Inverno Branco – 1950

Israel possui as quatro estações do ano bem definidas. É verdade que, durante o inverno, no mesmo dia, podemos esquiar no Monte Hermon (extremo norte) pela manhã e tomar banho de mar em Eilat (limite sul), ou Mar Morto (centro sul). Apesar disto, as épocas guardam bem suas características.

Jerusalém fica 800 metros acima do nível do mar. Tel Aviv, no litoral do Mediterrâneo. A primeira costuma receber precipitações de neve, quase todos os anos. A segunda, salvo raras exceções, não. O frio chega forte à região balneária, com ventos fortes e chuvas, mas nada além disso. Nevar mesmo, somente nas cidades altas, ou mais ao norte.

Entretanto, houve um ano especial, em que Israel inteiro ficou com um visual de inverno europeu. 1950, logo após a independência, em 48. O primeiro ministro era David Ben Gurion. Muitos imigrantes moravam em maabarot, espécies de cabanas, sem muita estrutura. A população lutava pela sobrevivência, literalmente, não apenas militarmente. Houve racionamento de alimentos. A fase difícil de pobreza passou, felizmente, mas ficou para a história.

Final de janeiro de 1950. Nevascas em montanhas do norte e Jerusalém. Haifa chegou ao volume de 15 centímetros. O visual era todo branco. Contudo, o melhor ainda estava por vir.

Fevereiro. Neste mês, sim, o país ganhou nova paisagem. 60 centímetros de neve em Sfat (norte). 65, em Jerusalém. 19, Tel Aviv. Isto mesmo. Até a zona de Tel Aviv, incluindo Rishon LeTzion, Petach Tikva. A maior surpresa, realmente, foram os 8 cm que caíram no Mar Morto, onde toma-se banho durante os doze meses do ano.

Quatro pessoas morreram no Kibutz Ein Shemer (norte da Samária). Lá, foram 18 toneladas de neve. O refeitório do local ficou destruído. Por várias regiões, houve cortes no fornecimento de energia elétrica. Linhas telefônicas não funcionavam. Transporte público, somente em casos especiais. Os danos causados à agricultura afetaram a economia nacional.

O músico Yehuda Poliker gravou “Chalon Le´Iam Ha´Tichon” (Janela para o Mar Mediterrâneo), escrita por Yaakov Guilad. Da canção, destaco os versos que se referem ao inverno de 1950.

“Shnat Chamishim sof detzember – 1950, fim de dezembro
Ba´Chof Milchemet Ruchot – No mar guerra de ventos
Ha´Sheleg tzanach kan lefeta – A neve caiu aqui de repente
Lavan mazkir li neshkachot” – Branco me lembra o esquecimento

Anos depois, entre 1991 e 1992, houve tempestades de neve. Rafael Stern, escritor do Conexão Israel e pesquisador do Instituto Weizmann, explica o ocorrido. “Essa nevasca fora do normal no inverno de 91/92 foi causada pela erupção do vulcão Pinatubo, nas Filipinas. Essa erupção foi tão intensa, que as cinzas do vulcão resfriaram a terra inteira (escondendo o Sol) e intensificaram o padrão de chuvas. Sinais disso podem ser vistos no mundo inteiro, até na Amazônia. Em Israel, além das nevascas, foi o ano de maior quantidade de chuvas. Foi a única vez que a represa de Degania (que impede que a água do Kineret saia pelo Rio Jordão no sul, matando o rio) foi aberta. A cidade de Tiberíades, região norte, ficou alagada. O Kineret (Mar da Galiléia) transbordou pela primeira vez na história de Israel moderna”.

No fim de semana de 13, 14 e 15 de dezembro de 2013, Jerusalém ficou ilhada, por causa de tempestades de neve. Chegaram a liberar o trem no Shabat, tamanha a necessidade. No entanto, registram a nostalgia e marca histórica do inverno de 1950, onde o horizonte branco e gelado chegou a locais, onde não costuma visitar.

Link: Yehuda Poliker https://www.youtube.com/watch?v=uHjsbA8Jv6A
Link: http://www.jewishvirtuallibrary.org/ma-abarot

Foto: Arquivo Conexão Israel

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