Estado palestino, prioridade sionista

20/01/2013 | Conflito; Política

Paremos de falar sobre paz. Falemos sobre o fim da ocupação.

A ocupação dos territórios já passa de 45 anos. Mais do que um punhado de terras, ocupamos a vida de quase quatro milhões de palestinos há quatro décadas e meia.

Na Guerra dos Seis Dias, que ocupa no imaginário nostálgico nacionalista israelense o lugar do qual a Copa do Mundo de 1970 dispõe na memória coletiva brasileira, o pequeno Estado de Israel triplicou sua área. Das mãos egípcias, tomamos a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, consideradas duas entidades distintas para ambos os lados. O Sinai, desocupamos e devolvemos aos nossos vizinhos na virada das décadas de 1970 para 1980. Gaza, recusada pelos egípcios por sua população palestina, desocupamos em 2005, ainda que não a tenhamos devolvido a ninguém especificamente. O Golã, sob domínio sírio anteriormente, anexamos e à sua população concedemos status de residentes permanentes com direito à cidadania, caso queiram. O mesmo foi feito com Jerusalém Oriental: o antigo município jordaniano e uma série de vilarejos à sua volta, foram anexados à Jerusalém israelense. Os palestinos que ali viviam ganharam a “residência” e o direito à cidadania, ainda que poucos a tenham solicitado.

De certa maneira, Israel teve a coragem de tomar decisões difíceis quanto a quatro dos cincos “espólios” da guerra. Ainda que Jerusalém Oriental e as Colinas do Golã não tenham a soberania israelense reconhecida internacionalmente, o país estabeleceu sua posição através de legislação. A Cisjordânia não teve a mesma sorte. Se, de início, o estabelecimento de população israelense era comum aos cinco “territórios”, a indefinição legal sobre o Sinai e Gaza levou ao desmantelamento de suas respectivas colônias. No Golã e em Jerusalém Oriental, ao menos, a presença judaica se justifica através do reconhecimento de que se trata de territórios israelenses – mesmo que de uma flexibilização destas posições dependam acordos futuros. A Cisjordânia não goza de status tão claro. Construímos colônias em um territórios que nem admitimos fazer parte do país. Embriagamo-nos a ponto de que, hoje, vivem cerca de 350 mil israelenses em territórios palestinos. E esse número sequer inclui os novos bairros de Jerusalém Oriental.

A ocupação se dá através da mescla entre assentamentos israelenses e palestinos, de forma a inviabilizar uma indolor re-divisão da terra. Mais do que a simples (se é que pode-se chama-la da “simples”) colonização de terra estrangeira, a ocupação é um vírus que está matando o sionismo por dentro. É tolo todo aquele que não quer entender que, acima de educação, saúde, estabilização da inflação ou cuidados com os idosos, a criação do Estado palestino é a prioridade mais urgente do Estado de Israel na atualidade. E isso afeta qualquer aspecto a ser analisado:

Consciência moral: Não faz parte de nenhum valor judaico a opressão de um povo inteiro. Mesmo que os cerca de 1,5 milhão de habitantes de Gaza não estejam sob ocupação militar israelense, o bloqueio terrestre, naval e aéreo limita sua real independência e os soma aos 2,5 milhões na Cisjordânia, cujos destinos afetamos diariamente. Não há mecanismo de dissimulação capaz de encontrar justificativas para esse fato, nem para o mal que ele exerce sobre o próprio caráter da população israelense. 

Relações Internacionais: Cada passo que tomamos para nos distanciar da solução de “dois Estados para dois povos” é um passo em direção ao isolamento internacional. Se antes de 1967, éramos vistos como um país heroico, de existência quase-milagrosa diante das dificuldades econômicas e militares impostas por nossos vizinhos, hoje somos encarados como potência ocupadora e repressora de quase 4 milhões de vítimas. Durante a maior parte da história do sionismo, enchemos o peito para afirmar que sempre estivemos do lado de uma solução que dividisse a terra entre os dois povos mas nossos vizinhos árabes e palestinos sempre a recusaram. Desde novembro último, como brilhantemente explica meu amigo Michel Gherman em seu blog, oficialmente optamos por trocar de papéis.

Israel deve se apressar em retornar às negociações se tem interesse que estas sejam feitas sob os seus termos, por exemplo: apresentar-se disposta a negociar uma divisão de Jerusalém Oriental nos levará a um acerto muitos mais benéfico do que ignorar que haja uma questão a ser definida e, futuramente, caia sobre nossas cabeças um modelo consensual internacional, segundo o qual poderemos perder o livre acesso que temos a áreas além das fronteiras de 1949-1967, como o Muro das Lamentações e a Universidade Hebraica. O mundo desistirá em breve de sua insistência na criação do Estado palestino e passará a exigir que tenhamos a dignidade de assumir que anexamos a Cisjordânia. Se isso acontecer, por mais que muitos finjam ser possível outro caminho, nos será imposto o dilema entre conceder cidadania aos palestinos ou viver em um Estado de apartheid. Em ambos os casos – ainda que no segundo isso possa levar alguns anos – daremos adeus ao sonho do Estado Judeu. Qualquer governo que se recuse a admitir este simples fato não é um governo sionista de verdade

Economia: No mundo globalizado em que vivemos, os países organizam-se em blocos regionais para enfrentar a concorrência econômica internacional. Apenas um acordo definitivo com os palestinos nos permitirá o reconhecimento mútuo e completo com nossos vizinhos e nossa inserção no crescente mercado consumidor do Oriente Médio. Poderíamos sonhar, inclusive, com um mercado comum, que derrubasse barreiras alfandegárias e nos permitisse aproveitar o crescimento econômico dos países petrolíferos do Golfo Pérsico. A paz duradoura representaria também uma redução no custo de vida, através da compra de mercadorias que nossos vizinhos podem nos oferecer a preços inferiores aos que pagamos atualmente a exportadores mais distantes. Inclusive água e petróleo. Laços comerciais gerariam uma interdependência bastante saudável para a criação da consciência de que partilhamos de um futuro comum. Contribuiriam para a criação de laços pessoais.

Turismo: Ainda no âmbito dos ganhos financeiros, a indústria do turismo poderia passar por uma revolução. Milhões de cidadãos dos países árabes poderiam se livrar dos tabus sociais e visitar Israel. O velho hábito de conhecer diversos países em uma única viagem poderia também ser aplicado à nossa região, que se livraria dos boicotes a determinados passaportes, carimbos e vistos. O cidadão israelense também usufruiria, logicamente, de uma série de destinos a nossa volta, onde poderia desfrutar de férias sem ter que encarar vôos mais longos. Sem mencionar o fato de que o vôos de Israel para diversas partes do mundo seriam encurtados (em até 90 minutos), se os países árabes e muçulmanos à nossa volta concedessem às aeronaves israelenses autorização para sobrevoar seus espaços aéreos.

Trabalhadores estrangeiros: Assunto na moda entre a direita racista, o crescimento do número de trabalhadores africanos presentes no mercado de trabalho israelense poderia ser facilmente revertido à situação anterior, em que as fronteiras eram abertas para os palestinos que queriam vir trabalhar em Israel. Morando aqui do lado, os trabalhadores palestinos não precisariam mudar-se para Israel e ainda contribuiríamos para a redução da alta taxa de desemprego nos territórios. Poderíamos seguir acolhendo refugiados das guerras civis locais, mas sem a necessidade de atração proposital de uma mão-de-obra que já foi europeia-oriental e hoje é asiática e africana.

Orçamento e investimento: O fim da ocupação representaria o fim imediato de todo um custoso aparato militar dentro dos territórios. Posteriormente, a normalização das relações entre Israel e os demais países da região poderia contribuir para mais cortes no orçamento da defesa. Um país cheio de desigualdades sociais (as maiores do mundo desenvolvido) não pode seguir gastando mais de 6% de seu Produto Interno Bruto (PIB) – e 16% de todos os gastos governamentais – no orçamento de defesa. Adicionalmente, cada centavo gasto em infraestrutura nos territórios é um centavo investido em terras que, provavelmente não ficarão sob autoridade israelense em um acordo futuro e, consequentemente, é um centavo a menos investido no futuro de Israel. Todo esse dinheiro, tanto do orçamento militar quanto dos investimentos em infraestrutura nos territórios, poderia estar sendo gasto dentro de Israel, não apenas em infraestrutura – ainda que esta também seja uma necessidade – mas também em saúde, serviços para a população e educação de nossa próxima geração, além de poder ser parcialmente revertido em cortes nos impostos que pressionam nossa cada vez mais empobrecida classe média.

Estes são apenas alguns exemplos de como usufruiríamos do estabelecimento de um Estado palestino independente, ao nosso lado. Sequer falamos de assuntos menos urgentes, como intercâmbios culturais e esportivos, ou da maior boa vontade que o resto do mundo teria para conosco em termos de comércio e cooperação. Tampouco pode ser ignorada a triste realidade da juventude israelense, automaticamente convocada ao serviço militar após o Ensino Médio. Dezenas de milhares de rapazes e moças que anualmente interrompem suas vidas por, respectivamente, três e dois anos e submetem-se a uma experiência que sem dúvida molda sua personalidade. São incontáveis as áreas a serem beneficiadas por um acerto definitivo com os palestinos, e a consequente estabilidade regional que ele nos traria. A normalização da vida em Israel só ocorrerá com o fim da ocupação, que deveria ser a nossa prioridade nacional.

Naturalmente, não venho exigir de ninguém um comportamento ingênuo. O Estado deve seguir capaz de defender-se, e muito bem. Mas parte deste esforço de defesa também passa por não criar razões de inimizade regionais. Como afirmei no início, não devemos almejar a paz a curto prazo, mas sim o fim da ocupação, dos desafios morais que ela nos impõe e do mal que nos causa. São inúmeros os casos de povos vizinhos que, por séculos, muitos mais tempo do que o conflito aqui já dura, se odiaram e se enfrentaram. Mas suas lideranças foram corajosas o suficiente para emergir em meio ao ódio e à desconfiança e estabelecer acordos. A paz, que só é verdadeira se entre os povos, vem com o tempo, após algumas gerações. Devemos desocupar a Cisjordânia por que os palestinos e os judeus merecem ser um povo livre em sua terra e atualmente não o somos. Ambos os povos somos reféns da ocupação.

Só não enxerga quem não quer.

Fonte dos dados sobre o orçamento e os gastos militares:

http://www.tradingeconomics.com/israel/military-expenditure-percent-of-gdp-wb-data.html

Foto de destaque:

http://media.cmgdigital.com/shared/lt/lt_cache/thumbnail/960/img/photos/2013/01/07/39/1a/e0abf0d98e764041bcd222c21cbc83cf-27dd86811c9e429aabfa45fda9011577-0.jpg

Comentários    ( 56 )

56 comentários para “Estado palestino, prioridade sionista”

  • Marcelo Treistman

    20/01/2013 at 14:15

    Claudio,

    Eu sou otimista com relação a Israel.

    Apesar de termos enfrentado a possibilidade real de desaparecer em todas as guerras travadas com os nossos vizinhos, e enfrentar o terror dentro de nossos supermercados e pontos de ônibus, acho que a nossa sociedade conseguiu ancorar valores profundamente democráticos e que dificilmente serão retirados. Pelo menos não através de leis, que certamente serão consideradas “inconstitucionais” pela Suprema Corte israelense.

    Temos falhas? Aos montes… A maior parte de nossas falhas nascem justamente de perguntas que nenhum país democrático no mundo é obrigado a responder de forma tão constante. Exemplos existem em quantidade:

    1- a tortura em presos é válida para se obter informação que proteja cidadãos israelenses contra o terror? Há mecanismos morais que possam justificar esse ato?

    2 – Como justificar moralmente assassinatos perpetrados pelo exército,e denominado “seletivos”, sem que o “alvo” tenha sofrido o devido processo legal ?

    3 – Como negar que a construção de um muro (cerca) de separação coibiu os atentados terroristas dentro de nosso território. Esta separação é válida? Podemos justificá-la moralmente?

    A resposta para todas as perguntas passará pelo ponto central de que lutamos contra organizações terroristas que jamais esconderam o desejo de aniquilar Israel. Como lutar “democraticamente” contra aqueles que não respeitam a democracia? Até o momento, acho que estamos nos saindo muito bem…

    Eu sou pessimista com relação aos palestinos.

    O discurso teocrático tomou forma na Faixa de Gaza, bem como em todos os lugares em que a Irmandade Muçulmana assumiu posições de destaque no governo. Todas as suas (Claudio) propostas de relações comerciais e culturais só poderão ocorrer com uma mudança de postura dentro deste povo.

    Não tenho como não apontar a você que as 53 nações islâmicas representam hoje a maior força anti-democrática do mundo. Eles têm muito o que aprender com o mundo ocidental. Por ora, nós lhe oferecemos um futuro de possibilidades e um brinde a vida. Eles precisam parar de retribuir com uma sociedade medieval e elogios a morte.

    Fazer com que o Islã se torne uma civilização democrática vai requerer mudanças profundas na sua interpretação. Exigirá a aniquilação da lei que prevê regras autocráticas e a sujeição à submissão, que enfatiza a vontade de Deus acima da soberania do povo e encoraja a ampliação de suas fronteiras e o extermínio de infiéis atavés da violenta “jihad”. Mais do que isso, privilegia de forma não democrática os muçulmanos sobre os não-muçulmanos, os homens sobre as mulheres e os indivíduos livres sobre os escravos.

    Tudo o que os terroristas do Hamas querem é evidenciar uma suposta equivalência moral entre a democracia israelense e sua estupidez fundamentalista. Basta ler os estatutos do grupo para saber que há uma diferença enorme entre eles e o grupo que controla a Cisjordânia.

    Como você deixa claro no artigo, Israel precisa voltar a se empenhar num plano de paz para valer com o Abbas. E tomar a dianteira nesse processo. Isso vai aplacar a sede de seus inimigos? Pouco importa! Fazê-lo não implica se descuidar das medidas de segurança. Nem israelenses nem palestinos vão sair de onde estão. Têm e terão de conviver. E pessoas precisam parar de morrer por isso, eternidade afora.

    Mas o medo de que o Hamas possa vir a controlar a cisjordânia como o fez em Gaza reduz de forma significativa a força daqueles que defendem a criação de um Estado Palestino lado a lado com Israel.

    Isto, porque existe uma diferença clara entre o governo de Israel e o do Hamas. O governo israelense se impõe pelo voto. E os inimigos de Israel se impõem pelo terror, inclusive contra o seu próprio povo. Por isso o mundo espera maior racionalidade, o que não de vese confundir com fraqueza, de quem vem legitimado pela superioridade democrática.

    Portanto Claudio, o que eu quero mesmo te dizer é que eu sou otimista com relação a Israel, pela sociedade de respeito a lei que criamos e pessimista com relação aos palestinos no que tange a criação de um Estado respeitador de valores democráticos.

    No seu texto – apesar de concordar com a maior parte dos seus pontos, percebo que você tem o sentimento ao contrário: É pessimista com relação a Israel e otimista com relação aos palestinos.

    A minha pergunta é: Por que?

    • João Koatz Miragaya

      20/01/2013 at 14:47

      Marcelo,

      Não posso responder pelo Claudio, mas por mim, sim.

      Eu tenho as minhas respostas para os dilemas morais apresentados por você aqui, e na minha opinião Israel não está se saindo muito bem. Se os britânicos matassem civis judeus quando iam atrás do Lechi e do Etzel nos anos 1940, nós certamente os acusaríamos de assassinos e usaríamos termos como massacre, chacina e genocídio. Nós sequer definimos as ações deles como terrorismo, o que soa bem incoerente.

      O Hamas é pior? Muito! Mas o nosso parâmetro não pode ser o Hamas. Se queremos corrigir as nossas falhas, a comparação não deve ser com Egito, Síria, Hamas ou Irã, mas sim com os países mais democráticos do mundo.

      Eu não sou nem um pouco otimista em relação aos palestinos, mas Israel me mostra que eu tampouco posso ser otimista em relação a nós mesmos. Em uma (duvidosa) pesquisa do Israel HaYom, mais de 60% dos israelenses não vêem o Abbas como um partner, e nosso primeiro ministro não para de construir do outro lado da linha verde. Por que eu seria otimista do lado de cá?

      Do lado de lá a coisa também está feia. Eu não vivo de “se”. Se o Hamas vencer as eleições (como pode acontecer), veremos no que vai dar. Mas o Hamas surgiu em 1987, comemorando os 20 anos de ocupação e falta de perspectiva do povo palestino. Movimentos radicais não se criam à toa. O Etzel e o Lechi não existem hoje, e ninguém quer refundá-los. Há de se assumir parte da culpa na criação do monstro. E já vimos que este monstro é bem resistente para ser derrubado por tiros, é preciso inteligência.

      Temos que parar de botar a culpa no Hamas, pois ela é nossa, também. O governo que enfraquece o Abbas dá força para os radicais, isto é bem óbvio. Nós temos responsabilidade nisso, mas também temos a chance de reverter a situação. Depende de nós.

    • Claudio Daylac

      20/01/2013 at 17:21

      João,

      Apenas complementando minhas idéias no artigo e nos comentários: acho que a culpa é todos nós!

      E Israel precisa se livrar dessa situação, desocupar e poder olhar no olho do Estado palestino e exigir que este se comporte!

      Mas, se queremos exigir dos palestinos que se comportem como gente grande, devemos permitir que sejam gente grande. E, entre as nações, “ser gente grande” significa ter seu Estado!

      Um abraço.

    • Claudio Daylac

      20/01/2013 at 16:43

      Marcelo,

      Como você mesmo disse, concordamos quanto a quase tudo o que escrevi.

      No que diz respeito ao pessimismo, te digo que não era minha intenção transparecer esse sentimento. Por mais que esteja preocupado, vejo uma luz no fim do túnel quando leio pesquisas eleitorais que apontam um empate técnico entre os blocos de direita e esquerda, só sendo desempatado pelo recente alinhamento dos ortodoxos à direita.

      Concordo contigo que as bases democráticas de Israel são fortes e que mais da metade da população judaica (inclusive setores da direita) as respeita e apoia. E também concordo que a situação nos territórios, e nos mundo árabe e islâmico em geral, caminha alarmantemente em direção ao fundamentalismo.

      Minha opinião não orbita em torno do pessimismo, e sim da urgência: precisamos nos livrar dessa bomba relógio! Se o Estado palestino se mostrar a hostil a Israel, que nos defendamos!

      Torci muito pra que a “primavera” tivesse outro desdobramento no Egito, mas me conformo que o povo tenha optado pela Irmandade Muçulmana. Não lamento pelo governo Mubarak, ainda que este fosse favorável a Israel. E tenho a mesma postura quanto aos palestinos. Desocupemos, lavemos nossas mãos e, se assim eles quiserem, nos defendamos! E tenho certeza que nos sairemos melhor.

      Voltando às eleições de depois de amanhã, eu esboço um governo mais direitista, mais extremista do que o que temos agora, mas também vislumbro um parlamento mais à esquerda. A lista trabalhista está mais à esquerda do que jamais esteve nas últimas décadas, bem mais à esquerda que sua líder diz estar. E os partidos que brigam pelo espólio do Kadima (Yesh Atid e haTnuá) são mais centristas que o próprio Kadima jamais foi.

      Este cenário me leva a crer que um governo extremista terá vida curta e que, nas eleições para a vigésima Knesset, teremos um resultado mais razoável.

      Esse papel de vilão eterno não nos cabe. Não combina com milênios de tradição judaica de diálogo e flexibilidade.

      Um abraço.

  • Ilan Cuperstein

    20/01/2013 at 15:43

    Cláudio,

    Parabéns pelo primeiro artigo, excelente! É bem claro que a ocupação é um câncer na sociedade israelense. Não uso este termo de forma leviana não, sei que ele é e já foi usado para descrever políticas racistas e anti-semitas, mas a metáfora neste caso se sustenta. A ocupação destrói a ideologia sionista de dentro para fora, de modo que nos colocamos na posição inversa de tudo que sempre buscamos e achamos as explicações mais estapafúrdias para justificar esta inversão.

    No entanto, o que eu vejo é que Israel não pode mais usar o argumento do braço estendido e da ausência de um parceiro. A liderança Abbas-Fayyad é a mais moderada que já existiu e que, acredito eu, vai existir por bastante tempo. A hora é de fortalecer a OLP através de políticas que aumentem o seu poder de barganha diante do povo palestino, começando, de forma bem simples, com o congelamento de qualquer construção dentro dos territórios ocupados. A partir daí, começaríamos a ver um diálogo e um processo de fato.

    Agora, quanto à “paz quente” que você menciona que poderia existir, não vejo muita chance disso acontecer não, apesar de também torcer para isso. O modelo de paz entre Israel e Jordânia e Israel e o Egito é baseado em uma “paz fria”, que obviamente poderia ser mais forte, mas que já é suficiente para que tenhamos estabilidade e a ausência de conflito com dois dos nossos mais importantes vizinhos. Acho que a paz com os palestinos, improvável como seja neste momento, seguiria este mesmo padrão.

    • Claudio Daylac

      20/01/2013 at 16:52

      Ilan,

      Obrigado pela visita e pelos elogios.

      No final das contas, independente do comportamento palestino, o fim da ocupação é nossa responsabilidade moral!

      Quanto à paz ser quente ou fria, não enxergo que existam apenas estas duas possibilidades. O nível de cooperação entre quaisquer dois países varia muito e o Egito e a Jordânia, até hoje, são bons parceiros na área de segurança. Você pode imaginar o quanto essa questão deve ser polêmica dentro de suas sociedades. Além de tudo, o Egito nos vende (ou tenta vender) óleo e gás através dos dutos que cortam o Sinai, em um bom exemplo da cooperação que menciono e são inúmeros os casos de laços comerciais entre Israel e países da região que, em teoria, ainda aderem oficialmente ao boicote que a Liga Árabe recomenda sobre a “entidade sionista”. Estas transações se dão através de países terceiros, ou empresas-laranja, e poderiam ser muito mais volumosas e vantajosas se não precisassem ser escondidas.

      De qualquer maneira, precisamos acordar a tempo!

      Um grande abraço!

  • Adi Eshed

    20/01/2013 at 18:54

    Claudio e amigos,
    Concordo com a manchete do artigo, acho que desocupar e prioridade, e concordo tb que o governo atual nao se dedicou a este tema.
    Acho que o ponto de vista apresentado pelo Claudio nao reconhece o que as decadas da presença israelense criou no povo, en termos de ligaçao a estas terras.
    Em 1967 o estado tinha 19 anos, neste periodo, passamos por grandes transformaçoes demograficas, economicas e outras, tentando concretizar a nossa presença no Oriente Medio. A guerra de 67 foi uma marca (naquela epoca), da nossa força, ou em outras palavras- ninguem vai tirar a gente d`aqui. Entre nos, ate hoje- muitos acreditam que as fronteiras nao foram marcadas, e que 1948 e uma etapa, da mesma maneira que o outo lado ve. Relembrando que Jerusalem nao era para ser parte do estado Palestino pelo plano da partilha- e tem que excluir ela do contexto geral dos territorios ocupados.
    Outro fator importante, sao os refugiados palestinos da guerra de 1948, que como foi declarado- querem voltar para suas casas e propriedades em cidades israelenses.
    Turismo vizinho em massa- e o que Israel nao procura, basta ver as dificuldades que criamos para turistas Egipcios e Jordaneanos quando pedem visto. Para mudar isso, teria que transformar a regiao toda em anjos da paz, enfim- situacao e mais complexa. A importancia da desocupacao, e para tomar conta melhor da nossa pequena Terrinha, o sonho do Shimon Peres de um “Oriente Medio pascifico” vai ter que esperar, e nao so por causa da nossa politica.

    • Claudio Daylac

      20/01/2013 at 19:39

      Olá, Adi.

      Obrigado pela sua visita e pelo comentário.

      Acho que você está certo quando diz que as décadas de ocupação mudaram o povo israelense. E por isso não digo que modificar esta situação seja fácil.

      Também concordo que o cenário de um Oriente Médio de maior cooperação demorará a chegar, mas se não nos esforçarmos, demorará ainda mais. A Europa demorou séculos até chegar em sua situação atual, mas chegou. Não precisamos ter pressa, mas não podemos desistir!

      Quanto a temas mais delicados, como Jerusalém e os refugiados, insisto na tecla de que iniciar as negociações garante a Israel uma posição mais confortável para conseguirmos impor nossas vontades.

      E afirmo mais uma vez: que tomemos a responsabilidade em nossas mãos, e lideremos esse processo!

      Um abraço!

    • Gabriel Guzovsky

      20/01/2013 at 19:43

      Oi Adi,

      Bons pontos, eu tenho tendência a concordar com você. Pessoalmente sou um cara a favor da paz, mas há uma linha tênue entre ser a favor da paz e ser a favor da eliminação do Estado Judaico – é muito difícil esperar e confiar que os extremistas (“direitistas” palestinos) deixem suas armas e sua luta de lado simplesmente porque nós queremos. É um processo muito complicado e que precisa antes de mais nada um movimento árabe mais forte contra a sua direita fascista – que hoje em dia elimina (de morte matada) esses movimentos antes mesmo que eles possam florescer. Uma das minhas esperanças para a Palestina seria a liderança de alguém como o filho do Hammas (Musab Hassan Youssef) junto de algum grupo de Palestinos refugiados (que acreditam na democracia e sentiram o bom gosto do Ocidente) que veja a situação desde fora, que voltem por ideologia para cá e que possam trazer junto deles consenso para dentro de Gaza e Cisjordânia de que o que eles mais necessitam antes de nada é largar armas e aceitar os investimentos de Israel na infra-estrutura e na educação universal. Dinheiro que hoje em dia é desviado por líderes perversos para seus planos maquiavélicos de dominação da região e auto-enriquecimento de famílias corruptas sedentas por poder.

  • Mario Silvio

    20/01/2013 at 22:29

    Claudio,
    Li e reli mas mesmo assim não consegui entender aonde você quer chegar.

    “Durante a maior parte da história do sionismo, enchemos o peito para afirmar que sempre estivemos do lado de uma solução que dividisse a terra entre os dois povos mas nossos vizinhos árabes e palestinos sempre a recusaram. Desde novembro último, como brilhantemente explica meu amigo Michel Gherman em seu blog, oficialmente optamos por trocar de papéis.”
    Como assim? Que evidências você tem de que os palestinos querem negociar um acordo?

    “Israel deve se apressar em retornar às negociações se tem interesse que estas sejam feitas sob os seus termos, por exemplo: apresentar-se disposta a negociar um divisão de Jerusalém Oriental”
    Retornar ? A que negociações ? Àquelas que o Abbas se recusa a iniciar?

    “São incontáveis as áreas a serem beneficiadas por um acerto definitivo com os palestinos, e a consequente estabilidade regional que ele nos traria.”
    Sem nenhuma dúvida

    ” A normalização da vida em Israel só ocorrerá com o fim da ocupação, que deveria ser a nossa prioridade nacional.”
    SE e APENAS SE, o fim da ocupação trouxesse um acordo justo. Agora, quando foi que alguma liderança palestina disse que aceitaria isso? Do jeito que você coloca dá a impressão de que a paz depende apenas de Israel, o que, obviamente não é verdade.

    • Claudio Daylac

      21/01/2013 at 00:55

      Olá, Mario.

      Obrigado pela sua visita e por seu comentário.

      Discordo de você quando você diz que não há alguém disposto a negociar do lado palestino.

      Em uma recente entrevista à televisão israelense, o presidente palestino Mahmoud Abbas (Abu Mazen) declarou estar disposto a voltar à sua Tzfat natal com um visto de turista. Este fato é um reconhecimento das fronteiras de 4 de junho de 1967 como as definitivas em um acordo futuro.

      Logo em seguida, durante a votação de aceitação da Palestina como membro-observador das Nações Unidas, o território reconhecido também é delimitado pelas fronteiras de 4 de junho de 1967.

      Estes são dois bravos exemplos de uma liderança palestina que está reconhecendo a existência de Israel e propondo-se a viver lado-a-lado conosco.

      Caberia ao governo israelense dar uma chance a Abbas, mas atualmente temos preferido fortalecer o Hamas…

      Um grande abraço.

    • Mario Silvio

      21/01/2013 at 02:32

      Disponha Claudio, é sempre bom discutir civilizadamente. Você não sabe (e nem poderia saber), mas sou 100% a favor da solução dois países, com as fronteiras de 67 AJUSTADAS.
      O ajuste seria bom para ambas as partes, já que permitiria a absorção por Israel da maior parte dos colonos e daria aos palestinos outras áreas em que são maioria.
      Agora, este está longe de ser o problema, tanto que (quase) isso já foi oferecido e ignorado, mais de uma vez.
      O x da questão é o surreal “direito de retorno”, que não é direito nem muito menos retorno.
      Posso até estar enganado, mas até onde sei nenhum líder palestino incluindo o Abbas aceitou que é impossível para Israel aceitar esta barbaridade totalmente sem sentido.
      um abraço

    • Claudio Daylac

      21/01/2013 at 16:58

      Mario Silvio,

      Agora respondendo apenas a este comentário, para manter a ordem (pelo menos a ordem dentro da minha cabeça).

      Eu acho que as tais “fronteiras ajustadas” são um nome bonito para transferência de população. Isso é um crime de guerra! Acho que poderemos reter alguns blocos de assentamentos (aqueles tão grandes que sua remoção seja economicamente inviável) em troca de terras NÃO CONSTRUÍDAS anexas à Cisjordânia.

      A população árabe de Israel que quiser a cidadania palestina deve poder fazê-lo naturalmente, através de solicitações oficiais. Ninguém deve ser forçado, por nenhum lado a sair de onde está. E nem deve lhes ser imposto um referendo ou uma decisão compulsória, pois podem ficar presos a tabus sociais.

      Quanto ao direito de retorno, mais uma vez, cito a recente entrevista do Abbas ao Canal 2 israelense, na qual ele reconhece que só voltará à sua Tzfat natal com um visto de turista. Abbas nasceu em Tzfat, de onde saiu – não discuritirei se foi expulso, é a história pessoal dele e nunca poderemos analisar imparcialmente – após a Guerra de Independência. É um caso clássico de refugiado. E deixou claro que está abrindo mão deste direito.

      É a maneira dos palestinos dizerem “vão-se os anéis, ficam-se os dedos”.

      Também temos que fazer essa avaliação.

      Um abraço.

  • Eduardo

    20/01/2013 at 22:54

    E os refugiados, Claudio, não existem?
    Com relação ao primeiro tópico, o da consciência moral: fica tudo em paz na cabeça de um estado fundado em uma limpeza étnica? A opção parece ser a de não falar sobre isso…

    • Claudio Daylac

      21/01/2013 at 00:32

      Eduardo,

      Obrigado pela sua visita e pelo comentário.

      Eu não quis traçar um plano detalhado sobre a resolução definitiva do conflito. Seria tolice, uma vez que não tenho acesso ao que realmente é discutido nas negociações.

      Por outro lado, acho que os refugiados são um factóide do lado palestino. Nunca serão aceitos em Israel e os palestinos sabem disso. O assunto é trazido à tona de quando em vez para atrapalhar as negociações.

      Atualmente, é proibido por lei ao cidadão israelense entrar na Faixa de Gaza e nas áreas da Cisjordânia controladas pelos palestinos. Um civil simplesmente não tem este direito.

      Eu sinceramente espero que um arranjo político melhor seja alcançado quando for criado um Estado palestino, mas o que queria expor é: uma vez criado o Estado palestino, não haverão judeus do outro lado da fronteira. Não é à toa que falamos o tempo todo de desmantelamento das colônias.

      Essa população (e os futuros judeus imigrantes) deverão ser absorvidos dentro das fronteiras do Estado de Israel. E o mesmo valerá para os palestinos.

      O judeu que morava em Hebron antes da 1947/48 não poderá seguir vivendo lá (como já ocorre com a maioria, visto que menos de mil judeus habitam Hebron), assim como o palestino não voltará à sua casa. Ambos foram expulsos pelo inimigo e ambos deverão ser absorvidos pelo seu país dentro de suas novas fronteiras.

      É assim que se resolvem situações de guerra. Infelizmente.

      Um abraço.

    • Mario Silvio

      21/01/2013 at 02:35

      Que refugiados Eduardo? Você por um acaso está se referindo aos palestinos que sairam de Israel em 48? Se for isso eles equivaliam em número aos judeus expulsos dos países árabes, sobre os quais nunca ouvi discussões sobre seus direitos.
      Além da equivalência quantitativa, não devemos nos esquecer que uma parte dos palestinos saiu voluntariamente enquanto todos os judeus foram expulsos.

    • João Koatz Miragaya

      21/01/2013 at 19:46

      Eu queria entender, Eduardo, se o Claudio é obrigado a falar sobre os refugiados aqui.

      Escrevi noutro dia um texto sobre as negociações e me cobraram o mesmo assunto. Eu sou obrigado a trabalhar todas as problemáticas se eu toco no ponto “conflito”?

      Cada um fala sobre o que quer quando achar conveniente. O artigo não te diz as fronteiras, o acordo, os reconhecimentos, nada. Só diz que o Estado palestino deve ser criado e te explica bem o porquê.

      Quando for o momento de discutir proposta, caso a questão dos refugiados não apareça, é conveniente ser cobrado. Agora não.

      E falar sobre “limpeza étnica” parece um pouco demais, não? Até porque a historiografia, em sua maioria, fala em refugiados de guerra, não em expulsos.

    • Andre Rozenbaum

      22/01/2013 at 02:20

      João,
      Quanto a esse comentário seu:

      “Até porque a historiografia, em sua maioria, fala em refugiados de guerra, não em expulsos.”

      João, você que é historiador por formação, sabe bem que os novos historiados israelenses já demonstraram atraves de documentos oficiais que sim, houve expulsao de palestinos!

      Sei que nao é o tópico, mas como foi levantada a bola…

    • João Koatz Miragaya

      22/01/2013 at 19:07

      André,

      O primeiro que reconheceu que expulsou palestinos foi o ex-Primeiro Ministro Itzhak Rabin, em sua autobiografia. Apesar de ter se arrependido da confissão em uma entrevista, um jornalista americano teve acesso à informação e a publicou. Ninguém desementiu.

      É lógico que soldados israelenses expulsaram árabes de dentro do território israelense. A questão é que não há como saber quantos foram, e a maior corrente historiográfica sobre o assunto supõe que a maioria dos refugiados sejam fugitivos de guerra. Foi isso o que eu quis dizer, perdão se não fui claro.

    • Eduardo

      23/01/2013 at 10:03

      E há um completo descolamento com a realidade quando se afirma que nenhum colono vai seguir vivendo na Cisjordânia. Quem vai ousar enfrentar todos os religiosos do país, pra tirar mil candangos de Hebron? Quem vai desmantelar Ariel, ou Maale Adumim? Nada disso é real…

    • Marcelo Treistman

      23/01/2013 at 16:19

      Olá Eduardo,

      Você “pula” apenas o fato de que Israel concodou com a partilha da ONU em 1948 e as lideranças palestinas que não concordaram se juntaram a Estados Vizinhos que atacaram Israel e perderam a guerra.
      Muitos forma expulsos – é verdade… Mas o que ocorreu em 1948 foi uma guerra rua a rua, casa a casa, de aldeia em aldeia… A volta dos 4 milhões de refugiados reivindicado pelos palestinos seria mortal para Israel. Porque significa não mais a existência de dois Estados, um palestino e outro judeu. Significa que teremos, mais cedo ou mais tarde, dois Estados palestinos e nenhum judeu.

      Existe uma profunda discussão sobre “de quem é a culpa” pelos refugiados palestinos. Alguns historiadores modernos israelenses culpam Israel. Eu acho que, em poucos anos, com a criação de um estado palestino, haverão historiadores palestinos que culparão os líderes do seu povo pelas más escolhas que fizeram.

      Acho fraca a sua argumentação de que os seus familiares poderão voltar quando bem desejassem para o Egito, ou os meus para a Síria… Apenas pelo amor ao debate, e imaginando que sim houvesse o desejo de voltar ao local de onde foram expulsos quando da criação do Estado de Israel, você realmente acredita que existiria chance de sobrevivermos como judeus neste local? Infelizmente a legislação interna destes países não respeita a legislação internacional de garantia de liberdades individuais…

      Um grande abraço

    • Eduardo

      23/01/2013 at 17:34

      Não, Marcelo: não disse que os nossos familiares poderão voltar quando bem desejarem. Estou dizendo que nosso direito ao retorno para lá trata-se é de um DIREITO. É um direito humano do ponto de vista da legislação internacional e de qualquer consciência moral minimamente civilizada.

      Tenho poucas dúvidas de que a volta desses refugiados que foram expulsos de suas terras e casas seria mortal para Israel. Não é disso que estou tratando. Mas é justamente disso que estou tratando, deslocando a mesma afirmação para 1948: bem como parece ser impossível a existência de um estado judeu e democrático com o retorno dos refugiados hoje, naquela época também seria impossível a construção de Israel sem a expulsão dos palestinos que ali viviam.

    • Marcelo Treistman

      23/01/2013 at 19:30

      Eduardo,

      Ok. Entendi melhor o seu questionamento.

      Lembro a você que os refugiados palestinos, são o único grupo de “refugiados” em que os filhos, netos e bisnetos continuam sendo considerados “refugiados” para todo o sempre e para todas as futuras gerações… Neste ensejo, é fácil chegar ao número de 4 milhões que temos hoje…

      Da forma como você faz a pergunta, fica parecendo que existia um plano pré-concebido da liderança judaica na época para fomentar uma guerra e então expulsar a populacao palestina deste território… Afirmo a você que não existe nenhuma comprovação de que esta hipótese seja minimamente factível…

      Ficar imaginando o que teria acontecido “se isto tivesse ocorrido”, ou “se isto não tivesse ocorrido” é um exercício irrelevante para se analisar a história do que realmente aconteceu… Eu poderia lhe perguntar: E se os árabes tivessem ganhado a guerra de 1948? E se os palestinos tivessem aceitado a partilha da Onu de 1947? As respostas são variadas e imaginativas…

    • Ângela

      23/01/2013 at 04:19

      Concordo com você Eduardo, acompanhei até aqui toda a discussão, e até agora não vi nenhuma menção aos refugiados e presos nas cadeias israelitas, sobre as torturas e abusos nas crianças e mulheres… eu que era uma pessoa que gostava muito do povo judeu e apreciava por serem um povo inteligente, na minha cidade muitos estudam medicina e temos grandes médicos aqui. Hoje a realidade para mim é outra, decepção e revolta, antes não havia Internet, pouco se ficava sabendo pelos jornais. Hoje todos os recursos estão dentro da tua casa, e o que tenho lido, visto e ouvido me trouxe uma revolta imensa. Lá se foi todo o apreço que tinha…então me pergunto, o que vai ser do estado de Israel daqui a alguns anos? Um estado antipatizado pelo resto do mundo? No meu tempo de adolescente eu tinha medo de comunista porque comia criancinha. Será que os papéis não estão se invertendo na Palestina, quem são hoje os verdadeiros terroristas?

    • Marcelo Treistman

      23/01/2013 at 16:05

      Olá Angela,

      Quer dizer que o problema que você enxerga na democracia israelense afetou a sua percepção com relação a todos os judeus, inclusive aqueles que não moram em Israel? Curioso…

      Israel é um Estado Democrático, que confere direitos e deveres a seus cidadãos árabes. Temos muito que melhorar, mas não creio que estamos indo muito mal.. Não temos o privílégio de sermos um país sem racistas e mal democratas, mas a justiça israelense já deixou claro não haver espaço para fundamentalismos no país.

      Em breve, certamente, abordaremos a questão dos refugiados no ConexaoIsrael (cada autor com a sua visão distinta). Eu já adianto que a minha opinião é resultante da resposta a seguinte pergunta: “Sim ou não à existência de Israel?”
      Como eu digo sim, entendo que os refugiados palestinos (entre eles aqueles que foram expulsos, os que fugiram, os que atacaram Israel e perderam, etc…) não voltarão para este local. Forçar a volta de 4 milhões de palestinos é dizer “não” ao Estado Judeu.

      Em tempo: Tortura de crianças e abuso de mulheres é algo que poderá ser encontrado em qualquer teocracia muçilmana em que “liberdade” não é um valor muito apreciado… Acho que você perdeu a mão ao fazer este comentário em relação ao Estado de Israel.

      Um grande abraço

    • Ângela

      23/01/2013 at 20:47

      Olha, violência gera violência, se entrassem na minha casa a noite me mandando para fora, com a roupa do corpo, não importando se está frio ou não, e depois disso nunca mais poder voltar para casa, bom …só isso já me entala a garganta. Olha para teu filho em casa, olha bem para o rostinho dele e imagina esta situação para a tua família. Não preciso falar mais nada, não sou eu o julgador, mas Deus. Nossas atitudes hoje serão nosso futuro amanhã. Aqui não voltarei mais a opinar. Adeus para vocês!

  • Raul Gottlieb

    20/01/2013 at 23:15

    Caro Cláudio,

    Concordo integralmente com a essência do texto. Efetivamente a desocupação de Judá e Shomron fará um bem enorme a Israel, assim como a desocupação do Sinai, do sul do Líbano e da Faixa de Gaza fizeram. Claro que os riscos militares aumentarão, na mesma medida em que isto aconteceu nos casos citados. Mas creio que a resultante será positiva.

    Contudo, é necessário fazer uma correção. Judá e Shomron não são territórios ocupados, conforme as definições das leis internacionais. A definição “território ocupado” descreve um território que foi subtraído de um estado soberano através de uma guerra.

    Judá e Shomron não eram parte de um estado em 1967. Eram territórios sem definição, administrados pela Jordânia que passaram a ser territórios sem definição administrados por Israel.

    Judá e Shomron são parte do território destinado ao Estado Palestino definido pela ONU em 1947. Mas os Palestinos renunciaram ao seu direito de construção do Estado Palestino e assim Judá e Shomron foram ocupados pela Jordânia e após a agressão Jordaniana de 1967 por Israel.

    A imprensa chama Judá e Shomron de “territórios ocupados” porque tem a sua agenda. Mas esta agenda não muda a fria realidade – os territórios são “indefinidos”. Não há uma definição para o caso destes territórios.

    Efetivamente a construção do Estado Palestino é do maior interesse Sionista (ou seja, do Estado de Israel). Mas penso que justamente por isto os palestinos não tem o menor interesse em construí-lo.

    Muito bom o texto, parabéns!
    Raul

    • Claudio Daylac

      21/01/2013 at 00:20

      Olá, Raul.

      Obrigado pela sua visita e pelo elogio.

      Acho que estamos apenas discutindo etimologia, né?

      A Jordânia havia efetivamente anexado a Cisjordânia (daí ter mudado seu nome de Transjordânia para Jordânia) após a Guera de Independência. Não sou um especialista no assunto para lhe garantir qual a validade desta soberania, mas acredito que não era contestada internacionalmente à época. Por outro lado, desde o final dos anos 1980, o governo jordaniano já abdicou do território em favor dos palestinos.

      De qualquer maneira, concordamos que o domínio israelense sobre a Cisjordânia deve acabar, seja qual for o nome que resolvamos dar a ele.

      Um abraço.

  • Raul Gottlieb

    21/01/2013 at 10:29

    Não é bem etimologia e sim uma definição jurídica que acarreta em direitos e obrigações. Por isto a definição correta é importante. Pela definição internacional um poder ocupante não pode colonizar o território, mas no caso em questão não há poder ocupante, assim que a colonização israelense não é ilegal pela lei internacional.

    A Jordânia anexou a Cisjordânia em 1948, mas apenas a Grã Bretanha reconheceu esta anexação, ou seja aquela soberania era contestada internacionalmente sim, inclusive pela Liga Árabe. A Jordânia pode mudar de nome quantas vezes quiser, mas não pode anexar territórios sem um acordo.

    Nos anos 80 ela abriu mão de sua “soberania” sobre um território que não governava. Uma medida meramente simbólica, para melhorar a sua imagem junto à Liga Árabe.

    A relevância desta discussão, que apenas parece cosmética, é deixar claro que a origem da disputa é a recusa dos palestinos em formar o seu Estado em 1948, recusa esta que é geminada com a recusa de reconhecer o Estado de Israel, fundado em 1948. Os Palestinos desobedeceram a seminal resolução da ONU e criaram a situação da qual são vítimas hoje.

    Não está claro para mim que os Palestinos estejam dispostos a aceitar a resolução da ONU de 1948, com a atitude paralela de criar um Estado e aceitar o Estado de Israel.

    Metaforicamente o caso dos Palestinos é semelhante ao caso do rapaz que matou os pais e pede clemência ao tribunal por ser órfão.

    Mas ainda assim, Israel tem que desocupar os territórios. E se preparar para sofrer ainda mais agressões do que as que sofre hoje. É uma decisão muito difícil de ser tomada. O que não significa que não tenha que ser tomada.

  • Augusto Langer

    21/01/2013 at 10:45

    Discordo completamente. Fazer um estado palestino nas fronteiras de 1967 é um suicídio para Israel. Imagina os terroristas tendo a possibilidade de receber livremente armamentos e mísseis enviados pelo Irã, como fazem hoje em Gaza. Se Israel retirar seu exército dos territórios da Judeia e Samaria, os grupos terroristas irão tomar conta. Daí teremos ataques com mísseis e foguetes diariamente em Kfar Saba, Raanana, Tel Aviv, Hadera, Haifa, Afula, etc. Simplesmente não é uma opção.
    E quanto ao Abbas, não sei como alguém ainda pode dizer que ele é um parceiro para a paz. Abbas é fundador e o atual líder do grupo Fatah, que prega a liberação de toda a palestina. Eles são ditos moderados, mas sua cartilha e todas as suas ações ao longo dos anos mostram que suas idéias não são muito diferentes das dos Hamas. Abbas nega o holocausto. Sua tese de mestrado foi sobre o assunto. Ele direciona boa parte dos recursos recebidos pelos palestinos ao ensino do ódio a Israel. Os livros das escolinhas do Fatah são iguais aos do Hamas. Abbas nomeia ruas, praças e monumentos a grandes terroristas que morrem tentando matar civis e soldados israelenses. Em 2008, Abbas viajou ao Libano para comprimentar pessoalmente o terrorista Samir Kuntar. Para quem não sabe quem é, procure no Google. Além de tudo isto, existem evidências fortíssimas de que ele foi um dos articuladores do ataque terrorista aos atletas israelenses nas Olimpiadas de Munique, em 1972. Eu poderia ficar aqui horas numerando todas as atrocidades cometidas por ele… Esta pessoa jamais pode ser considerada como um parceiro para a paz. To be continued

    • Marcelo Treistman

      21/01/2013 at 11:47

      Olá Augusto,

      Você pode discordar a vontade. O site é um convite ao diálogo. O que não pode é jogar ao vento informações e dados, como se eles fossem verídicos, sem ao menos trazer um embasamento bibliográfico… Aí vira chute.. Fica muito difícil debater com alguém que utiliza informações que não podem ser verificadas. Senão vejamos:

      a) “Ele direciona boa parte dos recursos recebidos pelos palestinos ao ensino do ódio a Israel
      Você tem provas desta sua afirmação ou é apenas uma opinião jogada ao vento?

      b) “Os livros das escolinhas do Fatah são iguais aos do Hamas”
      Você tem provas desta sua afirmação ou é apenas uma opinião jogada ao vento? Você poderia indicar quais livros?

      c) “Abbas nomeia ruas, praças e monumentos a grandes terroristas que morrem tentando matar civis e soldados israelenses
      Quais ruas? Você tem provas desta sua afirmação ou é apenas uma opinião jogada ao vento?

      d) “existem evidências fortíssimas de que ele foi um dos articuladores do ataque terrorista aos atletas israelenses nas Olimpiadas de Munique“.
      Sério mesmo? Que evidências? Você poderia dividir este material conosco ou são apenas informações jogadas ao vento?

      Você diz que Abbas jamais poderia ser considerado um parceiro para a paz… Note que até o Shimon Peres discorda de você. Há algumas semanas ele deixou claro que Abbas é o parceiro que Israel sempre esperou… MAs dizer o que…? Shimon Peres não sabe nada… Ele só quer a destruição do Estado de Israel… Como ousam dizer que este velho entende de política? Veja aqui as declarações de Shimon Peres.

      Seja bem vindo. Da próxima vez, traga o material de apoio para que possamos discutir fatos e não opiniões “jogadas ao vento”.
      Obrigado!

    • Augusto Langer

      21/01/2013 at 12:33

      OK. O artigo também não traz nenhum embasamento bibliográfico (assim como quase todos os outros publicados neste site) e usa todos os termos espalhados e popularizados pelos inimigos e pela mídia internacional como se fossem verdadeiros. Tipo “ocupação”, “assentamentos ilegais”, entre outros. As informações que postei sobre o Abbas estão em centenas de artigos e matérias de jornais e sites israelenses. Para quem sabe inglês, é só abrir o Ynet News ou Arutz Sheva. Existem organizações em Israel direcionadas a encontrar e traduzir material escrito, entrevistas e discursos dados em árabe que comprovam tudo o que mencionei antes. Se for parar para procurar tudo isto, vou perder muitas horas na Internet e vou ocupar um monte de espaço aqui com links e referências. Quanto ao Shimon Peres, suas afirmações são feitas com a intenção de renovar o processo de paz, que é um grande sonho da vida dele. Se ele realmente acredita nisso, é outra coisa. Assim como eu, muitas pessoas importantes em Israel discordam dele.
      E o restante das coisas que escrevi? Nada a declarar?

    • Marcelo Treistman

      21/01/2013 at 13:02

      Augusto,

      O texto do Claudio possui diversos dados, numeros, fontes… É quase um tratado bibliográfico. Se você tem alguma dúvida ou se não está claro de onde a informação foi retirada, é só perguntar ao autor que eu tenho certeza de que ele ficará satisfeito em lhe trazer estes dados.

      Vejo que você sabe ainda exatamente o que o Shimon Peres acredita ou não acredita e quais são os seus sonhos “mais privados”… Quem te confessou isso ao ouvido? Deus? Ou foi alguma informação reitrada de “organizações israelenses”?

      Quanto as suas demais colocações (aquelas que não são apenas “chutes ao vento”) eu deixarei o autor lhe responder.

      Agradeço a participação!

    • Augusto Langer

      21/01/2013 at 14:32

      Achei que o objetivo aqui era debater sobre o tema e não ficar tentando desqualificar as informações e opiniões dadas, e ainda por cima usando piadinhas e ironias…

    • Marcelo Treistman

      21/01/2013 at 14:46

      Eu desqualifiquei apenas as suas “informações” porque eu não acho que elas sejam verdadeiras… você fala em numeros e evidências… Ora… traga os “números” e “evidências” para engrandecer o debate e então será possível discutir os fatos…
      Se você tivesse deixado claro logo no início que se tratava de sua OPINIÃO, nem teria comentado o texto.. Só o fiz, porque você “chutou” diversas informações como se verídicas fossem.

      Bem Augusto… Isto é inaceitável… Desta forma, o site vira um vale tudo… Eu invento informações que se coadunam com o meu pensamento e você inventa os seus…E o “diálogo” logo se transforma em um “monólogo”.

      “É pela ironia que começa a liberdade” (Victor Hugo)

    • Augusto Langer

      21/01/2013 at 15:36

      Como falei antes, não vou ficar horas na Internet fazendo pesquisa para poder responder a um artigo neste site. Se acha que as informações que dei não são verdadeiras, então procure no Google. Dá para achar inúmeras fontes de tudo o que escrevi.

    • Marcelo Treistman

      21/01/2013 at 15:54

      Augusto,

      Eu procurei e não achei.
      Continuo afirmando que as suas informações não são verdadeiras e são frutos de um senso comum perigoso e danoso para o futuro de Israel.
      Não há uma só informação dada em seu comentário que resista a uma verificação mais profunda e séria da questão.

      E afinal de contas, o ônus da prova recai sempre sobre o autor da afirmação. Sugiro que em seu próximo comentário, você comece da seguinte forma: “Na minha OPINIÃO…”… Será muito mais proveitoso ao debate!

    • Augusto Langer

      21/01/2013 at 16:38

      Acabei de procurar 3 itens que citei antes e achei todos.
      INFORMAÇÕES

    • Marcelo Treistman

      21/01/2013 at 16:50

      Finalmente Augusto!

      Então coloca os links aqui para debatermos sobre eles…
      Estou bem curioso para ver a fonte de informação que “comprova” que o Abbas “direciona boa parte dos recursos recebidos pelos palestinos ao ensino do ódio a Israel“.

  • Augusto Langer

    21/01/2013 at 11:03

    Acho que a expressão “a direita racista” não deveria estar em um artigo neste site, que me parece muito sério. É uma generalização bem perigosa.
    Quanto ao povo palestino, realmente merece uma vida melhor. Eles merecem uma vida decente, com direito à saúde, educação, oportunidades de trabalho, etc. A culpa por isto não ocorrer não é toda de Israel. Boa parte desta culpa está na liderança palestina, que recebe mensalmente milhões de dólares e usa para incitar a população contra Israel, sem falar na corrupção gigantesca existente ali. Se estes recursos fossem usados em educação e na criação de empregos, hoje a situação seria muito diferente.
    Quanto aos “territórios ocupados”, existem inúmeras questões legais e históricas que permitem discutir este tema. Os territórios da Judeia e Samaria, erroneamente chamados de Cisjordania ou West Bank, foram conquistados por Israel em uma guerra na qual o país foi atacado por todos os lados. Os territórios tomados nesta guerra pertencem a Israel, de acordo com a lógica e também de acordo com leis e acordos internacionais. Posso aceitar o uso da expressão “territórios em disputa”, mas “ocupação ilegal” não cola. Simplesmente, não está correto.
    Voltando ao assunto das negociações de paz, acredito que os líderes palestinos já deram provas suficientes de que não querem viver em um estado ao lado de Israel. Se o quisessem, Arafat teria aceito a proposta no ano 2000 e Abbas teria aceito em 2007/2008. Enfim, Israel tem que resolver o problema de acordo com o que for melhor para sua população e principalmente para a continuidade da sua existência em segurança.

    • João Koatz Miragaya

      21/01/2013 at 16:38

      Prezado Augusto, te incomoda se eu te perguntar algo?

      Qual a sua solução para os quase 4 milhões de palestinos que vivem na Faixa de Gaza e na Cisjordânia (ou, se você preferir, em Judeia e Samária)? Que status Israel deve dar a estes cidadãos, tendo em vista que os territórios, segundo você mesmo diz, não são ocupados, mas sim conquistados (ou anexados)?

    • Claudio Daylac

      21/01/2013 at 16:52

      Augusto,

      Respondendo a este item apenas, para não embolar a discussão:

      1. Quando me refiro à direita racista, me refiro a um setor da direita israelense, assim como poderia me referir à direta moderada, ou à extrema direita.

      É este setor que acusa os refugiados africanos, assim mesmo, em uma generalização racista de serem os responsáveis pelos casos de estupro ocorridos recentemente no sul de Tel Aviv.

      É este mesmo setor que lança propagandas fomentando o ódio aos árabes, assim mesmo, em uma generalização racista, acusando-os de sonegar impostos.

      Não é toda a direita. Por isso chamo de direita racista.

      2. Quanto à ocupação dos territórios, cada um pode enxergar pelo ângulo que quiser, mas justo a Guerra dos Seis não foi uma Guerra de Defesa. Israel deu o primeiro tiro, abateu as forças aéreas inimigas ainda no chão e avançou com seus tanques pelo Sinai e pelo Golã, chegando até o Canal de Suez e à periferia de Damasco, respectivamente, de maneira tão surpreendente que os egípcios e sírios sequer conseguiram se organizar.

      Não digo que a situação à época nos permitia outro comportamento, mas não foi uma guerra de defesa. Não fomos atacados antes. Optamos pelo ataque preventivo e devemos arcar com as conseqüências.

      Os territórios que conquistamos nestas “condições de defesa” (Galiléia, parte do Negev e Jerusalém Ocidental) o fizemos na Guerra de Independência. E neste caso, ninguém questiona nossa soberania sobre eles.

      3. Sobre o uso do termo Cisjordânia, trata-se do termo internacionalmente utilizados (não apenas em português, mas também em Francês) para a Margem Ocidental (West Bank) do Rio Jordão. Seu uso se difundiu em oposição à Transjordânia (East Bank), quando esta foi separada do então Mandato Britânico na Palestina e se transformou no que futuramente (após a unificação de ambos os lados) se chamou de Reino Hashemita da Jordânia.

      Não é um termo tendencioso.

      Um abraço e seja bem-vindo ao debate!

  • Raul Gottlieb

    21/01/2013 at 21:43

    Para apimentar um pouco mais a conversa:

    Porque os habitantes do sul de Tel Aviv que viram seus bairros se deteriorar pela afluência dos fugitivos africanos são chamados de “direita racista”? Alguém fez alguma pesquisa para saber em quem eles votam? Alguém fez uma pesquisa para saber se eles são racistas? Talvez eles queiram tão somente que o Estado cuide dos africanos de forma decente, ao invés de as deixar ao relento na soleira de suas casas.

    Vamos convir que deixar os africanos se acumular sem moradia nos bairros do sul de Tel Aviv é uma receita segura para o desastre e que o governo deveria tomar alguma providência. Deixá-los na rua enfurece os habitantes do local e deveria enfurecer a todos.

    Creio que boa parte dos textos deste site salta muito rápido para conclusões que demonizam a direita e endeusam a esquerda. E que isto é um problema para este site, que fora isto é excelente.

    Lembro que pinçar um cartaz racista numa demonstração não prova nada, principalmente se este cartaz tiver sido selecionado pelo editor de um jornal para representar as milhares de pessoas que participaram na demonstração.

    • Claudio Daylac

      21/01/2013 at 23:34

      Raul,

      Acho que quem está saltando para conclusões agora é você.

      Quando falo em setores racistas da direita, não estou falando em habitantes do sul de Tel Aviv ou eleitores dos partidos de direita. Estou falando de candidatos racistas em partidos de direita.

      No post sobre as propagandas políticas temos um excelente exemplo de racismo no banner do Oztmá LeIsrael que foi, inclusive, proibido pela Comissão Eleitoral.

      Um abraço.

  • Mario Silvio

    22/01/2013 at 01:39

    “a) “Ele direciona boa parte dos recursos recebidos pelos palestinos ao ensino do ódio a Israel”
    Você tem provas desta sua afirmação ou é apenas uma opinião jogada ao vento?
    b) “Os livros das escolinhas do Fatah são iguais aos do Hamas”
    Você tem provas desta sua afirmação ou é apenas uma opinião jogada ao vento? Você poderia indicar quais livros?”

    Sério Marcelo? Acho impossível que você não saiba que os livros escolares palestinos pregam o ódio, já que existem milhares de fontes atestando isso, mas como você pediu, vamos lá:

    http://www.theaustralian.com.au/opinion/world-commentary/hate-v-hate-as-peace-is-sidelined/story-e6frg6ux-1226047182848
    Trecho:
    “On the Arab side, new research shows a disturbing policy of incitement from the time Palestinian children begin school.
    And the Palestinian Authority continues to glorify terrorists. The PA’s Minister for Prisoners’ Affairs, Issa Karake, last month visited the family of the man who planned Israel’s Passover massacre, Abbas Al-Sayed, and gave them a plaque to mark the anniversary.”

    http://www.impact-se.org/docs/reports/PA/PA2011.pd
    Trecho:
    “The Palestinian Authority school textbooks cling firmly to four fundamentals:
    (1) Disclaim Jews’ rights and Israel’s existence
    (2) Demonize both Jews and Israel
    (3) Present the Arab-Israeli conflict in a slanted way;
    (4) Don’t advocate tolerance and peace, but rather
    Advocate martyrdom and violent struggle ”

    Finalizo com um site que contém fotos e trechos de livros:
    http://www.eufunding.org/Textbooks/NewSchoolbooks.html

    Um dos exemplos:
    Lurratuna Aljamila (Grade 1)
    Our Beautiful Language Part 2
    Page 106: Shahids – a song dedicated to Shahids “Your Shahids, salt of the earth, you grew up in blood.

  • Mario Silvio

    22/01/2013 at 01:52

    Do Marcelo Treistman sobre o post do Augusto Langer:

    “Você tem provas desta sua afirmação ou é apenas uma opinião jogada ao vento?”
    sobre fatos de conhecimento público!
    “Eu desqualifiquei apenas as suas “informações” porque eu não acho que elas sejam verdadeiras… ”
    Idem
    “Eu procurei e não achei.
    Continuo afirmando que as suas informações não são verdadeiras e são frutos de um senso comum perigoso e danoso para o futuro de Israel.
    Não há uma só informação dada em seu comentário que resista a uma verificação mais profunda e séria da questão.”
    Idem

    ” traga os “números” e “evidências” para engrandecer o debate e então será possível discutir os fatos…”
    Apesar de não estar envolvido, no intuito de engrandecer o debate, citei algumas fontes, de origens bem diversas, sobre o assunto livros “didáticos”.

    Ainda com o mesmo intuito:
    http://www.haaretz.com/news/pa-names-ramallah-street-after-hamas-terror-mastermind-1.891
    The Ramallah street was named for notorious Hamas suicide bomb mastermind Yihyeh Ayyash, also known as the “engineer,” who was the architect of multiple attacks, including a 1994 bombing of a Tel Aviv bus, which killed 20 people, and injured dozens.

    http://www.nytimes.com/2010/04/14/world/middleeast/14westbank.html?_r=0
    Itamar Marcus, director of Palestinian Media Watch, an Israeli organization that monitors Palestinian society, said the honoring of Mr. Ayyash is widespread. In 2007, for example, Al Quds University, which many consider a moderate campus, devoted a week to the 11th anniversary of his death, including an art competition.

    Marcelo,
    Sinceramente não entendi o que você pretendeu contestando coisas que todo mundo sabe.

  • Mario Silvio

    22/01/2013 at 02:00

    Só mais uma (prometo) coisinha Marcelo,
    “d) “existem evidências fortíssimas de que ele foi um dos articuladores do ataque terrorista aos atletas israelenses nas Olimpiadas de Munique“.
    Sério mesmo? Que evidências? Você poderia dividir este material conosco ou são apenas informações jogadas ao vento?”

    É mesmo importante saber se ele articulou ou não ESTE ataque? Não bastam as outras proezas dele?
    “Kuntar was convicted in 1979 of dragging 4 year-old Einat Haran and her father, Danny, from their Nahariya apartment to a nearby beach, where he murdered the little girl by smashing in her head with his rifle butt and killed her father by shooting him in the back and drowning him in the Mediterranean”
    É pouco?

    • Marcelo Treistman

      23/01/2013 at 16:44

      Olá Mario,

      Agradeço pelos links e fontes trazidas.

      Analisei com a atenção necessária todas as “informações” que você postou e afirmo que desqualifico todas sem exceção. A grande pergunta ao Augusto era que ele relacionasse tais condutas ao Abbas como ele afirmara em suas mensagens. Nem ele, e nem você, conseguiram passar no teste… Senão vejamos.

      a) O link dos livros escolares (de 2003) não comprovam que a confecção foi ordenada pelo Abbas. Livros racistas existem também do nosso lado. O Exemplo claro, é o livro Torat Hamelech, publicado no ano passado, que incentiva o assassinato de Goym. Não é por isso, que você afirma que o Bibi não poderá ser considerado um “parceiro para paz”.

      b) O link que fala da “honra” oferecida a um terrorista palestino com o seu nome em uma rua de Ramalah, não comprova que a influencia de Abbas na questão. Seria o mesmo que dizer que as Yeshivot que determinaram uma reza especial a Baruch Golstein (assassino judeu que matou 29 árabes no tumulo dos patriarcas) foram influenciados pelo Bibi.

      c) Você pergunta sobre a questão de munique: “É mesmo importante saber se ele articulou ou não ESTE ataque?”. Ora, para a questão que eu coloquei ao Augusto sim é importante. Se para ele é importante afirmar que o Abbas participou desta ação terrorista, para mim é impostante saber qual é a “evidência forte” que ele traz consigo, porque eu desconhecia… Agora entendo que o meu “desconhecimento”, era porque – de fato – esta evidência não existe…

      ISto posto, Mario, gostaria de chamar a sua atenção de que as palavras são importantes… O Augusto fez acusações sérias ao Abbas e não conseguiu trazer nenhuma comprovação de suas afirmações. Eu vejo um grande problema, quando “opiniões” e “fantasias” são colocadas como se fossem “informações verídicas e comprovadas…

      Eu confio 100% no Abbas? É claro que não… Estou disposto a dialogar com ele, enfraquecendo o Hamas e vislumbrando um futuro diferente para Israel? É claro que sim…

      Um grande abraço
      Novamente agradeço a sua participação!

  • Eduardo

    23/01/2013 at 09:38

    João, Claudio… cobro posicionamentos com relação aos refugiados porque o texto começa com a expressão “consciência moral”. Mas parece que há clara adesão ao ‘fato consumado’ de que os palestinos foram expulsos e não mais voltarão.

    Este é o nó aparentemente sem saída do ‘sionismo real’, o fato de que não poderiam fundar um estado democrático e judeu em 1947 sem que os palestinos deixassem suas casas e terras, e eles deixaram suas casas a força, ou sob terror, ou porque não é bacana viver baixo uma guerra. Nenhum dos três motivos me parece justificativa para que suas casas e terras sejam tomadas.

    O que rima menos sentido ainda é a comparação entre os refugiados palestinos e os colonos israelenses. Fiquei com a impressão de que se disse: ‘se os colonos judeus voltarem, qual o problema dos palestinos não voltarem?’ Lembremos que os colonos são colonos, e os refugiados, refugiados.

    • João Koatz Miragaya

      23/01/2013 at 18:07

      Bom, Eduardo, vou te responder mesmo que não ache que seja o momento adequado. Eu ainda pretendo escrever sobre o tema, e o Claudio, repito, NÃO PROPÔS SOLUÇÃO NEM FRONTEIRAS. Só escreveu sobre o bem que seria para Israel a criação de um Estado palestino. Eu acho que o texto correspondeu muito bem à ideia, quando for o momento de falar sobre como, ele certamente não esquecerá esta questão.

      “Mas parece que há clara adesão ao ‘fato consumado’ de que os palestinos foram expulsos e não mais voltarão.”

      Já não é a primeira vez que discuto o assunto contigo e sou sempre obrigado a afirmar que uma minoria foi vítima de expulsão, de acordo com os registros. Lamentavelmente eu não tenho acesso a obras que não sejam em hebraico para te citar. Mas você segue repetindo que “os palestinos foram expulsos”. Não entendo qual a sua intenção quando afirma e reafirma uma verdade bastante questionável.

      “Este é o nó aparentemente sem saída do ‘sionismo real’, o fato de que não poderiam fundar um estado democrático e judeu em 1947 sem que os palestinos deixassem suas casas e terras, e eles deixaram suas casas a força, ou sob terror, ou porque não é bacana viver baixo uma guerra. Nenhum dos três motivos me parece justificativa para que suas casas e terras sejam tomadas.”

      Não faço a menor ideia do que seja o ‘sionismo real’ citado por você. Certamente não era objetivo da liderança do ishuv expulsar árabes, os arquivos não mostram sequer discussões deste tipo. Na oposição, sim. Parte do movimento revisionista sim desejava a expulsão dos árabes, mas estes não tinham o comando da operação. O Plano de Partilha foi aprovado pela ONU em 29 de novembro de 1947. Em 30 de novembro você sabe como reagiram os 1,2 milhão árabes residentes no local? Iniciaram uma guerra civil contra os judeus residentes em todas as áreas da ainda colônia britânica, alegando que não reconheciam a divisão do território. Eu, ainda assim, não acho justo que Israel tenha expulsado ninguém, e tampouco tomado suas casas. Mas analisar uma história conturbada como esta “esquecendo-se” propositadamente a atitude da liderança árabe também é perigoso.

      “O que rima menos sentido ainda é a comparação entre os refugiados palestinos e os colonos israelenses. Fiquei com a impressão de que se disse: ‘se os colonos judeus voltarem, qual o problema dos palestinos não voltarem?’ Lembremos que os colonos são colonos, e os refugiados, refugiados.”

      Neste ponto eu estou 100% de acordo com você. Acho que os dois lados devem abrir mão de algo para que se alcance a paz, não adianta cobrar só dos palestinos. Os refugiados deveriam ser indenizados pelo que perderam e os assentamentos deveriam ser 100% desmantelados, na minha opinião. Não é justo um acordo em que só um lado abre mão. Os colonos, obviamente, também devem ser indenizados, pois foi o Estado quem os colocou ali.

      Mas você aqui embaixo, Dudu, tocou num ponto interessante: alguém já perguntou aos refugiados se eles querem viver em Israel ao invés de na Palestina? Quem me questionou sobre isto foi o ex-terrorista Bassam Aramin, do grupo pacifista judaico-árabe Guerreiros da Paz. Antes que eu tenha esta resposta, prefiro não sugerir nada. Pode ser que eles nem queiram.

    • Claudio Daylac

      23/01/2013 at 19:09

      Eduardo,

      Eu não estou comparando refugiados palestinos a colonos israelenses. Estou falando da comunidade judaica milenar que vivia em Hebron (e outras áreas da Cisjordânia) até a guerra eclodir. Eles também foram expulsos e, eu espero, não morarão lá sob um acordo definitivo. Parte da cicatrização das “feridas da guerra” é que ambos os lados engulam essas mágoas e passem a viver dos seus respectivos lados da fronteira.

      Exatamente por isso, sou a favor da desocupação dos territórios.

      Você está convidado a comentar e perguntar a minha opinião sobre os assuntos que quiser.

      Mas não está convidado a me cobrar abordar nenhum assunto. Eu me propus a escrever um texto que não fosse nem um pouco minucioso. Não quis discutir cada ponto de um possível acordo de paz. Já expliquei que entrar em minúcias é tolice, uma vez que nenhum de nós participa das negociações.

      Um abraço.

    • Eduardo

      24/01/2013 at 05:39

      Não pago para ler o site, não sou patrão de ninguém pra fazer cobranças. Entendo que a questão dos refugiados é central pra quem tente pensar o sionismo em cima de uma consciência moral humanista e minimamente civilizada. E há um completo silêncio sobre isso na sociedade Israelense. Queria saber a posição de quem pensa na resolução do conflito baseado nessa coisa aí que chamamos de consciência moral, valores etc, só isso… Ninguém tá obrigado a responder nada não…

    • Marcelo Treistman

      24/01/2013 at 11:27

      Em breve você você poderá encontrar as opiniões de cada autor sobre o assunto!
      Agradeço a sua participação!

  • Eduardo

    23/01/2013 at 09:42

    A outra falácia, no caso, afirmar que os judeus que foram expulsos dos países árabes durante a guerra não poderão voltar. Meus familiares foram expulsos do Egito, mas nunca exigimos nosso direito ao retorno. Mas isso não quer dizer que o nosso direito ao retorno não siga sendo direito. Quem quiser voltar, cobra e volta.

  • Lava Fabio

    02/06/2013 at 17:46

    http://www.mako.co.il/news-channel2/Friday-Newscast/Article-e42c7ca0fabfe31004.htm

    Nunca pensei que chegariamos tao rapido neste ponto. Toda a questão de dois estados para dois povos é que este é o único caminho para a sobrevivência do sionismo. Um estado binacional é o fim do sionismo e o caminho para uma guerra civil. Um estado com cantões estilo Africa do Sul pré Mandela é impensável. Tem muito pouca areia, o tempo está acabando para dois estados….

  • Michel Gherman

    31/05/2015 at 23:21

    claudio, parabens pelo excelente artigo. Com tudo que já foi escrito aqui posso, pontualmente, concordar ou discordar, mas isso importa menos,o que importa mais, e esse é o grande mérito de artigos como o do claudio, é discutir a ocupação a partir da lógica sioista. Nestas últimas inversões promovidas pela direita israelense, qualquer crítica a ocupação se transforma lentamente em um discurso antissionista (e por vezes antissemita), enquanto que o apoio a loucas politicas expansionistas de messianicos lunaticos passa a ser sionismo. Mais do que o Iran e suas armas, mas do que o hamas e sua teocracia estupida, mais do que o ISIS e seu fundamentalismo de ostentação, esse é o maior risco a existência de Israel e do sionismo como projeto nacional. Assim, se calar diante dessa estupidez, secalar diante daqueles que monopolizam o discurso sionista, deixar quue nos tomem a força o debate do sionismo é um erro estratégico, que nos custará muito caro. Assim, escrever, falar e discuir os destinos da ocupação, seja em termos morais, estratégicos ou políticos é uma necessidae estratégica. O silêncio dos sionistas hoje, pode custar a vida do sionismo e o fortalecimento de um neo sionismo (como escreve Uri Ram) que se encaminha para a criação de um Estado da Judeia, onde todos nós que lemos esse artigo não desejaríamos estar e de onde, de qualquer maneira, seráiamos enxotados.

Você é humano? *