Informações sobre o Sequestro de Adolescentes Israelenses

15/06/2014 | Conflito.

*** ATUALIZAÇÕES AO FINAL DO POST ***

Em pronunciamento oficial na noite de sabado, 14 de junho de 2014, O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a Autoridade Palestina é o único responsável pelo destino dos três estudantes israelenses desaparecidos desde quinta-feira. Na coletiva de imprensa, o primeiro-ministro confirmou que eles foram levados por uma organização terrorista.

Eyal Yifrah, 19 anos, Gil-Ad Shaer, 16 anos, e Naftali Frenkel, 16 anos, desapareceram na quinta-feira a caminho de casa. Naftali Frenkel é também um cidadão norte-americano.

Os três adolescentes sequestrados: Eyal Yifrah, Naftali Frenkel e GilAd Shayer
Os três adolescentes sequestrados: Eyal Yifrah, Naftali Frenkel e GilAd Shayer

Em sua primeira declaração sobre o assunto, Netanyahu prometeu que Israel vai fazer “tudo o que está ao seu alcance” para localizar os três adolescentes desaparecidos. O primeiro-ministro disse que não entraria em detalhes, mas confirmou (pondo fim a qualquer dúvida) que os três foram sequestrados por uma organização terrorista. Definiu dois pontos essenciais:

1 – Ativar todas as forças necessárias para resgatar os adolescentes.

2 – Impedir – a todo custo – que os jovens sejam levados para Gaza.

Netanyahu diz que espera que a Autoridade Palestiniana faça “o que se espera de uma liderança” para ajudar a localizar os adolescentes. “Nós determinamos que a Autoridade Palestina é responsável direta por qualquer ataque vindo de seu território, seja na Cisjordânia ou Gaza … o ataque terrorista foi originado a partir daquele território palestino e – portanto – A ANP (Autoridade Nacional Palestina) é responsável pelo ataque”, disse ele.

Este incidente, disse Netanyahu, prova de que o acordo de reconciliação palestina entre a ANP e o Hamas “não vai trazer a paz”, aproveitando para criticar alguns membros da comunidade internacional que apoiam o pacto entre as dois grupos.

Fonte: Jornal Haaretz
Fonte: Jornal Haaretz

Em um esforço para localizar os adolescentes desaparecidos, as forças de segurança de Israel lançaram uma operação de grande escala na Cisjordânia, recrutando a brigada de paraquedistas, junto com várias outras unidades, para realizar varreduras.

O ministro da Defesa Moshe Ya’alon disse na mesma coletiva dada à imprensa que a hipótese de trabalho das forças de segurança é que os três ainda estão vivos. Para evitar que os seqüestradores deixem o território israelense através da Jordânia, informou que Israel não vai permitir que os residentes palestinos de Hebron, com idades entre 20-50 acessem a Jordânia através da passagem “Allenby Bridge”.

O exército também emitiu uma ordem declarando a área de Beit Guvrin, localizada a oeste de Hebron, uma zona militar fechada.

As forças de segurança também estão investigando se um veículo israelense roubado, que foi encontrado queimado perto da cidade de Hebron, está ligado ao sequestro. Bombeiros palestinos foram alertados sobre o carro em chamas às 03:00 na sexta-feira.

Na sexta-feira, o Secretário de Estado dos EUA John Kerry falou ao telefone com Netanyahu e o presidente palestino, Mahmoud Abbas. A ministra da Justiça, Tzipi Livni, informalmente reuniu-se com Kerry em Londres.

Osama Hamdan, um membro do Hamas, disse no sábado que, se de fato os três israelenses foram seqüestrados, os palestinos devem torná-lo uma questão nacional, a fim de obter o melhor resultado, e não deixar apenas uma pequena facção negociar a libertação de prisioneiros palestinos em nome próprio. Hamdan foi o oficial do mais alto escalão do Hamas a comentar o seqüestro.

No mesmo dia, sábado, o exército israelense realizou uma operação em Gaza, em resposta ao disparo de foguetes em direção ao sul de Israel. Outro foguete explodiu em Ashkelon na tarde de sábado. Não houve feridos ou danos relatados.

O serviço de segurança e inteligência Shin Bet advertiu nas últimas semanas a respeito de tentativas cada vez mais frequentes de seqüestrar soldados e cidadãos israelenses na Cisjordânia. De acordo com dados do Shin Bet, o sistema de defesa identificou mais de 30 tentativas de seqüestro no ano passado e até agora afirmou terem frustrado 14 tentativas em 2014.

Ao longo da noite de sábado, haverá um comício de oração para a segurança dos adolescentes seqüestrados no Muro das Lamentações, em Jerusalém.

Até o presente momento, Israel já deteve mais de 80 palestinos acusados de estarem envolvidos – direta ou indiretamente – no sequestro dos adolescentes.


Espero e desejo o breve retorno dos três adolecentes sequestrados. Neste momento os meus pensamentos estão com eles e suas famílias.

[ATUALIZAÇÃO – 15.6.2014 23:30]

Ao longo do domingo (15.6.2014), foi revelado que um dos adolescentes seqüestrados conseguiu ligar para o serviço de emergência da polícia e denunciar o seqüestro, às 22:25 de quinta-feira.

A segurança na Cisjordânia foi reforçada e as Forças de Defesa de Israel (FDI) convocaram uma pequena quantidade de reservistas para aumentar o contingente.

Agora à noite, fontes palestinas informam que as FDI cercaram uma casa em Hebron, na Cisjordânia. Não há informações oficiais do lado israelense, mas testemunhas locais confirmam terem ouvidos explosões e comunicam que um foguete anti-tanque teria sido usado contra a casa. Há relatos de três palestinos feridos.

Em paralelo, a bateria antiaérea Domo de Ferro (kipat barzel) interceptou dois foguetes lançados da Faixa de Gaza em direção à cidade israelense de Ashkelon.

Na segunda-feira, o Gabinete israelense se reunirá para avaliar os resultados e definir os próximos passos.

Comentários    ( 21 )

21 Responses to “Informações sobre o Sequestro de Adolescentes Israelenses”

  • Marcelo Starec

    16/06/2014 at 19:02

    Felipe,

    Não é razoável que tudo seja colocado somente em termos hipotéticos, principalmente nesse exato momento!…Se você gostaria de viver em paz, no meu entender, o único modo eventualmente possível é quando eles compreenderem que há modos aceitáveis de negociar, mas é intolerável que atitudes como sequestrar meninos e jogar mísseis a esmo, na população israelense, possam ser justificadas. Não se está falando em “matar ou morrer”, mas ao contrário em não permitir que vidas sejam aniquiladas a esmo!…

    Abraço,

    • Mario S Nusbaum

      16/06/2014 at 20:29

      “Não se está falando em “matar ou morrer”, mas ao contrário em não permitir que vidas sejam aniquiladas a esmo!…”
      São as únicas opções que até hoje as lideranças palestinas deixaram para Israel Marcelo.

      “Last week, Hamas leader Hassan Yousef promised to bring Hamas terror from Gaza to Judea and Samaria. It looks like he succeeded.”

      Quando negociamos a compra de um imóvel, discute-se o preço, as condições de pagamento, etc., mas se um lado faz questão de exigir que o outro tem que se suicidar após o acordo….

  • Marcel Beer Kremnitzer

    16/06/2014 at 23:12

    Felipe, concordo plenamente com você.
    #bringbackourbays
    #2states42peoples
    #endoccupationnow

    • Mario S Nusbaum

      17/06/2014 at 17:55

      Tenho uma dúvida Marcel, como obrigar os palestinos a criar um país se eles já demonstraram, várias vezes, não querer? Você lembra o que aconteceu em Camp David? Em Taba?
      Imagine você e eu discutindo qual é o limite entre os terrenos em que vivemos com nossas famílias e eu, a cada proposta sua, digo: ok, mas após a demarcação a minha terá o direito de viver no seu.

  • Raul Gottlieb

    16/06/2014 at 23:24

    Caro Felipe do Hashomer de Florianópolis

    Você diz: “… essa guerra que só leva ao ódio entre as pessoas”. É uma frase bonita, mas que me parece estar, infelizmente, equivocada, pois é claro para mim que é o ódio que causa a guerra e não o contrário!

    Ou será que alguém faz guerra por amor e fraternidade ao seu vizinho?

    Ou seja, a meu ver, o postulado básico do teu pensamento está equivocado, permita-me observar, com todo o carinho.

    Você talvez queira dizer que a guerra leva a mais ódio ainda e aí eu vou concordar contigo. Leva mesmo, mas isto não muda a equação para Israel que precisa defender o seu direito à existência todos os dias, independente da intensidade do ódio – quando ele era menor Israel ainda assim corria o risco de ser aniquilado.

    Os árabes (talvez seja melhor dizer os muçulmanos) odeiam os Israelenses – não todos os árabes e não todos os israelenses – mas é o ódio dos árabes aos diferentes (inclusive os israelenses) que os faz lutar de forma sangrenta contra os diferentes (mesmo que estes sejam apenas ligeiramente diferentes – vide Iraque, Síria, Líbano, Líbia, Iêmen, fora os outros). Isto sem falar na Nigéria e outros muitos lugares onde o Islã lança a sua sombra.

    E, Felipe, guerra nunca é uma coisa bonita. Impossível se defender sem matar gente, sem causar danos colaterais. Impossível mesmo, por mais que se esforce.

    Então você não precisa ter vergonha alguma de Israel, pois ele se defende de uma ameaça que país algum suporta na atualidade de uma forma muitas vezes melhor que todos os demais países que existem.

    A forma como Israel se comporta nesta guerra sujíssima por parte dos Palestinos é o maior fator de orgulho que podemos ter de nossa cultura. Pode ter orgulho das tuas mãos, pois elas estão mais do que limpas.

    Com certeza, Felipe, pode acreditar. Enquanto perdurar a guerra haverá atrocidades. Elas estão inseridas na própria definição do termo. Levante a cabeça e não se martirize por ser judeu e por amar Israel!

    Abraço,
    Raul

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