Eu acuso

“Meu protesto inflamado nada mais é que o grito da minha alma” – J´accuse – (Zola. Emile – 1898)


Eu acuso.

Eu acuso todos aqueles que contribuem para a manutenção do ciclo de terror entre israelenses e palestinos.

Eu acuso aqueles que insistem em acreditar que o conflito entre Israel e o Hamas é embasado em uma disputa territorial, quando na verdade estamos diante de uma questão basicamente religiosa. Eu acuso aqueles que confundem a “causa do Hamas” com a “causa palestina”.

O Hamas é um grupo que instituiu um sistema político em Gaza que se repete em muitos países islâmicos. Lá não há separação entre a religião e o Estado e a consequência é que a religião nunca deixou de ser referência na prática cotidiana de suas instituições. Estas leis religiosas justificam em pleno século XXI a imposição de uma ditadura teocrática que relega as mulheres o status de animais de procriação, ordenam o assassinato de homossexuais, influenciam na destruição e no rebaixamento das minorias, requerem a eliminação de qualquer oposição, além é claro, de cassar todas as liberdades individuais.

Eu acuso aqueles que enxergam o Hamas como “militantes da liberdade” porque a simples observação do que ocorre em Gaza e nos países islâmicos já deveria ser suficiente para compreender que este grupo terrorista deseja apenas a liberdade de oprimir – livremente – o seu seu próprio povo e todos os demais povos que tiverem a infelicidade de cair sob seu controle.

Eu acuso aqueles que não percebem que o Hamas é muito honesto em sua natureza religiosa fundamentalista, que não lhe permite e não lhe permitirá posições diplomáticas mais sofisticadas. Para eles as coisas são sempre colocadas preto no branco porque eles (que se dizem tradutores da palavra de Deus) não poderão chegar amanhã e dizer que Deus mudou de ideia quanto a imposição de um califado isâmico de âmbito mundial.

Eu acuso aqueles que aceitam o terrorismo como uma forma válida de reinvidicação política. O terror que explode supermercados lotados, que sequestra e assassina civis e que lança foguetes sobre áreas habitacionais de Israel é a ferramenta utilizada pelo regime que objetiva a eliminação de qualquer obstáculo ao sonho da islamização do mundo.
Eu acuso aqueles que ainda não entenderam que o Hamas é mais um elemento de uma visão totalitária que desafia o mundo livre e os valores ocidentais que nós tanto prezamos. Eu acuso aqueles que cegos, não enxergam o que ocorre hoje no Iraque, na Síria, na Espanha, nos EUA. Notem que Israel é apenas um pequeno e bravo incômodo no meio do caminho entre vocês e estes animais. Uma pequena barreira entre você e a Idade Média.

Eu acuso aqueles que quando instados a revelar o que o Hamas estaria disposto a ceder para o fim do conflito não conseguem exibir nenhuma prática ou discurso que demonstra a sua disposição para estabelecer um compromisso verdadeiro para uma convivência com o diferente.

Eu acuso aqueles que insistem em ignorar que Israel é um Estado judeu que desperta a animosidade religiosa entre muitos muçulmanos. Que a nossa soberania sobre Jerusalém e a construção de assentamentos certamente amplificam esta agressão, mas é a própria existência de Israel como uma entidade não-islâmica autônoma em uma terra sagrada para o Islã (e rodeado pelo Islã) é que cria a agressão direta contra a pequena nação judaica “dentro” de um vasto mundo fundamentalista.
Eu acuso aqueles que negam a necessidade moral dos judeus de terem soberania em sua pátria. Aqueles que negam a força atávica do antissemitismo que por milênios negou aos judeus, em todas as partes, o direito à segurança, à igualdade e até mesmo à vida. Os que constestam a ligação histórica e espiritual dos judeus com a terra de Israel e que maldosamente confundem o sionismo com um projeto colonialista.

Eu acuso os que se esquecem da História e que desconsideram o que falavam e o que escreveram os ideólogos do sionismo: eles sempre reconheceram a existência de uma população árabe local e de forma contumaz ressaltaram a importância da convivência pacífica entre os povos. Acuso aqueles que rejeitam o conhecimento do que está escrito na Declaração da Independência de Israel que “estende a sua mão numa oferta de paz com seus vizinhos”. Os que desmerecem o desejo da maior parte da sociedade israelense de que os palestinos formem um país que conviva com o meu e que o aceite como parceiro no desenvolvimento da região.

Eu acuso a utopia que sonha com o dia em que os terroristas encontrem o caminho da razão e mudem o seu discurso, negando a sua própria identidade e renunciando aos seus objetivos tão publicamente declarados. O fundamentalismo islâmico é uma ideologia radical que jamais poderá fazer concessões e possui o mesmo gérmen anti-democrático do fascismo e do nazismo. Eu acuso o desvio de inteligência que confunde o Islã com o fundamentalismo islâmico, mas não posso deixar de acusar aqueles que negam o fato de que ele existe.

Eu acuso aqueles que ainda não compreenderam que nenhum palmo de terra é “propriedade” de nenhum povo. Que nenhum deus, nem Allah, nem Elohim, são funcionários cadastrados no Registro de Imóveis. Que ainda não atentaram que a Suécia não “pertence” de verdade aos suecos, bem como o Brasil não “pertence” de verdade aos brasileiros. Que o que existe entre o Brasil e o seu povo é a existência de um sentimento profundo, uma consciência coletiva e ligação espiritual com esta terra e que isso é muito mais intenso e verdadeiro do que qualquer direito emanado por um código, atribuído por lei ou concedido por qualquer organização mundial.

Eu acuso aqueles que negam a narrativa judaica sobre a sua ligação com Israel com a mesma força e intensidade que eu acuso aqueles que negam a narrativa dos palestinos sobre a sua ligação com a Palestina. Que não compreendem que a disputa territorial pelo mesmo pedaço de chão chegará ao fim quando forem negociadas duras concessões entre as partes, sem entender que nenhuma parte será suicida para negociar a sua destruição.
Eu acuso aqueles que aceitam e justificam a colonização dos territórios ocupados por Israel após sucessivas vitórias militares deste pequeno país em guerras que almejavam a sua destruição. Eu acuso aqueles que são coniventes com a expansão dos assentamentos e controle militar opressivo que e acabam por negar de forma incisiva o direito de auto-determinação de todo povo palestino.

Eu acuso aqueles que, míopes para todo este quadro, rejeitam o direito de Israel de defender a sua população diante de uma clara agressão ao país perpetrada por um grupo terrorista. Aqueles que ousam comparar o exército de Israel a um esquadrão da morte, de uma instituição sádica que não valoriza vidas inocentes. Eu acuso aqueles que não explicam porque um país que possui um exército mais forte, com equipamentos de mais alta tecnologia e treinamento de qualidade inquestionável demora tanto para realizar o propagandeado “genocídio” sobre a população palestina. Qual lógica pode esclarecer como pode haver “limpeza étnica” em uma região que apresenta uma explosão de crescimento populacional?

Eu acuso aqueles que ainda não entenderam que foguetes lançados por fundamentalistas sobre zonas habitacionais matam e destroem e que o fato dos terroristas não terem sucesso em seu intento, não pode apagar o fato de que existiram reiteradas tentativas de assassinato deliberado. Os que acham que o terror não transforma a vida do israelense. Que acredita que é possível dormir depois do barulho ensurdecedor de uma sirene que avisa que um foguete que deseja te matar foi lançado sobre a sua cabeça.
Eu acuso aqueles que acreditam que para não fortalecer o terrorismo, devemos tolerar o terrorismo. Os que acreditam que a passividade diante da agressão é uma opção legítima e moral. Eu acuso aqueles que ao analisar a resposta militar de Israel ao ataque do Hamas, criticam o governo israelense em todos os seus erros relacionados a “causa palestina”, porque são eles que traduzem de forma errada para o mundo que o terrorismo islâmico deseja “negociar terras ou uma vida melhor para o seu povo”.

Eu acuso aqueles que tentam explicar a atual agressão do Hamas a Israel unicamente através de uma ótica marxista que precisa identificar o opressor e o oprimido na luta por bens materiais e recursos naturais. Eu acuso aqueles que acreditam (em sua soberba e arrogância) que o fundamentalismo islâmico só existe porque o mundo ocidental o criou. E que se culpam. Que não entendem que nós devemos ajudar os palestinos, mas a transformação verdadeira daquela realidade só ocorrerá quando aquela sociedade se rebelar de forma inequívoca – e como agente principal – contra o absolutismo religioso que não se importa em causar as suas mortes. Os civis da Faixa de Gaza não morrem “em nome da liberdade”, morrem porque o seu governo é contrario a ela.

Acuso aqueles que deixam de se pronunciar sobre a realidade incomum que vive o meu país: Israel é um Estado judeu inserido em um mundo árabe, um Estado ocidental inserido no mundo islâmico, e uma democracia inserida em uma região conhecida pelas suas tiranias.

Os que buscam simplificar uma realidade complexa e que se escondem em maniqueísmos infantis e em um tolo pacifismo  revelando a sua completa ignorância e um desejo velado de que a paz seja alcançada com o fim de Israel.

Eu acuso.

Eu acuso todos vocês.

Comentários    ( 65 )

65 comentários para “Eu acuso”

  • Marcelo Korn

    20/07/2014 at 11:07

    Duas citacoes que gostei muito, dentre outras, representam o que eu penso:

    “-Notem que Israel é apenas um pequeno e bravo incômodo no meio do caminho entre vocês e estes animais. Uma pequena barreira entre você e a Idade Média.”

    “-Eu acuso aqueles que tentam explicar a atual agressão do Hamas a Israel unicamente através de uma ótica marxista que precisa identificar o opressor e o oprimido na luta por bens materiais e recursos naturais. Eu acuso aqueles que acreditam (em sua soberba e arrogância) que o fundamentalismo islâmico só existe porque o mundo ocidental o criou.”

    E incrivel ver os humanistas utilizarem(dancarem) o “humanismo” conforme a musica, ainda que por hora (por um pequeno espaco de tempo e lugar). O anti semistismo pode ser visto de varias formas e ideias…. Em 5 minutos acontece o “switch” e o injustificavel vira justificavel e vice-versa…

    Israel nao pode e nao deve baixar as armas, ta no DNA dos fundamentalistas ! Eles tao presos a suas proprias ideias.

    Ja dizia a propaganda “Aprecie com moderacao…”

    Abcos e parabens Marcelao, excelente !!!!

    • Airton Gontow

      24/07/2014 at 05:42

      Caro. Excelente. Eu estava preparando um texto justamente com o mesmo título. Diante de tantas acusações e de ataques antissemitas em veículos da mídia, cartas de leitores, comentários na Internet…a lembrança de Emile Zola é mais que oportuna. Abraço.

  • Doris Barg

    20/07/2014 at 13:39

    Marcelão, este seu artigo que vem de uma expressão pontual como um laser = eu acuso, eu completo eu abraço.
    Pois ao ler eu acuso vem a conotação inflamada da raiva e suas palavras foram escritas com objetividade e conhecimento removendo a validade da violencia das palavras trazendo informação.
    Parabens. É um orgulho poder contar com pessoas como vc para ajudar a elaborar a experssao de um conteudo tão emotivo para todos que vivem sim baixo ao terror e neste momento se sentindo baixo ao terror dos que não buscam conhecer a causa e sim julgar e condenar por razões nada objetivas.
    Meu maior abraço de volta e obrigada

  • luiz rechtman

    20/07/2014 at 17:25

    Marcelo, parabéns pelo irreparável texto. Impossível que alguém não consiga entender pela clareza verdadeira dos seus pensamentos. Um dos melhores textos já escritos sobre este conflito. Que possa ser compartilhado ao máximo para o maior número de pessoas possíveis. Um abraço, Luiz.

  • Suzana GRINSPAN

    20/07/2014 at 19:08

    EXCELENTE ARTIGO!!!!!!Parabens Marcelão!!!!

  • Alex

    20/07/2014 at 19:54

    Parabéns Marcelo, você expressou o que, creio, a maioria pensa.
    A questão é como convencer a opinião pública desta realidade. Ou será melhor simplesmente ignorar a opinião Pública e fazer o que tem que ser feito?

    • Marcelo Treistman

      21/07/2014 at 09:34

      Obrigao pelo comentário e visita Alex.

      EU acredito que ninguém muda de opinião após ler um texto. O processo de “convencimento” é lento.

      Qual a nossa responsabilidade como Judeu e Israelenses? Falar a verdade e acabar com a “defesa incondicional de Israel”
      Tentar vender a imagem que todo judeu ou israelense é santo, é algo realmente muito ruim porque faz você parecer infantil, arrogante, cego e então você acaba ficando sem credibilidade perante a “opinião pública” mundial.

      É nosso dever, no entanto, esclarecer a questão religiosa (porque ela existe!) que envolve e permeia o conflito. Colocando as coisas em proporção, diria para você não ficar muito preocupado. No fim, a verdade vencerá a mentira, a realidade vencerá a fantasia e a liberdade vencerá a opressão.

      Sabe por que? Porque nós temos muito mais a perder.

      Um grande abraço.

  • joao

    20/07/2014 at 23:03

    viva na fantasia de que israel representa esses tais “valores ocidentais”.

    eu, brasileiro, é que posso dizer isso. quem ocupa território, subjuga um povo, relega a status de coisa a ser vigiada um país inteiro não pode.]

    • Marcelo Treistman

      21/07/2014 at 09:17

      Olá João,

      Obrigado pelo comentário.
      eu também não sou a favor da ocupação. Gostaria de saber como você se sente, sendo brasileiro e ocupando a terra dos indíos Tupis-Guaranis?
      E gostaria que você nos esclarecesse qual é o objetivo do Hamas? A liberdade do seu povo?

    • joao

      22/07/2014 at 00:23

      sinto vergonha do processo de colonização, bem como sinto um profundo desprezo pelo empreendimento escravocrata que tivemos ao longo de séculos.

      entretanto, e isso é fundamental, nosso passado colonial é passado. fiquem a vontade de relativizar ou justificar um crime que hoje é inaceitavel, até porque completamente contrario à toda lei internacional.

    • Marcelo Treistman

      22/07/2014 at 01:17

      Joao,

      Qual é o objetivo do Hamas, quais as ferramentas que ele utiliza para levar a cabo a sua ideologia, e como você acha que a reação a ele seria proporcional (se é que deva existir reação)?
      Falta ainda responder como você, como brasileiro, se sente ocupando um território dos indios Tupis-Guaranis e o que você faz quanto a esta questão.

    • joao

      22/07/2014 at 15:45

      só para esclarecer, na sua opinião a atual ocupação dos territórios palestinos pelo estado israelense é algo semelhante a colonização brasileira na américa em 1500? aos espanhois na america espanhola, no mesmo período? posso por também os europeus que foram para a america do norte no mesmo periodo?

      se for, podemos encerrar aqui.

    • Mario S Nusbaum

      21/07/2014 at 16:24

      joao,
      Imagine por um instante que o Uruguai lançasse foguetes TODOS OS DIAS, anos a fio, sobre nosso território. Que uruguaios costumassem se explodir em ônibus, cafés, escolas e ruas brasileiras. Você acha que nosso governo deveria reagir ou não? O que você diria se tivesse que largar tudo o que estivesse fazendo e ir correndo, voando para um abrigo, TODOS OS DIAS. É muito fácil quem convive com um poodle criticar quem tenta matar uma cascavel que entrou em sua casa.
      Atenção!!!!!! Cascáveis são os fundamentalistas, as bestas selvagens do hamas, não os palestinos em geral, mesmo estes celebrando todas as mordidas dos peçonhentos.

    • Raul Gottlieb

      21/07/2014 at 21:19

      João,

      Considere o que disse o Presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser em 26 de maio de 1967, após bloquear os estreito de Tiran: “o nosso objetivo básico é destruir Israel”.

      Considere também o que disse em 1947 o secretário geral da Liga Árabe Azzam Pashá: “o estabelecimento de um Estado Judaico levará a uma guerra de extermínio e a massacres que serão citados como os massacres dos Mongóis [Gengis Khan] e das Cruzadas”.

      Considere o que diz o item 13 do estatuto do Hamas: “As assim chamadas soluções pacificas para resolver o problema Palestino contrariam a doutrina do Movimento de Resistência Islâmico”

      E, finalmente, considere que os israelenses tinham todas as razões do mundo para acreditar nestas e em milhares de outras declarações semelhantes, que foram ditas aos borbotões antes da ocupação de 1967 e continuam sendo ditas ate hoje. Os israelenses tem estas razões porque experimentam na própria pele as tentativas de implementação destas declarações.

      E veja que a alternativa de Israel é conquistar os territórios a partir do qual os inimigos o atacam ou ser aniquilado.

      Você até pode condenar Israel por recusar o suicídio. Mas não por muito mais que isto. E neste caso só cabe aos israelenses te pedir desculpas por escolher a vida e continuar vivendo.

      Abraço, Raul

  • Marcelo Starec

    21/07/2014 at 00:18

    Oi Marcelão,
    Muito bom o seu texto. Aliás, quero parabenizar a toda a Equipe do Conexão que vêm cada vez mais aprimorando a qualidade dos artigos publicados. Gostaria aqui de ressaltar uma frase que é, no meu entender, o ponto central deste conflito: “mas é a própria existência de Israel como uma entidade não-islâmica autônoma em uma terra sagrada para o Islã (e rodeado pelo Islã) é que cria a agressão direta contra a pequena nação judaica “dentro” de um vasto mundo fundamentalista.” Fato infelizmente ignorado e não compreendido no mundo ocidental. Qualquer análise sobre o conflito que não leve em consideração esse aspecto, é parcial e incompleta! Óbvio que isso não precisa ser discutido em todos os artigos, já que é um aspecto dentre outros, também relevantes. Ocorre que, quem quiser ter um entendimento real e profundo do conflito e não levar isso em consideração, acaba caindo em uma série de conclusões equivocadas, o que uma grande parte da intelectualidade mundial, por ingenuidade ou outros motivos, faz a todo o tempo, já que não consegue sequer conceber a existência desse aspecto, sem dúvida relevante.
    Abraço,
    Marcelo.

  • Maria Lucia Levy Malta

    21/07/2014 at 02:52

    Excelente texto emitido pela alma. Permíta-me: Acusamos.

  • Mario S Nusbaum

    21/07/2014 at 16:12

    Parabéns Marcelo, mil parabéns!!!!!!!

    “A questão é como convencer a opinião pública desta realidade”
    Depende muito de qual opinião pública, esclareço abaixo.
    “EU acredito que ninguém muda de opinião após ler um texto. O processo de “convencimento” é lento.
    Qual a nossa responsabilidade como Judeu e Israelenses? Falar a verdade e acabar com a “defesa incondicional de Israel”
    Lento, difícil e em alguns casos impossível. Nessa questão divido a opinião pública em degraus:
    – judeus israelenses
    – judeus da diáspora
    – não judeus mas também não ligados (descendentes) de árabes
    – árabes
    Ando muito triste, preocupado e espantado ao ver que nem o primeiro degrau foi vencido, muito pelo contrário, existem judeus israelenses pregando o contrário.

    • Marcelo Treistman

      21/07/2014 at 18:11

      Obrigado Mario!

      Vejo apenas uma minoria barulhenta de judeus contrária a operação em Gaza. É claro que eles são utilizados pela midia anti-semita e anti-sionista como exemplos do “massacre” israelense aos palestinos. Afinal de contas, judeu “só fala a verdade” quando se manifesta contra Israel, não é verdade?

      Mas estes são apenas excessões. A maioria absoluta da sociedade israelense e (acredito eu) a comunidade judaica entende por que lutamos e contra o que lutamos.

      E vou te dizer uma coisa: quando a maior parte dos judeus e israelenses de diferentes linhas, ideologias, pensamentos e posíções concordam de forma uniforme com um assunto é porque a coisa tá feia pro Hamas.

      Um grande abraço

  • Mario S Nusbaum

    21/07/2014 at 16:18

    “Eu acuso aqueles que acreditam (em sua soberba e arrogância) que o fundamentalismo islâmico só existe porque o mundo ocidental o criou. E que se culpam. ”
    Após uma palestra de uns que pensam assim, um judeu disse para ele: você me lembra aquelas mulheres que apanham do marido e pensam: deve ter sido algo que eu fiz.

  • Fernando

    21/07/2014 at 16:19

    Oi Marcelo,

    Bem, como não-judeu e não-muçulmano, te confesso uma dificuldade enorme de conseguir construir uma opinião que eu julgue justa sobre esse assunto. Atualmente residente aqui em Paris, eu tenho a “oportunidade” de assistir à esse choque de ideologias da minha janela: as manifestações pro-palestina que degeneram em violência urbana e ataque à sinagogas, a liga de defesa judia metendo porrada nos adolescentes árabes que passeiam pelo Buttes Chaumont. Isso somado aos questionamentos da própria criação do estado de Israel (pessoas ali moraravam, pessoas foram dali desalojadas), que se somam ao sentimento de choque ao perceber que o monumento cheio de flores na praça onde eu almoço todo dia é dedicado às crianças judias do 8éme arrondissement deportadas para Auschwitz abaixo de idade escolar e que portanto não tem placa comemorativa na frente de nenhuma escola e que me faz constatar que, se eu fosse judeu, a criação de um estado que me protegesse seria algo logico e absolutamente indispensável.

    O que eu julgo interessante no teu texto é a “não-simplificação” do teu ponto de vista enquanto judeu e israelense. Ponto de vista que consigo me identificar (que acho que a maioria dos “ocidentais moderados” que não tentam cair numa armadilha maniqueísta de “bom x mau” compartilha), principalmente no que concerne ao seu orgulho em participar de um estado democrático e que respeita as liberdades individuais.

    O problema é que o que você chama de miopia emerge como uma dissonância cognitiva quando eu abro um The Guardian, Le Monde, Die Zeit e me deparo com o numero de 500 palestinos mortos desde o inicio da operação, ou que a força aérea israelense ataca um hospital em Gaza. Eu sei, o Hamas utiliza civis como escudo humano, o hospital foi utilizado como base de lançamento para os misseis. Estamos falando de 500 vidas humanas. E o que incomoda é a impressão que os políticos israelenses dão, na mídia estrangeira, de “para fazer omeletes é preciso quebrar ovos”. E de pensar “Mas como um estado democrático e tecnologicamente avançado pode considerar como ‘natural’ que 500 vidas humanas sejam somente uma triste causalidade de uma operação de auto-defesa?”.

    E nesse momento vem o alivio (egoísta, confesso) de não estar ligado diretamente à nenhuma das partes desse conflito.

    Abraço,
    Fernando.

    • Marcelo Treistman

      21/07/2014 at 17:03

      Olá Fernando,

      Obrigado pela sua visita e comentário.

      O Hamas pretende destruir Israel, como está mais do que claro em sua carta e nas suas demais declarações ao longo do tempo. Compreendeo a sua dificuldade para aceitar a morte de civis e a diferença entre os numeros de mortes. Ninguém deseja isso e eu posso te garantir que eu lamento – de todo meu coração – por cada uma vida inocente que é perdida neste conflito.

      A ONU recentemente encontrou mísseis escondidos numa escola que mantém na Faixa de Gaza. Os mísseis seriam lançados a partir de lançadores localizados em túneis ao lado da escola. Os mísseis não nasceram dentro da escola, eles foram levados para lá. Os mísseis não estavam ficam no pátio da escola. Eles ficam num bunker embaixo dela. O bunker também não nasceu lá, ele foi construído. Quem o construiu não se preocupou em construir um abrigo para as crianças, mesmo sabendo que estava preparando a escola para ser uma base militar. Os pais da escola não viram nada disso acontecer? Se viram ficaram passivos porque? E, principalmente, porque Israel tem que ser condenado por isto?

      Veja, a escola não foi construída em cima de uma instalação militar. A instalação militar foi construída dentro da escola. E isto só foi descoberto e divulgado porque a administração da escola foi entregue à ONU

      Sugiro fortemente que você leia dois artigos que lhe ajudarão a construir um entendimento sobre a questão:

      1 – Margem de interpretação – http://www.conexaoisrael.org/margem-de-interpretacao/2014-07-17/bruno

      2 – Civis inocentes de Gaza são os responsáveis ​​pelo seu destino – http://www.conexaoisrael.org/civis-inocentes-de-gaza-sao-os-responsaveis-%e2%80%8b%e2%80%8bpelo-seu-destino/2014-07-21/conexaoisrael-org

      Obrigado e volte sempre.

    • Alex Strum

      21/07/2014 at 17:38

      Fernando, partindo das suas palavras: “se eu fosse judeu, a criação de um estado que me protegesse seria algo logico e absolutamente indispensável”, eu proponho uma reflexão sobre apenas duas perguntas:
      1- Israel, como Estado do povo Judeu, tem, ou não o direito de existir?
      2- No caso de a resposta ser Sim, qual o limite moral para defender a sua população?
      Veja que se a resposta à primeira pergunta for Não, a segunda perde o sentido. Digo isto porque suspeito que muitas das críticas à reação de Israel na realidade escondem a resposta Não, que não fica bem ser verbalizada.
      Por outro lado, se a resposta for Sim, qual seria o limite da reação que alguem aceitaria se seu filho estivesse sendo ameaçado??
      Só quero esclarecer que sou contra a ocupação dos territórios mas que considero isto apenas o pretexto para a agressão do Hamas. Se Israel sair da Cisjordania agora, haverão outros pretextos.

    • Fernando

      23/07/2014 at 02:07

      Marcelo e Alex,

      Na minha analise pessoal, a discussão do direito ou não de Israel existir enquanto estado do povo judeu se torna irrelevante perante o fato de que Israel efetivamente EXISTE. É um país com 7 milhões de pessoas, uma economia funcional, cultura, idioma, bandeira próprios. Qualquer pessoa que pregue a dissolução de um estado desse porte nos dias atuais é no mínimo insano (e na média um terrorista do Hamas?). A História não permite voltar ao passado e rescrever tudo “da forma que teria ter sido”. (Sejamos sinceros, enquanto brasileiros, o quanto orgulhosos somos do fato que fomos o último país do mundo a abolir a escravidão?) O que a História permite é ter bases para compreender o passado e tentar arranjar a merda atual para um futuro um pouco mais fora da lama.

      Marcelo, eu já tinha lido o artigo do Yaron London aqui no Conexão. E confesso que ao terminar o texto, assim como quando eu terminei de ler a tua resposta, consegui me visualizar concordando com os vossos argumentos. Só que em alguns pontos o visualizar não se transformou em concordar.

      Consigo compreender o sentimento de indignação perante à passividade do palestino médio em testemunhar a construção de um ato de agressão à civis de um país inimigo (p.e., os mísseis numa escola). Entretanto, “make them to pay a price for it” é impor uma punição por cumplicidade num crime ser levar em conta as condições nas quais esse crime foi cometido. Temos a sorte de morarmos em sociedades onde as nossas liberdades individuais são garantidas, mas quantos de nós estaríamos realmente dispostos à levar um tiro na cara por tentar ir contra um movimento imposto por um governo autoritário e apoiado por uma maioria em torno de nós? O argumento que você e o London utilizam pode ser muito facilmente ser utilizado para justificar uma ação policial violenta numa favela (os moradores viram os traficantes se instalarem na região, por que eles ficaram passivos? Por que nós, da classe média do asfalto, temos que ser condenados por isso? A Policia está agindo com o objetivo de assegurar no nosso bem-estar.). Tem um fator de criação de um antagonismo nisso que eu não consigo concordar.

      Talvez isso seja derivado da minha crença de que toda sociedade moderna precisa estar estabelecida em valores muito claros de tolerável / intolerável, democrático / anti-democrático, entre civilização / barbárie. Existem regras, normas internacionais à serem respeitadas em um conflito armado. Essas regras são o limite moral. Compreendo a frustração, a revolta, a raiva ao ver os terroristas do Hamas desrespeitarem cada uma dessas regras enquanto jogam mísseis nas cabeças de vocês. Mas vocês, israelenses, vocês representam um estado democrático, uma sociedade moderna que precisa rigorosamente jogar dentro dessas regras. Porque elas foram construídas em cima da experiência histórica catastrófica e dolorosa de cada uma das vezes em que um estado acreditou que elas poderiam ser “flexibilizadas” ou onde as ignorou de forma deliberada. Essas regras são a única garantia contra a barbárie. Elas são a única garantia de que as vossas gerações futuras não olharão para trás e pensarão “Como pudemos fazer isso?”. Da mesma forma em que as atuais gerações da moderna Alemanha olham para trás sem conseguir compreender como uma sociedade evoluída, altamente educada, fundada em sólidos conceitos democráticos, com uma cultura que valoriza o “racional” acima de tudo conseguiu cometer a monstruosidade que eles cometeram contra o povo judaico, ciganos, homossexuais, etc.

      Sinceramente, Israel e o povo israelense merecem muito mais do que essa culpa. Por toda a dor sob qual vocês fundaram o vosso estado, pela sociedade que vocês conseguiram construir em quase 70 anos de história, pelo que vocês representam perante a um Oriente Médio cada vez mais num caminho autoritário, anti-democrático e fundamentalista.

      Abraços,
      Fernando.

    • Fernando

      23/07/2014 at 02:14

      (E peço desculpas pelos erros de digitação, mas corretor de texto francês + ligeira dislexia não ajudam muito na tarefa. :/)

    • Marcelo Treistman

      23/07/2014 at 10:35

      Fernando,

      Mais uma vez agradeço o seu comentário e gostaria de dizer que concordo com grande parte dele.

      Peço a sua atenção para o fato de que Israel é um dos únicos países do mundo que é obrigado a responder diariamente as perguntas que você fez: como lutar democraticamente contra um inimigo que despreza a democracia e como se defender de agressões reiteradas – protegendo liberdades – quando estas agressões são realizadas por aqueles que desejam impor um regime que não respeita nenhuma delas. Com o agravante de que eles estão dispostos a morrer (e matar a sua população) em nome destes objetivos.

      Eu acredito que ao responder estas questões Israel acerta mais do que erra. E erra sim, não tenho nenhuma dúvida.

      Nestes sete anos morando em Israel construí algumas certezas. Uma delas é que existe um movimento, que nada tem a ver com a questão palestina, e que deseja destruir tudo o que não é islã. Israel é apenas o alvo mais urgente. Terminado o trabalho com o “ente sionista” esta ideologia seguirá em frente sem temor.

      É este movimento que obriga a sociedade israelense, diariamente, a se fazer estas perguntas tão importantes:

      a) Em nome da minha segurança, eu aceito que inocentes possam ser torturados?
      b) Em nome da minha segurança, eu aceito que alguém seja assassinado, sem direito a ampla defesa e contraditório?
      c) Em nome da minha segurança eu aceito a limitação da liberdade de ir e vir de milhares de pessoas?

      Eu culpo o terrorismo por me deparar com estas perguntas tão contantemente no lugar onde vivo. E por me obrigar a respondê-las. Mas você – Fernando – Também tem razão. Devemos estar atentos aos direitos que estamos dispostos a atropelar em nome da nossa segurança. Isto porque algumas vezes a resposta será “não”. Eu “não estou disposto. “Não” em meu nome”.

      É nossa obrigação moral defender a nossa segurança. É também nossa obrigação moral, estabelecer os limites desta defesa.

      É isto que nos diferencia tanto daqueles que nos agridem neste momento.

      Obrigado e volte sempre.

    • Alex Strum

      23/07/2014 at 15:39

      Fernando, não há como discordar das suas ponderações. Os dilemas morais envolvidos são enormes. Mesmo assim é preciso tomar decisões.
      Na minha opinião existem duas formas de analisar estes fenômenos, como um observador afastado dos fatos, e como alguem responsável por tomar as decisões sobre o que deve ser feito.
      Se você fosse o responsável por decidir como reagir ao que está acontecendo, o que você faria? Considere que para tomar esta decisão, entre outros, os seus filhos, parentes e amigos sofrerão as consequencias da sua decisão.
      Antes de responder, se quiser responder, considere o mundo real no qual as coisas se dão e não um mundo imaginário de como deveria ser.

    • Mario S Nusbaum

      24/07/2014 at 01:16

      Fernando, Já pensei em tudo o que você escreveu no parágrafo “Consigo compreender o sentimento de indignação….. Tem um fator de criação de um antagonismo nisso que eu não consigo concordar.”
      SERIA realmente uma questão séria e um dilema moral SE boa parte, a maioria, dos palestinos não celebrassem atentados terroristas, se não dessem festas em homenagem aos piores terroristas do hamas, se não comprassem vídeos celebrando suas “façanhas”.

  • Melanie Laris

    21/07/2014 at 16:46

    Texto fraco e mais maniqueista do que os que critica.

    • Marcelo Treistman

      21/07/2014 at 16:57

      Olá Melanie,

      Agradeço a sua visita e comentário.
      Você poderia elaborar um pouco mais a sua opinião? Em que parte do artigo você enxerga “maniqueísmo”?
      Volte sempre!

  • Paulinho

    21/07/2014 at 19:23

    Fala Marcelão!
    Fiquei com certo incômodo lendo seu texto.
    Apesar de concordar com algumas coisas que você escreveu e de entender sua indignação, não gostei da sua postura acusatória (em analogia ao texto do Zola).
    Este é um momento que a gente deve estar atento para saber distinguir entre uma opinião contrária e um discurso racista (seja anti-semita ou anti-islâmico), o que não vi discriminado no seu texto.
    A minha opinião é contrária a sua em alguns aspectos e senti que essa acusação não discrimina ninguém que pensa diferente. Um discurso da indignação misturado com intolerância. Com todo respeito, essa foi a sensação que tive.

    Para além do seu texto queria escrever sobre um pensamento que tive. Neste momento de conflito fica mais clara a posição ideológica de cada pessoa do conexão e da para perceber que há bastante diferença (ao contrário do que eu já li pessoas comentando aqui) entre os autores do conexão.
    Isso é interessante e positivo para o blog. Mais uma vez parabéns pelo trabalho de vocês!
    Grande abraço

    • Marcelo Treistman

      21/07/2014 at 21:27

      Paulinho,

      Um prazer receber o seu comentário e suas críticas.
      O radical, seja ele de qualquer ideologia, é definido como aquele que despreza a individualidade alheia. Você não pode querer algo diferente do que o governo quer, do que a seita deseja, do que o movimento define, etc.

      A acusação – neste momento – se faz necessária porque existe crimes que estão sendo cometidos.

      Na minha opinião, o maior deles é o assassinato da verdade.

      Acuso o radicalismo islâmico, revelo a sua existência, tento esclarecer que a “causa palestina” foi sequestrada por fundamentalistas que não desejam nenhuma liberdade. Faço a clara distinção entre o Islã e o fundamentalismo islâmico (Está expresso e discriminado no artigo – leia ele novamente), e lamento que o muçulmano que é contrário as políticas conduzidas pelo Hamas só possa criticar o que ocorre em Gaza bem longe, mas muito longe de lá. Reconheço “o outro” e as suas narrativas e exijo o reconhecimento da minha. Apelo a concessões mútuas.

      Respeito todo o seu sentimento em relação ao texto. Indico que a minha única intenção era acusar justamente o intolerante que deseja acabar com o pensamento contrário, com o debate de ideias, com a minha liberdade de ser quem eu sou e com a liberdade de ser quem ele é.

      A minha acusação é contra quem despreza e desrespeita o que temos de mais importante no mundo: a nossa individualidade.

      Um blog como nosso, com posicionamentos tão diversos, não poderá existir em Gaza. É por isso que estamos em guerra.

  • Paulinho

    22/07/2014 at 04:03

    Marcelão, talvez você não tenha me expressado bem. O que me incomodou foi a acusação de todas os pensamentos diferentes do teu. Você acusa todos os pensamentos, inclusive o meu, da mesma forma. Eu achei o modo de escrever intolerante, talvez não tenha sido a sua intenção.
    A acusação eu faço para aquilo que não aceito, o terrorismo, por exemplo. Para o que é diferente, mas que eu aceito como legítimo eu não acuso.
    Ao acusar os que legitimam o terrorismo do Hamas e os que criticam o ataque israelense (onde eu me incluo), você iguala esses pensamentos.

    • Marcelo Treistman

      22/07/2014 at 08:48

      Paulinho,

      Se você critica a resposta militar israelense ao Hamas, analisando os erros do Estado judeu no que tange a causa palestina, você é um dos responsáveis por traduzir erroneamente ao mundo que os fundamentalistas islâmicos desejam “negociar terras e um futuro melhor para o seu povo”.

      Se você faz isso, então por favor, sinta-se acusado. Você também contribui para a manutenção do conflito.

  • observador

    22/07/2014 at 05:29

    Eu acuso você de dissonância cognitiva. Em seu favor, diga-se que não parece ser só com você, é a maioria de artigos de judeus comentando o conflito. Cheguei aqui seguindo a indicação de uma amiga judia que indicou este site como um lugar para ler análises equilibradas sobre o assunto. Eu ainda não consegui ler nenhuma (da pena dela também não saiu nada…). Vocês judeus pretendem ser campeões morais neste conflito, coisa que eu acho estupefaciente, uma vez que o Estado de Israel resulta da ocupação de uma terra onde moravam pessoas que foram expulsas à força e, assim, têm motivos justificados para reagir à violência que sofreram. Vocês convenientemente passam por cima dessa questão e a tratam como se tivesse havido um plebiscito, e a população da área tivesse alegremente concordado em dividir a terra com os judeus, e depois dado pra trás. Não foi bem assim, não é mesmo? Vocês são os invasores, e diga-se a seu favor que vocês mantiveram pela força a terra que invadiram, contra tentativas dos árabes de recuperá-la pela força, mas esse papo de “só queremos a paz”, “no momento em que os árabes depuserem as armas haverá paz em dois estados”, enquanto constroem mais assentamentos no território que deveria pertencer ao outro estado, faça-me o favor… talvez daqui a 500 anos, quando vocês terminarem de colonizar a região e tiverem aculturado/exterminado os seus índios como nós fizemos com os nossos, um de seus descendentes possa dizer, como nós podemos dizer hoje no caso do Brasil, que é herdeiro de uma situação que não criou, e não pode ser responsabilizado pelo que aconteceu durante a colonização. Mas nós estamos aqui, hoje, e o que resta a vocês é prosseguir repetindo que vocês são os mocinhos da história, para ver se conseguem se convencer a vocês mesmos e aos outros disso. Boa sorte…

    • Marcelo Treistman

      22/07/2014 at 09:01

      Prezado Observador,

      Observe bem. Se você espera encontrar um artigo neste site que discorra sobre a impossibilidade de existência do Estado Judeu, como parece ser a sua opinião, então você – de fato – chegou ao site errado. Somos todos sionistas e acreditamos que Israel tem o direito de existir.

      A sua análise histórica é completamente equivocada, distorcida e maniqueísta. Você é apenas mais um daqueles que acredita que o fim de Israel é o que trará a paz na região. Sinto muito. Israel e o conexão não pensam desta forma.

      Convido você a ler o excelente artigo O ABC do conflito.

      Obrigado e volte sempre.

    • observador

      22/07/2014 at 14:48

      Prezado Marcelo,

      Eu já tinha lido o excelente artigo “O ABC do conflito” ANTES de escrever meu post… não mudou a minha opinião sobre o quanto há de negação da realidade em ocupar uma região, expulsar pessoas que moravam lá e pretender que elas estejam erradas quando reagem com violência (aliás, usando táticas parecidas com as que os judeus usavam contra os britânicos). Você e minha amiga judia dizem que a minha análise é equivocada, maniqueísta etc. etc., mas não dizem em quê. Esse “Israel tem o direito de existir” de vocês é um slogan, e nada mais. Você acha isso, o cara que foi expulso lá da terrinha em que morava para que Israel existisse provavelmente também acha (desde que Israel exista em outro lugar que não aquele…), e isso não muda nada: Israel existe, com base na força, e vai continuar existindo ou deixar de existir com base na força. Eu não sei se o fim de Israel é o que trará paz à região, suspeito fortemente que não, mas isso não equivale a dizer que a existência de Israel não é um dos motivos para a violência na região, não é mesmo? Enfim, acho que consegui entender melhor a maneira de pensar de vocês. Você é um sujeito educado, e agradeço por isso. Fique seguro, e um abraço.

    • Marcelo Treistman

      22/07/2014 at 15:16

      Olá Observador:

      Sua análise é equivocada nos seguintes pontos:

      1 – Há uma ligação espiritual do povo judeu com Israel, Você nega este fato? – este é o sentido do sionismo.
      2 – Sempre existiu uma população judaica no local.
      3 – A terra não era e nunca foi “propriedade” dos palestinos.
      4 – Houve uma decisão da ONU em 1948 dividindo o território – Israel aceitou o que lhe foi determinado, os árabes não aceitaram e atacaram Israel. Houve outras guerras, em 56, 67, 73, etc.
      5 – Os judeus foram expulsos dos países árabes depois da criação do Estado e foram acolhidos em Israel. Os palestinos (que perderam a guerra) e foram expulsos de Israel não receberam a cidadania em nenhum outro país árabe.
      6 – Há um conflito territorial que será resolvido com concessões mútuas – o reconhecimento de narrativas (judaica e palestina e a sua ligação com a terra). O que vivemos hoje não é uma discussão sobre terras – O hamas é um grupo fundamentalista islâmico que sequestrou esta justa reinvindicação palestina e utiliza-se de sua opressão sobre este povo para instituir um Califado Islâmico na região (há farto material que comprova esta ideologia e objetivo).
      7 – A violência existe na região porque há governos que não podem conceber a existência de um Estado Judeu e Democrático num local onde existem tantam tirânias islâmicas. Israel pode (e já demonstrou isso em acordos com Egito, Jordânia, etc) que está preparado para conviver com o diferente e dividir a terra.
      8 – Leia a declaração de independência de Israel (e o reconhecimento de “vizinhos”) e a carta de fundação do Hamas (o desejo de destruição do “judeu”)

      Observador, fora isso, observo que você vive no Brasil e me questiono como você se sente ocupando as terras dos índios Tupi-Guarani? Quem deu direito aos Brasileiros de ocuparem o Brasil e os Suecos de ocuparem a Suécia?

      Um grande abraço e volte sempre

    • observador

      23/07/2014 at 03:49

      Olá Marcelo:

      Sua análise é equivocada nos seguintes pontos:

      1 – Há uma ligação espiritual do povo judeu com Israel, Você nega este fato? – este é o sentido do sionismo.

      Desculpe se eu pareço insensível, mas… e daí? Você acha razoável que se expulse de uma área uma família que mora no lugar há, digamos 200 anos, porque judeus que passaram os últimos 200 anos na Europa têm uma ligação espiritual com um lugar de onde os ancestrais deles saíram há mais de mil anos e querem morar lá?

      2 – Sempre existiu uma população judaica no local.

      Era 1/10 da população palestina que vivia no lugar, ou esse dado está errado?

      3 – A terra não era e nunca foi “propriedade” dos palestinos.

      Nem dos judeus, só que estes estavam lá em quantidades beeem menores…

      4 – Houve uma decisão da ONU em 1948 dividindo o território – Israel aceitou o que lhe foi determinado, os árabes não aceitaram e atacaram Israel. Houve outras guerras, em 56, 67, 73, etc.

      Bom, o meu ponto é que Israel é uma cortesia feita pela ONU com o chapéu dos palestinos. Eu acho que, se eu estivesse lá, também não teria aceito a partilha e teria sugerido que algum dos países que votaram a favor oferecesse as próprias terras para criar Israel… (com isso acho que respondo ao Alex: o Holocausto foi terrível, mas os palestinos não têm nada a ver com ele, não é?).

      5 – Os judeus foram expulsos dos países árabes depois da criação do Estado e foram acolhidos em Israel. Os palestinos (que perderam a guerra) e foram expulsos de Israel não receberam a cidadania em nenhum outro país árabe.

      Por que os outros países arábes deveriam acolher os palestinos?

      6 – Há um conflito territorial que será resolvido com concessões mútuas – o reconhecimento de narrativas (judaica e palestina e a sua ligação com a terra). O que vivemos hoje não é uma discussão sobre terras – O hamas é um grupo fundamentalista islâmico que sequestrou esta justa reinvindicação palestina e utiliza-se de sua opressão sobre este povo para instituir um Califado Islâmico na região (há farto material que comprova esta ideologia e objetivo).

      O Hamas foi eleito, não? A eleição foi fraudada? Há pesquisas confiáveis que demonstrem que a população palestina foi sequestrada pelo Hamas? E o quão confiáveis são os governos israelenses quando discutem sobre ofertas de terras (ao mesmo tempo em que constroem assentamentos nas terras que teoricamente seriam dos palestinos)? Há um mapa associado a uma proposta? Alguém viu? (Com isso acho que respondo ao Michel e ao item 7)

      7 – A violência existe na região porque há governos que não podem conceber a existência de um Estado Judeu e Democrático num local onde existem tantam tirânias islâmicas. Israel pode (e já demonstrou isso em acordos com Egito, Jordânia, etc) que está preparado para conviver com o diferente e dividir a terra.

      8 – Leia a declaração de independência de Israel (e o reconhecimento de “vizinhos”) e a carta de fundação do Hamas (o desejo de destruição do “judeu”)

      Vou ser cínico, mas também realista: o papel aceita tudo…

      Observador, fora isso, observo que você vive no Brasil e me questiono como você se sente ocupando as terras dos índios Tupi-Guarani?

      Eu me sinto ok, até porque eu nasci bem depois que a situação se resolveu e posso dizer que não tenho nada a ver com as barbaridades cometidas no passado. Além do mais, eu jamais acusaria os índios de terroristas por querer expulsar os portugueses…

      Quem deu direito aos Brasileiros de ocuparem o Brasil e os Suecos de ocuparem a Suécia?

      Ninguém. As coisas aconteceram como aconteceram. Só que eu acho que ninguém tenta pintar os que ocuparam o Brasil e os que ocuparam a Suécia como os mocinhos da história. Basta dizer que eles foram os vencedores.

      Agradeço pela cordialidade. Um abraço.

    • João K. Miragaya

      23/07/2014 at 11:05

      Olá observador. Obrigado pela visita e por levantar pontos importantes que certamente devem ser esclarecidos.

      Primeiramente, você tem razão: a ligação dos judeus com a terra não deveria resultar na expulsão de nenhum outro povo. A proposta de Partilha da Palestina, de 1947, aprovada pela ONU, não previa absolutamente nenhuma remoção de palestinos a lugar nenhum. Os principais teóricos sionistas, inclusive, jamais sugeriram a expulsão da população árabe nativa de suas casas. Esta expulsão aconteceu em 1948, não se sabe de quantos árabes, e não foi resultado de um plano maquiavélico sionista: foi resultado de uma guerra. Judeus também foram expulsos de territórios na Margem Ocidental, é natural que uma população hostil seja removida num cenário como este. Evidentemente a maioria dos palestinoa não era hostil, e também é notório que a maioria dos atuais refugiados não foi expulsa: são refugiados de guerra, que jamais retornaram às suas casas desde então, e tampouco receberam cidadania (falo em geral). Este certamente é o problema moral mais complexo a ser resolvido quando chegarmos às negociações.

      O Reino Unido, em 1939, anunciou que em 14 de maio de 1948 daria fim ao Mandato Britânico na Palestina. Em 1946 o país entregou à ONU a capacidade de resolver o destino daquela terra. Em 1947 a ONU votou pela partilha. Os árabes jamais aceitaram-na e iniciaram uma guerra. Este foi um erro grosseiro, uma intolerância sem limites, pela qual os palestinos pagam até hoje. Caso não houvesse guerra, provavelmente teríamos hoje dois Estados e nenhum refugiado. Infelizmente o destino não foi este.

      Estou de acordo contigo, os países árabes não têm a obrigação de acolher os palestinos. Israel e a Autoridade Palestina devem chegar a um acordo que solucionem problema dos refugiados, crie o Estado palestino e traga a paz à região.

      Obrigado pela visita. Um abraço

    • Marcelo Treistman

      23/07/2014 at 11:30

      Observador,

      Apenas completando a resposta do Joao, me parece que você visualiza a imigração judaica a esta região como uma horda de piratas que desejavam assassinar quem aqui estivesse em nome da conquista de território.

      Isto não é verdadeiro e a sua opinião se ancora em falsas premissas.

      Existiram ondas de imigração judaica desde o fim do Século XX para uma região (que não pertencia aos palestinos) e foram autorizadas por quem possuia a propriedade sobre a terra (Imperio Turco-Otomano e, posteriormente os Britânicos).

      Apenas ilustro que no fim da virada do século 20 haviam mais habitantes judeus do que não judeus em Jerusalém – (leia o livro “Jerusalem and Its Environs: Quarters, Neighborhoods, Villages, 1800-1948”, escrito por Ruth Kark e Michal Oren Nordheim)

      Claro que isto não muda os fatos atuais – onde há efetivamente uma população não judaica que tem o direito a auto determinação e que há de consegui-la quando derrotar seus dirigentes.

      Por fim, você diz que se sente ok com o fato de estar ocupando terras indigenas, porque nasceu bem depois desta questão “estar resolvida”. Isto representa – SIM – um curioso pensamento: Eu, que nasci depois da criação de Israel, deveria me sentir culpado porque o meu povo não fez o massacre que os portugueses fizeram com os indios para “resolver a questão” da ocupação das terras brasileiras para as futuras gerações. É isto mesmo?

      Um grande abraço

    • observador

      25/07/2014 at 01:58

      Senhores, um olá coletivo a todos.

      Creio que temos diferenças quanto a fatos, que demandam recursos a fontes adicionais às que eu tenho consultado.
      Vocês afirmam, por exemplo, que:
      i) a expulsão de palestinos do território que hoje é Israel ocorreu somente devido à guerra;
      ii) a imigração judaica para a Palestina só ocorreu quando autorizada pelo Império Turco-Otomano ou pelos britânicos;
      iii) os palestinos não têm um Estado porque se recusam a reconhecer Israel.
      Não é o que andei lendo por aí. Mas presumo que vocês conheçam mais o assunto do que eu, então não vou discutir sem procurar me fundamentar cui-da-do-sa-men-te.
      Marcelo, vou esclarecer o meu ponto de vista em relação à analogia colonização do Brasil / da Suécia / questão Israel-Palestina. Apenas para que eu exponha o meu raciocínio, considere que o meu ponto de vista está correto e os judeus estão fazendo na Palestina a mesma coisa que os portugueses fizeram no Brasil e os espanhóis no resto da AL: chegaram, ocuparam a terra e despacharam a população local. Com relação ao Brasil, eu estou na posição cinicamente confortável de poder dizer que não tenho nada com isso, enquanto me beneficio do que aconteceu. É chato, mas é verdade. Você não está, porque não aconteceu, está acontecendo. E hoje em dia pega mal chegar, ocupar a terra e despachar a população local. Ou seja, Israel não pulveriza os palestinos por que não quer (como você diz), ou por que não pode (porque isso é inaceitável hoje em dia)? É como um avô e um neto bebendo uma cerveja e conversando. O neto fala: “Putz, estou com um problema lá em casa, minha mulher descobriu que eu estou pulando a cerca, quer o divórcio e vai me levar até as calças”. O avô responde: “É, eu tive o mesmo problema com a sua avó, mas quando ela pediu o divórcio eu disse que não ia aceitar e dei uns tabefes nela pra ela deixar de ser besta. Funcionou.” É uma solução que podia ser usada lá atrás, mas que hoje não tem mais espaço.
      Para o Mario, eu achei que estivesse óbvio que, se eu não acho aceitável que os judeus expulsem os palestinos, então eu também não posso achar aceitável que os países árabes expulsem os judeus. Se não está, eu falo explicitamente: considero a expulsão dos judeus pelos países árabes inaceitável. Satisfeito?

    • Marcelo Treistman

      25/07/2014 at 06:26

      Olá observador.

      O seu ponto de vista não está correto.
      Obrigado e volte sempre.

    • observador

      25/07/2014 at 02:01

      Esqueci de dizer: agradeço a todos por terem me recebido com cordialidade e disposição para um debate honesto e esclarecedor. Um abraço a todos.

    • Alex Strum

      22/07/2014 at 16:47

      Observador,
      Sou judeu e sionista, mas acho que a sua argumentação tem sim, um fundamento.
      De fato o Estado de Israel foi criado numa região onde antes a maioria da população era constituída por população árabe (não havia a nacionalidade pelestina). Isto sem dúvida gerou um distúrbio na região.
      Só que tem um outro lado. Para evitar esta “injustiça” seria necessário fazer outra injustiça: negar ao povo judeu o direito a um Estado Nacional depois de mais de 2000 anos de perseguições e discriminações e finalmente o Holocausto.
      Não foi a única vez na história, e talvez não seja a última, em que dois lados tem razão, moralmente falando. O escritor israelense Amos Oz, destaca que o conflito entre Israel e Palestina é trágico porque não é uma uma luta entre o certo e o errado, mas entre duas partes que tem suas razões.
      Como é sabido a comunidade internacional já resolveu este impasse decidindo dividir a terra e dando uma parte para cada povo, portanto do ponto de vista político a questão já está superada.
      Israel é um país legítimo, tem o direito de existir e por consequencia de se defender como qualquer outro país tem.
      Conflitos se resolvem ou através de negociação ou através da força.
      Deslegitimar a existencia do Estado de Israel, como você faz, é uma forma de justificar a violência dos palestinos e optar pela solução do conflito através da força.
      Não acho que seja a melhor estratégia.

    • Michel - Cauton

      22/07/2014 at 21:04

      Obrservador,
      segue um bom texto escrito por um não-judeu que explica algumas coisas muito bem.

      http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2014/07/1489076-david-e-golias.shtml

    • Mario S Nusbaum

      24/07/2014 at 01:26

      Toda sua argumentação parte de uma premissa falsa observador, a de que a criação de Israel foi feita na base da expulsão da população local, o que, além de mentira é absurdo.

      Sua parcialidade é óbvia, como mostro a seguir:

      “5 – Os judeus foram expulsos dos países árabes depois da criação do Estado e foram acolhidos em Israel. Os palestinos (que perderam a guerra) e foram expulsos de Israel não receberam a cidadania em nenhum outro país árabe.

      Por que os outros países arábes deveriam acolher os palestinos?”

      Reparei que você, tão indignado com a “expulsão” dos palestinos (alguns foram sim, mas uma minoria), fingiu não ter lido a primeira parte do item 5? Em todo caso vou repeti-lo aqui:

      ” Os judeus foram expulsos dos países árabes depois da criação do Estado”

      Você não tem nada a dizer quanto a isso?

  • Eduardo

    22/07/2014 at 11:17

    Eu acuso quem desumaniza seus inimigos políticos e os trata como animais…

    • Marcelo Treistman

      22/07/2014 at 11:37

      Olá Eduardo,

      Fundamentalistas islâmicos são animais. Espero que você nunca os tenha como “inimigos políticos”.

    • Eduardo

      22/07/2014 at 19:52

      Tá serto. Como são animais, podemos prender, torturar e matar sob a alegação de que defendemos vidas humanas, claro… Como são animais e não agem como humanos, podemos sair matando 500 civis em uma semana e… a culpa é dos animais, óbvio! Que excelente álibi, não?! Estamos diante de animais, então tudo que fizermos de errado a gente coloca na conta do animal – aquele que não fala, não entende, não pensa… Daqui a pouco vai surgir um texto aqui com o título: “Direitos Humanos para Humanos Direitos”.

    • Marcelo Treistman

      22/07/2014 at 22:14

      Olá Eduardo,

      Para falar de amor é mais do que desejável que nos utilizemos da licença poética. Pra falar de política é necessário que “certo” se escreva com a letra “c”.

      De forma alguma isto desmerece as suas perguntas. Elas são extremamente relevantes. Ao mesmo tempo, é justamente através delas, que enxergo a raiz de nossa discordância.

      Em seu primeiro comentário você definiu o Hamas como “inimigo político” de Israel. Não são. Tratam-se de animais.

      Israel é um dos únicos países do mundo que é obrigado a responder diariamente as perguntas que você fez: como lutar democraticamente contra um inimigo que despreza a democracia e como se defender de agressões reiteradas – protegendo liberdades – realizadas por aqueles que desejam impor um regime que não as respeita.

      Eu acredito que ao responder estas questões acertamos mais do que erramos. E erramos, não tenho nenhuma dúvida. As críticas democráticas a Israel são mais do que bem vindas. Mas você infelizmente ainda não compreendeu que o Hamas não está tentando nos matar pelos nossos problemas democráticos. Tentam nos matar porque desejam impor a todo o mundo um regime em que não haja democracia que possa ser criticada.

      O que estamos vivendo aqui não é um embate de ideias. Não se trata de uma disputa política.
      É uma tentativa declarada de assassinato utilizando covardemente a sua população civil em sua defesa.

      É claro que sempre precisamos de gente capaz e inteligente que esteja disposta a sugerir como preservar os direitos humanos quando você está lutando contra alguém que realmente acredita que deus determinou que você não merece viver. E com um agravante: estão preparados para morrer (e matar a sua população) em nome deste objetivo.

      Até agora, eu lhe digo com pesar, foi o melhor que conseguimos.

      Um grande abraço e volte sempre.

    • Raul Gottlieb

      23/07/2014 at 18:09

      Eduardo,

      Muito interessante você ter trazido a questão de desumanizar o inimigo e dos animais.

      Veja este vídeo: http://www.palwatch.org/main.aspx?fi=758&fld_id=758&doc_id=1709

      Procure no Google: “pigs and apes” ou “monkeys and pigs” – inclusive invertendo a ordem dos animais.

      Leia as referências – são muitas, mas umas 20 bastam.

      E chegue à conclusão sobre quem desumaniza

      Abraço, Raul

    • Mario S Nusbaum

      24/07/2014 at 01:30

      Uma curiosidade Eduardo, como VOCÊ acha que terroristas devem ser tratados? Se um desses animais entrasse na sua casa e assassinasse um filho seu, um bebe, esmigalhando a cabeça dele com a coronha de um rifle, o que deveria ser feito?

  • Kolling

    24/07/2014 at 00:38

    Estou agradecido pela luz das tuas palavras, tenho lido com frequencia pra entender um pouco desta história milenar, cada dia aprendo um pouco mais – obrigado!!!

  • Siron

    24/07/2014 at 17:34

    Eu estou sinceramente muito chocado com o que li até agora nesse site sobre esse massacre. Encontrei esse site na indicação de uma moradora de Israel para um amigo brasileiro no Facebook. Pensei encontrar pontos de vista variado, mas parece que Israel, seu direito de defesa, de usar quaisquer meios para garantir sua segurança está acima de qualquer moral ou ética.

    Os mesmos argumentos que ouvi reiteradas vezes de diferentes amigos judeus são repetidos aqui: Israel não pode ser culpado de ter um Exército bem preparado, armas de ponta. Não se fala do apoio dos EUA na montagem dessa grandiosa Força Armada. Ou então: os israelenses vivem sob o horror de acordar ao barulho de sirene sob o perigo de foguetes. Mas não se fala que os foguetes são lançados em territórios tomados por Israel, que inviabilizou a existência de um país palestino, que impede a autodeterminação deste povo.

    Sou brasileiro, mestiço, resultado da mistura de português, italiano, negro e índio. Sinto um misto de vergonha e necessidade de reparação histórica devido ao que meus ancestrais fizeram e sofreram em minha terra ou alhures. E sinto muito pesar, uma profunda desesperança, quando vejo alguém tentando justificar o massacre que recorrentemente Israel imprime na Palestina, sob o argumento de combater o Hamas. É impossível combater o Hammas, vocês estão fundamentando o fim da Palestina, daqueles que não foram embora de suas terras e nem tiveram a opção de poder fundar ou ganhar um país em que possam viver em paz.

    A revolta mesmo é pelo autor ter usado Zola pra acusar os oprimidos, justificar a guerra.

    Mas os mortos não tem escolha, nem Zola, nem os negros mortos nos porões dos navios, nem os índios exterminados em suas próprias terras, nem os palestinos assassinados em casa.

    • Marcelo Treistman

      24/07/2014 at 18:37

      Siron,

      Agradeço o comentário

      O que impede a auto-determinação deste povo é o ataque reiterado, declarado e intermitente ao Estado Judeu democrático realizado por fundamentalistas islâmicos que apenas oprimem o seu próprio povo. Qualquer análise crítica a Israel quanto a questão palestina que não contenha uma linha sequer sobre a agressão e objetivos perpetrados por governos fundamentalistas devems ser ignorados no ato, porque justamente traduzem de forma errado para o mundo que o terrorismo islâmico “deseja negociar terras ou a liberdade do seu povo”

      Israel tem o direito de existir?
      O fundamentalismo terrorista islâmico existe?

      Se as respostas acima são positivas, então você deve informar como você acredita que Israel deveria se defender dos ataques reiterados contra a sua população civil?
      Se as respostas acima são negativas, então nosso debate terminou por aqui.

      Apenas para esclarecer: se você define como “massacre” a morte de 500 palestinos dentre os quais 200 terroristas, como você define o que acontece na Síria com mais dezenas de milhares de mortes?

      Eu acho que você está deveras equivocado em suas colocações. “Massacre” ocorreria se Israel baixasse por um momento sequer as suas armas ou acabasse com o seu exército. Peço-lhe perdão por não aceitarmos a tentativa de nossa destruição.

      Ouso dizer que Emile Zola, aquele que tanto inspirou o pai do sionismo Theodor Hertzl, denunciando o antisemitismo de forma tão veemente, não teria a menor hesitação em defender o direito de Israel a sua legítima defesa contra certos animais que acreditam que deus falou em seus ouvidos que judeus não merecem existir.
      E ainda, teria orgulho do que foi escrito neste artigo.

    • Alex Strum

      24/07/2014 at 18:51

      Siron, na sua lista dos mortos que não tiveram escolha você não incluiu os judeus ao longo de mais de 2000 anos de história.
      Foi apenas esquecimento ou a morte deles é mesmo irrelevante?
      Pelo visto você não vê nenhuma necessidade de reparação histórica com relação ao fato de judeus terem sido perseguidos, discriminado, expropriados e assassinados ao longo de séculos de história.
      Desculpe mas não só discordo mas acho que isto é justificativa moral suficiente para Israel se defender e evitar que mais judeus sejam mortos.

    • Siron

      24/07/2014 at 20:58

      Ao longo dos dois mil anos de história, morreram judeus, cristãos, muçulmanos, persas, ciganos, eslavos, negros, chineses, japoneses… Isso não é justificativa para massacrar um povo em nome da defesa de outro…

      Repito: a vida do judeu vale mais do que a vida dos outros para vocês.

    • Marcelo Treistman

      24/07/2014 at 21:29

      De jeito nenhum Siron.
      Mas também não vale menos, não é verdade?

    • Alex Strum

      24/07/2014 at 21:47

      Siron, não conheço a história dos outros povos que você cita, mas a dos judeus eu conheço um pouco e de certa forma sou afetado pela sua história recente como descendente direto de sobreviventes do Holocausto.
      O que talvez voce e poucos não entendam é que por muito tempo os judeus, alem de discriminados foram mortos sem poder reagir.
      O Estado de Israel foi criado, entre outros, para por um fim nesta sina. Os judeus passaram a se defender quando são atacados e parece que isto desagrada a muitos. Lamentamos.
      As críticas que Israel sofre sem que ninguem apresente uma alternativa, significa na prática dizer: “aceitem passivamente o lançamento de foguetes sobre sua população”. Este tempo acabou.
      Não minimizo o sofrimento do povo palestino mas eles tem que assumir a sua responsabilidade no que está acontecendo.

  • Antonio

    20/08/2014 at 03:46

    Caríssimo Marcelo,

    estou um pouco atrasado.
    As pessoas não querem a verdade. Sei que a História, a razão, o que é justo enfim está ao lado dos Judeus.
    Não vou elencar minhas razões porque vc as sabe muito mais do que eu e também porque quem é contra Israel não quer ser convencido pelos fatos e eu não ajudaria em nada.
    O mesmo espírito que pairava sobre a Alemanha de maneira mais explícita no período que antecedeu a Segunda Guerra, agora está em toda parte.
    A mídia( que estranhamente dizem ser “dominada” por judeus ) faz muito tempo, vem preparando gerações para rejeitar Israel e o resultado desse trabalho está se mostrando agora de um modo muito claro.
    Me assusta ver o mundo agindo como Chamberlain negociando paz com quem não quer paz, quer apenas tempo para se preparar para cometer mais atrocidades. Querem apaziguar os que fazem do morticínio sua razão de viver. Estão achando que eles vão parar em Danzig.
    Parabéns pela tua objetividade e educação no texto e nas respostas aos comentários( também a todos que postaram com inteligência e respeito como Alex Strum e Fernando)
    Embora eu me sinta inútil em tudo isso e me acuse, penso também que a verdade vai prevalecer.
    Que Israel possa ter paz, que os árabes da Palestina possam ter paz longe do verdadeiro inimigo deles, o Hamas.
    Am Yisrael chai (עם ישראל חי)

  • Doug

    03/12/2014 at 19:52

    Eu acuso voces de causarem uma guerra criando um estado movido pela pena, isso é pequeno e baixo.fraco…

Você é humano? *