inDnegev: música independente no deserto de Abraão

A música israelense tem lugar especial na minha lista de preferências musicais há muitos anos, quando comecei a escutar meus primeiros sons de Shlomo Artzi, Kaveret, Mashina e muitos outros que fizeram parte da infância e juventude. Nada contra os clássicos, mas para aqueles que acham que a música israelense para por aí, está completamente enganado. No último fim de semana (10, 11 e 12 de outubro) tive a sorte de comparecer ao sétimo Festival inDnegev, que concentra boa parte da cena independente da música israelense, além de alguns nomes já conhecidos do público local.

Palco do Macaco, maior entre os três do festival inDnegev
Palco do Macaco, maior entre os três do festival inDnegev

O festival é o correspondente israelense do americano Loolapallooza ou do britânico Glastonbury e concentra mais de 80 performances, não carregando nenhum patrocínio em seu nome, pelo menos não muito visível (3 dias sem apelo a marcas não faz mal a ninguém!). O nome inDnegev diz muito sobre o evento, que traz bandas indies de diversos estilos para tocar no meio do Negev, com boa organização, entre camping, palcos e caixas de som que não decepcionaram em nenhum momento. Folk, blues, rock, eletrônico e sons experimentais são o foco principal do evento.

Vista geral do palco principal
Vista geral do palco principal

Todo tipo de gente: jovens, adultos, crianças, hippies, hipsters, punks, homens de negócio. Sem terno, afinal era no Negev, de onde concluí que vem toda a tão conhecida poeira fina israelense. O inDnegev é um festival que se pode desfrutar à sua maneira, sabendo que a melhor opção de acomodação é uma barraca na área de camping. Você pode tranquilamente sentar abaixo das tendas sem shows (mas ouvindo algum dos shows) ou sair para uma soneca antes do próximo show. E se você resolver vir com seus filhos, eles podem brincar em uma área montada especialmente para eles. Para os que cumprem Shabat, havia uma tenda com amplo espaço para estudos e rezas.

Nosso local de acampamento
Nosso local de acampamento
O local de acampamento mais próximo aos shows
O local de acampamento mais próximo aos shows

Organizar-se para o festival é relativamente simples: barraca, roupas e utensílios que podem ajudar no conforto de um acampamento, como uma esteira grande e comidas de fácil ou não cozimento. Para chegar lá, ônibus ou carro (recomendo particularmente o carro). O festival organizou uma página de Facebook para os que precisavam de carona ou tinha lugar disponível no carro. No sábado, ao final do festival, foi possível ver várias pessoas com placas ou pintadas com pedidos de caronas (espero que correspondidos). Há opções interessantes de comida para quem não quer se preocupar com isso e a sensação culinária do festival era brasileira: açaí. Por 15 shekels era possível comer uma pequena porção de açaí com frutas e canola que não devia nada a outros por aí. Além do açaí e dos típicos cachoros-quentes, hambúrgueres e noodles, havia opções vegetarianas, um bom café, além da barraca que vendia quilos de castanhas e frutas crocantes, vício conhecido do israelense. Já uma cerveja Maccabi de meio litro saía por 19 shekels, bom preço para quem vem de Tel Aviv (a Goldstar saía por NIS 23, nada mal). O festival usou a venda de bebidas para a conscientização: no bar era possível trocar 1 cerveja por 30 copos descartáveis coletados, evitando que a área do festival ficasse muito suja.

Nos três palcos e na tenda de música eletrônica e discotecagem (inDtronix) foi possível conhecer muito sobre o que tem acontecido na cena musical israelense. Para a minha surpresa e satisfação, ela é diversa e qualificada e parece estar em um bom caminho para um país tão pequeno. Particularmente, concentrei boa parte do meu tempo no palco principal (Palco do Macaco). A diversidade de sons que saíram das diferentes guitarras, os sons eletrônicos presentes nos mais diversos estilos de músicas e a overdose de shows e animação do festival tomaram a decisão por mim: inDnegev 2014 só precisa ser marcado para entrar no meu calendário.

Tendas de alimentação e descanso no centro e inDtronix à esquerda
Tendas de alimentação e descanso no centro e inDtronix à esquerda

Eu estive em 11 shows, além das passagens pela inDtronix. O som era de altíssima qualidade artística e técnica e sair do caos da cidade para a tranquilidade de um acamamento no Negev é uma sensação inesquecível. Tranquilidade, boa música e muita areia! Para saber mais sobre as bandas, confira o próximo artigo!

Foto durante o show do Live Beat Tapes
Foto durante o show do Live Beat Tapes

Dedico esse artigo à banda que mais me chamou a atenção: Live Beat Tapes. Uma combinação interessante de hip hop, jazz, acústico e música eletrônica em um show eletrizante. Mais que uma banda, eles se definem como um “novo conceito que gira em torno de uma coleção de talentos que se dedicam à criação de uma faixa longa”. A banda, que é realmente uma coleção de artistas que têm projetos paralelos, trouxe ao festival um mix muito interessante de sons, em sua maioria com instrumentos acústicos. O grupo base inclui Beno Hendler no baixo, Nomok no teclado e Amir Bresler na bateria e percussão, e o projeto conta com outras participações que o tornam muito especial. Confira abaixo!

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Outra banda que merece menção é a Black Guru. A banda do meu amigo Yair Hashahar (na guitarra) fez uma linda apresentação no festival, com o seu “Israeli Afro Rock”. Para quem fala hebraico, fica a dica de leitura no link!

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