Eles vieram. Eu fui

31/07/2015 | Cultura e Esporte.

Quarta-feira, 28 de julho, Tel Aviv. 20h05min. Trânsito congestionado no sentido sul da rua Ygal Alon. Movimentação intensa de público para o show de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Divulgam a informação de 7 mil ingressos vendidos.

Ramat Gan, rua Krinitzi, 19h45min. No carro de amigos, sou cúmplice de uma surpresa. A Tali tinha dito ao Luís que “íamos jantar fora, encontro de casais”. Parados no sinal, ela anuncia: “Vamos ao Aroma, do ginásio Menorah, local do show”. Primeira catarse da noite.

20h20min. Acompanho o Luís à bilheteria. Ele vai trocar o comprovante eletrônico pelos ingressos. Duas semanas antes, eu havia encaminhado a eles email com a promoção da Groupon para o espetáculo. Ele não deu bola. Ela comprou via internet e bolou o plano de não contar nada até o último minuto.

20h35min. Já estou acomodado na poltrona 23, plateia 1, fila 8. Pouca gente lá dentro.

21h. Todos entram ao mesmo tempo. Lotação máxima. Em poucos minutos, Caetano e Gil sobem ao palco.

“Meu coração não se cansa de ter esperança…”. Aplausos. O público canta junto, baixinho. Sobe um pouco o tom no refrão : “Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim”. Aplausos. Assobios.

Eu já havia estudado o set list. Aguardava a música “Sampa”. Os caras estavam de voz e violão. Apresentação acústica. Intimista. Reconheci nos primeiros acordes. Não sabia se cantava junto ou apenas ouvia com atenção. Recitei a letra, dentro da métrica. Deleite. Emoção.

E continuaram. “Por mais distante, o errante navegante, quem jamais te esqueceria?”. Todos juntos, afinados. Perfeitos, ensaiados. Os 7 mil: “Terra, Terra”.

A sintonia palco-plateia existiu, até em canções menos conhecidas ou mais recentes. Claro que a galera queria explodir. Salivava pelos sucessos. Quando reconheceram a introdução de “Expresso 2222”, gritaria geral.

Aliás, o Gil matou a pau no violão. Castigou de verdade. A voz do Caetano foi épica. Eles se completaram. Um interpretando o outro. Fazendo backing vocal para sucessos do amigo.

Era um ginásio-arena, mas parecia um barzinho com voz e violão. Pelo prazer de tocar, o clima criado, todo aquele ambiente.

“Canta Tel Aviv”, dizia Gil. Coro uníssono respondia, prontamente. Dançaram, cantaram, suaram, extravasaram. Todos. “Ah, ah, ah, que Deus deu. Oh, oh oh, que Deus dá”.

Terminaram a missão. Deixaram o palco. Voltaram. Três vezes. “Luz de Tieta” foi a catarse derradeira, de uma noite inesquecível. Até porque eles vieram. E eu fui.

Foto: Gabriel Guzovsky

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