Casa, comida e roupa lavada.

02/10/2013 | Sociedade

Como já foi dito em muitos artigos aqui, Israel é um país no qual a maioria da população é classe média. Isso significa que vários serviços que a classe média brasileira está acostumada a ter a qualquer momento aqui não são tão acessíveis assim. A grande diferença social, que faz com que a mão-de-obra seja tão mais barata no Brasil, não existe em Israel. E nós, brasileiros, aprendemos a lidar com essa nova realidade.

Faxineira, por exemplo, não é qualquer um que pode pagar. Da última vez que chamei alguém pra limpar, no fim de 2011, custou 200 shekels (R$ 127) por 4 horas de faxina. Isso não significa que a casa esteja suja, simplesmente eu minhas roommates limpamos a casa. Cozinha, banheiro, chão, não tem essa de esperar alguém fazer, a casa é nossa, a bagunça e a sujeira também.

O mercado está preparado pra isso, em qualquer lojinha é possível encontrar produtos de limpeza já prontos pro uso, panos umedecidos para limpeza específica de fogão, banheiro etc., que ajudam e agilizam o trabalho. E trabalhar como faxineiro é bem comum entre estudantes, especialmente Olim Chadashim (novos imigrantes), já que não precisa do idioma e paga em torno de 40 shekels/hora (R$25/hora).

Mas não esperem que a minha casa seja uma casa nos padrões brasileiros. Uma das muitas coisas que mudaram na minha vida é o conceito de limpeza e organização. Não que eu fosse um primor, mas com diarista é bem mais fácil. Aqui é diferente e se adaptar faz parte do processo. Janelas e espelhos tinindo foram abolidos. A poeira em Jerusalém é uma coisa de louco. Para os olhos brasileiros parece que a casa nunca foi limpa, mas em dois dias a poeira acumulada é tão grande que não dá pra manter uma casa como a gente estava acostumado.

A roupa suja vai toda na máquina. O mais delicado vai junto, dentro de um saco ou fronha e passar roupa é uma coisa que não existe. Há muitas lavanderias self-service. Nem todo mundo tem máquina de lavar em casa, os apartamentos são pequenos, não há área de serviço, em geral a máquina fica no banheiro.

Compras de supermercado e comida também é a gente que faz. Assim como no Brasil, a oferta de comidas semiprontas é grande, mas em geral o israelense come saudável. No shuk (mercado) existe uma grande oferta de hortifruti e fazer uma refeição sem vegetais é algo que não existe no meu dia-a-dia. Se você não sabe cozinhar acaba aprendendo. Outra coisa que me impressiona – e encanta – é que a divisão entre os gêneros é muito menor. Homens e mulheres botam a mão na massa na faxina e na cozinha.

Novamente, o mercado percebe isso, eletro-domésticos que facilitam a vida como chaleira elétrica, lava-louças são bem comuns por aqui. Eu já estou tão acostumada a isso que, quando vou jantar na casa de algum amigo, já levanto e lavo a louça.

Aliás, fica a dica para os brasileiros: veio visitar o amigo israelense, se ofereça pra ajudar. A gente agradece.

Foto da capa: http://polishnikayon.co.il/

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