhas e dentes (e terrorismo de estado) para manter o seu status quo. Enquanto isto Churchill, o direitista, salvou a humanidade e a democracia ao conseguir derrubar o governo conciliador e esquerdista de Chamberlain. Era Churchill alérgico às mudanças?

    E não vale dizer (como você fez da última vez eu trocamos mensagens) que os governos esquerdistas totalitários são falsas esquerdas. A URSS era um governo de esquerda sim. A esquerda ideal, aquela que só pratica o bem está apenas no céu (numa visão religiosa, é claro), mas lá ela tem a companhia de direitistas, centristas, apolíticos e até mesmo de rubro-negros.

    O teu raciocínio usa um expediente muito conhecido, mas que impossibilita as análises. Você constrói um inimigo a partir de premissas inventadas e aí fica bem fácil ganhar dele, principalmente quando discute sozinho.

    Desculpe a minha sinceridade, mas não consegui ler o teu texto para além da infeliz definição “clássica” de esquerda, centro e direita.

    Abraço, Raul

    • João Koatz Miragaya

      21/01/2013 at 10:33

      Oi Raul,

      Eu respeito a sua opinião, mas neste texto eu não vou repetir a mesma linha argumentativa do outro. Só vou te explicar algumas coisas para que você me entenda, não para que concorde comigo.

      1) Está bem que você discorde do conceito que eu usei, na academia fazem isso o tempo todo. Mas tenha em mente que eu também nao preciso concordar contigo. E, como já dizia Saussure, as palavras recebem significados distintos de pessoa para pessoa. Por isso que eu nao levo para o pessoal quando você me acusa de escrever uma grande bobagem.

      2) Veja bem, eu nao entrei em uma perspectiva moral do que é “bom” ou “mau”. Eu uso o conceito apenas para que eu qualifique, na minha opiniao, o que é centro, direita e esquerda. Isto quer dizer que, na perspectiva das negociações para a paz, o Avodá é de direita, por ser conservador. O conceito adotado por mim serve, única e exclusivamente, para facilitar a compreensao do que eu chamo de direita e esquerda. Você pode discordar do conceito, mas não precisa levar para o pessoal. De acordo com este conceito, você pode qualificar o Churchill como alguém de esquerda em determinados pontos de vista (apesar de que este mesmo se considerava conservador), ou enquadrar o Stálin como um reacionário.

      3) Os conceitos vão mudando de acordo com o tempo. Os primeiros esquerdistas, os jacobinos, têm os seus herdeiros hoje chamados de direitistas. Você pode escrever o seu próprio conceito. Eu fui atrás de um que me servia. Marx, por exemplo, sequer trabalhava com esta ideia. Nos EUA e no Reino Unido, a imprensa a utiliza de forma bem distinta da academia. Não há consenso.

      4) É uma pena que você não tenha conseguido ler o texto para além do conceito utilizado, pois, caso o fizesse, perceberia que eu trabalho com a ideia de que há diversas esquerdas e diversas direitas em Israel (ainda vou falar mais sobre as direitas). O conceito que eu escolhi é bem amplo, por isso optei por ele. Posso, desta forma, não cair em generalismos baratos. Mas isso não percebe quem começa a ler o texto procurando motivos para criticar o conceito, ao invés de tentar compreender o porquê do seu uso.

      5) As “premissas usadas por mim” (no caso, o conceito apropriado) são discutidas dia após dia na academia, Raul. Se isto impossibilitasse análises, acredito que a academia perderia o seu crédito, mas não é o que acontece. Como eu disse, os conceitos são criados para que alguns os usem e outros o ignorem. O debate enriquece.

      Qual o conceito que você usaria, Raul?

      Um abraco

  • Raul Gottlieb

    21/01/2013 at 21:55

    Querido João,

    Se você não percebe que as definições de esquerda, centro e direito que você usou sugerem de forma nada sutil que a direita é ruim, esquerda é a boa e o centro é anódino, então usamos dicionários muito diferentes.

    Não é possível debater – sem ser obrigado – com um texto que fixa estes conceitos logo na partida. Eu gosto muito de você mas lamento não poder ler o texto.

    Abraço amigo,
    Raul

  • João Koatz Miragaya

    21/01/2013 at 22:32

    Oi Raul

    Eu também lamento, e não vejo da mesma forma que você. O conceito, inclusive, sugere que você não qualifique pessoas nesta categoria, e sim posturas políticas. Reitero que não pretendo, usando esta definição, fazer qualquer julgamento moral do que é “bom”, “ruim” ou “anódino”.

    Outro abraço fraternal, o sentimento é recíproco.

  • Felipe Marcel

    24/02/2013 at 23:52

    Gostaria de receber a entrevista do Marcelo Kisilewsky por email.