HaLahaka

18/04/2014 | Cultura e Esporte

Significa “O Grupo”. E é mesmo.

Trata-se de parte de grupamento do exército israelense chamado de Nachal (Juventude Combatente Pioneira), que recebia, na maioria das vezes, jovens idealistas de movimentos juvenis. Dele, surgiu, em 3 de novembro de 1950, o que podemos chamar de “banda militar”, como há várias pelo mundo, apresentando-se em bases e eventos oficiais.

Mas, a HaNachal foi mais adiante, compondo canções que se tornaram clássicos. Além de ser pontapé inicial na carreira de muita gente de sucesso. Yossi Banai, Arik Einstein, Yehoram Gaon, Miri Aloni, Shalom Chanoch, Gidi Gov, Danny Sanderson, Dana Berger são alguns dos nomes consagrados que passaram por lá. Fazer do serviço militar uma arte. Tarefa cumprida com precisão.

Se a lista de craques já é uma baita seleção, as obras imortalizadas estão no mesmo nível: Machar, com Naomi Shemer; Shir LaShalom, Carnaval baNachal, Ilu Tziporim, Od Lo Achalnu, dentre outras.

Shir LaShalom, de quase quarenta anos atrás, e Choref 73, criada na década de 90, foram músicas polêmicas pelo teor político. São letras que tratam de promessas e esperanças de paz, entoadas por militares de uniforme. Na primeira, “Cantem canção para a paz e não para as guerras…Não murmurem preces, cantem canções para a paz…”. Porrada no próprio exército e nos religiosos. Nitroglicerina pura.

Na segunda, conta-se a história de soldados recém alistados, que nasceram no inverno de 73, após a Guerra do Yom Kipur, cujos pais prometeram uma vida de paz em Israel, mas eles ainda precisavam, ou precisam, pegar em armas. “Prometeram uma pomba, uma folha de oliveira, prometeram a paz em casa… Prometeram cumprir as promessas”. Primeira exibição foi em rede nacional, primórdios dos Acordos de Oslo. Ao mesmo tempo que se viu como apoio ao governo de Yitzchak Rabin, mostrava certo ceticismo quanto aos políticos, representados na música pelos “pais”, segundo interpretações.

Em 1978, HaNachal foi mostrada no cinema através do filme HaLahaka, estrelado por Gidi Gov. Clássicos são interpretados, relações de amor, brigas entre integrantes e bagunças de bastidores de uma base militar foram apresentados, tudo em tom de comédia. 30 anos depois, a companhia teatral Habima, de Tel Aviv, encenou com Adir Miller, Shiri Maimon e Keren Peles.

Dedico este texto ao colega Marcelãozinho, que sugeriu-me o tema há meses. Antes tarde do que nunca.

Links:
Od Lo Achalnu
Machar
Ilu Tziporim
Carnaval Banachal
Shir Lashalom
Choref 73

Foto da Capa: Any Dana.

Comentários    ( 2 )

2 comentários para “HaLahaka”

  • Sheila Tellerman

    18/04/2014 at 18:15

    A música חורף 1973 sempre me emociona muito!!E quando eu estudava pra ser morá,decidimos(eu e umas amigas) cantar o שיר לשלום numa festa da escola e a pressão foi forte para escolhermos outra música!!

    • Nelson Burd

      18/04/2014 at 18:47

      Sheila, és, então, testemunha da polêmica que Shir LaShalom causa. Shabat Shalom.

Você é humano? *