Ele veio. E os outros?

13/06/2015 | Conflito; Cultura e Esporte

22 de junho de 2006. Na Alemanha, o Brasil aplicava 4 a 1 sobre o Japão e ratificava a classificação às oitavas de final da Copa do Mundo.

Em Newe Shalom, Israel, entre Tel Aviv e Jerusalém, Roger Waters, eterno vocalista da banda Pink Floyd, subia ao palco, frente a 40 mil fãs entusiasmados.

Showzaço. Super produção. Conjuntos locais, como o famoso Mashina, tocaram durante toda a tarde. Roger cantaria, pontualmente, às 21h.

Cada ingresso custava 450 shekalim. Exatamente 100 dólares.

Eu estava lá. Trabalhei na organização. Vi a troca de energias entre astro e platéia. O Pink Floyd tem muitos aficionados por aqui. A cada grande sucesso, uma catarse.

Alguns anos depois, Waters declarou que “o show foi realizado em Newe Shalom, porque trata-se de uma localidade mista de árabes e judeus. Um oásis da paz”, como se auto-define o povoado.

Isso mesmo!

O atual rei do boicote cultural a Israel tocou aqui. Não importa se foi em Newe Shalom, Tel Aviv ou Beer Sheva. Ele veio, cantou, encantou, se emocionou.

Cada um faz o que deseja de sua vida. Se Roger Waters enveredou por este caminho político, direito dele. Entretanto, obrigação minha relembrar aquele 22 de junho de 2006, em Israel.

Se Waters tocou aqui, por que os outros não poderiam também? Ele se arrependeu? Por que “virou o cocho”?, como dizem no Rio Grande do Sul. Ou seja, mudou de lado?

“I Wish You Were Here”…again?

Não sei, sinceramente. Prefiro pensar nos showzaços que houve por aqui e não fui, de bobeira mesmo. Bob Dylan, Metallica, Red Hot Chilli Peppers, entre outros. Vários vieram. Vários virão.

Boicote? Cada um na sua. Eu vou curtir Caetano e Gil dia 28 de julho, em Tel Aviv. Da mesma forma que o Roberto Carlos foi sensacional, em 2011.

“Alguma coisa acontece no meu coração…”. Este é o mantra. Meu lugar está garantido.

A cultura sempre vence. Para quem deseja impedir espetáculos em Israel, fiquem com imagens do ídolo Roger Waters, na Terra Santa.

https://www.youtube.com/watch?v=VTDwx708ong

https://www.youtube.com/watch?v=2NiYyvJohdU

https://www.youtube.com/watch?v=3-br4dhnMk8

https://www.youtube.com/watch?v=j30VoJtfQko

Foto da capa: Daniela Feldman.

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Comentários    ( 8 )

8 Responses to “Ele veio. E os outros?”

  • Rita Burd

    13/06/2015 at 14:56

    Nelson Burd, excelente texto. Excelente a tua colocação trazendo o antes Roger Waters vibrando com a platéia entusiasmada e comparando com o atual, que pede o boicote, para que a mesma e entusiasmada platéia, fiquem sem os seus grandes astros.
    Virou o cocho? Sim, com certeza. E agora, qual dos dois é o verdadeiro Roger Waters? O que abriu o show com shalom ou o que quer a guerra e eliminar Israel do mapa?

    E como dizia o Chico Anísio na Escolinha do Professor Raimundo: ” Eu queria ter um filho como tu.”

  • Mario S Nusbaum

    13/06/2015 at 16:44

    Aproveito o show Nelson, divirta-se.

  • Marcelo Starec

    15/06/2015 at 05:49

    Oi Nelson,

    Excelente colocação!…Israel é um oásis de tolerância e de cultura no Oriente Médio que, infelizmente, via de regra e por motivos que não cabe aqui discutir, é muito mais intolerante hoje do que era na idade média -o Roger Waters e outros deveriam dedicar um tempo para algumas lutas importantes – tipo “por uma parada Gay em Teerã” ou “pelo respeito aos cristãos no Oriente Médio” (Hoje só estão seguros em Israel !) ou quem sabe ainda “pelo respeito aos muçulmanos no Oriente Médio” (Parece até um absurdo mas, fora de Israel, onde mais no Oriente Médio os muçulmanos podem falar o que pensam e viver do modo que escolherem!….). Mas tudo bem, alguns preferem procurar “pelo em ovo” em Israel, ao invés de mexer nos “ovos muito peludos” dos demais Países na região…
    Um abraço,

    Marcelo.

  • Raul Gottlieb

    16/06/2015 at 11:46

    O Roger Waters é aquele iluminado que prega pela derrubada dos muros, tijolo a tijolo, mas gradeia a audiência de seus shows entre os que pagam muito, os que pagam mais e os que pagam menos.

    E aí de você se tentar tirar um tijolinho e assistir o show de uma área mais nobre que a tua: os seguranças a mando dele agem de forma completamente desproporcional.

    Um poço de coerência este bravo artista!

    Mas eu concordo, ele é um bom músico e vale a pena ouvir. Sem esquecer jamais que a mensagem atrás da música é podre e hipócrita.