Einstein, Weizmann, Shechtman

David Ben Gurion, líder sionista, proclamador do Estado e o primeiro a sentar na cadeira de premiê, teve ideia brilhante para divulgar seu recém criado país, no exterior. Convidar personalidade, acima de qualquer suspeita, para ocupar o cargo de presidente, espécie de “Rainha da Inglaterra” por aqui, pois manda, mas não governa.

O escolhido foi Albert Einstein, que recusou. “Não gosto de política, prefiro ajudar fazendo ciência”, disse. Einstein chegou a ser uma espécie de embaixador cultural de Israel, mas não de forma oficial. O primeiro presidente, Chaim Weizmann, também cientista, fundou instituição em Rechovot, onde vivia, que leva seu nome e hoje é referência mundial.

Prof. Dan Shechtman
Prof. Dan Shechtman

2014, 66 anos depois, outro cientista de renome pode chegar ao cargo de presidente de Israel. Dan Shechtman nasceu em Tel Aviv, 24 de janeiro de 1941. Ligado à Universidade Technion, de Haifa, ganhou os prêmios Wolf de Física, 1999, e o Nobel de Química, 2011.

Shechtman surpreendeu a todos, ao se lançar candidato. Como a eleição é indireta, votam apenas os 120 deputados do parlamento, sua candidatura pode não ter sucesso. Perante o povão, iria para as cabeças.

O pleito ocorre dia 10. Os outros concorrentes são Reuven Rivlin, do Likud, ex-presidente do parlamento; Biniamin Fouad Ben Eliezer, do Avodá, ex-ministro de várias pastas, em vários governos; Meir Shitrit, do HaTnuá, também ex-ministro de várias pastas; Dalia Itzik, do Kadima, já ocupou o cargo de presidente, como substituta, e Dalia Dorner, ex-membro da Suprema Corte.

Einstein, Weizmann e, quem sabe, Shechtman. Já abri a minha torcida para vocês.

Comentários    ( 9 )

9 Responses to “Einstein, Weizmann, Shechtman”

  • Raul Gottlieb

    06/06/2014 at 12:09

    Olá Nelson,

    Já tivemos um cientista presidente: Chaim Weitzman. Diferente de Einstein e de Schechtman ele militava politicamente, mas ele era essencialmente um cientista. Um químico. E dos bons. Foi graças à sua ciência que conseguiu proeminência na Inglaterra e através do casamento desta proeminência e de seu interesse comunitário surgiu a Declaração Balfour, que é um dos primeiros sucessos do Sionismo Político.

    Israel nasceu com o pé na ciência. O que repete o relato da Torá, onde o patriarca Jacó/Israel consegue proeminência junto à Labão por sua capacidade de fazer boa seleção genética no rebanho.

    O judaísmo nunca valorizou a “pureza” da ignorância ou da inocência. Somos o povo (ou um dos povos) do pensamento aplicado ao fazer. Não precisamos acreditar, temos que realizar.

    Finalmente, note que a função de um Presidente ou de um Rei num regime democrático parlamentarista é de representar. Ele nem manda nem governa, mas representa. Cada vez que eu vejo a D. Dirma inaugurando um aeroporto ou um estádio em obras (cenas corriqueiras no nosso Brasil a uma semana na Copa) me vem à cabeça que ela deveria estar trabalhando e passeando para representar o seu (des)governo.

    O esquema onde o governo é representado por uma pessoa não ligada ao executivo me parece muito interessante.

    Tomara que o Schechtman ganhe! Mas acho que vai dar o Rivlin e isto é menos bom.

    Shabat shalom,
    Raul

    • Nelson Burd

      06/06/2014 at 13:46

      Eu citei o Weizmann no texto. Tu conheces bem o instituto, tem vários anos, como relastaste no vídeo da entrevista com o Dani. Interessante que a pessoa designada para entregar as taças de campeão nacional de basquete e futebol sempre é o presidente, não o premiê. O presidente de Israel não deve se meter em questões políticas. O Shimon Peres, há dois anos, deu opinião sobre processo de paz, e o Bibi ficou enfurecido, cobrou o Shimon no parlamento. Nisso, tem aquela também que foi o primeiro presidente ex-premiê, um cara procurado para falar de política, uma referência. O Rivlin, do Likud, recebeu apoio da Shelly, uma liderança do Avodá. No entanto, Liebermann, do governo, esculachou o Rivlin e quase fez o Bibi não apoiá-lo. Esta eleição está em aberto, além de escancarar brigas de bastidores dos partidos e coalizações. Abraço.

  • Marcelo Starec

    07/06/2014 at 03:53

    Oi Nelson,

    Bom artigo! Entendo que, considerando que Israel está se consolidando como um País high tech, onde a produção e desenvolvimento de tecnologia tem um papel fundamental na economia do País, um cientista parece ser um representante ideal. Não conheço profundamente nenhum dos candidatos para tecer qualquer opinião a respeito, além desta já exposta. Então, que Israel tenha um representante a altura do que o País e seu povo merecem!

    Um abraço,

    Marcelo.

    • Nelson Burd

      07/06/2014 at 03:58

      o candidato fouad bem eliezer esta sendo investigado, por corrupcao, enriquecimento ilicito. nao podemos que dizer que seja culpado, mas ha indicios fortes e acusacoes formais. sentenca definitiva, ainda nao. o shechtman fecha bem com o perfil que se espera de um presidente. nao sei se ganhara, mas trata-se de um nome respeitado.

    • Nelson Burd

      08/06/2014 at 10:32

      O Ben Eliezer renunciou a sua candidatura, devido as investigacoes. Ele faria, pelo menos, 25% dos votos. Sua renuncia deixa a eleicao mais disputada ainda, pois nao sabemos quem herdara estes votos.

  • Raul Gottlieb

    08/06/2014 at 23:17

    É, mas corre um papo de postergarem as eleições.

  • Raul Gottlieb

    10/06/2014 at 12:58

    O Schectman teve 1 (um) único voto na Knesset!

    A decisão vai para um segundo turno entre o Rivlin e o Shitrit.

    Não vai ser desta vez que teremos um cientista na presidência.

    Pena.