Foram tantas Emoções…

21/02/2014 | Cultura e Esporte

O filme “Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa” foi gravado em Israel há 46 anos, com astros da Jovem Guarda, entre eles Erasmo Carlos e Wanderléia. 2011 foi ano do retorno do Rei da música brasileira à Jerusalém, capital israelense, dentro do projeto Emoções. Mais de 5 mil pessoas estiveram na Piscina do Sultão, ao lado das muralhas da cidade velha, para ouvir e cantar os clássicos de uma carreira consagrada.

A religiosidade de Roberto marcou o roteiro em Jerusalém. Visitas à Igreja do Santo Sepulcro e ao Muro das Lamentações, local mais sagrado para os judeus, foram paradas obrigatórias. A Esplanada das Mesquitas, dos muçulmanos, esteve fechada no período. Programa especial para a Rede Globo e produção de DVD, lançado naquele Natal, registraram em imagens os sentimentos do Rei, ao passar pelos caminhos trilhados por Jesus, como o Monte das Oliveiras, também em Jerusalém.

No palco, Roberto Carlos foi a majestade de sempre. Cantou músicas como “Emoções”, “Detalhes” e “Além do Horizonte”, antes de fechar a apresentação com “Jesus Cristo”. Ele veio do Brasil acompanhado de sua banda, mas a orquestra contratada era israelense, que ensaiou durante meses as partituras recebidas com antecedência. A surpresa da noite por conta de “Yerushalaim Shel Zahav, Jerusalém de Ouro”, que Roberto interpretou em hebraico, seguido por um coro de brasileiros que vivem em Israel.

Mesclando elegância e espiritualidade, Roberto ainda dançou de rosto colado com a jornalista Glória Maria, a mestre de cerimônia, durante a execução de Unforgettable, de Nat King Cole. Ela quase desmaiou. Pouco minutos antes do espetáculo, muito apreensiva, pediu a figurantes e membros da produção: “Torçam por mim, rezem por mim”. De fato, estar perto de um ídolo pode derrubar qualquer um.

No final, ao atirar rosas ao público, Roberto Carlos ainda deu bis com duas canções, por orientação do diretor do DVD, Jayme Monjardim. A catarse dos fãs teve vários ápices. Desde mexicanas gritando “Te amamos desde México” até “Roberto nosso Rei”, dito por mais de 1,5 mil admiradores que vieram do Brasil para assistir ao show. Dentre as celebridades, estavam Tom Cavalcante, Marcelo Madureira e Regina Casé.

Mais do que um espetáculo, este 7 de setembro de 2011 foi uma experiência de Vida.

Coral de Brasileiros

Semanas antes, encontrei na internet um anúncio para participar do show de Roberto Carlos. Na época, morando em Israel há seis anos, não poderia perder a chance de ver o ídolo de perto. Depois que confirmaram minha presença, houve dois ensaios. O geral ocorreu um dia antes do espetáculo. Eu estava no grupo que dublaria o coral lírico do clube A Hebraica, de São Paulo, na canção “Yerushalaim Shel Zahav, Jerusalém de Ouro”.

Antes do ensaio, o Rei começou falando conosco em inglês e caiu na gargalhada ao descobrir nossa nacionalidade. O arrepio era nosso, de frente com ele, mas o agradecimento vinha do lado oposto, o que aumentou o orgulho. O medo de errar na hora agá e sofrer corte na edição do diretor Jayme Monjardim foi grande, mas passou. Sentimos, pela expressão de Roberto Carlos, que cumprimos nosso papel.

Curiosidades

Depois de muito tempo sem citar versos que contrariam sua crença, Roberto cantou “se o bem e o mal existem, você pode escolher…”, durante “É Preciso Saber Viver”. Ele vinha mudando o trecho para “se o bem e o bem existem…”.

Português, espanhol, inglês, italiano e hebraico foram as línguas das canções.

O brasileiro Pato, seu intérprete, recitava “Jerusalém de Ouro” em hebraico e Roberto repetia, para aprender a pronúncia. Caso não ficasse satisfeito com o treinamento, não iria apresentá-la no show.

A jornalista Léa Penteado escreve livro sobre a saga do show de Roberto. A capa está na foto do texto.

No camarim, após o término, cantou com todos velhos sucessos, bateu fotos, demonstrou simpatia e deu autógrafos.

Foto da capa: Any Dana

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