HaBait HaYehudi

20/12/2012 | Eleições; Política

“HaBait HaYehudi” (A Casa Judaica), é a representante já natural da direita religiosa nacionalista e é encabeçada por Naftali Bennet. Atualmente com 12 mandatos, o partido tem potencial de crescimento entre os eleitores naturais da direita israelense nas eleições de 2015, inclusive entre não-religiosos.

Herdeiros do antigo Mafdal (do hebraico, abreviação para Partido Religioso-Nacionalista), o partido é resultado de diversas movimentações político-partidárias da direita sionista religiosa.

A Casa Judaica conta principalmente com votos da direita religiosa e de moradores de assentamentos, e deve pelo menos manter seus 12 mandatos segundo as pesquisas, expandido-se principalmente através de votos de eleitores não-ortodoxos, que se identificam com a posição do partido em relação ao conflito. 

Sua ideologia está baseada nas visões do Sionismo Religioso e suas posições políticas são consideradas de direita em quase todos os aspectos. Nessas eleições, o lema principal é “parar de se desculpar”.

O partido hoje tem 8 cadeiras na Knesset.

Figuras de Destaque

Naftali Bennett, atual ministro da Indústria e Comércio e das Religiões, é um bem sucedido homem de negócios do setor de tecnologia. Foi presidente do Conselho Yesha (Judeia, Samária), órgão que auxilia os assentamentos judaicos de maneiras variadas, sendo um braço político dos residentes judeus desses territórios. Figura forte e carismática, muitas vezes o partido se confunde com seu nome.

Uri Arieli é o atual ministro da Habitação e Construção e número 2 do partido, responsável pela expansão dos assentamentos judaicos do outro lado da linha verde. Ex-major, foi comandante da unidade de infantaria blindada. Ayelet Shaked, terceira da lista, é uma jovem e bem sucedida engenheira, não religiosa e vive em Tel-Aviv, rompendo com o estereótipo do partido. Ela já afirmou desejar o Ministério da Defesa Civil.

Como a lista é decidida?

A lista do partido é escolhida em um processo de eleições diretas por seus membros, exceto o número 1: o líder Naftali Bennett tem o poder de decidir quando haverá eleições para a liderança do partido, e tem o poder de indicar um candidato qualquer para número 11 da lista. Quatro vagas estão asseguradas para o T’kuma, um dos blocos políticos que compõe o HaBait HaYehudi, incluindo o número 2.

Posições do partido

Religião e Estado

O partido considera o Estado de Israel um Estado Judeu com regime democrático. O caráter do estado deve ser definido pelo diálogo entre o público geral, a Torá e a moralidade dos profetas. O partido considera que a imposição de legislações religiosas e seculares deve ser evitada. Por outro lado, deseja aumentar a influência dos fundamentos da religião judaica na legislação israelense através da “Justiça Hebraica”, que aproxima a lei israelense aos fundamentos do judaísmo (veja explicação no rodapé).

Teve atuação importante nas mudanças dentro dos serviços de religião estatais, acabando com o monopólio de uma única instituição. Teve atuação importante nas decisões em questões de conversão ao judaísmo, tentando chegar a um balanço que seja flexível mas dentro da lei religiosa (Halacha).

Política Econômica

O partido defende a “economia liberal com sensibilidade social”. Em sua proposta geral defende a igualdade de oportunidades para que todos possam ter chance de desfrutar da riqueza gerada no Estado de Israel. Para tal, apoiam o aumento do investimento na educação, fortalecimento da competitividade no mercado, quebra de monopólios e diminuição dos impostos para a classe média. Além disso, é a favor da concessão de benefícios (subsídios) a “aqueles, e apenas para aqueles, que são incapazes de se sustentar”. Defendem por exemplo a reforma das relações de trabalho de trabalhadores estatais para melhorar a eficiência deste; ou a discussão do peso das pensões sobre as contas públicas.

O partido tem ideias específicas relacionadas à questão de moradia no país.

Política Social e Educação

O foco da lista Habait HaYehudi para o plano social está totalmente voltado à educação. Eles apontam pesquisas que revelam forte relação entre o enquadramento econômico do indivíduo e sua nota no Psicométrico (vestibular israelense) como flagrante do que  chamam de desigualdade de oportunidades. Negando qualquer relação com o socialismo, acredita que o estado deve prover oportunidades iguais a todo jovem que começa sua vida. Veem a educação como a única maneira de alcançar esse objetivo e acreditam que o governo deveria investir fortemente nas periferias do país para mudar esse quadro.

Defendem o maior fortalecimento da identidade judaica na educação, além do maior investimento no ciclo de infância das crianças para evitar maiores investimentos em idades mais avançadas.

Territórios e Processo de Paz

É contra “qualquer tipo de estado palestino a Oeste do Rio Jordão”. Definem que as soluções clássicas em que (i) seja criado um estado palestino nos territórios da Judeia e Samária; ou (ii) anexação total dos mesmos territórios incluindo seus habitantes árabes, seriam igualmente perigosas para a segurança e o futuro do Estado de Israel. Admitem não haver solução perfeita no momento, propondo uma série de medidas pouco ortodoxas e em sua maioria unilaterais para solucionar o conflito.

O partido propõe também a mudança do que chamam de “Estado de Tel Aviv”. Assim, desejam investir no assentamento em todas as regiões de Israel, inclusive os territórios disputados com os palestinos. Para tal, o governo deveria fortalecer o transporte público, aumentar incentivos às periferias e dar preferência nacional para a construção de novos assentamentos. Além disso, deseja interromper o fluxo de financiamento de ONGs de esquerda que considera antissionistas.

Citando o site oficial do partido: “A Casa Judaica é o único partido que se opões ao estado palestino, a esquerda quer deixar o ISIS (Estado Islâmico) chegar à Estarada 6 e Kfar Saba. (…)”. O partido é definitivamente contra a criação de um Estado palestino.

Segurança e Exército

O investimento em segurança interna e externa é dotado do caráter de prioridade nacional.

O partido naturalmente apoia o estudo da Torá e o vê como interesse nacional. No entanto, reconhece a injustiça da liberação do exército concedida a jovens ortodoxos. Assim, defende a integração gradativa dos ortodoxos nos círculos de trabalho e serviço militar através de incentivos governamentais.

Outras posições

Com relação à minoria árabe, o partido deseja mudar o que considera ser a estratégia atual: fortalecer a minoria árabe que quer “se integrar na sociedade israelense” ao invés de conter aqueles que “buscam a destruição de Israel”, como aconteceria atualmente.

Propõe também uma maior fiscalização de construções não legais nas regiões do Negev e da Galiléia e o fortalecimento dos assentamentos de judeus nessas áreas.

Sobre a questão dos imigrantes ilegais, defende a total interrupção da onda de infiltrados ilegais no país e a manutenção do caráter judaico no mapa demográfico de Israel.

*Apesar de a Justiça do Estado de Israel ser considerada secular, existe influência de princípios da “Justiça Hebraica” sobre as leis israelenses, havendo vários exemplos dessa integração. Além disso,  a Lei de Fundamentos da Lei, de 1980,  determina ligação e afinidade entre a lei israelense e os “princípios de liberdade, justiça, equidade e paz da herança de Israel”. O ex-presidente do Supremo Tribunal, Aaron Barak, defende que a Lei Judaica (Halacha) não deve ser uma fonte obrigatória, mas sim fonte de inspiração. No Ministério da Justiça de Israel existe o Departamento de Lei Hebraica e seu representante tem participação em diversos fóruns e reuniões parlamentares e executivas para trazer a posição da “Justiça Hebraica”. A implementação desse conceito, determinada como lei básica, é motivo de discussão e pesquisa dentro do Judiciário israelense.

Fontes

Site Oficial Habait HaYehudi
Wikipedia Hebraico – Habayt HaYehudi
Organização MyIsrael
Site Oficial do Partido Mafdal
Wikipedia Hebraico – Naftali Bennett
Site do Ministério da Justiça de Israel – Sobre o Departamento de “Justiça Hebraica”
Wikipedia Hebraico – Lei Hebraica

Foto de capa retirada do site: http://tags.walla.co.il/?w=///1507102/5/@@/media

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