Jerusalém, a melhor noite que tem!

Jerusalém é uma cidade que permeia o imaginário mundial. A cidade velha, as religiões monoteístas, o conflito, os religiosos, todo mundo deve ter uma imagem da cidade na cabeça. Mas, além de tudo isso, Jerusalém tem uma população jovem. Estudantes que vêm pra cá para estudar na Universidade ou nas faculdades da cidade, turistas de todo o mundo hospedados nos albergues, participantes do Taglit Birthright.  E, se há vida jovem, há demanda por diversão. 

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Avram Bar com show de Flamenco

Existem casas de shows de pequeno e médio porte que recebem desde artistas consagrados a novidades da cena israelense. Como as opções noturnas não são tantas como em Tel Aviv, é difícil definir um lugar pelo estilo de música. Numa mesma casa, é possível escutar música clássica num dia e indie rock no outro, o que muda é a configuração das mesas e cadeiras.

Já as boates eu dividiria entre mainstream e alternativo. As do primeiro grupo tocam pop-super-conhecido ou eletrônico, recebem um público mais arrumado e produzido e em geral são mais caras. As alternativas são um misto de bar-boate que toca de tudo. Uma noite pode ser groove, outra rock, outra reggae.  Uma coisa curiosa é notar o jeito de dançar das pessoas. Cada um dança como quer, não existe um estilo único. Como a cidade tem gente de todos os cantos do mundo, as linguagens corporais são diferentes.

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Toy Bar: night

Nos bares de Jerusalém, o balcão ocupa um lugar central. Nada como balcão de botequim, mas sim com cadeiras onde é possível tomar um drink ou até mesmo jantar. Casais, grupos, pessoas sozinhas sentam no balcão. É uma forma de sociabilidade, de puxar um papo com um desconhecido ou flertar com as meninas ao lado. E, como é um país onde a grande maioria é classe média, geralmente se conhece o bartender ou o garçom.  É o famoso “emprego de estudante”.

A cultura etílica é um pouco diferente do Brasil. As opções de cerveja são sempre variadas, seja garrafa ou barril. Num mesmo bar existem várias marcas, e apesar de existir uma grande marca nacional, a Goldstar, a sua presença não se compara ao monopólio da AmBev. Em barril há duas opções de volume: o shlish (300ml) ou o chetzi (500ml), que custam entre 20 a 30 shekels (entre R$ 10 a R$ 15). É caro, álcool aqui é muito caro. Mesmo quando a cerveja é de garrafa, não se vê ninguém dividindo. Eu tenho a minha, você tem a sua.  E infelizmente o conceito de saideira não chegou à Israel.

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Sira Pub: noite alternativa

Outra coisa muito comum são os chasers, shots de 25 ml de qualquer destilado. Às vezes para “abrir os trabalhos” ou pra comemorar alguma coisa e fazer um brinde. Os garçons e bartenders também oferecem por conta da casa, como um mimo, se a soma foi alta ou se você conhece alguém no bar. E você sempre conhece alguém no bar.

No fim da noite, lá pras 3 ou 4 da manhã, acontece o mesmo que em todas as cidades. Filas de pessoas na pizzaria ou na carrocinha de cachorro quente na Ben Yehuda. Casais recém-formados voltando pra casa. Amigos carregando um que bebeu demais. E todos com alguma história pra contar no dia seguinte.

A Cidade Santa pode não estar no imaginário das pessoas quando se pensa em vida noturna, mas parece que Deus fica feliz quando a juventude faz o que o Diabo gosta.

O título é emprestado do funk Jerusalém, de Mr. Catra e MC Sapinho de Israel

Foto de capa: Abraham Hostel https://www.facebook.com/photo.php?fbid=495795857155010&set=a.495795817155014.1073741849.106829506051649&type=3&theater

Foto Avram Bar: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4894819208346&set=a.4894817208296.1073741845.1233791331&type=3&theater

Foto Toy Bar: Igor Farberov Photography https://www.facebook.com/photo.php?fbid=576209699068027&set=a.576207959068201.1073741892.176680162354318&type=3&theater

Foto Sira Pub: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10150843701199624&set=a.128737189623.106178.646994623&type=3&theater

 

Comentários    ( 6 )

6 Responses to “Jerusalém, a melhor noite que tem!”

  • Daniel Rajs

    21/05/2013 at 20:30

    Adorei o texto!!! Mas a frase “Jerusalém, a melhor noite que tem”, creio que já existe há mais tempo do que o Mr. Catra e MC Sapinho de Israel…

    • Mila Chaseliov

      21/05/2013 at 22:54

      Obrigada querido! De onde? Eu ouvi pela primeira vez em 2007 no meu Taglit. Só que a gente cantava a MENOR noite que tem, porque Taglit, sabe como é, tem hora pra acabar.

  • VERA SILIANO

    28/05/2013 at 02:19

    OLA MILA, ADOREI SEU TEXTO, NAO DEU PARA APROVEITARMOS MAIS A NOITE DE JERUSALEM, MAS NOSSO JANTAR FOI OTIMO, ADORAMOS ESTAR COM VOCES, SUCESSO UM GRANDE BEIJO, VERA SILIANO

  • Rodrigo Weisz

    12/06/2013 at 17:35

    E nos bairros árabes, a cerveja é mais barata? Comecei a desanimar de fazer Aliah… rsrsrs

    • Mila Chaseliov

      12/06/2013 at 18:03

      Oi Rodrigo,
      não que eu saiba, rs… Mas uma garrafa no supermercado é mais barata, custa por volta de uns 10 shekalim (R$5).
      Obrigada pela visita!