Israel e a Copa

13/07/2014 | Cultura e Esporte.

Quase metade da população mundial acompanha a Copa do Mundo. Todos os países do mundo estão, de alguma forma, conectados a ela: participam de forma direta; mandam torcedores; assistem aos jogos e apostam nos resultados.

Apesar de não ter participado da Copa no campo, Israel não foge a essa regra.

O país ficou de fora nas eliminatórias em um grupo que classificou Rússia e Portugal, eliminados ainda na primeira fase. Mas isto não é novidade, afinal, o país marcou presença apenas em 1970. Ninguém sabe dizer quando será a próxima vez.

Isso não impediu Israel de ser representado ou ser lembrado durante o evento e em sua preparação. De distintas formas, nosso pequeno país foi, e ainda está sendo representado em territórios brasileiros. Vamos ver algumas delas:

Preparação para a Copa

Como dito anteriormente, Israel não conseguiu acesso à Copa, mas durante a preparação, o país  enfrentou duas seleções que estavam entre as 32 classificadas. Apesar de uma derrota para a consistente seleção mexicana por 3 x 0, Israel conseguiu uma vitória com facilidade sobre a limitada Honduras por 4 x 2.Levando em conta desempenho abaixo da média das seleções asiáticas como Japão, Coreia do Sul e Irã, fica a impressão de que por meio da disputa das eliminatórias asiáticas, Israel poderia ter uma sorte melhor.

Nigéria israelense?

Na Copa do mundo de 2006, o zagueiro ganês John Pantsil fez um gesto homenageando Israel, ao retirar uma bandeira do país para comemorar a vitória de Gana sobre a Republica Tcheca. Nesta Copa, alguns jogadores poderiam ter tido a mesma atitude. Os nigerianos Austin Ejide, goleiro do Hapoel Beer Sheva e Juwon Oshaniwa, lateral esquerdo do FC Ashdod são dois dos representantes do futebol israelense na Copa. Sem mencionar o goleiro titular da Nigéria, Vincent Enyeama, que hoje em dia está no clube francês Lille, mas teve passagens gloriosas pelo Bnei Yehuda, Hapoel Tel Aviv e Macabi Tel Aviv.

Segurança Israelense

A Força Aérea Brasileira contratou a empresa israelense Elbit Systems para fornecer um Vant – veículo aéreo não tripulado – a fim de patrulhar os céus durante a Copa do Mundo. Além disso, representantes brasileiros visitaram Israel e receberam treinamento e orientações sobre segurança em eventos públicos. Este tipo de parceria na área de segurança não é novidade entre os países, que já assinaram inúmeros acordos de cooperação policial e militar.

Inimigos iranianos?

Poderíamos pensar que a relação com os torcedores seria conflituosa por conta dos problemas políticos entre os países. No entanto, esta interessante reportagem de um canal de televisão israelense nos mostra uma reação completamente oposta por parte dos torcedores iranianos que compareceram ao mundial. Veja que interessante neste link, os torcedores do Irã sendo entrevistados por um jornalista israelense: http://www.israeltoday.co.il/NewsItem/tabid/178/nid/24696/Default.aspx?hp=readmore

Presença em massa

Os israelenses compraram mais ingressos per capita do que qualquer outro país que não está presente na Copa. Podemos ver bandeiras de Israel nas arquibancadas de quase todos os jogos.

Imaginem quando o país se classificar para uma Copa do Mundo?

Uma questão polemica será a Copa de 2022. Será que os torcedores israelenses poderão ter acesso livre à Copa do Mundo no Catar? O país não reconhece Israel, mas fez uma declaração dizendo que todos os países (inclusive Israel – que foi o alvo da pergunta) serão bem-vindos ao país, caso se classifiquem para a Copa. Resta saber como será a recepção dos jogadores e torcedores.

Apesar de todo o envolvimento e interesse israelense pela Copa, aqui a questão política continua em primeiro plano. O jogo entre Franca x Nigéria foi interrompido para anunciar que encontraram os corpos dos três jovens israelenses sequestrados. Assim como o jogo seguinte, entre Alemanha x Argélia, teve sua transmissão alterada para outro canal por conta das repercussões deste evento.

As capas dos jornais e os principais websites também não dão prioridade a Copa, deixando as matérias restritas a parte de esportes. Se por um lado, este fato pode remeter a uma complexa realidade de conflitos e tensões políticas, por outro, ele nos mostra que em Israel, não deixamos as coisas importantes de lado por conta dos jogos da Copa.

Por aqui, o futebol ainda está longe de ser o ópio do povo.

Comentários    ( 4 )

4 Responses to “Israel e a Copa”

  • Mario S Nusbaum

    13/07/2014 at 18:56

    Venho dizendo já há algum tempo, desde antes do escândalo da compra de votos: a Copa NÃO vai ser no Catar.

  • Raul Gottlieb

    13/07/2014 at 19:04

    Oi Amir,

    a) Não há nada como um monte de álcool para trazer a fraternidade no mundo. Aqueles iranianos estavam um tantinho mamados, certo? Espero que este vídeo não chegue aos olhos da polícia política iraniana.

    b) A Copa do Mundo é a festa da alegria, mas demanda que o exército e a polícia venham tomar conta em massa. No Rio hoje tem um soldado ou policial a cada 30 passos, já no interior do Estado não sobrou ninguém, veio todo mundo para cá. É uma alegria esquisita esta que o ópio do povo provoca, não te parece?

    c) Outro fator fundamental na alegria da Copa é o álcool. A venda de alcoólicos dispara. Igual ao Carnaval onde a festa fica boa mesma depois da galera estar bem alta. Você tem ideia de como seria o desfile das Escolas sem álcool?

    d) Muitas das bandeiras de Israel nos estádios são de judeus do Brasil. Mas tem muito israelense por aqui sim. Infelizmente tem mais argentinos…

    e) Deveria ser um projeto sionista de primeira grandeza classificar o time para a Copa do Qatar. O governo tinha que alocar alguns milhões para isto e contratar o Guardiola já.

    f) Israel quase se classifica para o Brasil. Levou um gol de empate de Portugal no último minuto numa bola onde o zagueiro israelense atuou como se estivesse na seleção do Felipão. Se tivéssemos ganho aquele jogo a coisa ia ser bem diferente. Mas não adianta chorar o passado o negócio é olhar para Qatar e fazer de tudo para estar lá.

    Abraço, Raul

  • Marcelo Starec

    14/07/2014 at 05:12

    Oi Amir,
    Bom artigo! Acredito que em Israel o futebol sempre vai ter importância, mas de modo nenhum será o “ópio do povo”. Na mesma linha, eu diria que no Brasil, onde no passado o futebol era algo meio por aí, também está deixando de ser! Hoje o futebol é sim importante no Brasil, mas nem de longe se compara ao que foi em outras épocas, para os brasileiros. Por fim, o futebol não ser o “ópio do povo” é algo bom.
    Abraço,
    Marcelo.

  • Duek

    16/07/2014 at 05:54

    Bom, eu estava la na final com a nossa bandeira e mostrando a todos que não ha preconceitos. Muitos quiseram tirar foto dela, com ela e mostrar nas redes sociais, sejam eles muçulmanos, católicos, judeus.. Clima de paz, diferente do que todos imaginam que seja

Você é humano? *