Israel erra quando escolhe guerra

14/08/2014 | Conflito

Não me considero um pacifista por não ver a paz como um fim. Acredito que a paz seja um componente fundamental para os processos sociais, que culminariam nos fins nos quais acredito. Minha opinião é a de que, sim, há guerras justificáveis. Comparto da visão de Clausewitz (foto), no entanto, de que a guerra é a continuação da política por outros meios. As guerras são acontecimentos políticos, e devem ser entendidas desta forma. Eu diria, então, que em determinados casos, quando a guerra não é evitada, temos o sinal de um fracasso político. E é exatamente este o meu tema neste artigo.

Carl von Clausewitz
Carl von Clausewitz

Não sou um especialista em estratégias militares, estou longe disso. Para falar a verdade, não sou um especialista em nada. Mas gostaria de questionar estes mesmos especialistas, e serei obrigado a me contradizer, mas prometo resolver esta confusão no final. Apesar do entendimento de que a guerra é um acontecimento político, acredito que os militares não são especialistas em política. Na realidade, a política israelense é contaminada por doutrinas militares, e isto é nocivo demais para a sociedade. É verdade que alguns dos maiores estadistas da história do país foram militares de alta patente. Aliás, praticamente todos os Primeiros Ministros de Israel, ao longo destes 66 anos, se não foram generais do exército, ao menos antes de ingressarem na política, ou serviram o exército como oficiais combatentes, ou ao menos foram encarregados de pastas do alto escalão do Ministério da Defesa. Mas não só na política este pensamento interfere: a sociedade israelense é muito influenciada por esta cultura militarista. Há uma expressão em hebraico que diz: “O povo constrói o exército que constrói o povo” (עם בונה צבא בונה עם). E isso explica um pouco a mentalidade da sociedade.

Minha visão é a de que Israel constrói permanentemente um círculo vicioso, que resulta no (praticamente) inevitável uso da força de tanto em tanto tempo. Não busco aqui discutir os grupos terroristas, para quem a violência e a guerra são as únicas estratégias, algo intrínseco à sua moral[ref]Para quem ainda duvida, assista a reportagem feita pela TV Record em português sobre o Hamas aqui.[/ref]. Todos os governos israelenses, distintamente do Hamas, dizem querer paz, mas constroem há anos, junto a grupos como o próprio Hamas, uma situação bélica da qual não conseguem sair.

É praticamente um consenso entre os judeus israelenses[ref]Aproximadamente 77% da população. Não tenho informação para analisar a postura dos árabes-israelenses, e tampouco me proponho a isso. Teria que escrever outro artigo.[/ref] que a Operação Margem de Proteção foi uma “guerra justa”. A prova disto foi uma pesquisa realizada pelo Instituto Israelense de Democracia, uma das mais prestigiadas instituições do país: em 20 de julho, 95% dos judeus israelenses apoiavam a operação, e apenas 4% julgavam que Israel utilizou força em excesso[ref]http://en.idi.org.il/about-idi/news-and-updates/july-2014-peace-index/.[/ref]. A julgar pelas raras vozes pedindo o fim da operação mesmo após o cessar-fogo temporário, as opiniões não parecem ter mudado. O povo parece convicto de que a ação era necessária. Quando falamos de 95%, tenham em conta que nos referimos a homens e mulheres, direitistas e esquerdistas, religiosos e laicos. 95% são quase todos. (Curioso notar que a opinião pública no resto do mundo não compactua com esta visão.) É natural que, quando 65% da população escuta quase que diariamente (se não mais) sirenes anunciando que foguetes foram disparados na sua direção, ou que dezenas de túneis foram construídos, boa parte deles com o objetivo único de realizar atentados terroristas contra a população civil que habita o sul do país[ref]Além dos foguetes e túneis, três atentados terroristas foram realizados na região metropolitana de Jerusalém: um a facadas, outro a tiros, e o terceiro com um trator que derrubou um ônibus e causou uma morte, fora a do terrorista[/ref], esta cobre do governo uma atitude. Esta mesma população está disposta a arriscar as vidas de seus familiares nesta operação[ref]Mais de 80 mil reservistas foram convocados, e somaram-se aos mais de 176 mil que estão na ativa. Somados, chegam a mais de 3% da sociedade israelense.[/ref]. Escutei de pessoas das mais variadas filiações políticas e religiosas, classes sociais, gêneros e idades: esta guerra é necessária. Eu consigo perfeitamente compreender este pensamento. Não posso, contudo, estar de acordo.

Assisti a diversos especialistas militares na televisão, e cada vez que os escutava, mais me convencia de que eles estão errados. Posso analisar esta guerra sob um ponto de vista moral e pragmático. Parte disso já fiz em um artigo, escrito em meados de julho. Pretendo complementá-lo, agora.

Levi Eshkol
Levi Eshkol

Israel não busca soluções não militares ao lidar com os palestinos. Tal qual a percepção de Washington Luís, ex-presidente brasileiro nos anos 1920, sobre a questão social (um caso de polícia), o entendimento dos mais distintos governos israelenses sobre os palestinos parece ser semelhante: uma questão militar. É compreensível que nos primeiros anos do Estado, os árabes palestinos fossem vistos como inimigos, a partir de uma perspectiva generalizante. Não só os palestinos, aliás, que de 1949 a 1967 estiveram sob controle egípcio ou jordaniano: os árabes cidadãos de Israel viveram sob um regime militar até 1964, quando o Primeiro Ministro Levi Eshkol (foto) decidiu remover esta política que existiu ininterruptamente durante o período no qual David Ben-Gurion chefiou o Estado. Por incrível que pareça, esta marca histórica não é a mais significativa para justificar o meu ponto.

A instabilidade pós-Guerra de 1948 resultou numa forte tensão entre Israel e suas fronteiras, sobretudo naquelas onde habitavam palestinos. Desde 1949, os refugiados palestinos cruzaram as fronteiras quase que diariamente para buscar seus pertences abandonados em suas casas, onde já viviam israelenses desde o fim da guerra. As Forças de Defesa de Israel (FDI) deixaram de fazer vista grossa a e esta “invasão” a partir do momento em que a entrada dos palestinos resultou em violência. Aos poucos, sobretudo após a subida de Gamal A. Nasser ao poder no Egito, alguns palestinos foram incentivados a realizar atentados terroristas contra israelenses, evocando a resistência palestina. Neste momento, Ben-Gurion e o exército israelense adotaram uma política conhecida como Doutrina da Retaliação[ref]Para quem lê hebraico, clique aqui para ter acesso à uma longa lista de atividades de represália das FDI, no próprio site dos paraquedistas[/ref] [ref]Para quem lê inglês, recomendo a obra de Benny Morris (1993) Israel’s Border Wars, 1949 – 1956. Arab Infiltration, Israeli Retaliation, and the Countdown to the Suez War. Oxford University Press.[/ref] (פעולות תגמול), que basicamente consistia em revidar qualquer movimento hostil ao território e à população israelenses. Melhor que eu, o ex-Primeiro Ministro Ben-Gurion definiu o que era esta doutrina:

“Não temos poder para garantir que as linhas de tubulação de água não serão explodidas, ou que as árvores não serão derrubadas. Nós não temos o poder de impedir que os assassinatos de jardineiros, ou de famílias inteiras enquanto dormem, mas temos o poder de definir um preço elevado para o nosso sangue, um preço que seria muito alto para as comunidades árabes, os exércitos árabes e os governos árabes para suportar”.[ref]Tradução minha. Retirado do wikipedia, a partir da citação da obra:  ALLON, Yigal (1970) Shield of David. The Story of Israel’s Armed Forces. Weidenfield and Nicolson. SBN 297 00133 7. Page 235. Allon attributes a identical quote to Moshe Dayan, Israel’s Chief of Staff.[/ref]Naquele momento, não havia problema em classificar estes atos como casos de vingança[ref]Interessante notar que a destruição da casa do terrorista era uma medida tomada naquela época, que segue em curso até os dias de hoje[/ref] (como o fez de forma crítica o ministro Moshe Sharett). Um leitor mais atento, encontrará citações de Ariel Sharon (então um importante coronel das FDI) ou de Moshe Dayan realçando esta mirada.

David Ben-Gurion
David Ben-Gurion

É compreensível (não necessariamente justificável) que naquele momento as FDI se vissem obrigadas a demonstrar força. O país estava em formação, o orçamento do governo era limitadíssimo (Israel era um país pobre), dezenas de milhares de imigrantes chegavam todos os anos e todos os países fronteiriços (e outros um pouco mais distantes) eram inimigos. Antes de 1967, Israel não era uma potência militar na região, apesar da heróica vitória na guerra de 1948. Havia uma preocupação real, tanto do governo quanto do exército, em relação à possível destruição do novo Estado recém-criado, caso houvesse uma guerra com os países vizinhos. Esta doutrina surgiu neste contexto: mostrar força, por mais que custe vidas. Que os inimigos não pensem que seus ataques serão em vão. Que não ousem atacar Israel, pois perderão em dobro. Que os cidadãos israelenses possam sentir-se mais seguros, pois alguém responderá quando houver a possibilidade de ataque a suas cidades.

Onde eu pretendo chegar, o leitor deve estar se perguntando? É evidente que as FDI de hoje, temidas, poderosas e superequipadas, não necessitam destas atividades. Elas podem agir de forma mais ética que o terrorista, e buscar atingir somente os responsáveis pelas ações (embora isto quase nunca seja possível). O ponto fundamental, no entanto, não é sobre as práticas militares, mas sim sobre a forma como a política do governo se mescla com as ações militares. Israel de hoje, mesmo após alcançar tratados de paz com alguns países muçulmanos (algo impensável nos anos 1950/60), segue buscando soluções militares visando a “segurança dos seus cidadãos”. crêem que a destruição da casa do terrorista, ou o ataque à estrutura militar do Hamas, possa realmente solucionar a raiz de nossos problemas e trazer segurança aos cidadãos israelenses. Este pensamento é tão errado, que impressiona que tanta gente acredite nisso.

Confesso que me causa náuseas escutar discursos do Primeiro Ministro Biniamin Netanyahu, dos ministros Avigdor Liebermann ou Naftali Bennet, afirmando que o Hamas recebe um golpe forte, ou que é necessário seguir com a operação para garantir a segurança dos cidadãos israelenses, e outras coisas mais. Apesar do apelo popular, estes sujeitos não são militares, e são votados para usar a cabeça, não a força. Não me impressiona nem me incomoda que um porta-voz das FDI[ref]Ou o próprio Ministro da Defesa, Moshe Ya’alon, ex-Chefe das Forças Armadas, que foi criado nesse meio toda a vida. É importante lembrar, no entanto, que o tão criticado pela falta de experiência militar Amir Peretz, quando era Ministro da Defesa, foi o responsável por liberar a verba para o projeto do tão elogiado Domo de Ferro. Peretz foi prefeito da cidade de Sderot, na fronteira com Gaza, famosa pelos ataques de foguetes desde 2002. Não é curioso que a arma mais valiosa do país foi desenvolvida justamente quando um civil executou funções ligadas à defesa?[/ref] justifique seus feitos militares: isso é o exército. Não me impressionou tanto que um general da reserva tenha dito em canal aberto de TV, que a morte acidental de quatro crianças na praia em Gaza seja um evento muito mais midiático do que trágico. Militares são treinados para resolver os problemas desta forma: usando a força. Políticos são eleitos para comandar o país, não só o exército. Se observarmos que em menos de seis anos estamos na terceira operação em Gaza, com a triste constatação de que os terroristas têm cada vez mais armas, são cada vez mais fortes e cada vez nos dão mais trabalho, chego à conclusão de que os políticos israelenses não sabem agir no seu próprio campo, e recorrem ao exército equivocadamente.

Túnel descoberto na Faixa de Gaza
Túnel descoberto na Faixa de Gaza

Alego que Israel, mesmo sem querer, provoca situações nas quais as ações terroristas contra si serão consequência óbvia (não disse legítima) de um grupo como o Hamas. Em julho de 2014, com mais de 50 túneis construídos, mais de 9 mil foguetes nas mãos de terroristas, e um bloqueio em Gaza que põe o governo do Hamas em uma situação de desespero, era de se esperar que o governo se visse obrigado a uma ação militar. Mas eu gostaria de lembrá-lo, caro leitor, que esta é a terceira ação militar em seis anos. Ou seja, o que fizeram os governos Netanyahu neste período? Respondo: criaram um ambiente de guerra.

Como? A resposta está na cara de todos nós: há duas lideranças palestinas, uma moderada, na Cisjordânia (que nos reconhece e coopera conosco), e uma radical (que não nos reconhece e nos ataca), em Gaza. Como age Netanyahu em relação primeira? Dificulta o acordo e constrói incessantemente colônias nos seus territórios. São limitados até mesmo internamente, com barreiras. Enquanto isso, em Gaza, apesar do bloqueio, a ajuda humanitária chega aos montes. Os palestinos de lá, apesar das restrições, não convivem nem com barreiras internas, nem com colônias sendo construídas: ao contrário, têm o direito de ir e vir (dentro de Gaza), e não vêem interferência no seu dia-a-dia de nenhuma força externa. O Hamas vende seu peixe muito bem: sua narrativa é a de que eles, e só eles, são a resistência, e graças a isso não há em Gaza nenhum sionista ocupador. Sempre que se assina um cessar-fogo, angariam mais liberdades. Em eventuais conflitos, as mortes lhes favorecem, pois quem aperta o gatilho das armas que matam os palestinos não são eles, por mais que Israel lhes tente passar a responsabilidade. O ódio palestino é contra as FDI, o Hamas não tem aviões, nem tanques, nem exército. Parafraseando o escritor Amos Oz, quando morrem israelenses, bom para o Hamas[ref]Leia aqui a entrevista com Amos Oz realizada no dia 5 de agosto[/ref]. Quando morrem palestinos, bom para o Hamas. Ou seja: a guerra é ruim para Israel, ruim para os palestinos, mas boa para os terroristas. Não é de se estranhar que na última pesquisa feita em 2012, o Hamas alcançasse o primeiro lugar em eventuais eleições [ref]Veja aqui[/ref].

Mas a mentalidade militar segue dominando as ações dos políticos. Parecem viciados em retaliar, mostrar força, justificar a expressão “tranquilidade será respondida com tranquilidade”. Aquele que conversa recebe em troca assentamentos. Aquele que nos ataca recebe direitos. Qual a lógica nisso? Israel premia os terroristas, e pune os moderados. O governo insiste em pormenores em negociações com os moderados, enquanto os radicais se armam. E quando os moderados se juntam aos terroristas, formam um governo de união e afirmam desejar negociar, punimos os dois. Enquanto isso a situação piora. Parece que aqui a força bruta consegue vencer a inteligência.

Comentários    ( 49 )

49 comentários para “Israel erra quando escolhe guerra”

  • Mario S Nusbaum

    15/08/2014 at 00:43

    “É compreensível (não necessariamente justificável) que naquele momento as FDI se vissem obrigadas a demonstrar força. ” Não entendi. Se a alternativa era, como você mesmo admite, colocar em risco a existência do país, por que não justificável?
    “, e buscar atingir somente os responsáveis pelas ações (embora isto quase nunca seja possível).” Também não entendi. Como buscar algo que quase nunca é possível?

    De um modo geral concordo em que Israel deveria negociar, mas tenho certeza de que o hamas sabotaria as negociações.

  • Raul Gottlieb

    15/08/2014 at 12:52

    Olá João

    Você não deixa isto muito claro, mas deduzo que você sugere que a solução seria negociar com o moderado Fatah de Abbas.

    Se eu estou certo em minha dedução, gostaria de colocar os seguintes fatos:

    a) O bom acordo com o moderado Sadat do Egito resultou na morte dele. A partir daí o governo do seu sucessor resolveu manter uma paz fria com Israel, cortando as chances de normalização entre os judeus e seus vizinhos árabes – turismo, investimentos, etc. – que estavam em curso. Os radicais da Irmandade Islâmica conseguiram barrar o único caminho que leva ao entendimento, ou seja, a convivência.

    b) Diferente do que você diz, Israel negociava com os países árabes em 1948. A lendária visita de Golda Meir a Abdala dias antes do 15 de maio é o maior exemplo disso, havia um diálogo e uma negociação em curso. Mas o governo árabe da Jordânia resolveu que não poderia ficar sozinho e tinha que se juntar aos governos que pregavam o genocídio dos judeus e a limpeza étnica da Palestina judaica. Mais uma vez um moderado árabe foi calado pelos radicais.

    c) Após a saída de Israel de Gaza em 2005 os moderados do Fatah foram derrubados numa guerra civil pelos radicais do Hamas. Os moderados árabes foram brutalmente assassinados pelos radicais.

    Estes são apenas alguns exemplos que mostram que invariavelmente os radicais xenófobos e anti-ocidentais do mundo árabe ganham o controle político sobre os moderados. As massas os apoiam ou no mínimo, tem medo de confrontá-los.

    Baseado em tudo o que há para ser lido e estudado sobre a questão, eu acredito que o interesse do Sionismo sempre foi ser aceito pelo mundo árabe que o circunda e no qual quer se inserir e que quem ser aceito não parte para a briga. Desde os primeiros escritos de Herzl você encontra isto. Contudo, nada deu certo. Desde as iniciativas do Brit Shalom de Martin Buber e amigos até a retirada incondicional de Gaza de Sharon.

    Assim que me parece que o recurso dos Israelenses às soluções militares é fruto de necessidade (tal qual aconteceu agora) e não de ideologia. Israel luta com uma cultura que se permite ser cada vez mais hostil à cultura democrática ocidental. Em todo o mundo árabe existe uma ressurgência ao islamismo jihadista do século sétimo.

    Então, eu acredito que a tua sugestão é romântica e bonita, mostra o belo ser humano que você é, porém é fadada ao fracasso. A realidade não autoriza o teu otimismo. Você já disse uma vez que prefere ser otimista. Eu prefiro ficar vivo.

    Não sei se você viu o filminho que postei num comentário do ISIS massacrando os oponentes árabes no Iraque. São cenas que relembram as atrocidades alemãs da segunda guerra. Ao analisar a situação é preciso entender que é contra isto que Israel está lutando – um mundo árabe cada vez mais violento em todos os seus quadrantes.

    Dizem os antissemitas que Israel é o culpado pela guinada xenófoba do mundo islâmico. É uma bobagem, como os exemplos acima e mais tantos outros atestam. Os líderes islâmicos da Índia se recusaram a conviver no mesmo estado com os politeístas hindus. Fundaram o Paquistão – a terra dos puros (este é o significado de Paquistão), mostrando que os hindus são impuros – e vivem em constante tensão com a Índia. Não há judeus por lá.

    Todos os países islâmicos rejeitaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos e criaram uma outra, chamada de Declaração Universal Islâmica dos Direitos Humanos, onde a sharia e não a igualdade é o valor maior. Onde o direito à liberdade de expressão é condicionado aos ditames do governante (ou seja, que garante a liberdade de concordar e criminaliza a de discordar). Estranhamente ambas as declarações continuam a se auto denominar “universais” quando o advento da segunda deixou claro que não há universalidade (unanimidade) sobre o que é humanidade.

    É contra a Declaração Universal Islâmica dos Direitos do Homem que Israel se confronta. Se você acha que há uma saída negociada para isto é, talvez, porque não a leu. Recomendo que o faça.

    Finalmente, eu queria dizer, que uso os termos “moderado” e “radical” apenas para seguir o costume e ser melhor entendido. Eu não considero que o Islã Jihadista seja radical, pois isto significaria admitir que esta ideologia é uma manifestação extremada da cultura ocidental do nosso século e o Islã Jihadista não tem nenhuma intersecção com os valores humanistas que moldam a nossa cultura. Eles não são radicais no nosso universo, são membros de outro universo e fazem questão de deixar isto muito claro em todos os fóruns, até mesmo na ONU.

    O que nós deveríamos estar nos perguntando é porque a ONU abriga em seu seio esta cultura que rejeita os princípios sobre os quais a instituição foi fundada. E porque o mundo se recusa a perceber que o seu apoio covarde ao Islã Jihadista está levando o mundo a uma catástrofe.

    Israel é apenas um pequeno peão neste jogo, mas um peão que entende melhor do ninguém o que está em jogo e se defende adequadamente.

    Em resumo: Israel não escolhe a guerra. Ela lhe é forçada.

    Shabat Shalom,
    Raul

    PS – os primeiros ministros de Israel passaram a ser heróis militares apenas a partir de Rabin. Os anteriores não tinham tido passagem militar significativa. Você deveria rever esta parte do teu texto.

    • Gabriel

      16/08/2014 at 00:25

      Obrigado Raul, sempre bom ler seus comentários, concordo com a sua posição e confesso que fiquei especialmente aliviado de ver o seu comentário aqui.

      Grande abraço e shabat shalom,
      Gabriel

    • Raul Gottlieb

      17/08/2014 at 11:05

      Oi Gabriel

      Por favor, leia este texto http://www.gatestoneinstitute.org/4602/new-romantics.

      Ele é um pouco comprido, mas muito interessante, pois, a meu ver, mostra com bastante acurácia o fenômeno que gera a visão expressa no post do João.

      Claro que o Marcos Gorinstein (acho que foi ele, mas não tenho certeza) vai desqualificar o texto pois foi publicado num site “da direita”. Pecado Capital! Só podemos confiar nas análises vindas “da esquerda”, não é mesmo? Ler o que diz “a direita” desmoraliza o leitor a priori. Afinal de contas não temos – você e eu – condição de analisar os textos por seu valor, independente de onde venham. Mas isto é uma digressão, voltemos.

      Vi uma foto agora mesmo num jornal israelense: dois manifestantes sentados lado a lado em Los Angeles, cada um com seu cartaz. Um dizia “Este judeu aqui é contra o apoio dos US à guerra de Israel à Gaza”. A pessoa olhava para o lado.

      A outra pessoa olhava para frente e tinha dois cartazes onde estava escrito “Libertem a Palestina, do rio ao mar” (ou seja, acabem com Israel), o outro tinha uma foto do Gueto de Varsóvia e de Gaza após a guerra e as legendas “Gueto de Varsóvia 1943” e “Gueto de Gaza 2014” respectivamente.

      Se o judeu carregando o cartaz contra a guerra de Gaza olhasse para os cartazes ao seu lado com alguma atenção veria que o seu colega de manifestação prega a destruição de Israel e desmoraliza a Shoá. Ou seja, representa o pior pesadelo dos judeus. Mas ela insiste em virar a cabeça para o lado de lá e pregar um pacifismo auto destruidor.

      Tente acessar a foto – está na página inicial do Times of Israel: http://www.timesofisrael.com/day-41-hamas-rejects-egypt-ceasefire-terms-vows-continued-struggle/ . Ela é fabulosa e merecia um prêmio.

      Abraço,
      Raul

    • Mario S Nusbaum

      16/08/2014 at 15:41

      “E porque o mundo se recusa a perceber que o seu apoio covarde ao Islã Jihadista está levando o mundo a uma catástrofe.”
      Também me pergunto isso. Meu lado otimista (que é pequeno) acha que começaram a perceber, o pessimista que a catástrofe está bem perto
      “Israel é apenas um pequeno peão neste jogo, mas um peão que entende melhor do ninguém o que está em jogo e se defende adequadamente.”
      Entende melhor porque está no olho do furacão. Se surgir um ISIL e um hamas no México, garanto que, apesar do Obama, os EUA agiriam “desproporcionalmente”.

      “Em resumo: Israel não escolhe a guerra. Ela lhe é forçada.”
      Nunca entendi que motivos teria para escolher

    • João K. Miragaya

      17/08/2014 at 16:04

      Olá Raul.

      Você deduz corretamente, embora eu pense que tenha deixado isto muito claro no texto.

      Não vejo absolutamente nenhum problema com a “paz fria” que temos com o Egito. Acho que hoje, aliás, Al-Sisi é um dos maiores aliados de Israel contra o Hamas no mundo, se não o maior. Prefiro um milhão de vezes a paz fria com o Egito do que a guerra quente com o Hamas. Você não?

      Você tem razão, Israel negociava com a Jordânia em 1948. Só não entendo o que isso tem a ver com o texto (e com o que eu falo), pois minha análise se dá a partir dos anos 1950.

      Seus exemplos anacrônicos e fora de contexto não me convencem do que ocorrerá no futuro. A menos que você tenha uma bola de cristal e possa vê-lo melhor que eu. Caso contrário, temos só o presente como base, pois utilizar as negociações com a Jordânia em 1948 em detrimento de Oslo é escolher qual informação utilizar.

      Não tenho medo do islã radical como você aparenta ter, e acredito que para que fiquemos vivos, devemos tentar um acordo. Acredito que somos todos seres humanos (apesar de você considerar que eles estão em outro universo), e que podemos entender um ao outro ao invés de comportarmo-nos como bárbaros e a cada tanto tempo deixarmos tantas pessoas mortas. Ao contrário de você, eu acredito que o caminho escolhido pelos últimos governos nos levará ao fim, não à sobrevivência. E as provas são as repetidas operações que afetam os dois lados de forma nociva. O mundo já nos odeia. A juventude judaica norte-americana cada vez menos simpatiza com Israel. O presente não se mostra positivo, eu prefiro mudar a perspectiva de futuro que se constrói na minha cara.

      Um abraço.

      PS. Te recomendo que releia o texto, pois várias de suas observações não tem relação nenhuma com o que eu escrevi, inclusive (talvez principalmente) seu “PS.”

      Com relação a este ponto, transcreverei e explicarei melhor:

      “Aliás, praticamente todos os Primeiros Ministros de Israel, ao longo destes 66 anos, se não foram generais do exército, ao menos antes de ingressarem na política, ou serviram o exército como oficiais combatentes, ou ao menos foram encarregados de pastas do alto escalão do Ministério da Defesa.”

      Agora veja:

      Ben-Gurion: Líder da Organização Sionista Mundial, era extra-oficialmente chefe político da Haganá e trabalhava praticamente como um Ministro da Defesa (quando não Chefe das Forças Armadas) do grupo. Não raro foi visto trajando farda.

      Moshe Sharett – Também foi “oficial” da Hagana em seus princípios, e, diferente de seu amigo Golomb, optou pela carreira política.

      Levi Eshkol – Foi Diretor geral do Ministério da Defesa, e Ministro da Defesa durante seu mandato como Primeiro Ministro.

      Golda Meir – Não teve nenhum cargo militar nem relacionado à defesa.

      Itzhak Rabin – Chefe das Forças Armadas, Ministro da Defesa.

      Menachem Beguin – Ex-líder e soldado do Etzel.

      Itzhak Shamir – Ex-líder e soldado do Lechi.

      Shimon Peres – Diretor geral do Ministério da Defesa e Ministro da Defesa.

      Biniamin Netanyahu – Oficial do exército como combatente do Matkal.

      Ehud Barak – Chefe das Forças Armadas.

      Ariel Sharon – General do Exército e Ministro da Defesa.

      Ehud Olmert – Combatente golani e oficial do exército como jornalista do Tzahal.

      Está aí: a única mulher é justamente a única que não teve nenhum cargo militar ou da defesa. Revi esta parte do meu texto, e mantenho-a. Recomendo que você reveja seu comentário.

    • Raul Gottlieb

      20/08/2014 at 11:32

      João,

      Num país em guerra desde a sua fundação e onde o alistamento é universal, todos têm alguma participação no exército.

      O que eu coloquei foi que até a eleição do Rabin, o currículo militar dos PM não era o mais relevante fator em sua escolha pelos eleitores. Veja que se em algum momento o Yossi Sarid tivesse sido eleito PM, não teria sido por ser currículo militar, não é mesmo?

      Em poucas palavras, o que eu coloco no meu PS é que o movimento de Israel em direção à super valorização do exército é uma reação ao movimento do inimigo.

      E o que eu digo no meu comentário é que Israel não erra quando escolhe a guerra, porque Israel não escolhe a guerra, Ela lhe é imposta.

      Abraço, Raul

    • João K. Miragaya

      20/08/2014 at 14:58

      Aí é que está o ponto: Yossi Sarid não foi eleito primeiro ministro. Exatamente por contrapor-se às soluções militares não tem a menor chance.

    • Raul Gottlieb

      21/08/2014 at 08:42

      Não saia do assunto, João. Eu não especulei sobre o que não fez Sarid ser eleito.O que eu disse é que se ele fosse eleito não seria por seu currículo militar apesar de tê-lo.

      Eu te disse que até Rabin o currículo militar não foi fator relevante nas eleições em Israel e você me rebateu dizendo que Moshé Sharet serviu no exército (alinhou outros nomes também, mas não vou copiar a lista toda).

      E não era mesmo, João. O Sarid foi apenas um exemplo que você ou não entendeu ou usou para desviar o foco do tema.

    • Raul Gottlieb

      21/08/2014 at 08:32

      Sim, João, a paz fria com o Egito é melhor que a não paz. Mas é pior do que a normalização que estava sendo construída e que foi estilhaçada pelo assassinato do Sadat, promovido pela Irmandade Islâmica, movimento do qual emerge a ideologia do Hamas.

      Esta normalização teria o poder de melhorar muitíssimo as chances de entendimento entre Israel e os países árabes segundo o que penso.

      Desculpe por não me fazer entender neste particular.

      O exemplo de 1948 que eu trouxe não levou em conta que a tua análise é a partir de 1950 (uma homenagem ao meu ano de nascimento? Se for, agradeço), pois eu não havia atentado que você havia estabelecido esta barreira arbitrária na análise.

      É uma barreira que me parece estranha, pois 1950 não é marco de nada no conflito do OM, a menos que você considere que o meu nascimento mudou algo na região, coisa que eu penso ser extrema e ridiculamente improvável.

      Os meus exemplos estão fora da ordem cronológica porque foram saindo da cabeça para o papel sem esta preocupação. Mas pode coloca-los na cronologia correta que não muda em nada a essência da minha argumentação que me parece estar bem dentro do contexto: eu digo que Israel só quer ser aceito na região e que, portanto, não escolhe a guerra. Eu reajo com grande incredulidade à tua afirmação que Israel escolhe a guerra.

      E que, sim, alguns Palestinos e Árabes não Palestinos aceitaram, aceitam e aceitarão a mão estendida por Israel em busca de aceitação. Mas que até hoje estes sempre foram ultrapassados pelos que não aceitam que os judeus tenham o direito à autodeterminação, independente de fronteiras.

      Estes “alguns” que cito acima podem ser muitos e podem até mesmo ter sido a maioria em algum momento (talvez até agora), mas por uma razão ou por outra nunca conseguiram se manter no governo dos países árabes por tempo suficiente para fazer a diferença.

      Não tenho uma bola de cristal, mas creio que o quadro do passado ajuda a entender o que está se passando no presente e o que acontecerá no futuro se o Hamas tomar controle político das demais facções Palestinas. Claro que certeza só temos da finitude da vida e da “infinitude” do universo, conforme formulado por Einstein: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta.”

      Você não tem medo do Islã radical, mas a meu ver deveria ter. Veja o que se passa no Iraque e na Síria. Veja o que se passou no Líbano e na Líbia. Veja o que se passou em Nova Iorque, Buenos Aires, Madrid e Londres (tirei de ordem só pelo gostinho de fugir da cronologia) e reavalie a tua visão. Esta galera só vai parar quando for exterminada e eles se colocam numa posição onde o “tudo ou nada” é inevitável, pois são eles que clamam por isto, apesar da surdez temporária do mundo todo (com a exceção de Israel).

      Puxando o fio “fronteiras” que eu deixei solto acima, gostaria de compartilhar uma reflexão contigo e com os leitores com tolerância para textos de mais de quatro a cinco parágrafos. É uma reflexão um pouco afastada do contexto do teu texto, mas que me parece interessante.

      Em 1970 ocorreu o “Setembro Negro”, quando a OLP comandada por Arafat tentou derrubar o governo da Jordânia. Os Palestinos tentaram este golpe naquela época, pois:

      Hipótese um – consideram que a Jordânia é parte do território Palestino, dando razão aos que dizem que a solução “dois estados para dois povos” já foi dada em 1922.

      Hipótese dois – querem um governo qualquer num território qualquer, pois seu objetivo é o poder, sendo o povo palestino uma construção concebida para apoio a esta conquista.

      Alguma outra hipótese te ocorre?

      Lembro que o Setembro Negro foi importante no recrudescimento da rejeição dos países árabes em absorver os Palestinos em seus países. Esta rejeição – que monta a 1948, ou seja, é anterior ao Setembro Negro – se originou com o propósito de manter um espinho constantemente espetado nas costas de Israel e transforma há dezenas de anos milhões de pessoas em arma de política, sem a menor compaixão com o seu bem estar.

      Talvez o Setembro Negro mereça uma análise por parte do Conexão um dia. Quem sabe você se anima e nos brinda com ela?

      Como sempre é um prazer dialogar contigo.

      Um abraço.
      Raul

    • João K. Miragaya

      21/08/2014 at 09:12

      Raul,

      Escolhi o ano de 1950 por ser quando começa a ser posta em prática a doutrina da retaliação. A minha análise baseia-se nesta doutrina, e é sobre ela que eu escolhi escrever. Meu tema toca o islã radical sob um ponto de vista: como Israel pode fazer para impedi-los de boicotar a paz. As estratégias adotadas por Israel, a meu ver, não são corretas, e a minha explicação se dá em função de uma mentalidade construída desde os anos 1950, quando retaliar e mostrar força pareciam ser necessários e construtivos.

      Não tenho problema que você tire os eventos de cronologia, mas sim que os apresente fora de contexto, e selecionados parcialmente.

      Acho que deveríamos refletir igualmente sobre o “judaísmo radical” (termo não utilizado, mas preferi escrevê-lo assim para compararmos com como lidamos com o islã). Da mesma forma que Sadat foi assassinado por fundamentalistas religiosos, Rabin também o foi. Estava hoje mesmo revendo o filme The Gatekeepers, e me lembrei que o fenômeno não foi circunstancial: há grupos extremistas judaicos que realizam ações terroristas desde os anos 1970, e que planejaram até mesmo a explosão do Domo da Rocha. Matar o primeiro ministro e colocar todo o mundo islâmico em guerra contra Israel (provável resultado da explosão do Domo da Rocha) são atos que o Hamas nem sonhou em realizar. Quem são os nossos maiores inimigos? Eles ou o islã radical?

      O lobby dos colonos, formado em grande parte por extremistas religiosos, consegue todos os anos expandir a construção de colônias, e, desta forma, afastar o processo de paz e a criação de dois Estados. Eu não sou palestino, sou israelense. Infelizmente, não tenho como tentar mudar as coisas do outro lado. Mas aqui eu acho que posso, e é por isso que estou atento aos nossos problemas mais do que aos problemas deles. É uma pena, mas Israel não só não faz a sua parte como atrapalha o outro lado. E com isso atrapalha a si mesmo.

      Sobre o Setembro Negro: não acho correta a sua terminologia, dá a entender que há um desejo tácito do povo palestino, intrínseco à sua razão de ser. Você sabe bem que os palestinos não pensam todos da mesma forma, e a análise sobre o que aconteceu na Jordânia em 1970 deve ser analisada e esmiuçada como um fato complexo, não como um jogo de generalidades. A responsabilidade pelo que aconteceu na Jordânia em 1970 é de determinados grupos palestinos, e não “dos palestinos”. O que você fez é o mesmo que eu jogar uma mini-descrição de Deir Yassin e atirar duas hipóteses pelas quais “os judeus fizeram isso”.

      Mas concordo que uma análise sobre o Setembro Negro seja uma pauta interessante. Não está entre as minhas prioridades agora por não ser no momento, a meu ver, relevante no contexto atual. Acho problemático traçar um paralelo entre o Hamas e a Jihad Islâmica de hoje e a OLP de 1970, mas tenho na cabeça um texto a ser trabalhado (talvez em duas partes) sobre as históricas propostas de solução do conflito. A proposta de confederação Jordânia-Palestina seria certamente incluída, no que, a meu ver, foi o maior erro do governo israelense na história do país.

      O prazer é recíproco.

      Um abraço

  • Israelense

    15/08/2014 at 17:06

    Concordo mas como voce interpreta a posicao do Fatah e o fracasso da tentativa do ultimo acordo? O que o Abbas ganhou ou perdeu com isso? As vezes acho que nos os israelenses gostariamos de acreditar que a solucao depende somente de Israel. Se analisarmos bem, este tb eh um pensamento baseado na premissa: “os mais fortes sao os que decidem”.

    • Mario S Nusbaum

      16/08/2014 at 15:37

      ” As vezes acho que nos os israelenses gostariamos de acreditar que a solucao depende somente de Israel. ” Tenho essa mesma impressão. É muito difícil, quase impossível, aceitar que um problema talvez não tenha solução, daí procurarmos uma, qualquer que seja.

  • SylvioADickJ

    15/08/2014 at 17:24

    Até o momento, foi um dos artigos mais lúcidos que li sobre o assunto. Faz muita falta análises que se preocupem com essas questões sobre o sentido da guerra e o da política, que não precisam ser necessariamente infalíveis, ou pretender sê-lo. Mas tocam em pontos que requerem abordagens “alternativas” às correntes dominantes na mídia e nas práticas políticas. Parabéns ao autor.

  • Fernando Gabel

    15/08/2014 at 19:56

    Usando suas palavras, confesso que me causa náuseas escutar discursos como o seu, enquanto há mísseis diários que – se Israel não fosse militarizado, desenvolvido e não possuísse o iron dome – atingiria vários alvos civis. Ninguém gosta de conflitos e guerras, inclusive eu. Mas Israel precisa ser militarizado para sobreviver a seus vizinhos. Não acredito em acordo de paz com os “palestinos,” pois quando o ex-primeiro ministro de Israel Ehud Barak cedeu e ofereceu 97% de todas as exigências para que enfim houvesse um acordo de paz e 2 estados para 2 povos, começou uma nova intifada.
    Não sei, mas parece que você ainda acredita em conto de fadas.
    Se pareci rude com você, saiba que a única intenção é tentar ao máximo esclarecer uma situação que é grave e que infelizmente a solução não está na assinatura de um papel. INFELIZMENTE!!!

  • Marcelo Starec

    15/08/2014 at 22:25

    Oi João,
    Eu não concordo com a sua opinião neste post, em relação a como Israel trata os que você chama de “moderados” e “radicais”. Veja, na Cisjordânia está havendo cooperação, um crescimento econômico a taxas elevadas a muitos anos e cada vez mais árabes palestinos querendo simplesmente “viver o dia a dia” e não ficar assassinando israelenses, como um fim. Assim, ali pode estar sendo cimentado um caminho para uma futura paz. Entretanto, como acredito que a existência de Israel ainda esteja em risco até hoje, não posso acreditar num acordo de paz feito a qualquer custo. Você acredita que eles são “moderados”, mas tem segurança de que eles serão capazes de impedir que o grupo terrorista se apodere da Cisjordânia, se Israel sair de lá?…Eu não tenho e por não ter essa certeza eu acho que Israel precisa ir mesmo muito devagar, acho que a saída de Gaza (que na época eu gostei!) me fez aprender essa lição. Entendo que tudo tem que ser feito com muita calma, pois a possibilidade de a Cisjordânia se transformar numa “nova Gaza”, após a retirada total do Exército e das colônias não é, em meu entender, uma mera ficção. Era essa a observação que eu gostaria de fazer ao seu texto.
    Um abraço,
    Marcelo.

    • João K. Miragaya

      17/08/2014 at 15:38

      Olá Marcelo.

      Na minha opinião, Israel jamais saiu de Gaza. Segue ocupando o território, mas de fora para dentro. A saída de Gaza não aconteceu mediante nenhuma negociação (apesar dos pedidos de Abbas para que Sharon se sentasse com ele e combinasse como se daria a passagem do controle). A subida do Hamas em Gaza é totalmente explicada pela falta de negociação: o Hamas defendeu a ideia de que os atentados expulsaram Israel de Gaza, e parte da população acreditou.

      Eu também tenho receio de o que acontecerá na Palestina após a sua proclamação como Estado. Não posso ter certeza sobre o que não aconteceu, mas tenho absoluta certeza sobre o que acontece hoje: Israel não tem paz, e o terrorismo cada vez se arma mais. Sendo assim, prefiro arriscar do que seguir nesta situação.

      Um abraço

  • Mario S Nusbaum

    16/08/2014 at 15:44

    “Eram vizinhos ou amigos e viviam perto uns dos outros há anos. Mas quando os jihadistas chegaram aos seus povoados, para salvar sua pele, delataram sem hesitar membros da minoria yazidi, somando a traição à longa lista de seus sofrimentos.
    “Além de iraquianos, os jihadistas eram afegãos, bósnios, árabes ou, inclusive, americanos e britânicos. Mas os piores massacres foram os realizados pelos que viviam conosco, nossos vizinhos muçulmanos”, conta Sabah Haji Hassan, um yazidi de 68 anos que conseguiu fugir ao Curdistão iraquiano.”

    Alguém diria que os yazidis escolheram a guerra? Sim, sei perfeitamente que Israel é muito mais poderoso que eles, mas o inimigo é o mesmo.

  • Mario S Nusbaum

    17/08/2014 at 18:56

    João, assim como você acho a paz com o Egito algo ótimo, mas não podemos esquecer como ele foi conseguido. Compare com as atitudes do “moderado” Abbas. Quando Israel, a pedido dele, congelou os assentamentos PARA negociar, ele enrolou, enrolou e no último mês pediu uma extensão. Na última vez quando Israel libertou um monte de assassinos, o que ele concedeu? Até onde sei o imenso favor de conversar.

    NINGUÉM tem bola de cristal, mas isso não nos impede de tomar decisões, dezenas por dia. Fazemos isso baseados no que os americanos chamam “meu melhor conhecimento”.

    Você diz que não tem medo do islã radical, o que me obriga a perguntar: tem assistido o que está acontecendo com os yazidis?
    Outra coisa com a qual concordo e que o mundo já odeia Israel e que a juventude judaica norte-americana cada vez menos simpatiza com o país, mas uma parte dos que odeiam é porque querem o seu fim e outra porque estão sendo massacrados pelo coro de palestinos bons, israelenses ruins. Sou CONTRA os assentamentos e a FAVOR do diálogo, mas não com as atuais lideranças, que aliás querem qualquer coisa, menos conversar.

    • João K. Miragaya

      17/08/2014 at 20:47

      Olá Mario.

      Não acho que há nenhum animal nos teus relatos. Animais não tem a capacidade cognitiva dos seres humanos, que são diferentes por pensarem e se comunicarem em níveis bem mais complexos que os outros.

      Há alguns anos (não muitos) alguns cristãos europeus mataram a mais de 6 milhões de judeus (e outros mais), de forma tão cruel que armaram um sistema para que os soldados não vissem o que estavam fazendo para não ter pesadelos. Pouco antes, cristãos europeus entravam em vilarejos judeus e quebravam tudo, massacravam as pessoas e matavam a parte da população. Alguns séculos antes, cristãos europeus mataram a mais de 150 mil judeus na Polônia, a troco de nada. Dois séculos antes, cristãos europeus queimavam judeus na fogueira só por serem judeus. Pouco antes, cristãos europeus fizeram expedições da Europa em direção à Terra Santa, e o lema dos voluntários era “mata um judeu e salva tua vida”.

      Hoje temos paz com adeptos desta cultura, que fizeram coisas tão crueis com os judeus que o Hamas sequer sonha em fazê-lo. Por que? Porque não são animais, e é possível chegar a um entendimento quando todos são seres humanos. O Hamas não existe desde sempre, as condições devem ser favoráveis para que eles tenham força ou não. Eu acho que Israel joga o jogo errado. A porrada só os fortalece, a política não é o forte deles. Israel precisa parar de fortalecer o inimigo, antes que seja tarde.

      Um abraço

    • Mario S Nusbaum

      17/08/2014 at 22:59

      Oi João,
      Você sabe que animais é força de expressão, mas aceito a crítica. “Hoje temos paz com adeptos desta cultura, que fizeram coisas tão crueis com os judeus que o Hamas sequer sonha em fazê-lo.” Sim, como hoje temos com o Egito, Tunísia, Marrocos, etc. Nunca preguei que Israel deve ser inimigo eterno de árabes ou muçulmanos, mas do Islã radical sim, mesmo porque não existe opção, ELE se declara inimigo eterno do país, dos judeus, dos cristãos e das interpretações islâmicas “diferentes”.

      Discordo da sua comparação, ela seria válida se hoje tivéssemos paz com nazistas, o que obviamente é impossível. Não podemos nos esquecer que quem arrasou com Hitler foi o mundo, e gostemos ou não o mesmo terá que ser feito com hamases, ISISs e similares, independentemente do que Israel faça ou deixe de fazer.
      um abraço e uma ótima semana, em paz.

    • Raul Gottlieb

      19/08/2014 at 20:57

      “Hoje temos paz com adeptos desta cultura, que fizeram coisas tão crueis com os judeus que o Hamas sequer sonha em fazê-lo. Por que? ”

      Talvez porque o nazismo foi completamente derrotado numa guerra de extermínio. Será?

    • João K. Miragaya

      20/08/2014 at 14:57

      Isto não explica a sua destruição como ideia. Os soviéticos declararam guerra ao cristianismo por dezenas de anos, mas isto não a exterminou no país.

    • Raul Gottlieb

      20/08/2014 at 23:02

      João,

      O nazismo aniquilou a Alemanha, foi colocado fora da lei em quase todo o mundo e a partir daí os alemães tomaram outro curso. Por isto hoje convivemos e temos alianças com a Alemanha de hoje. Pois a grande maioria dos alemães reformou os seus valores.

      O comunismo lutou contra o cristianismo como e onde pode, mas não o derrotou e nem logrou fazer os cristãos abandonar os seus valores. Por isto o cristianismo não morreu na URSS (ou ficou muito pequeno, como o nazismo na Alemanha).

      O dia em que o jihadismo Islâmico sofrer a mesma sorte do nazismo e os seus (então ex) aderentes e simpatizantes substituírem os seus valores pelos valores ocidentais o mundo será um lugar melhor e o entendimento entre judeus e muçulmanos será mais simples de ser alcançado.

      O dia em que os países islâmicos rasgarem a Declaração Universal Islâmica dos Direitos Humanos e adotarem a elaborada pela ONU na década de 40-50 do século passado, o mundo terá dado um passo na direção da paz.

      Claro que o mundo nunca será um lugar perfeito, mas será melhor do que é hoje.

      Eu disse acima que jihadismo islâmico tem que ser derrotado como o nazismo, mas é claro que existe a hipótese dele se reformar antes da inevitável e muito dolorosa derrota militar. Tomara que aconteça, mas diz o Abraracourcix: parece que amanhã não será a véspera desta reforma menos dolorosa.

      Há um texto no Conexão sobre as relações Nipo-Israelenses. Gostei dele, pois tangenciou uma reflexão que eu faço há algum tempo.

      Se eu fosse um historiador faria um livro com o titulo “De Tóquio a Bagdá – duas intervenções e dois resultados” mostrando como os japoneses depois da segunda guerra reformaram uma série de valores fundamentais de sua cultura: a religião (o Imperador era Deus e deixou de ser), a escrita (passaram a usar um alfabeto fonético em vez do ideograma incompatível com a automação) o sistema de governo (passou a ser uma democracia parlamentar), a economia e sei lá o que mais.

      Já os iraquianos tiraram a mesma sorte grande que os japoneses, com muito menos sofrimento. Foram derrotados e ocupados pelos USA que tentou aplicar nele as mesmas fórmulas que deram certo no Japão e na Alemanha. Mas na Arábia isto não deu certo. Lá o Islã não se deixou transformar e a coisa degringolou para o Califado que vem matando mais gente por dia do que a Sadia mata de frangos (se você permite uma certa imprecisão).

      Como historiador eu tentaria identificar as causas. Porque os japoneses fizeram o que os árabes não estão dispostos a fazer? O mundo capitalista ocidental é um lugar muito mais aprazível para as pessoas e eles sabem disso. Compare quanta gente emigra dos países árabes para a Europa e os USA e quantos para o Paquistão e a Líbia. O mundo ocidental é tolerante com as diversas culturas, exigindo apenas os seus valores fundamentais de liberdade do indivíduo. Um árabe pode continuar a ser árabe nos USA ou na Holanda.

      Mas eu não sou historiador, então vou ficar esperando que o livro seja escrito.

      Enquanto isto eu vou continuar a acreditar que a guerra contra o Islã jihadista é inevitável e que o assalto do Hamas a Israel é uma manifestação disto.

      Abraço,
      Raul

    • João K. Miragaya

      21/08/2014 at 09:30

      Oi novamente.

      Não acredito que nenhum historiador escreverá este livro, pois a comparação é impossível de ser feita. Um historiador não pode ignorar fatores circunstanciais, além dos contextos nos quais os acontecimentos se deram. Este é o tipo de livro que um jornalista, já com uma ideia pré-definida do que quer mostrar, escreve. Normalmente os argumentos são ruins, pois ele busca somente os que lhe são interessantes para justificar o argumento central.

      Mas voltando ao caso da Alemanha, não podemos ignorar que o mundo aprendeu algo sobre o resultado das guerras: o plano norte-americano para a Alemanha pós-Segunda Guerra foi totalmente oposto ao que fizeram os britânicos e franceses em Versalhes. A guerra não bastaria para eliminar o nazismo, caso fossem dados aos alemães razões para mais revanchismo e ódio. O mesmo, no entanto, não foi feito no mundo islâmico pós-colonialismo. Isto gera consequências inevitáveis, e os resultados quase nunca são positivos para as antigas colônias. Abandonar o mundo islâmico em fronteiras bizarramente delimitadas, clãs rivais vivendo no mesmo território, numa condição de pobreza econômica e “científica” e grande desigualdade social sustentada por regimes monárquicos, dá márgem para guerras, nacionalismo radical e fundamentalismo religioso. A herança do imperialismo nesta região é péssima, totalmente oposta ao que ocorreu no Japão e na Alemanha no mesmo período.

      Minha conclusão, portanto, é de que as culturas cristã e nipônica também criaram fascismo e sistemas horríveis, tão ruins ou piores que o fundamentalismo islâmico. O radicalismo não é monopólio do islã. O problema é que o mundo ignora estas populações há tanto tempo que para resolver o problema por lá será necessário mais que um pacote econômico. Mas eu acredito que os seres humanos podem se entender (até hoje sempre se entenderam), e basta boa vontade para destruir a maldade.

      Abraço

    • Raul Gottlieb

      21/08/2014 at 14:59

      Certo, João.

      O Islã era angelical até os malvados colonizadores europeus o converter à violência. Mohamad era um profeta da paz e do amor que conquistou o mundo pela força de sua ideologia.

      Entendi – a culpa será sempre do europeu, a região que produziu os piores males que a humanidade jamais testemunhou (você não disse isto, mas chegou pertinho).

      Obrigado por esclarecer.
      Abraço, Raul

    • João K. Miragaya

      21/08/2014 at 17:23

      Eu realmente não disse isso. Até acho que a Europa produziu e criou os piores males que a humanidade jamais testemunhou, mas não falei em culpa. E nem acho que o que os europeus fizeram no Oriente Médio se aproxima dos males que fizeram na América ou na própria Europa (Shoa, Stalinismo, Cruzadas, Inquisição, etc). Falei sim em consequência de seus atos. É inegável o estrago que o imperialismo fez no Oriente Médio, você não acha?

      Sobre o que Maomé fez ou deixou de fazer, não acho que sirva de base para explicarmos a cultura islâmica hoje. O Tanach tampouco é um livro com histórias de paz e amor, no qual os hebreus retribuem violência com flores, e nem por isso eu acredito que os judeus sejam parte de uma cultura violenta e atrasada.

      Um abraço

  • Mario S Nusbaum

    17/08/2014 at 19:03

    “Acredito que somos todos seres humanos (apesar de você considerar que eles estão em outro universo), e que podemos entender um ao outro ”
    Desculpe perguntar, mas de quem você está falando? Você realmente acredita que podemos entender quem crucifica alguém porque professa outra religião? Quem assassina opositores e arrasta seus cadáveres com motocicletas? Quem prende uma moça por usar jeans?
    Eu não consigo, e se você consegue, peço que me explique o que devo entender sobre animais como esses:

    “It’s three weeks since his arrest but Ismail Halou still has streaks of purple bruising on the soles of his feet. The 22 year-old was filling cars at his family’s petrol station in Gaza City at 5pm on April 4th when a black jeep pulled into the forecourt, plain-clothed police stepped out and ordered him into the car. He was blindfolded and driven to the nearest police station.
    “I could hear the screams of people being beaten in the rooms next to me. Two men held my legs down and tied them together on a wooden board then they beat the soles of my feet with a plastic rod. They beat me for at least five minutes. I was crying and screaming with agony. It was the worst pain I’ve ever felt,” Mr Halou recalls.
    It was only after the beating that police officers set to work trying to shave off the one-inch fin of gelled hair that was the cause of his arrest.
    “At no point did they tell me why they had arrested me. I found out from neighbours when I got home that it was because of my hair,” Mr Halou explains, running a hand over the fuzzy regrowth on his head. He could not walk for three days after his release.

    Aproveite e explique para o pobre Ismail Halou, garanto que ele também não consegue.

    um abraço

    • Raul Gottlieb

      20/08/2014 at 23:25

      Caro Mario

      A declaração “somos todos humanos” usa o duplo sentido da palavra “humanos” para vender um conceito que não me parece ser correto.

      — Somos todos humanos no sentido biológico da palavra.

      — Mas não compartilhamos todos os mesmos valores humanitários.

      A definição de “humanitário” no Aulete Digital (o melhor dicionário online de português que eu conheço) é: Diz-se de pessoa que tem por interesse maior a humanidade e o bem-estar do homem.

      Ou seja, é uma definição que fala de valores. Já a definição de “humano” no mesmo dicionário tem duas vertentes, a biológica e a de valor:

      1. Ref. ao homem, à sua natureza e condição.
      2. Compreensivo, bondoso, humanitário.

      Somos todos humanos na dimensão “1” da definição. Mas não somos todos humanitários na dimensão “2”. E é com esta confusão semântica que muitos tentam argumentar. Quando falamos que os valores do Islã jihadista não são iguais aos nossos (e são piores que os nossos), bradam ”somos todos humanos!”, confundindo valores com biologia.

      Assim que é claro que somos todos humanos, mas isto não exclui o fato de que podemos habitar universos com escalas de valores completamente diferentes.

      Então, o João está falando de biologia e você de valores. Mas tudo se chama “humano”.

      Os humanos defendem valores humanitários muito diferentes. Alguns humanos defendem que toda vida é sagrada, enquanto outros humanos defendem um valor antagônico. A meu ver, são todos humanos, mas de humanidades diferentes.

      Abraço, Raul

    • João K. Miragaya

      21/08/2014 at 09:18

      Nada disso. O Rabin foi o primeiro a ser eleito como um ex-general do exército, mas a experiência e relevância militar dos outros jamais foi ignorada nem pelas populações nem pelas campanhas que fizeram, desde o Mapam até o Herut. Te recomendo ler os materiais de campanha dos partidos políticos nas eleições durante os primeiros 30 anos, e verás que o argumento militarista estava sempre presente, à figura representativa do partido (no caso de Golda, focava-se em outros, como Igal Alon e Moshe Dayan).

      Quem está desviando o assunto é você: eu não disse que todos foram eleitos por causa de seu currículo militar, mas disse que quase todos o têm, e o usaram de alguma forma. O Yossi Sarid, justamente, faz questão de ignorá-lo. Não à toa não tem a menor chance de ser eleito.

    • Raul Gottlieb

      21/08/2014 at 14:53

      Ok, João. Eu estou errado.
      Obrigado pelo esclarecimento.

  • Mario S Nusbaum

    21/08/2014 at 22:20

    Gostei muito da discussão entre o Raul e o João, e vou tomar a liberdade de palpitar.

    “Minha conclusão, portanto, é de que as culturas cristã e nipônica também criaram fascismo e sistemas horríveis, tão ruins ou piores que o fundamentalismo islâmico”
    Verdade, o nazismo não foi melhor do que o ISIS.
    “O radicalismo não é monopólio do islã”
    Hoje em dia praticamente é. Nunca entendi “justificar (sei que não bem isso, mas serve para dar uma ideia) o barbarismo ATUAL de um país qualquer com o de outro no PASSADO. Se formos pensar assim, não haveria nada de mais no Irã, por exemplo, instituir a escravidão, afinal ela existiu nos EUA e no Brasil. “O problema é que o mundo ignora estas populações” Desculpe dizer João, mas isso não faz nenhum sentido. Que “mundo” ignora mais de 1 BILHÃO de pessoas????? Será que eles não são em número suficiente para se desenvolverem apesar do “mundo”? Considerando que África, Oceania e América Latina nunca se meteram com eles, os números de opressores e oprimidos se equivalem.

    ” É inegável o estrago que o imperialismo fez no Oriente Médio, você não acha?” Para mim é sim, mas também fez estrago nas Américas, você não acha? Nem por isso aqui se vê protestantes crucificando católicos, adúlteros apedrejados até a morte, gays enforcados em guindastes ou pessoas chicoteadas por não estarem vestidas “adequadamente”. Aliás João, você mesmo reconhece que “nem acho que o que os europeus fizeram no Oriente Médio se aproxima dos males que fizeram na América ou na própria Europa (Shoa, Stalinismo, Cruzadas, Inquisição, etc).”
    Por que então as consequências HOJE são tão diferentes? Negar que há algo profundamente errado por lá não leva a nada. Sobre o Tanach, conte comigo para condenar quem o segue a risca tão severamente quanto condeno o fundamentalismo islâmico. E muito mais importante, ele não serve de lei para nenhum país, graças a Deus!

    • João K. Miragaya

      24/08/2014 at 15:45

      Oi Mário.

      Você sabia que o número de homicídios per capta nos países latinoamericanos é bem mais alto do que os do Oriente Médio? As consequências drásticas do colonialismo europeu na América Latina está aí, todos podem ver. Evidentemente já se passaram mais de 200 anos, tempo o suficiente para que tais países se desenvolvessem e corrigissem parte de tais estragos. Aí entra a responsabilidade própria. Ainda assim, é difícil competir com o neocolonialismo. Qual ex-colônia de exploração hoje é um país do bloco desenvolvido?

      As consequências são bem diferentes, mas isto não significa que os radicalismos surgidos aí no Brasil sejam menos crueis com as próprias populações do que o radicalismo islâmico. Mesmo assim, considere que há 150 anos de diferença entre as independências.

      Abraço

    • Raul Gottlieb

      25/08/2014 at 23:27

      Mário,

      A Europa colonizou o Oriente Médio por pouquíssimo tempo. Uns 30 a 35 anos, se tanto. Desde a conquista dos Europeus das províncias árabes do Império Otomano (1917-18) até pouco depois do fim da segunda guerra (1945-48).

      São civilizações antiquíssimas, de mais de cinco mil anos. Mas foram justamente estes 30 anos (meio porcento da existência de sociedade organizada nestas regiões) que, segundo as pessoas que pensam semelhante ao João, tiveram o condão de estragar tudo.

      Eu acho esta afirmação altamente duvidosa. E bota altamente nisto. Estes países já tiveram mais de 70 anos para construir democracias, mas nada foi feito.

      Enquanto isto, Israel foi criado em 1948 em cima da mesma base colonial britânica, vive em guerra o tempo todo e construiu uma democracia que permite o Conexão Israel, fora todo o resto.

      Não é o colonialismo europeu que explica a brutalidade despótica do mundo árabe. o colonialismo europeu é apenas o bode expiatório mais conveniente, pois hoje em dia está na moda ter vergonha do sucesso.

      O pensamento dominante da atualidade doutrina que se algo se elevou acima dos demais é porque passou a perna nos outros.

      Abraço, Raul

  • Daniel Ring

    24/08/2014 at 02:55

    João, parabéns pela lucidez.
    Gostaria de rebater um ponto colocado pelo Raul Gottlieb:
    “O dia em que o jihadismo Islâmico sofrer a mesma sorte do nazismo e os seus (então ex) aderentes e simpatizantes substituírem os seus valores pelos valores ocidentais o mundo será um lugar melhor e o entendimento entre judeus e muçulmanos será mais simples de ser alcançado.”
    Essa frase traz em si toda uma linha de pensamento altamente fascista e imperialista, implicando que os valores “ocidentais” seriam os únicos valores válidos para uma sociedade. Além disso “valores ocidentais” é um conceito um pouco vago.
    De qualquer maneira concordo que seria bom que o jihadismo islamico tivesse uma mudança de valores. Da mesma forma, e acho que esse é um dos pontos do João, o sionismo também precisa de uma mudança de valores. Desde a criação do Estado de Israel, praticamente apenas a estratégia militar foi utilizada.
    Não dá pra ficar enxergando esse conflito em termos do que aconteceu no último mês. Para que não viu, o filme The Gatekeepers, mostra essa perspectiva história contada por 6 ex-chefes do Shin Bet.
    Acredito que para alcançarmos a paz e melhorarmos a imagem de Israel no mundo, o sionismo precisa se reescrever. Não acredito que os primeiros sionistas tinham o objetivo de criar um Estado aonde os Judeus pudessem ser livres em detrimento da liberdade dos Palestinos. Não acho que a intenção deles era a formação de um Estado no qual seus cidadãos tivessem direitos diferentes em função de suas origens e credos (estou falando dos privilégios outorgados a judeus ortodoxos e direitos retirados de árabes israelenses).

    • João K. Miragaya

      25/08/2014 at 12:10

      Eu penso como você, Daniel, mas discordo do uso “fascista” nesta sua categorização. Não acho que caiba nem um pouco no caso, o fascismo é uma ideologia bastante complexa, não se aplica ao que o Raul escreveu por diversos fatores.

      De resto, estou de acordo.

      Um abraço

    • Daniel Ring

      25/08/2014 at 12:35

      Justo. Só quis chamar atenção à esse ponto que acho fundamental sobre a visão que “nós” temos “deles”. Esse idéia de que a cultura ocidental é a correta e precisa ser implementada no oriente é tão perigosa quanto o ideal jihadista de que o islã tem que ser implementado no ocidente.
      Abraço!

    • Marcelo Treistman

      25/08/2014 at 18:23

      Daniel,

      Esta sua caracterização acerca dos argumentos do Raul é completamente descabida e fora do lugar.

      Quando o Raul cita “valores ocidentais” está mais do que claro que ele se refere a valores como iluminismo, democracia, direitos humanos e liberdades individuais. Afinal de contas, isto não é tão vago assim e – de fato – estes valores são objetivamente melhores que os valores muçulmanos-radicais. A não ser que você se considere um relativista cultural, e toda a estupidez que acompanha esta definição, então você também concorda com o Raul.

      Ele não diz em nenhum momento que existe um “único caminho”. Indica, com razão, que se os fundamentalistas islâmicos abandonarem os valores presentes em seus discursos e práticas e optarem pelos valores que eu citei acima (que estão intrinsicamente vinculados a “valores ocidentais”) o mundo seria um lugar melhor.

      Argumento fascista ou imperialista seria se ele desejasse impor estes valores a força. Não é possível compreender isso no comentário do Raul. O que há na verdade é uma hierarquização de valores. Ele diz que os valores ocidentais são melhores do que os valores inseridos dentro do fundamentalismo islâmico. Esse é o ponto e eu não vejo como alguém possa negá-lo.

    • Daniel Ring

      25/08/2014 at 18:48

      Marcelão,
      concordo contigo e peço desculpas ao Raul pela minha leitura equivocada do seu comentário. Realmente não deve ter sido mesmo essa a intenção.
      De qualquer maneira, reitero o ponto porque é algo que tenho visto com frequência no debate público e continuo achando problemático o uso desse termo “valores ocidentais”. E no caso de esse termo se referir ao que você disse (iluminismo, democracia, direitos humanos e liberdades individuais) acho que Israel também precisa se aproximar mais de “valores ocidentais”.
      Abs

    • Marcelo Treistman

      26/08/2014 at 10:45

      Daniel,

      Eu não vejo nenhum problema com o termo “valores ocidentais”, mas respeito a sua concepção sobre a “problemática”.

      Compreendo que o seu desejo é tornar Israel MAIS democrática, com MAIS liberdade, com MAIS preocupação em relação aos direitos humanos. Acho isso muito bonito de sua parte e
      acredito que esta é uma luta relevante para todos os países ancorados nos valores ocidentais.

      Entre os valores presentes em Israel que, na sua concepção, precisam se “aproximar mais” de valores ocidentais e os valores presentes nas sociedades regidas pelo fundamentalismo islâmico, não tenho dúvidas de que você possui plena consciência do abismo moral existente entre eles.

      Quem dera todos estes regimes islâmicos estivessem “longe” dos valores ocidentais como Israel está neste momento, segundo a sua opinião.

      Se assim o fosse, certamente o mundo estaria muito melhor.

      Abraços

    • Raul Gottlieb

      26/08/2014 at 15:44

      Daniel

      Não precisa pedir desculpas de forma alguma. Não é um pecado interpretar errado. E também não é pecado algum ser “fascista” se isto significar julgar que os valores ocidentais são melhores que os islâmicos. Muito melhores! Anos-luz melhores!

      Mas não fiquemos nos rótulos. Vamos aprofundar o assunto. Eu te sugeri uma leitura da Declaração Universal dos Direitos do Homem e uma leitura da Declaração Universal Islâmica dos Direitos do Homem.

      Na superfície elas são quase iguais, mas diferem num ponto fundamental. Na declaração islâmica a religião (eles chamam de “Lei”) é o limite para os direitos. A pessoa tem todos os direitos ocidentais, porém desde que não infrinjam as normas religiosas.

      E as normas religiosas são definidas à la bunda-lelê, pelo religioso junto ao poderoso de plantão. É completamente arbitrário.

      Isto é claramente escravizante e opressivo. Logo, é muito ruim.

      Vale a pena estudar um pouco, Daniel. Não é absolutamente verdadeiro que todos os conjuntos de valores sejam iguais. Os valores de uma ditadura servem para oprimir e isto não é nada bom. Mesmo quando o oprimido por “kotzer ruach” (Shemot 6) não entende ou aceita a opressão.

      Leia o que sugeri e depois conversamos mais.

      Abraço cordial
      Raul

    • Raul Gottlieb

      25/08/2014 at 21:03

      Oi Daniel,

      Eu não saberia rotular o meu pensamento. Não sei se ele é fascista ou imperialista ou qualquer outra coisa. O que sim sei é que:

      a) Eu acredito que cada cultura constrói os seus valores singulares e individuais e que este valores não se equivalem. Existem valores melhores que outros.

      Como uma nota à margem, noto que se os valores se equivalessem então os valores do “fascismo” e do “imperialismo” não seriam diferentes de nenhum outro conjunto de valores e como tal não poderiam ser criticados por você.

      b) Numa definição imperfeita, mas bem adequada para este espaço de discussão, os “valores ocidentais” são aqueles expressos na declaração universal dos direitos do homem.

      c) Os países islâmicos não aceitam a DUDH, pois ela não é aderente aos seus valores. Procure na internet sobre a Declaração Universal dos Direitos do Homem e sobre a Declaração Universal Islâmica dos Direitos do Homem. Comece lendo seu texto em: http://www.alhewar.com/ISLAMDECL.html. Depois se divirta com a história de como foi concebida e quem são os seus signatários. Eu acho fascinante.

      Veja em Foreword: The Universal Islamic Declaration of Human Rights is based on the Qur’an and the Sunnah

      Veja em Explanatory Notes: The term ‘Law’ denotes the Shari’ah, i.e. the totality of ordinances derived from the Qur’an and the Sunnah and any other laws that are deduced from these two sources by methods considered valid in Islamic jurisprudence.

      Então, quando a declaração islâmica fala que “Every person has the right to express his thoughts and beliefs so long as he remains within the limits prescribed by the Law”, ela está falando que todo mundo tem o direito de concordar com a Sharia, sendo, em consequência proibido pensar diferente.

      Deixando claro que a Sharia é uma lei religiosa que tem aplicações diversas conforme o capricho do religioso que detém o poder naquele lugar.

      Com certeza você saberá deduzir o que resulta deste tipo de legislação e assim sendo eu espero que a diferença entre os valores ocidentais e os valores islâmicos tenha ficado bem clara agora.

      Eu penso que os primeiros são melhores. Mas é claro que você pode colocar óculos com poderosas lentes de cor de rosa e achar que é tudo igual e que o mundo é feito apenas de paz, amor e respeito.

      Mas você estará apenas se enganando, Daniel.

      Um abraço,
      Raul

    • Mario Silvio

      28/08/2014 at 00:45

      “direitos retirados de árabes israelenses.”
      Que direitos Daniel? Pergunto porque já contestei quem diz isso dezenas de vezes. Além de contestar sempre cito os parlamentares e juízes árabes. Com toda sinceridade nunca ouvi falar nisso.

    • Mario Silvio

      28/08/2014 at 00:55

      “aderentes e simpatizantes substituírem os seus valores pelos valores ocidentais o mundo será um lugar melhor e o entendimento entre judeus e muçulmanos será mais simples de ser alcançado.” Daniel, e se a frase fosse: aderentes e simpatizantes substituírem os seus valores pelas liberdades de expressão e religião o mundo será um lugar melhor e o entendimento entre judeus e muçulmanos será mais simples de ser alcançado, você concordaria?
      Em quantos países do OM elas existem?

      “Além disso “valores ocidentais” é um conceito um pouco vago”
      Entendo por valores ocidentais aqueles propostos, por exemplo, na Bill of Rights inglesa e na Constituição Americana. Claro que não são 100% implementados em nenhuma país, mas porque fingir não saber que em alguns nenhum deles é respeitado? Não entendi.

      “direitos retirados de árabes israelenses.”
      Que direitos Daniel? Pergunto porque já contestei quem diz isso dezenas de vezes. Além de contestar sempre cito os parlamentares e juízes árabes. Com toda sinceridade nunca ouvi falar nisso.

    • Daniel Ring

      01/09/2014 at 14:49

      Oi Mario,
      sobre os direitos dos árabes israelenses: existe uma diferença muito grande entre a teoria e a prática. Em teoria os direitos seriam iguais, mas, na prática, não é bem assim:
      1- O KKL (Keren Kayemet) é detentor de aprox 13% das terras de Israel. Essas terras só podem ser ocupadas por judeus.
      2- Embora 20% da população seja árabe, apenas 7% do orçamento é destinado à essa população.
      Esses são apenas dois exemplos. Tem muito mais. Se tiver paciência, pode ler o artigo a seguir, que cita vários outros: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/32619/as+leis+discriminatorias+de+israel.shtml

      Sobre a questão dos “valores ocidentais”, já respondi. Minha questão é com o termo e não com os valores em si.

      Abs!

    • Mario Silvio

      02/09/2014 at 16:15

      OI Daniel, obrigado pelas informações. Contrariando meus princípios (considero o Opera Mundi anti-semita, mentiroso e radicalmente parcial), li o artigo que você indicou. Comenta-lo implicaria em uma longa resposta, por isso vou me fixa apenas em alguns pontos.

      ” Em 2003, perto de metade de todas as famílias palestinas viviam na pobreza em comparação com cerca de uma em cada cinco famílias judias israelenses.23 Em 2010, os cidadãos palestinos constituíam um terço de todas as pessoas pobres em Israel”
      Isso acontece em TODOS os países do mundo, democráticos ou não. Exemplos: hispânicos nos EUA, lapões na escandinavia e aborígenes na Aurstrália. As razões são muitas, mas nenhuma delas tem a ver com leis.

      ” para cada estudante judeu, as escolas têm um orçamento de cerca de 1.100 dólares por ano. Para cada criança palestina, no entanto, o número era de apenas 191 dólares:”
      Essa eu não entendi. Sempre soube que as escolas são “mistas”. Estou errado? Atenção! Sempre que discuto esse assunto, penso em Israel, não nos territórios ocupados.

  • Daniel Ring

    26/08/2014 at 21:31

    Oi Raul,

    novamente peço desculpas pela minha interpretação equivocada da tua fala.
    Concordo com absolutamente tudo que você escreveu agora. Não tenho dúvida de que um regime democrático é melhor do que a lei da Sharia.
    A problemática que eu coloquei era sobre essa generalização “valores ocidentais” que, de certa forma, implica no conceito de “valores orientais”, conceito que seria ainda mais vago.
    Ao começar a pesquisar sobre essa assunto hoje encontrei o trabalho do Prof. Edward Said, que fala sobre a questão do que ele chama de “Orientalismo”. O “Orientalismo” seria a visão que o ocidente tem sobre os Árabes. Tem algumas entrevistas com o Said no Youtube e um documentário chamada “Orientalism”, além do livro com o mesmo título, que eu ainda não tive a oportunidade de ler.

    Marcelão,
    não tenho dúvida que Israel hoje está bem mais próximo de uma democracia do que os países Islãmicos. Se não fosse assim, eu não teria a menor chance de estar escrevendo esse tipo de crítica com tranquilidade na minha casa em Tel Aviv. Não tenho dúvida que há esse abismo moral mesmo.
    Só acho que nós, como cidadãos de Israel ou judeus na diáspora, temos a possibilidade de influenciar a política do governo de Israel. Por isso acho mais construtivo da minha parte criticar o governo de Israel do que o ISIS (por mais que o segundo seja muito pior que o primeiro).

    Abs!

  • Moisheleh

    28/08/2014 at 05:48

    Não posso negar que o autor tem um ponto. Como diz o ditado: “Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás”…Guevara não está errado nesse ponto. Como o autor disse, o Fatah é punido e o Hamas premiado! Discordo do autor quanto à necessidade da guerra, entretanto, penso que ao mesmo tempo em que punimos os terroristas devemos dar algo em contrapartida aos civis palestinos. Algo como um “Plano Marshal Judaico”, digo, atacarmos o Hamas, mas reconstruirmos o patrimônio civil destruído. Dar-lhes escolas e hospitais que sejam administrados por Israel, para que ofereçam instrução sem a retórica terrorista do Hamas e hospitais que não sirvam de arsenal para os mesmos. Que os palestinos vejam Israel como um estado protetor e não o destruidor de seus lares. Enquanto formos a mão que bate sem sermos a que alimenta, o Hamas será visto pelos palestinos como libertador. Devemos caçar os terroristas, mas ao mesmo tempo conquistar os corações dos civis, então o Hamas estará com os dias contados!

Você é humano? *