ESPECIAL ELEIÇÕES 2015 – Os banners dos partidos

27/02/2015 | Eleições, Política.

Assim como no Brasil, no período que antecede as eleições em Israel encontramos um grande número de banners e cartazes dos diferentes partidos e dos diferentes postulantes ao cargo de Primeiro-Ministro. A grande diferença está no fato de que aqui em Israel a quantidade de “santinhos” é infinitamente inferior a do Brasil. As ruas não ficam inundadas de papeis e é possível caminhar com tranquilidade sem tropeçar nos panfletos.

Por outro lado, o nível das provocações e das ironias dos cartazes em Israel é bastante superior ao que acontece no Brasil, demonstrando muitas vezes com exagero o caráter democrático das eleições.

Separamos alguns dos melhores banners. Confiram:

Meretz

O Meretz iniciou sua campanha com o slogan “Virada com o Meretz” (מהפך עם מרצ). O título é uma alusão à alternância de poder (de direita para esquerda e vice-versa) em Israel, chamada “virada”. O Meretz pleiteia estar no próximo governo, caso a União Sionista o encabece. Porém, ao perceber que a união entre Tzipi Livni e os trabalhistas lhes roubavam votos, o partido passou a atacá-los. O discurso é o do medo: como nem Herzog nem Livni eliminaram a possibilidade de um governo de união com o Likud, o Meretz tenta trazer de volta os eleitores de esquerda. Veja os dois banners abaixo.

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“Esta semana ele se comportou como Bibi. Amanhã ele também sentará com Bibi. Esquerda é o Meretz”. (Meretz referindo-se à Herzog)
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“Eles já estão se falando. Esquerda é o Meretz.”

O Meretz também tenta trazer ao seu lado os eleitores que cobram do país a expansão dos direitos civis. O partido é o único que apoia medidas como a instituição do casamento civil (e também o homossexual), o transporte público no sábado (shabat), ou quotas para mulheres em serviços públicos. Veja a propaganda abaixo.

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“Virada para o casamento civil para todos com Meretz”

Uma característica interessante do Meretz é a total ausência da líder do partido, Zehava Galon, nas fotos da campanha. O partido alega que seus eleitores não votam em uma pessoa, mas sim em uma lista, homogênea, com uma forte ideologia, e não precisa de personalidades para demonstrar sua força.

 

Likud

O Likud novamente baseia sua campanha na figura de Benjamin Netanyahu. Desta vez, no entanto, o partido está atuando de forma bem mais agressiva, e já escolheu seu adversário: a União Sionista, composta pelos trabalhistas e por Tzipi Livni. O partido sustenta a sua propaganda no resultado das pesquisas, que mostram que a maioria da população, embora insatisfeita, acredita que Netanyahu é o mais preparado para ser Primeiro-Ministro do país hoje.

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“Somos nós ou eles. Apenas Likud. Apenas Netanyahu.”
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“No momento da verdade, Netanyahu”

 O conflito volta à tona sempre, e se manifesta através de associações entre a esquerda e a Autoridade Palestina, o Hamas, o Isis ou o Irã.

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“Abu Mazen aos parlamentares árabes: A Lista Árabe deve concorrer de forma unificada. Indiquem Herzog para Primeiro-Ministro” – “Somos nós ou eles. Somente Likud. Somente Netanyahu”

 

União Sionista

A União Sionista utiliza exatamente a mesma estratégia de Netanyahu (e às vezes o mesmo slogan), mas ao contrário. Tanto as fotos da dupla Herzog-Livni quanto seus nomes estão sempre presentes na propaganda, pois o partido deseja que o público se acostume com a ideia de que eles poderão chefiar o Estado. A propaganda baseia-se em ataques a Netanyahu, sobretudo à sua política econômico-social, bastante impopular.

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“Ele luta pelo próprio assento. Nós lutamos por você. União Sionista liderada por Herzog e Livni”
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“Terrenos gratis para sua casa própria ou ele? Mais uma pessoa para cuidar das crianças no jardim de infância ou ele? Nenhum idoso pobre daqui um ano ou ele?”

 

Não só a política econômica é alvo dos ataques de Herzog e Livni. Há fortes críticas à instabilidade em relação à segurança dos cidadãos israelenses, sobretudo após a Operação Margem de Proteção. A União Sionista ataca Netanyahu onde ele se julga mais forte: a segurança.

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“15 anos de mísseis nos arredores de Gaza, e ele é forte apenas nas palavras” “Uma a cada três crianças em Israel tem fome, e ele pagou 20 mil shekels em um café da manhã” “Só um otário vota em Netanyahu”

 

Yesh Atid

O Yesh Atid em 2015 apresenta menos o rosto de Yair Lapid do que em 2013, visto que o ex-ministro das Finanças é bem menos popular do que antes. Seu nome, no entanto, é onipresente nas propagandas do partido. Muito criticado por não ter concretizado suas promessas de campanha, Lapid utiliza duas estratégias: a primeira é mostrar o que fez, especialmente suas medidas mais populares.

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“Lapid aumentou as pensões dos sobreviventes do Holocausto, agora eu posso viver como um ser humano. Adicionamos 1 bilhão de shekels para os sobreviventes do Holocausto”
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“Pagamos menos pela energia elétrica. Lutamos para não subir os impostos do gás e da água. A partir de agora, o preço da eletricidade baixará em 10%. Lutamos pelo país”

O Yesh Atid também decidiu sair do armário e apoiar abertamente a causa dos direitos para os homossexuais. Esta propaganda visa recuperar parte dos votos perdidos após uma declaração do rabino Shai Piron, número 2 do partido e ex-ministro da Educação, que disse que um casal gay com filhos não é uma família.

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Orgulhosos (gays) pelos nossos feitos

 

Shas

O Shas de Aryie Deri faz a mesma propaganda de sempre: diz que ajudará aos pobres, os excluídos, os subalternos na sociedade israelense. O partido se refere aos judeus mizrachim (judeus orientais, oriúndos principalmente do norte da África e de países árabes), que não ocupam o mesmo degrau que os ashkenazim (judeus europeus) na escala social. O partido acusa os outros de se fantasiarem de Shas, pois devido ao aumento no custo de vida, hoje todos baseiam suas campanhas no mesmo que o Shas sempre baseou. O partido usa o slogan “A revolução está de volta” em função dos seus últimos dois anos na oposição.

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“De repente, todos são Shas. A revolução está de volta”

O Shas ataca os partidos Kulanu e Yesh Atid por preocuparem-se com a classe média e esquecerem-se os invisíveis das classes mais baixas.

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“Se vocês são da classe média… Não apertem “
"Vocês não são transparentes. A revolução está de volta"
“Vocês não são transparentes. A revolução está de volta”

 

Israel Beiteynu (Israel Nossa Casa)

O partido de Avigdor Lieberman, envolvido até o último fio de cabelo em um grande escândalo de corrupção, se enfraqueceu muito nos últimos meses segundo as pesquisas. A estratégia do Israel Beiteynu é voltar a falar do conflito, e propor um plano de intercâmbio de populações e territórios. Analistas afirmam que Lieberman quer desviar a atenção dos eleitores sobre a corrupção, usando o conflito como arma.

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“Uhm El-Fahm para a Palestina. Ariel para Israel. Na real, Liberman”

 

Kulanu

O novo partido destas eleições, criado por Moshe Kahlon (ex-Likud), visa ocupar o espaço deixado por Likud, Shas e Yesh Atid. Entre os primeiros, tentando angariar os votos dos eleitores mizrachim que estão decepcionados com a má situação econômica do país. Em relação ao partido de Lapid, o objetivo é atrair os eleitores de classe média que não estão satisfeitos com as promessas não cumpridas pelo Yesh Atid.

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“Kahlon barateará o preço da cesta básica em 15%. Kahlon, mais dinheiro no bolso”
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“Todos somos Kachlon”

 

HaBait HaYehudi (A Casa Judaica)

O partido de Naftali Bennett tenta, nestas eleições, atrair os eleitores que se posicionam à direita do mapa político em relação ao conflito. A Casa Judaica, que abertamente se posiciona contra a criação de um Estado palestino, lançou a campanha “Basta de pedir desculpas, amamos Israel”. O objetivo é aumentar a auto-estima dos eleitores em meio a uma crise diplomática com os EUA e com a Europa, e resgatar uma moral sionista existente desde seus primeiros dias, desejosa de terminar com o judeu-vítima.

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“Paramos de nos desculpar”
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“Desculpe, paramos de nos desculpar. Nos unimos à Bait HaYehudi”

 

Yachad Ha’am Itanu

O novo partido criado por Eli Yshai (ex-Shas) tem em sua mira os judeus mizrachim de direita, que de alguma forma estão descontentes com os partidos que mais recebem seus votos: Likud e Shas. A concorrência é grande, visto que tanto os eleitores de direita quanto os religiosos têm muitas opções, e muitos candidatos estão explorando este eleitorado.

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“Direita com Tora”

 

Yahadut HaTora (Judaísmo da Tora)

O partido é um dos mais homogêneos em relação aos seus eleitores, quase não há não ortodoxos que votam no Yahadut HaTora. E a propaganda do partido, que mescla hassídicos com lituanos, é direta ao ponto: sequer tenta atrair eleitores seculares ou sionistas-religiosos.

"Somos todos ultra-ortodoxos
“Todos tememos [somos ultra-ortodoxos] pelo [futuro do] mundo da Tora”

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Esperamos que os banners que traduzimos neste post tenham ajudado a esclarecer como é a campanha política em Israel. Se você gostou deste artigo, nos ajude compartilhando.

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