Entre genocídio e dano colateral

14/07/2014 | Conflito

Preciso desabafar. Peço desculpas aos leitores que nada tem a ver com o que eu estou sentindo. A verdade é que este conflito é uma droga, e me coloca em uma situação muito difícil. Cada vez mais. Fico deprimido ao ler nas redes sociais comentários, textos e depoimentos infelizes de pessoas inteligentes. Estou seguro de que o conflito entre Israel e os palestinos é o que mais desperta, ao mesmo tempo, a atenção e o ódio entre as pessoas. Ambos, atenção e ódio, são despertados de modo desproporcional. E isto, além de cegar as pessoas, traz uma visão monolítica sobre o assunto e, muitas vezes, desvios morais. Vejo gente de caráter, com valores, defendendo a qualquer custo posturas que não aceitariam caso os personagens fossem outros. Por muito tempo eu preferi crer no contrário, mas já não consigo.

Vou começar pelo mais fácil: o Hamas e os fundamentalistas islâmicos. Não acho que seja possível escrever qualquer coisa sobre o conflito sem destacar o controle do Hamas na Faixa de Gaza, e a sua intolerância em relação a Israel. Não é segredo para ninguém que Gaza, controlada pelo Hamas desde 2007[ref]Leia aqui meu artigo sobre a história do conflito entre israelenses e palestinos[/ref], se caracteriza por ter uma população pobre, que quase não goza de direitos sociais, independentemente de quem a tenha governado desde sempre. O Hamas impõe no local uma ditadura ultra-reacionária, restringindo ao mínimo as liberdades civis e políticas da população, e oprimindo as mulheres, as minorias e todos os que se opõem ao grupo. A fim de angariar alguma popularidade (até as ditaduras são obrigadas a isso), o grupo desenvolve relações clientelistas e paternalistas, além de políticas de assistencialismo, aliadas à dura opressão aos opositores: uma espécie de fascismo islâmico. Durante os últimos 20 meses, duração do período de relativa tranquilidade, entre a Operação Pilar de Defesa e a atual, o Hamas adquiriu mais de 400 mísseis de longo alcance, que podem atingir até 200 quilômetros de Gaza. Administrando uma região destroçada pelas guerras, composta por uma população pobre, que carece de comida, hospitais, escolas e creches, o grupo trouxe armas para confrontar Israel e… causar a destruição de Gaza novamente! Isto não sou eu quem diz. É o presidente da Autoridade Palestina, Mahammoud Abbas (Abu Mazen). Eu estou de acordo. Isto não pode ser ignorado.

Os leitores que acompanham o Conexão Israel já devem ter tomado conhecimento de que até agora já caíram sobre Israel mais de 900  foguetes e mísseis, desde o dia sete de julho. Certamente sabem que o alarme que avisa o ataque a regiões urbanas do país já tocou em diversas localidades, sinalizando, cada um a seu tempo, a cerca de 70% da população israelense o risco de vida. Eu mesmo escutei algumas vezes esta sirene, que já destruiu cerca de 40 residências e indústrias, e deixou vários feridos (três deles em situação grave). Vocês também já devem ter lido em artigos do site que o Hamas usa civis como escudo humano, contra ataques das Forças de Defesa de Israel (FDI). Ou que o Hamas comete infrações às Convenções de Genebra, cometendo três crimes de guerra, que os caracterizam como terroristas: vestir-se como civis, esconder-se em áreas civis e disparar propositalmente contra civis. Nada disso deve ser novidade aos nossos leitores, meus colegas já tocaram nestes pontos antes. É muito difícil explicar o que se sente quando toca a sirene anunciando um ataque que põe em perigo a sua vida e a de seus familiares. Crianças tendo que correr para quartos protegidos. Pessoas surpreendidas no meio da rua, obrigadas a deitar-se no chão, cobrir a cabeça e torcer para que o míssil não vá de encontro a si mesmas. Destroços do míssil explodido no ar pelo Domo de Ferro já fizeram dois graves feridos. As sensações de medo, impotência e raiva são indescritíveis. E quando dezenas de foguetes e mísseis são disparados todos os dias contra a população do seu país, certamente o governo deve agir.

O governo israelense decidiu lançar mão de uma operação militar, que consiste basicamente de ataques aéreos, ajudado pela marinha e pelos blindados e artilharia localizados do outro lado da fronteira, visando destruir a estrutura de guerra do Hamas. Por bem, o governo ainda não optou por uma entrada terrestre, como na Operação Chumbo Fundido (2008-09). O gabinete de segurança do Primeiro Ministro Binyamin Netanyahu afirma que Israel realiza “ataques cirúrgicos”, visando apenas destruir o arsenal do inimigo (que não é só o Hamas) e realizar os chamados assassinatos seletivos aos terroristas considerados mais perigosos. Até agora já são mais de 172 mortos em sete dias de operação (20 a mais que em nove dias, em 2012). O exército afirma serem mais de 40% terroristas e ativistas do Hamas e da Jihad Islâmica, e caracteriza a grande maioria dos outros mortos como acidentes, resultado de crimes de guerra do Hamas, que se mesclam entre civis, os usam de escudo humano e escondem suas armas em mesquitas, escolas e hospitais.

Entendo perfeitamente que é necessária uma reação, mas não posso estar, de nenhuma forma, de acordo com a morte de 172 pessoas em sete dias! Não posso ser complacente com 1260 feridos! Não tenho como ficar indiferente a 560 casas destruídas! E juro para vocês, não posso aceitar que pessoas preocupadas com os direitos humanos, gente que sente algo quando vê uma injustiça, seja tão fria nestes momentos e diga: “Israel está só se defendendo”. Pois se está, o faz de uma forma muito errada. Eu não me conformo quando gente inteligente justifica estas mortes com a frase: “A culpa é do Hamas”. Falam isso como se Israel não tivesse nenhuma responsabilidade sobre estas mortes. O exército israelense passa sim por diversos dilemas morais, e de fato, não deseja assassinar civis. Fui soldado, sei o que se ensina ali dentro, e tenho certeza do que digo. Mas tampouco tem muito apreço pelas vidas destes civis: “o alvo é o terror, precisamos defender nossos civis”, é o argumento do governo. Não é correto pensarmos que os ataques aéreos israelenses são uma simples reação natural: são fruto da escolha de um governo. Este mesmo governo sabe muito bem quais são as consequências desta ação, e na sua pesagem, opta por realizá-la. É impossível saber qual será o número de civis mortos antes de executá-la, mas é estúpido imaginar que estes serão poucos. O governo opta por uma saída que acarretará na morte de civis palestinos para defender a vida de civis israelenses. Ora, se nós combatemos o terrorismo justamente porque não concordamos com a morte de civis, faz sentido que nosso combate ao terrorismo resulte na morte de civis? Não me parece lógico. A menos que o governo assuma que as vidas dos civis palestinos vale menos do que as vidas dos civis israelenses. Isto seria racismo. E é contra isso que eu acho que devemos lutar agora.

Alguns tentam me censurar ao falar sobre proporcionalidade. Ora, o conflito é sim desproporcional por princípio: é desproporcional em intenções, quando os terroristas atacam toda a população civil israelense, enquanto Israel ataca somente a eles. É desproporcional em relação à preparação militar e tecnologia: alguns insistem em dizer que se não tivéssemos o Domo de Ferro, nosso número de mortos talvez fosse proporcional. Talvez fosse. Mas nós temos! E temos que lidar com isso! Se o Hamas não construiu abrigos para a sua população civil, não quer dizer que nós estejamos isentos de responsabilidade ao bombardeá-los. Nós temos muito mais armas, aviões, marinha, soldados, tudo! Temos até como defendermo-nos. E temos melhores intenções que eles, mas que nem sempre condizem com a prática. Se somos muito mais fortes, temos que dosar a força. Quanto mais nós matamos civis, mais nos igualamos a eles. Não é justamente isso que nos diferenciava? Que eles não têm respeito pelos seus civis? Nós deveríamos mostrar que temos. Não somos nós que enchemos a boca para vangloriar-nos de que trocamos o soldado Guilad Shalit por outros 1027 presos? Que damos à vida de um soldado o valor que eles jamais deram a ninguém? Pois talvez devêssemos dar às vidas dos palestinos este mesmo valor, ou pelo menos metade dele. E talvez bombardear menos, matar menos. Mesmo que deixemos de destruir parte do arsenal, deveríamos ser mais cuidadosos. Repito: não temos nenhum morto até agora. Não pode ser que as vidas palestinas valham tão pouco. Já sei, alguns argumentarão: o próprio Hamas não dá valor às vidas dos palestinos. Mas nós não podemos estar satisfeitos ao compararmo-nos a eles. Eles são horríveis, e nós pretendemos ser o certo. Nosso padrão de comparação deve ser outro. Perto do Hamas qualquer um é um anjo.

Outro ponto que me incomoda é a duração desta operação. Por que não dão fim aos bombardeios agora? De que adianta que bombardeemos Gaza, realizemos uma operação terrestre, massacremos o Hamas, se sabemos que daqui a alguns meses eles terão armas ainda melhores? Você duvida? A prova está aí: em 2009 seus mísseis chegaram pela primeira vez a Beer-Sheva. Em 2012, caíram em Tel-Aviv e em Jerusalém. E agora, em 2014, atingiram Haifa. As operações não foram suficientes para dar-nos mais que alguns anos de tranquilidade. A quantidade de armas também é muito maior. Não podemos destruí-los com ações militares, necessitamos enfraquecê-los por outros meios. Se eles são tão ruins com a sua população, por que nós não ocupamos o vácuo e somos os bons? Por que o governo israelense não aproveita a união entre Fatah e Hamas, e incentiva Abu Mazen a levar algo de bom a Gaza? Por que insistimos em estratégias militares estúpidas, que fazem com que os palestinos nos odeiem mais e mais? Há dois erros grosseiros nesta operação: um prático e um moral. Por um lado, a operação não resolve absolutamente nada. Por outro, resulta na morte de civis e gera ódio contra Israel. Não só por parte dos palestinos.

Israel não pode ter tão pouco cuidado com as vidas palestinas, assim como seus críticos não podem ser tão ignorantes a ponto de repetir mentiras. Não há, em absoluto, nenhum genocídio, nem em Gaza, nem na Cisjordânia. Não há o desejo de matar civis palestinos. Não há limpeza de sangue. Não há por trás destes ataques absolutamente nenhuma estratégia de extermínio. Isto, obviamente, não significa que os ataques israelenses com danos a civis sejam morais. Na minha opinião, não. Não são. Devem cessar imediatamente. Assim como tampouco são os do Hamas, menos nocivos por falta de competência e recursos, não por falta de vontade. Se há uma tentativa de genocídio (e eu a questiono), ela se encontra do outro lado. Afirmar que Israel massacra populações civis ou comete genocídio é má intenção. O número de mortos palestinos desde 1948 não chega a 10% do número de mortos na Síria desde 2011, não se iguala ao número de mortos na Líbia em dois anos, e em breve será menor do que o número de mortos no Egito nos últimos três anos. Nunca vi ninguém acusar genocídio nestes países (onde tampouco há, diga-se de passagem, um genocídio caracterizado). A falta de proporção também chega aos comentaristas online, jornalistas e até a alguns acadêmicos, que permitem que sua ignorância produza mentiras, dando combustível ao antissemitismo[ref]Leia aqui meu artigo sobre antissemitismo e antissionismo[/ref].

A violência só traz mais violência. A guerra, frequente nesta região há mais de 60 anos, não nos trouxe tranquilidade. A guerra é um método doloroso, injusto, cruel e ultrapassado para resolver os problemas aqui. Quando uma vez disseram que a melhor defesa é o ataque, parece que esqueceram de explicar que cabe interpretação na frase: o ataque não precisa ser violento. Ser ativo na expansão de cidadania pode ser considerado um ataque à intolerância, à violência, ao extremismo e à indiferença. Já me cansei de ver os problemas serem empurrados com a barriga e nos conduzirem a outra guerra, que, muito provavelmente, não será a última. Já sabemos que não podemos esperar muito mais do Hamas, da Jihad Islâmica e de outros grupos ainda mais radicais. De Israel, no entanto, eu espero, sim. Espero que passe a ver os civis palestinos como equivalentes aos civis israelenses. Que os ajude, ao invés de abandoná-los ao Hamas. Que fortaleça a oposição moderada aos fanáticos. E que não os trate como “dano colateral por culpa do Hamas”, mas sim por nome e sobrenome, como um indivíduo que sofre com a horrível situação que se perdura, e merece, assim como qualquer israelense, ser tratado como uma prioridade.
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Meu companheiro de Conexão Israel Bruno Lima não está 100% de acordo comigo, e escreveu este texto como resposta. Leia e tire suas próprias conclusões.

Comentários    ( 92 )

92 comentários para “Entre genocídio e dano colateral”

  • André Rozenbaum

    15/07/2014 at 00:12

    João,

    Gostei do seu artigo, mas você pede o utópico. Você não acha que Israel deixaria de atacar esses civis (por dano colateral) se fosse possível?

    Como não é, o que você sugere? Eu não consigo ver nenhuma outra solução visto que se israel não atacar e lidar com os “misseis” atirados de lugares densamente povoados de gaza, o que ele pode fazer?

    Continuar recebendo mísseis?

    Só para constar. Minhas considerações não são irônicas. São bem sinceras.

    A propósito, está muito difícil de lidar com esse povo que vira e mexe fica chamado de genocídio, chacina, carnificina, massacre, matança o que acontece por lá…

    e por mais que postemos dados, imagens, fatos, eles não acreditam…. Aliás, mesmo argumentando como você não adianta…

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 00:20

      André: sua solução (e a do governo) não impede, de forma alguma, os mísseis de atingirem a solo israelense. Atacar a Gaza nunca trouxe nenhuma tranquilidade, normalização nem pacificação para a região. As operações à Gaza não trazem segurança a Israel, pelo contrário: é a época na qual caem mais mísseis e foguetes no país.

      O que eu proponho está bem claro no artigo: que Israel ocupe a lacuna deixada pelo Hamas, sobretudo fortalecendo os moderados. O que o governo propõe (e você concorda) é uma falsa solução, embora popular, que só traz mais ódio, violência e insegurança para os dois lados.

      O meu pedido pode ser utópico, mas o que acontece agora é o pior dos pesadelos.

      Um abraço

    • Bruno Lima

      15/07/2014 at 02:04

      João, não há nada mais vago do que “ocupar a lacuna deixada pelo Hamas, sobretudo fortalecendo os moderados”. Seja lá o que isso significa na prática, acredito que este deva ser o objetivo no longo prazo. Mas, estar sob ataque e propor que o governo israelense “ocupe a lacuna deixada pelo Hamas” não seria apenas utópico; seria falta de responsabilidade e pragmatismo político.

      Você diz entender perfeitamente a necessidade de uma reação por parte de Israel. Permita-me perguntar: como seria essa reação? Qual seria o plano que “ocuparia a lacuna deixada pelo Hamas” e faria com que eles interrompessem os ataques? Ocupar Gaza, derrubar o poder e impor a população palestina um governo moderado?

      Permita-me também uma correção. O objetivo da atual operação militar não é estabelecer uma paz duradoura. Esse é o objetivo das negociações que o governo israelense equivocadamente se recusa a retomar. Segundo a liderança político-militar israelense, a operação militar Tzuk Eitan possui dois objetivos. O primeiro é demonstrar ao Hamas que não vale a pena atacar Israel – Benny Gantz, Netanyahu e Yalon chamam de “restauração do poder de dissuasão”. O segundo objetivo é reestabelecer a relativa segurança e tranquilidade do país no curto prazo. Podemos discordar, criticar e analisar esses objetivos, mas não negá-los.

      Concordo que as operações militares realizadas por Israel não normalizam 100% a vida do israelense. Ainda assim, as estatísticas apontam (http://www.idfblog.com/facts-figures/rocket-attacks-toward-israel/) que elas reduzem significativamente o número de mísseis lançados de Gaza no curto prazo. Definitivamente, essas operações militares não são o caminho para a total normalização da vida em Israel no longo prazo. Sabemos que para obter estabilidade no longo prazo o governo israelense deve fortalecer os moderados, por fim as construções nos territórios ocupados e retomar as negociações de paz com o Abbas. Ainda assim, saber que esse é o melhor caminho para trazer estabilidade no longo prazo não significa que Israel não deva reagir aos ataques de Gaza no curto prazo. O meu ponto é que os processos de curto e longo prazo, apesar de relacionados, devem ser implementados paralelamente. Infelizmente, eu diria.

      No mais, concordo que a operação deve acabar. Já temos sangue demais em nossas mãos.
      Um abraço.

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 12:44

      Eu estou de acordo com você. Permita-me apenas explicar-lhe algo: minhas propostas são a longo prazo. Devemos entender que os foguetes do Hamas não caem por acaso. Não estou justificando moralmente os lançamentos, pelo contrário, os condeno. Mas há uma razão pela qual eles caem, e outra razão pela qual eles caem cada vez mais. E, a meu ver, as operações israelenses em Gaza são um tiro pela culatra. O Hamas, em cada pesquisa feita com os palestinos, tem cada vez mais aprovação. Se por um lado as operações trazem sossego a curto prazo, por outro trazem desesperança a longo prazo.

      Enfim, minha resposta já foi dada ao Luiz. Você pode ler abaixo. Ela não é exata, não dá garantias de nada e nem te dá respostas absolutas ao problema moral. Mas, ainda assim, penso que deveria ser algo levado em conta.

      Um abraço

    • Raul Gottlieb

      15/07/2014 at 16:02

      Boa observação esta, João: ” As operações à Gaza não trazem segurança a Israel, pelo contrário: é a época na qual caem mais mísseis e foguetes no país.”.

      Ela vai na linha de algo que sempre me deixou intrigado: porque será que quando chove é que mais se usam guarda-chuvas?

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 18:29

      Oi Raul.

      Gostaria de recolocar a minha observação no contexto onde estava inserida: minha colocação tinha como objetivo a defesa da ideia de que, caso a operação siga, mais vidas correrão perigo.

      Um abraço

    • Raul Gottlieb

      15/07/2014 at 23:14

      Sim, João neste contexto você tem razão. Se a guerra continuar mais gente vai morrer. É melhor a guerra acabar. Sem dúvida. Definitivamente.

      O Obama disse uma coisa semelhante, algo como: Israel tem que entender que sem paz não terá segurança.

      São observações muito valiosas. E a minha sobre os guarda-chuvas fica mais ou menos no mesmo nível. Seria melhor que nunca chovesse em cima da gente, assim não ficaríamos molhados.

      E veja também que hoje pela manhã Israel parou as operações das 09:00 até o meio da tarde e mesmo assim não esteve mais seguro. Os mísseis continuaram a cair e o Rafinha teve que ir para o miklat. Eu suspeito que isto contradiga a tua frase. Mas posso estar errado, é claro.

      Abraço, Raul

    • João K. Miragaya

      16/07/2014 at 00:06

      Oi Raul.
      Eu não sei qual eram as condições do cessar fogo, mas fiquei muito decepcionado com o seu não desfecho. Sabemos que o Hamas pouco se importa com os civis palestinos. Espero que consigamos pressioná-los para chegarmos logo ao fim das agressões, de preferência, sem sacrificarmos civis.

      Um abraço

    • Raul Gottlieb

      16/07/2014 at 15:55

      Um militar é nada mais do que um civil com uniforme, não é mesmo? Porque temos que tomar mais cuidado com os meninos de uniforme do que os demais?

      Toda perda de vida é trágica, na nossa cultura.

    • João K. Miragaya

      16/07/2014 at 16:39

      É isso o que deveríamos perguntar ao Netanyahu caso ele decida por uma operação terrestre. Muitos soldados correrão perigo de vida.

    • Raul Gottlieb

      16/07/2014 at 18:53

      Com certeza o Netaniahu sabe disso, João.

      A questão é medir se vale a pena não se defender e ser o responsável pelo extermínio de 6 milhões de judeus e mais algumas centenas de milhares de árabes israelenses que também seriam assassinados.

      Porque é isto que o Hamas quer, João. Matar todos os judeus do mundo, começando pelos de Israel. Eles não fazem segredo disso.

    • João K. Miragaya

      16/07/2014 at 19:31

      Raul, acho que há uma grande diferença entrea realidade e o desejo deles, você não acha?

      O Hamas, disparando em média mais de 100 foguetes por dia há mais de uma semana, conseguiu matar um israelense. Acho que o desejo deles está muito distante da realidade. Eu, sinceramente, não vejo esta operação como um projeto efetivo a longo prazo, pois sabemos que é questão de tempo até eles se rearmarem, caso não façamos nada no período entre operações. E a curto prazo tampouco vejo eficiência, pois são justamente durante estas operações que israelenses são mortos e feridos. É óbvio que Israel deve reagir, mas eu questiono as operações do exército pelos pontos de vista prático e moral: prático porque não nos garantem nada. E moral porque matam muitos inocentes. Na minha opinião, Israel deveria realizar bombardeios ocasionais ao invés de operações, a fim de reduzir o número de mortos dos dois lados. Ao mesmo tempo, deveria pressionar a comunidade internacional, mostrando que somos atacados covardemente e não abusamos da força. Isto hoje é impensável no país, pois os sucessivos governos israelenses herdaram uma cultura política, construída desde os primeiros dias do movimento sionista, de que nós somos menores e necessitamos mostrar força. Até 1973 foi assim, de fato. Depois de 1973, Israel nunca lutou contra um inimigo em condições desfavoráveis (ou nem mesmo em igualdade de condições). Mas a reação segue sendo a mesma, como se as intenções do Hamas fossem equivalentes à sua força militar. E todos sabemos que não são.

    • Raul Gottlieb

      17/07/2014 at 22:46

      O que dizer contra os teus argumentos, João?

      Eles me parecem tão despropositados que tenho dificuldade de construir uma resposta muito elaborada.

      Tudo o que posso dizer é que a meu ver não é muito inteligente esperar o inimigo que quer matar o teu filho ganhe força e uma boa posição estratégica. Se você puder matá-lo antes dele entrar no quarto do teu filho, faça!

      No meio da frase acima o meu telefone sinalizou que o Tzahal entrou em Gaza por terra. Esperemos que seja eficaz: o mínimo de perdas para o máximo de neutralização do inimigo.

  • Juliana

    15/07/2014 at 00:18

    Concordo com você, as vidas de civis palestinos não valem menos que as vidas de civis israelenses. Mas, quando penso em ações práticas para essa situação, não consigo enxergá-las com clareza. Também não ficou claro para mim o que, para você, deve ser feito. Vi muito mais o que não deve ser, que eu também já sentia como errado, me angustia isso de enxergar o que está errado sem saber o que de fato poderia/deveria ser feito. O que você enxerga como possibilidades?

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 00:21

      Eu acredito, Juliana, no que eu escrevi no artigo e respondi agora mesmo ao André. Dê uma olhada.

      Um abraço e obrigado pela visita.

    • Jaques

      18/08/2014 at 05:13

      João, concordo com o Bruno Lima. Nada mais vago e retórico que “ocupar a lacuna deixada pelo Hamas, sobretudo fortalecendo os moderados”. Isso não é opção de resposta para quem está sob chuva de milhares de mísseis com alto poder de destruição de vida de nossos irmãos. Segundo ponto, acho que você confunde estratégia de diálogo de longo prazo de governo com resposta de curto prazo para quem está sob chuva de mísseis. É impossível ficar de braços cruzados esperando o domo falhar (e ele falha) e cair um míssil em Tel Aviv ou Haifa e matar milhares de civis. Seria uma irresponsabilidade. completa do governo israeli. Outro ponto que você coloca, a eficácia. A curto prazo a resposta de Israel é eficaz sim. O bloqueio de entrada de armas junto com o enfraquecimento sensível do aparato militar pela destruição de bases de mísseis e túneis está trazendo uma diminuição do conflito e uma mudança de atitude do Hamas, agora disposto a dialogar uma trégua ou várias tréguas ou mesmo uma paz (ainda que por conveniência e possibilidade de rearmamento e não por desejo genuíno). Neste ponto a realidade dos fatos é totalmente contrária a seu argumento que a disposição militar do Hamas até ficaria intensificada com a DEFESA israeli. Non é vero. Um ataque pesado desses de mísseis EXIGE uma resposta militar. Não tem outra saída. Ficar de braços cruzados é suicídio. Quanto a proporcionalidade. O IDF se tivesse intenção de atingir civis e não somente alvos militares as mortes não estariam na casa dos 2 mil (sendo metade de terroristas). Estariam na casa de centenas de milhares, ou você tem alguma dúvida que Israel tem esta capacidade. Houve contenção sim e muita, mas tudo dentro do limite do objetivo destruir as bases de lançamentos de mísseis. Não houve um ataque direcionado a civis da parte de Israel. E o tratado de ROMA que regula os crimes de guerra diz claramente que escolas e hospitais atingidos são crimes de guerra, DESDE que não sejam alvos militares. Mas o HAMAS ao colocar bases de lançamentos e mísseis em escolas e hospitais os transformou em ALVOS MILITARES. Por outro lado ataques direcionados a civis como os lançamentos de mísseis contra Sderot, Haifa, Tel Aviv e outras SÃO INEQUIVOCAMENTE caracaterizados como crimes de guerra pelo tratado de ROMA, mas a midia não divulga isso, pois tem cobertura anti-Israel. As mortes de civis palestinos e de qualquer civil é deplorável, mas no caso Israel não teve alternativa de DEFESA a não ser atacar as bases de lançamentos de mísseis. Quanto a proporcionalidade na defesa te dou um exemplo simples. Tem seis caras apontando arma contra você atirando para te matar. Você tem uma metralhadora na mão. Ou você mata os seis, em legítima defesa, e sobrevive ou você mata um, fica sendo proporcional e “politicamente correto” e se deixa matar pelos outros cinco. Moral: em defesa de vida não existe proporcionalidade. Existe sim ética. E o IDF está sendo ético ao avisar preemptivamente dos ataques. O HAMAS não deixando os civis sairem para os sacrificarem midiaticamente usando-os como escudos de suas bases de mísseis é o responsável pela morte deles. Culpar Israel neste caso é um erro e um indevido enfraquecimento e colocar em xeque o direito de defesas de Israel. Abs, Jaques Gheiner.

  • Mario S Nusbaum

    15/07/2014 at 00:21

    Ainda não terminei de ler o seu texto João, mas já estou incomodado o suficiente para lhe perguntar algo.

    “Entendo perfeitamente que é necessária uma reação, mas não posso estar, de nenhuma forma, de acordo com a morte de 172 pessoas em sete dias! Não posso ser complacente com 1260 feridos! Não tenho como ficar indiferente a 560 casas destruídas! E juro para vocês, não posso aceitar que pessoas preocupadas com os direitos humanos, gente que sente algo quando vê uma injustiça, seja tão fria nestes momentos e diga: “Israel está só se defendendo”. Pois se está, o faz de uma forma muito errada ”
    E qual é a forma certa? Já lhe ocorreu que esta é a única ou pelo menos a melhor?

    Vou continuar a ler.

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 00:26

      Leia até o final, leia os comentários e repense sua pergunta. Já te disse uma vez que não vale a pena questionar partes do texto, mas sim a ideia geral dele. Eu não penso por partes, penso como um todo.

    • Yair Mau

      15/07/2014 at 03:37

      João, eu teria apagado este comentário, e deixado apenas o segundo.
      Mário, mais paciência na leitura.
      :p

    • Mario S Nusbaum

      15/07/2014 at 14:16

      Reconheço que paciência nunca foi uma das minhas poucas virtudes Yair e João, isso é fato, admito.
      Por ironia do destino, se eu tivesse esperado até hoje de manhã (são 8hs aqui) para responder, meu post seria muito mais contundente, e as razões são essas

      “Israel accepts an Egyptian proposal for a cease-fire with Hamas, but the militant group rejects the gesture outright.”

      ‘Palestinian’ UN rep Admits Gaza Rockets ‘a Crime Against Humanity’

      No VÍDEO sobre a segunda manchete ele reconhece que o FATO de Israel avisar antecipadamente onde vai bombardear descaracteriza o crime de guerra. Palavras do representante palestino junto a ONU, não minhas.

      Sinceramente não consigo entender a dificuldade em admitir que existe sim um lado certo e um errado.
      Um bom dia e continuo torcendo para que nada de pior aconteça com vocês e com os israelenses em geral.

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 14:33

      Bom dia, Mário!

      Eu estou de acordo de que há um lado que age melhor do que o outro, mas não acho que o que o Tzahal faz está certo. Não é dificuldade de admitir, é uma diferença de opinião. E eu creio que a expliquei muito bem no artigo. Pode não ter sido o suficiente para convencê-lo, eu sabia que muitos não estariam de acordo.

      Obrigado pela preocupação conosco. Estou certo de que um cessar fogo nos deixará mais seguros agora do que o prosseguimento da operação. Estou ansioso pelo término das agressões, que não parece estar distante.

      Um abraço

  • Mario S Nusbaum

    15/07/2014 at 00:36

    Lendo seu artigo eu pensei: ainda bem que na II Guerra o João não era o comandante das forças aliadas! Se fosse, nenhum de nós estaria aqui.
    Você por um acaso acha que não morreu nenhum civil alemão? Eu aposto que foram mais que 172.

    Ora, se nós combatemos o nazismo porque não concordamos com a morte de civis, faz sentido que nosso combate ao nazismo resulte na morte de civis? Não me parece lógico. A menos que o governo assuma que as vidas dos civis alemães vale menos do que as vidas dos civis ingleses. Isto seria racismo. E é contra isso que eu acho que devemos lutar agora.

    Você escreveria isso e mandaria para o Churchill?

    “que Israel ocupe a lacuna deixada pelo Hamas, sobretudo fortalecendo os moderados.”
    Como? Com toda sinceridade não consigo imaginar um jeito.

    ” Por que o governo israelense não aproveita a união entre Fatah e Hamas, e incentiva Abu Mazen a levar algo de bom a Gaza? ”
    E o que seria esta “algo de bom”? Transporte de qualidade é bom concorda? Hoje mesmo vi um vídeo sobre a destruição de estações e sinalização do trem de Jerusalém.

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 00:46

      Mario Silvio, agora que você terminou a leitura do texto podemos conversar.

      A Segunda Guerra Mundial foi um dos confrontos mais crueis da história, mais de 65% dos mortos foram civis (em contraste com os 5% da Primeira Guerra). A Alemanha nazista foi o principal responsável pela morte destes civis. Eu estou 100% de acordo que o país deveria ser combatido, não me trate como um idiota. Mas, por outro lado, discordo completamente do bombardeio à cidade de Dresden, no fim da guerra. A proporção de civis alemães que foram mortos nesta guerra é ínfima comparado a quase todos os outros países europeus envolvidos no mesmo evento. Eu, sinceramente, acredito que as vidas dos alemães inocentes deveria ser poupada. Você não?

      Eu escreveria esta carta ao Churchil se ele estivesse atacando civis alemães, como eu escreveria ao Stalin. De fato, os dois atacaram de forma covarde no fim da guerra a civis alemães, de forma criminosa. Novamente: não é o fato de estar lutando contra o mal maior que os coloca acima do bem e do mal. Há preceitos morais, e os bons seres humanos não justificam os fins pelos meios.

      Sobre seus dois últimos comentários, prefiro não entrar na discussão. Diferentemente de você, eu acredito que Abu Mazen seja um moderado, com quem possamos chegar à paz. Não foi ele, tampouco, quem destruiu os trens leves em Jerusalém, foi parte da população civil enfurecida. Não generalize este acontecimento, ponha-o dentro do seu contexto e examine-o. Ele por si só não pode ser utilizado como exemplo.

      Um abraço

  • Henrique Jablonski

    15/07/2014 at 00:41

    Muito bom o texto João!

    Os ataques que tem como justificativas enfraquecer o Hamas só servem para aumentar a tensão. O Hamas irá se fortalecer novamente, novos líderes vão surgir e isso tudo só terá aumentado o conflito entre israelenses e palestinos.

    Não acho tão utópico assim como dizem… Se Israel realmente quisesse a Paz não iria permitir mais as construções de assentamentos e nesse momento iria fortalecer a liderança de Abbas que sim é moderada. Infelizmente esse atual governo de Israel não busca a Paz, tão pouco a criação de um Estado palestino.

  • Tiago Monteiro

    15/07/2014 at 00:48

    João, meus parabéns. Venho sendo bombardeado, assim como você, pelas minha colocações, as quais não abro mão, ao passo que me espanto com as opiniões de pessoas que de forma alguma considero alienadas.

    Não é preciso ser expert para perceber que algo está errado.

    Você sintetizou exatamente o que penso e vindo de alguém que mora em Israel me sinto mais aliviado. Se fosse para criticar seu artigo, diria que faltou uma correlação entre o ofício da guerra e a dependência de Israel ao seu vasto e avançado comércio de armas e tecnologias bélicas.

    Vale o mesmo para a dependência do Hamas pela guerra, mas sobre a questão ideológica deste grupo você já prescreveu sua opinião.

    Um abraço

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 12:46

      Obrigado, Tiago.

      Um abraço

    • Tiago Monteiro

      16/07/2014 at 00:21

      Caro João. Sei que não é diretamente o objeto do artigo, porém indiretamente sim. Creio que a guerra, e todos as suas batalhas, os embargos, as questões dos assentamento, tudo isso tem quase que absolutamente cunho político, mas há questões obscuras como o abastecimento do comércio de armas e tecnologias bélicas. Se achar que vale a pena, gostaria se saber sua opinião.
      Um abraço.

    • João K. Miragaya

      16/07/2014 at 08:38

      Olá Tiago.

      Eu claramente me oponho totalmente à expansão israelense na Cisjordânia, por julgar que essas terras não são nossas. Além disto, os danos que a colonização nos traz são imensos.

      Você certamente encontrará artigos meus no conexaoisrael.org que tratam deste tema especificamente.

      Um abraço

  • Sérgio

    15/07/2014 at 00:56

    O que acho engraçado é que, pelo seu ponto de vista, parece que quem iniciou o problema foi o povo palestino…

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 12:02

      Olá Sérgio.

      Eu não discuto culpa, acho pouco relevante “quem começou”. Já escrevi um artigo sobre a história do conflito (busque “O ABC do Conflito”). Acho que os dois lados já cometeram muitos erros, e mais do que olhar para o passado, devemos pensar no que pode ser feito a partir de agora.

      Volte sempre.

  • Cristina

    15/07/2014 at 01:15

    A violência maior foi a instalação de Israel em terras Palestinas em 1947 pela ONU após a Segunda Guerra. É isso que está causando tanta violência e os palestinos não se conformam até agora. A terra foi dos judeus e não era mais. Aí de repente, não mais de repente “resolvem” instalar o Estado de Israel. Eu não gostaria que colocassem uma pessoa estranha dentro de minha casa. Por que não colocaram “essa pessoa estranha” na casa deles (de quem teve a idéia). Não sou judia e não sou árabe mas a conclusão é simples como 2 + 2 = 4.

    UM POUCO DE HISTÓRIA:

    Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo se deparou com as sequelas de anos de crueldade: mais de seis milhões de judeus exterminados nos campos nazistas. Com isso, as organizações voltadas para ajuda humanitária passaram a resgatar os judeus que sobreviveram aos campos de concentração e embarcá-los clandestinamente para a palestina. A Inglaterra tentou de todas as formas barrar o desembarque dos refugiados, lembrando que a Palestina era concessão britânica.

    O fato sensibilizou a opinião pública mundial e revigorou a ideia de criação de um Estado judeu na Palestina. Em 1947, em assembleia realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, foi deliberada a divisão da Palestina em dois Estados, o Estado Judeu e o Estado Árabe. Em maio de 1948, os judeus, liderados por David Bem Gurion, fundaram oficialmente o Estado de Israel. No entanto, o Estado árabe prenunciado pela ONU nessa partilha não foi estabelecido e os palestinos lutam até hoje para ter o seu Estado. Esse episódio foi denominado Questão Palestina.

    A revolta dos países árabes foi imediata à criação do Estado de Israel. Isso culminou no primeiro conflito árabe israelense. Com o apoio militar e financeiro recebido de outras nações, Israel venceu a guerra e dominou mais da metade do território reservado aos árabes no plano de divisão da ONU. Com a derrota da guerra de 1948, cerca de meio milhão de palestinos foram obrigados a deixar a terra em que viviam para se refugiar em países vizinhos.

    Expulsos de suas terras, os palestinos eram maltratados, inclusive nos países árabes. Somente a Jordânia permitiu a integração dos palestinos em sua sociedade, mas sendo vigiados permanentemente. Nos outros países eles passaram a viver em acampamentos para refugiados, com a ajuda da ONU. Desde então, o Oriente Médio tornou-se uma das regiões mais conflituosas do globo, cenário de consecutivos conflitos extremistas entre judeus e árabes.

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 12:04

      Olá Cristina. Obrigado pela visita.

      A história, como você sabe, não começou em 1947. Desde 1882 ondas de imigrantes judeus chegavam à Palestina otomana, habitando terras compradas junto aos turcos. Te recomento a leitura do meu texto “O ABC do Conflito”, e que você comente por lá sua opinião sobre o que aconteceu nesta época. Não leve a mal, mas prefiro destinar este espaço à discussão sobre a operação atual.

    • Adi

      15/07/2014 at 21:47

      Joao,
      A historia dos Judeus em Israel nao comeca em 1882, Judeus sempre estavam presentes aqui, em 1882 comecou imigracao mais “organizada”, neste periodo do sec 19 chegaram muitos dos Arabes tambem, os veteranos de guerra do exercito egipcio de Muhamad Ali, comunidades que os Turcos trouxeram de varios paises (Bosnia e outros lugares). Tribos de Beduinos e outros.

      Cristina- o estabelescimento do estado de Israel nao e de 1947, entre os objetivos do mandato Britanico, foi preparar esta terra para formacao de 2 estados….o mesmo foi feito nesta epoca com a Jordania- Iraq- Siria-Libano…
      Obrigado
      Adi

    • João K. Miragaya

      16/07/2014 at 15:40

      Olá Adi. Você tem razão. Eu me referi à história da imigração judaico-sionista, esta sim, iniciada em 1882.

  • Germano

    15/07/2014 at 02:26

    João, muito bom o texto e gostaria de elogiar você e a galera do conexão, pois estão cobrindo de uma forma espetacular tudo que está acontecendo em Israel no momento.

    Voltando pro texto, estive me questionando, desde que os mísseis começaram a ser mais frequentes, sobre qual seria a melhor atitude de Israel. “Esquecendo” um pouco o contexto anterior as rajadas de mísseis, (como por exemplo as vinganças feitas pelos radicais da população israelense, e atitudes do governo israelense) e tendo como base as rajadas de mísseis, qual seria a melhor atitude a ser tomada, enquanto os mísseis caem em Israel? O que você, como cidadão israelense, esperava do governo??

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 12:08

      Olá Germano, obrigado pelo comentário.

      Sem dúvidas Israel precisa reagir a ameaças de mísseis e foguetes no seu território. O governo israelense não trabalha em prol da paz durante os espaços entre operações, e também por isso é obrigado a lidar com estas situações rotineiramente. O que eu proponho é que o Estado tenha pelas vidas palestinas o mesmo apreço que tem pelas judias. Se por acaso um destes túneis do Hamas fosse construído embaixo de uma colônia judaica, o exército o bombardearia? Eu acredito que não. Por isso eu acho que os ataques devem ser mais seletivos e não tratar os palestinos como danos colaterais. Nós judeus não gostaríamos de nos tratassem assim, não é mesmo?

      Um abraço e obrigado pelos elogios.

  • Marcelo Starec

    15/07/2014 at 07:14

    Oi João,
    Acho que consigo entender e concordo com muitas de suas colocações. O problema é que, embora as suas opiniões façam sentido no longo prazo, elas não deixam de ser utópicas, infelizmente, no momento atual, especialmente em se tratando de um grupo terrorista cujo objetivo, claro e inequívoco é aniquilar Israel, os judeus e até mesmo os muçulmanos que pensem um pouco diferente. João, como você sabe, a vida das pessoas no Sul de Israel tem se tornado muito difícil nos últimos anos e chegou um momento em que se precisa dar um basta nessas constantes agressões e provocações que esse grupo terrorista vem fazendo na população israelense. A paz, no meu entender, só chegará a partir do respeito e de não se tolerar os atos de intolerância, de modo nenhum. Nesse sentido, não é possível ficar tolerando atos cruéis e covardes tais como o sequestro e assassinato dos três meninos, o lançamento constante de mísseis contra o território israelense e por aí vai. Todo mundo que já passou por uma escola primária sabe que se você for alvo de agressões e não reagir acabará por sofrer cada vez mais agressões. Apesar disso, considero que temos de continuar acreditando na paz, ao mesmo tempo em que nos defendemos e se você estiver correto sobre o Abbas, esta possibilidade de paz terminará acontecendo, mas a partir de princípios muito claros, para qualquer um entender, no sentido de que Israel não vai tolerar agressões terroristas contra a sua população e o seu território, seja de homens bomba, mísseis, drones,sequestros ou de qualquer outro tipo. Só a partir desse parâmetro básico é que se pode discutir uma solução pacífica para o conflito.
    Abraço,
    Marcelo.

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 12:11

      Olá Marcelo! Obrigado pela visita!

      Eu estou de acordo com você. O problema é que estamos acostumados só a remediar, nunca a prevenir. Eu acredito que a população de Gaza pode derrubar o Hamas, mas, como todos nós sabemos, a existência de um inimigo em comum normalmente faz com que correntes opostas se unam. Israel deve deixar de agir como se fosse inimiga do povo palestino. Parte da resposta que eu dei ao Germano explica o que eu acho que deveria ser feito. Mas, sem dúvidas, na hora de remediar a minha solução não é garantia de sucesso. O nosso problema é que a solução do Primeiro Ministro tampouco é.

      Um abraço

  • luiz rechtman

    15/07/2014 at 08:38

    Prezado João,

    Concordo com quase tudo sobre seu escrito, mas, existem algumas incosistências, tais como, em seu texto .

    As sensações de medo, impotência e raiva são indescritíveis. E quando dezenas de foguetes e mísseis são disparados todos os dias contra a população do seu país, certamente o governo deve agir”.”Mas tampouco tem muito apreço pelas vidas destes civis: “o alvo é o terror, precisamos defender nossos civis”, é o argumento do governo. Não é correto pensarmos que os ataques aéreos israelenses são uma simples reação natural: são fruto da escolha de um governo. Este mesmo governo sabe muito bem quais são as consequências desta ação, e na sua pesagem, opta por realizá-la”. “Não podemos destruí-los com ações militares, necessitamos enfraquecê-los por outros meios. Se eles são tão ruins com a sua população, por que nós não ocupamos o vácuo e somos os bons? Por que o governo israelense não aproveita a união entre Fatah e Hamas, e incentiva Abu Mazen a levar algo de bom a Gaza? Por que insistimos em estratégias militares estúpidas, que fazem com que os palestinos nos odeiem mais e mais? Há dois erros grosseiros nesta operação: um prático e um moral. Por um lado, a operação não resolve absolutamente nada. Por outro, resulta na morte de civis e gera ódio contra Israel. Não só por parte dos palestinos”.”Já sabemos que não podemos esperar muito mais do Hamas, da Jihad Islâmica e de outros grupos ainda mais radicais. De Israel, no entanto, eu espero, sim. Espero que passe a ver os civis palestinos como equivalentes aos civis israelenses. Que os ajude, ao invés de abandoná-los ao Hamas. Que fortaleça a oposição moderada aos fanáticos”.

    Se, certamente, o governo deve agir aos ataques de mísseis e foguetes, como imaginarmos que os ataques israelenses às agressões não fossem fruto da escolha do governo ?
    Este mesmo governo, sabendo das consequências, opta por realiza-la ! Qual seria a forma correta de reagir aos ataques sem ser agressivo e não tendo nenhuma consequência aos civis ?
    Acreditas, firmemente, que o Abu Mazen teria poder de dissuadir o Hamas a rasgar seus estatutos, ou, melhor ainda, que retomasse totalmente o poder político em Gaza para “levar algo de bom” para lá ?
    Sabedor que, “não podemos esperar muito mais do Hamas, da Jihad Islâmica e de outros grupos ainda mais radicais ” .Qual seria a fórmula de ajudar aos palestinos de Gaza “ao invés de abandona-los ao Hamas. Como fortalecer moderados, em Gaza ?, ao invés de aos fanáticos ?

    Muitas interrogações e respostas difíceis de se darem dadas. Muitos conflitos morais de um lado e outras tantas amoralidades do outro. Situações extremas não se resolvem com tantas divagações de longo prazo. O Hamas novamente está dando as cartas e, como de outras feitas, civis morrerão e Israel pagará pelas suas mortes. Moralmente, politicamente e diplomaticamente. O mundo e os palestinos não irão nos odiar mais ou menos por isto.Da mesma forma que, não nos amaria mais se algo não estivesse sendo feito em defesa da sua população. Temos escrúpulos, códigos de moral e de conduta, leis e justiça. Que sejam usados em excesso, com mais zelo, mais do que o necessário. É o que devemos esperar de nós em momentos conflitantes. Lidamos com pessoas diferentes, conceitos antagônicos e interpretações de vida, martírio e morte diversas às nossas. Nos culpar e nos punir em demasia por escolhas feitas por quem quer nos ferir, não nos absolve de nada, Esta seria a vitória maior do Hamas, nos sentirmos os culpados pelos seus erros.

    Um abraço, Luiz.

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 12:22

      Olá Luiz! Obrigado pela visita e pela oportunidade de explicar melhor meus pontos.

      Israel atacou a mais de 1300 pontos em Gaza nestes sete dias, e deixou 180 mortos. Não sou muito bom em matemática, mas a conta é simples: em média morrem 0,14 palestinos por ataque. Suponhamos que todos estes 180 palestinos tenham morrido cada um em um ataque (o que não é verdade), chegaríamos a conclusão de que 1120 ataques não teriam deixado vítimas fatais. Digamos que 650 ataques (metade) não tenham deixado nem vítimas fatais nem feridos: por que não desistir de atacar os outros 650 pontos, quando se sabe que há civis ali? Se temos Domo de Ferro, se temos armas superiores, se nenhum israelense morreu nestes 7 dias, por que seria necessário que matássemos a 180 palestinos? Eu acho que Israel tem o direito de se defender, mas não às custas das vidas alheias. Se tivessem morrido 10 palestinos, talvez eu não fizesse esta crítica. Mas 180 é um número muito alto, são 180 vidas! Se fossem 180 vidas israelenses, seria uma comoção nacional! Meu argumento é o de que os civis mortos sejam realmente acidentes, não danos colaterais. Não compactuo com a ideia de que temos que matar civis para defender civis. Os fins não justificam os meios.

      O governo Netanyahu não fortaleceu em nenhum momento os moderados palestinos. O governo de União Nacional poderia devolver o Fatah a Gaza, seria uma boa oportunidade de mostrar aos palestinos da região que há alternativas melhores do que o Hamas. O governo israelense, ao invés de lidar com este acontecimento como uma oportunidade, preferiu fechar as portas e utilizou-o como pretexto para desmoralizar o presidente da AP, Abu Mazen. Hoje não temos bom trânsito nem com os moderados, pois não há plano de ação.

      Sem dúvidas estes momentos nos trazem conflitos morais e problemas éticos, o que é natural. Por outro lado, meu ponto é que não podemos tornar natural a indiferença às mortes palestinas. Eu não me sinto culpado pelos erros do Hamas, apenas não justifico o meu erro pelo do outro.

      Um abraço e volte sempre.

  • Gabriela Korman

    15/07/2014 at 10:09

    Oi João, tudo bem?

    Gostei muito do teu texto, principalmente nestes dias de opiniões extremadas pra todos os lados, mas eu gostaria de dizer algumas coisas sobre alguns argumentos que tu usou. Assim como tu desabafou, eu também quero jogar algumas coisas que passam pela minha cabeça:

    “Vocês também já devem ter lido em artigos do site que o Hamas usa civis como escudo humano, contra ataques das Forças de Defesa de Israel (FDI). Ou que o Hamas comete infrações às Convenções de Genebra, cometendo três crimes de guerra, que os caracterizam como terroristas: vestir-se como civis, esconder-se em áreas civis e disparar propositalmente contra civis. (…) O exército afirma serem mais de 40% terroristas e ativistas do Hamas e da Jihad Islâmica, e caracteriza a grande maioria dos outros mortos como acidentes, resultado de crimes de guerra do Hamas, que se mesclam entre civis, os usam de escudo humano e escondem suas armas em mesquitas, escolas e hospitais.”

    Sobre o Hamas, A Jihad Islâmica e outros grupos armados (terroristas, como quiser chamar) que usam a população civil de Gaza como “escudos humanos”:

    Como o Larry Derfner disse no +972Mag( http://972mag.com/blame-israel-and-hamas-both-for-gazas-civilian-deaths/93351/) os militantes/combatentes/terroristas vivem entre a população civil e mantem a maioria do seu armamento nesses bairros. Isso é uma merda? Sim. É errado? Sim. Mas é hipocrisia ficar vomitando esse argumento o tempo todo, porque toda guerrilha armada que luta contra um oponente incoparavelmente mais forte luta de dentro e junto com a população civil. O Irgun e o Lehi, que todo mundo sabe, eram guerrilhas pré-48, matavam os britânicos e depois se misturavam e se “camuflavam” nos bairros judaicos. Em Tel Aviv e Ramat Gan tem prédios públicos e escolas com placas na entrada contando como bravamente estes locais serviram de abrigo para armas e treinamentos para o Irgun, Lehi e Haganah. Durante a Guerra de Independência, os kibbutzim eram tanto casas de civis como bases militares.

    Sei que não foi sua intenção usar isso como justificava para o fato de ocorrerem tantas mortes de civis, já que também acredito que Israel tenta evitar ao máximo isso, mas acho importante, mesmo que não concorde, pensar a partir dessa perspectiva.

    Como pessoa preocupada com os direitos humanos, que sente algo quando vê uma justiça, seria legal utilizar dados de organizações humanitárias para tratar de números de mortes, como os da OCHA (http://www.ochaopt.org/documents/ocha_opt_sitrep_12_07_2014.pdf), que dizem serem mais de 70% de mortes de civis. Além disso, Israel também está violando leis humanitárias internacionais ao bombardear as casas de militantes do Hamas, como disse o diretor-executivo do B’Tselem, Hagai El-Ad.(https://www.youtube.com/watch?v=oEUmnG42JgE)

    “Se o Hamas não construiu abrigos para a sua população civil, não quer dizer que nós estejamos isentos de responsabilidade ao bombardeá-los.”

    Verdade, não estamos isentos mesmo, visto que o registro da população palestina,
    o mar e espaço aéreo, uma “zona de segurança”, a única passagem comercial de Gaza, a passagem pedestre de Erez, que liga Gaza a Cisjordânia e a Israel são controlados por Israel e o impacto desse controle acaba, infelizmente, se tornando uma responsabilidade, como mostram os dados da Gisha, uma ONG israelense fundada em 2005 que promove a proteção e o direito a liberdade de movimento dos palestinos (http://gisha.org/en-blog/2014/07/11/what-you-need-to-know-about-gaza/)

    “Não somos nós que enchemos a boca para vangloriar-nos de que trocamos o soldado Guilad Shalit por outros 1027 presos? Que damos à vida de um soldado o valor que eles jamais deram a ninguém? Pois talvez devêssemos dar às vidas dos palestinos este mesmo valor, ou pelo menos metade dele. ”

    De novo, eu sempre concordo contigo, mas não pelos mesmas vias de pensamento. Não te espanta que 1027 pessoas foram trocadas por uma? Se pode olhar pelo lado da “valorização da vida de um judeu” por Israel, mas também pela total desvalorização da vida de qualquer palestino, porque eu me recuso a acreditar que 1027 pessoas presas são terroristas. Veja bem, não digo que não haja, claro que muitos são, mas não se pode negar que a grande maioria são prisões arbitrárias, administrativas, muitos sem julgamento. Me recuso. Não por ingenuidade, mas por conhecer palestinos que já foram presos mais de uma vez, inclusive na troca do Guilad Shalit. E eu definitivamente não me relaciono com terroristas.

    “Por que o governo israelense não aproveita a união entre Fatah e Hamas, e incentiva Abu Mazen a levar algo de bom a Gaza?”, você levanta essa ideia.

    Uma unidade de governo palestina poderia negociar melhor com Israel, mas isso significaria para Israel provavelmente fazer concessões sérias. Infelizmente, cada vez mais eu acredito que Israel não pretende fazer concessão alguma. Pra mim, fica parecendo que Israel nunca quis essa unidade de governo. Primeiro, diz que a AP não representa todos os palestinos e, por isso, não poderia garantir a paz. Depois, diz que o Hamas não pode fazer parte da AP porque é uma organização terrorista. Tudo bem. Então, como você mesmo disse, essa guerra não trará nenhum resultado que nós já não conhecemos, porque o Hamas não tem nada a perder mesmo…

    Não sei se concordo com isso, mas o Noam Sheizaf (http://972mag.com/they-left-us-no-choice-on-military-escalation-and-its-israeli-rationalization/93183/) disse que talvez Israel devesse aceitar o fato de que o Hamas faz parte da sociedade palestina e que deveria começar a lidar com eles politicamente. Quem sabe, levantar o bloqueio. Daí, talvez, quem sabe, o Hamas pensasse que tem algo a perder.

    A única coisa que acredito é que a liderança israelense poderia começar a lidar com as raizes desses problemas todos, ao invés de acordar de repente quando tudo está pegando fogo, foguetes caindo por toda Israel, e, mais uma vez, declarar que os palestinos não os deram outra alternativa se não mais uma guerra.

    É isso aí,

    Abraço!

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 12:35

      Olá Gabriela! Obrigado pelo comentário e pelas fontes. Certamente serão de muito bom uso!

      Os pontos que não forem respondidos, considere que estou de pleno acordo contigo.

      Não compactuo com o que fizeram Etzel e Lechi, acho que em algumas ocasiões eles cometeram atos terroristas, mas não acho a comparação 100% cabível, e te explico porque: Etzel e Lechi, na grande maioria dos casos, atacavam alvos militares britânicos. O Hamas e a Jihad Islâmica, na grande maioria dos casos, atacam a alvos civis israelense. Evidentemente encontraremos exemplos contrários à minha generalização dos dois lados, por isso me referi à maioria das vezes. Há uma diferença entre ações de guerrilha e terrorismo. E sobre a construção da memória nacional, considero isso uma questão delicada em todas as nações. Por acaso Tiradentes era realmente um ativista pela liberdade? A memória nacional necessita de herois, pois estes dão sentido ao próprio nacionalismo. E pelas divisões políticas existentes em Israel, não é possível evitar que a cultura política emergente destes movimentos citados por você, não pudessem vangloriar-se de sua história (por mais imoral que seja).

      Em relação ao desrespeito das leis de guerra, há muitas questões controversas aí. Eu não sou jurista, não sou especialista em leis internacionais, e por isso prefiro emitir só a minha opinião sobre o que é certo e errado.

      Em relação a negociar com o Hamas, eu proponho uma reflexão: por um lado, só negociando com eles poderemos chegar a um acordo. Acredito que seres humanos podem sempre se entender, por mais diferentes que sejam. Por outro lado, acredito que se Israel começa a negociar com o Hamas, enfraquece diretamente o Fatah, tirando legitimidade da Autoridade Palestina. Esta é outra questão controversa, e é exatamente por isso que este governo de união nacional poderia ser de grande ajuda a Israel. Mas o governo, infelizmente, não concorda comigo.

      Um abraço a você também!

  • Mila Chaseliov

    15/07/2014 at 11:16

    João,
    obrigada pelo texto, é tudo que eu queria dizer mas estava difícil organizar os pensamentos nesse período tão triste.
    Estou cansada do pânico e do estresse, muito abalada pela morte de civis “em meu nome”. Que venha a voz dos moderados.
    Beijos.

  • Andre Lajst

    15/07/2014 at 13:45

    Olá João , gostei do seu texto, e compartilho muito de suas opiniões, apesar de também ter a mesma pergunta. Um governo precisa ter um plano tático e um plano estratégico. O plano estratégico não existe nos governos Israelenses por uma razão histórica de ” vamos resolver o agora primeiro” , por isso não há mentes pensantes que possam se renovar e criar soluções para essa ” lacunas” que você falou.
    Visto isso, gostaria somente de lhe esclarecer dois pontos.
    O Hamas não tem mísseis, estes são teleguiados e sabem o alvo que vão atingir. O Hamas tem apenas foguetes. Somente Israel possui mísseis neste combate.
    Em relação ao ” saber o que vão atingir” no alvo, digo por experiência própria que a Força Aérea prepara alvos com o maior cuidado e parte dos mesmos é saber sobre as casas e os civis no local. Caso exista uma incompatibilidade entre o alvo e os danos que o ataque possa causar, o alvo não é aprovado.
    Com certeza isso é feito antes do ataque e até mesmo antes de uma operação desta magnitude começar. E erros de inteligência e operacionais também ocorrem, como ocorrem em qualquer operação.
    Este beco sem saída, de não querermos nos comparar a eles, e nos preocuparmos com justiça e moral a vida dos civis palestinos juntados a vontade e obrigação suprema de proteger os civis e a vida rotineira em Israel não dá ao governo , seja ele qual for, uma saída para a atual situação.

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 14:30

      Olá Andre.

      Chamo parte do armamento do Hamas de mísseis influenciado por jornalistas do Canal 2, que em 2012 definiram os Fajr-5 como mísseis, diferentes dos foguetes lançados contra Israel em 2008-09. Estou distante de ser um expert em armas e operações militares, por isso não penso em questionar as suas alegações técnicas. Qual é, no entanto, esta incompatibilidade entre alvo e danos a qual você se refere? Você pode ser mais específico? O que é considerado um dano suficientemente grande para que a Força Aérea opte por não bombardear determinado local?

      Te pergunto porque me parece bastante complicado afirmar que há mais de 100 vítimas de erros de inteligência ou operacionais. Ou então admitamos que a inteligência do exército está falhando demais, e eu não vejo ninguém sequer questioná-la.

      Por acaso, os três homens que foram assassinados junto ao Jabari em 2012, seriam assassinados caso o Jabari não estivesse no carro? Que tribunal aplica pena de morte ao Jabari e aos três que estão com ele? Mais do que uma discussão prática (de que adiantam os assassinatos seletivos?), entro em uma discussão moral: pode o exército provocar “danos colaterais”? Mas já que entramos um pouco na prática, o que é considerado um dano para o Tzahal?

      Obrigado pela visita.

  • Mario S Nusbaum

    15/07/2014 at 14:32

    “não me trate como um idiota”
    Isso nunca me ocorreria.
    “Eu, sinceramente, acredito que as vidas dos alemães inocentes deveria ser poupada. Você não?”
    Sim, DESDE QUE fosse possível sem comprometer o objetivo maior, a destruição do nazismo.
    Tenho certeza de que todos os pacientes de câncer prefeririam serem curados com aspirina no lugar de quimioterapia, pena que não funciona.
    E antes que perguntem, considero o hamas muito pior que um câncer.

  • Mario S Nusbaum

    15/07/2014 at 14:49

    Faço minhas as palavras do Tiago:
    ” ao passo que me espanto com as opiniões de pessoas que de forma alguma considero alienadas.
    Não é preciso ser expert para perceber que algo está errado.”
    A grande questão é, o QUE está errado?

    Por mais que eu adore discutir (no bom sentido), e que esse assunto me fascina, acho que não há mais o que dizer após a notícia que reproduzo abaixo, e que, na minha opinião, responde à pergunta acima:

    “Israel accepts an Egyptian proposal for a cease-fire with Hamas, but the militant group rejects the gesture outright.”

    Se alguém está sendo massacrado (não é o que eu penso, mas muita gente sim) e não aceita uma trégua, algo está sim PROFUNDAMENTE errado.

    Lembrei de uma cena do Monty Python no filme sobre o Santo Graal. Aquela em que um cavaleiro insiste em lutar mesmo após ter seus dois braços e duas pernas cortados. O vencedor, após tudo isso e ainda perfura-lo com a espada vai embora, e o outro o ridiculariza dizendo: ah, fugiu! Pena que em Gaza não seja uma comédia e que os RESPONSÁVEIS por tudo não são os que estão sofrendo, continuam apenas mandando “seu” povo ficar nas casas que serão bombardeadas.

  • Adi

    15/07/2014 at 16:33

    Joao,
    A ideia que a guerra segue os mesmos principios que a vida normal esta equivocada.
    O fato que um lado decidiu mudar a forma de conseguir seu objetivo e transformar uma regiao pobre em um bunker com arsenal de milhares de misseis, expressa seus objetivos, e bomba, infelizmente nao e uma ferramenta delicada, mais ainda quando seu objetivo de eliminar um pais soverano do mapa. Qualquer pessoa deveria revoltar-se contra esta atitude, muito antes que a violencia comeca. Como morador na area de conflito- sei que na maioria das vezes que fomos atacados- nao respondemos para nao atingir, para nao aumentar a tensao- isso nem aparece na midia….Quem escolhe guerra, deve estar ciente que vai ganhar ou perder, e isso pode ser feio…

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 18:26

      Certamente, Adi, quem escolhe a guerra deve estar ciente do que acontecerá. Mas será que os civis têm culpa nisso?

      Obrigado pelo comentário.

  • Karine Szuchman

    15/07/2014 at 17:53

    Obrigada pelo desabafo João, conseguiste expressar de maneira clara o que tenho pensado ultimamente.

    Esses dias saiu uma reportagem no haaretz com a qual eu concordo e acho que tem bastante a ver com o que tu escreveste.
    http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/israel-peace-conference/1.601112

    Dois pontos poderiam indicar que Israel não quer paz (como é o título do artigo)- o que obviamente não quer dizer que o povo israelense não gostaria de viver em paz, não é isso. É simplesmente olhar para as estratégias que o governo tem adotado e entender suas justificativas e consequências que, como tu bem colocaste, comprovadamente não trazem mais segurança ou paz. Os pontos são:

    1) a desumanização dos palestinos: como tu cita, se não é possível sentir pela perda de uma vida do outro lado, se sensibilizar com a perda de um filho de uma mãe palestina, isso é devido a imagem que se cria dos nossos inimigos. Eu realmente gostaria de entender o que faz alguém que se diz defensor dos direitos humanos defender com unhas e dente as ações do exército israelense. Se fossem outros atores….mas não são, e esse é ponto. Judeu tem que defender Israel – é quase como um mantra. Afinal, se não nós quem vai defender? “Sem o apoio da diáspora Israel vai acabar; precisamos nos unir para combater o antissemitismo.” Quem nunca ouviu essas frases? São ideias como essas que sustentam as opiniões de muitas pessoas que em momentos de guerra postam nas redes todo tipo de apoio ao Estado judeu.

    E olhando para essas postagens, as mesmas de 5 e 10 anos atras (a maioria de hazbará, mostrando como a mídia é a favor doa palestinos) que percebi que não dá mais! Cansei de discutir o conflito com quem chega falando que o hamas é terrorista e a mídia é manipuladora. Isso é óbvio!!! E para além disso? Ah, “o exército israelense é de defesa” – que tal aprofundarmos o debate? Me dei conta que em época de guerra, enquanto caem foguetes perto de amigos e parentes, não tem debate que possa ser aprofundado. Então voltemos a discutir quando a trégua chegar, pois não quero falar das propagandas da mídia ou de como os palestinos usam as crianças como escudos. Quero falar de política e direitos humanos!

    Este último já abordado levemente quando citei o ponto da desumanização dos palestinos. Sobre a política, tu – João- escreve uma frase por muitos esquecida “Não é correto pensarmos que os ataques aéreos israelenses são uma simples reação natural: são fruto da escolha de um governo” – temos que parar de naturalizar certas ações ou usar justificativas que nos foram dadas desde….desde que estudamos o conflito? Esta na hora de problematizarmos essas escolhas do governo (que diz que um tipo de governo, um modo de pensar, de Israel hoje), de questionarmos esse momento específico, e não de 60 ou 20 anos atrás. Se alguns ainda assim justificam as ações de hoje pergunto então: Para onde Israel está andando?? Coloco então o segundo ponto indicando que “Israel não quer paz”:

    2) a construção dos assentamentos. Talvez isso eu acrescentaria a teu texto João. Para além de estarmos cada vez mais nos aproximando desses terroristas, ao não valorizar a vida e justificar a morte dos civis como “acidentes”, estamos também nos distanciando daquele plano tão lindamente estampado em tantas camisetas: dois povos, dois Estados. Retirado do texto do Haaretz: “Os construtores de assentamentos querem consolidar a ocupação, e aqueles que querem consolidar a ocupação não querem a paz. Essa é toda a história em poucas palavras.”

    Se por um lado fico triste ao ver judeus da extrema direita queimando palestinos e judeus brasileiros sofrendo ameaças de outros judeus por se expressarem contra as ações de Israel, fico feliz de ver nessas últimas semanas inúmeras manifestações contrárias aos atos do exército israelense por parte de cidadãos israelenses: pessoas que já serviram o exército, ou que deveriam servir e não querem, escritores e jornalistas que nunca tinham feito críticas tão duras ao Estado, judeus que fizeram aliá não porque defendem Israel acima de tudo, mas porque veem as deficiências dele e querem lutar por mudanças.

    Talvez essas opiniões sempre existiram e eu que não via. Mas talvez elas agora, mais do que nunca, estejam corajosamente saindo de quatro paredes. É possível um brasileiro criticar o Brasil, então sim, também é possível (e legítimo!) israelenses criticarem seu país, e mais: judeus criticarem o grande Estado Judeu. É isso que me dá esperanças.

    …acho que isso também foi um desabafo

    • João K. Miragaya

      15/07/2014 at 18:25

      Oi Karine! Um prazer ter você por aqui!

      Fico feliz por você ter gostado do texto. Permita-me apenas três observações sobre o seu excelente comentário:

      1) O link que você me enviou não é uma reportagem, é um artigo de opinião do Gideon Levy. Este colunista se caracteriza dono de opiniões bastante antissionistas. Sempre vale a pena lê-lo, mas não se esqueça que isto não é uma reportagem.

      2) Eu não sou palestino, não convivo com a realidade em Gaza, mas não tenho a menor dúvida de que do outro lado também há uma desumanização da vida dos judeus por parte de uma parcela da população. Não sei dizer qual, mas é importante salientar que este conflito (imagino que qualquer conflito) tem esta característica como referência: quando se mata, ou se tenta matar, a desumanização passa a ser regra.

      3) Não toquei na questão dos assentamentos porque não posso associá-la diretamente à Operação Márgens de Segurança. Meu objetivo não era escrever um livro, mas sim um texto, que fizesse uma reflexão sobre os exageros que eu leio dos dois lados do conflito.

      Volte sempre! Um abraço

    • Mario S Nusbaum

      16/07/2014 at 02:35

      ” É possível um brasileiro criticar o Brasil, então sim, também é possível (e legítimo!) israelenses criticarem seu país, e mais: judeus criticarem o grande Estado Judeu. ”
      Claro que sim Karine, só que…….
      Posso discutir e discuto com a minha mulher, mas não quando o vizinho está atacando ela com um porrete. Você já se perguntou porque todas as democracias tem leis específicas para tempos de guerra?

      “precisamos nos unir para combater o antissemitismo.”
      Você discorda?

      “E olhando para essas postagens, as mesmas de 5 e 10 anos atras”
      Será que não é porque o hamas continua com o mesmo objetivo de 5 e 10 anos atrás? Eu continuo sendo contra muitas coisas que já era contra há 5, 10, 20, 30 e 40 anos atrás. Por exemplo: a destruição de um país e o extermínio da sua população. Também sempre fui contra o racismo, e como ele continua existindo, é ÓBVIO que as manifestações contra ele também continuam.

      Ísrael não que a paz? Discordo, pode ser que o governo e parte da população tenha percebido que, pelo menos por enquanto, ela não é possível. Eu continuo querendo ganhar a maratona olímpica, mas deixei de pautar minha vida por esse objetivo,. Chamo a isso realismo.

      “fico feliz de ver nessas últimas semanas inúmeras manifestações contrárias aos atos do exército israelense por parte de cidadãos israelenses: pessoas que já serviram o exército, ou que deveriam servir e não querem, escritores e jornalistas que nunca tinham feito críticas tão duras ao Estado, judeus que fizeram aliá não porque defendem Israel acima de tudo, mas porque veem as deficiências dele e querem lutar por mudanças.”
      E eu fico extremamente preocupado.
      “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.”
      Achar que é possível conviver com hamase, jihads e similares pode acabar em um tragédia gigantesca.

  • Luiz Rechtman

    15/07/2014 at 18:35

    Prezado João,

    Agradeço suas considerações e, sem querer tornar-me insistente, continuo com algumas indagações.

    Num estado de guerra em que uma organização (hamas) ataca a um país e sua população indiscriminadamente de norte a sul/leste a oeste, qual seria, no seu ponto de vista militar e/ou político a melhor opção para lidar com essas agressões.
    Não fazer absolutamente nada para não por em risco os civis de Gaza sitiados pelos terroristas do Hamas. Procurar o Abu Mazen para que interceda ao seu parceiro de união para que cesse com os ataques. Prestar queixa a todo e qualquer organismo internacional por estar sendo atacado e ter sua população civil exposta à estes ataques. Esperar que seus sistemas de defesa funcionem à contento, seus abrigos sejam suficientes para todos aos toques dos alarmes e aguardar até que o Hamas gaste o último de seus mísseis e foguetes. Ou, tomar alguma atitude militar que contenha ao máximo aos ataques, mesmo levando-se em consideração que haverão inevitáveis baixas civis palestinas. Como esperadas e ansiadas pelo Hamas.

    Um abraço, Luiz.

    • João K. Miragaya

      16/07/2014 at 00:14

      Olá Luis. Acredito que todas as propostas acima são válidas, exceto não fazer nada. Mas acho que os ataques israelenses (ou contra-ataques) deveriam ser mais prudentes com os palestinos. Só isso. Nâo acredito que uma saída que resulte em mortes de tantos civis seja a solução.

      Um abraço

  • Eduardo

    15/07/2014 at 18:45

    Parabéns pelo texto.
    Todos os dias aprendo algo novo no que diz respeito ao conflito Israel x Palestina, por isso tendo a ser comedido nos meus comentários, mas vou correr o risco e dizer que este foi o melhor texto que li de uma pessoa que vive a situação na pele.
    Parabéns, e não se deixe abalar pelos comentários insensatos. É fácil falar nos comentários, quando não se tem a responsabilidade que o autor do texto carrega, a dor formador de opinião. Vejo que você busca a verdade dos fatos, e isso só o tempo vai trazer a tona.

    Parabéns mais uma vez.

    • João K. Miragaya

      16/07/2014 at 00:12

      Obrigado, Eduardo. Fico honrado com suas palavras. Volte sempre.
      Um abraço

  • Mauricio Victor

    15/07/2014 at 20:46

    João, entendo e concordo com quase tudo que você escreveu acima. Só não consigo encontrar “outro caminho”.
    Não consigo encontrar uma solução negociada com alguém que não aceita minha existência e que tem como objetivo acabar comigo, e quando negocia comigo fala na minha cara que é só pra se reorganizar, porque assim que der vai voltar a tentar acabar comigo. Não sei como não brigar com alguém de depois de tomar uma surra sai feliz porque me deu uma cusparada e promete que “vai ter volta”. E piora quando lembro que tem piore que eles dos dois lados.
    Quando converso com as pessoas aqui (não judeus), quando eles vem me perguntar, pegunto a eles oque Israel deve fazer? Recebo, resposta maravilhosas como “sair de Gaza”, ou “parar de atirar nas crianças palestinas que apenas atiram pedras…”. Depois de 5 minutos de conversa com essas pessoas, obtenho apenas duas respostas. As mais tolerantes me dizem que não saberiam oque fazer, e as demais pessoas dão respostas que passam de bombardear Gaza até literalmente “acabar” com Gaza.
    Continuo procurando esse “outro caminho”, e fico feliz de não estar só.

    • João K. Miragaya

      16/07/2014 at 00:10

      Oi Mauricio.

      Tínhamos péssimas relações com a OLP e com o Egito, que tampouco não nos reconheciam e as tréguas sempre deram sensação de frustração. Hoje temos relações passíficas com ambos, que nos aceitam e nos toleram. Gostaria que com o Hamas alcançássemos o mesmo fim. Caso não seja possível, teremos que fortalecer aos inimigos do Hamas mais moderados. Espero que este desfecho seja positivo, mas Israel precisa fazer algo distinto de construir assentamentos e isolar os moderados.

      Um abraço e obrigado pela visita.

  • Mario S Nusbaum

    16/07/2014 at 02:09

    “A violência maior foi a instalação de Israel em terras Palestinas em 1947 pela ONU após a Segunda Guerra. ”
    Absurdo, onde já viu isso? Judeus querendo um país? Todo e qualquer outro povo sim, mas não os judeus, não é mesmo Cristina?

    “porque eu me recuso a acreditar que 1027 pessoas presas são terroristas.”
    OK Gabriela, o que eles são então? Eu não moro aí e por isso gostaria de saber a sua opinião. Como funciona a coisa? A polícia decide, a troco de nada, prender alguns palestinos?
    Posso estar muito enganado, mas me cheira a algo comum aqui no Brasil, acusar criminosos contumazes de um crime que não cometeram. Será possível que seja um caso parecido?

  • Mario S Nusbaum

    16/07/2014 at 02:22

    Reproduzo aqui algo que escrevi em um blog brasileiro onde se discute o conflito Israel x palestinos:

    ” Para quem não sabe o que são as lideranças palestinas e acha que Israel deveria negociar com elas: hoje em dia são basicamente duas, a “moderada” chefiada pelo Abbas e o hamas que está neste momento fazendo de tudo para que morram o maior número possível de palestinos. Cansei de ler que Israel deveria negociar com os “moderados”. OK, é uma ideia. Peço que imaginem algo sórdido, desumano ao extremo, incrivelmente maligno, doentio. Pois bem, a turma do Abbas acaba de fazer algo que se encaixa perfeitamente nisso tudo: rejeitou a oferta israelense de doação de sangue para Gaza. Se esses são os moderados, imaginem do que são capazes os radicais!”

    Li sobre esse nobre gesto do Abbas em vários jornais

    ““Israel’s Magen David Adom (MDA) emergency services organization on Monday offered to transfer blood units and donations to the Gaza Strip, but the humanitarian gesture was rejected by the Palestinian Authority,” JNS.org news service reported, in an exclusive attributed to the Israel HaYom newspaper.
    “According to MDA Director Eli Bin, the organization then offered to assist the PA by facilitating blood drives involving Palestinian or Israeli Arab donors, but that offer was also rejected.”

    Adianto que a notícia saiu em órgãos não israelenses também.
    Quem desumaniza os palestinos são monstros como o “moderado”.

  • Leo

    16/07/2014 at 04:13

    Fala João,

    Não entendo porque você diz:

    “não posso estar, de nenhuma forma, de acordo com a morte de 172 pessoas em sete dias!””

    Porque incluir o periodo 7 dias nesta frase? se fossem 30 dias, ou em um ano, você aceitaria mais facilmente?

    Abs

    • João K. Miragaya

      16/07/2014 at 08:32

      Olá Leo.

      Você tem razão. Os sete dias são para mostrar a dimensão do problema, mas você está certíssimo.

      Um abraço

  • Dani

    16/07/2014 at 11:00

    Muita energia gasta com teorização.
    Alguém sabe se tem, em tel aviv, postos de doação de mantimentos para os palestinos que saíram de suas casas?
    Educação pode começar por aí, ajuda humanitária.
    Amor ao próximo funciona independente de concordância ou não com medidas do exército.

    Para os soldados tem na Weitzman, caso alguém se interesse.

    Paz e amor pra todos nós

  • Marcos Gorinstein

    16/07/2014 at 12:59

    João, muito bom o seu texto. Precisamos avançar diplomaticamente para evitar os chamados “efeitos colaterais” (eu não gosto dessa expressão) e isso só será atingido com a derrota do Hamas.
    A história é repleta de exemplos de que guerras e opressão não acabarão com idéias e ideologias. Vamos seguindo! Grande Abraço.

  • Mario S Nusbaum

    16/07/2014 at 15:51

    “Alguém sabe se tem, em tel aviv, postos de doação de mantimentos para os palestinos que saíram de suas casas?”
    Deveria haver Dani?
    Vou ser 1000% sincero, estou chocado com o que tenho lido aqui. Uma das contestações/acusações que costumo fazer quando discuto com anti-semitas é: por que exige-se de Israel o que não se exige de nenhum outro país?
    Para meu espanto, desânimo e preocupação vejo judeus fazendo exatamente a mesma coisa!

    “Eu não sei qual eram as condições do cessar fogo,”
    Um dos maiores, talvez o maior, dos anti-semitas que já conheci, defendeu a recusa dizendo que não atenderam às exigências do hamas. Com ele não há diálogo possível, mas aqui eu digo: cessar-fogo é…. CESSAR-FOGO, como alías Israel fez. Ele é declarado exatamente para que os dois lados digam quais são suas exigências e condições para que as hostilidades TERMINEM.
    Até onde sei não existem condições para um cessar-fogo, para-se de atirar e começa-se a discutir.

    Para não dizer que eu não falei das flores, tem algo que eu concordo com o João: Israel tem falhado nos INTERVALOS entre guerras abertas. Repito que sempre fui e continuo sendo contra os assentamentos, mas com plena consciência de que não é por causa deles que não temos paz.

    Desculpem mais uma vez falar na II Guerra, mas vejo outro paralelo com a situação atual. Alguém acharia razoável discutir as consequências do Tratado de Versailles enquanto Londres estava sendo bombardeada? Fico imaginando o Gabinete de Guerra do Churchill analisando as claúsulas do tratado uma por uma para ver se Hitler tinha razão. Gente, o mal existe, e o hamas é sim uma de suas personificações.

    Mais uma vez boa sorte a todos aí e suas famílias.

    • Dani

      16/07/2014 at 20:20

      Ola Mario,

      Que pena que você ficou chocado com alguem que quer ajudar. Acabo de voltar do Beit Chayal em Tel Aviv, onde deixei minhas doações para os soldados (pode ver os detalhes por aqui https://www.facebook.com/events/904781689537804/?ref_dashboard_filter=past). Não vejo porque não ajudar também àqueles que, do outro lado, sairam de suas casas e estão em abrigos da ONU. Esses são, em sua maioria, vitimas do Hamas também.

      Concordo que o maior problema de Israel é o “intervalo entre operações”. Exatamente por isso, acredito que a melhor maneira de “enfraquecer” o Hamas é dando ao povo palestino o que eles não recebem atraves do proprio Hamas ou da Jihad Islamica. Nesse momento, comida, itens de higiene pessoal, roupas, entre outros, seriam armas muito mais eficazes para encontrar a paz. Mesmo assim, entendo que o exercito necessite fazer algumas operações e não fecho os olhos para isso.

      Enfim… só acho que a discussão é sempre muito bonita. Mas perde-se muito tempo nisso. Vamos começar a fazer.

    • Mario S Nusbaum

      17/07/2014 at 00:51

      ” Esses são, em sua maioria, vitimas do Hamas também.”
      Venho dizendo isso há anos Dani! Pena que não adianta nada você, eu e milhões de outros não palestinos saberem e eles não.
      Acredite, eu gostaria muito de achar que as vitimas do hamas estão fazendo o que podem para se livrar dele, mas TODOS os indícios apontam na direção contrária.
      Você já ouviu falar em manifestações contra esse grupo terrorista em Gaza? Eu não, e nem na Cisjordânia.
      Você já ouviu falar em homenagens aos terroristas do grupo? Eu já.

      ” Não vejo porque não ajudar também àqueles que, do outro lado, sairam de suas casas e estão em abrigos da ONU.”
      Eu não veria problema nenhum se fosse possível ajudar quem realmente precisa, as tais vitimas do hamas, mas sabemos que isso é impossível. Se você doar um alfinete, ele será usado pelos animais do hamas para espetar um israelense.

      ” dando ao povo palestino o que eles não recebem atraves do proprio Hamas ou da Jihad Islamica. Nesse momento, comida, itens de higiene pessoal, roupas,”
      Vocês conhecem a situação por aí mil vezes melhor do que eu, por isso peço que me respondam: qual foi o resultado até hoje de Israel prestar assistência médica aos palestinos? De fornecer eletricidade para eles?
      Você realmente acredita que eles seriam gratos se Israel fornecesse tudo o que você citou? A pergunta não é retórica, gostaria de saber sua opinião sincera.
      Pelo que sei da região não me espantaria se o hamas assassinasse os palestinos que aceitassem..

      Parabéns pela sua atitude com os soldados e boa sorte.

    • Mario S Nusbaum

      17/07/2014 at 00:56

      Dani, lembrei de algo, uma das coisas mais chocantes e revoltantes que ouvi nos últimos tempos, e que infelizmente (adoraria estar errado) reforça meu ponto de vista:

      “Palestinians reject Israel’s offer for emergency blood supply to Gaza
      An offer by Magen David Adom to organize blood donation drives among Jews or Palestinians was also rejected.”

      Li isso no Haaretz, que, nesse sentido é acima de qualquer suspeita.
      Ajudar como???????????

  • Alex Strum

    17/07/2014 at 01:40

    João, já havia lido um texto seu antes deste último conflito e mais este me deixam perplexo.
    Começo citando Amos Oz, insuspeito, que diz no seu livro Contra o Fanatismo diz que o conflito Israel x Palestinos é uma tragédia porque, por motivos diferentes os dois lados tem razão.
    Sá há duas formas de resolver conflitos: pela negociação ou pela força.
    Como negociar com alguem que declara abertamente que tem como objetivo a sua eliminação e procura efetivamente fazê-lo? Quem representa realmente o povo Palestino? Com quem é possível fazer um acordo de paz verdadeiro? Todos sabem que se Israel sair da Cisjordania o próximo pretexto para atirar bombas será a volta de milhões de refugiados.
    A direita de Israel se aproveita deste fato mas sabe que, como já aconteceu no passado, se houver paz a terra será devolvida.
    Pesquisas de opinião apontam que a maioria da população árabe (não só Palestina) é contra a existência de um Estado Judeu em Israel. Escolas Palestinas ensinam a odiar Judeus. O Hamas foi eleito pela população de Gaza. Estes são apenas alguns fatos.
    A verdadeira raíz do problema como enfatizou o Prof. israelense Benny Morris em recente entrevista num programa de televisão é que os Palestinos não aceitam a existencia de um país Judeu.
    Você só consegue ajudar alguem que quer ser ajudado, e este infelizmente não é o caso dos Palestinos.
    Não me alegro com nenhuma morte de Palestino, muito pelo contrário. Mas, tirando utopias poéticas, o que é possível fazer diante agressões como as que estão ocorrendo? Fico imaginando qual seria a reação dos Brasileiros, e do mundo, se, digamos, na Bolívia se instalasse um grupo terrorista e mandasse mísseis sobre São Paulo, Rio, BH, etc… sob o argumento que não aceitam a existencia do Brasil.
    Os Judeus são um povo de mais de 5000 anos, durante mais de 2000 foram perseguidos, discriminados, expropriados e mortos. Já está na hora da humanidade aceitar que viemos para ficar. Este episódio é mais uma tentativa de deslegitimar a nossa existencia.
    Israel é a única garantia que temos e devemos defendê-lo.

    • João K. Miragaya

      17/07/2014 at 12:13

      Sem dúvidas, Alex, devemos defender o Estado de Israel. Nòs, judeus, temos o direito de autodeterminarmo-nos como uma nação, e sem dúvidas temos ligação histórica com este pedaço de terra. Não podemos aceitar que nos destruam, e acho que estamos indo bem nesta luta pela sobrevivência. Construimos um Estado de primeiro mundo, apesar da grande soma de dinheiro investido no exército. Os cidadãos israelenses, por mais que tenham que correr para abrigos às vezes, já praticamente não correm mais perigo de vida como até 1973. Hoje os soldados se alistam com a certeza de que não participarão de uma guerra contra outro exército poderoso. Nossa situação, se não é confortável, é estável.

      Até 2008, jamais exigimos de qualquer nação que nos reconhecesse como judaica. O Brasil nunca nos reconheceu. Tampouco os EUA, a Argentina, a Alemanha e a Turquia. Não exigimos nem do Egito nem da Jordânia tal reconhecimento. E ainda assim, estou plenamente convicto de que somos um Estado judeu. Estão as leis aí para te garantir. Não me importa o que pensam os palestinos, me importa o que eles fazem. Nem Fatah nem Hamas nos reconhecem como um Estado judeu, mas eu estou convencido de que podemos chegar a um acordo hoje mesmo com a Fatah. Por que? Porque eles não nos fazem mal desde 2006, praticamente. Cooperam conosco. Abriram mão do terrorismo.

      Hoje é difícil negociar com o Hamas, mas talvez seja possível no futuro. Já foi difícil um dia negociar com a Fatah, com o Egito e com a Jordânia. Hoje já não é. O problema é que Israel também tem práticas diferentes do pensamento: se quisermos terminar com essa situação, não importa o que pensamos dos palestinos, devemos atuar em prol de um acordo. E o nosso atual governo apenas finge fazer isso.

      Obrigado pela participação. Volte sempre.

    • Alex Strum

      17/07/2014 at 16:34

      João, respeito, admiro e compartilho com seu humanismo. Creio até que isto faz parte da nossa cultura milenar. A idade entretanto me fez temperar meu idealismo com pragmatismo.
      Uma coisa que me surpreende, e confesso que me incomoda e muito, é que todos os que criticam as ações de Israel, principalmente na imprensa, não apresentam nenhuma solução prática alternativa.
      Se não assim então como??? Para não atirar em alvos terroristas “protegidos” por escudos civis devo colocar meus filhos em perigo concreto e correndo para abrigos anti-aéreos? Quem faria isto?
      Quem não reagiria?? Todos sabemos que qualquer outro país seria muito mais contundente na sua reação, mas nós…. somos “moralmente superiores”?!?!
      Claro que fortalecer os moderados é positivo e necessário, mas quando isto vai produzir resultados concretos.
      A paz com o Egito e com a Jordania, pelo que sei, não foi resultado de fortalecimento de moderados mas da realização por parte de líderes realistas e pragmáticos que se deram conta que pela força não iriam alcançar nada. E mesmo em paz voce saberia me dizer quantos egípcios ou jordanianos visitam Israel??
      A solução do conflito poderia ser facilmente encerrada se nós judeus abríssemos mão de Israel ser um Estado Judeu, e esta é a questão fundamental.
      Bastaria deixar todos os refugiados voltarem, tornar Israel um Estado binacional, os judeus se tornarem uma minoria e o problema estaria resolvido.
      Portanto meu caro, trata-se de uma questão existencial. Se de fato queremos que Israel continue existindo como um Estado Judeu, pelos mais diferentes motivos, infelizmente temos que pagar um preço por isto. O conflito só vai acabar quando os Arabes, não apenas os Palestinos, e mutos pelo mundo afora, aceitarem o fato que viemos para ficar e é melhor vivermos em paz e em parceria do que tentar nos expulsar.
      A mudança tem que vir de dentro, da população, da educação e não tanto dos políticos.
      Negociação e apoio aos moderados claro que é positivo, mas só isto não vai resolver, muito menos a curto prazo.
      Lamento se o decepciono.

    • João K. Miragaya

      17/07/2014 at 17:31

      De forma alguma me decepciona. Você pensa como a maioria aqui. Eu apenas não estou de acordo contigo em alguns fatores, que a meu ver são justamente onde sucessivos governos israelense erram e deixam de fazer a sua parte.

      Temos uma paz fria com Egito e Jordânia, mas temos paz. Amos Oz costuma utilizar a metáfora do divórcio para explicar a nossa relação com os palestinos: não seremos amigos, mas resolveremos pelo bem dos dois separar-se. O Rei Hussein da Jordânia era um moderado. Anwar Sadat, do Egito, um pouco menos, mas também era um moderado. Creio que o fortalecimento dos moderados foi crucial, sim, para alcançarmos a paz com estes dois países. O Rei Hussein estava apenas na espera de normalizarmos nossa situação com os palestinos (Acordos de Oslo), e o presidente egípcio, apesar da guerra em 1973, nos apresentou uma postura bastante moderada já em 1975. Poderíamos não aceitar sua aproximação permanecendo com o Sinai, mas preferimos dar chance a um moderado à arriscar a emergência de um novo Nasser.

      Não somos nós que pagamos o preço ao negar o direito dos refugiados palestinos, são eles mesmos que o fazem. Esta é a maior concessão que os palestinos terão que fazer para que cheguemos à paz. Eu acredito que a maioria dos palestinos tenha total consciência de que não sairemos daqui. Acredito que o Presidente da Autoridade Palestina também o saiba (falo por suas recentes declarações). Acredito que no momento em que sentarmos para negociar dispostos a fazer algumas concessões, chegaremos a um acordo sobre este e outros temas delicados. Não será fácil (um divórcio também não é), mas pode acontecer. E acredito que este é o momento ideal para realizarmos isso. Se sentarmos e esperarmos que alguém eduque o povo palestino para a paz, enquanto eles tiverem que passar por check points cinco vezes por dia, certamente morreremos na mesma posição.

      Sou a favor de programas de diálogo, projetos conjuntos e etc. Acho que nós e os palestinos, os civis dos dois lados, poderiam ter mais contato um com o outro. Mas não podemos exigir deles que sejam como nós. Caso contrário, não estaríamos desejando a separação. Mas, como disse Rabin, eu não faço paz com meus amigos, e sim com meus inimigos. Não podemos escolher um inimigo bom, se fosse bom, não seria inimigo. E o mesmo se aplica do outro lado.

      Espero ter sido claro. Não somos obrigados a estar de acordo, faz parte da natureza judaica!

    • Alex Strum

      17/07/2014 at 18:20

      João, estamos sim de acordo, até o ponto que voce descreveu.
      O que está faltando é pensar um pouco como um jogador de xadrez (que não sou). Qual voce acha que será o próximo passo se o governo Israelense fizer as concessões que os Palestinos moderados querem.
      Voce não acha que é praticamente certo que os radicais vão se instalar ali e criar outras plataformas para lançamento de mísseis?? Se isto acontecer voce acha que o Abbas, moderado como é, terá meios para impedir?? E se não conseguir (o mais provável) o que Israel deverá fazer??
      Não defendo os assentamentos nem qualquer tipo de ação que não seja exclusivamente por segurança.
      Mas acho que quem é responsável pela segurança de um povo não pode ser ingenuo e colocar em risco a vida da sua população sem um mínimo de garantias.
      Por fim, confio muito na inteligencia do povo de Israel e por isto estou convencido que, apesar das diferenças políticas e ideológicas, a maioria vai apoiar devolução de territórios e outras concessões quando se convencer que existem bases reais para isto.
      Nós Judeus estamos fartos de termos que nos sacrificar. Reconheço que os Palestinos, até certo ponto, pagam parte deste preço. Se nos aceitassem tudo seria mais fácil.
      Parabéns pelo espaço para um debate como este.

    • João K. Miragaya

      17/07/2014 at 19:46

      Olá Alex!

      A maioria já apoia a concessão dos territórios. Seria, obviamente, um processo longo até a total retirada de tropas israelenses. A ONU certamente participaria deste processo. Mas não cabe discutir isso agora, estamos muito distantes disso.

      Obrigado a você e volte sempre! É um prazer.

  • Eduardo Catap

    17/07/2014 at 02:40

    João,

    Excelente o teu texto. De uma franqueza e de uma assertividade como há muito eu não via. Embora eu concorde com muito do que você escreveu, queria saber qual a ação alternativa que você propõe . Eu me sinto péssimo cada vez que penso no mortos em Gaza. Ao mesmo tempo me sinto péssimo em pensar nos amigos que todos os dias precisam se esconder nos bunkers em Israel. Como ficar de braços cruzados enquanto mísseis são diariamente lançados contra Israel? Qual é dose proporcional de reação do IDF? Qual a alternativa? Um abraço e parabéns pelo texto.

    • João K. Miragaya

      17/07/2014 at 11:57

      Obrigado Eduardo.

      Eu tentei explicar nos comentários acima e abaixo. Não sou contra o contra-ataque, mas sim sou contra a operação. Eu acho que as operações trazem mais perigo para o povo israelense e resultam na morte certa de dezenas de palestinos. Mas reconheço que poderia não diminuir a tensão, não há como saber.

      Temos de ter consciência de que somos muito mais fortes, e qualquer iperação que resulte na morte de mais de 200 pessoas deveria ser descartada pelo exército e pelo governo. Assim eu penso.

  • Michel Shor

    17/07/2014 at 05:26

    É surpreendente como nós judeus conseguimos nos colocar no lugar do outro. Parabéns pelo texto, e pelas boas intenções de querer buscar uma solução sem violência ! (É um principio das nossas escrituras não matar ninguém atoa)
    Mas infelizmente o problema é muito mais profundo do que somente fortalecer os moderados.

    Eu nunca estive em Gaza mas me permita refletir um pouco:
    Se existem palestinos que são oposição ao Hamas pode-se ajuda-los sim, mas liberdade não é dada e sim conquistada, e ninguém mais pode fazer isso do que o próprio povo palestino. O mundo todo da dinheiro que provavelmente é desviado pra guerra, Israel da luz, agua e material de construção que é usado pra fazer túneis pra passar armas e etc…
    Inúmeras ditaduras no mundo foram derrubadas ate mesmo por maiorias que fizeram oposiçoes desarmadas (ate no Brasil, fora algumas guerrilhas, a população foi as ruas pedir por diretas) Por que isso não acontece em Gaza? É simples: Ou os moderados não passam de meia-duzia ou o Hamas passa o rodo nos opositores. Arrisco dizer, infelizmente, que são as duas coisas e ainda muito pior o Hamas EDUCA PARA GUERRA !
    Infelizemente ou Israel fica tomando missel ate que surjam líderes palestinos capazes de ser mais fortes que o Hamas e fazer a paz ou vamos nós mesmos fazer esse serviço! Por isso o ataque de Israel é valido, E ainda devia tomar a fronteira Gaza – Egito pra impedir contrabando de armas! E enquanto os palestinos não resolverem este problema interno do Hamas, se Israel devolver west bank vão atirar mais bombas vindas de la.
    No fundo o que melhor se pode fazer é mesmo rezar para que não morram inocentes em nenhum dos lados e o povo palestino tenha luz suficiente pra pensar no outro assim como vc teve! E que todas as discussões e opiniões não desunam Am Israel mas sim mantenhamos unidos pra um dia termos a paz não so em Israel mas mundial com a vinda de Mashiach em breve!

    • João K. Miragaya

      17/07/2014 at 11:50

      Obrigado pelos elogios e pelos comentário, Michel.

      Eu adiciono um terceiro fator aos que você citou: as ditaduras mais crueis angariam apoio popular ao encontrar um inimigo. Posso citar inúmeros exemplos disso. As guerras contra outro povo ou outra nação em geral conseguem unir grande parte dos grupos antagônicos. Cabe a Israel comportar-se como aliado do povo palestino, e não dar razões para o Hamas utilizar este argumento.

  • Mauricio Abreu de Toledo

    17/07/2014 at 08:50

    João
    Parabéns pelo seu texto, pela sua clareza, por sua postura e ponderação nas respostas. Muito fôlego e paciência também.
    Abraço

  • Ludmila Rosa

    17/07/2014 at 22:10

    Caro João, parabéns pelo seu artigo.
    Desde que essa guerra recomeçou (se é que ela algum dia parou) não tinha lido ainda nenhum artigo tão lúcido. O que mais leio e ouço são opiniões apaixonadas (mesmo que revestidas de estatísticas, dados históricos, etc), defensores de um lado ou do outro – ou seja – legitimando A GUERRA.
    É curioso perceber que sempre que alguém propõe uma análise ponderada de conflitos – sejam eles quais forem – sempre aparece o mesmo argumento – isso é utópico. Então a paz é utopia? A humanidade está fadada à matança?
    Eu acredito veementemente que é possível sermos verdadeiramente pacíficos. A paz é um processo. Dá trabalho. Exige paciência, disciplina e dedicação. Exige uma prática muito poderosa, o exercício do desapego. Desapego das velhas formas de pensar e agir. Exige que sejamos menos reativos.
    Obrigada!
    Abs!

    • João K. Miragaya

      18/07/2014 at 21:56

      Obrigado Ludmila. Etou 100% de acordo contigo.

    • Alex Strum

      18/07/2014 at 23:35

      Creio que qualquer pessoa de boa fé concorda e está de acordo com este princípio.
      Creio tambem que ninguem discorda de iniciativas que fortaleçam moderados que lutam pela paz
      Mas como diz a própria Ludmila, a paz é um processo e portanto leva tempo para ser alcançada.
      Resta saber quem está disposto a expor seus filhos ao sacrifício até que a paz se materialize.
      Na minha opinião, sem esta resposta é apenas uma manifestação de bons princípios.

  • Almeida

    20/07/2014 at 08:21

    E vamos fazer o que João ?
    Ficar de braços cruzados enquanto eles jogam misseis e foguetes ?
    Queremos a paz,mas a melhor defesa é o ataque.

    • João K. Miragaya

      20/07/2014 at 09:20

      Olá Almeida.

      Creio que tentei explicar minha posição no artigo e nos comentários. Recomendo a leitura, se tiveres paciência.

      Boa semana.

  • Almeida

    20/07/2014 at 18:15

    Só li o artigo,mais de 80 comentarios até agora não tive paciencia,hehehe
    Shavua Tov – sem sirenes e sem ter que correr para abrigos

  • Luiz Eduardo

    21/07/2014 at 03:36

    Gostei muito dos comentários, mas se Israel não agisse ou abaixar as armas, Israel seria riscado do mapa. Já foi ditos, pelo hamas, jirad islâmica, etc…Abbas, o falecido Yasser Arafat que o intuito é destruir Israel e não outro objetivo. Quero qualquer país, sofrer o que Israel tem sofrido e ficado quieto. Quero ver a Russia de Putin, receber mais de 900 misseis em seu país e partir para diplomacia…duvido ! Quero ver se os EUA, recebesse isso também e fosse para diplomacia…). Todos esquecem que Israel, abre mão do fator surpresa e avisa onde vai atacar, só que os terroristas faz dos civis escudos humanos, guardam armas em casa de civis e por aí vai. As força aérea Israelense tem abortado várias missões por verem civis em telhados, colocados pelo hamas. Existem vários vídeos na Internet. Outra coisa quem coloca fotos nas redes sociais do genocídio da Siria, dizendo que é dos civis mortos em Gaza, pode manipular muito bem todo o tipo de informação para direcionar a opinião pública. pelo que li, parece que Israel deveria ficar se defendendo até acabar as suas defesas (os misseis do Domo de ferro), deixar que o hamas atingisse Tel-Aviv e outras cidades…é isso que voces estão dizendo ? Utopia é querer paz entre o hamas e Israel ! Nada que Israel faça vai mudar isso ! O que eles querem é mostrar ao mundo que Israel é problema…mas como pode ser problemas, o único pais democrata e laico do Oriente Médio, que mostra ao mundo que podemos viver em paz com todas as religiões. Como podem se problema ? Israel é um exemplo para todos os países desta região. Israel é a solução ! Mas para quem já teve mais de 6 milhões de mortos no Holocausto, levadas pelo preconceito e ódio do nazismo, não quer ver mais seu povo morrer. Mas sou contra a perda de vidas, para isso basta o hamas aceitar o acordo de paz…mas ele não quer perder o controle de gaza e aí fica difícil. Se hamas baixar as armas haverá paz, mas se Israel baixar as armas é exterminado. Pensem, entretando respeito a opinião de todos e aprendi muito lendo, mas também tenho a minha. Fui !

  • ANA CARLA FREIRE

    25/07/2014 at 20:54

    Obrigada por tão sensata reflexão.

  • Ana Laura

    26/07/2014 at 01:36

    João, obrigado pelo texto e comentários nas diversas publicações! Excelentes!!

Você é humano? *