Halwaleria Foster

Lembro que na infância em Florianópolis, década de 80, minha mãe comprava, de vez em quando, uma lata ” daquelas estilo goiabada” escrito ISTAMBUL. Não era barato. Ela adquiria raramente. Quando abria para comer, era um acontecimento. Servia-me um pedaço, explicando tratar-se de um doce do Oriente Médio, dos sefaradim, etc. Eu adorava aquilo.

Minha mãe chamava de Halwah, muitos em Israel pronunciam Halwa, como paroxítona. A iguaria é feita de gergelim. É um bloco duro, cortado à faca e degustado com garfo. Não é doce enjoativo. Há gosto característico, se bem que, hoje, já produzem com sabor de chocolate, pistache, baunilha, entre outros. Eu diria que é a “goiabada” ou “marmelada” do Oriente Médio.

Por aqui, encontramos com abundância, dos mais variados tipos. Nos mercados públicos, como Machané Yehuda, em Jerusalém, ou Shuk HaCarmel, de Tel Aviv, há barraquinhas inteiras. Na verdade, dependendo da origem geográfica do fabricante, o modo de preparo pode variar. A Halwa turca, igual a que eu comia na infância, é mais “suculenta” do que a israelense, mais seca, esfarela quando cortamos.

Sorveterias e confeitarias locais produzem milk shakes, sorvetes, tortas, mousses de halwa. A matéria prima é o gergelim e a tehina, pasta feita à base do próprio gergelim, usada como tempero para saladas, falafel e shwarma (churrasco grego).

Acredito que, atualmente, deva ser bem mais fácil encontrar a Halwa no Brasil. Quem não provou, permita-se. Na pior das hipóteses, comerão algo pitoresco.

Dedico este texto ao meu amigo Felipe Wolokita, que nos bons tempos, chegava a detonar uma caixa de Halwa por dia. Na época, ele era salva-vidas na piscina da Universidade de Tel Aviv, e a Halwaleria (apelido carinhoso que ele deu) ajudava a passar o tempo.

Halwaleria Foster, quem conhece, sabe.

Comentários    ( 8 )

8 comentários para “Halwaleria Foster”

Você é humano? *