Israel em números – parte 2

23/09/2014 | Sociedade.

O segundo texto da série “Israel em números” apresenta dados relativos à sociedade e à economia israelense. O objetivo da série é oferecer ao leitor do Conexão Israel, um conjunto de dados de difícil acesso ao público brasileiro, que ajudam a entender melhor a realidade deste país.

Assim como no primeiro texto, os dados tem como fontes o centro de estatística israelense, os sites dos ministérios, o site do banco central, relatórios da OCDE, entre outros.

Começo com uma tabela básica de comparação entre Israel e Brasil que apresenta indicadores muito conhecidos por economistas, sociólogos e cientistas políticos:

IndicadorIsraelBrasil
PIB per capita (dólares)33,60011,200
Crescimento Econômico (segundo trimestre 2014)1.5%-0.2%
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)0.90.73
Taxa de Juros anual (Julho 2014)2.24% (Prime, Banco de Israel)11% (Taxa selic)
Taxa de Desemprego (primeiro trimestre de 2014)5.9%7.1%
Taxa de Inflação anual (2013)1.8%5.9%
Expectativa de vida81.973.8

O destaque fica para a taxa de juros brasileira, uma das maiores do mundo, mais de quatro vezes mais alta que a israelense.

Apesar da tabela apresentar números positivos para os indicadores israelenses nos últimos meses, devemos levar em consideração que estes dados ainda não foram afetados  pela Operação Margem Protetora.

Hoje em dia, o crescimento econômico israelense passou a ser uma incógnita no médio prazo, visto que agora começaremos a sentir os efeitos econômicos da operação.

Em tempo: o governo anunciou esta semana que reservará 6 bilhões de shekels do orçamento para o setor militar. Em paralelo, com impulso do Ministro da Fazenda, Yair Lapid, uma proposta de diminuição do imposto de valor agregado para 0% para determinados setores, está muito próxima de passar na Knesset . Ou seja, teremos mais gastos e menos arrecadações pela frente.

Nem tão barato

Hoje em dia, o cambio real-shekel vale apenas 1.54. Se você (como eu!) costumava dividir por dois para achar o preço em termos de reais, sua aproximação já não esta mais tão correta. Agora você deve dividir apenas por 1.5. Dez reais são , aproximadamente, 15 shekels.

Nem tão pequeno

Erro similar acontece comigo quando me refiro à população atual. Dados atualizados pre-Rosh Hashana apontam para 8,2 milhões de pessoas vivendo em Israel em 2014 – ou seja, estamos hoje praticamente igualados a Áustria e Suíça em termos populacionais.

O consumo do israelense

Quais são os gastos de um domicilio em Israel ? Quanto é gasto, em média, com alimentação, cultura, educação e saúde? No gráfico 1, podemos observar o gasto médio de um domicilio israelense, em 2011.

gastos israel
Gráfico 1: Gasto médio dos domicílios israelenses- 2011

O gráfico 2 faz uma analise similar para o gasto médio dos brasileiros, com base na Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE, 2008-2009.

Gráfico 2: Gasto médio dos domicílios brasileiros- 2008-2009
Gráfico 2: Gasto médio dos domicílios brasileiros- 2008-2009

Apesar das categorias não serem exatamente as mesmas, podemos observar algumas coisas interessantes na comparação entre os dois gráficos. Por exemplo, o israelense médio gasta apenas 3% de seu orçamento em vestuário – o brasileiro gasta 6%.

Gastos com educação e cultura juntos, representam 12% para os israelenses, mas somados, educação, recreação e cultura, representam apenas 5% do orçamento dos domicílios brasileiros.

Interessante observar que na divisão israelense, frutas e verduras merecem uma categoria especial, separada dos alimentos, visto que elas representam ¼ do consumo total de alimentos. Quantos quilos de frutas e verduras o israelense come durante um ano?

Consumo anual de alimentos

Como vocês podem ver no gráfico abaixo, os israelenses comem, em media, (impressionantes!) 204 quilos de frutas e 197 quilos de verdura por ano. O gráfico também apresenta outras diferenças no consumo de alimentos entre brasileiros e israelenses, com destaque para o consumo de carne e leite.

Faço uma ressalva sobre o dados. As estatísticas brasileiras estão baseadas na FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e os dados israelenses tem como base o Centro de Estatística Israelense. Estes dados são de difícil mensuração, visto que precisam estimar o quanto das frutas e verduras produzidos / importados foram de fato consumidos. Sabemos, no entanto, que o desperdício de alimentos pode atingir valores altíssimos ao longo da cadeia de produção agrícola. Dessa forma, melhor enxergar os dados apenas como uma boa aproximação.

Vale destacar que, se somarmos as barras, veremos que os israelenses comem mais do que os brasileiros, considerando apenas as categorias descritas no gráfico.

Gráfico 3: Consumo anual de alimentos, quilograma por ano,per capita
Gráfico 3: Consumo anual de alimentos, quilograma por ano,per capita

Vegetarianos e veganos

Semana passada, tivemos um protesto contra os maus-tratos aos animais  na Kikar Rabin, em Tel Aviv. O tema volta e meia esta na mídia.  Inclusive no Conexão Israel já tivemos um debate polemico sobre ele (Clique aqui e aqui  para ler sobre o tema ).

Para quem vive em Israel, fica a impressão de que vegetarianos e veganos são uma porcentagem muito grande da população israelense. Mas será que isto é verdade?

Uma pesquisa feita pela empresa de comunicação Mako, no entanto, mostrou que ainda se tratam de minorias: apenas 6% da população se auto-define como vegetariana e 2% como vegana.

Apesar de ser um número pequeno, vale ressaltar que nesta mesma pesquisa,  51% dos entrevistados admitiu comer carne apenas em pequenas quantidades. Ou seja, quase 60% da população apresenta um consumo reduzido de carne.

Considerando que existem pessoas que decidem por trocar seus hábitos alimentares de forma gradativa, esta pesquisa pode ser um indicio de que estes grupos, apesar de ainda pequenos, estão em crescimento na sociedade israelense.

Imigrantes – Olim Chadashim

Todos que conhecem a historia de Israel sabem da importância dos imigrantes para a criação e estabilização do Estado. Este foi um país fundado e erguido por imigrantes.

Mas quantos? E de que origens? O gráfico 4 nos mostra o numero de imigrantes e a sua divisão de acordo com a origem, no período entre 1948 a 2012. No total, foram 3,1 milhões de imigrantes durante estes anos- mais de metade comparado aos atuais 6 milhões de judeus que vivem em Israel .

Neste ultimo ano (desde Rosh Hashana do ano passado) chegaram a Israel 24,801 novos imigrantes.

Gráfico 4: Imigrantes de acordo com a origem - 1948 ate 2012 , Total: 3,1 milhões
Gráfico 4: Imigrantes de acordo com a origem – 1948 ate 2012 , Total: 3,1 milhões

 

Trabalhadores estrangeiros

Um tema interessante e polêmico em Israel diz respeito aos trabalhadores estrangeiros. Muito se discute sobre uma possível influencia destes imigrantes no aumento do desemprego no país.

Polêmicas à parte, os dados oficiais dizem que cerca de 30 mil trabalhadores entraram por ano de forma legal em Israel em 2011 e 2012. Destes, em 2012, 12,8% eram tailandeses, 16,9% eram filipinos e 19,6% eram proveniente de países que faziam parte da antiga União Soviética.

Aproximadamente, o mesmo número  de trabalhadores estrangeiros deixou o país nestes mesmos dois anos. Ou seja, o balanço esteve próximo de zero.

Gráfico 5: Entrada de trabalhadores Imigrantes em 2012, de acordo com a origem, em %, Total = 29,600
Gráfico 5: Entrada de trabalhadores Imigrantes em 2012, de acordo com a origem, em %, Total = 29,600

Anos de estudo

Mais de 48% da população israelense acima de 15 anos tem mais de 12 anos de estudo, como pode ser visto no gráfico abaixo. A média brasileira fica em apenas 7,2 anos de estudo. Entre 2003 e 2011, a média da população árabe em Israel foi de 11 anos, enquanto a média da população judaica foi de 13 anos de estudo.

 

Gráfico 6: Anos de estudo da população israelense (maiores que 15 anos), 2012
Gráfico 6: Anos de estudo da população israelense (maiores que 15 anos), 2012

Observações sore o gráfico

12 anos = Segundo grau (Ensino médio completo)

15 anos = Terceiro grau (Graduação completa) – em Israel os títulos de graduação em geral duram 3 anos.

16 ou mais = Pos-graduados

Ou seja, uma altíssima taxa de pos-graduados na população israelense.

Fiquei devendo números sobre bem-estar, saúde, moradia, entre outros indicadores. Pretendo abordar alguns deles no próximo texto desta série.

Se você gostou do texto, veja também o numero um neste link.

Até a próxima!

Comentários    ( 7 )

7 Responses to “Israel em números – parte 2”

  • Caio

    23/09/2014 at 05:00

    Belo artigo Amir! Muito interessante ver esses diversos indicadores de Israel!
    Dois indicadores que senti falta foram a mediana da renda per capita e o indice de gini, acredito que eles poderiam enriquecer o debate, uma vez que muitas vezes leio nas mídias que uma parcela significativa da população israelense vive com uma renda baixa e que essa população esta concentrada nos ultra-ordoxos e árabes.

  • Raul Gottlieb

    23/09/2014 at 21:06

    Muito bom o texto, Amir. Meio vergonhoso para quem mora no Brasil, mas tudo bem, as coisas são como são.

    Algumas observações:

    a) Confiar no IBGE da era PT é uma temeridade. Eles estão se especializando a torturar os números até que eles confessem o que eles querem.

    b) Seria muito bom saber a procedência dos olim no último ano e nos últimos cinco anos, você tem esta informação?

    c) O quadro sobre os trabalhadores estrangeiros mostra que as intifadas acabaram sendo benéficas aos trabalhadores do sudeste da Ásia que vieram tomar o lugar dos Palestinos. Os amantes das teorias da conspiração dirão que as estratégias dos Palestinos são concebidas em Manila.

    d) Valeria a pena também mostrar a comparação entre a área de florestas no Brasil e em Israel, nos últimos 50, 100 anos.

    e) E também falar sobre a questão da água. Falta água em Itu, às margens do Tietê, mas não em Mitzpê Ramon ou Yeruham. Como pode?

    f) A ideia do Caio de segregar os números dos árabes e dos ultra ortodoxos me parece ótima. Até porque é muito importante analisar separadamente os nossos irmãos de preto que resolveram voluntariamente não trabalhar e viver de esmola.

    g) Sugiro também criar uma ultima linha no primeiro quadro informando a quantidade de Copas do Mundo de futebol que cada país ganhou. Assim o placar fica 1×7, um resultado mais familiar para nós.

    Shaná Tová e obrigado pelo texto,
    Raul

  • Marcelo Starec

    24/09/2014 at 04:52

    Oi Amir,
    Muito bom o artigo! Gostaria de deixar aqui uma dúvida, algo que me chamou a atenção…Até onde sei, a imigração proveniente do Iemen foi importante para Israel e no gráfico 4 o Iemen sequer foi mencionado separadamente – mas ficou no item outros. No mais, os dados realmente são de grande valor para todos que querem conhecer um pouco mais sobre Israel e a comparação com o Brasil ajuda, pois é o País que quase todos os seus leitores conhece melhor.
    Abraço,
    Marcelo.

  • Amir Szuster

    24/09/2014 at 10:43

    Antes de responder os comentarios, um esclarecimento sobre a populacao:
    8,2 milhoes sao residentes em Israel
    8,9 milhoes sao o numero de cidadaos. Ou seja, mais ou menos 700 mil isralenses vivem fora de Israel hoje em dia.

    Caio,

    Obrigado pelo comentario.
    Em relacao aos dados que voce pediu, encontrei as seguintes informacoes:

    A mediana da renda(2013): 6,541 shekels.
    A media, bem mais alta, 9,149 shekels.

    Outros dados interessantes sobre este tema.
    salario medio dos homens, 10,953 ,
    salario medio das mulheres: 7,244.
    salario medio por hora: 51,5 shekels
    salario medio – judeus : 9,721
    salario medio – arabes: 6,029

    Coeficiente de Gini: 39,2 (numa escala de 0 – 100) , posicao de numero 70 no mundo!
    Ou seja, bastante desigualdade de renda, em especial pela diferenca entre salarios entre os judeus laicos e os judeus religiosos / arabes israelenses.
    Recomendo este meu outro texto no Conexao, que aborda este tema: http://www.conexaoisrael.org/israel-pais-desenvolvido/2013-10-28/amir

    Chag Sameach!

    Raul,
    Obrigado pelos comentarios.
    Dados sobre alia em 2014 (ate Setembro)

    Franca 26.8%
    Ucrania 20.0%
    Russia 15.6%
    E.U.A 13.5%
    Inglaterra 2.6%
    India 2.1%
    Canada 1.5%
    Bielorussia 1.3%
    Brasil 1.3%
    Italia 1.2%
    Argentina 1.2%
    Outros 12.9%

    Impressionante a porcentagem de franceses. Como sabemos, relacionado ao aumento do antisemitismo no pais.
    Os dados sobre florestas, preciso pesquisar mais a fundo!
    E a questao da agua, esta abordada em um outro texto meu aqui no Conexao: http://www.conexaoisrael.org/o-pais-da-agua/2014-05-15/amir

    Shana Tova!

    Marcelo,
    Obrigado novamente por participar.

    Dados sobre imigracao do Yemen, encontrei informacoes neste site (http://lib.cet.ac.il/PAGES/item.asp?item=15642)

    Entre 1948-56 , um total de 50,205 imigrantes – Nao tiveram mais ondas de imigracao apos este periodo, apenas individuos isolados. Isso representa 1.6% do total de 3,1 milhoes.

    Preciso conferir estes numeros, mas me parecem razoaveis. Ou seja, 1.6% dos “outros”
    Um abraco e shana tova

    • Raul Gottlieb

      24/09/2014 at 15:48

      Obrigado Amir.

      Com metade da população judaica o Brasil teve pouco mais olim que a Argentina. É um fenômeno interessante de ser estudado, pois reverte uma tendência de muitíssimos anos.

      Sobre a desigualdade em Israel, eu penso ser fundamental segregar os que optam por não estudar e não trabalhar do restante da população. Em Israel cerca de 10% da população assume ideologicamente o ideal de viver eternamente de esmola comunitária e de auxílio estatal.

      É uma população que se auto condenou a ocupar o estrato mais baixo da sociedade, qualquer que seja o nível do seu estrato mais alto. Viverão sempre das sobras dos demais.

      A meu ver não dá para ter uma visão com valor do Gini incluindo esta população. Os 39,2 não tem significado.

      Shaná Tová,
      Raul

  • Leonardo Bueno

    24/09/2014 at 16:02

    Excelente texto, Amir! Parabens!

    Muito esclarecedor e bem abordado.
    Só fiquei com uma dúvida. Os dados de imigração são referentes apenas a quem fez aliá, certo? não conta imigrantes ilegais né?

  • Marcelo Starec

    24/09/2014 at 21:03

    Muito obrigado pelo esclarecimento, Amir.
    Um abraço e shana tova!…

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