Dois atentados em Raanana: o subúrbio virou notícia internacional

13/10/2015 | Conflito, Sociedade.

De um jeito nada agradável, a suburbana Raanana ganhou fama e se transformou em cidade-fantasma hoje, depois de dois ataques terroristas realizados pela manhã. Ambos agressores
eram jovens adultos moradores de Jerusalém Oriental e foram rendidos pela população local.

O primeiro ataque aconteceu por volta das 9 da manhã em uma estação de ônibus na avenida Ahuza, a “avenida Paulista” local. O agressor, um jovem morador de Jerusalém, só teve tempo provocar ferimentos superficiais em um homem de 32 anos. Ele próprio teria conseguido controlar o terrorista. Juntaram-se a ele outras pessoas que estavam no local, além de alguns que, no momento, rezaram em uma sinagoga localizada a 10 metros dali. Conta-se que saíram correndo “para a briga” ainda vestidos com talit e tefilin. A polícia chegou em seguida e conseguiu retirar o terrorista do local, interrompendo no meio o linchamento.

A partir desse momento, o céu encheu-se de helicópteros que, mais tarde soube-se, buscavam outro suspeito. Não encontraram a tempo: o segundo atentado ocorreu 1,5 hora mais tarde, na avenida Yerushalaim, que liga Raanana a Herzlya. O terrorista conseguiu esfaquear quatro pessoas em frente a uma café, ferindo gravemente um e levemente os outros três. Mais uma vez, a população local conseguiu render o agressor.

Tudo isso você talvez tenha lido em algum noticiário. Então vou te contar o que aconteceu por trás das notícias, lembrando que essa é uma situação nova não apenas para mim, mas para todos que vivem em Raanana, localizada a cerca de 15 quilômetros de Tel Aviv.

  • Grupos de whatsapp imediatamente se encheram de perguntas, avisos e pânico.
  • A escola enviou email para as famílias falando de como procederia no horário de saída das crianças das escolas após o horário letivo.
  • Já dentro das escolas, rolou pânico. Algumas crianças choraram, outras fizeram piadas. A rede de telefonia ficou sobrecarregada. O pior é que muitas mães ligaram chorando para os filhos…
  • Muitos negócios com porta para a rua mandaram os funcionários para casa e encerraram expediente.
  • O céu se encheu de helicópteros e as ruas se esvaziaram.
  • Diversos locais começaram a divulgar cursos rápidos e gratuitos de autodefesa em caso de ataque com facas.

Todo mundo ficou atônito. Eu não senti medo, só um tremendo mal-estar. Fui ao supermercado, às moscas, onde 90% dos funcionários são árabes-israelenses. Se dividiam em dois grupos: os que riam nervosamente e os que estavam visivelmente constrangidos. Eu, em casa, estou ainda me perguntando qual o resultado disso tudo. Para onde isso nos leva. A todos nós, israelenses judeus e israelenses árabes.

Tudo é perda e caos. E toda essa violência, cá entre nós, não vai mudar nada.

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Comentários    ( 4 )

4 Responses to “Dois atentados em Raanana: o subúrbio virou notícia internacional”

  • Fábio

    14/10/2015 at 06:53

    Cara Miriam, poxa…que chato. Mas muito interessante o seu registro. Com um abraço, Fábio.

    • Miriam Sanger

      14/10/2015 at 10:27

      Chato é pouco, Fábio.
      Obrigada pela mensagem.
      Abraço,
      Miriam

  • Marcelo Starec

    14/10/2015 at 07:28

    Oi Miriam,

    Estou muito triste em ver que o tempo passa e quase nada muda na luta pela paz. Os árabes palestinos parecem não ter mudado a sua estratégia de barbáries contra judeus, as mesmas que sempre ocorreram desde pelo menos o início do século XX – e persiste até hoje!…Infelizmente, o grande problema é com as lideranças palestinas, que em nada ajudam no sentido de caminhar para alguma solução justa – cada vez mais fica claro que desejam o mesmo de sempre – jogar os judeus ao mar!…..Que surjam novos líderes palestinos!…

    Abraço,

    Marcelo.

    • Miriam Sanger

      14/10/2015 at 10:26

      … ou que nos entendemos com os líderes atuais, porque algo me diz que não vamos ganhar em nada com as próximas. A cada geração, ficam mais radicais. Justiça é uma palavra que anda rara por aqui.
      Obrigada pela mensagem!
      Abraço,
      Miriam

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